quinta-feira, novembro 22, 2007
O papo de sempre...
- A nova ZINGU! já está no ar. Nesta 14ª edição, Matheus Trunk e seus companheiros de batalha saem vitoriosos mais uma vez. O dossiê do mês homenageia o crítico Paulo Perdigão. Sérgio Andrade nos presenteia com mais uma crítica de Biáfora e Marcelo Carrard fala sobre um obscuro filme do grande Joe D'Amato na sua tradicional e coluna CINEMA EXTREMO. Em SUBGÊNEROS OBSCUROS, temos a 1ª parte de um artigo sobre os "Feijoada Westerns", o ciclo do bang-bang brasileiro que poucos já ouviram falar. Anos 60 e 70 não teve só filminho nacional pretensioso não, viu?
- Murilo Lima começou as atividades em seu STATE OF KUBRICK que (ainda bem...) não fala só de Stanley Kubrick. O blog me conquistou pelo comentário sobre O SILÊNCIO DO LAGO, filme mais do que obrigatório para todos os fãs do cinema de suspense. Leia com carinho e se curtir, coloque nos seus marcadores. Agora só falta o Daniel The Walrus deixar de frescura e abrir logo um blog.
- E isso é tu... tu... tudo, pessoal!
domingo, novembro 18, 2007
NOTURNO
A CAIXA (The Box, 2003, EUA)
Não sou mesmo um fã de cinema dos mais "normais". Feriadão é algo muito bacana porque permite que a gente tenha um tempinho a mais para rever alguns filmes que curte. Ao invés de rever um Kubrick, um Roeg ou qualquer outro filme de um monstro sagrado, acabei mesmo foi vendo A CAIXA pela terceira vez. Este "neo-noir" feito para lançamento em vídeo e TV a cabo me agrada bastante. Qualquer filme que não tem receio de ser simples ganha pontos comigo e nisso A CAIXA é exemplar.
James Russo deve ter um de seus melhores desempenhos na pele de Frank Miles, um ladrão que sai da prisão em liberdade condicional que está decidido a cobrar uma antiga dívida do receptor Michael Dickerson (Jon Polito) para com ele. A primeira pessoa que Frank visita é Stan (Brad Dourif) que o tem como seu melhor amigo. Uma verdadeira figuraça, com certeza. Tudo muda quando o protagonista conhece Dora Baker (Theresa Russell), garçonete do pequeno restaurante onde ele toma café todos os dias. Eles saem, se conhecem melhor e nasce um romance entre o casal que só não esperava que o passado fosse tão impiedoso para com ambos. Steve Railsback (uau!) e Michael Rooker fazem os dois homens que farão da vida deles um verdadeiro inferno. Eles e Polito possuem tempo limitado de cena, mas suas participações são marcantes.
Vocês devem ter percebido que o elenco só tem gente boa e essa foi a principal razão para eu arriscar uma conferida. Só pude ficar feliz de ver que o filme era mesmo legal. A direção de Richard Pepin (da extinta PM Entertainment) é tão simples que beira à de um telefilme, mas possui momentos pequenos de pura inspiração, como podemos ver na brutal conclusão. Pepin tem um bom olho no ritmo da narrativa que nunca fica enfadonha e com isso produz a sua pequena obra-prima. Mas o verdadeiro astro do filme é James Russo, que além de protagonista, escreveu o bom roteiro e é co-produtor junto com Pepin. Enfim, a condução é bacana, roteiro, música e fotografia idem e os desempenhos do elenco me agradam muito, com destaque para os três R's: Russo, Railsback e Rooker. Só a Theresa Russell me pareceu fraca em algumas cenas nesta revisão, acho que o Pepin poderia ter tirado mais da capacidade dramática desta ótima atriz.
Outra coisa digna de nota em A CAIXA é ele ser protagonizado única e exclusivamente por pessoas mais maduras. Não aparece um mísero adolescente ou garotos e garotas de seus 15 a 20 anos durante o desenrolar da história. O próprio casal de protagonistas que estão na casa dos seus 50 anos é um achado. E a trama do filme não fica perdendo tempo em surpresas e reviravoltas. Tudo isso e pouco mais fazem deste A CAIXA um filme B de bom. Recomendo ele principalmente para quem curte cinema noir e bons dramas policiais. Tomara que esse textinho motive alguém a procurar por este filme que injustamente está colecionando poeira nas prateleiras das locadoras.
segunda-feira, novembro 12, 2007
PLANETA TERROR (Planet Terror, 2007, EUA)

Há pouco mais de 2 anos, lá estava eu na sala de cinema conferindo SIN CITY, filme que é uma verdadeira adaptação de cinema para quadrinhos. E foi por ter curtido tanto SIN CITY que eu fiquei ansioso para conferir o projeto GRINDHOUSE, onde Rodriguez se une ao seu camarada Quentin Tarantino para reviver o clima do cinema "drive-in" dos anos 70 e 80, principalmente o dos 70. Originalmente, GRINDHOUSE foi lançado como uma sessão dupla com PLANETA TERROR e À PROVA DE MORTE acompanhado dos falsos trailers de MACHETE (dir. Robert Rodriguez), DON'T (dir. Edgar Wright), THANKSGIVING (dir. Eli Roth) e WEREWOLF WOMEN OF THE SS (dir. Rob Zombie). Pena que ele foi mal nas bilheterias e decidiram relançar PLANETA TERROR e À PROVA DE MORTE em versões estendidas. Eu estava mais do que disposto a encarar as 3 horas de filme numa boa no final de tarde deste último sábado.
PLANETA TERROR é divertido demais. Novidades zero, mas tudo é levado na maior descontração. A imagem que não é limpa em momento algum, a película com "falhas" gravíssimas na imagem e som e sangreira aos montes rodo fizeram a minha alegria. Isso sem contar com gente como Bruce Willis, Tom Savini, Carlos Gallardo, Michael Parks e o também produtor Quentin Tarantino no elenco. Mas a cereja do bolo é Jeff Fahey e Michael Biehn fazendo irmãos!! Só mesmo um fã de atores B para fazer uma homenagem a eles e aos outros que foram escalados pro filme. E cá entre nós, eu já senti o meu dinheirinho do ingresso todo pago ao apenas ver alguns deles atuando na tela grande. Valeu a pena demais esperar e ainda ver o glorioso trailer de MACHETE (que deve mesmo virar filme) causar tamanha vibração no público da sala em que eu estava.
Rose McGowan está nada menos que linda. A sua dança nos créditos iniciais ao som da excelente música-tema composta pelo próprio diretor, editor, cinematógrafo, produtor e também roteirista Robert Rodriguez é memorável. O ótimo Freddy Rodriguez se alia a Josh Brolin (perfeito!!), Marley Shelton e Naveen Andrews para compor o elenco principal. Esse último, inclusive, faz um cientista mercenário e terrorista que tem como "hobby" colecionar os testículos de quem sacaneia com ele. Just beautiful. ;)
Como nem tudo são flores, PLANETA TERROR comete duas falhas:
1 - Ele é muito mais o cinema despirocado de ação e terror dos anos 80 e 90 do que o dos anos 70. Até a trilha sonora é predominantemente eletrônica com inegável influência do som de John Carpenter na maioria de seus filmes. Amei ver isso como fã deste cinema barato e divertido que tanto me marcou, mas o projeto se dizia ter mais cara de anos 70 do que qualquer coisa, o que não é verdade. Fiquei um pouquinho desapontado.
2 - Os efeitos especiais são bem feitíssimos demais para um suposto filme B. Nem a PM Entertainmente em seus tempos gloriosos fazia explosões como aquelas. Aliás, Jeff Fahey era figurinha fácil nos filmes desta falecida produtora, fato que reforça o meu pequeno parágrafo escrito acima.
Enfim, PLANETA TERROR é um filmeco B de grande orçamento feito de um fã para outro fã. Ele conta com todos os absurdos e situações inusitadas num roteiro dos mais simplórios que deve agradar em cheio aos apreciadores e aos guris que devem vê-lo através da Internet ou depois em DVD por conta da alta censura de 18 anos. Há cenas repulsivas, mas nada que se compare ao sadismo de A PAIXÃO DE CRISTO do Mel Gibson que recebeu uma classificação menor.
Tirando os efeitos absurdamente bem feitos, PLANETA TERROR é cinema B em estado puro que só teve lançamento garantido nos cinemas por causa dos nomes de seu diretor e de Quentin Tarantino. Simples, alucinado e totalmente despretensioso, tudo o que eu mais queria ver naquelas poucas horas. Do jeito que curti, vai ser difícil esperar até o ano que vem pra ver À PROVA DE MORTE na tela grande. Tomara que o projeto GRINDHOUSE dê sinal verde para boas e pequenas produções do gênero também irem para a tela grande ao invés de serem lançadas diretamente em DVD.
quinta-feira, novembro 08, 2007
O POÇO E O PÊNDULO (The Pit and The Pendulum, 1991, EUA)

