segunda-feira, setembro 26, 2011

MISSÃO LASER (Laser Mission, 1990, EUA)


Quem espera grande coisa de uma produção cujo título sequer chama a atenção mesmo tendo relação direta com a história? Some isso ao fato de termos Brandon Lee em sua estréia no cinema americano e Ernest Borgnine juntos numa mistureba ingênua de ação e ficção científica. E ainda temos a música-tema sendo executada mais de 5 vezes em todo o filme, levando o espectador a crer que David Knopfler (irmão de Mark Knopfler e ex-Dire Straits) não recebeu o suficiente para elaborar uma trilha sonora completa.


Brandon Lee (que teria uma provável bela carreira interrompida devido ao seu brutal falecimento durante as filmagens de “O Corvo”) é Michael Gold, um mercenário norte-americano enviado a um país ditatorial fictício com o propósito de contatar o professor Braun (Ernest Borgnine, mandando ver no falso sotaque alemão) e lhe propor asilo nos Estados Unidos. Braun possui o projeto de uma arma à laser guardada na memória, que só pode ser elaborada com a inclusão de um famoso e caro diamante roubado no início do filme. Gold promete liberdade total e segurança no seu novo lar, pois a criação não pode cair em mãos erradas. Durante a conversa, ambos acabam atingidos por dados tranquilizantes no pescoço. Aprisionado pelo horrendo (no mal sentido…) Coronel Kalishnakov (Graham Clarke) e sem idéia do paradeiro do simpático senhor, resta ao mercenário aturar um guarda tosco dizendo “We cut off your head mañana!!”, escapar da cela, falar com seus contratantes e iniciar uma missão de resgate.

Requisitos como os descritos acima fazem qualquer produçãozinha ser diversão garantida para os apreciadores de um bom filme ruim. “Missão Laser” pode ser visto como um belo cartão de visitas para as filmecos fuleiros do gênero que infestaram os cinemas e as prateleiras das locadoras nos anos 80. O leitor deve estar se perguntando: – Peraí, mas ele não foi feito em 1990? Exatamente, o roteiro é uma tremenda colcha de retalhos de todos os clichês e besteiras destas saudosas produções. O básico do básico está presente: o moçinho fodão que pouco está ligando para as situações perigosas, a gatinha ajudante (aqui, Debi Monahan), o vilão imbecil, os personagens cômicos sem a menor graça e um veterano decadente fazendo participação especial.


E tome queijo. Numa fuga em cima dos telhados de uma residência, Michael Gold cai na sala de jantar desta, quebrando tudo. Depois de se levantar sem sofrer um mísero arranhão, ele segue rumo a concluir seu objetivo, quando olha o casal assustado e diz: – Só vim aqui para dizer… bom apetite!! Com tamanha esculhambação, fica impossível não sentir pena ao ver Ernest Borgnine, astro de obras do porte de “Os Doze Condenados”, “Meu Ódio Será Sua Herança” e “O Imperador do Norte” (só para citar três…) encarando furadas deste nível para faturar uns trocados. Já os vilões Graham Clarke e Werner Pochath (falecido em 1993, vítima da AIDS) mostraram que são bons profissionais. Deveriam ter observações assim no roteiro: para quem for Kalishnakov, seja bem ridículo; para quem for Eckhardt, seja mais ridículo ainda e tente fazer umas expressões faciais toscas para mostrar a insanidade do personagem. Eles conseguiram.


Algo que não deve ser cobrado em “Missão Laser” é lógica. Acreditem, depois de um cena de tiroteio no meio urbano, os protagonistas seguem rumo a estrada e vão parar num deserto!! Também não dá para decifrar onde diabos se passa a história. O país tem a aparência de ser localizado na África, com o idioma falado sem definição entre inglês e espanhol (alguns falam só o idioma britânico ou latino e outros, como o guarda tosco, misturam os dois) e escritos em português. Falando nisso, todos os sotaques dos atores americanos interpretando estrangeiros são um ponto a mais para o fator trash da produção.

