domingo, agosto 07, 2011

Trailer de DINO WOLF, nova pérola de Fred Olen Ray



Em 2008, divulguei as primeiras imagens deste projeto de Ray,
clique aqui para conferir. Ele finalmente será lançado em DVD nos Estados Unidos durante o mês de Outubro. Yeah!!

sábado, agosto 06, 2011

A MALDIÇÃO DA CAVEIRA (The Skull, 1965, UK)


É possível um filme de terror ser tão divertido de se assistir?

Claro que sim! A MALDIÇÃO DA CAVEIRA é outra jóia da Amicus estrelada pela dupla Peter Cushing e Christopher Lee com direção de Freddie Francis, vindo do sucesso de AS PROFECIAS DO DR. TERROR, que serve de resposta certeira a essa pergunta. Sentia falta de papear com vocês sobre horror clássico britânico e notei que eu nunca mais tinha assistido a um desses filmes, apenas feito revisões. O filme de Francis foi uma bela escolha, revelando-se uma experiência das mais prazerosas que tive em meses. Podemos dizer que ele faz parte de um tempo que não deve voltar tão cedo, quando filmes do gênero eram feitos com a única e exclusiva pretensão de entreter o seu público. E nada mais.


Cushing interpreta Christopher Maitland, um colecionador de objetos relacionados ao oculto que adquire do oportunista Anthony Marco (Patrick Wymark, o inesquecível Coronel Turner de O DESAFIO DAS ÁGUIAS) um livro escrito pelo Marquês de Sade cuja capa é feita em pele humana. Marco conta ao seu cliente que Sade, na verdade, era pior do que muita gente imaginava e inclusive tinha feito um pacto com o demônio. No dia seguinte, o vendedor apresenta uma oportunidade única: o crânio do Marquês. Maitland reclama do preço salgado, mas resolve comprar, apesar do aviso de seu amigo Matthew Phillips (Christopher Lee) de que a peça foi roubada de sua coleção, mas o antigo dono se revela satisfeito por se livrar dela!! O sinal de que tem coisa errada com o objeto é reforçado pela gradual descida ao inferno que Maitland enfrenta quando leva o crânio para a sua casa e as mortes que ocorrem a seguir.


Assim como muitos outros filmes do período, levaram-se anos para A MALDIÇÃO DA CAVEIRA ser assistido com uma cópia decente, preservando o enquadramento original. Os fãs de horror britânico esperaram até 2008 com o lançamento em DVD da Legend Films para vê-lo com a qualidade que o filme tanto merecia ser visto. Digo isso porque Francis é um ótimo contador de histórias de horror, além do próprio ser um dos maiores diretores de fotografia do cinema britânico e isso garante a entrega de um filme com forte apuro visual, apesar do orçamento apertado. Seu trabalho com o cinematógrafo John Wilcox é notável, destacando o efeito “Caveiroscope”, onde o espectador acompanha diversas cenas através do crânio amaldiçoado do Marquês.

O roteiro de Milton Subotsky, baseado no conto “A Caveira do Marquês de Sade” de Robert Bloch, tem os seus altos e baixos, como se extender mais do que o necessário com a entrada dos burocráticos personagens do detetive (Nigel Green) e um legista (Patrick Magee) na investigação dos assassinatos e o final apressado. Subotsky ganha pontos por abraçar o ridículo de muitas situações e suspeito que o próprio Bloch não se levou muito a sério aqui, algo evidente em outras histórias nas antologias que assinou para a Amicus. A sequência onde o crânio voa atrás de Maitland e faz a sua esposa dele (Jill Bennett) correr perigo de vida é um achado.


Mas o show é de Peter Cushing, o eterno ‘Gentleman of Horror’, cuja magnífica presença em cena domina o filme. A constante perda da sanidade de Maitland não é algo que qualquer outro ator poderia expressar tão bem e podemos dizer que esse é um dos seus grandes momentos no cinema. O “astro convidado” Christopher Lee não participa muito do filme, aparecendo de 4 a 5 rápidas cenas, mas ele contracena com seu querido amigo em todas elas. É sempre muito prazeroso vê-los atuando juntos, embora Lee esteja no piloto automático, mas vamos dar um desconto ao monstro pela sua carismática participação e sua voz... que voz! Outros atores bem conhecidos dos fãs do período como Michael Gough e Peter Woodthorpe tem pequenas e importantes aparições.

