terça-feira, outubro 26, 2010

HEAD CASE (2007, EUA)

Um dos títulos mais curiosos que tive a oportunidade de ver atualmente, HEAD CASE faz parte da leva atual de filmes que usam o "mockumentary" no cinema de horror. Aos que não conhecem o termo, os exemplares do subgênero são filmes de ficção, com atores, roteiro e direção feito como se fosse um documentário, como se as imagens registradas na câmera fossem reais. A tendência não deve sair de moda tão cedo, se considerarmos o sucesso dos recentes ATIVIDADE PARANORMAL e REC, que ganharam continuações em menos de três anos de suas estréias nos cinemas.

Quem assistiu CANNIBAL HOLOCAUST sabe que não se trata de nenhuma novidade e que sua popularização foi possível por conta de A BRUXA DE BLAIR, mas isso não impede que mais filmes sejam feitos se utilizando do formato, inclusive de orçamento minúsculo e carater experimental como HEAD CASE. O jovem cineasta Anthony Spadaccini nos apresenta a Wayne e Andrea Montgomery, vividos por Paul McCloskey e Barbara Lessin, que são pais de dois filhos (Bruce De Santis e Emily Spiegel) e poderiam muito bem ser aquele casal aparentemente simpático que cruza conosco quase todo dia e acena um 'bom dia'. Na verdade, os Montgomery são assassinos em série cujas atividades noturnas se resumem a sair, escolher suas vítimas, drogar, torturar e matá-las. Tudo em frente à câmera, já que o filme é editado com o material encontrado na casa deles, em ordem cronológica, com o apoio das famílias dos inocentes assassinados. Outro detalhe: o casal usa tripé ao filmar alguns de seus crimes, ou seja, não há tanto tremilique.

Assistir HEAD CASE não foi tarefa fácil. Fiquei tentado a usar o botão de FF no DVD em diversos momentos, não por conta das cenas de violência, mas pelo fato do filme ser lentíssimo. Existem coisas que poderiam ser enxugadas no corte final, cenas que a meu ver não levam a lugar nenhum, ficando a sensação de que talvez o diretor tenha se perdido na hora de editar o material. Digo talvez porque isso contribui para o filme ser ainda mais incômodo e deixar o espectador incomodado é algo que Anthony quer.

Não há alívio, uma chance para respirar. Somos meros espectadores das caçadas de Wayne e Andrea e nada podemos fazer pelas vítimas, que veremos morrer uma a uma até a chegada do seu final. A violência segue a cartilha deixada por HENRY - RETRATO DE UM ASSASSINO e O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA: quanto menos se mostra, mais se escuta e imagina. Há momentos que não devem sair de minha cabeça tão cedo, como Andrea recebendo um presente surpresa de Natal e o sorridente Wayne falando "opa, dois pelo preço de um" enquanto abre uma garota que descobre estar grávida.

Na procura por informações dos bastidores, soube que Anthony não usou roteiro durante as filmagens, preferindo que seus atores improvisarem nos diálogos e na maior parte das situações que os personagens se encontram. Isso pode até ser notado, mas não esperava que fosse em todas as cenas, então nesse aspecto, o elenco limitado surpreende. Os fãs do gênero deverão apreciar a participação especial da 'scream queen' Brinke Stevens como a mãe de Wayne, numa das melhores cenas da produção. Segundo o realizador, foi a primeira vez em que a atriz trabalhou com improviso na sua carreira no cinema.

De extras, o disco de divulgação com a versão do diretor veio com duas faixas de comentários, uma com Spadaccini e os atores McCloskey e Lessin e outra com o cineasta, Jay Cusack (produtor associado e uma das vítimas no filme) e Tanisha Dungee (design de produção e co-produtora) que ouvirei depois com mais atenção. Confesso que filmes como esse não são bem a minha praia. Pretensioso, lento, artístico são adjetivos que podem ser dados a ele, mas ainda assim, digo que valeu a pena conhecer o trabalho de Spadaccini. E que preciso conhecer mais filmes como HEAD CASE.