Produção da Full Moon dos tempos em que ela fazia bons filmes. Só o fato dela contar com alguém como o nosso querido Stuart Gordon no comando de algumas de suas pérolas já era algo notável. Essa segunda adaptação cinematográfica do famoso conto de Edgar Allan Poe pode facilmente ser considerado como um dos melhores títulos da produtora. Ela conta com um roteiro escrito por Dennis Paoli, que escreveu alguns dos filmes mais memoráveis de Gordon, como RE-ANIMATOR, DO ALÉM, O CASTELO MALDITO e DAGON. Mais recentemente, o roteirista colaborou com O GATO PRETO, episódio da 2ª temporada da série MASTERS OF HORROR e do aguardadíssimo HOUSE OF THE RE-ANIMATOR.
O POÇO E O PÊNDULO se passa na Espanha durante a Inquisição e fala sobre um feliz casal de padeiros vivido por Jonathan Fuller (mais lembrado por ser a criatura de O CASTELO MALDITO) e Rona de Ricci. Mas a felicidade deles dura menos de 15 minutos de filme, pois ambos acabam sendo aprisionados pelo cruel e temido inquisidor Torquemada (Lance Henriksen, brilhante) que se apaixona pela moça e por isso pensa ter sido tentado pelo demônio.
Bela história, não é? E o filme é mesmo tão bom quanto pode se imaginar. Gostei de ver o roteirista e o diretor dando atenção a alguns personagens, apesar do tempo limitado de duração. Isso causa um choque a mais quando se trata de pessoas apresentadas na trama para pouco depois serem torturadas e morrerem violentamente. Gordon não nos poupa de imagens realmente desagradáveis. A cena da língua ficará na memória do espectador por um longo tempo. Pelo menos, a bela Rona de Ricci não se importa de ficar completamente nua em muitas cenas.
O elenco também conta com atores do calibre de Frances Bay, Jeffrey "Dr. Herbert West" Combs e Mark Margolis. Todos eles estão ótimos em seus papéis, mas Lance Henriksen rouba todas as cenas que aparece. Ele faz de Torquemada alguém cruel, amargurado e insano ao mesmo tempo. Um belo desempenho. Quem não gostar do filme, pode até recomendá-lo só por causa da atuação de Henriksen.
Pena que o humor negro característico de Gordon esteja totalmente deslocado no filme. Ele seria mais forte e chocante se não tivesse alívios cômicos de qualquer natureza. Jeffrey Combs é o responsável por grande parte deles e posso adiantar a vocês que esse ator está divertidíssimo como de costume. Eu adoro vê-lo em cena, mas sua personagem é um pouco prejudicial a todo o clima de horror construído durante a produção.

Ah, quase que eu ia me esqueçendo. Quem faz uma inesquecível participação especial em O POÇO E O PÊNDULO é Oliver Reed, como um cardeal que adora uma caninha que é enviado pelo Papa para dar uma dura em Torquemada e suas torturas. Quando vemos Reed levantando a voz para Henriksen, já temos a sensação de que o visitante corre o sério risco de não voltar pro Vaticano. O que acontece a seguir é simplesmente sensacional. ;)
Queria eu que metade dos filmes de terror lançados diretos em vídeo atualmente fossem tão bons como este. Só me falta agora ver a versão de Corman que foi realizada em 1961 e tem Vincent Price e Barbara Steele como protagonistas.
Curiosidades:
1 - Quem faria Torquemada numa produção anterior deste filme pretendida por Stuart Gordon era Peter O' Toole.
2 - O filme foi inteiramente filmado no Castello di Giove localizado na Itália que era (ou ainda é, não faço idéia...) propriedade do produtor Charles Band. Quem reparar direitinho nos cenários, vai notar que O CASTELO MALDITO (Castle Freak, 95) também foi produzido lá.
Agradecimentos a Eduardo e Shunna.
terça-feira, novembro 06, 2007
Os bons tempos definitivamente voltaram!
Trailer de SENTENÇA DE MORTE:
Meu amigo Ronilson me disse ontem que Stallone iria dirigir e protagonizar a refilmagem de DESEJO DE MATAR! E não é que ele não estava curtindo com a minha cara? UAU! O cinema norte-americano foi tão pauzudo em tão pouco tempo!!! É lamentável ter que se contentar em assistir VALENTE só no DVD, mas tomara que SENTENÇA DE MORTE e o novo DESEJO DE MATAR tenham chances nos cinemas brasileiros. Novembro vai ser um mês especialíssimo pra mim: verei não só um, mas dois faroestes na tela grande!
Eu não podia estar mais feliz, amigos(as).
sábado, novembro 03, 2007
1º ZOMBIE WALK RECIFE foi um sucesso!
Eu sou o de camisa preta, da banda Ramones, à direita da foto. Pena que eles tiraram ela logo quando eu não estava fazendo careta hehehe. Seguem abaixo uma matéria (que tirando umas frescurinhas, ficaria bem melhor) e um vídeo sobre o evento.“Zumbis” invadem o Centro do Recife
Publicado em 03.11.2007
“Mortos-vivos” desfilaram pela Conde da Boa Vista, ontem, na primeira manifestação no Estado do movimento Zombie Walk. Evento reúne gente fantasiada para sair às ruas. Teve até zumbi sem-terra.
Schneider Carpeggiani
carpeggiani@gmail.com
É impossível não lançar mão do trocadilho: quem é vivo sempre aparece, mas quem é morto (às vezes) desfila. E os mortos-vivos desfilaram pela Conde da Boa Vista, ontem à tarde, na primeira versão recifense do Zombie Walk em pleno Dia de Finados (nada mais apropriado). A idéia é simples: reunir um monte de gente para sair às ruas fantasiada de zumbi. E qual a razão dessa inusitada caminhada? Estar morto teria alguma função, hummm, social?
“Claro que não, zumbi não tem função. É mais ou menos quando você acorda de manhã, não sabe o que está acontecendo, mas precisa levantar”, “filosofa” Leonardo Lima, um dos organizadores do evento. Cerca de 100 zumbis bateram ponto no evento.
A concentração da Zombie Walk rolou na Praça do Derby, onde os “novos” mortos tiveram como dar um trato no visual e “retocar” o vermelho dos “ferimentos”, num salão de beleza às avessas. A animação do evento era feita pela caixa de som de uma bicicleta(!), a byke som, que tocava de tudo um pouco: variações do metal, Marylin Manson e versões de Madonna. Os zumbis teriam alguma trilha sonora específica? “Eu estou aqui porque eu gosto de rock alternativo. A gente escuta tudo, não tem preconceito. Aqui somos diferentes dos punks de São Paulo, que são violentos. Nossa idéia de alternativo é diversão”, defendeu o “movimento” Rodrigo “Sushi”, 16 anos, estudante, DJ e, segundo o próprio, “também sou emo, pode colocar aí”.
No mundo dos zumbis, vale de tudo. Até manifestação política. Foi o caso de Carlos Henrique, que alegou “106” anos de morte e foi fantasiado de MST, com uma foto do presidente Lula na camisa. “Sou do MST até a morte”, confundiu-se o “manifestante” que, ideologicamente na tarde de ontem, morto já estava.
O designer e jornalista Eduardo Sampaio, 24 anos, é o criador da comunidade Zombie Walk do Recife no Orkut. “A Zombie Walk surgiu no Canadá. Em qualquer dia a gente pode sair de morto pelas ruas”, explicou esse über morto-vivo.
A Zombie Walk seguiu pela Boa Vista, parou carros, ônibus e transeuntes e seguiu até o Marco Zero. O auge foi quando rolou o hino maior dos mortos-vivos, Thriller, de Michael Jackson, que suscitou várias coreografias sobre o asfalto. Só uma reclamação: o povo estava desfilando rápido demais para quem acabara de morrer.
Primeiro vídeo com imagens do evento:
terça-feira, outubro 30, 2007
GANGUES DO GUETO ('R Xmas, 2001, EUA)
Na noite deste mesmo domingo, assisti 'R XMAS no conforto do meu quarto. Ninguém merece ficar dizendo o título nacional ridículo que este filme recebeu, né? Pelo menos, ele foi lançado por aqui e posso dizer que a qualidade de imagem e som do DVD nacional da Europa Filmes está excelente. Consegui pegar o disquinho original dele e de mais alguns outros filmes bacanas, curiosos e toscos por 5 reais num saldão que uma locadora próxima de casa tem feito. Peguei altos que queria ter na coleção e nunca tive chance antes. O dia chegou! :)

