terça-feira, janeiro 25, 2011

Entrevista com Chris Ridenhour (2010: Moby Dick, Mega Piranha)


A música é parte de qualquer experiência positiva com um filme. E muitas vezes, o crédito dado a ela é pouco ou simplesmente esquecido, principalmente em filmes B que mantém o nosso foco nas cenas de ação, monstros e nudez gratuita. Foi pensando melhor nisso que veio o reconhecimento de que uma boa parcela de minha curtição com os filmes da The Asylum também vinha da música, das trilhas compostas por um sujeito chamado Chris Ridenhour. Entrei em contato com ele pela primeira vez em meados do ano passado, quando assisti 6 GUNS e dizer que o cara foi gente fina comigo é fazer pouco dele. Na primeira semana de 2011, fizemos essa entrevista que o leitor confere a seguir:

VeV - Como você se apaixonou pela música e notou que ela seria parte de sua vida?

A série original de "Jornada nas Estrelas". Aquela música era tão exagerada e divertida, teve um enorme impacto em mim quando garoto e dialoga comigo até hoje. Depois, claro, "Guerra nas Estrelas" e praticamente tudo que John Williams fez no período. A seguir, entrei de cabeça nas trilhas inspiradas por música clássica como "Amadeus". Daí tive uma enorme fase rock/metal. E agora estou viajando demais com Joy Division. Adoro passar por fases musicais, é assim que você aprende.

VeV - Você já pensava em compor trilhas sonoras quando era mais jovem?

A primeira vez foi quando ouvi a trilha de Danny Elfman para "Os Fantasmas se Divertem" no cinema. A música se revelou tão divertida e inventiva, que eu ficava tipo "quem é esse Danny Elfman?". Foi uma verdadeira revelação - ele me fisgou por completo com aquela incrível abertura. Tenho certeza que muitas pessoas tiveram a mesma experiência com seus filmes naquela época. Quando descobri que Danny era apenas um cara autodidata que estava numa banda, a possibilidade de fazer uma carreira nesse ramo tornou-se mais realística para mim. Eu pensei: "Posso fazer isso!"


VeV - Quais as suas maiores influências e trilhas sonoras favoritas?

"Edward Mãos de Tesoura", "O Poderoso Chefão" e "O Império Contra-Ataca" estariam entre as primeiras posições. Mais recentemente, tenho apreciado a força e poderosa simplicidade de compositores como Clint Mansell e Carter Burwell. Também sou um grande fã de Nick Cave. Esses três caras estão no topo para mim atualmente.

VeV - Você sempre foi interessado em cinema? Filmes B também?

Sim, especialmente os japoneses - qualquer um com criaturas destruindo coisas. Qualquer um dos filmes do Godzilla. Muitas vezes aproveito melhor o tempo assistindo algo feito com orçamento baixíssimo e pessoas se divertindo ao invés de pagar 60 dólares para levar minha família e assistir um blockbuster pretensioso feito por zilhões de dólares que se propõe a manipular nossas emoções e no fim, vender algo com comerciais. Pois sim, sou um fã dos oprimidos, sempre fui.


05 - Como é trabalhar com os amigos da The Asylum? Eles lançam um filme todo mês, então você deve compor de 10 a 12 trilhas por ano.

Trabalhar com a The Asylum tem sido uma maravilhosa experiência. Eles são como uma família para mim e me deram incríveis oportunidades que apenas sonhei quando estava começando a carreira. Sim, como a maioria dos trabalhos no ramo, as horas são longas, mas eu realmente melhoro com a pressão. Acredito que faço o meu melhor trabalhando assim porque me força a alcançar níveis que musicalmente não pensava ser capaz.


VeV - Você está excitado por milhões de pessoas assistirem a sua ponta em "Mega Shark vs Crocosaurus"? E você também morre? (risos)

Sim, é demais! Fiquei em êxtase porque minha mãe e meu filho adoraram ela! Infelizmente eu não fui morto, mas sempre guardo esperanças para um futuro projeto! Minha amiga Ashley, que trabalha na Asylum, foi eleita recentemente como a melhor morte do canal SyFy por Mega Piranha!