O longa metragem faz parte de uma série que até o momento conta com mais dois filmes: THE RITUAL (2009) e POST-MORTEM (2010), que teve sua estréia em festivais no último 25 de setembro. Brinke também participa de ambos, enquanto que o terceiro tem a presença do grande Robert Z' Dar. Só espero que eles sejam mais "digeríveis".

segunda-feira, outubro 25, 2010

The Asylum cheia de novidades


Hoje foi divulgado o trailer de 2010: MOBY DICK, a versão deles para o clássico livro de Herman Melville. Ou seja, espere por uma baleia de computação gráfica das mais furiosas acabando com tudo. A produção é estrelada por dois nomes interessantes: Barry Bostwick interpretando o Capitão Ahab e Renee "Xena" O' Connor. Trey Stokes, técnico de efeitos em filmes como A BOLHA ASSASSINA, O SEGREDO DO ABISMO e TROPAS ESTELARES, faz aqui sua estréia na direção de longas e o roteiro ficou a cargo de Paul Bales

Também foram divulgadas imagens dos bastidores de BATTLE OF LOS ANGELES, que acabou de concluir a fotografia principal. A ficção se passa nos dias atuais e lida com a segunda tentativa de invasão dos alienígenas, quase setenta anos depois do primeiro ataque fracassado dos alienígenas em 1942, quando objetos voadores não identificados foram detectados pelo exército e força aérea americanos na Califórnia. A produção é escrita, dirigida e filmada por Mark Atkins, veterano de outras produções da The Asylum, com lançamento previsto para fevereiro de 2011. No elenco, Nia Peeples e Kel Mitchell. Lembram de Kenan & Kel? Sim, o Kel! Tava sumido esse cara... Clique aqui para conferir a galeria de imagens.

http://www.theasylum.cc/

sexta-feira, outubro 22, 2010

Piranha (2010) para a Folha de Pernambuco


Agradecimentos à Folha de PE e ao amigo Luiz Joaquim (crítico do jornal e dono do site CINEMA ESCRITO) pela oportunidade e assim, também dar uma força para que o bom cinema bagaceiro seja mais conhecido pelos leitores de Pernambuco e do Brasil.
O texto saiu na íntegra, turma!! Yeah!

segunda-feira, outubro 18, 2010

Entrevista com Leigh Scott (The Witches of OZ)


Quando a The Asylum começou a se popularizar com os 'mockbusters', era difícil achar um novo diretor tão polêmico quanto Leigh Scott. A razão para a crescente fama entre os internautas? Ele fazia questão de responder cada ofensa dirigida a sua pessoa e seus filmes nos famigerados forums do IMDB. Mas Leigh acabou se tocando que aquilo era uma baita perda de tempo, pois a quantidade de usuários que o viam como um cara batalhador era ínfima em comparação aos que só estavam lá para degradar seu trabalho. Não demorou muito tempo para o diretor de TRANSMORPHERS e THE HITCHHIKER alçar maiores vôos, sair da The Asylum e começar a produzir e dirigir seus próprios filmes destinados ao mercado televisivo e doméstico. E com THE WITCHES OF OZ, Leigh encara seu maior desafio até então: uma minisérie com 4 horas de duração que também tem grandes chances de entrar no cinema. Apesar da cabeça cheia na pós-produção (o filme não será mais lançado em 3D) e questões de distribuição, Leigh aceitou bater um papo com o Vá e Veja.


01 - Como se deu a idéia de revisitar uma história tão clássica quanto "O Mágico de OZ"?

Filmes de fantasia são o meu gênero favorito. Eu queria fazer algo similar a Harry Potter, mas com um americano ao invés de tomar um caminho inglês. Pareceu uma decisão natural.

02 - Julgando pela prévia disponível, "Witches of OZ" parece ser muito ambicioso e caro se compararmos com seus outros filmes feitos para a The Asylum e o canal SyFy. Como a experiência nas produções de baixo orçamento ajudou ao novo filme?

Trabalhar nos filmes de menor orçamento foi demais. Aprendi a filmar somente o que eu preciso. Não gastar tempo e dinheiro é crucial. Fomos capazes de planejar o filme como se não tivéssemos dinheiro, então o usamos onde realmente importava.

03 - Podemos chamar o filme de um projeto independente? Caso sim, é o primeiro do ano que pode competir diretamente com os blockbusters de $100 milhões vindos dos estúdios. O resultado impressiona, o que me faz tirar o chapéu para a sua equipe.

Obrigado pelas palavras, isso significa muito. Nós fizemos o filme sem um distribuidor e desde que colocamos o pequeno making-of no site oficial, começamos a falar com os estúdios. Queremos fazer o melhor para o filme, lançá-lo da melhor maneira para o maior público possível.