Enfim, apesar da ruindade geral, o filme tem um bom visual graças aos cenários escolhidos pelos produtores. Mas isso pouco importa. O importante mesmo é que “Missão Laser” diverte quem curte ficar tirando sarro das babaquices enquanto confere alguma bobagem inofensiva de vez em quando (senão o cérebro atrofia hehehe).

NA: 01 – Infelizmente, dá para notar que alguns momentos foram editados pela censura como uma decapitação, uma cena de sexo e a morte de um dos principais vilões. Segundo um usuário no IMDb, a versão sem cortes é a intitulada “Soldier of Fortune”.

02 – Os direitos de copyright do longa caíram em domínio público. Então, qualquer um que adquira uma cópia do filme pode distribuí-lo a vontade que não tem bronca com a lei. Segue um link para download desta pérola via este excelente site especializado em torrents de filmes em domínio público: http://www.publicdomaintorrents.com/

Texto escrito originalmente para o hoje extinto site Erotikill. Dedico a postagem ao amigo Leopoldo Tauffenbach, a quem tive o prazer de conhecer 'in persona' na passagem por São Paulo e que teve a "sorte" de assistir a essa pérola do cinema nos últimos dias. :)

...is back!

quarta-feira, setembro 21, 2011

quarta-feira, setembro 14, 2011

Um tributo a Cliff Robertson, por Steve Latshaw

O roteirista de MACH 2 escreve sobre como foi conhecer e trabalhar com o lendário ator durante as filmagens deste pequeno filme de ação dirigido por Fred Olen Ray.

Dick Cavett tenta entrevistar John Cassavetes, Peter Falk e Ben Gazzara (1970)





segunda-feira, setembro 12, 2011

Trailer e poster de CHILLERAMA


PACIFIC, disponível para download gratuito

Não é bem a praia do blog, mas essa notícia eu faço questão de compartilhar. A partir de hoje, PACIFIC pode ser baixado gratuitamente em seu site oficial. O filme de Marcelo Pedroso é um dos melhores e mais curiosos documentários que assisti em anos. A produção também abriu portas para uma calorosa e válida discussão sobre as fronteiras desse cinema. PACIFIC merece demais ser visto.

Boa sessão.



domingo, setembro 11, 2011

quinta-feira, setembro 08, 2011

Recordar é viver: PM Entertainment e DUPLA EXPLOSIVA (1996-1998)


A PM Entertainment foi uma bem sucedida produtora e distribuidora de filmes de ação para o mercado doméstico nos anos 90. Estamos lidando com o lado B do cinema, mas ainda assim, os títulos da PM sempre rivalizavam com as produções dos grandes estúdios para os cinemas em termos de sequências de ação. Claro que os orçamentos não eram os mesmos, diferenças e limitações poderiam ser notadas pelos espectadores, mas isso nunca importou muito. Podemos dizer o mesmo de alguns roteiros filmados por ela (risos).

Foram esses filmes que me fizeram prestar atenção nos créditos finais para dublês e seus coordenadores pela primeira vez como cinéfilo. Seriam muitas as vezes que veria o nome de artistas do ofício como Art Camacho, Cole McKay e Patrick Statham depois. Não se deve comparar o sofrimento dos dublês que já trabalham para John Woo, mas aqueles que trabalharam na PM também não ficam muito atrás. Sangue, suor e lágrimas certamente foram derramados nos sets de filmagens da PM, o esforço e talento por trás das sequências de ação continuam inegáveis com seus tiroteios, lutas, explosões e alguns dos 'stunts' mais ousados de seu período.

