sexta-feira, agosto 24, 2007

Silencio...

Lembrança do companheiro Renato Doho

CIDADE DOS SONHOS (Mulholland Drive, 2001) - Dir. David Lynch

Hoje às 22h40min na TV Cultura

Trailer oficial da refilmagem de HALLOWEEN

Dica do nosso amigo Daniel The Walrus.
Já fiquei um pouquinho mais animado.

Novidades dos malucos da The Asylum e Nu Image


Mark Dacascos está em I AM OMEGA. Qualquer semelhança com I AM LEGEND, próximo blockbuster do Will Smith baseado no clássico livro de Richard Matheson, não é mera coincidência!


Já Lorenzo Lamas vai voltar às prateleiras das locadoras com uma versão futurista de 20.000 LÉGUAS SUBMARINAS intitulada de 30.000 LÉGUAS SUBMARINAS hehe. O diretor deste filme deve ser um sujeitinho muito do burro, já que qualquer fã de uma boa tralha ficaria doido de vontade pra ver Lorenzo Lamas fazendo Capitão Nemo!

E a Nu Image nos alegra outra vez com o quê? Mais um filme ultra-picareta de tubarões cheio de cenas de arquivo ou de outros filmes mesmo. Agora desta vez, apenas o título do filme nos deixa morrendo de curiosidade por ele. Se segura: SHARKS IN VENICE! Isso mesmo, TUBARÕES EM VENEZA! Filmado na Bulgária (???), a produção vai contar com o diretor Danny Lerner (que já fez altas tralhas pra Nu Image) e será estrelado por Stephen Baldwin, um cara que simplesmente não tem a capacidade de dizer NÃO para um roteiro com um chequinho dentro dele.


Cena de TUBARÕES 3 (Shark Attack 3: Megalodon, 2002)

quarta-feira, agosto 22, 2007

Trailer oficial de EASTERN PROMISES

Nada como um novo filme do Tio Cronemberg só para deixar a nossa vida mais feliz.

DURO DE MATAR 4.0 (Die Hard 4.0 aka Live Free or Die Hard, 2007, EUA)


Eu estava relutante em ir pro cinema neste último final de semana. O filme que eu mais estava a fim de ver de todos era O NOITE DE ESTRÉIA de John Cassavetes que estaria estreando naqueles dias no Cinema da Fundaj, caso o prédio não estivesse fechado para uma rápida reforma. Mas no domingo resolvi dar uma saída para esfriar a cabeça só com a intenção de ver um simples e eficiente filme de ação. Na tarde da sexta-feira, eu tinha assistido o ótimo CIDADE DA VIOLÊNCIA (que será comentado numa das próximas atualizações, sem falta!) e me divertido horrores com ele. Então por que não daria para me divertir com mais uma desenfreada aventura do John McLane, não é?

No filme, esse querido personagem do cinema de ação imortalizado na pele do senhor Bruce Willis - adotando mesmo a careca e em excelente forma pra idade, diga-se de passagema - enfrenta um outro tipo de terrorismo: o tecnológico. A mente por trás de todo o plano é Thomas Gabriel (Timothy Olyphant, da série DEADWOOD), um terrorista digital que junto com a sua turminha começam a causar o caos nos Estados Unidos. Ele contou com a "ajuda" de jovens hackers que agora estão sendo eliminados um a um por seus homens, liderados pelo ator, dublê e coreógrafo francês Cyril Raffaelli (13º DISTRITO, O BEIJO DO DRAGÃO) fazendo um daqueles capangas que dão até mais trabalho pro protagonista do que o vilão principal. McLane consegue salvar um dos hackers do destino fatal (Justin Long, de OLHOS FAMINTOS) e irá fazer de tudo protegê-lo, pois o cara tem capacidade de reverter um pouco o quadro só com um simples palm-top em mãos. Temos também as gatinhas Maggie Q e Mary Elizabeth Winstead no elenco para limpar as nossas vistas da macharada que reina nele. Como se eles não bastassem, Kevin Smith ainda faz uma participação especial como um hacker fã de Star Wars. Só podia...

DURO DE MATAR 4.0 parece ter sido mais feito para uma outra geração conhecer John McLane, principalmente os adolescentes fissurados em videogame, tamanha a quantidade de cenas exageradas de destruição. Como Ailton Monteiro falou na ocasião da estréia, elas só fazem o filme ser ainda mais divertido. É impossível deixar de mencionar o momento em que John McLane consegue explodir um helicóptero usando um carro. Detalhe: o carro estava no chão! hehe.

