quinta-feira, agosto 06, 2009
segunda-feira, agosto 03, 2009
I'm REALLY back
Não precisa se beliscar, porque também não é sonho.
Vou deixar o meu lado brincalhão de lado um pouco. Antes de voltar com a programação "normal" do blog, resolvi falar com vocês outra vez. Porque não me sinto confortável em voltar aqui após todo esse tempo sem dizer algumas palavras.
Me mudei em fevereiro. Tanto eu quanto minha família estamos bem satisfeitos com a nova morada. Passamos um bom tempo só arrumando o lugar, ficamos sem internet e telefone fixo por praticamente dois meses. Só em meados de abril, conseguimos colocar banda larga. Fora as alterações estéticas... pintura e etc, para deixá-lo mais a cara da gente. Na constante arrumação das coisas, acabei achando coisas que pensei ter perdido na mudança.
Ainda em fevereiro, colei grau. Finalmente formado em Rádio e TV. Graças a Deus, minha família, a patroa e os amigos próximos que me ajudaram e aos outros que também me ajudaram sem sentir que estavam fazendo isso, com alguma palavra de força ou um sorriso quando eu mais precisava. Uma pena que aquela data também sempre será lembrada pelo falecimento de minha avó Hilda. Foi um dia duro, onde tive que lutar contra uma profunda tristeza para não estragar a alegria dos amigos, colegas de curso e, claro, minha família que estava tendo a mesma confusão de sentimentos que eu estava tendo. Até agora não me recuperei direito desta porrada emocional que levei.
Nesse meio tempo, virei um dos furiosos do blog coletivo O Dia da Fúria, onde colaborei com um texto adaptado de O DIA DA DESFORRA de Sergio Sollima, escrito originalmente aqui pro Vá e Veja.
Passei a colaborar com os amigos do site Cineflash, aqui de Recife, que sempre produz eventos relacionados ao cinema. Também no mês de fevereiro, fui convidado ao evento do Oscar onde vários filmes indicados foram programados numa semana especial de exibições noturnas sempre com convidados para um debate após o final de cada sessão. Meu filme foi O LEITOR. Tadinho dele.
Em maio, participei de um dos eventos mais legais deste site que foi a comemoração dos 120 anos de Chaplin. Fui até entrevistado, assista o vídeo abaixo com a matéria feita pelo programa Plano Aberto. Não se assustem com a minha beleza:
E não muito atrás, rumo ao final de julho, participei efetivamente dentro da equipe dos eventos sobre o novo Harry Potter (que eu não devo assistir, sou mais meus filmecos B a Z mesmo hehe) e DOS QUADRINHOS PARA AS TELONAS que é o evento principal deles neste mês de férias.
Pretendo também voltar a escrever no Boca do Inferno, já tenho algo muito legal debaixo do braço para lá e deixarei todos vocês informados com as minhas colaborações externas (em outros sites/blogs). Também estou no Twitter. Podem me adicionar, mandar um alô com notícias, comentários etc.
Acho que é isso. Como é bom estar de volta. :)
Agradecimentos a Ronald Perrone pelo novo banner do blog e também a ele, Daniel "Pain in the ass" Walrus e Luara Nascimento pela força e encheção de saco para eu atualizar logo isso.
Dedico esse retorno à minha avó Hilda. Obrigado por tudo.
DRAGONQUEST (2009, EUA)

Vamos fazer um teste. Olhe a capinha acima e tente adivinhar o maior motivo pelo qual eu assisti DRAGONQUEST.
Já sacou?
Ainda não?
Ok...

Isso mesmo, foi impossível resistir a um filme de fantasia com Marc Singer e Brian Thompson. Sou um cara nostálgico e DRAGONQUEST me divertiu cumprindo a sua proposta de não ser nada mais que uma boa sessão da tarde, mesmo com a sua parcela de restrições (efeitos, atuações... e por aí vai), causadas principalmente pelo seu baixo orçamento. Mark Altman embarcou neste filme logo após ter dirigido outro filme de fantasia da The Asylum, MERLIN AND THE WAR OF THE DRAGONS, filmado no país de Gales e com a presença do grande Jurgen Prochnow. Assim como MERLIN, DRAGONQUEST é protagonizado por um jovem ator (aqui, Daniel Bonjour do elogiado slasher MIDNIGHT MOVIE) que não consegue segurar muito as pontas, mas Bonjour - pelo menos - está suportável, coisa que não posso dizer do "Merlin". Até a trilha de Chris Ridenhour que também trabalhou neste outro filme da Asylum é melhor aqui.
