domingo, outubro 10, 2010

TITANIC II (2010, EUA)

Certamente um dos títulos mais engraçados já criados na história do cinema picareta, TITANIC II é mais outro clássico da The Asylum. Uma dessas crias absurdas do cinema que me fazem olhar para dentro de meu ser, construir profundas reflexões psicológicas na tentativa de achar o motivo pelo qual continuo assistindo a esses filmes. Atuações? Furos de roteiro? (D)Efeitos especiais? Pós-produção apressada? Tudo isso e mais, claro, embora não me refira apenas aos filmes da notória produtora. Mas o que me deve fascinar nos 'mockbusters' da The Asylum é que eles são, em sua essência, blockbusters feitos com o orçamento do lanche nas produções dos grandes estúdios. Some-se a isso a curiosidade em ver como a turma se vira a cada filme, por mais que a maioria seja uma enorme perda de tempo para muita gente... menos para mim e outros cinéfilos que se amarram em cinema de baixo orçamento.

TITANIC II não é uma continuação direta do mega sucesso dirigido por James Cameron. O número 'dois' no título refere-se ao transatlântico que serve de cenário principal deste filme. Eu que não pagaria uma nota preta para ser tripulante de qualquer navio feito nos moldes do protagonista de um dos mais famosos incidentes na história da Marinha mundial. E pior ainda, adentrar com ele ao mar no centésimo aniversário do ocorrido! Não, muito obrigado, nem de graça. Mas lógica e bom senso são coisas que não devem ser procuradas quando se assiste a um filme B, quanto mais algo produzido pela The Asylum.

Bruce Davison - em seu 2º filme para a produtora, o 1º foi MEGAFAULT - empresta credibilidade como James Maine, oficial veterano da Guarda Costeira cuja filha Amy (Marie Westbrook) está trabalhando como enfermeira no Titanic II. Se pouca coincidência fosse bobagem, o navio foi um empreendimento de Hayden Walsh (o diretor/roteirista Shane Van Dyke, do superior 6 GUNS) riquinho mimado e ex-namorado da moça. James também recebe um aviso de alerta e se encontra com uma cientista interpretada por Brooke Burns (de SOS MALIBU, ainda dando um caldo) que o informa do quebra-quebra de enormes icebergs capazes de gerar tsunamis. Sentiu o drama? Daí tivemos quase 35 minutos de construção de trama e personagens aliados a uma hilária cena de abertura da qual não revelarei detalhes, até chegarmos no que importa: a fúria da natureza vs. Titanic II com o ataque de um tsunami acompanhado de icebergs. Isso mesmo, nem o Poseidon se ferrou tanto.


Para a surpresa deste elemento de gosto duvidoso que vos escreve, TITANIC II não é ruim. Shane Van Dyke mantém o filme em bom ritmo, injeta alguma tensão no meio de toda a previsibilidade do roteiro e tira o melhor possível do elenco, até mesmo dos coadjuvantes menores. Por exemplo, o engenheiro chefe do navio é interpretado por Mike Gaglio, presença em filmes de Fred Olen Ray, que consegue se sair muito bem na sua pequena participação.

O maior problema da produção é se levar a sério demais para o próprio bem. Trata-se de um dilema: geralmente, os filmes da The Asylum já possuem distribuidores e emissoras de TV interessados antes mesmo da pré-produção. E pelo visto, os compradores não queriam uma sátira dos filmes de desastre (o que seria sensacional...), então TITANIC II acabou sendo um filme padrão do gênero, sem qualquer novidade. Por mim, não faria nenhum mal se o roteiro incluísse uma sociedade secreta de Ninjas encarando Vikings sanguinários com o navio afundando. Detalhe: os Vikings teriam atravessado um portal do tempo por acidente.

E claro, o espectador não precisa levar TITANIC II a sério. Não vejo como alguém pode assisti-lo de outra maneira. Só assim se aproveitará o humor decorrente das situações absurdas, dos diálogos 'científicos' que ninguém entende a não ser os personagens, de Bruce Davison passar 95% do filme dentro de um helicóptero, enfim, tudo o que faz um legítimo filme B divertir. É muito bom ver essa chama acesa em tempos que um mundo cada vez mais ranzinza e atrasado precisa de entretenimento sem noção, feito por gente que goste de chutar o balde, mesmo que ele não possa ir tão longe na maioria das vezes.

segunda-feira, outubro 04, 2010

O novo projeto de Jesse V. Johnson


Depois de THE BUTCHER e CHARLIE VALENTINE, Jesse V. Johnson se rendeu a uma tendência em moda no cinema 'blockbuster' atual: o 3D. Mas isso não é nada para se preocupar, pois com seus últimos filmes, ele se revelou alguém que entende do riscado. Até porque Jesse não largou a sua vida de dublê para trás, trabalhando inclusive em AVATAR, um dos filmes que melhor se utilizaram do sistema e isso certamente o ajudará neste novo projeto.