VeV - Sua filha Kathrine ganhou um papel no primeiro filme infantil da The Asylum, "Princess and the Pony". Como está o coração do papai?

Foi muito bom tê-la como parte do filme. Sempre quis compor para um filme infantil, então eu dei tudo o que tinha, 110%! Foi demais trabalhar com Rachel Goldenberg, a diretora, que sugeriu Kathrine para participar do filme então sou muito grato por isso. Rachel tem um estilo muito excitante e identificável de fazer cinema. Acredito que ela tem uma grande carreira pela frente.

VeV - Você ainda se envolve em projetos alternativos? Os fãs conhecem Ravenswood das canções em "Merlin and the War of the Dragons" e "DragonQuest", o grupo continua ativo?

Sim, Ravenswood continua ativo, mas é bem mais um projeto de composição de canções já que Sanya e nem eu tivemos como juntar uma banda completa. Nós temos uma mágica conexão criativa, nos identificamos musicalmente - é muito fácil compor canções com ela porque tudo que Sanya canta soa tão inspirado para mim. Temos um clipe sensacional em produção, espero que ele seja finalizado este ano. Será algo épico.



VeV - De suas próprias trilhas, quais são as favoritas?

Eu diria "Merlin e A Guerra dos Dragões". Aquela foi a primeira trilha onde senti que realmente pus o meu coração. Me identifiquei muito com os personagens e penso que o diretor Mark Atkins fez um trabalho incrível. Mais recentemente, diria "Moby Dick". Assim como "Merlin", me senti emocionalmente conectado com os personagens e isso fez o trabalho ser um deleite. Eu realmente cresço nesses momentos.


VeV - O que vem a seguir para Chris Ridenhour? Fale sobre seus futuros projetos.

Agora mesmo estou finalizando "Mega Python Vs. Gatoroid". Foi uma oportunidade maravilhosa trabalhar com a diretora Mary Lambert. Ela dirigiu um de meus filmes de terror favoritos, "Cemitério Maldito". Não perdi oportunidades de perguntar sobre seu trabalho e aprendi muito com isso. Ela é sensacional. Ainda este ano tenho um grande filme dramático do meu bom amigo Daniel Lusko chamado "The Persecuted". Ele conseguiu reunir um pessoal fantástico no projeto e estarei trabalhando com uma orquestra completa e ao vivo pela primeira vez, então estou muito excitado!


VeV - Esse é o seu espaço para enviar algumas palavras aos leitores e compositores brasileiros.

Sim... nunca desistam! E usem Mac!

Agradecemos a Chris Ridenhour pelo tempo concedido para a entrevista. "Mega Python vs. Gatoroid" estréia neste próximo sábado, dia 29, no canal SyFy.

CHEW BUBBLEGUM AND KICK ASS!

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Poster e teaser de MENS SANA IN CORPOSE SANO


Vencedor do prêmio para roteiros Ary Severo/Firmo Neto, o filme de Juliano Dornelles se debruça sobre o quanto corpo e mente estão relacionados através de um fisiculturista interpretado por Flávio Danilo. O curta-metragem pernambucano terá sua estréia no dia 24 de janeiro na 14a. Mostra de Cinema de Tiradentes.


Pernambuco está representado por mais nove filmes na programação do festival. São eles, o também inédito "Praça Walt Disney", de Renata Pinheiro e Sergio Oliveira, "As Aventuras de Paulo Bruscky", de Gabriel Mascaro, "Uma noite em 68", de Ionaldo Araujo, "01:21", de Adriana Câmara, "Aeroporto", de Marcelo Pedroso, "Peixe Pequeno", de Vincent Carelli e Altair Paixão, "My Way", de Camilo Calvacante, "Azul", de Eric Laurence, e "Décimo Segundo", de Leonardo Lacca.

domingo, janeiro 16, 2011

Cinema de Gênero

Quando você assiste cinema de gênero, não é a falta de recursos que conta, mas duas coisas importantes:

a narrativa
o entretenimento

Se você assiste a um desses filmes e encontra ambas de maneira satisfatória, então você está assistindo a um dos bons.