O roteiro não tem novidades e parece ser derivado de STAR WARS. Fica impossivel não pensar em Darth Vader quando Brian Thompson abre a boca para dizer as suas falas. Até na foto acima dá pra notar a semelhança hehe. Falando nele, sua participação se resume a uma ponta estendida, mas pelo menos o diretor soube aproveitar o cara, seu olhar, sua fala, coisa de quem é fã mesmo. Não foi desperdiçado como em O VÔO DA MORTE (Plane Dead). Já Marc Singer, para minha alegria, rouba todas as cenas em que aparece. O velho guerreiro Maxim é uma figuraça e Singer se diverte demais com o papel. Recomendo a quem não tem saco para encarar algo do calibre de ERAGON, onde Jeremy Irons e John Malkovich devem ter dado uma de Cuba Gooding Jr. berrando ‘Show Me The Money” para correr do set de filmagens.
UMA CRIANÇA POR TESTEMUNHA (Cohen and Tate, 1989, EUA)

Quero manter sempre viva a tradição do blog resgatar alguma pérola, então resolvi voltar às atividades com esse filme injustamente esquecido. Foi um prazer tê-lo revisto após tantos anos. Engraçado como eu sou até um cara jovem e falo essas coisas, mas faz muito tempo mesmo, 8 anos, numa VHS alugada.
Eric Red é um dos roteiristas e diretores mais subestimados em atividade hoje. Tem poucos filmes que o esperado no currículo, mas uma olhada na sua ficha do IMDB é o bastante para notar que ele é o responsável por outros belos títulos, inclusive alguns feitos ao lado de minha diretora favorita, Kathryn Bigelow. Mas vamos ao filme.
UMA CRIANÇA POR TESTEMUNHA começa com um letreiro informando que Travis Knight (Hayley Cross) é testemunha do assassinato de um mafioso e vira testemunha protegida do FBI junto com sua família. A máfia quer saber quem foi o responsável pela morte o mais rápido possível. Detalhe: Travis tem 9 anos de idade. Se fosse uma produção clichê, a gente teria de aturar 20 ou mais minutos até chegar nesse momento crucial da história. Após o letreiro, já nos situamos no esconderijo onde o Eric Red deixa claro que algo nada agradável irá acontecer. O sentimento de insegurança toma conta quando o garoto sai da casa para ir atrás do seu cachorro, pouco antes da brutal chegada de Cohen (Roy Scheider) e Tate (Adam Baldwin) que baleiam sem dó o pai e a mãe do garoto junto com os agentes. A dupla de assassinos tem a missão de levar o garoto vivo a Houston, onde os chefes estão os esperando. Não se sabe qual a intenção deles, se pretendem deixar Travis vivo ou matá-lo pessoalmente. A partir daí, o filme se transforma num verdadeiro jogo psicológico entre os três personagens, desencadeado pelo refém que se revela mais inteligente do que seu algozes esperavam.

A direção de atores impressiona. Scheider, Baldwin e Cross estão nada menos que excelentes. Eric Red nunca faz com que Cohen e Tate deixem de ser uma ameaça constante a vida de Travis e isso funciona, assim como quando torcemos pelo Jim Halsey de A MORTE PEDE CARONA contra o caroneiro psicótico. O roteirista é o mesmo, então ele sabe muito bem como fazer a lição de casa e mexer com a gente.
Engraçado como a produção nos faz lembrar de THE HIT, do Stephen Frears. Basta trocar os atores, coloque John Hurt no lugar de Roy Scheider, Tim Roth no de Adam Baldwin e Terence Stamp no de Hayley Cross. UMA CRIANÇA... acontece numa noite e parte de uma manhã ao invés de dias. De qualquer jeito, não se deixe levar por essa semelhança e assista aos dois. Ambos são cinema de primeira.