Dominiquie Vanderberg interpreta um dos personagens do filme que contará com um orçamento maior que o de costume para o diretor. Os primeiros 15 minutos da produção já estão na lata e devem ser vistos em primeira mão no AFM (American Film Market) em novembro.

sexta-feira, outubro 01, 2010

quinta-feira, setembro 30, 2010

A bruxa está solta!

Gloria Stuart
1910 - 2010

Sally Menke
1953 - 2010

Arthur Penn
1922 - 2010

Tony Curtis
1925 - 2010

Joe Mantell
1915 - 2010

Obrigado por tudo, damas e cavalheiros.

terça-feira, setembro 21, 2010

OS ÚLTIMOS FORAS-DA-LEI (The Last Outlaw, 1993)


Western brutal da HBO na linha de CONDENADOS A VIVER e OS QUATRO DO APOCALIPSE, sem falar da boa dose de Peckinpah. O nível alto de violência para um telefilme é apenas um dos pontos positivos desta boa história de vingança dirigida com mão firme pelo australiano Geoff Murphy e escrita por Eric Red (UMA CRIANÇA POR TESTEMUNHA).

Um assombroso Mickey Rourke interpreta Graff, líder impiedoso de um grupo de assaltantes de banco composto por ex-soldados confederados. Sua liderança é questionada por Eustis (Dermot Mulroney) que acaba baleando o próprio chefe quando este ameaça matar Loomis (Daniel Quinn) por estar ferido e com isso, atrasar a fuga deles para o México depois do último roubo. Eustis, Loomis e os outros bandidos interpretados por caras do calibre de Ted Levine, John C. McGinley, Steve Buscemi e Keith David deixam o corpo de Graff para trás. Mas o então líder sobrevive aos ferimentos e acaba sendo encontrado pelo xerife Sharp (Gavan O' Herlihy), o gerente do banco assaltado e seus homens. Graff não tem nada a perder e se "junta" aos homens da lei com a única e exclusiva intenção de massacrar os seus antigos parceiros.


Em poucas palavras, OS ÚLTIMOS FORAS-DA-LEI é uma espécie de A MORTE PEDE CARONA - também roteirizado pelo Eric Red - ambientado no Velho Oeste, com a presença quase que fantasmagórica de Graff lembrando demais o inesquecível John Ryder. A produção se destaca pela direção sem frescuras de Murphy, que aproveita cada centavo do orçamento e claro, pelo elenco de monstrinhos que melhora os personagens que interpretam. A título de curiosidade, Rourke recebeu um bigodinho à la Bronson e dois personagens recebem nomes familiares para os fãs do cinema de horror: o já citado Loomis e o personagem de Keith David, que teme o sobrenatural, se chama Lovecraft.

Como nem tudo são flores, as narrações em off que pontuam a história feitas pelo personagem de Mulroney poderiam ser excluídas sem qualquer prejuízo na compreensão da história. É um 'spoiler' feito pelo próprio longa. Mas tirando esse detalhe, temos uma pequena pérola dos filmes 'para machos' que merecia ser mais conhecida. Filme simples, cru e eficiente, ou seja, uma beleza!

quinta-feira, setembro 16, 2010

domingo, setembro 12, 2010

quarta-feira, setembro 08, 2010

Entrevista com Brad Sykes (Plaguers) - 1a Parte


Das duas alternativas, uma é verdadeira: essa turma do cenário independente norte-americano dos filmes de gênero e baixo orçamento é muito gente boa ou sou eu quem tenho sorte. Como sei de algumas histórias desde o início de meu interesse em conhecer melhor os bastidores destas produções, posso dizer que tenho uma sorte das grandes. E essa fala é reforçada com o personagem que é Brad Sykes, hoje diretor e roteirista de uma série de filmes desde 1999 (21 longas, de acordo com o IMDB), cujos filmes mais lembrados são a trilogia slasher CAMP BLOOD, FÁBRICA DA MORTE onde uma irreconhecível Tiffany Shepis interpreta uma mutante assassina e o recente PLAGUERS, feito pela Nightfall Pictures, que é de sua propriedade ao lado da esposa Josephina Sykes.