'R XMAS é o filme de Natal do Abel Ferrara. Ele se passa nas proximidades da véspera desta data comemorativa em Nova York no início dos anos 90, antes do primeiro mandato de Rudy Giuliani. A cena de abertura (em sépia, ainda por cima) parece sair de um filme típico de Natal, nos moldes das adaptações do clássico UM CONTO DE NATAL de Charles Dickens. Daí o espectador nota que estamos vendo uma peça natalina encenada pelas crianças de uma escola e o pai de uma garotinha (Lillo Brancato Jr., do belo DESAFIO NO BRONX) todo entusiasmado ao filmar ela com sua câmera caseira. O pai, a mãe (Drea de Matteo, de FAMÍLIA SOPRANO) e a filha que tanto se amam saem para fazer compras no shopping. Depois de deixarem a criança com a avó, o casal vai para um pequeno apartamento suburbano e temos então uma surpresa: eles são traficantes de drogas.
Não vou falar mais para entregar outras boas cartas na manga que o filme tem. No trailer, vemos o momento em que Ice-T entra em cena, mas na minha opinião ele não deveria ter sido revelado. O impacto e surpresa que eu sentiria só me faria ter gostado mais da produção. 'R XMAS não é um Ferrara como muitos esperam por ele buscar uma narrativa mais simples e objetiva do que de costume. Esse filme não tem as cenas fortes de sexo e violência costumeiras do diretor, mas não se preocupem que a tradicional cena do protagonista entrando numa igreja católica para se redimir dos pecados está presente.
Ferrara faz mais um belo estudo de personagens, mesmo que desta vez eles não sejam mais desenvolvidos do que em outros de seus filmes. O personagem de Victor Argo, por exemplo, poderia ser melhor explorado. Mas isso pode ser até bom, pois não existe qualquer vestígio de julgamentos morais aqui, quem os pode fazer é o espectador. Repararam que não citei nomes de personagens até agora? É porque no próprio filme a maioria deles não tem identificação.
Existem pessoas que se decepcionaram com o filme por pensar que ele humaniza os traficantes de drogas. Eu não penso assim. Creio que Ferrara quis mostrar que aquele simpático vizinho do nosso prédio ou da nossa rua que todo dia passa pela gente e nos deseja um boa noite na volta pra casa pode viver no mundo do crime. Nada de pobrezinhos dentro de guetos e favelas que não tiveram melhores condições de vida e nem um caminho melhor a seguir.
Dignas de nota também são a direção de fotografia de Ken Kelsch (parceiro do diretor em títulos como OS CHEFÕES e VÍCIO FRENÉTICO) e a trilha sonora de Schooly D que colaboram e muito para a criação do clima de imprevisibilidade e estranheza feito por Ferrara em cenas nos subúrbios nova-iorquinos. Se o roteiro fosse um pouquinho mais revisado, 'R XMAS seria ainda melhor. Trata-se de uma pequena surpresa vinda de um puta diretor que alguns dos seus próprios fãs desconhecem. Vale conferir.
Editado em 31/10/07 às 10:50
sexta-feira, outubro 26, 2007
segunda-feira, outubro 22, 2007
Todos os três teasers de TRASHIX!
Um filme de Matheus Mota (Bafo Movies), Trashix é aclamado por fãs como a grande promessa do cinema amador brasileiro. Longa metragem Hi-Trash, conta as desventuras de um jovem vendedor de filmes pornôs e sua busca pelas verdades do país afundado num submundo escondido por uma realidade gerada por máquinas. A matrix do Brasil!
comunidade do orkut
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=34515653
domingo, outubro 21, 2007
Andy Garcia tem um memorável encontro com Christopher Walken
Cena do filme COISAS PARA SE FAZER EM DENVER QUANDO VOCÊ ESTÁ MORTO, de Gary Fleder.
Valeu pelo link, Daniel The Walrus!
sábado, outubro 20, 2007
Gente fina é outra coisa
Fred foi atencioso em sua rápida resposta. Agradeceu carinhosamente pelo link do meu blog, mesmo que ele não tenha conseguido ler uma mísera linha do que escrevo, e me contou uma novidade que não vi em canto nenhum. Nas palavras do próprio:
"I'm currently shooting a disaster film called POLAR OPPOSITES."
Yeah!! Será que eu conseguirei fazer uma pequena entrevista com o Fred via e-mail?
Duas entrevistas:
http://www.badmovies.org/interviews/olenray/
http://www.emvg.net/interviews/fredolenray.php
Seu último lançamento... ;)
Van Damme como Anthony Stowe em ATÉ A MORTEO astro belga completou 47 anos na última quinta-feira, 18 de outubro. Ele ainda está inteiraço e mostrando que é ator de verdade desde 2003 com IN HELL, ao invés de se rebaixar ao nível de Steven Seagal e cia. Estou ansioso para conferir o resultado final de THE SHEPHERD, onde ele contracena com ninguém menos que Scott Adkins. Como o diretor é Isaac Florentine (O LUTADOR), creio que porrada de qualidade não vai faltar no filme. Torço para que este vá aos cinemas, já que ATÉ A MORTE e VINGANÇA me deixaram mais satisfeitos do que muitos filmes de ação feitos para exibição na tela grande.
Parabéns, Van Damme!
sexta-feira, outubro 19, 2007
quarta-feira, outubro 17, 2007
Avisos
- César Almeida através do B MOVIE BOX CAR BLUES está passando a caneta em todos os quatro filmes da marcante série BLIND DEAD que foi dirigida por Amando de Ossorio. Esses títulos são muito importantes para o cinema de terror, mas infelizmente eles também são pouco conhecidos pelos próprios fãs do gênero! Digo isso por experiência própria, só depois de muito tempo vendo filmes de terror é que fui saber que os Zumbis Templários existiam. Como vocês viram no post de segunda-feira com cotação dos filmes que vi no feriado, assisti o primeiro da série e achei demais. Assino embaixo o texto do César sobre o filme. Não é exagero nenhum de minha parte dizer que os Zumbis Templários são uma das coisas mais assustadoras e criativas que vi na vida.
- Fui convidado para participar da 2ª edição do HERÓIS: DOS QUADRINHOS PARA AS TELONAS, organizado pelo site CINE FLASH. O evento foi um sucesso no semestre passado e a Livraria Saraiva do Shopping Recife sediará ele novamente. Não sou muito ligado em quadrinhos, mas como fã de cinema e apreciador de algumas adaptações eu espero colaborar legal no debate junto com os outros participantes para o evento ser ainda melhor do que o anterior.
Mais informações: http://www.pernambuco.com/fanzine/071015/miscelanea.html
Só não entendi ter sido chamado de crítico especializado (!!!!), mas se já saiu no jornal assim, quem sou eu pra discutir? rs.
Abraços a todos.
Não é qualquer diretor que tem uma foto dessas no álbum

Post inspirado pelo blog CINE GROOVE de Ronald Perrone
segunda-feira, outubro 15, 2007
Filmes do feriadão

CRIMES NO PARAÍSO - *** e 1/2
O BOM PASTOR - ***
O VIDENTE - **
TOMBS OF THE BLIND DEAD - ****
A ORGIA NOTURNA DOS VAMPIROS - ***
Revisões:
TROPA DE ELITE (no cinema...) - **** e 1/2
SEGREDOS DE FAMÍLIA - *** e 1/2
Livros...
A VI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco chegou ao fim ontem. O que é sempre legal nessas feiras literárias é que há várias promoções e até mesmo uma pessoa que não pode gastar muito acaba saindo com algo bacana debaixo do braço na hora da saída. Tinha era coisa boa de R$ 3,00 a R$ 15,00. Isso fora os outros livros mais badalados como O CÓDIGO DA VINCI que estavam sendo oferecidos por R$ 19,90 num stand. Eu mesmo procurava as duas belezinhas que ilustram o post acima por um bom tempo, mas a oportunidade chegou e não desperdicei. Juntas, elas custaram apenas R$ 14,00. A vontade que tinha era de comprar mais, inclusive notei A OUTRA FACE DE HOLLYWOOD: FILME B por 28 reais só em um dos expositores. Como já tinha visto por aí custando menos e nem estava com a grana disponível, deixei pra lá. Um dia ponho as mãos nele, assim como no já cobiçado livro do Rodrigo Pereira e cia. sobre Anthony Steffen.domingo, outubro 14, 2007
O VIDENTE (Next, 2007, EUA)
Ohhh, a gente viu LARANJA MECÂNICA!Já está na hora de Lee Tamahori voltar a fazer filmes na Nova Zelândia e respirar outros ares, pois este O VIDENTE é mais outro filme descartável que ele faz em Hollywood e mais um que desperdiça o nome de Philip K. Dick. Os roteiristas Gary Goldman, Jonathan Hensleigh (sim, o mala que fez do THE PUNISHER o anti-herói mais fresco de todos os tempos!) e Paul Bernbaum simplesmente pegaram um conto do escritor, colocaram de base e fizeram todo um roteirozinho cheio de clichês e mais clichês a partir dele. Confesso que nunca li nada do autor, mas estou certo de que seja impossível reconhecer qualquer coisa da sua obra aqui.
E Nicolas Cage não tem mais jeito. Se o cara continuasse aos passos de filmes como os recentes O SENHOR DAS ARMAS e O SOL DE CADA MANHÃ ao invés de apelar pra A LENDA DO TESOURO PERDIDO e O SACRIFÍCIO, a sua carreira seria outra coisa. O VIDENTE está entre os últmos, mas pelo menos posso dizer que ele é assistível.
Cage - usando a peruca de Tom Hanks em O CÓDIGO DA VINCI - "interpreta" Chris Johnson, um mágico que faz os seus showzinhos em Las Vegas e que tem o poder de ver o que acontece a ele 2 minutos antes do fato realmente acontecer. Isso até o dia em que ele vê uma garota (Jessica Biel, linda como sempre) passando pela porta da lanchonete em que está e espera ela chegar, mas isso não ocorre. A agente do FBI Callie Ferris (Julianne Moore, desperdiçada outra vez) passa a perseguir Johnson por saber que ele tem o tal poder, pois uma bomba nuclear armada por terroristas está prestes a explodir em Los Angeles e matará muita gente, incluindo o próprio.
- Jessica, a razão do filme existir é esse sarro.Não se sabe como e nem é explicado como o FBI sabe dos poderes de Johnson. Como é que uma instituição daquelas passa a depender única e exclusivamente de uma pessoa? Qual é a motivação dos terroristas? Essas são só as primeiras de muitas crateras de roteiro que nos são jogadas na cara até o final do filme. Além de Moore, atores do nível de Thomas Kretschmann e Peter Falk também são vítimas do desperdício de talentos. Kretschmann faz um dos vilões mais patéticos e mal-desenvolvidos que eu já vi e Falk tem uma participação mínima de menos de 3 minutos em cena num papel que não faz a menor diferença para a trama.
Mas entre os filmes ruins que vi este ano, O VIDENTE consegue divertir. Pelos motivos errados, lógico. A já mencionada peruca de Tom Hanks é um deles e os (d)efeitos de CGI são uma palhaçada. Tem uma cena inacreditável em que Nicolas Cage está descendo um morro numa cena de perseguição e uma porrada de coisas caem perto dele. É carro, é pedra do Indiana Jones, é tronco enorme de madeira e por aí vai. Eu jurava que o cara ia soltar um JOGA A MÃE!!
Muitos acharam o final uma covardia, mas eu não. Pensem um pouquinho que vocês poderão achá-lo até engraçado como eu achei.
No lugar dele, veja:

SCREAMERS - ASSASSINOS CIBERNÉTICOS (Screamers, 1997) é uma daquelas pérolas que colecionaram poeira nas prateleiras das locadoras de VHS dos anos 90 e que até hoje continuam obscuras. Alguém deveria lançar logo este trabalho muito bacana do canadense Christian Duguay em DVD para os fãs de ficção científica apreciarem mais uma boa produção que faz jus ao nome de Philip K. Dick. Fazem mais de 4 anos que o assisti, mas sinto que posso recomendá-lo sem medo por aqui. Destaque para o ótimo Peter Weller no elenco, um ator que ficou tão marcado por ROBOCOP quanto Bela Lugosi por DRÁCULA. Pelo pouco que me lembro, é um puta filme.
sexta-feira, outubro 12, 2007
quinta-feira, outubro 11, 2007
- O mano Thales Oss voltou a postar no seu CINE DELÍRIO depois de um bom tempo. O post que marcou o retorno foi de nível: um comentário sobre o clássico NA MIRA DA MORTE (Targets, 1968) de Peter Bogdanovich.
- Todo mês eu estou vindo falar aqui com um certo atraso das atualizações da gloriosa ZINGU!. Hoje eu faço isso novamente, mas não tão atrasado assim. É uma vitória!! Brincadeiras à parte, todos devem saber que não é de propósito. Sempre tem algo me impedindo de chegar junto do meu PC na calma e escrever algo sobre o puta trabalho que aquele pessoal vem desenvolvendo. E a edição deste mês está imperdível. Não digo isso só porque eles estão fazendo o aniversário de 1 ano de atividade, o que não deixa de ser uma grande conquista, mas a verdade é que a qualidade do conteúdo desta nova edição continua extraordinária. Além de todas as coisas boas que a revista virtual sempre nos traz, o destaque da ZINGU! número 13 é a inacreditável e já antológica entrevista com Sady Baby. Sim, isso mesmo! Aquele Sady Baby que cometeu NO CALOR DO BURACO, EMOÇÕES SEXUAIS DE UM JEGUE e muitos outros clássicos da Boca do Lixo. Preciso conhecer essa obra antes de partir desta pra melhor hehe. Olha só uma das pérolas que o cara soltou:
"Só pra resumir: se digamos eu tivesse que morar no Morumbi e sair de BMW todo dia e comendo buceta o dia inteiro e não fazer o que eu gosto, eu prefiro morar num quarto de uma pensão, andar de bicicleta e fazer o cinema que eu gosto."
Não é por pouco que virou mania de minha parte falar bem da ZINGU! todo mês. E nem pensem em ficar sem ler o Manifesto escrito pela companheira Andrea Ormond, ok?
Abraços e até a próxima atualização.
Rose McGowan poderá ser a próxima Barbarella
Gostei muito da notícia, Sr. Rodriguez. Mas SIN CITY 2 que é bom até agora nada, né?domingo, outubro 07, 2007
Quem fala tem que ouvir!
"Meu sonho é que alguém comece a vender BLINDNESS como fizeram com TROPA DE ELITE." - Fernando Meirelles
A resposta:
"É fácil. É só ele pegar a primeira montagem do filme e entregar a um camelô." - José Padilha
NE: Inspirado no mais recente post de Leandro Caraça no VIVER E MORRER NO CINEMA. Meu antenado parceiro da blogosfera também dá destaque a uma das melhores coisas que eu li sobre cinema durante todo o ano (embora não concorde em tudo...), um belo, sincero e direto texto de Carlos Reichenbach publicado em 30/09/07 no jornal O GLOBO. É sempre muito bom ver alguém como ele dando a sua valiosa opinião.
THE DEVIL CAME FROM AKASAVA (Der Teufel kam aus Akasava, 1971, GER/ESP)

Primeiro filme do Jess Franco que comento aqui. E é por causa disso que esperei um tempo até por as mãos em um filme dele com a Soledad Miranda. Todos os fãs de Franco e de cinema exploitation em geral comentam a respeito da beleza dela. Bom... eu não me encantei tanto como eu pensava, mas ela era mesmo muito bonita e tinha presença em cena. Digo isso porque infelizmente Miranda morreu muito jovem em um acidente de carro aos 27 anos de idade. THE DEVIL CAME FROM AKASAVA ainda estava em fase de pós-produção quando o lamentável ocorrido aconteceu. Na versão espanhola, o filme é dedicado em sua memória.
Soledad Miranda interpreta uma agente secreta que recebe a missão de investigar o roubo de uma poderosa pedra capaz de transformar metal em ouro e matar ou fazer com que pessoas virem zumbis. Sim, essa última nunca é explicada direito. Estamos falando de um filme do Jess Franco, oras! hehe. Para o nosso deleite, a personagem de Miranda se disfarça como uma dançarina de clube noturno, ou seja, ela paga peitinho. A partir daí, tudo é puro pretexto para entrarem mais e mais personagens na história que por si só já era sem o menor sentido. Tome gente aparecendo a cada 10, 15 minutos de filme, incluindo o próprio Jess Franco como um agente secreto italiano (!!!), Paul Muller fazendo um médico que entra e sai de cena sem fazer a menor diferença e Howard "Dr. Orloff" Vernon no papel de um assassino profissional.

Vendo na esportiva, THE DEVIL CAME FROM AKASAVA não irrita e é um pequeno e divertido programa para os fãs de Eurotrash. Franco manda ver mesmo em alguns dos zooms mais pirados que já tive a oportunidade de ver. Nem Paul Greengrass na série Bourne chega perto! Existem alguns pequenos momentos dignos de nota como no final onde um personagem sai correndo com uma maleta no jardim de uma casa para no mesmo corte ele aparecer desta exata maneira indo para um avião. Detalhe: a música também muda no momento da transição. Coisa de gênio!!
E já que falei de música, saibam que a trilha sonora é uma delícia. Vou tratar de procurá-la nos blogs de trilhas na Internet. Clique aqui para baixar a música-tema e ficar com um gostinho de quero mais. ;)
PS: A minha primeira colaboração no espaço CEMITÉRIO DAS VHS do blog B MOVIE BOX CAR BLUES já está no ar. Falo sobre TORNADO, uma das pérolas esquecidas do cinema de guerra italiano. E para quem tiver curiosidade, lá também tem uma foto de minha sorridente pessoa ao lado do meu amigo César Almeida que edita o B MOVIE... e o mais do que considerado DOLLARI ROSSO. Visite, comente e dê a sua opinião. Me achou feio bagarai? Ótimo, mas não deixe de me ler só por causa disso, ok? hehe.
quarta-feira, outubro 03, 2007
Charles Bronson fazendo um comercial japa de desodorante
PS: No orkut, um rapaz chamado Gustavo Fernandes disse na comunidade CHARLES BRONSON que saiu pela Spectra Nova um box com os 5 filmes da série DESEJO DE MATAR. Ele falou que viu o produto numa loja física das Americanas. Gustavo não conseguiu achar link para alguma loja virtual, mas eu também tentei e o mesmo aconteceu comigo. O preço? R$ 39,90!! Isso mesmo, menos de 10 reais por disco! Mais alguém achou, comprou ou sabe como está a qualidade??
NOTÍCIA CONFIRMADA hoje dia 06/10! Uma amiga comprou o box por um preço menor ainda, R$ 35,00!!
THE JOE PESCI SHOW!!
Alec Baldwin fazendo Robert De Niro
Jim Carrey como James Stewart
Uma visita inesperada
domingo, setembro 30, 2007
Batendo um papo e deixando uns avisos...
- Fiquei muito feliz ao ver dois amigos saindo do Estado que residem para fazerem bonito em outros. Meu amigo Luiz Joaquim está fazendo a cobertura do Festival do Rio em seu CINEMA ESCRITO. Você já pode ler a sua opinião sobre À PROVA DE MORTE (Death Proof, 2007) e muitos outros filmes. E o nosso companheiro Marcelo Carrard está junto com uma galera sensacional em Porto Alegre participando do FANTASPOA, sem esquecer de atualizar o seu MONDO PAURA com as últimas novidades do evento pelo seu ponto de vista. A programação deste festival está de uma excelência ímpar. Um dia eu apareço nos dois.
- Quem está curioso para ver o que o astro Anthony Steffen tem a dizer no "Anthony Steffen - A saga do brasileiro que se tornou um astro do bangue-bangue à italiana" de Daniel Camargo, Fabio Vellozzo e Rodrigo Pereira, faça o favor de dar uma visitada no blog VIVER E MORRER NO CINEMA do amigo Leandro Caraça para ler dois singelos trechos do livro. Eu já pensava que seria legal ter um exemplar dele na minha prateleira, mas agora sei que preciso tê-lo. Tenho certeza que as páginas "voariam" e eu iria acabar a leitura em menos tempo que imagino. Sem dúvidas, esse é um dos melhores lançamentos literários do ano!
- Um ser apelidado de Mariachi passou a visitar e comentar o VÁ E VEJA há poucos meses, principalmente nos posts sobre cinema classe B. Ele tem um blog bem interessante chamado CONTATOS IMEDIATOS, mas agora mostrou que é da galera ao criar o INFERNO CINEMATOGRÁFICO. Ontem mesmo foi postada uma resenha sobre o crássico OPERAÇÃO KICKBOXER (Best of the Best, 1989), filme estrelado por gente do naipe de Eric Roberts, Chris Penn, Phillip Rhee e James Earl Jones e com direção de Robert Radler. Confira!
Abraços aos cuecas de plantão, beijos para as moças e até a próxima.
sábado, setembro 29, 2007
TRAMA DIABÓLICA (Sleuth, 1972, ING)