GANGUES DE RUA (Splinter, 2006, EUA)

Quem me conhece um pouco sabe que sou influenciado pelo elenco quando vou assistir algum filme. Acabo quebrando a cara algumas vezes por conta disso, mas volta e meia acabo fazendo a mesmíssima coisa. Al Pacino e 88 MINUTOS, alguém se lembra?
Mil desculpas se você lembrou por minha causa.
GANGUES DE RUA (eca de título, hein?) teve a sua chance logo quando vi na prateleira e pensei: "Tom Sizemore e Edward James Olmos no mesmo filme? Venha!". Olmos dirigiu AMÉRICA DO MEDO, baita filme subestimado. Aqui é a vez do filho dele, Michael D. Olmos, estrear na direção. E como a maioria dos filmes de diretores de primeira viagem, SPLINTER não poderia deixar de ter a sua parcela de problemas.

Tom Sizemore está deliciosamente escroto novamente como um tira bêbado, inconsequente, que tira sarro dos cadáveres baleados que vê todo dia de trabalho. O cara está pouco se lixando, quer mais é que as gangues se matem. Seu personagem é destaque na capinha e sinopse do DVD e o primeiro nome nos créditos de elenco, mas infelizmente não é o protagonista. Se o filme investisse nele, no relacionamento dele com o capitão interpretado por Olmos, seria bem melhor.
SPLINTER é focado no membro de gangue interpretado por Enrique Almeida (também produtor e co-roteirista) que foi baleado junto com seu irmão dentro do carro no qual estavam. Dreamer é interrogado pela policial Graham (Resmine Atis), mas ele não tem como ajudar muito, pois sua memória ficou afetada pelo incidente. Ao longo do filme, o rapaz passa a relembrar dos eventos que motivaram o ataque. Qualquer semelhança com AMNÉSIA de Christopher Nolan não é mera coincidência. Pena que o filme siga por esse caminho, dando destaque maior a Dreamer e Graham e não ajuda nada o fato de Resmine Atis ser péssima atriz. Uma coisa é a personagem ser ingênua, estar totalmente por fora do que está acontecendo, outra é a atriz não combinar em nada com ela. E quando ela contracena com o monstro do Sizemore, fica mais apagada ainda.

O filme não consegue fugir de clichês e seu ritmo acaba caindo rumo ao final, mas ainda assim é recomendável pelas atuações de Sizemore e Olmos, pelo estilo que o diretor conseguiu imprimir logo em seu primeiro longa (os créditos de abertura, feitos em animação, são um dos melhores que vi este ano) e pela surpresa que é a ausência de julgamentos morais quanto à problemática das gangues e o policial corrupto de Sizemore. Fica na média.
quarta-feira, janeiro 28, 2009
I'm back!
Não, eu não penso em fechar o VÁ E VEJA.
Eu sumi, é verdade. Por muito mais tempo que esperava. No primeiro final de semana do ano, o computador apresentou o mesmo problema que tive em novembro/dezembro. Ou seja, 2009 não começou legal para mim, fiquei ainda mais louco do que eu já estava. Ok, computador ainda está num drama danado... não tem uma semana na qual eu fique com ele por todos os seus dias, tá numa ida e volta constante da assistência e aí não tem sujeito que não fique morgado com isso. O sumiço indesejado se refletiu também nos meus contatos na Internet, não estive apenas ausente aqui no blog, mas também de e-mail, orkut e dos blogs amigos, seja pela simples leitura ou para deixar um comentário, trocar aquela idéia.