Assim como a própria PM, uma divertida série televisiva chamada DUPLA EXPLOSIVA (LA Heat) hoje se encontra vítima do esquecimento. Ela foi desenvolvida no auge da produtora sem o apoio de uma grande rede de emissoras, fazendo mais sucesso no mercado estrangeiro do que nos Estados Unidos. O seriado durou duas temporadas totalizando 48 episódios repletos de cenas de ação, as mais caras sempre recicladas de filmes da PM. Estrelado por Wolf Larson, Steven Williams, Renée Tenison e Kenneth Tigar, o programa seguia a linha de MÁQUINA MORTÍFERA e MIAMI VICE com os protagonistas caçando praticamente todo tipo de criminosos. Aqui no Brasil, ela fez a alegria de muitas manhãs de sábado na Rede Globo durante o final dos anos 90 e contou com as participações do boxeador Sugar Ray Leonard (que também distribuiu sopapos ao lado de Gary Daniels em RUAS VIOLENTAS, um dos melhores filmes da PM), Sam J. Jones, Robert Miano e Gary Hudson como o principal vilão da segunda e última temporada, aparecendo em 5 episódios. Rever a abertura no YouTube me deu aquela saudade:



Qualquer fã de cinema de ação deveria conhecer um pouco desses filmes produzidos por Richard Pepin e Joseph Merhi, pena que os DVD's lançados aqui no Brasil sejam difíceis de encontrar. Mas com certeza, essa não será a última vez que falo da PM Entertainment aqui no Vá e Veja. Stay tuned!

PS: Sim, eu sou um nostálgico incurável. Não tem jeito. ;-)

domingo, setembro 04, 2011

Resenhas de VHS, revista PsicoVideo (1995)

Fuçando o "The Osvaldo Files" para mais uma pesquisa, me deparei com a PsicoVideo nº. 2, dei uma escaneada na seção VHS da revista e resolvi compartilhar suas páginas com todos vocês.

Não é de hoje que a curta duração passou a ser um mal que assola as publicações do gênero no país: a PsicoVideo durou apenas dois números.




domingo, agosto 28, 2011

Poster e trailer de TYRANNOSAUR

Escrito e dirigido por Paddy Considine


sábado, agosto 27, 2011

Sobre a Sessão Surpresa do Vá e Veja no Cineclube Dissenso

Dando uma passadinha para dizer que foi um sucesso. ;)

Tivemos uma boa reação dos espectadores ao clima de completa despretensão de um de meus filmes favoritos dos anos 80. O longa que apresentei na Sessão Surpresa do Cineclube Dissenso foi VAMPIRO DAS ESTRELAS (Not of this Earth, 1988), de Jim Wynorski, inspirada refilmagem do clássico de Roger Corman produzido em 1957.

Muito obrigado aos amigos do Dissenso, ao público que compareceu para mais outra memorável tarde de cinema, a todos que desejaram o melhor para a sessão e claro, a cada um de vocês que curtem o Vá e Veja. Também extendo os meus agradecimentos a Jim Wynorski e Lenny Juliano pelo carinhoso apoio e por fazerem parte de minha formação e paixão pelo cinema B e de gênero. Até mais, turma!



sexta-feira, agosto 26, 2011

Sessão Surpresa do Cineclube Dissenso - 5 anos de Vá e Veja

Como estamos chegando ao final de mais um mês, no próximo sábado (27/08), às 14h, no Cinema da Fundação, o Cineclube Dissenso apresenta a sua tradicional Sessão Surpresa. Aproveitamos a ocasião para convidar o amigo conhecido internacionalmente como "Brazilian B Movie Guru", Osvaldo Neto, para escolher o filme, marcando a comemoração de cinco anos de seu blog Vá e Veja (http://blog.vaeveja.com/). Osvaldo foi indicado recentemente a um prêmio internacional: The SuperFan award no Golden Cob Awards do B Movie Celebration, que acontece anualmente em setembro em Franklin, Indiana, EUA.