04 - 'Witches of OZ' conta com um grande elenco. Não é a primeira vez que você trabalha com das lendas vivas do terror e fantasia como Jeffrey Combs e Lance Henriksen. Mas ainda temos Christopher Lloyd, Mia Sara, Sean Astin e Billy Boyd (de olho nos fãs de "Senhor dos Anéis"), Jason Mewes, Ethan Embry, Eliza Swenson e Paulie Rojas interpretando a protagonista Dorothy. Como foi possível escalar todas essas pessoas? E para brincarmos um pouco com os espectadores de seus filmes anteriores, Rhett Giles estava ocupado?

HA HA! Sim, Rhett estava ocupado.

A escalação do elenco não foi tão difícil porque o filme foi todo filmado durante uns dois meses e a estória é muito épica. Parte do filme se passa em Oz, parte em Nova Iorque e parte no Kansas. Então muitos dos personagens não mudam de local porque estão em diferentes partes da história. Mas outros sim, o que foi desafiador. Christopher Lloyd, por exemplo, aparece em Oz e Nova Iorque e Mia Sara está em todas as partes do filme, então podemos dizer que o processo foi um pouco maluco.

05 - Alguma mensagem para os fãs brasileiros do cinema fantástico e público em geral? Esperamos que o filme seja lançado aqui, também nos cinemas.

Nunca estive no Brasil, mas adoraria algum dia. Minha namorada esteve aí alguns anos atrás e teve uma ótima estada. Talvez nós estaremos juntos na estréia!


quarta-feira, outubro 13, 2010

terça-feira, outubro 12, 2010

Presente de Dia das Crianças

Lá estava eu no centro de Recife, em plena sexta-feira quando vejo muitos dos livros vendidos ao preço camarada de R$ 2,00 na série "Clássicos Econômicos" pela Newton Compton na metade dos anos 90 em ótimo estado numa barraquinha simpática. Como não sou bobo, abocanhei vários, inclusive fiz sorteio de alguns no trabalho e agora é a vez do amigo e leitor do Vá e Veja levar um deles para casa. Por quê? Porque sim, oras, todos nós já fomos crianças e acho uma baita injustiça sermos esquecidos todo ano só porque crescemos. :D

São duas edições de PREGOS VERMELHOS (Robert E. Howard), duas de A NUVEM ENVENENADA (Arthur Conan Doyle) e uma de A ESMERALDA MALDITA (Edgar Wallace). Para ganhar um dos cinco livros, basta ser uma das primeiras cinco pessoas a responder a pergunta "O que te faz gostar do Vá e Veja?" e enviar sua resposta com o nome do livro que você quer de presente - sujeito a disponibilidade - e o assunto 'Dia das Crianças!' para o vaeveja @ gmail com. Boa sorte!

Editado, 11:30: mais uma edição de PREGOS VERMELHOS adicionada!



domingo, outubro 10, 2010

The Asylum - "Last Call with Carson Daly"

TITANIC II (2010, EUA)

Certamente um dos títulos mais engraçados já criados na história do cinema picareta, TITANIC II é mais outro clássico da The Asylum. Uma dessas crias absurdas do cinema que me fazem olhar para dentro de meu ser, construir profundas reflexões psicológicas na tentativa de achar o motivo pelo qual continuo assistindo a esses filmes. Atuações? Furos de roteiro? (D)Efeitos especiais? Pós-produção apressada? Tudo isso e mais, claro, embora não me refira apenas aos filmes da notória produtora. Mas o que me deve fascinar nos 'mockbusters' da The Asylum é que eles são, em sua essência, blockbusters feitos com o orçamento do lanche nas produções dos grandes estúdios. Some-se a isso a curiosidade em ver como a turma se vira a cada filme, por mais que a maioria seja uma enorme perda de tempo para muita gente... menos para mim e outros cinéfilos que se amarram em cinema de baixo orçamento.

TITANIC II não é uma continuação direta do mega sucesso dirigido por James Cameron. O número 'dois' no título refere-se ao transatlântico que serve de cenário principal deste filme. Eu que não pagaria uma nota preta para ser tripulante de qualquer navio feito nos moldes do protagonista de um dos mais famosos incidentes na história da Marinha mundial. E pior ainda, adentrar com ele ao mar no centésimo aniversário do ocorrido! Não, muito obrigado, nem de graça. Mas lógica e bom senso são coisas que não devem ser procuradas quando se assiste a um filme B, quanto mais algo produzido pela The Asylum.