Teasers de PÓLVORA NEGRA



Susannah York (1941-2011)


Obrigado

quinta-feira, janeiro 13, 2011

VeV Especial: CHOPPING MALL (1986, EUA)

"Onde comprar pode custar um braço e uma perna!"

Dono de uma das mais famosas taglines do cinema B americano, CHOPPING MALL fez Jim Wynorski alguém a ser notado pelos fãs do estilo. Nada mal para um segundo longa, realizado logo após sua estréia em O IMPÉRIO PERDIDO. Um dos maiores responsáveis pelo fato da produção continuar sendo tão lembrada entre os fãs do estilo é a narrativa despojada e bem humorada que se tornaria marca registrada do diretor, com queijorama em doses cavalares. Essa tendência só iria aumentar e atingir níveis absurdos em vários de seus futuros filmes, embora tenham sido poucas as vezes que Wynorski beirou à perfeição como nesta delícia de slasher oitentista com robôs assassinos. É isso mesmo, robôs!

Antes de chegarmos ao filme em si, por quê não falar um pouco dos bastidores? Jim Wynorski trabalhava no departamento de marketing da Concorde, mas não demorou muito para que Roger Corman notasse a sua desenvoltura e lhe desse mais oportunidades. De uma hora para outra, ele passou a ser creditado nos roteiros de SORCERESS (dirigido em 1982 por Jack Hill, sob o pseudônimo de Brian Stuart), SCREWBALLS e FORBIDDEN WORLD até chegar o dia em que uma distribuidora encomendou um slasher cujo principal cenário fosse um shopping center. Corman procurou o seu mais novo pupilo e disse que se ele chegasse em alguns dias com algo bom, o filme seria dirigido por ele. Em dois dias, Jim entregou o primeiro tratamento de CHOPPING MALL. O resto é história.


Como todo realizador do meio que se preze, Jim Wynorski aproveitou ao máximo os recursos disponíveis e os cenários limitados do shopping para contar a história de um grupo de jovens bobocas que serão perseguidos por três robôs assassinos, que matam com tiros de raio laser. É de Wynorski, inclusive, a voz dos robôs que sempre dizem "Obrigado! Tenha um bom dia!" após executarem as suas vítimas. Sensacional. A visível curtição da equipe também ajuda, inclusive com atores conscientes de que seus personagens não passam de estereótipos e se esbaldam com eles. O elenco também conta com a musa Barbara Crampton e participações especiais de Mary Woronov, Paul Bartel, Mel Welles, um jovem Gerrit Graham e Dick Miller. CHOPPING MALL é definitivo para a carreira de Wynorski porque foi a primeira vez onde ele se viu rodeado de talentos que iriam trabalhar ao seu lado outras vezes, como os protagonistas Kelli Maroney e John Terlesky, o co-roteirista Steve Mitchell, os adoráveis Lenny Juliano, Arthur Roberts e Ace Mask que viriam a ser atores de carteirinha do diretor. Juliano aparece logo na primeira cena do filme, onde os robôs são apresentados ao espectador.

E claro, não podemos deixar de falar do quanto o trabalho de Chuck Cirino é importante para a produção, na primeira de muitas e ótimas trilhas sonoras para Wynorski. A contribuição de Cirino é um show à parte, com uma trilha que pode sim, ser datada, mas que é divertidíssima, viciante e se encaixa perfeitamente a cada cena, a cada diálogo ridículo, a cada roupa e corte de cabelo dos protagonistas... enfim, uma trilha que, assim como o longa inteiro, é muito do cinema de gênero dos anos 80 em estado puro, no que há de melhor (ou pior, para alguns). Simplesmente hilário, demente e queijudo, CHOPPING MALL é imperdível e um dos melhores cartões de visita para o cinema de Jim Wynorski.


Falha nossa (correção 14/01): o co-autor do roteiro de CHOPPING MALL é Steve Mitchell, não R. J. Robertson, que foi um dos grandes parceiros de Wynorski como roteirista em 10 filmes.

segunda-feira, janeiro 10, 2011

sábado, janeiro 08, 2011

Juan Piquer Simón (1935 - 2011)

Os blogs de cinema estão virando obituários novamente...