Enfim, mesmo que o resultado final o deixe um pouco longe de ser um clássico como outras colaborações Cushing/Lee, A MALDIÇÃO DA CAVEIRA é programa obrigatório para quem curte o gênero. Uma pequena pérola do cinema de horror britânico que deveria ser mais conhecida e comentada. Tenho fé que esse dia chegará.

terça-feira, julho 26, 2011

Um papo com os amigos e leitores: 5 anos (e 10 dias) de Vá e Veja

Após quase um mês de dias complicados, estou voltando de um merecido recesso. Posso dizer que a semana passada foi excelente. Consegui resolver muita coisa na minha vida, a cabeça está mais leve e com isso, espero me dedicar mais à escrita sobre cinema em geral. Fico muito agradecido pelo apoio dos amigos verdadeiros que tenho não só aqui, mas de outros estados e países que tenho contato graças à Internet. Também ajudaram as chegadas de boas notícias no campo pessoal e profissional, como o convite para ser parte do júri da 1a. Mostra Eu de Cinema Universitário. Aquela noite de segunda-feira foi um sinal de que os próximos dias seriam melhores, fiquei surpreso positivamente com a qualidade geral dos filmes e a organização do evento. E daquela dia até hoje, tive a paz e a tranquilidade que eu tanto queria. Fez bem para o corpo e a mente, posso até dizer que me sinto um outro Osvaldo.

E é esse Osvaldo renovado que celebra os 5 anos de Vá e Veja, um espaço que nasceu da mais pura vontade de debater sobre cinema e me sentir à vontade expondo a maneira como eu penso sobre o assunto. Fiquei muito feliz com o quanto sempre fui bem recepcionado pelos amigos e leitores, até mesmo quando falo sobre um filme que praticamente ninguém viu.

Para vocês terem uma idéia do estado em que minha cabeça se encontrava, acreditei que hoje seria o dia em que o blog faria 5 anos. Errado, fizemos aniversário no dia 16. Mas isso não atrapalha em nada a felicidade que é compartilhar esse momento com vocês. Foi através daqui e graças ao nosso contato que descobri o caminho em que seguiria há pouco tempo atrás, que é me dedicar enquanto fã e pesquisador ao cinema de gênero, principalmente os filmes independentes e de baixo orçamento. Posso dizer que sou muito grato a você que está me lendo agora mesmo, pela sua presença e opinião sincera, que nunca deixaram de me estimular.

É isso aí, obrigado e até as próximas postagens! E se esta é a primeira vez em que você me visita, seja bem-vindo(a), aproveite a estada. Forte abraço! :)

EVIL SISTER II (2001, EUA)


Brad Sykes não é nenhum corpo estranho aqui no Vá e Veja. Meu primeiro contato com seus pequenos filmes se deu por conta de FÁBRICA DA MORTE, seu único trabalho lançado em DVD aqui no Brasil. Um slasher barato e sem qualquer novidades, mas divertido, que conta com uma irreconhecível Tiffany Shepis no papel de uma criatura mutante assassina. Em 2010, conferi PLAGUERS, seu tributo às ficções B dos anos 80 com uma boa pitada de DEMONS e ALIENS: O RESGATE em seu roteiro que tem Steve Railsback (FORÇA SINISTRA) no elenco interpretando Bishop, ops, Tarver. Foi esse o título que me deixou curioso em procurar o realizador norte-americano para bater um papo sobre a produção.