A idéia da Sessão Surpresa é brincar com a expectativa do público e permitir uma experiência cinematográfica com o mínimo de informação prévia possível, sem o conforto das sinopses, das críticas e das informações que o espectador pode acessar normalmente antes de ir ao cinema. Desse modo o contato com o filme e o debate sobre ele ganham uma luz e uma mediação diferentes. Depois do filme, debate na sala Edmundo Morais.

Sessão Surpresa
Sábado, 27/08, às 14h
Cinema da Fundação
Entrada gratuita

Postagem no. 666


Resgatei das profundezas infernais do blog um texto escrito em 2006 sobre A PROFECIA, de Richard Donner, até hoje o meu filme favorito do cinema de terror. Confira!

Um senhor bate-papo com Brian Trenchard-Smith



Aproveite e leia a mais recente postagem de Brian no blog do sublime Trailers from Hell!

terça-feira, agosto 23, 2011

81 anos de Vera Miles


Radioactive Dreams volta com BRAIN SMASHER!

Texto do meu amigo de fé, meu irmão camarada Ronald Perrone, que considera o longa um dos melhores na filmografia de Albert Pyun: confira!

sexta-feira, agosto 19, 2011

quinta-feira, agosto 18, 2011

A NOTÍCIA DA SEMANA!

Acabei de saber que A NOITE DO CHUPACABRAS, de Rodrigo Aragão (MANGUE NEGRO), será exibido no B Movie Celebration 2011 em Franklin, Indiana, Estados Unidos. Parabéns, turma! Me sinto possuído por uma felicidade tremenda e a dedico para cada um dos membros da equipe deste filme, que terá uma grande exposição para muitos fãs e realizadores de cinema B e de gênero independente ao longo dos dias do evento.




2011 marcou a participação do Brasil no B Movie Celebration. Quem me acompanha sabe que continuo vendo com muita alegria a minha indicação na categoria SuperFan do Golden Cob Awards, a premiação anual do evento. Não saí vencedor, mas só o fato de ser indicado foi como ganhar um prêmio.

Que a nossa participação só aumente nos próximos anos neste e em outros eventos e festivais internacionais, para mostrarmos ao mundo que nós sim, temos gente que faz e pensa cinema de gênero com personalidade, dedicação e profissionalismo. Não é pouco, trata-se de um grande passo rumo a um reconhecimento que creio não tardar para chegar. Torço muito por isso.


Me despeço por enquanto com um grande abraço a todos os amigos que são parte da equipe A NOITE DOS CHUPACABRAS e os que tem apoiado esse filme que ainda não vi, mas considero essencial há um bom tempo.

domingo, agosto 14, 2011

Papais inesquecíveis do cinema

James Stewart em "A Felicidade Não Se Compra"

Lamberto Maggiorani em "Ladrões de Bicicleta"

Gregory Peck em "O Sol é Para Todos"

Charles Bronson em "Desejo de Matar"

Sylvester Stallone na série "Rocky"

Dustin Hoffman em "Kramer vs. Kramer"

Sean Connery em "Indiana Jones e A Última Cruzada"

Laurence Fishburne em "Os Donos da Rua"

Robert De Niro em "Desafio no Bronx"

Liam Neeson em "Busca Implacável"

Menções Honrosas:

Jon Voight em "O Campeão", Chevy Chase na série "Férias Frustradas", Eugene Levy na série "American Pie" e claro... eu não poderia deixar dois malvadões de fora - James Coburn em "Temporada de Caça" e Jack Nicholson em "O Iluminado".

Feliz Dia dos Pais! :-D

sábado, agosto 13, 2011

Kinemail apresenta Mostra Lume do Cinema Americano

Kinemail apresenta
MOSTRA LUME DO CINEMA AMERICANO
de 13 a 19 de agosto
Fundaj (R. Henrique Dias 609, Derby, Recife)

Sala João Cardoso Ayres | Cineclube Dissenso


Kinemail celebra 11 anos de cinefilia com uma mostra especial em parceria com a Lume Filmes, o cinema da Fundação Joaquim Nabuco e o Cineclube Dissenso.
A mostra traz filmes de várias épocas do cinema americano que marcaram pela abordagem de temas ousados e pelo talento de seus diretores, clássicos que foram resgatados pela distribuidora Lume Filmes e lançados no Brasil no formato digital.