Obrigado por tudo, Juan.

segunda-feira, janeiro 03, 2011

Kobayashi is dead

2011 mal começou... :(

Pete Postlethwaite
1946 - 2010

sábado, janeiro 01, 2011

Sorria...

Antes de 2011 chegar, escrevi essas linhas no Facebook que agora compartilho a todos:

Algo que gosto de fazer é sorrir, sem motivo mesmo, e arrancar outros sorrisos, sejam eles de parentes, amigos, colegas e ilustres desconhecidos. 2010 foi um ano repleto de altos e baixos, onde muitas vezes me senti perdido neste campo de batalha chamado vida. Continuar sorrindo fez toda a diferença. Ganhei batalhas, perdi outras, mas em vários momentos, foram os sorrisos conquistados que não me fizeram perder a cabeça, que me deram força para continuar lutando. Por isso, parentes, amigos, amigas, colegas e ilustres desconhecidos... não sorriam apenas hoje, amanhã ou no ano que vem, sorriam sempre. Que o amor, a saúde, a felicidade e a compreensão estejam mais presentes na vida de cada um de vocês.

Feliz 2011

sexta-feira, dezembro 31, 2010

quarta-feira, dezembro 29, 2010

MUSEU DO VHS!

Iniciativa do amigo Bruno C. Martino



"A proposta do blog é juntar o maior número possível de informações e principalmente capas de filmes em VHS lançados por aqui na época áurea do formato. O MUSEU DO VHS, é um blog composto por fãs que desejam preservar a memória dos VHS.E COMO FAZER ISSO? Através das figuras escaneadas das capas de VHS; Informações sobre as Distribuidoras que existem e as que já não existem mais; Vídeos exclusivos; Informações sobre títulos nacionais que tais filmes receberam no Brasil; E eventualmente resenhas sobre alguns filmes. A intenção primordial do blog é a de catalogar através de imagens o maior número possível de capinhas de filmes! Damos preferência àqueles filmes obscuros que foram somente lançados em VHS, mas é claro que outros irão aparecer. A intenção é preservar as artes das capinhas de VHS brasileiras e com isso a memória dos VHS em geral! (Valem todos os gêneros até os filmes pornôs!)"

terça-feira, dezembro 28, 2010

"CUIDADO: SPOILERS ADIANTE!"


Por Brad Sykes,
exclusivo para o blog Vá e Veja


Em maio de 1997, eu estava a poucas semanas de concluir a graduação em cinema na Universidade de Boston quando recebi um telefonema de Jeff Burr, que eu tinha conhecido no ano anterior e mantive contato desde então. Ele estava em pré-produção com um novo filme, SPOILER, e queria saber se eu poderia voar para Los Angeles e trabalhar como seu assistente. É claro que minha resposta foi sim! Fiz minhas provas mais cedo e escapei da cerimônia de formatura para que pudesse estar em LA o mais rápido possível.

SPOILER foi meu segundo trabalho em um filme profissional e poucos dias depois do início das filmagens, fui promovido de assistente de direção para diretor de 2a. unidade! A cada dia, Jeff me daria uma lista das tomadas que ele precisava. Meu diretor de fotografia foi o talentoso romeno Viorel Sergovici e a gente passava de um set para outro gravando close-ups, inserts e qualquer coisa que acreditamos ser útil na edição. Também fiz um pouco de figuração sem créditos, aparecendo em pelo menos três cenas interpretando três personagens diferentes!

Eu tenho algumas boas memórias da filmagem de 18 dias, mas duas se destacam. A primeira foi sentar com Jeff em seu trailer, assistindo a minha primeira fita de "diárias". Eu tinha uma tomada. Viorel e eu tínhamos feito uma lenta tomada em dolly para um freezer criogênico que não estava na lista de Jeff, mas foi bacana demais para resistirmos e eu estava nervoso e excitado para conferir o resultado. A tomada apareceu e Jeff a assistiu tranquilamente, virou-se para mim e disse: "Está ótimo. Bom trabalho." Essa tomada acabou sendo uma das primeiras que você assiste no filme e também foi usada no trailer para o DVD.