Publiquei uma boa parte da épica entrevista que fizemos no ano passado quando PLAGUERS foi exibido no CineFantasy e deixei o restante para uma futura ocasião. Pra quê? Ela só aumentou com o fortalecimento do contato e o fato de eu ter assistido a mais filmes dirigidos pelo Brad, alguns gentilmente enviados pelo próprio. E até então, tenho curtido o que vi. Em sua maioria, esses filmes tiveram orçamentos tão minúsculos que as filmagens não poderiam ultrapassar o limite de 6 a 7 dias. EVIL SISTER II é um deles. Nunca sequer tinha ouvido falar do primeiro, mas ele deve ter lucrado o suficiente para os produtores investirem em um segundo filme. É uma daquelas continuações apenas no título, com quase nada que remeta ao original, a não ser o fato de termos uma irmãzinha malvada em questão.


Os protagonistas são Frank (Joe Hagerty) e Tam (Heather Branch), pai e filha que pegam a estrada na procura de Lorna (também interpretada por Branch, com uma peruca ruiva) que fugiu de casa. Vestindo apenas uma capa preta, a moça passa a seduzir e matar os homens que aparecem em seu caminho. É revelado pouco depois do primeiro assassinato masculino da produção que a busca se mostra possível devido a uma ligação psíquica (!!!) de Tam com Lorna. Outros personagens entram em cena, como uma cigana (Tisha Draft), um vadio de estrada apelidado de Widow (Jarrod Robbins) e June (Susanah Deveraux), uma moça que encontra Lorna na estrada. Os três possuem alguma relevância para a história, mas podemos dizer que a maior função deles é aumentar a duração do filme.

EVIL SISTER II foi o segundo longa escrito e dirigido por Sykes, gravado em vídeo no ano de 1998, lançado apenas em 2001 nos Estados Unidos. Não escapa de falhas comuns a grande parte dos pequenos filmes realizados no período que foi um dos mais prolíficos do cinema 'microbudget' americano, como a falta de ritmo e um olhar mais crítico aos roteiros. No caso deste filme em especial, temos apenas 4 mortes no decorrer de toda a duração e uma "revelação surpreendente" estragada pelas constantes cenas onde o papai Frank mostra que não é um sujeito muito legal. O elenco desses pequenos filmes também são irregulares, muitos atores tem alguma ou nenhuma experiência e conheço histórias de gente que topou atuar de graça. Sempre alguns atores se saem melhor que outros e apesar do 'over' em diversos momentos, aqui o destaque vai para Hagerty, presença constante em vários títulos do período e outros filmes de Sykes. Frank é um dos papéis que mais exigiram dele como ator.


Mas trata-se de uma produção diferente das demais, fugindo de ser mais um slasher genérico para focar mais na jornada que os personagens enfrentam. Ela também poderia se beneficiar com algumas mortes a mais, principalmente por elas serem retratadas de forma tão crua e brutal graças aos efeitos e direção de 2a. unidade de Steve Warren que salta aos olhos, cujos close ups e 'inserts' parecem ter sido gravados com uma SuperVHS. Vejo injustiça quando uma pequena produção como essa sai massacrada em sites como IMDB e semelhantes por pessoas que esperam algo do porte de um A MORTE PEDE CARONA ou que nunca compreenderam o que é cinema independente e de baixo orçamento. Estamos falando de um filme feito em vídeo, orçado em aproximados $2.500 dólares (chupa essa, Rodriguez!), onde equipe e elenco se jogaram com a cara e a coragem na estrada pelos 6 dias de filmagem. O próprio diretor fez a primeira vítima do filme por causa de um ator que pulou fora logo no 1o. dia da fotografia principal. E assistir como a turma se vira, criando soluções para diversos problemas é sempre algo que pode ser notado em filmes como EVIL SISTER II, sejam eles bons ou ruins, o que não é o caso dele já que os pontos positivos se sobressaem às suas falhas e limitações.

Curiosidade: Nos créditos finais, fui surpreendido por uma dedicatória a ninguém menos que Jean Rollin. Lorna parece sair de um filme dele.