A primeira vez que eu vi TRAMA DIABÓLICA foi durante um período de férias na minha adolescência. Aí eu vivia dormindo de tarde para ficar acordado a madrugada toda vendo e gravando fitas e mais fitas VHS sem comerciais. Foi assim mesmo que conheci obras como BULLIT, DIRTY HARRY e dois filmes do De Palma que são responsáveis por muita coisa do meu gosto hoje em dia: SCARFACE e A FÚRIA. Minhas fitinhas faziam sucesso entre a gurizada, tanto que acabei perdendo algumas depois. Fiquei puto quando percebi o "sequestro", mas depois pensei que mais pessoas poderiam ver aqueles filmes que eu tanto gostei além dos "raptores". Por causa dessa minha santa ingenuidade na época, deixei tudo pra lá pensando que seria mais fácil pegar alguns filmes de novo nas locadoras para copiá-los novamente. Mal completei 16 anos e fiquei desesperado por ver as minhas principais fontes de cultura cinematográfica fechando as portas nos subúrbios que elas se localizavam. Ainda bem que eu consegui recuperar altas coisas daqueles tempos na minha coleção.
Se bem me recordo, assisti a esta pérola com Laurence Olivier e Michael Caine numa madrugada de domingo para segunda na Band e com legendas em português. Foi o bastante para considerá-lo como um dos meus filmes favoritos. Me deliciei com ele do início ao fim, mesmo tão jovem e sem entender direito uma coisa ou outra por causa do sono que estava vindo, mas eu insisti em ver aquele filme até o fim. E como valeu a pena! Foi numa muito recente solitária e preguiçosa sessão doméstica de domingo que tive a companhia de Olivier e Caine novamente durante aproximadas 2h20 de puro encantamento cinéfilo.
Que maravilha de filme é TRAMA DIABÓLICA. A excelência do roteiro de Anthony Shaffer (simplesmente, o autor de O HOMEM DE PALHA e FRENESI) baseado na peça do próprio é inegável e Joseph L. Mankiewicz estava inspiradíssimo na direção deste seu testamento cinematográfico. O filme é a união de dois seres que possuem o poder de ler uma lista telefônica e deixar a gente de boca aberta com duas mentes abençoadas que nasceram para contar e criar histórias.
Na produção, o jovem Milo Tindle (Michael Caine) é convidado pelo premiado escritor Andrew Wyke (Laurence Olivier) para passar uma tarde na sua mansão e resolverem assuntos pendentes. Milo é nada menos que o amante da esposa de Andrew. Não demora muito para que ambos travem com o outro um autêntico e maligno duelo de egos, inteligência, poder e masculinidade. A nós, simples mortais, só resta acompanhar com prazer o desenrolar deste surpreendente jogo de gato e rato.

Nada é o que parece em TRAMA DIABÓLICA, um daqueles raros filmes onde tudo funciona que é uma beleza. A direção de arte também deixa o expectador deslumbrado, pois a decoração na mansão do Andrew se revela estranha e conservadora ao mesmo tempo. Aqueles bonecos por si só chamam a nossa atenção. A memorável trilha sonora de John Addison complementa muito bem todo o clima irônico do filme e a cinematografia de Oswald Morris é um arraso.
Vou chover no molhado e dizer mais uma vez que o texto do Anthony Shaffer é brilhante. Com excelentes reviravoltas e tantos diálogos afiadíssimos, o fã de cinema só pode ir ao delírio. E eu não consigo imaginar melhores atores do que Caine e Olivier para representar aqueles dois personagens tão maquiavélicos.
Mas eu só sei de uma coisa. Depois de TRAMA DIABÓLICA, tenho a mais absoluta certeza que você vai passar a entender como poucos o significado da expressão "quem ri por último ri melhor".
PS: O filme ganhou uma refilmagem recente do cineasta Kenneth Branagh com Jude Law fazendo o papel de Michael Caine e com Caine no lugar de Laurence Olivier. Estou curioso, embora com o pé atrás ao mesmo tempo pela sua curtíssima duração de 86 minutos. O título nacional é o vergonhoso UM JOGO DE VIDA OU MORTE e a produção será exibida na MOSTRA BR DE CINEMA em São Paulo deste ano.
sexta-feira, setembro 28, 2007
Aphex Twin - Come to Daddy
Genial, perturbador, sinistro, inesquecível.
segunda-feira, setembro 24, 2007
TELA CLASS: GARRAS DE BAITOLA
Partes 1 a 3 abaixo:
domingo, setembro 23, 2007
SANTIAGO: UMA REFLEXÃO SOBRE O MATERIAL BRUTO (2007, BRA)

O cinema de documentário não está muito presente aqui no blog, talvez pelas minhas tentativas de me afastar um pouco de filmes mais secos e realistas esses tempos. Penso que é nesse gênero onde nós temos vários contatos inesquecíveis com cenas ou personagens da vida real. Mas isso apenas ocorre nos bons filmes, lógico. Desgraças como O SEGREDO só servem para denegrir o estilo.
Antes de qualquer coisa, gostaria de dizer que não tenho a mínima aproximação com os documentários do João Moreira Salles. Esse foi o primeiro deles que assisti e creio que ele deva ser um dos filmes mais difíceis que eu vi desde que abri o VÁ E VEJA. A primeira oportunidade que pintou para falar sobre ele foi na caixinha de comentários de um dos últimos posts do DIÁRIO DE UM CINÉFILO, querido blog mantido pelo meu comparsa Ailton Monteiro. Lá, eu disse que SANTIAGO ainda estava em processo de digestão desde quando o vi na tarde da última segunda-feira e que ele era um belo filme. Mas mencionei também de que o documentário poderia ser recebido com indiferença por algumas pessoas, apesar dele ser realmente bom.
João Moreira Salles queria fazer um filme sobre Santiago Merlo, o mordomo da família Salles que o acompanhou durante parte da sua infância até ele virar adulto e sair de casa. Ele passou 5 dias filmando esse sereno, sincero e gentil senhor em 1992, no pequeno apartamento onde morava no bairro do Leblon. Santiago colecionava algo muito especial: a sua escrita. Como vemos no filme, o aposentado mordomo tinha cultura de sobra e ainda se orgulhava da capacidade que ainda tinha de memorizar as coisas com sua idade já um pouco avançada. Resumindo, trata-se de um personagem impressionante.
Salles também filmou cenas adicionais em estúdio, mas não conseguiu terminar dar uma conclusão ao filme. SANTIAGO, como o próprio subtítulo afirma, fala de Santiago, do processo de realização do documentário e da infância do diretor ao mesmo tempo. Quem narra a produção é Fernando Moreira Salles, irmão de João. Desconheço se o documentarista já narrou algum dos seus filmes, mas ainda bem que isso não ocorre aqui. Não acho que João teria segurado as fortes emoções quando fosse ler o seu texto no estúdio. Pegar todo aquele material e ver e rever tudo de novo para fazer uma edição deve ter doído demais no coração.
Além de difícil, o filme incomoda num ponto. A maneira como o João Moreira Salles tratou o seu antigo mordomo durante as filmagens é nada menos que grosseira. Pelo menos, o próprio diretor assume isso ao não cortar o áudio de sua voz e (creio eu) mostra arrependimento por não ter dado a atenção e o carinho que Santiago merecia. Minha maior restrição com o filme é essa, mas a verdade é que não me sinto muito à vontade enquanto escrevo estas linhas sobre ele. Vai ver que isso ocorre por eu me importar mais com o personagem Santiago do que com o resultado final deste projeto de Salles também chamado de Santiago.
Um belíssimo momento do filme é justamente uma cena de outro filme, A RODA DA FORTUNA (The Band Wagon, 1953), o favorito de Santiago. Trata-se de um musical dirigido por Vicente Minelli com Fred Astaire e Cyd Charisse. Quem não gostar do documentário, pode não achar que gastou dinheiro de ingresso à toa só pelo prazer de ter visto esse pequeno, mas sublime momento de puro cinema.
Agradecimentos especiais ao Cinema da Fundação Joaquim Nabuco pelo convite.
segunda-feira, setembro 17, 2007
domingo, setembro 16, 2007
A LENDA DO CAVALEIRO FANTASMA (Legend of the Phantom Rider, 2002, EUA)