Bruce Davison - em seu 2º filme para a produtora, o 1º foi MEGAFAULT - empresta credibilidade como James Maine, oficial veterano da Guarda Costeira cuja filha Amy (Marie Westbrook) está trabalhando como enfermeira no Titanic II. Se pouca coincidência fosse bobagem, o navio foi um empreendimento de Hayden Walsh (o diretor/roteirista Shane Van Dyke, do superior 6 GUNS) riquinho mimado e ex-namorado da moça. James também recebe um aviso de alerta e se encontra com uma cientista interpretada por Brooke Burns (de SOS MALIBU, ainda dando um caldo) que o informa do quebra-quebra de enormes icebergs capazes de gerar tsunamis. Sentiu o drama? Daí tivemos quase 35 minutos de construção de trama e personagens aliados a uma hilária cena de abertura da qual não revelarei detalhes, até chegarmos no que importa: a fúria da natureza vs. Titanic II com o ataque de um tsunami acompanhado de icebergs. Isso mesmo, nem o Poseidon se ferrou tanto.


Para a surpresa deste elemento de gosto duvidoso que vos escreve, TITANIC II não é ruim. Shane Van Dyke mantém o filme em bom ritmo, injeta alguma tensão no meio de toda a previsibilidade do roteiro e tira o melhor possível do elenco, até mesmo dos coadjuvantes menores. Por exemplo, o engenheiro chefe do navio é interpretado por Mike Gaglio, presença em filmes de Fred Olen Ray, que consegue se sair muito bem na sua pequena participação.

O maior problema da produção é se levar a sério demais para o próprio bem. Trata-se de um dilema: geralmente, os filmes da The Asylum já possuem distribuidores e emissoras de TV interessados antes mesmo da pré-produção. E pelo visto, os compradores não queriam uma sátira dos filmes de desastre (o que seria sensacional...), então TITANIC II acabou sendo um filme padrão do gênero, sem qualquer novidade. Por mim, não faria nenhum mal se o roteiro incluísse uma sociedade secreta de Ninjas encarando Vikings sanguinários com o navio afundando. Detalhe: os Vikings teriam atravessado um portal do tempo por acidente.

E claro, o espectador não precisa levar TITANIC II a sério. Não vejo como alguém pode assisti-lo de outra maneira. Só assim se aproveitará o humor decorrente das situações absurdas, dos diálogos 'científicos' que ninguém entende a não ser os personagens, de Bruce Davison passar 95% do filme dentro de um helicóptero, enfim, tudo o que faz um legítimo filme B divertir. É muito bom ver essa chama acesa em tempos que um mundo cada vez mais ranzinza e atrasado precisa de entretenimento sem noção, feito por gente que goste de chutar o balde, mesmo que ele não possa ir tão longe na maioria das vezes.

segunda-feira, outubro 04, 2010

O novo projeto de Jesse V. Johnson


Depois de THE BUTCHER e CHARLIE VALENTINE, Jesse V. Johnson se rendeu a uma tendência em moda no cinema 'blockbuster' atual: o 3D. Mas isso não é nada para se preocupar, pois com seus últimos filmes, ele se revelou alguém que entende do riscado. Até porque Jesse não largou a sua vida de dublê para trás, trabalhando inclusive em AVATAR, um dos filmes que melhor se utilizaram do sistema e isso certamente o ajudará neste novo projeto.

Dominiquie Vanderberg interpreta um dos personagens do filme que contará com um orçamento maior que o de costume para o diretor. Os primeiros 15 minutos da produção já estão na lata e devem ser vistos em primeira mão no AFM (American Film Market) em novembro.

sexta-feira, outubro 01, 2010

quinta-feira, setembro 30, 2010

A bruxa está solta!

Gloria Stuart
1910 - 2010

Sally Menke
1953 - 2010

Arthur Penn
1922 - 2010

Tony Curtis
1925 - 2010

Joe Mantell
1915 - 2010

Obrigado por tudo, damas e cavalheiros.

terça-feira, setembro 21, 2010

OS ÚLTIMOS FORAS-DA-LEI (The Last Outlaw, 1993)


Western brutal da HBO na linha de CONDENADOS A VIVER e OS QUATRO DO APOCALIPSE, sem falar da boa dose de Peckinpah. O nível alto de violência para um telefilme é apenas um dos pontos positivos desta boa história de vingança dirigida com mão firme pelo australiano Geoff Murphy e escrita por Eric Red (UMA CRIANÇA POR TESTEMUNHA).