Esse texto é dedicado em memória de Steve Warren (RIP)

Walken e os Três Porquinhos

Galeria de fotos da 1a. Mostra EU

segunda-feira, julho 11, 2011

É HOJE! 1a. Mostra EU de Cinema Universitário


Estarei presente na 1ª Mostra EU de Cinema em Recife como parte do corpo de jurados. Se você estiver sem programa para a noite de hoje, eis uma bela oportunidade de conhecer o que esse pessoal está fazendo. Digo isso porque eu também estarei assistindo a esses filmes pela primeira vez. Será um prazer estar com todos vocês, nos vemos por lá!

BORN BAD, The Asylum abraça o Lifetime

Além do canal SyFy, a The Asylum encontrou outro veículo para as suas produções: o Lifetime. O nome é bem familiar para quem já assistiu a muito telefilme na vida, trata-se do canal mais famoso em entretenimento feminino e seus longas são feitos para a turma que assiste filme no sofá de lençinho na mão em caso de precisar enxugar as lágrimas. E eu até me diverti com alguns, confesso, principalmente quando investem em ação e suspense.

BORN BAD, a 1a. produção da The Asylum para a Lifetime, deve ser um deles e terá a sua premiere às 20hrs da noite nos Estados Unidos. O filme é estrelado por Meredith Monroe, Michael Welch, David Chockachi e Bill Oberst Jr. e tem direção/roteiro de Jared Cohn.


sexta-feira, julho 01, 2011

Porto Alegre, Sr. Fim de Semana

Todo mundo que falou comigo sobre cinema nos últimos dias sabe muito bem em que cidade brasileira eu gostaria de estar no final de semana. Caso a ficha ainda não caiu, falo de Porto Alegre. Hoje, 1o. de Julho, temos a abertura do Fantaspoa com o aguardado "A Noite do Chupacabras" de Rodrigo Aragão às 21h15. E amanhã, dia 02, outro belo dia com A Vingança dos Filmes B às 17hrs na sala PF Gastal exibindo produções nacionais de curto e zero orçamento, mas com muita criatividade por gente que sabe bem do que faz como Petter Baiestorf, Joel Caetano, Felipe M. Guerra e Doutor Insekto. Curadoria do amigo Cristian Verardi e debate moderado pela querida Profa. Dra. Laura Cánepa.

E isso é apenas o começo. Bons filmes, muitas risadas e muita birita aos meus ilustres amigos que se encontram por lá, tem gente que considero demais aí faz tempo e outras que conheci de meses para cá, mas que também adoraria (re)encontrar em pessoa. Forte abraço do Osvaldo para todos vocês.

segunda-feira, junho 27, 2011

Vencedores do Golden Cob Awards 2011

Saíram os vencedores do Golden Cob Awards! Embora minha votação tenha sido bem expressiva na categoria SuperFan, não fui um deles. Obrigado a todos pelo carinho e apoio incondicional, pelos votos e divulgação do site pela Internet e redes sociais. Fica para uma próxima vez, quem sabe? Só o fato de ter sido indicado e reconhecido internacionalmente já é um senhor prêmio para esse simples rapaz de Recife. :)



Best Scream Queen
Debbie Rochon
Alien Vengeance

Best Leading Man
Jeffrey Combs
American Bandits

Best Rising B Actress
Bianca Barnett
In A Spiral State

Best Rising B Movie Actor
Gerald Webb
Battle of Los Angeles

Best B Movie Director
Fred Olen Ray
American Bandits

Best Efx In A B Movie
Greg Nicotero
Piranha 3D

Best Cinematography in a B Movie
Greig Fraser
Let Me In

Best Original Screenplay
Fred Olen Ray
American Bandits

Best Editing in A B Movie
Tony Randel
Monster Cruise

Best B Movie Adapatation-
Scott Kosar/Ray Wright
the Crazies

Best B Movie Release
Piranha 3D

Best B Movie Documentary
Daniel Griffith
The Bloodiest Show on Earth:Making Vampire Circus