Uma daquelas pequenas pérolas que estão nos balaios promocionais de DVD das lojas de magazines. Ver um bom faroeste feito depois dos anos 2000 tem sido algo bem difícil, só consigo me lembrar que apenas PACTO DE JUSTIÇA e RASTRO PERDIDO conseguiram chamar a atenção merecida dos fãs. Quem continua sentindo falta de algo interessante no estilo pode conferir A LENDA DO CAVALEIRO FANTASMA e acabar gostando dele que nem eu.
A produção custou $ 1.600,000, segundo o IMDB. Todas as limitações deste baixo orçamento foram muito bem contornadas pela criatividade do diretor e produtor Alex Erkiletian. Uma coisa que comprova isso por si só é a sua excelente abertura, simplesmente de tirar o fôlego. Na trama, temos mais uma vez um bandido misterioso acompanhado pela sua gangue de capangas sanguinários que toma uma cidadezinha. Neste caso, trata-se de Blade, vivido pelo ator Robert McRay que também é roteirista do filme. O estranho rápido no gatilho que aparece para fazer justiça pelos oprimidos logicamente não podia ficar de fora, mas lembre-se de que estamos falando de um filme que é legal por ser diferente.
O estranho se chama Pelgidium (McRay novamente!) e ele é uma criatura sobrenatural. Vestido de preto dos pés a cabeça, Pelgidium tem longos cabelos negros, é caladão e anda sempre curvado para esconder o seu rosto deformado e cheio de cicatrizes. Trata-se de um anti-herói memorável, um personagem que chega a ser ainda mais assustador do que os vilões. Esse sujeito sinistro foi trazido ao mundo por causa do forte desejo de vingança de Sarah Jenkins (Denise Crosby, de CEMITÉRIO MALDITO), uma mulher que sobreviveu junto com a filha pequena ao violento ataque de Blade e seus homens à sua família.
O elenco de coadjuvantes é outro achado. Angus Scrimm (o "Homem Alto" da excelente série PHANTASM) faz o padre da cidade. Os veteraníssimos Stefan Gierasch e George Murdock tem belas e pequenas participações / homenagens. E finalizando, Rance Howard (pai de Clint e Ron) e Irwin Keyes. Essas são duas pessoas que eu tenho a mais absoluta certeza que você já deve ter visto em vários outros filmes.
Não bastava tudo já ser muito interessante, a bela cinematografia de John Roy Morgan quase faz com que a gente pense que não estamos vendo uma produção classe B. Com um roteiro que brinca e tem pleno conhecimento das convenções do gênero, atuações competentes e direção e fotografia das mais inspiradas, A LENDA DO CAVALEIRO FANTASMA é mais um daqueles títulos que provam que não se precisa de orçamentos exorbitantes para se fazer um bom filme. Chega dá gosto de se ver.
O DVD nacional da Flashstar apresenta o filme em sua janela correta. Ainda bem!
PS: Falando de cinema B, tem blog novo na área sobre o tema. Ele é o B MOVIE BOX CAR BLUES, capitaneado pelo amigo e companheiro da blogosfera César Almeida, mais conhecido pelo pessoal através do DOLLARI ROSSO. Minha colaboração nele está garantida. Espero que vocês se divirtam aproveitando o conteúdo bacana que já foi postado nesta primeira semana de atividades.
sexta-feira, setembro 14, 2007
VÁ E VEJA vai pra balada com os irmãos Roxbury que ninguém é de ferro!
Chris Kattan - Doug Butabi
A Night at the Roxbury
Sylvester Stallone:
Tom Hanks:
Jim Carrey:
Charles Bronson vs. Danny Trejo
Nesta última quarta, postei um tributo ao Danny Trejo onde ele apronta geral.
Antes de passar desta pra melhor, J. Lee Thompson nos fez o favor de colocar esses dois monstros cara a cara em 1987 no DESEJO DE MATAR IV. O resultado do estrago vocês conferem agora:
Agradecimentos ao camarada Bruno Martino pela lembrança!
quarta-feira, setembro 12, 2007
terça-feira, setembro 11, 2007
Avisos, dicas e batendo um papinho
- Outra coisa que me esqueci de falar na semana passada foi a respeito do belo retorno de Carlos Thomaz à blogosfera com o seu OLHAR ELÉTRICO. Mas foi até bom, só para vir aqui e recomendar a leitura do seu último post. Thomaz fala de nada mais nada menos que RABID DOGS, que não é só um clássico de Mario Bava, mas também do cinema. Imperdível.
- Quem também voltou aos blogs foi Ronald Perrone (do extinto HORROR EXPRESS) com o CINE GROOVE. No seu último post, ele também ataca de Mario Bava falando de uma das pérolas do diretor chamada BLOOD AND BLACK LACE. O blog promete e já pode contar com as minhas visitas durante a semana.
- A minha amiga Jamile Calissi escreveu sobre um dos seus filmes de cabeceira: FUNNY GAMES, de Michael Haneke. Para conferir, basta acessar o seu TUDO VINTAGE OU NÃO.
- César Almeida continua a revisar mais e mais bons faroestes italianos no DOLLARI ROSSO. Quem é fã do estilo, faz questão de visitá-lo e de ter o blog nos seus marcadores.
- A rapaziada que curte cinema B e "direct-to-video" não pode deixar de visitar o Your Video Store Shelf toda semana. Um dos últimos destaques postados pelo companheiro Gregory Conley é um podcast com cerca de 40 minutos onde ele bate um papo divertido e interessante com C. Courtney Joyner, roteirista e diretor de filmes que chamaram a atenção do público pro cenário B norte-americano. Ele trabalhou muito com o diretor Mark L. Lester ao escrever os roteiros de A GUERRA DOS DONOS DO AMANHÃ, INIMIGO PÚBLICO Nº 1, O RAPTO DE CANDY e outros. Joyner também escreveu DURO DE PRENDER, a antologia de horror DO SUSSURO AO GRITO e o terceiro filme da série PUPPET MASTER para a Full Moon. A sua carreira de diretor se resume a dois títulos desta produtora de Charles Band: APRISIONADOS PELO MEDO - uma adaptação barata de Lovecraft com Jon Finch, Ashley Laurence e Jeffrey Combs no elenco - e TRANCERS 3. Mais recomendado para quem é bom ou arranha legal no inglês ouvido.
- O documentarista Kiko Goifman (33) dá os seus primeiros passos no longa-metragem de ficção. O seu mais novo projeto será feito em associação com o pernambucano Hilton Lacerda (CARTOLA - MÚSICA PARA OS OLHOS) e é intitulado FilmeFobia. Visite o curioso site oficial do filme clicando aqui.
- Hoje às 18h30min no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco aqui em Recife, a turma da Símio Filmes irá fazer o pré-lançamento do curta de ficção GALO DA MADRUGADA que é dirigido por Gabriel Mascaro e Iezu Kaeru (??). Infelizmente não poderei ir, mas aqui fica a dica pros leitores recifenses já que gostei do que vi vindo do pessoal. Nesta quinta-feira no mesmo bat-local, mas às 19h vai ser exibido o clássico THIS IS SPINAL TAP! A entrada para ambos os eventos é franca.
- O feriadão foi bacana. Deu para dar umas boas saídas e descansar vendo muitos filmes legais. Vi CIDADE DOS HOMENS no cinema, já em DVD foi a vez de TROPA DE ELITE (simplesmente fantástico de tão bom), A ÚLTIMA CARTADA (uau!) e mais um capítulo da série de telefilmes lançados em DVD protagonizada por Tom Selleck e dirigida por Robert Harmon chamada CRIMES NO PARAÍSO. Desde já, o personagem Jesse Stone é o meu herói cinematográfico de 2007. Quero falar sobre eles em breve, mas também prometi falar de A CASA DO CEMITÉRIO, A IRMANDADE DA GUERRA, EDMOND, OS DOZE TRABALHOS e CIDADE DA VIOLÊNCIA em outras atualizações e até agora nada. Parece que estou começando a aprender com o meu mano Luiz Alexandre rs.
- No momento em que atualizo esse post, o contador está marcando 21.163 visitas desde fevereiro deste ano! Muito obrigado a todos que tiram um pequeno tempo para ler o meu blog. Sejam aqueles que visitam caladinhos, os que pegam ainda mais um pouco deste tempo para escrever uma simples mensagem querendo trocar idéias ou até mesmo soltar uma piada só para me fazer sorrir, os que sempre me apoiam a continuar com o blog de diversas maneiras e também os que aparecem aqui por causa do Google. Ao digitar "va e veja" neste famoso site de buscas, o primeiro link que aparece é o meu blog e o da crítica do filme na Contracampo é o nono hehehe.
Abraços a todos vocês, valeu pela visita e até a próxima atualização.
Editado às 16:00 em 11/09/07
segunda-feira, setembro 10, 2007
SOB FOGO CRUZADO (Luck of the Draw, 2000, EUA)
Esse sim é um filme que merecia ser chamado de O RETORNO DOS MALDITOS!! SOB FOGO CRUZADO faz parte de um tempo que não deve voltar mais. Algumas produções feitas pra lançamento em vídeo metiam vários nomes e rostos conhecidos nas capinhas pra chamar a atenção, mesmo que apenas um ou até nenhum deles seja o protagonista. Filmes como A CAIXA, O PADRINHO, SEM AMANHÃ e outros fazem parte desta leva. Recentemente, Sean Stanek (que estreiou no horrível PRISIONEIROS DAS TREVAS) aderiu ao "movimento" com PLAYED, um filme barato rodado em vídeo com um elenco dos mais curiosos que deve fazer algum estrago nas locadoras caso seja lançado por aqui.
James Marshall protagoniza o filme no papel de Jack Sweeney, uma pessoa que bate de porta em porta atrás de emprego. O que esse rapaz mais deseja é trabalhar em banco, mas os seus antecedentes criminais o impedem de conquistar esse sonho. Na saída de mais uma das suas fracassadas tentativas em alguma agência, ele acaba presenciando um tiroteio entre polícia, gângsters e ladrões com a intenção de roubar uma maleta com matrizes para impressão de dinheiro falso em posse destes bandidos. Quem acaba levando o cobiçado objeto pra casa é Jack que trata logo de falar com o seu antigo parceiro de crimes Zippo (Michael Madsen) que acredita poder fazer negócio com Macneilly (Ice-T). Gianni Ponti (Dennis Hopper) - o responsável pelo assalto mal-sucedido - manda os seus capangas Carlo (Eric Roberts) e Buddy (Sasha Mitchell, o David Sloan da série KICKBOXER) atrás de informações sobre a maleta. Enquanto tudo se desenrola, vemos que um assassino profissional (Patrick Kilpatrick) e dois policiais (William Forsythe e Richard Ruccolo) estão atrás da mesmíssima coisa.
Tudo é muito simples, direto e até previsível em SOB FOGO CRUZADO. Nós já vimos essa trama mais de um milhão de vezes, mas sem uma verdadeira reunião de figuraças que alguns de vocês devem curtir se divertindo horrores ao desempenhar os seus papéis. O diretor deste divertido filme é ninguém menos que Luca Bercovici de GHOULIES e THE GRANNY, ou seja, o cara tá na turma de Fred Olen Ray e Jim Wynorski, mas até que ele fez o seu trabalho direitinho. De todos os atores citados no texto, o meu favorito no filme tinha que ser o Eric Roberts. Eu não pude ficar sem rir de como ele deu vida ao Carlo, um capanga como outro qualquer que fica sempre se achando o máximo. Esse filme ficaria melhor se o roteiro não inventasse de incluir um desnecessário romance pro personagem do James Marshall. Tirando isso, teríamos mais cenas de Hopper, Madsen e cia. limitada. O final ainda tem um tiroteio em câmera lenta. Tenha inveja, Tarantino!
Esqueça um pouco que estamos diante de mais uma besteira feita para faturar uns trocados de locação e tente se divertir em companhia dos monstrinhos presentes no elenco. Esse é um daqueles pequenos filmes que a gente assiste numa boa em 90 minutos só para dar uma descontraída depois de ter visto algo mais pesado, dodói do juízo ou um daqueles filmecos que se acham grande coisa, mas que acabam não sendo porra nenhuma.
PS: Pena que o DVD nacional deste filme lançado nas bancas pela Editora Escala só tenha "dublado em português" como idioma. Eca! Ainda bem que passei o filme para uma mídia e consegui devolver depois. Mas até que a dublagem é melhorzinha do que muitas que eu já ouvi. Quem gosta de filme B e de porrada sabe do que estou falando hehe.
domingo, setembro 09, 2007
O ENCONTRO DOS CAMPEÕES (That Championship Season, 1999, EUA)
O ENCONTRO DOS CAMPEÕES fala sobre isso. Me lembro da primeira vez em que assisti a esta segunda adaptação cinematográfica (embora feita pra TV) na TNT da peça teatral vencedora do Pulitzer de Jason Miller, que já foi levada aos palcos brasileiros por Cecil Thiré. Mesmo com o áudio dublado, fiquei bem surpreendido com a qualidade do roteiro e as excelentes atuações dos cinco atores principais que dão vida aos problemáticos personagens do filme. No finalzinho de 2005, consegui a fita VHS original legendada distribuída pela Warner Home Vídeo e revi no mesmo dia em que a peguei. Foi o bastante para eu considerá-lo um dos meus dramas favoritos.