Estrelada por Steve Railsback, a produção homenageia os 'rip-offs' oitentistas de ALIEN e sua continuação, assim como clássicos do período como DEMONS e GALÁXIA DO TERROR. A produção se encontra em cartaz no CineFantasy e terá a sua segunda exibição hoje às 20hrs, na Biblioteca Viriato Corrêa, Vila Mariana, SP.

O enorme interesse de Brad em falar para os leitores do Vá e Veja gerou uma épica entrevista, feita sem qualquer correria ou pressão, onde cobrimos sua carreira e seus filmes. Ela será dividida em partes e através de cada uma, você poderá se surpreender com o que Brad tem a dizer.

VeV - Quais são os seus filmes e diretores favoritos? E quais personalidades e produções te influenciaram o bastante para não desistir de ser um realizador?

Antes de tudo, obrigado por me ter em seu site! Meus primeiros heróis do cinema eram caras do terror: George Romero, Sam Raimi, Peter Jackson, Wes Craven, John Carpenter, Stuart Gordon, Dario Argento. Mais tarde, na escola de cinema, meu gosto se ampliou para incluir David Lynch, Paul Schrader, Ken Russell, Nicolas Roeg, William Friedkin, Michael Mann, Bob Fosse, Paul Verhoeven, Walter Hill, Roman Polanski, Alex Cox e muitos outros entre eles.

Sobre os filmes favoritos, eis uma lista parcial de filme que continuam me divertindo e inspirando: "A Trilogia dos Mortos" de Romero, "Martin", "The Evil Dead", "Re-Animator", "Halloween", "O Enigma do Outro Mundo", "Príncipe das Trevas", "Aliens", "All That Jazz", "Sorcerer", "Quando Chega a Escuridão", "O Massacre da Serra Elétrica 1 e 2", "Pague para Entrar e Reze para Sair", "Suspiria", "Terror na Ópera", "Demons", "Aquarius - O Pássaro Sangrento", "Escravas do Desejo", "A Faca na Água", "A Morte Pede Carona", "Veludo Azul", "O Quarto Homem", "Dragão Vermelho (Mann)", "Fortaleza Diabólica", "Hardware", "Viver e Morrer em Los Angeles", "Cherry 2000", "Mad Max", "Straw Dogs", The Shout, "Inverno de Sangue em Veneza", "A Marca da Pantera", "Mishima", "Assassinos por Natureza", "Ed Wood", "Trancers", "Ruas de Fogo", "O Selvagem da Motocicleta"…

Tenho certeza que você notou a falta de filmes mais recentes. Penso que a maioria dos cineastas iria admitir que os filmes assistidos enquanto se está crescendo ou antes de trabalhar na indústria, são aqueles que mais ficam em você. Pelo menos, é assim como funciona comigo.

O cineasta pelo qual eu ainda sinto maior inspiração é Romero. Especialmente tudo entre "A Noite dos Mortos Vivos" e "Dia dos Mortos". Ele é um dos últimos autores de verdade que nós temos, em qualquer gênero e ele continua a fazer do seu jeito, fora do sistema. Quando me sinto cabisbaixo sobre esse ramo, o trabalho de Romero me deixa excitado e me faz acreditar que tudo é possível se você tem o desejo e vontade de fazer acontecer.

VeV - Qual é o aspecto mais recompensador e excitante sobre fazer filmes para você?

Como roteirista, ver sua estória e personagens ganharem vida no set, mesmo que a produção seja falha ou comprometida, é sempre muito prazeroso.

Como diretor, a filmagem é a minha parte favorita do processo. Escrever é solitário e editar é mais complicado, já que geralmente edito em minha cabeça enquanto escrevo e depois quando faço a decupagem do roteiro. Não acredito muito em "achar o filme" na ilha de edição. Estar no set e trabalhar com outras pessoas criativas - atores, diretores de fotografia, técnicos de efeitos, designers de produção - e sair com algo melhor do que você tinha envisionado é muito excitante e uma senhora experiência.

E claro, depois do filme pronto, participar de um festival onde o público realmente gosta do filme é um grande sentimento e faz toda a jornada valer a pena. No festival de cinema de Estepona, na Espanha, onde "Plaguers" teve sua estréia mundial, o cinema cheio de fãs estava gritando, vibrando, aplaudindo mais e mais vezes. Foi algo que nunca esquecerei enquanto viver.

VeV - E qual é o pior e mais frustrante aspecto sobre fazer filmes?