Boas notícias? Tenho sim. Agora estou livre do peso que um projeto de conclusão toma na cabeça de qualquer pessoa que está se graduando. Ele foi apresentado último dia 09 e tirei uma nota bacana. O que eu mais fiz naquele fim de semana foi recuperar o sono acumulado. Fiquei besta com a quantidade de tempo que passei dormindo. E como se não bastasse, vagabundei também na segunda-feira seguinte. Mas eu mereço, passei boa parte de dezembro e do início de janeiro sem passar o tempo que eu adoraria passar com a família, a patroa e os amigos porque senão nada daria certo. O sacrifício valeu a pena. Osvaldo aqui está praticamente formado, só falta agora a colação de grau e resolver algumas pendências na faculdade hehe. Obrigado a todos que, à sua maneira, me apoiaram.
Até mais com os melhores de 2008. Janeiro ainda não acabou. ;)
quinta-feira, dezembro 25, 2008
Elvis veio me dar uma forçinha...
E de quebra, 8 indicações para esse e os próximos dias:

DURO DE MATAR (Die Hard)
GREMLINS (Idem)
NATAL SANGRENTO (Silent Night Deadly Night)
NOITE DO TERROR (Black Christmas)
OS FANTASMAS CONTRA-ATACAM (Scrooged)
PAPAI NOEL ÀS AVESSAS (Bad Santa)
UMA NOITE DE FÚRIA (Santa's Slay)
Have fun!
segunda-feira, dezembro 15, 2008
sexta-feira, dezembro 12, 2008

É, o "Tempo de Massacre" que tenho vivido não tá mesmo pra brincadeira. Além de tudo, também estou sem acesso decente a um computador, daí o sumiço não só das atualizações, trocas de idéias por comentários nos blogs amigos e aqui mas em todas as atividades que tenho na internet. O meu PC parece ter piorado de vez, tenho um backup dos meus principais documentos e trabalhos... só que feito a cerca de 15 dias antes do início do problema. Fiz muito nesses 15 dias e tentar recuperar esse tempo perdido sem usar o que eu tinha pronto é dureza.
Já repararam que isso só acontece quando a gente mais precisa de computador? Logo agora que estou na fase final do meu projeto de graduação. Recife teve um feriadão daqueles recentemente, podia ter adiantado muitas coisas, acabei de mãos atadas.
Tentarei falar um pouco melhor com vocês ainda neste final de semana... sobre cinema e não com mais desabafo hehehe. Espero que todos estejam se sentindo bem, senão ótimos. Abraços e até logo.
quinta-feira, novembro 27, 2008
sexta-feira, novembro 21, 2008
Janela Internacional de Cinema anuncia premiados
COMPETIÇÃO BRASILEIRA
Melhor Filme: "OS SAPATOS DE ARISTEU", de Luiz René Guerra
Melhor Imagem foi dividido entre "FRACASSO" de Alberto Labuto e "ISMAR" de Gustavo Beck
Melhor Som: "AREIA", de Caetano Gotardo
Melhor montagem: A PSICOSE DE VALTER, de Eduardo Kishimoto
Menção Honrosa Filme de afeto: CANOSA ONE, de Fellipe Gamarano Barbosa
Menção Honrosa Filme Manifesto: Longa Vida Ao Cinema Cearense, dos Irmãos Pretti
Menção Honrosa Filme Presença: Convite para Jantar com o Camarada Stalin, de Ricardo Alves Júnior
COMPETIÇÃO INTERNACIONAL
Melhor filme: “AHENDU NDE SAPUKAI – OUÇO SEU GRITO”, de Pablo Lamar
Melhor imagem: “TWIST”, de Alexia Walther
Melhor som: “AHENDU NDE SAPUKAI – OUçO SEU GRITO”, de Pablo Lamar
Melhor montagem: “VIVA”, de Louise Botkay Courcier
JÚRI DO JANELA CRÍTICA
COMPETITIVA BRASILEIRA
JARRO DE PEIXES, de Salomão Santana
"Premiamos Jarro de Peixes em um gesto político, reconhecendo sua capacidade propositiva, que estimula um outro tipo de experiência com a imagem, com a memória e com a realização de cinema".
COMPETITIVA INTERNACIONAL
prêmio conjunto para dois filmes:
PUPPETBOY e A HISTÓRIA DO PEQUENO PUPPETBOY, de Johannes Nyholm
"A curadoria do Janela não conseguiu se decidir entre os dois filmes de Johannes Nyholm e selecionou ambos. Aconteceu o mesmo com o júri do Janela Crítica, por isso decidimos premiar o conjunto da obra sobre o personagem Puppetboy. Uma das propostas do festival era discutir a imagem. Puppetboy faz exatamente isso, com peculiar senso de humor".