Um assombroso Mickey Rourke interpreta Graff, líder impiedoso de um grupo de assaltantes de banco composto por ex-soldados confederados. Sua liderança é questionada por Eustis (Dermot Mulroney) que acaba baleando o próprio chefe quando este ameaça matar Loomis (Daniel Quinn) por estar ferido e com isso, atrasar a fuga deles para o México depois do último roubo. Eustis, Loomis e os outros bandidos interpretados por caras do calibre de Ted Levine, John C. McGinley, Steve Buscemi e Keith David deixam o corpo de Graff para trás. Mas o então líder sobrevive aos ferimentos e acaba sendo encontrado pelo xerife Sharp (Gavan O' Herlihy), o gerente do banco assaltado e seus homens. Graff não tem nada a perder e se "junta" aos homens da lei com a única e exclusiva intenção de massacrar os seus antigos parceiros.


Em poucas palavras, OS ÚLTIMOS FORAS-DA-LEI é uma espécie de A MORTE PEDE CARONA - também roteirizado pelo Eric Red - ambientado no Velho Oeste, com a presença quase que fantasmagórica de Graff lembrando demais o inesquecível John Ryder. A produção se destaca pela direção sem frescuras de Murphy, que aproveita cada centavo do orçamento e claro, pelo elenco de monstrinhos que melhora os personagens que interpretam. A título de curiosidade, Rourke recebeu um bigodinho à la Bronson e dois personagens recebem nomes familiares para os fãs do cinema de horror: o já citado Loomis e o personagem de Keith David, que teme o sobrenatural, se chama Lovecraft.

Como nem tudo são flores, as narrações em off que pontuam a história feitas pelo personagem de Mulroney poderiam ser excluídas sem qualquer prejuízo na compreensão da história. É um 'spoiler' feito pelo próprio longa. Mas tirando esse detalhe, temos uma pequena pérola dos filmes 'para machos' que merecia ser mais conhecida. Filme simples, cru e eficiente, ou seja, uma beleza!

quinta-feira, setembro 16, 2010

domingo, setembro 12, 2010

quarta-feira, setembro 08, 2010

Entrevista com Brad Sykes (Plaguers) - 1a Parte


Das duas alternativas, uma é verdadeira: essa turma do cenário independente norte-americano dos filmes de gênero e baixo orçamento é muito gente boa ou sou eu quem tenho sorte. Como sei de algumas histórias desde o início de meu interesse em conhecer melhor os bastidores destas produções, posso dizer que tenho uma sorte das grandes. E essa fala é reforçada com o personagem que é Brad Sykes, hoje diretor e roteirista de uma série de filmes desde 1999 (21 longas, de acordo com o IMDB), cujos filmes mais lembrados são a trilogia slasher CAMP BLOOD, FÁBRICA DA MORTE onde uma irreconhecível Tiffany Shepis interpreta uma mutante assassina e o recente PLAGUERS, feito pela Nightfall Pictures, que é de sua propriedade ao lado da esposa Josephina Sykes.

Estrelada por Steve Railsback, a produção homenageia os 'rip-offs' oitentistas de ALIEN e sua continuação, assim como clássicos do período como DEMONS e GALÁXIA DO TERROR. A produção se encontra em cartaz no CineFantasy e terá a sua segunda exibição hoje às 20hrs, na Biblioteca Viriato Corrêa, Vila Mariana, SP.

O enorme interesse de Brad em falar para os leitores do Vá e Veja gerou uma épica entrevista, feita sem qualquer correria ou pressão, onde cobrimos sua carreira e seus filmes. Ela será dividida em partes e através de cada uma, você poderá se surpreender com o que Brad tem a dizer.

VeV - Quais são os seus filmes e diretores favoritos? E quais personalidades e produções te influenciaram o bastante para não desistir de ser um realizador?

Antes de tudo, obrigado por me ter em seu site! Meus primeiros heróis do cinema eram caras do terror: George Romero, Sam Raimi, Peter Jackson, Wes Craven, John Carpenter, Stuart Gordon, Dario Argento. Mais tarde, na escola de cinema, meu gosto se ampliou para incluir David Lynch, Paul Schrader, Ken Russell, Nicolas Roeg, William Friedkin, Michael Mann, Bob Fosse, Paul Verhoeven, Walter Hill, Roman Polanski, Alex Cox e muitos outros entre eles.