Produtores que não querem fazer o mesmo filme que você ou não se importam e colocam toda a responsabilidade no diretor, ou pegam todo o dinheiro para si mesmos, sendo injustos com o filme mas ainda esperando que você faça algo grandioso... atores difícieis, ingratos e anti-profissionais... não ter tempo, nem dinheiro o suficiente nas filmagens… diretores de fotografia e editores que são diretores iniciantes frustrados que tentam tomar seu filme... trabalhar duro e fazer um bom filme para então vê-lo divulgado porcamente ou simplesmente jogado pelo distribuidor.

Em 12 anos desde que comecei a dirigir, eu passei por tudo isso e muito mais, esse não é um ramo para os fracos do coração. Ainda bem que tive várias experiências positivas para continuar seguindo em frente. Vivendo e aprendendo.

Brad e Josephina

VeV - Como se deu tamanho interesse em fazer filmes de terror? "Plaguers" foi a primeira vez em que você também fez ficção científica?


Sempre fui um fã do gênero, mas a verdade é que o primeiro filme que me ofereceram para dirigir foi um filme de terror. Então fiz outro e mais outro... nesse ramo você é estereotipado muito rápido. Eu gostaria de fazer coisas diferentes também, mas depois de alguns filmes de terror no currículo, é difícil fazer as pessoas te verem como nada além de "um cara do terror".

"Plaguers" foi minha primeira ficção científica e essa foi uma das coisas mais excitantes sobre ele para mim, era diferente de tudo que fiz antes. Fazer uma ficção passada no futuro, no espaço etc gera mais demanda, é caro e requer mais tempo e trabalho que um filme slasher na floresta, por exemplo. Mas para minha primeira ficção científica, penso que o filme saiu bem legal. Eu gostaria de fazer outra novamente, só que com mais dinheiro desta vez!

VeV - Você iniciou sua carreira como assistente de produção e efeitos especiais, em filmes de nomes conhecidos pelos fãs do terror como Jeff Burr, Brian Yuzna, Jay Woelfel, Jack Sholder e David DeCoteau. Como trabalhar nesse campo te levou a direção em menos de dois anos?

Todos os filmes em que trabalhei foram educacionais para mim e na maioria das vezes, muito divertidos também. Jeff Burr é mesmo o nome que se destaca, pois foi através dele que minha carreira teve início, me contratando como assistente em dois filmes (encontrei minha futura esposa, Josephina, em um deles) e me apresentando a várias outras pessoas, incluindo algumas das que você mencionou. Aprendi tanto trabalhando para Jeff, que o considero meu mentor.

Brad segue instruções de Jeff Burr...

...e conhece Josephina, no set de PHANTOM TOWN.

Meu primeiro trabalho como diretor-roteirista veio por completa surpresa. Eu trabalhava como assistente de produção em um filme barato de ação e o produtor também estava fazendo alguns pequenos filmes de terror. Depois das filmagens, ele me pediu para ver "o meu melhor filme", então eu mostrei um filme em vídeo que fiz na faculdade chamado "O Pacto" e ele gostou e perguntou se eu tinha algumas idéias. Eu sugeri “Scream Queen”, que era basicamente uma atualização de filmes 'Euro-horror' como Devil’s Nightmare - um grupo de pessoas fica preso numa casa por uma longa noite e são mortos - e ele comprou a idéia. Foi meu primeiro filme de "Hollywood”. Escrevi o roteiro durante o feriado do Natal e através de um amigo, consegui uma “scream queen” real, Linnea Quigley para interpretar a protagonista. Ela foi ótima de se trabalhar e muito profissional. Não tenho idéia de quanto foi o orçamento, mas ninguém foi pago de verdade e nós filmamos em 4 ou 5 dias. Era um filme muito ambicioso - ambicioso até demais, olhando para trás! – mas aprendi muito fazendo ele e foi a partir daí que surgiram mais trabalhos como diretor.

Honestamente, nunca esperei dirigir nada - nem mesmo um curta - mesmo antes de me mudar para Los Angeles e ter feito 8 vídeos e vários curtas. Mas eu certamente tinha o desejo e quando a oportunidade veio, eu estava pronto para ela.


VeV – Como surgiu a idéia de fazer “Plaguers”?


Bem, sou um grande fã dos filmes de terror/ficção dos anos 80, como “Aliens”, “Enigma do Outro Mundo”, “A Mosca”, “Força Sinistra”, etc. Eles não eram feitos há um longo tempo então pensei em escrever um. Enquanto juntava algumas idéias, me toquei que zumbis já estiveram em todos os lugares, menos no espaço! Que melhor forma de juntar ficção científica e terror que um filme com “zumbis no espaço!” As oportunidades em termos de suspense, atmosfera e claro, insanos efeitos de maquiagem eram infinitos. Daí em diante foi criar uma causa para a “praga” e os personagens que lidariam com ela.