A produção apenas não é uma das melhores continuações do clássico de 1988 por conta da censura PG-13 que os produtores exigiram para fazer com que o filme tenha mais sucesso nas bilheterias. O resultado é um outro John McLane aos olhos dos fãs mais antigos da série. Ele continua aquele anti-herói cínico, sarcástico e sem a menor paciência com troços como um computador, mas McLane não solta mais um "fuck" a cada três palavras que fala e agora está parecendo mais um alienígena de tão indestrutível que ele agora é. Nem rola um mísero jatinho de sangue saindo dos corpos que McLane baleia no seu caminho. Toda aquela essência e humanidade do personagem se foi pelos ares com mais essa decisão estúpida de Hollywood. Deveriam deixar mais o PG-13 pra TRIPLO X e CARGA EXPLOSIVA, que são franquias que estão usando essa censura desde o seu início. Ao menos, McLane continua sendo aquele que mais apanha dos bandidos de todo os exemplares do cinema de ação americano.

Inferior aos dois últimos filmes de Bruce Willis (os ótimos REFÉM e 16 QUADRAS) e aos capítulos anteriores da saga de John McLane, DURO DE MATAR 4.0 pode cometer uma quase heresia com esse personagem realmente imortal, mas não deixa de ser divertidíssimo mesmo assim. Len Wiseman (dos "não vi e nem quero ver" filmes da série UNDERWORLD) até que deu conta do recado melhor do que eu imaginava.

Editado em 22/08/07 às 23:30

segunda-feira, agosto 20, 2007

O RETORNO DOS MALDITOS (The Hills Have Eyes 2, 2007, EUA)


Não me lembro de ter faltado tanto o respeito com um filme aqui no blog, mas esse pediu: Que grande pedaço de merda que é esse O RETORNO DOS MALDITOS!! Sou um cara até acostumado em me divertir bem com algumas continuações baratas feitas pra vídeo que não são continuações (como O LUTADOR e COM AS PRÓPRIAS MÃOS 2), mas essa daqui feita e lançada em menos de um ano do lançamento do original foi demais.

O filme é fraquíssimo. Todos os personagens dele são uns completos idiotas, portanto não há uma única chance da gente torcer pela sobrevivência deles. Wes Craven e seu filho Jonathan fizeram um roteiro dos mais picaretas (como eles, evidentemente) onde vários clichês vivem atropelando uns aos outros e reduz os personagens desfigurados do filme original a monstros assassinos irracionais em um "slasher" bem meia-boca e previsível. Me lembro de ter lido o Carlos Reichenbach dizer algum dia que a pior coisa que se pode dizer a respeito de um filme é que ele pode ser visto só pela fotografia. Pois saibam que nem a ótima cinematografia dele e nem o mais uma vez excelente trabalho nos efeitos de Greg Nicotero e Howard Berger compensam a grande perda de tempo que é O RETORNO DOS MALDITOS. É chato demais falar isso como entusiasta do gênero, mas ainda bem isso vai ser lançado só em DVD. Até o tão malhado QUADRILHA DE SÁDICOS 2 deve ser melhor.

No lugar dele, melhor ver esses:


Se você está desesperado para ver algo no estilo, arrisque PÂNICO NA FLORESTA (Wrong Turn, 2003). Ele dura menos de 1h20min antes dos créditos finais, é bem dirigido, tem um roteiro legal e prende a atenção, o oposto de O RETORNO DOS MALDITOS. Caso já tenha visto ele, tente então DETOUR: ROTA 666 (Detour, 2003), uma pequena produção do pessoal da The Asylum feita para aproveitar a onda do lançamento de WRONG TURN. Embora conte com atores "teens" fazendo óbvios estereótipos, o filme sofre mais por limitações do orçamento do que pela falta de criatividade. Há um inesperado momento nele que por si só vale a sua locação. Obviamente, ambos foram inspirados no clássico QUADRILHA DE SÁDICOS.

PS: Falando em retorno dos malditos (hehe), os amigos Luiz Alexandre e Ibertson voltaram às atividades na blogosfera depois de um bom tempo ausentes nela. Luiz fez mais de 1 post na semana passada em seu MAD BLOG, o que é sinal de que ele pode estar tomando jeito, mas nem ele mesmo e nem eu garantimos nada, viu? Ibertson manda muito bem falando de dois filmes coreanos que o surpreenderam muito positivamente no CINEMA PARA TODOS e que poucas pessoas (eu incluso) não conhecem. Sejam muito bem-vindos de volta!

Os destemidos caçadores de vampiros voltaram!