A outra memória envolve o astro Gary Daniels, que foi ótimo de se trabalhar. Ele trabalhava o dia inteiro, todos os dias, seja fazendo cenas dramáticas ou de artes marciais. Um dia, a equipe tirou pausa para almoço e ele estava passando, enquanto eu arrumava um close-up no dublê de braço. Ele parou e disse: "Isso é o que se supõe ser o meu braço?". Eu lhe disse que sim e e ele de imediato arregaçou as mangas, colocou alguma maquiagem e o seu próprio braço na tomada, para que ele pudesse combinar perfeitamente. Eu nunca tinha visto uma "estrela" fazer algo assim antes.

Trabalhar com Jeff em SPOILER não foi apenas divertido e emocionante, mas também um grande experiência de aprendizagem. Fui capaz de usar muitas das habilidades que aprendi naquela filmagem quando mais tarde passei a dirigir os meus próprios filmes.

Sykes, no set de MAD JACK (2000)

sexta-feira, dezembro 24, 2010

FELIZ NATAL!


Dos realizadores de HOBO WITH A SHOTGUN:

http://www.treevenge.com/



Com direção de Freddie Francis e estrelado por Joan Collins,
AND ALL THROUGH THE HOUSE. Episódio de CONTOS DO ALÉM (Tales from the Crypt, 1972), uma das melhores antologias da Amicus. Ele foi refilmado em 1989 por Robert Zemeckis para a série CONTOS DA CRIPTA.


terça-feira, dezembro 21, 2010

Te cuida, Marvel!


Diretamente dos reis do "mockbuster" moderno, chegam as primeiras imagens de ALMIGHTY THOR. Com direção de Christopher Ray (REPTISAURUS, MEGA SHARK VS CROCOSAURUS), a produção da The Asylum será estrelada por Cody Deal, Richard Grieco, o ex-wrestler Kevin Nash e Patricia Velasquez. O lançamento em DVD está previsto para uma semana e meia antes daquela outra versão dirigida por Kenneth Branagh entrar nos cinemas. Na trama, o demoníaco deus Loki destrói a fortaleza de Valhalla e rouba o Martelo da Invencibilidade. Apenas o jovem Thor protegerá o planeta do Armageddon.

Cody Deal (Thor)

Richard Grieco (Loki)

Kevin Nash (Odin)

Patricia Velasquez (Jamsaxa)

Achou pouco? Confira mais!

www.theasylum.cc


E daqui a poucas semanas, o prolífico Brett Kelly (IRON SOLDIER, AVENGING FORCE: THE SCARAB) começa as filmagens de THUNDERSTORM: THE RETURN OF THOR. Assim que mais informações forem disponibilizadas sobre as duas produções, o leitor do Vá e Veja ficará sabendo!








domingo, dezembro 19, 2010

SPOILER (EUA, 1998)


Jeff Burr é um nome em que confio por um simples motivo: dos filmes que assisti, ele não se mostra preguiçoso em nenhum deles. Jeff não tem culpa se os roteiros muitas vezes não eram dos melhores... os dois MESTRE DOS BRINQUEDOS dirigidos por ele que o digam! Mas ainda assim, ele nos entregou títulos como DO SUSSURRO AO GRITO, O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA III (a melhor continuação do clássico de Tobe Hooper) e A NOITE DO ESPANTALHO que divertem qualquer fã do gênero. Assim como boa parte dos seus colegas de profissão, a força de Jeff é melhor notada em seus projetos mais pessoais, EDDIE PRESLEY e COMBATE NA ESCURIDÃO. SPOILER é um de seus filmes mais obscuros, uma mistura de drama e ficção estrelada por Gary Daniels.