VeV – Sempre foi intenção do filme ser um retorno para os saudosos tempos de títulos como “Galáxia do Terror” e “Alien Contamination”? Você fez sua equipe assistir a alguns desses filmes como dever de casa?

Eu amo “Contamination” – aquele foi um dos primeiros filmes que comprei em VHS! “Plaguers” definitivamente foi intencionado como um retorno para todos aqueles filmes de terror/ficção do início dos anos 80 que sempre eram presentes nas nas sessões da madrugada da TV e nas prateleiras das locadoras. Os membros principais da equipe com quem falei sobre essas referências foram o designer de produção Scott Enge, a nossa figurinista Vicky Avery e o pessoal da Monster FX. Scott assistiu tudo que falei para ele – de “Mercenários das Galáxias” a “Força Sinistra” e sinto que você pode ver isso em seu design de produção. Vicky já conhecia todos esses filmes, assim como os caras dos efeitos, então foi como taquigrafia para eles.

VeV – Existem várias referências em “Plaguers”, incluindo “Demons” de Lamberto Bava para a mutação e movimento dos infectados. Temos ainda “Aliens”… podemos citar o videogame “Resident Evil: Nemesis” também? Você parece sentir prazer quando os fãs as acham e falam sobre elas. É tudo sobre as suas influências nos gêneros terror e ficção?

Muitas pessoas notam a influência de “Demons” nos efeitos e trilha sonora. Eu amo o horror italiano em geral e “Demons” é um de meus favoritos. Eu realmente segui o padrão ‘Demons’ na primeira transformação e pedi aos atores para assistirem ao filme e terem uma idéia como os ‘plaguers’ se comportariam. “Aliens” é, outra vez, um de meus favoritos de todos os tempos, e provavelmente a maior influência em “Plaguers”, em termos de estrutura de roteiro, personagens, design de produção e a batalha entre Holloway e a criatura no final.

Eu desenhei o filme para funcionar sem o espectador conhecer qualquer uma dessas referências, mas se você sacar elas, isso aumenta a diversão.

VeV – Foi bacana saber que o filme foi feito nos estúdios Laurel Canyon. O set da nave espacial tornou-se familiar para fãs em filmes B recentes, mas “Plaguers” tomou completa vantagem de ser filmado nele.

Não me surpreendo que muitos filmes tenham sido feitos lá DEPOIS de “Plaguers” porque nós reconstruimos, repintamos e basicamente, consertamos todos os seus sets, e ainda deixamos um monte de coisas para trás depois das filmagens! Nós realmente tivemos vantagem completa ao filmar em Laurel Canyon: usamos todos os sets, cada ítem e sobras de decoração de set que eles tinham, usamos a sua larga tela verde para todas as tomadas da nave... foi o lugar perfeito para fazermos “Plaguers” e o pessoal de lá foi demais.

VeV – Como “Plaguers” tem o maior orçamento que você já trabalhou e contou com o SAG (Screen Actors Guild), a seleção do elenco teve alguma diferença para, vamos dizer... o primeiro “Camp Blood”?

Uma enorme diferença. Em “Camp Blood”, tivemos um dia para escolha de elenco e cada ator que participou dos testes foi contratado! Não estou brincando. Em “Plaguers”, vimos centenas de pessoas, algumas lendo para múltiplos papéis. O único ator que não participou de testes foi Steve Railsback. Escrevi o papel de Tarver com Steve em mente e ele foi o primeiro ator que escalamos.

VeV – Eis uma pergunta que você não pode fugir numa entrevista feita por um fã de cinema B: como foi trabalhar com Steve Railsback?

Trabalhar com Steve foi uma grande experiência. Como muitas pessoas, sempre fui fã do trabalho de Steve há anos e fiquei excitado quando o conseguimos a bordo. O que eu não esperava, porque nem sempre isso acontece, foi o seu nível de sincere interesse e dedicação ao filme durante os meses de pré-produção. Nós tivemos longas conversas sobre o script, não apenas seu personagem, mas todos os outros e a história também. Ele visitou os cenários e trouxe um amigo para ajudar com a coreografia de lutas. E claro, durante as filmagens ele foi muito divertido de se trabalhar, dando o seu melhor nas muitas cenas de ação e trazendo peso para os momentos mais emocionantes. Muitas de minhas memórias das filmagens envolvem trabalhar com Steve.

VeV – O filme também conta com ótimos efeitos de maquiagem e miniatura. Algumas resenhas e críticas não mostraram piedade nos efeitos de computação gráfica, mas penso que eles adicionam um charme e inocência que praticamente se perderam nos filmes atuais. Qual é a sua opinião sobre os efeitos de “Plaguers”?