JÚRI FEPEC
Competição Brasileira: Menino Aranha, de Mariana Lacerda
Competição Internacional: Procrastination, de Johnny Kelly
JÚRI ABD
Competição Brasileira: ISMAR, de Gustavo Beck
Competição Internacional: THREE OF US, de Umesh Kulkarni
PRÊMIO PORTA CURTAS
PRIARA JO, DO OVO A GUERRA, de Komoi Panará
PRÊMIO AGORA CURTA
Menino Aranha, de Mariana Lacerda
Jânio Nazareth entrevista Samuel L. Jackson: O VIZINHO
O VIZINHO (Lakeview Terrace, 2008) é o novo filme de Neil LaBute, vindo de filmes como NA COMPANHIA DOS HOMENS e ARTE, AMOR E ILUSÃO para se afundar a partir de ENFERMEIRA BETTY e a horrível, nojenta refilmagem de O HOMEM DE PALHA. Não pensei nunca que iriam dar uma outra chance a esse cara em tão pouco tempo. Mas foi o que aconteceu.
O VIZINHO deve divertir pela atuação de Samuel Jackson, que a julgar pelo trailer está na pele de um personagem muito semelhante ao de Ray Liotta em OBSESSÃO FATAL. Pena o filme ser PG-13, ou seja, Samuca não dirá um simples "fuck".
Agradecimentos a Jânio Nazareth e seu Repórter Hollywood por mais essa colaboração. Ele também conversou com Joan Allen, Jason Statham, Olga Kurylenko e Daniel Craig. Falando sobre ele, ainda não vi QUANTUM OF SOLACE. Ô vergonha.
terça-feira, novembro 18, 2008
80's Mood
A FLOCK OF SEAGULS - I RAN (SO FAR AWAY)
TALKING HEADS - BURNING DOWN THE HOUSE
Caixinha de comentários sujeita a uma avalanche de links para clipes deste naipe, claro!
domingo, novembro 16, 2008

Visitem, comentem e por favor, espalhem esse site!
Grande abraço.
COMBATE NA ESCURIDÃO (Straight Into Darkness, 2005, EUA)
Jeff Burr é um nome mais conhecido dentre os fãs do cinema de terror. Eu mesmo já assisti a algumas continuações que ele assinou como O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA 3 e PUPPET MASTER 4 que vão do razoável ao bom, na minha opinião. Ele chamou a minha atenção desde que assisti o seu primeiro longa, DO SUSSURRO AO GRITO, uma antologia apresentada pelo grande Vincent Price. Também tenho boas lembranças de A NOITE DO ESPANTALHO, um pequeno slasher feito por ele em 1995. Mas tudo me leva a crer que COMBATE NA ESCURIDÃO seja o seu melhor filme, além de ser o mais pessoal de toda a sua filmografia.A tensão da abertura é daquelas que pegam o espectador pelo pescoço para não soltar mais até o final do filme, ambientado no final da 2a. Guerra Mundial. Dois soldados americanos, Losey (Ryan Francis) e Deming (Scott MacDonald) são pegos por militares (James LeGros e Dan Roebuck) tentando desertar. A caminho da prisão militar ou da morte por execução, uma armadilha: minas. Mortes ocorrem, mas os desertores sobrevivem, seguem sobrevivendo a outras provações até chegarem num prédio abandonado e logo descobrem que não estão mais sós. No prédio também estão dois professores (os veteranos David Warner e Linda Thorson) de um orfanato que fora destruído e as crianças sobreviventes, muitas delas deficientes físicas por conta da violência da guerra. Elas crianças foram treinadas pelo personagem de Warner para lutar por suas vidas e estão sempre armadas esperando a chegada de uma poderosa ameaça. E ela vem na forma de um grupo de 60 soldados alemães que atacam o lugar.