Roger Mason (Daniels) é preso por um crime que não cometeu. Sem conseguir viver longe da família durante 1 ano de sentença, o homem foge da cadeia, mas acaba sendo pego e sujeito a torturas mentais. Detalhe: ele é condenado a 26 anos de suspensão criogênica. Mason acorda com a mesma idade, mas seus entes queridos envelhecem ou já se encontram mortos. Ele foge outra vez para tentar reencontrar os seus parentes, nem que seja por pouco tempo, para ser preso novamente, submetido a mais abusos e congelado em seguida. Policiais e caçadores de recompensas parecem estar sempre um passo atrás dele. Já um fugitivo lendário, Mason recebe a notícia que seus pais e esposa faleceram, apenas restando a sua filha. E adivinhem o que ele fará em seguida? Fugir, sem saber se encontrará com a última pessoa que ama no mundo.

Pela premissa, temos um dos filmes B mais deprimentes já feitos. Mas Jeff Burr faz o possível para ele não ser tão melodramático. Muitos sets são de uma pobreza franciscana, o que reforça a criatividade de Jeff em disfarçar as limitações do baixíssimo orçamento para uma produção do gênero (menos de 500 mil dólares). O roteiro de Michael Kalesniko é derivativo de O DEMOLIDOR e VINGADOR DO FUTURO, mas apresenta sequências memoráveis - uma das fugas é sensacional - e injeta alguma comicidade, que embora deslocada às vezes ajuda ao filme não ficar insuportável. Uma falha grave do roteiro é o fato de nos fazer pensar que o personagem tenha alguma culpa pelas coisas ruins que acontecem a ele. Poxa vida, o cara tem um ano de sentença a cumprir e foge para correr o risco de ser pego e congelado por mais 10, 20 anos? Sei não...

Gary Daniels dá o melhor de si e carrega o filme nas costas, apesar do papel não considerar o seu talento como artista marcial. A luta entre ele e Bryan Genesse (yeah!) também merecia ser melhor executada. Todo o filme praticamente se resume aos planos e posteriores fugas de seu personagem, que cruza seu caminho com uma série de personagens interpretados em rápidas aparições de figuras conhecidas como os irreconhecíveis Meg Foster e James Booth, passando por Joe Unger, Bruce Glover, Duane Whitaker (que estão em BROKE SKY), Timothy Bottoms e Willard E. Pugh. Não me esqueci de Jeffrey Combs, que arrebenta na melhor participação especial do longa, como um sádico e afeminado policial que tem caçado Mason por muito tempo e finalmente encontra o fugitivo.



A direção de SPOILER é assinada com o pseudônimo Cameron Von Daake, pois Jeff Burr perdeu o controle na pós-produção. Certamente, teríamos um filme melhor com sua palavra no corte final, mas apesar do ocorrido, outra vez é o talento de Jeff como diretor que se sobressai. Trata-se de uma produção fora dos padrões do período, inclusive pela presença de Gary Daniels que entrega sua melhor atuação num filme que não prioriza cenas de ação. Isso pode desapontar a muitos, menos a quem busca algo diferente do que o ator fez para a PM Entertainment e Nu Image, por exemplo.

PS: Não acredito que escrevi todo esse texto sem fazer uma piadinha com o título!

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Edwards / Rollin

Dá um tempo, Dona Morte!

Blake Edwards
1922 - 2010



Jean Rollin
1938 - 2010

sexta-feira, dezembro 10, 2010

Jânio Nazareth entrevista a turma de MACHETE



Jessica Alba, atriz

Michelle Rodriguez, atriz

Danny Trejo, ator

Robert Rodriguez, diretor/produtor/roteirista

Edição: Robert Kiraz

Matéria: Jânio Nazareth, Los Angeles

Imagens: Machete, cortesia Sony Pictures

quarta-feira, dezembro 08, 2010

95 anos de Eli Wallach

Feliz Aniversário, Tuco!

"I said to Leone, 'I'm in the bathtub, in the nude, and this man is going to shoot me and I shoot him. Isn't the water going to get in the gun?' He says, 'Eli, it's only a movie. Shoot him.'"

Confira entrevista publicada em jan/06 na revista Sight & Sound

quinta-feira, dezembro 02, 2010

segunda-feira, novembro 29, 2010

Que dia...

Mario Monicelli
1915 - 2010

Irvin Kershner
1923 - 2010

NIELSEN FU!


Leslie Nielsen

O mundo está ainda mais sem graça hoje.
Obrigado por tudo, Leslie...