Obrigado pelos cumprimentos! Eu sempre quis que os efeitos de maquiagem em “Plaguers” fossem práticos. Prefiro maquiagem no set e gore em geral, e especialmente neste filme, que é tão enraizado na estética oitentista. A mesma coisa com a decisão de usar miniaturas; senti que se encaixaria melhor com o tom do filme, além de não termos orçamento para fazer elaboradas naves de CGI. Eu queria ter o mínimo de CGI possível, mas ainda acabamos com mais de 100 tomadas de efeitos visuais!

A entrevista continua com Brad falando sobre seus filmes anteriores e as dificuldades de se trabalhar em produções de orçamentos minúsculos. Até mais!

terça-feira, setembro 07, 2010

Hoje no CineFantasy!

CCSP - 18HRS. (Última Sessão!)



CCSP - 20HRS. (Última Sessão!)




Biblioteca Viriato Corrêa - 20HRS.




http://www.cinefantasy.com.br

segunda-feira, setembro 06, 2010

DICA DO ANO!

DVD's a partir de R$ 1,50. Nos últimos dias, recebi 08 disquinhos comprados pela bagatela de R$ 18,00 (com frete incluso).
A compra foi segura e o atendimento também não deixou a desejar, além da loja virtual ser parceira do Pagamento Digital do Buscapé, que protege o cliente caso a empresa não entregue o produto a tempo. Tem filme para todos os gostos e diversos títulos que não vemos mais em lojas por aí, inclusive discos dificílimos de achar da Works como o DRÁCULA de Dan Curtis estrelado por Jack Palance e Nigel Davenport. Boas aquisições!



http://www.netnipon.com.br/

quinta-feira, agosto 26, 2010

5º CineFantasy - Festival Internacional de Cinema Fantástico


"Em 2010, o Festival Internacional de Cinema Fantástico chega à sua quinta edição mais fantástico do que nunca. Na Programação serão exibidos curtas e longas-metragens nacionais e internacionais, além de homenagem ao cineasta brasileiro José Mojica Marins e ao colombiano Jairo Pinilla.

Nesta edição serão apresentados 154 títulos distribuídos na mostra Competitiva de Longas e Curtas-Metragens, Mostra paralela, que contará com o Panorama Israelense, Colombiano e Grego, os Melhores do Cinefantay 2009, e um filme surpresa, que será lançando no festival.

Para completar a programação, o Festival traz ainda a saudosa “Sessão da Tarde’, com exibição de clássicos como “As Sete Faces do Dr. Lao” e “Os Goonies”, a Oficina de maquiagem com Rodrigo Aragão, palestra sobre Cyberpunk japonês, além de bate-papos com convidados.

O Festival Internacional de Cinema Fantástico, acontece de 31 de agosto a 12 de Setembro, em São Paulo, nas salas do Centro Cultural de São Paulo, Cine Olido (ao lado da Galeria do rock) e sala Luiz Sérgio Person (biblioteca Viriato Correa). Atualmente é o principal evento no país dedicado aos curtas-metragens fantásticos - horror, ficção-científica e fantasia."

segunda-feira, agosto 23, 2010

Ho! Ho! Ho!

Seleção de momentos inacreditáveis nos filmes de Godfrey Ho e vídeos inspirados no trabalho deste mestre da insanidade cinematográfica.















sábado, agosto 21, 2010

Bruno S. (1932-2010)


Obrigado por tudo, Bruno.

Notas sobre "À Beira da Loucura" e o Cineclube Dissenso

Apenas hoje consegui tirar um tempinho para escrever sobre o último final de semana. De segunda-feira até ontem foi dureza. Só arranjei tempo para comer e dormir. Posso estar ficando louco, chegando um zumbi em casa, mas por outro lado, tenho estado cada vez mais feliz por ver algumas coisas bacanas acontecendo. E um desses acontecimentos se deu no último sábado, 14/08, quando a convite do Cineclube Dissenso, o Vá e Veja teve uma sessão comemorativa pelos 4 anos do blog. Exibimos À BEIRA DA LOUCURA, de John Carpenter, um de seus filmes mais importantes e sabe-se lá o porquê, menos comentados.