COMBATE NA ESCURIDÃO é um belíssimo filme. Existem falhas, como a óbvia dublagem dos atores romenos que fazem os alemães e os flashbacks do personagem de Ryan Francis que servem para construir mais o personagem, mas a grande quantidade deles acaba distraindo. Tirando isso, não tenho muito do que reclamar. O filme conta com excelente uso da violência e locações na Romênia, alguma dose muito bem-vinda de surrealismo e uma inspirada homenagem a ninguém menos que Edgar Allan Poe. Direção, fotografia, atuações e trilha sonora também colaboram juntas para a sempre crescente atmosfera de desespero.
COMBATE... não é só humano em sua narrativa, mas também na produção. É ainda mais emocionante assisti-lo sabendo que todas as crianças que atuaram nele são mesmo orfãs na vida real, tendo sido contratadas pelos produtores através dos orfanatos que residem. Uma iniciativa que só me deixa ainda mais confiante em recomendar essa pequena obra-prima. Como diz um amigo meu, "Bons filmes merecem ser vistos".
segunda-feira, novembro 10, 2008
Nuevas
- O próximo dia 13 será uma grande data. Terá início o JANELA INTERNACIONAL DE CINEMA EM RECIFE. Como o próprio nome diz, trata-se de um festival internacional, mas o JANELA é o primeiro evento deste porte não só aqui em Recife, mas em todo o Pernambuco. Ele terá mais foco no cinema de curta-metragem e exibirá mais de 140 produções cinematográficas. Os preços são populares, R$ 1,00 (no Cinema do Parque) e R$ 2,00 (Cinema da Fundação). 5 longas serão exibidos, dentre eles o doc pernambucano KFZ-1348 (que voltou com o prêmio especial do júri da Mostra de SP) e BURN AFTER READING. E tenho o prazer de divulgar aqui, mesmo que ainda um pouco atrasado por uma série de motivos (PC frescando foi um) que faço parte dele através do JANELA CRÍTICA. Esse programa inovador busca incentivar, através de encontros, o pensamento crítico de jovens cinéfilos e universitários do Estado. Foram 10 selecionados que acompanharão as sessões competitivas e escreverão para o blog do site oficial textos com as suas opiniões a respeito dos programas de exibição. Dessas 10 pessoas, 9 formam um júri especial que darão o prêmio JANELA CRÍTICA para o melhor filme nacional e internacional. Sei de antemão que a experiência irá exigir muito de mim, tanto em tempo quanto compromisso. Vai ser a primeira vez que assisto filmes à noite para escrever sobre eles o mais rápido possível e essa opinião ser publicada (não aqui, mas em outro espaço, por outra pessoa) na tarde do dia seguinte. Manterei todos vocês atualizados - mesmo que os posts sejam muito pequenos - com o andamento das coisas.
Um grande abraço!
CÃO BRANCO (White Dog, 1982, EUA)

Um dos filmes obscuros mais lembrados de todos os tempos. Chega a ser lamentável chamarmos um filmaço desses de obscuro, pois essa produção dirigida pelo rebelde Samuel Fuller merece ser mais reconhecida. A maneira como ele cuida de um filme com uma temática tão controversa é segura e exemplar. E o mesmo pode ser dito do roteiro escrito por ele e Curtis Hanson, baseado numa história verídica que aconteceu com o escritor Romain Gary, então casado com a atriz Jean Seberg que tinha um cão com os mesmos problemas. O animal teve de ser abatido.
Pena que a produção e o diretor, antes mesmo do filme ser lançado, tenham sido acusados de racismo por várias pessoas. Grande injustiça, pois quem diz isso não tem nenhuma razão. CÃO BRANCO é filme forte, corajoso e direto sobre o ódio, como ele chega a ser construído não só na cabeça, mas no coração dos seres humanos. E o ódio é algo que muitas vezes está atrelado ao preconceito, seja ele racial, sexual ou social. Algo muito curioso na narrativa de Fuller é que nenhum dos três principais personagens humanos interpretados por Kristy McNichol, Burl Ives e Paul Winfield chegam a ser "protagonistas"... a atenção do espectador se volta inteiramente ao pastor alemão branco desde o início. A trilha de Ennio Morricone pontua com perfeição muitos dos excelentes momentos do filme, mesmo sendo pequena e de poucos temas.