Sobre os filmes favoritos, eis uma lista parcial de filme que continuam me divertindo e inspirando: "A Trilogia dos Mortos" de Romero, "Martin", "The Evil Dead", "Re-Animator", "Halloween", "O Enigma do Outro Mundo", "Príncipe das Trevas", "Aliens", "All That Jazz", "Sorcerer", "Quando Chega a Escuridão", "O Massacre da Serra Elétrica 1 e 2", "Pague para Entrar e Reze para Sair", "Suspiria", "Terror na Ópera", "Demons", "Aquarius - O Pássaro Sangrento", "Escravas do Desejo", "A Faca na Água", "A Morte Pede Carona", "Veludo Azul", "O Quarto Homem", "Dragão Vermelho (Mann)", "Fortaleza Diabólica", "Hardware", "Viver e Morrer em Los Angeles", "Cherry 2000", "Mad Max", "Straw Dogs", The Shout, "Inverno de Sangue em Veneza", "A Marca da Pantera", "Mishima", "Assassinos por Natureza", "Ed Wood", "Trancers", "Ruas de Fogo", "O Selvagem da Motocicleta"…

Tenho certeza que você notou a falta de filmes mais recentes. Penso que a maioria dos cineastas iria admitir que os filmes assistidos enquanto se está crescendo ou antes de trabalhar na indústria, são aqueles que mais ficam em você. Pelo menos, é assim como funciona comigo.

O cineasta pelo qual eu ainda sinto maior inspiração é Romero. Especialmente tudo entre "A Noite dos Mortos Vivos" e "Dia dos Mortos". Ele é um dos últimos autores de verdade que nós temos, em qualquer gênero e ele continua a fazer do seu jeito, fora do sistema. Quando me sinto cabisbaixo sobre esse ramo, o trabalho de Romero me deixa excitado e me faz acreditar que tudo é possível se você tem o desejo e vontade de fazer acontecer.

VeV - Qual é o aspecto mais recompensador e excitante sobre fazer filmes para você?

Como roteirista, ver sua estória e personagens ganharem vida no set, mesmo que a produção seja falha ou comprometida, é sempre muito prazeroso.

Como diretor, a filmagem é a minha parte favorita do processo. Escrever é solitário e editar é mais complicado, já que geralmente edito em minha cabeça enquanto escrevo e depois quando faço a decupagem do roteiro. Não acredito muito em "achar o filme" na ilha de edição. Estar no set e trabalhar com outras pessoas criativas - atores, diretores de fotografia, técnicos de efeitos, designers de produção - e sair com algo melhor do que você tinha envisionado é muito excitante e uma senhora experiência.

E claro, depois do filme pronto, participar de um festival onde o público realmente gosta do filme é um grande sentimento e faz toda a jornada valer a pena. No festival de cinema de Estepona, na Espanha, onde "Plaguers" teve sua estréia mundial, o cinema cheio de fãs estava gritando, vibrando, aplaudindo mais e mais vezes. Foi algo que nunca esquecerei enquanto viver.

VeV - E qual é o pior e mais frustrante aspecto sobre fazer filmes?

Produtores que não querem fazer o mesmo filme que você ou não se importam e colocam toda a responsabilidade no diretor, ou pegam todo o dinheiro para si mesmos, sendo injustos com o filme mas ainda esperando que você faça algo grandioso... atores difícieis, ingratos e anti-profissionais... não ter tempo, nem dinheiro o suficiente nas filmagens… diretores de fotografia e editores que são diretores iniciantes frustrados que tentam tomar seu filme... trabalhar duro e fazer um bom filme para então vê-lo divulgado porcamente ou simplesmente jogado pelo distribuidor.

Em 12 anos desde que comecei a dirigir, eu passei por tudo isso e muito mais, esse não é um ramo para os fracos do coração. Ainda bem que tive várias experiências positivas para continuar seguindo em frente. Vivendo e aprendendo.

Brad e Josephina

VeV - Como se deu tamanho interesse em fazer filmes de terror? "Plaguers" foi a primeira vez em que você também fez ficção científica?


Sempre fui um fã do gênero, mas a verdade é que o primeiro filme que me ofereceram para dirigir foi um filme de terror. Então fiz outro e mais outro... nesse ramo você é estereotipado muito rápido. Eu gostaria de fazer coisas diferentes também, mas depois de alguns filmes de terror no currículo, é difícil fazer as pessoas te verem como nada além de "um cara do terror".