PROGRAMAÇÃO

CINECLUBE DISSENSO
Sáb 13 | BEM-VINDO À CASA DE BONECAS
(Welcome To The Dollhouse | 1995 | de Todd Solondz)
14h | Cinema da Fundaj

SALA JOÃO CARDOSO AYRES
Ter 16 | NA COMPANHIA DE HOMENS
(In The Company of Men | 1997 | de Neil Labute)
19h | Sala João Cardoso Ayres

Qua 17 | O SEGUNDO ROSTO
(Seconds | 1966 | de John Frankenheimer)
19h | Sala João Cardoso Ayres
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Qui 18 | O FUNDO DO CORAÇÃO
(One From The Heart | 1982 | de Francis Ford Coppola)
19h | Sala João Cardoso Ayres

Sex 19 | CLAMOR DO SEXO
(Splendor in The Grass | 1961 | de Elia Kazan)
19h | Sala João Cardoso Ayres

ENTRADA FRANCA
Projeção em DVD

Mais informações
www.kinemail.com.br

sexta-feira, agosto 12, 2011

Eric Roberts - Ass Kicker



Filmes com Eric Roberts comentados no blog:

RAPTOR

THE BUTCHER
SOB FOGO CRUZADO

Só três? Preciso corrigir essa injustiça com urgência!!

quinta-feira, agosto 11, 2011

Matéria do JC, 11/08: "Ferris Bueller continua adolescente aos 25 anos"

Clássico da Sessão da Tarde, filme que marcou duas gerações comemora jubileu de prata sem perder o espírito jovem e anárquico que o consagrou. Matéria do crítico e jornalista Ernesto Barros.

Dwarfsploitation, um livro de Brad Paulson e Chris Watson


No ano passado, escrevi sobre um filminho dodói do juízo chamado EVIL EVER AFTER, que surpreendeu em matéria de insanidade cinematográfica. Brad Paulson e Chris Watson podem ser considerados os grandes responsáveis por ele, Paulson como diretor e roteirista e Watson como produtor. Aquela não foi a primeira e nem será a última vez em que os dois trabalharão juntos. A parceria também ocorre no mundo das letras com o lançamento de "Dwarfsploitation", um livro dedicado aos filmes com anões e os seus pequenos atores que marcaram o cinema. De FREAKS a WILLOW, a publicação promete analisar uma grande variedade de produções, sejam elas vindas de estúdio ou independentes.

Confiram o teaser abaixo com opiniões de especialistas e celebridades do meio a respeito do livro (em inglês):



"Dwarfsploitation" encontra-se em pré-venda. Caso seja de seu interesse, clique aqui e saiba como adquirir uma cópia.

domingo, agosto 07, 2011

Trailer de DINO WOLF, nova pérola de Fred Olen Ray



Em 2008, divulguei as primeiras imagens deste projeto de Ray,
clique aqui para conferir. Ele finalmente será lançado em DVD nos Estados Unidos durante o mês de Outubro. Yeah!!

sábado, agosto 06, 2011

A MALDIÇÃO DA CAVEIRA (The Skull, 1965, UK)


É possível um filme de terror ser tão divertido de se assistir?

Claro que sim! A MALDIÇÃO DA CAVEIRA é outra jóia da Amicus estrelada pela dupla Peter Cushing e Christopher Lee com direção de Freddie Francis, vindo do sucesso de AS PROFECIAS DO DR. TERROR, que serve de resposta certeira a essa pergunta. Sentia falta de papear com vocês sobre horror clássico britânico e notei que eu nunca mais tinha assistido a um desses filmes, apenas feito revisões. O filme de Francis foi uma bela escolha, revelando-se uma experiência das mais prazerosas que tive em meses. Podemos dizer que ele faz parte de um tempo que não deve voltar tão cedo, quando filmes do gênero eram feitos com a única e exclusiva pretensão de entreter o seu público. E nada mais.