Todo ano, o técnico (Paul Sorvino, que também tem sua estréia como diretor aqui) de um time de basquete colegial de uma pequena cidade na Filadelfia que ganhou o campeonato estadual faz uma reunião com três dos cinco daqueles jovens jogadores que se empenharam para conquistar a premiação e que continuam morando lá. Os outros dois saíram da cidade e nunca mais deram notícias. Agora é o vigésimo aniversário do acontecimento, os rapazes estão na casa dos 40 e um dos volta para participar do tradicional reencontro anual. Os garotos de Filllmore High hoje são:
Phil Romano (Vincent D'Onofrio): Executivo que vive se achando o bacana. Uma das pessoas mais ricas da cidade.
George Sitkowski (Tony Shalhoub): Atual prefeito que teme não conseguir se reeleger, apesar da ajuda de Phil na sua campanha.
James Daley (Terry Kinney): Diretor de uma escola, parceiro político de George.
Tom Daley (Gary Sinise, absurdo de tão bom!): Aquele que volta pra casa. Irmão de James, Tom era um promissor escritor que acabou se tornando um álcoolatra. Numa sacada genial e ao mesmo tempo irônica do roteiro de Jason Miller, essa personagem parece ser a pessoa mais correta de todas as presentes na reunião.
O que um grupo de amigos que não se vê há muito tempo juntos faz quando se reúne? Bebe! Lembram-se daquele dito popular "A bebida entra e a verdade sai"? Pronto, é exatamente o que vai acontecer aqui com os personagens deste drama. Se não fosse a chegada de Tom, aquela noite seria exatamente a mesma que ocorre todo ano. O ENCONTRO DOS CAMPEÕES sempre me deixa muito apreensivo porque ele fala com brilhantismo do que ocorre quando já estamos mais maduros e temos de nos conformar com todas as oportunidades que perdemos no decorrer de nossas vidas.
O filme é puro teatro filmado. Grande parte da sua duração se dá dentro da sala de estar na casa do técnico. Os belos desempenhos do elenco, um excelente texto e a direção simples de Paul Sorvino garantem uma bela produção no estilo que hoje está um tanto esquecida. Trata-se de uma história triste, protagonizada por pessoas que buscam a redenção tarde demais, mas a conclusão dá uma certa dose de esperança ao expectador a respeito do futuro daqueles homens que chega a ser tocante. Altamente recomendado.
Quero muito ver a versão anterior algum dia. Ela é dirigida e roteirizada pelo Jason Miller e tem Robert Mitchum interpretando o técnico. Os rapazes do time são vividos por Bruce Dern, Stacy Keach, Martin Sheen e o próprio Paul Sorvino.
quinta-feira, setembro 06, 2007
A gloriosa, linda e fantástica cena final de DESEJO DE MATAR III
Michael Winner já teria o seu lugar garantido na história do cinema se ele tivesse feito apenas esse filme.
PS - 07/09/07: Acabei de mudar o título pra não deixar ninguém pensando que se trata daquele tiroteio antológico que ocorre no final. Infelizmente não consegui achá-lo completo no YouTube.
segunda-feira, setembro 03, 2007
Vocês estão vendo o mesmo que eu??

Com a palavra, Adriana.
"Também pudera, o coordenador de campanha é Quentin Tarantino e o futuro secretário de Estado é Willem Dafoe, quiçá Dennis Hopper (só pra terem mais diálogos sobre berinjelas). L-U-X-O."
Será que Dafoe se interessou em política por causa de TRIPLO X 2? rs.
Visite: http://www.walken2008.com/
domingo, setembro 02, 2007
CÁLCULO MORTAL (Murder by the Numbers, 2002, EUA)

Filme descartável do cineasta Barbet Schroeder, que tem alternado projetos pessoais como NOSSA SENHORA DOS ASSASSINOS com filmes para estúdios. Também produzido por ele, CÁLCULO MORTAL reconta outra vez a história que inspirou o clássico FESTIM DIABÓLICO de Alfred Hitchcock. Sandra Bullock (até aturável...) faz uma detetive que suspeita do envolvimento de dois jovens de famílias de classe alta (Ryan Gosling e Michael Pitt) em um assassinato.
Acho legal ver alguém apresentando os responsáveis pelo crime num filme de suspense e conseguindo segurar a nossa atenção durante toda a sua duração. Mas depois de uma promissora meia hora, CÁLCULO MORTAL nos empurra 1h30min da mais pura mesmice. Se bem que o título original me avisou, então a culpa por eu ter assistido ao filme é minha mesmo. A censura 18 anos da capinha do DVD é uma das mais mentirosas de todos os tempos. Dá pra passar esse filme inteiro e sem nenhum corte no horário da novela. A produção ainda perdeu pontos comigo por ser mais uma a desperdiçar o talento do ótimo Chris Penn.
KARLA - PAIXÃO ASSASSINA (Karla, 2006, CAN)

O que acontece quando um simples filme B é feito com o diretor pensando que está realizando algo importante? Essa produção canadense de Joel Bender com Laura Prepon (da série THAT 70'S SHOW) e Misha Collins interpretando o casal Karla Homolka e Paul Bernardo responde muito bem a questão.
Paul filmava os estupros e assassinatos das jovens que raptava, enquanto Karla o auxiliava. Toda a trama é contada a partir do relato que a criminosa faz a um psiquiatra dentro do presídio. As atuações são boas e o roteiro é melhorzinho do que a média das produções do estilo. É por isso que seja uma pena que KARLA sofra do mal daqueles filmes que falam sobre um assunto violento e se esforçam ao máximo para a sua violência ser quase nula. Sim, sim, muitas vezes a violência sugerida funciona bem melhor do que a mais explícita, mas este não é o caso. Nem mesmo as atrizes pagam peitinho quando tiram a blusa!! Assim não dá... pra filminho B puritano a minha tolerância agora é zero!
O ESTRANGULADOR (The Hillside Strangler, 2004, EUA)

Radicalmente o oposto dos filmes comentados acima. Aqui, uma dupla de bons atores injustiçados interpreta dois dos mais famosos assassinos em série norte-americanos. C. Thomas Howell é Kenneth Bianchi e Nicholas Turturro faz Angelo Buono, os homens responsáveis por crimes que a polícia acreditava serem creditados a uma única pessoa. A imprensa apelidou o suposto assassino de O ESTRANGULADOR DE HILLSIDE. Quem dirige essa produção de baixo orçamento é Chuck Parello, de ED GEIN e da malhada continuação desnecessária do chocante HENRY: RETRATO DE UM ASSASSINO. Howell e Turturro convencem na pele dos malignos homens que descobrem ter prazer de matar ao sairem numa noite para se vingar de uma prostituta. Durante 14 meses, os dois estranguladores tiraram as vidas de muitas mulheres inocentes.
Enquanto eu o assistia, senti de imediato que ele era um legítimo exploitation. Não aparece nada da investigação policial sobre os crimes, tudo o que vemos simplesmente é Bianchi e Buono atrás de suas vítimas e as executando. Assim como no clássico A VINGANÇA DE JENNIFER, onde o expectador só acompanha o ato do estupro e a vingança da moça do título contra seus malfeitores. No filme há nudez feminina, sexo, muitos palavrões, estupro e uso de drogas, ou seja, fiquei surpreso pois fazia muito tempo que não via um filme B recente com tudo isso. Mas a maior surpresa é ver um caidaço C. Thomas Howell dando vida a esse tipo de personagem e não desapontar em seu desempenho. A direção até descuidada e o roteiro que apresenta furos e soluções muito apressadas colaboram ainda mais para que O ESTRANGULADOR seja algo efetivamente desagradável de se assistir. Indico mais o filme para quem sente muita falta de um exploitation atual que se assuma como um.
Existe uma outra versão desta história feita para TV chamada O FIO DA MORTE (The Case of the Hillside Stranglers, 1989). Ela conta com um jovem Billy Zane e o sempre ótimo Dennis Farina fazendo os dois primos assassinos e o saudoso Richard Crenna como um policial que está investigando o caso. Se por acaso você conseguir achar a rara VHS dele lançada pela VTI, arrisque uma conferida pois trata-se de um bom filme.
sexta-feira, agosto 31, 2007
Tenha uma boa leitura
Luiz Joaquim vira blogueiro por pouco tempo em seu site CINEMA ESCRITO. Numa tentativa de relatar a gama de sentimentos que ele teve ao rever o clássico ULISSES, temos um texto pessoal escrito por um autêntico fã de cinema. Clique aqui para visitar o site. Há alguns errinhos bestas de digitação, mas eles não diminuem a beleza do texto que é um dos meus favoritos vindos deste amigo.
William Friedkin é entrevistado a respeito de BUG:
http://www.comingsoon.net/news/movienews.php?id=20415
THE LOST BOYS 2 pode perder um Corey:
http://www.yourvideostoreshelf.com/index.php/20070829/lost-boys-2-the-tribe-loses-a-corey/
Artigo muito legal e informativo sobre a The Asylum: http://www.signonsandiego.com/news/features/20070817-9999-lz1c17invasio.html
quarta-feira, agosto 29, 2007
POSSUÍDOS (Bug, 2006, EUA)