"Plaguers" foi minha primeira ficção científica e essa foi uma das coisas mais excitantes sobre ele para mim, era diferente de tudo que fiz antes. Fazer uma ficção passada no futuro, no espaço etc gera mais demanda, é caro e requer mais tempo e trabalho que um filme slasher na floresta, por exemplo. Mas para minha primeira ficção científica, penso que o filme saiu bem legal. Eu gostaria de fazer outra novamente, só que com mais dinheiro desta vez!

VeV - Você iniciou sua carreira como assistente de produção e efeitos especiais, em filmes de nomes conhecidos pelos fãs do terror como Jeff Burr, Brian Yuzna, Jay Woelfel, Jack Sholder e David DeCoteau. Como trabalhar nesse campo te levou a direção em menos de dois anos?

Todos os filmes em que trabalhei foram educacionais para mim e na maioria das vezes, muito divertidos também. Jeff Burr é mesmo o nome que se destaca, pois foi através dele que minha carreira teve início, me contratando como assistente em dois filmes (encontrei minha futura esposa, Josephina, em um deles) e me apresentando a várias outras pessoas, incluindo algumas das que você mencionou. Aprendi tanto trabalhando para Jeff, que o considero meu mentor.

Brad segue instruções de Jeff Burr...

...e conhece Josephina, no set de PHANTOM TOWN.

Meu primeiro trabalho como diretor-roteirista veio por completa surpresa. Eu trabalhava como assistente de produção em um filme barato de ação e o produtor também estava fazendo alguns pequenos filmes de terror. Depois das filmagens, ele me pediu para ver "o meu melhor filme", então eu mostrei um filme em vídeo que fiz na faculdade chamado "O Pacto" e ele gostou e perguntou se eu tinha algumas idéias. Eu sugeri “Scream Queen”, que era basicamente uma atualização de filmes 'Euro-horror' como Devil’s Nightmare - um grupo de pessoas fica preso numa casa por uma longa noite e são mortos - e ele comprou a idéia. Foi meu primeiro filme de "Hollywood”. Escrevi o roteiro durante o feriado do Natal e através de um amigo, consegui uma “scream queen” real, Linnea Quigley para interpretar a protagonista. Ela foi ótima de se trabalhar e muito profissional. Não tenho idéia de quanto foi o orçamento, mas ninguém foi pago de verdade e nós filmamos em 4 ou 5 dias. Era um filme muito ambicioso - ambicioso até demais, olhando para trás! – mas aprendi muito fazendo ele e foi a partir daí que surgiram mais trabalhos como diretor.

Honestamente, nunca esperei dirigir nada - nem mesmo um curta - mesmo antes de me mudar para Los Angeles e ter feito 8 vídeos e vários curtas. Mas eu certamente tinha o desejo e quando a oportunidade veio, eu estava pronto para ela.


VeV – Como surgiu a idéia de fazer “Plaguers”?


Bem, sou um grande fã dos filmes de terror/ficção dos anos 80, como “Aliens”, “Enigma do Outro Mundo”, “A Mosca”, “Força Sinistra”, etc. Eles não eram feitos há um longo tempo então pensei em escrever um. Enquanto juntava algumas idéias, me toquei que zumbis já estiveram em todos os lugares, menos no espaço! Que melhor forma de juntar ficção científica e terror que um filme com “zumbis no espaço!” As oportunidades em termos de suspense, atmosfera e claro, insanos efeitos de maquiagem eram infinitos. Daí em diante foi criar uma causa para a “praga” e os personagens que lidariam com ela.

VeV – Sempre foi intenção do filme ser um retorno para os saudosos tempos de títulos como “Galáxia do Terror” e “Alien Contamination”? Você fez sua equipe assistir a alguns desses filmes como dever de casa?

Eu amo “Contamination” – aquele foi um dos primeiros filmes que comprei em VHS! “Plaguers” definitivamente foi intencionado como um retorno para todos aqueles filmes de terror/ficção do início dos anos 80 que sempre eram presentes nas nas sessões da madrugada da TV e nas prateleiras das locadoras. Os membros principais da equipe com quem falei sobre essas referências foram o designer de produção Scott Enge, a nossa figurinista Vicky Avery e o pessoal da Monster FX. Scott assistiu tudo que falei para ele – de “Mercenários das Galáxias” a “Força Sinistra” e sinto que você pode ver isso em seu design de produção. Vicky já conhecia todos esses filmes, assim como os caras dos efeitos, então foi como taquigrafia para eles.

VeV – Existem várias referências em “Plaguers”, incluindo “Demons” de Lamberto Bava para a mutação e movimento dos infectados. Temos ainda “Aliens”… podemos citar o videogame “Resident Evil: Nemesis” também? Você parece sentir prazer quando os fãs as acham e falam sobre elas. É tudo sobre as suas influências nos gêneros terror e ficção?