Cushing interpreta Christopher Maitland, um colecionador de objetos relacionados ao oculto que adquire do oportunista Anthony Marco (Patrick Wymark, o inesquecível Coronel Turner de O DESAFIO DAS ÁGUIAS) um livro escrito pelo Marquês de Sade cuja capa é feita em pele humana. Marco conta ao seu cliente que Sade, na verdade, era pior do que muita gente imaginava e inclusive tinha feito um pacto com o demônio. No dia seguinte, o vendedor apresenta uma oportunidade única: o crânio do Marquês. Maitland reclama do preço salgado, mas resolve comprar, apesar do aviso de seu amigo Matthew Phillips (Christopher Lee) de que a peça foi roubada de sua coleção, mas o antigo dono se revela satisfeito por se livrar dela!! O sinal de que tem coisa errada com o objeto é reforçado pela gradual descida ao inferno que Maitland enfrenta quando leva o crânio para a sua casa e as mortes que ocorrem a seguir.


Assim como muitos outros filmes do período, levaram-se anos para A MALDIÇÃO DA CAVEIRA ser assistido com uma cópia decente, preservando o enquadramento original. Os fãs de horror britânico esperaram até 2008 com o lançamento em DVD da Legend Films para vê-lo com a qualidade que o filme tanto merecia ser visto. Digo isso porque Francis é um ótimo contador de histórias de horror, além do próprio ser um dos maiores diretores de fotografia do cinema britânico e isso garante a entrega de um filme com forte apuro visual, apesar do orçamento apertado. Seu trabalho com o cinematógrafo John Wilcox é notável, destacando o efeito “Caveiroscope”, onde o espectador acompanha diversas cenas através do crânio amaldiçoado do Marquês.

O roteiro de Milton Subotsky, baseado no conto “A Caveira do Marquês de Sade” de Robert Bloch, tem os seus altos e baixos, como se extender mais do que o necessário com a entrada dos burocráticos personagens do detetive (Nigel Green) e um legista (Patrick Magee) na investigação dos assassinatos e o final apressado. Subotsky ganha pontos por abraçar o ridículo de muitas situações e suspeito que o próprio Bloch não se levou muito a sério aqui, algo evidente em outras histórias nas antologias que assinou para a Amicus. A sequência onde o crânio voa atrás de Maitland e faz a sua esposa dele (Jill Bennett) correr perigo de vida é um achado.


Mas o show é de Peter Cushing, o eterno ‘Gentleman of Horror’, cuja magnífica presença em cena domina o filme. A constante perda da sanidade de Maitland não é algo que qualquer outro ator poderia expressar tão bem e podemos dizer que esse é um dos seus grandes momentos no cinema. O “astro convidado” Christopher Lee não participa muito do filme, aparecendo de 4 a 5 rápidas cenas, mas ele contracena com seu querido amigo em todas elas. É sempre muito prazeroso vê-los atuando juntos, embora Lee esteja no piloto automático, mas vamos dar um desconto ao monstro pela sua carismática participação e sua voz... que voz! Outros atores bem conhecidos dos fãs do período como Michael Gough e Peter Woodthorpe tem pequenas e importantes aparições.