"Ted Striker: Surely, you can't be serious.
Dr. Rumack: I am serious... and don't call me Shirley."

1926 - 2010

domingo, novembro 28, 2010

Nightcrawlers, de William Friedkin

Episódio para a versão 1985 de ALÉM DA IMAGINAÇÃO



sexta-feira, novembro 26, 2010

MILF (2010, EUA)

Podemos dizer que o sucesso de AMERICAN PIE foi o suficiente para as comédias de sexo voltarem ao 'mainstream'. Judd Apatow entrou de cara na linha desde O VIRGEM DE 40 ANOS que bebe horrores das produções dos anos 80 sem o menor receio disso ser notado e também fomos brindados com o hilário SUPERBAD. O mercado de vídeo entrou na onda, com as sequências recentes do citado AMERICAN PIE totalizam quatro filmes lançados diretamente em DVD. São produções de retorno fácil, feitas com orçamentos menores e que a falta de "nomes" no elenco não compromete as vendas. A nossa querida The Asylum não ficou de fora, com o lançamento de 18 YEAR OLD VIRGIN e SEXPOT no ano passado que fizeram bons números para a produtora. Nos últimos meses, ela lançou #1 CHEERLEADER CAMP e MILF, que comento hoje no blog.


MILF ("Mom I'd Like to Fuck") é um termo norte-americano para o fetiche sexual com mulheres mais velhas com idade para serem mães de seus parceiros de cama. E elas são o que um grupo de 4 amigos sem o menor sucesso com as gatinhas composto por Brandon (Jack Cullison), Anthony (Philip Marlatt), Nate (Joseph Booton) e Ross (Ramon Camacho) estão à caça. Com as moçinhas mais jovens, foi humilhação atrás de humilhação até uma noite em que Nate sugere partir com tudo para seduzir as coroas. Mas Brandon conquista Holly (Amy Lindsay), a mãe de Anthony, e acaba sem saber como tratar do assunto com seu amigo. O restante do filme de Scott Wheeler segue as aventuras e desventuras dos amigos, sem qualquer receio de seguir fórmulas e clichês. No fim das contas, MILF entrega o que seu público deseja: uma história leve, com situações divertidas e uma quantidade expressiva de peitinhos desfilando na tela da TV. Nada mal.


Ainda no elenco, Jamie Bernadette faz outro interesse amoroso de Brandon, enquanto Molinee Green diverte como a mãe maluquinha dele. Em papéis menores, temos as presenças de Diana Terranova, Kylee Nash e Christine Nguyen que já se tornaram musas do 'softcore' para TV a cabo americano.

Não sou exatamente um grande fã destas comédias. Poucas mantém meu interesse do início ao fim, sou muito mais a The Asylum de DRAGONQUEST ou TITANIC II. Mas confesso que fiquei curioso quando soube que MILF estava em produção, porque tudo me lembrava muito de dois filmes pelo qual tenho um apreço enorme: O ÚLTIMO AMERICANO VIRGEM e UMA PROFESSORA MUITO ESPECIAL. E além de me fazer sorrir, MILF conta com uma boa dose do sentimento encontrado nestes dois clássicos do estilo, devendo principalmente ao último e outro filme do período que não tive o prazer de assistir chamado UMA QUESTÃO DE CLASSE onde o garoto vivido por Andrew McCarthy tem um caso com a mãe do personagem de Rob Lowe, interpretada por Jacqueline Bisset. É essa inesperada referência/homenagem respeitosa aos pequenos filmes do estilo nos anos 80, que sabiam lidar com a amizade entre seus personagens, que faz o filme merecer uma conferida. Sem deixar a fartura em nudez gratuita de lado, claro.

domingo, novembro 21, 2010

Jesse Johnson fala sobre CHARLIE VALENTINE e seus futuros projetos

"I was a product of the swinging sixties. When I had children, my wife thought it would be good to look up my actual blood father. We had some vague information. I'd never been too concerned myself. But my wife went out and did some Internet research and found him. So we went and visited him. It was sort of that flux of emotions. Those feelings and memories that you have sliding towards you."