Muitas pessoas notam a influência de “Demons” nos efeitos e trilha sonora. Eu amo o horror italiano em geral e “Demons” é um de meus favoritos. Eu realmente segui o padrão ‘Demons’ na primeira transformação e pedi aos atores para assistirem ao filme e terem uma idéia como os ‘plaguers’ se comportariam. “Aliens” é, outra vez, um de meus favoritos de todos os tempos, e provavelmente a maior influência em “Plaguers”, em termos de estrutura de roteiro, personagens, design de produção e a batalha entre Holloway e a criatura no final.

Eu desenhei o filme para funcionar sem o espectador conhecer qualquer uma dessas referências, mas se você sacar elas, isso aumenta a diversão.

VeV – Foi bacana saber que o filme foi feito nos estúdios Laurel Canyon. O set da nave espacial tornou-se familiar para fãs em filmes B recentes, mas “Plaguers” tomou completa vantagem de ser filmado nele.

Não me surpreendo que muitos filmes tenham sido feitos lá DEPOIS de “Plaguers” porque nós reconstruimos, repintamos e basicamente, consertamos todos os seus sets, e ainda deixamos um monte de coisas para trás depois das filmagens! Nós realmente tivemos vantagem completa ao filmar em Laurel Canyon: usamos todos os sets, cada ítem e sobras de decoração de set que eles tinham, usamos a sua larga tela verde para todas as tomadas da nave... foi o lugar perfeito para fazermos “Plaguers” e o pessoal de lá foi demais.

VeV – Como “Plaguers” tem o maior orçamento que você já trabalhou e contou com o SAG (Screen Actors Guild), a seleção do elenco teve alguma diferença para, vamos dizer... o primeiro “Camp Blood”?

Uma enorme diferença. Em “Camp Blood”, tivemos um dia para escolha de elenco e cada ator que participou dos testes foi contratado! Não estou brincando. Em “Plaguers”, vimos centenas de pessoas, algumas lendo para múltiplos papéis. O único ator que não participou de testes foi Steve Railsback. Escrevi o papel de Tarver com Steve em mente e ele foi o primeiro ator que escalamos.

VeV – Eis uma pergunta que você não pode fugir numa entrevista feita por um fã de cinema B: como foi trabalhar com Steve Railsback?

Trabalhar com Steve foi uma grande experiência. Como muitas pessoas, sempre fui fã do trabalho de Steve há anos e fiquei excitado quando o conseguimos a bordo. O que eu não esperava, porque nem sempre isso acontece, foi o seu nível de sincere interesse e dedicação ao filme durante os meses de pré-produção. Nós tivemos longas conversas sobre o script, não apenas seu personagem, mas todos os outros e a história também. Ele visitou os cenários e trouxe um amigo para ajudar com a coreografia de lutas. E claro, durante as filmagens ele foi muito divertido de se trabalhar, dando o seu melhor nas muitas cenas de ação e trazendo peso para os momentos mais emocionantes. Muitas de minhas memórias das filmagens envolvem trabalhar com Steve.

VeV – O filme também conta com ótimos efeitos de maquiagem e miniatura. Algumas resenhas e críticas não mostraram piedade nos efeitos de computação gráfica, mas penso que eles adicionam um charme e inocência que praticamente se perderam nos filmes atuais. Qual é a sua opinião sobre os efeitos de “Plaguers”?

Obrigado pelos cumprimentos! Eu sempre quis que os efeitos de maquiagem em “Plaguers” fossem práticos. Prefiro maquiagem no set e gore em geral, e especialmente neste filme, que é tão enraizado na estética oitentista. A mesma coisa com a decisão de usar miniaturas; senti que se encaixaria melhor com o tom do filme, além de não termos orçamento para fazer elaboradas naves de CGI. Eu queria ter o mínimo de CGI possível, mas ainda acabamos com mais de 100 tomadas de efeitos visuais!

A entrevista continua com Brad falando sobre seus filmes anteriores e as dificuldades de se trabalhar em produções de orçamentos minúsculos. Até mais!

terça-feira, setembro 07, 2010

Hoje no CineFantasy!

CCSP - 18HRS. (Última Sessão!)



CCSP - 20HRS. (Última Sessão!)




Biblioteca Viriato Corrêa - 20HRS.




http://www.cinefantasy.com.br