CÃO BRANCO merece a atenção do espectador não só para o que ele tem a dizer, mas pela sua importância para o cinema moderno. 26 anos depois, pode-se dizer sem qualquer receio que essa grande obra de Samuel Fuller continua atual.
Curiosidades:
1 - O projeto passou por diversas mãos, as mais famosas foram as de Roman Polanski que o rejeitou pelo tema ser "delicado" de se falar.
2 - Fique ligado para as rápidas participações de Dick Miller, Paul Bartel e do próprio Samuel Fuller.
2 - A produção não foi lançada comercialmente nos cinemas dos Estados Unidos e acabou sendo exibida no canal a pago HBO diversas vezes. Ela sobrevivia apenas entre os cinéfilos de cópias feitas a partir de VHS (como eu assisti pela última vez, graças às amigas Fernanda Oliveira e Silvia Prado) ou gravações da TV até a Criterion lançar a sua edição especial que ainda teve a proeza de resgatar uma entrevista de Fuller com o ator canino no set de filmagens.
quarta-feira, novembro 05, 2008
sábado, novembro 01, 2008
César Almeida convida
Parabéns, compañero!!
OTIS - O NINFOMANÍACO (Otis, 2008)
Dando um pouco o tempo nas boas velharias, eis uma pequena surpresa deste ano de 2008. OTIS vem da Raw Feed, o mesmo selo da Warner Brothers responsável por ROTA MORTAL (Rest Stop, 06), SUBLIME (idem, 07) e FÓRMULA MORTAL (Believers, 07). Dos três apenas não vi SUBLIME, mas os outros dois são filmes de um potencial que os seus realizadores não souberam aproveitar. Como simples entretenimento caseiro, eles funcionam ainda que deixem um gostinho de "podia ser muito mais" no final. OTIS tem quase as mesmas falhas, sendo que desta vez elas são muito compensadas pela ótima idéia de tirar um senhor sarro dos atuais exemplares do "terror moderno", sem cair no nível de um TODO MUNDO EM PÂNICO e derivados. A direção é de Tony Krantz, produtor que tem a série 24 HORAS e MULHOLLAND DRIVE no currículo.
Estamos falando de uma comédia sobre Otis (Bostin Christopher, no seu primeiro papel principal) que é um pedófilo de 40 anos e tem como "hobby" sequestrar moçinhas adolescentes para submetê-las a um pesado jogo psicológico, as que não entram no jogo, acabam morrendo. Nada muito leve, com certeza. Mas confesso que me peguei rindo de coisas realmente nada agradáveis de se ver, pois o filme pode ser visto como uma sitcom de humor negríssimo. Riley Lawson (a gatinha Ashley Johnson) acaba sendo raptada pelo sujeito e ela faz parte de uma família composta por Daniel Stern (pense numa saudade que eu estava de ver esse cara!), Illeana Douglas, Ashley Johnson e Jared Kusnitz que é apresentada ao espectador como se fosse uma de sitcom e o mesmo pode ser dito do estúpido, ridículo e pé-no-saco agente do FBI vivido por um hilário Jere Burns, que consegue roubar cena até de Stern e Douglas quando contracena com eles. Completando o grande elenco, Kevin Pollak, no pequeno, mas ótimo papel do irmão de Otis. E ainda digo que metade do orçamento da produção deve ter ido para adquirir os direitos dos hits oitentistas que fazem parte da trilha sonora, coisa fina como B-52's, BLUE OYSTER CULT, DEVO, TALKING HEADS e outros mais. Nada mal, não?
OTIS se beneficia de um diretor que sabe o que faz (bom, na maioria das vezes hehe), atores perfeitamente escalados em seus papéis, a econômica fotografia em HD e um roteiro cheio de ótimas falas e um bizarro senso de humor que o faz diferente dos outros diretos em dvd que estão sendo lançados nas locadoras. Vale o aluguel.