Dá-lhe, William Friedkin!
Só mesmo uma associação com o seu mais famoso e polêmico filme para fazer a sua mais nova cria garantir uma boa circulação de cópias nos multiplexes de todo o Brasil. Digo isso meio que chutando, mas acredito que isso esteja acontecendo mesmo, já que POSSUÍDOS entrou em cartaz nos três maiores multiplexes de Recife. Não esperava sair da minha casa no último sábado para assistir a algo como ele numa sala mais comercial, um filme que é pequeno, simples, complexo e estranho ao mesmo tempo. Só por isso já vemos o quanto ele se revela especial entre os outros títulos que estão em cartaz.
Acredito que apreciaria mais BUG (isso mesmo, não vou mais falar o genérico e pavoroso título nacional daqui por diante) se eu não tivesse criado tanta expectativa desde a sua exibição em Cannes. Mesmo sabendo que ele era baseado numa peça, eu não esperava também que ele fosse tão teatral em muitos momentos. É mais por conta destas razões puramente pessoais que não consigo esconder de vocês esse pequenino sentimento de decepção a um dos filmes que eu mais esperava assistir este ano.
Em BUG, temos uma protagonista que é totalmente o oposto do que o público costuma ver nos multiplexes. A rotina diária de Agnes White (Ashley Judd, memorável) é a seguinte: ela trabalha como garçonete de um bar para voltar à noite e tomar porres homéricos de vinho e se drogar sozinha ou com a amiga lésbica R.C. (Lynn Collins) no apartamento de motel em que mora. R.C. apresenta a ela um ex-militar chamado Peter Evans defendido com muita garra pelo excelente Michael Shannon, cuja atuação é uma das maiores razões pra se ver o filme. Peter afirma para Agnes que não quer ir para a cama com ela, mas isso será inevitável, já que ambos são pessoas muito carentes não só de sexo, mas de uma companhia, uma amizade. As coisas começam a mudar quando a moça percebe que Peter está obsessivo com insetos que nem ela e o expectador consegue ver. Piorando tudo, temos a presença do ameaçador Jerry (Harry Connick Jr.), ex-marido de Agnes que acaba de sair do presídio.
Como o filme não tem medo de esconder as suas raízes teatrais, mais de 90% de sua duração total é passado dentro do pequeno apartamento com os personagens de Judd e Shannon dialogando constantemente. Esse último reprisa o papel que vem fazendo há 2 anos no teatro com a peça que originou o projeto e o resultado impressiona. Shannon é um daqueles raros tipos de atores que se entregam por completo ao personagem, sem qualquer receio de parecer ridículo. Sua atuação em BUG é um dos grandes momentos do cinema vistos em 2007. Já Judd se afasta pra valer daquele único personagem que vinha fazendo em filminhos de suspense pra consumo rápido. Nunca fui com a cara da atriz, mas depois deste filme darei mais chances para ela, ainda que Shannon a carregue um pouco nas costas. Não podemos esquecer de mencionar a ótima participação do músico Harry Connick Jr. mostrando outra vez que também deve ser levado a sério como ator. Não é qualquer um que cause tão boa impressão com um tão limitado tempo em cena.
Tudo funciona muito bem graças à William Friedkin, lógico. A fúria e a calma andam estranhamente juntas na sua condução para uma história de amor nada convencional como esta. O que ele fez com os poucos recursos que teve não é nada menos que admirável. Todo o projeto pode muito bem ser visto como Friedkin encarando um desafio, afinal estamos falando do diretor que simplesmente dirigiu duas das melhores perseguições automobilísticas de toda a história do cinema. Não penso que ele tenha encarado uma produção com o orçamento que teve em BUG, um terror psicológico dos menos caretas já feitos.
Creio que a gente tem mais costume de conferir filmes assim em cinemas alternativos ou no conforto do nosso quarto. Mas ao ver um BUG numa sala convencional, temos a chance de nos divertir com alguém como o sujeito que se levantou de uma cadeira a frente da minha e mandar um sonoro ESSE FOI O PIOR FILME QUE EU VI NO ANO hehehe. Recebi ontem a notícia de que BUG entrará em cartaz no Cinema da Fundação aqui em Recife. Com certeza, farei de tudo pra revê-lo outra vez antes que ele pare de ser exibido nesta excelente sala.
O melhor filme teatral do Wiliam Friedkin continua sendo a sua fantástica versão para TV de 12 HOMENS EM UMA SENTENÇA, um dos clássicos que Sidney Lumet deu para todos nós. Trata-se de um dos dois filmes que me fizeram perceber que cinema era muito mais do que eu imaginava quando era mais novo, ao deixar de ser criança para virar adolescente. O outro foi nada mais nada menos que o soberbo, o lindo, o maravilhoso TRÊS HOMENS EM CONFLITO. Devo muito a Leone e Friedkin pela relação com o cinema que tenho desde aquele período marcante de minha vida.
PS: Dois monstrinhos completam aniversário hoje. Por coincidência, vi no IMDB que Friedkin completou 72 anos de idade! Nossa... a julgar por sua direção furiosa e rebelde em BUG, ele nem parece ter essa idade. E o outro é o blog DIÁRIO DE UM CINÉFILO que completa 5 anos de existência. Já parabenizei o Ailton Monteiro por esse grande feito, mas sendo fã do seu belíssimo trabalho semanal, eu não posso deixar de fazer essa pequena homenagem por aqui também.
segunda-feira, agosto 27, 2007
IDENTIDADE ROUBADA (Irresistible, 2006, AUS)

Antes de falar sobre minha melhor experiência cinematográfica do final de semana, quero começar as atividades desta semana falando sobre esse simpático direto-pra-vídeo que eu vi na noite de ontem. Se eu vejo dois atores que aprecio ou mais atuando juntos num filme, uma coisa é certa: eu irei assisti-lo um dia. Sempre gostei de Susan Sarandon e Sam Neill, por isso contava com uma cópia de IDENTIDADE ROUBADA já há algum tempinho no estoque pro caso de eu querer ver um filminho rápido e simples só para relaxar e depois ir dormir.
A protagonista Sophia é vivida com a competência de sempre por Sarandon. Ela é uma ilustradora de livros infantis que enfrenta uma pequena crise no seu casamento com o arquiteto Craig (Sam Neill) por causa da pressão que vem sofrendo com um trabalho. Seu relacionamento com ele e suas duas filhas está bem, mas de uma hora para outra algumas coisas da casa dela começam a desaparecer como brinquedos das crianças, fotos de família e roupas. Sophia desconfia de que alguém esteja entrando em sua casa e a sua principal suspeita por uma série de motivos é Mara (Emily Blunt, totalmente desconhecida por mim antes), a bela técnica de informática do escritório do seu marido. Serão esses motivos reais ou frutos da imaginação de Sophie, já que ela não tem conseguido dormir direito?
Dirigido e escrito por Ann Turner, IDENTIDADE ROUBADA é um bom filme que se revela refém dos seus momentos. Numa hora está ótimo, mas em outra parece levar um tombo sem grandes chances de se levantar. E ele se levanta para depois cair um pouquinho de novo mais lá na frente. Como suspense psicológico, o filme é um bom drama. Mesmo assim, creio que apreciei bem essa pequena sessão doméstica. Falando das atuações, Susan Sarandon parece estar um pouco avoada em diferentes passagens da produção, mas isso é algo que funciona para a personagem. Sam Neill.... bem... é Sam Neill e a talentosa Emily Blunt passa credibilidade no seu papel.
Em determinadas partes, o filme tem um jeitinho de feito pra TV, principalmente a partir da cena em que há um ataque de vespas feitas em CGI. Enfim, trataria-se de um título esquecível se não fosse a porradinha que é o ótimo final. Ah, eu simplesmente amo isso. Tudo está muito lindo e nas mil maravilhas, só que a última cena ainda não chegou e é nela que os diretores e roteiristas dão aquele tapa pra você acordar e enxergar a realidade. Há gente que dá uma voada boa nesta conclusão, mas basta reparar no que acontece nela e pensar um pouquinho que você poderá ficar surpreso assim como eu que não tinha expectativa alguma com o filme. IDENTIDADE ROUBADA me deixou interessado e entretido durante todo aquele regular intervalo de tempo. O que eu mais podia querer de um simples direto-pra-vídeo?
Confissão:
Ok, ok, baixei TIME AFTER TIME da Cyndi Lauper pra escutar só por causa do filme hehe.



1923 - 2007