Enfim, mesmo que o resultado final o deixe um pouco longe de ser um clássico como outras colaborações Cushing/Lee, A MALDIÇÃO DA CAVEIRA é programa obrigatório para quem curte o gênero. Uma pequena pérola do cinema de horror britânico que deveria ser mais conhecida e comentada. Tenho fé que esse dia chegará.

terça-feira, julho 26, 2011

Um papo com os amigos e leitores: 5 anos (e 10 dias) de Vá e Veja

Após quase um mês de dias complicados, estou voltando de um merecido recesso. Posso dizer que a semana passada foi excelente. Consegui resolver muita coisa na minha vida, a cabeça está mais leve e com isso, espero me dedicar mais à escrita sobre cinema em geral. Fico muito agradecido pelo apoio dos amigos verdadeiros que tenho não só aqui, mas de outros estados e países que tenho contato graças à Internet. Também ajudaram as chegadas de boas notícias no campo pessoal e profissional, como o convite para ser parte do júri da 1a. Mostra Eu de Cinema Universitário. Aquela noite de segunda-feira foi um sinal de que os próximos dias seriam melhores, fiquei surpreso positivamente com a qualidade geral dos filmes e a organização do evento. E daquela dia até hoje, tive a paz e a tranquilidade que eu tanto queria. Fez bem para o corpo e a mente, posso até dizer que me sinto um outro Osvaldo.

E é esse Osvaldo renovado que celebra os 5 anos de Vá e Veja, um espaço que nasceu da mais pura vontade de debater sobre cinema e me sentir à vontade expondo a maneira como eu penso sobre o assunto. Fiquei muito feliz com o quanto sempre fui bem recepcionado pelos amigos e leitores, até mesmo quando falo sobre um filme que praticamente ninguém viu.

Para vocês terem uma idéia do estado em que minha cabeça se encontrava, acreditei que hoje seria o dia em que o blog faria 5 anos. Errado, fizemos aniversário no dia 16. Mas isso não atrapalha em nada a felicidade que é compartilhar esse momento com vocês. Foi através daqui e graças ao nosso contato que descobri o caminho em que seguiria há pouco tempo atrás, que é me dedicar enquanto fã e pesquisador ao cinema de gênero, principalmente os filmes independentes e de baixo orçamento. Posso dizer que sou muito grato a você que está me lendo agora mesmo, pela sua presença e opinião sincera, que nunca deixaram de me estimular.

É isso aí, obrigado e até as próximas postagens! E se esta é a primeira vez em que você me visita, seja bem-vindo(a), aproveite a estada. Forte abraço! :)

EVIL SISTER II (2001, EUA)


Brad Sykes não é nenhum corpo estranho aqui no Vá e Veja. Meu primeiro contato com seus pequenos filmes se deu por conta de FÁBRICA DA MORTE, seu único trabalho lançado em DVD aqui no Brasil. Um slasher barato e sem qualquer novidades, mas divertido, que conta com uma irreconhecível Tiffany Shepis no papel de uma criatura mutante assassina. Em 2010, conferi PLAGUERS, seu tributo às ficções B dos anos 80 com uma boa pitada de DEMONS e ALIENS: O RESGATE em seu roteiro que tem Steve Railsback (FORÇA SINISTRA) no elenco interpretando Bishop, ops, Tarver. Foi esse o título que me deixou curioso em procurar o realizador norte-americano para bater um papo sobre a produção.

Publiquei uma boa parte da épica entrevista que fizemos no ano passado quando PLAGUERS foi exibido no CineFantasy e deixei o restante para uma futura ocasião. Pra quê? Ela só aumentou com o fortalecimento do contato e o fato de eu ter assistido a mais filmes dirigidos pelo Brad, alguns gentilmente enviados pelo próprio. E até então, tenho curtido o que vi. Em sua maioria, esses filmes tiveram orçamentos tão minúsculos que as filmagens não poderiam ultrapassar o limite de 6 a 7 dias. EVIL SISTER II é um deles. Nunca sequer tinha ouvido falar do primeiro, mas ele deve ter lucrado o suficiente para os produtores investirem em um segundo filme. É uma daquelas continuações apenas no título, com quase nada que remeta ao original, a não ser o fato de termos uma irmãzinha malvada em questão.