Best B Movie Soundtrack
Midnight Syndicate
The Dead Matter

Best Sound Design In A B Movie
Patrick Giraudi
DinoCroc Vs. Supergator

Lifetime Achievement Award
George A.Romero

Bill Cothron Best Emerging Filmmaker Award
Joshua Hull
Beverly Lane

SuperFan Award,
Brian Shirley
Geek Tyrant

The B Movie Hall Of Fame
The Chiodo Brothers
Vincent Price
Albert Pyun

The Bob Wilkins Best Horror Host Award
Sammy Terry

Saiba mais:

http://www.bmoviecelebration.com/

sexta-feira, junho 24, 2011

terça-feira, junho 14, 2011

Brian Trenchard-Smith e um desafio em sua carreira


De hoje em diante, eliminarei diversas pendências no Vá e Veja. Uma delas é nunca ter conversado direito com vocês sobre o trabalho de Brian Trenchard-Smith. Esse diretor inglês de nascimento é conhecido por assinar obras cultuadas pelos fãs de cinema B e exploitation realizadas na Austrália como THE MAN FROM HONG KONG, TURKEY SHOOT e DRIVE-IN DA MORTE, além de ter descoberto Nicole Kidman no juvenil BICICLETAS VOADORAS. Com exceção do último, os filmes citados marcaram um período conhecido como Ozploitation, retratado com extrema competência no documentário NOT QUITE HOLLYWOOD.

Para continuar na ativa com o passar dos anos, assim como outros realizadores, Brian acabou se aventurando no cinema “direto pra vídeo”, pois os filmes B cada vez mais perdiam o seu espaço na tela grande. A NOITE DOS DEMÔNIOS 2 e as suas duas continuações para a franquia O DUENDE (3 e 4) renderam bons lucros, além de explicitar o seu característico senso de humor para uma nova geração de espectadores. Eu faço parte dela, com muito prazer.


Brian sempre intercalou seus filmes de gênero produzidos por estúdios independentes como a Trimark com os telefilmes. Hoje em dia, praticamente tudo que Brian dirige tem a TV como destino principal. AMEAÇA SUBMARINA é um de seus vários telefilmes e o título pode ser considerado parte de um subgênero dentre as obras que lidam com a guerra, o chamado “filme de submarino”. Não se deve esperar algo como O BARCO, MARÉ VERMELHA e CAÇADA AO OUTUBRO VERMELHO quando se pensa em assistir a um “made for TV” de orçamento modesto. Mas nós estamos falando de outro desafio enfrentado por Brian, que produz e dirige esse projeto, dono de uma das histórias mais curiosas que já tomei conhecimento.

A trama do filme é centrada em Frank Habley (interpretado por Adrian Paul, Highlander - série de TV), Comandante da Marinha dos Estados Unidos que aceita cumprir uma perigosa missão submarina no mar do Japão. Ela tem um final trágico, com as mortes do Oficial Engenheiro e do Oficial Executivo e seu melhor amigo, o Tenente Comandante Tom Palatonio (Mike Doyle), por conta dos ataques de um submarino inimigo não detectado pelo radar. Habley enfrenta a Corte Marcial pelo ocorrido, que não acredita em sua versão dos fatos. Pouco depois, o Comandante recebe uma nova chance de liderar mais uma missão nas águas da Coréia do Norte, sendo que dentre os membros da sua tripulação se encontram o Tenente Comandante Steven Barker (Matthew St. Patrick) que tem autorização de tomar o controle da missão sem o seu prévio conhecimento e a Tenente Claire Trifoli (Catherine Dent), irmã de Tom que o culpa pela morte do oficial.