Através da busca do investigador John Trent (Sam Neill) a um desaparecido e famoso escritor de livros de terror chamado Sutter Cane (Jurgen Prochnow), o filme entra fundo na dualidade entre ficção e realidade tão cara ao período de realização - embora feito bem antes de CIDADE DAS SOMBRAS, EXISTENZ e MATRIX - além de pagar tributo à maneira pela qual as histórias fantásticas se propagaram pela primeira vez: a literatura. Foi através dela que mentes perturbadas e geniais como Edgar Allan Poe e H. P. Lovecraft se expressaram e continuam impressionando gerações de leitores. E como acabei de citar Lovecraft, o roteiro do também produtor executivo Michael De Luca contém diversas referências ao mestre que fazem a alegria dos fãs. Sem falar da emoção que senti ao assistir esse filme como ele merecia ser visto até então, numa sala de cinema, algo inédito no Brasil já que ele foi lançado diretamente em VHS. O excelente final, aliado ao tema musical da produção - a cargo do próprio Carpenter - que é puro rock n' roll, deixou um sorrisão estampado em meu rosto na saída da sessão. Custei a acreditar horas depois que eu tinha alguma parte nesta inesquecível sessão de cinema.

Antes de entrar na sala, reencontrei Felipe Macedo, amigo de longa data e companheiro de sessões de DVD por alguns sábados e domingos à tarde na minha antiga morada. Sua presença me deixou ainda mais confortável, já que se tratava de alguém com gosto e opinião semelhantes e por isso, tinha certeza que ele seria alguém de importância ao meu lado no debate, que por sinal, foi muito bom. Se bem que ele poderia ter acabado um pouquinho mais cedo, já que tanto aprofundamento num filme, por melhor que seja, muitas vezes acaba tirando parte de sua magia.

Mas não exagero quando digo que os debates do Dissenso são uma das razões pelas quais ele tem funcionado tão bem. E o que me atrai demais neles é a sua democracia. Os presentes que quiserem se manifestar, tecer um comentário e críticas, sejam elas positivas ou negativas, tem voz no debate, sem exceção. Eu costumo participar de todos, embora saia da maioria com a mesma opinião que tive na saída da exibição. Mas existem sessões de filmes que eu não gostei, mas que melhoraram a meu ver por conta dos debates.

Em clima de comemoração, ao final do debate, houve um divertido joguinho de perguntas e respostas, com a ajuda dos comparsas André Antônio e Luiz Otávio em duas perguntas. 4 vencedores (1 por cada aniversário hehe) levaram 1 DVD original para casa, com títulos que são a cara do Vá e Veja e gerarão futuras postagens no blog. Os discos foram os seguintes:


A CASA DO TERROR 2
com 4 episódios da série televisiva de terror da Hammer

CAÇADA NO SUBMUNDO
Clássico da PM Entertainment, com Jeff Fahey

PONTO DE ORIGEM
Telefilme da HBO com Ray Liotta e John Leguizamo

VAMPIRES AND OTHER STEREOTYPES
Primeiro longa de Kevin J. Lindenmuth, personagem obrigatório ao se falar do cinema de gênero americano dos anos 90. Este último foi um presente autografado do próprio diretor e roteirista ao espectador contemplado, que por sorte, foi o amigo Felipe. Valeu, Kevin!

Obrigado a todos os amigos do Cineclube Dissenso - André, Fernando, Luiz, Paulo, Pedro, Rodrigo e Tiago - pela grande tarde, que iniciou um dos melhores finais de semana cinéfilos que tive em bom tempo. Os outros filmes vistos foram ECOS DO ALÉM 2 (que para minha surpresa, não foi ruim), uma revisão de DETOUR - CURVA DO DESTINO e uma bela sessão no multiplex de OS MERCENÁRIOS. Tudo indica que fortes emoções cinéfilas me aguardam também neste sábado e domingo, já que o filme de hoje no Dissenso é nada mais nada menos que essa belezinha abaixo...

Mas esses são assuntos para outros dias no Vá e Veja. Até mais!

sexta-feira, agosto 13, 2010

John Carpenter no Cineclube Dissenso


Este sábado, 14 de agosto, às 14h, o Cineclube Dissenso exibe À Beira da Loucura (EUA, 1995), de John Carpenter. O cineasta, reconhecido como um dos definidores do cinema de horror moderno (Halloween, A Bruma Assassina), trabalha neste filme uma angústia do desequilíbrio que separa a ficção da realidade, numa trama sobre um famoso escritor de terror que desaparece misteriosamente. Depois da sessão, debate na sala Edmundo Morais, com a presença do amigo Osvaldo Neto, autor do blog Vá e Veja (www.vaeveja.com), que comemorou recentemente 4 anos de atividades.