Os protagonistas são Frank (Joe Hagerty) e Tam (Heather Branch), pai e filha que pegam a estrada na procura de Lorna (também interpretada por Branch, com uma peruca ruiva) que fugiu de casa. Vestindo apenas uma capa preta, a moça passa a seduzir e matar os homens que aparecem em seu caminho. É revelado pouco depois do primeiro assassinato masculino da produção que a busca se mostra possível devido a uma ligação psíquica (!!!) de Tam com Lorna. Outros personagens entram em cena, como uma cigana (Tisha Draft), um vadio de estrada apelidado de Widow (Jarrod Robbins) e June (Susanah Deveraux), uma moça que encontra Lorna na estrada. Os três possuem alguma relevância para a história, mas podemos dizer que a maior função deles é aumentar a duração do filme.

EVIL SISTER II foi o segundo longa escrito e dirigido por Sykes, gravado em vídeo no ano de 1998, lançado apenas em 2001 nos Estados Unidos. Não escapa de falhas comuns a grande parte dos pequenos filmes realizados no período que foi um dos mais prolíficos do cinema 'microbudget' americano, como a falta de ritmo e um olhar mais crítico aos roteiros. No caso deste filme em especial, temos apenas 4 mortes no decorrer de toda a duração e uma "revelação surpreendente" estragada pelas constantes cenas onde o papai Frank mostra que não é um sujeito muito legal. O elenco desses pequenos filmes também são irregulares, muitos atores tem alguma ou nenhuma experiência e conheço histórias de gente que topou atuar de graça. Sempre alguns atores se saem melhor que outros e apesar do 'over' em diversos momentos, aqui o destaque vai para Hagerty, presença constante em vários títulos do período e outros filmes de Sykes. Frank é um dos papéis que mais exigiram dele como ator.


Mas trata-se de uma produção diferente das demais, fugindo de ser mais um slasher genérico para focar mais na jornada que os personagens enfrentam. Ela também poderia se beneficiar com algumas mortes a mais, principalmente por elas serem retratadas de forma tão crua e brutal graças aos efeitos e direção de 2a. unidade de Steve Warren que salta aos olhos, cujos close ups e 'inserts' parecem ter sido gravados com uma SuperVHS. Vejo injustiça quando uma pequena produção como essa sai massacrada em sites como IMDB e semelhantes por pessoas que esperam algo do porte de um A MORTE PEDE CARONA ou que nunca compreenderam o que é cinema independente e de baixo orçamento. Estamos falando de um filme feito em vídeo, orçado em aproximados $2.500 dólares (chupa essa, Rodriguez!), onde equipe e elenco se jogaram com a cara e a coragem na estrada pelos 6 dias de filmagem. O próprio diretor fez a primeira vítima do filme por causa de um ator que pulou fora logo no 1o. dia da fotografia principal. E assistir como a turma se vira, criando soluções para diversos problemas é sempre algo que pode ser notado em filmes como EVIL SISTER II, sejam eles bons ou ruins, o que não é o caso dele já que os pontos positivos se sobressaem às suas falhas e limitações.

Curiosidade: Nos créditos finais, fui surpreendido por uma dedicatória a ninguém menos que Jean Rollin. Lorna parece sair de um filme dele.

Esse texto é dedicado em memória de Steve Warren (RIP)

Walken e os Três Porquinhos

Galeria de fotos da 1a. Mostra EU

segunda-feira, julho 11, 2011

É HOJE! 1a. Mostra EU de Cinema Universitário


Estarei presente na 1ª Mostra EU de Cinema em Recife como parte do corpo de jurados. Se você estiver sem programa para a noite de hoje, eis uma bela oportunidade de conhecer o que esse pessoal está fazendo. Digo isso porque eu também estarei assistindo a esses filmes pela primeira vez. Será um prazer estar com todos vocês, nos vemos por lá!