Eis a curiosa história de bastidores: AMEAÇA SUBMARINA possui três versões diferentes. Brian gravou cenas para duas versões de um mesmo filme: uma com temática homossexual (o longa teve financiamento da Here!, emissora de TV com programação destinada ao público LGBT) e outra ausente de maiores referências em relação a opção sexual do protagonista, intitulada “The Phantom Below” que é a versão lançada no Brasil e na maioria dos países. A terceira versão foi editada para uma distribuidora japonesa que também injetou grana na produção, mas exigiu um filme com 96 minutos de duração (a regular tem 94 minutos). Tudo filmado no Havaí em 15 dias sem colaboração da Marinha. Na versão “gay”, Habley e Tom são amantes e o fato é escondido da Marinha e dos membros da equipe, com exceção de Dizzy Malone (Matt Battaglia), Oficial de Mergulho, outro grande amigo do Comandante, hetero e casado. Claire também acaba descobrindo do relacionamento entre Habley e seu irmão. Soube da maior parte destas informações através de contato pessoal com o próprio Brian Trenchard-Smith, que tem sido bastante proveitoso. Grande cara.

No geral, AMEAÇA SUBMARINA poderia ser exibido numa Sessão da Tarde sem qualquer censura em sua versão “comum”, a qual eu assisti. Não passa de um telefilme rotineiro com violência quase nula, sem nenhuma novidade ou muito interesse em fugir do convencional, mas que diverte sem aborrecer, especialmente se você curte filmes de submarinos e sente vontade de ver mais um.

Brian escreveu sobre os bastidores da produção para o site Trailers from Hell no fim de maio. Confira o artigo do realizador clicando aqui. E saibam que já estou com o DVD brasileiro de FORÇA AÉREA 2 em mãos. Yeah!

sexta-feira, maio 27, 2011

Recado de Lloyd Kaufman para os brasileiros


http://www.blackvomit.com.br/troma

Jeff Conaway (1950-2011)

Parabéns aos Cavalheiros do Horror


Não posso deixar de registrar o quanto esses últimos dois dias significam para nós, cinéfilos do horror, que tem o prazer de acompanhar o trabalho dos três ilustríssimos senhores da foto acima.

Ontem, 26 de maio, Peter Cushing completaria 98 anos.
Hoje, Christopher Lee completa 89 e Vincent Price chegaria aos 100!

Muito obrigado por tudo!

Se o caro leitor estiver no Rio Grande do Sul, eu imploro para que você não perca a sessão de O ABOMINÁVEL DR. PHIBES na sala PF Gastal, hoje às 20h15 em celebração ao centenário de Vincent Price. Para maiores informações, acesse o blog Cinema Ex-Machina!

Confira também a bela homenagem do blog Viver e Morrer no Cinema ao lendário Price.

The Deadliest Prey!

David A. Prior nem deixou a poeira baixar com o teaser de NIGHT CLAWS e já anunciou a produção de THE DEADLIEST PREY, continuação de EXTERMÍNIO DE MERCENÁRIOS. E com um teaser, deixando claro que David Campbell e Ted Prior voltarão na pele de seus respectivos Hogan e Mike Danton, protagonistas de um dos maiores clássicos da cinema bagaceiro dos anos 80. Confira!



Prior também abriu uma página no Kickstarter para arrecadar doações dos fãs: http://www.kickstarter.com/projects/1585039081/the-deadliest-prey

quarta-feira, maio 25, 2011

Teaser de NIGHT CLAWS, novo filme de David A. Prior!



REFLECTIONS OF EVIL (2003, EUA)


“Que porra é isso?”

Taí uma pergunta que me veio diversas vezes (no bom sentido) enquanto assistia REFLECTIONS OF EVIL. O filme de Damon Packard é um exemplo de cinema underground em estado extremo, vindo de alguém que sabe muito bem do que está fazendo.

Packard tem uma visão ácida e pessimista a respeito da indústria do cinema. Para ele, a criatividade praticamente morreu com o final dos anos 70. É essa década que será homenageada em REFLECTIONS, a começar por uma montagem que o apresenta como se fosse um telefilme da ABC Movie of the Week, emissora que nos trouxe pérolas do calibre de CRIATURAS DA NOITE, que já foi refilmado em produção de Guillermo Del Toro e O AMULETO EGÍPCIO, de Curtis Harrington. O próprio título remete a estes filmes que foram tão marcantes para o realizador, como REFLECTIONS OF A MURDER, refilmagem da ABC para o clássico de Henri-Georges Clouzot, AS DIABÓLICAS. Ninguém mais, ninguém menos que Tony Curtis é o apresentador da produção, editado diretamente de uma introdução feita para o DVD de um outro filme qualquer e que tem a voz trocada por um dublador quando informa o nome do diretor e o título do longa.