À Beira da Loucura (In the Mouth of Madness, EUA, 1995)
Sábado, 14/08, às 14h
Cinema da Fundação, Recife/PE
Entrada Franca

CHARLIE VALENTINE (2009, EUA)


O dublê cineasta ataca novamente. Em CHARLIE VALENTINE, o diretor e roteirista Jesse V. Johnson segue a trilha deixada por THE BUTCHER e embarca em outra jornada carregada de fatalismo e brutalidade. Raymond J. Barry interpreta o personagem título, que pode ser visto como uma versão mais madura do Merle 'The Butcher' Hench, interpretado por Eric Roberts. Jesse continua um diretor velha guarda, de olhos mais atentos ao roteiro e na interação entre os personagens do que em movimentos mirabolantes de câmera (aka punhetagem). A atmosfera fatalista do 'noir' e um senhor elenco de figuras queridas dos amantes de cinema policial e classe B são outros pontos fortes do filme anterior que se repetem aqui.

Charlie Valentine é um gangster sessentão, mulherengo e boa vida, que contraria os conselhos do seu agente de condicional (Tom Berenger, em participação especial) para se manter longe de encrencas. Ambicioso e sem querer saber quando parar com os roubos, ele arma um grande golpe contra Rocco (James Russo), um chefão do crime local. Charlie junta a sua turma, cheia de tipos simpáticos que, entre outros, são interpretados por Vernon Wells, Keith David e pasmem, Matthias Hues.


A noite termina da pior maneira possível, com um elevado número de corpos crivados de balas e Charlie conseguindo escapar da morte. No dia seguinte, o homem busca refúgio na casa da única pessoa em que ele pode confiar: seu filho Danny (Michael Weatherly, da série NCIS), que não via o pai há longos anos. É a partir daí que o filme passa a investir mais no reencontro de pai e filho, com o rapaz fazendo de tudo para que Charlie seja o seu mentor no mundo do crime. Os dois planejam outro roubo, desta vez envolvendo o pagamento da 'taxa de proteção' na boate de strip-tease de Ferucci (Steven Bauer), onde Danny tem ganho o seu dinheirinho sem muito suor. Os dias passam e Charlie começa a notar que perdeu boa parte de sua vida apenas pensando em si mesmo, deixando de lado o filho que agora voltou a amar. Mas como em todo bom conto 'noir', o passado não perdoa, com Rocco e seus homens continuando a caçá-lo implacavelmente.

Há algo de diferente nos principais personagens de CHARLIE VALENTINE e THE BUTCHER, que são os típicos machões do crime que estamos acostumados a ver em filmes do estilo. E esse algo é uma inesperada dose de humanidade, nos lembrando de SCARFACE, O PODEROSO CHEFÃO e UMA RAJADA DE BALAS. São personagens que não passam de vermes, mas que fogem da caricatura extrema e se transformam em caras durões de credibilidade graças ao roteiro e claro, ao elenco e direção de atores.


Ajuda muito os protagonistas Barry e Weatherly terem excelente química juntos. Dos coadjuvantes de peso então nem se fala, com Russo aproveitando bem as suas aparições ao longo do filme, num daqueles papéis espertos filmados em poucos dias e locações. Ninguém faz vermes e lixos da sociedade como James Russo. Dominiquie Vanderberg como o braço direito de Rocco e Jerry Trimble se especializando em malas sem alça completam o elenco predominantemente masculino. As presenças femininas de destaque se resumem à mulher de Danny vivida por Maxine Bahns, a morena Lisa Catara e a "Blondie" de Valerie Dillman, como duas moças que conquistaram um pedaço do coração do velho Charlie. Ganha um doce aquele que adivinhar qual das duas é a 'femme fatale'.


Pode desagradar a alguns que CHARLIE VALENTINE seja um drama com personagens e cenas de ação típicas dos filmes tradicionais de gângsters, assim como os clássicos citados no penúltimo parágrafo. E, claro, o diretor não desaponta na elegância de sua câmera a cargo de Jonathan Hall e na condução dos poucos momentos de tiroteio e violência, recheados de crueza e brutalidade, mesmo que seu orçamento seja evidentemente menor do que em THE BUTCHER. Essa falta de tempo e mais recursos também se explicita na finalização do filme, há momentos em que a edição poderia ser melhor, embora em outros ela seja inspirada, como no ataque ao armazém de Rocco.

Um híbrido de drama e ação para gente grande, CHARLIE VALENTINE era o pulo que faltava para Jesse V. Johnson ser um autor. Se ele fizer um terceiro filme com outro gângster de meia idade que também seja um personagem interessante, teríamos uma das trilogias mais curiosas a surgir no moderno cinema de gênero. Ficaremos na torcida!