Os créditos iniciais se utilizam da música-tema de Ennio Morricone para O VENTRE NEGRO DA TARÂNTULA e mostram um importante personagem do filme correndo sem rumo em câmera lenta, pelas ruas e praças de Los Angeles. Trata-se de Julie (Nicole Vanderhoff), uma garota que morreu por uma overdose de PCP durante os anos 70. Ela é irmã de Bob (vivido pelo próprio diretor), o nosso protagonista, um vendedor de relógios obeso que está prestes a partir desta para melhor a qualquer momento por intolerância a sacarose. Uma boa porção do filme é dedicada a sua rotina: xingar e ser xingado, agredir e ser agredido pelos mendigos, policiais, transeuntes e moradores de LA. O homem passa o dia inteiro oferecendo os relógios que ninguém compra e a comer porcarias que só agravam seu estado de saúde.

A longa cena de vômito é um dos momentos mais notórios da produção, assim como a sequência onde Bob é atacado por um grupo de cachorros num subúrbio. São momentos que reforçam a sensação de estarmos diante de uma carta de amor e ódio para Los Angeles em forma de cinema. Os veteranos do Vietnã, representados pela participação especial de Tim Colceri (numa referência ao seu personagem em NASCIDO PARA MATAR, de Stanley Kubrick), também não escapam da mira de Packard, assim como a cultura pop e duas de suas maiores influências: George Lucas e Steven Spielberg. E onde Julie entra nisso tudo? Ela é uma espécie de anjo da guarda para Bob e volta e meia aparece em flashbacks, em um deles ela observa o jovem Spielberg dirigindo seu primeiro longa, o telefilme SOMETHING EVIL de 1972.


Se o leitor está achando tudo isso uma verdadeira zona, então saiba que o filme inteiro usa e abusa de uma edição frenética e muitas vezes esquizofrênica para compor a sua narrativa e não me refiro apenas a edição de imagem, mas a de som também. Praticamente todas as vozes foram dubladas e/ou adicionadas na pós-produção, trechos de trailers, vinhetas e filmes como GUERRA NAS ESTRELAS, SOB O DOMÍNIO DO MEDO e O ILUMINADO podem ser ouvidos durante o desenrolar do filme. Isso sem falar das já citadas imagens de arquivo. O respeito às leis de direito autoral é zero, o que impossibilita sua exibição na TV e distribuição fora do meio underground.

Conta-se que REFLECTIONS OF EVIL apenas foi realizado por conta de uma herança que Packard recebeu de um parente rico, o cara gastou toda a grana na produção realizada no melhor estilo 'cinema de guerrilha' e na posterior distribuição do filme em DVD, numa tiragem de 23.000 cópias gratuitas deixadas em cinemas, restaurantes, bancas de revista e também enviadas através de correios. O esforço de Packard foi válido e o filme abriu caminho para seus trabalhos posteriores, que dialogam com esse primeiro e último longa do realizador, até o momento. Não é qualquer um que consegue fazer de uma visita no parque da Universal Studios algo que poderia ter saído de um pesadelo. Uma das atrações é "A Lista de Schindler: Um Passeio".

REFLECTIONS OF EVIL é um caso clássico de “ame ou odeie”, uma forte experiência cinematográfica da qual texto algum fará justiça. Existem três versões do filme, A primeira de 138 minutos, o segundo corte de 2004 com 116 minutos (a que eu assisti) e a terceira de 90 minutos, feita a pedido de uma distribuidora estrangeira. REFLECTIONS pode ser assistido no YouTube, onde Packard também disponibiliza a maior parte de suas produções.

Para adquirir esse e outros filmes com o próprio realizador em DVD, além de diversas raridades, acesse o blog: http://damonpackard.wordpress.com/