Caso vocês ainda não saibam, os dois Coreys estarão juntos novamente na seqüência para um dos filmes mais populares dos anos 80, OS GAROTOS PERDIDOS. Quando pensamos no saudoso cinema de entretenimento daqueles tempos, certamente este sucesso do Joel Schumacher é dos primeiros que nos vem à mente. Dirigido por P. J. Pesce (do muito divertido UM DRINK NO INFERNO 3), THE LOST BOYS 2: THE TRIBE deve ser lançado diretamente no mercado de DVD em 2008. Quem interpretará o vilão vampiresco aqui é Angus Sutherland, meio-irmão de Kiefer Sutherland, que atuou no primeiro filme. Para aumentar ainda mais o clima nostálgico da diversão, ninguém menos que Tom Savini vai interpretar um dos vampiros da produção. Em tempos de mais e mais filmes medíocres do gênero indo aos cinemas e as boas surpresas sempre aparecendo nas locadoras, essa é uma das notíciais mais legais para os fãs deste ano de 2007. Mesmo que não chegue aos pés do original, THE LOST BOYS 2: THE TRIBE promete ser diversão certa.

A duplinha no lançamento da edição especial em DVD de OS GAROTOS PERDIDOS, agosto de 2004.

quarta-feira, agosto 15, 2007

Homenagem aos aniversariantes!

Através de vídeos no YouTube, resolvi fazer uma pequena homenagem a essas pessoas que estão no meu coração como fã de cinema que completaram ou iriam completar (no caso de Hitchcock) mais um ano de vida de domingo para cá. É também uma maneira de agradecer pelas agradáveis horas que passei e poderei passar na minha vida só por causa delas.

ALFRED HITCHCOCK'S - IT'S A WONDERFUL LIFE



Steve Latshaw fica "puto" com Fred Olen Ray nos comentários de áudio no DVD de JACK-O



Jim Wynorski - Trailer de CHOPPING MALL



Steve Martin - I'M A DENTIST!! (legendado em português)



BJ Davis - Clipe musical feito por um fã do filme MISSÃO LASER, uma pérola dos filmecos B de ação



Wim Wenders - Buena Vista Social Club tocando Chan Chan

OS PODERES DA MÁFIA (Un Uomo in Ginocchio, 1978, ITA)


É de ficar injuriado quando terminamos de assistir a um belíssimo exemplo de cinema como OS PODERES DA MÁFIA e saber que ele continua terrivelmente obscuro. Lançado nos primórdios da VHS pela extinta PoleVídeo (a mesma de TERRITÓRIO INIMIGO!), essa obra-prima perdida de Damiano Damiani retrata o universo da máfia italiana com um realismo incomparável a nenhum outro filme assistido por mim que veio da Itália.

Como bem falou o único comentarista dele no IMDB, Palermo realmente parece péssima. E é nesse cenário cruel que conhecemos o nosso protagonista, Nino Peralta. Vivido com carisma e intensidade por Giuliano Gemma naquela que deve ser a melhor atuação de toda a sua carreira, Nino é um homem batalhador e humilde que tem a sua vida revirada ao avesso. Ele toma conhecimento através do bom amigo Colicchia (Tano Cimarosa) de que o seu nome está numa lista de pessoas a serem executadas por uma das gangues de Palermo. Também é Colicchia que passa a desconfiar das intenções de um homem chamado Antonio Platamonte (Michele Placido) desde que o vê pela primeira vez. Nino entra em desespero, pois ele não tem idéia do que fez para merecer isso, logo ele que trabalha arduamente todo dia para cuidar direito de um dos seus filhos que está doente. Platamonte acaba entrando em contato o pobre sujeito e é a partir daí que o filme realmente começa.


É através de Nino que Damiani faz o seu relato cívico e social a respeito dos problemas que afetam a vida dos que convivem diariamente com o peso do mundo do crime nas suas costas, mesmo que elas sejam trabalhadores inocentes. As excelentes atuações de todo o elenco que ainda tem Eleonora Giorgi, Ettore Manni e Nello Pazzafini fazem com que o filme seja ainda mais realista e chame a nossa atenção para o que ele quer nos dizer. OS PODERES DA MÁFIA é daqueles raros filmes feitos pela necessidade que o seu autor sente em transmitir a dor que está sentindo ao ver o que ocorre no mundo. A trilha sonora de Franco Mannino tem uma música-tema viciante que dá até vontade de sair por aí assoviando ela.

O filme é uma verdadeira preciosidade e levei um bom tempo para achar uma VHS dela num sebo por um preçinho dos mais camaradas pro meu bolso. Se você achar alguma perdida por aí ou uma cópia do filme feita em DVD-R, não pense duas vezes e pegue. Esse filme de Damiano Damiani certamente ficará para sempre em sua memória. Giuliano Gemma trabalharia outra vez com Damiani em A ADVERTÊNCIA, onde contracena com o veteraníssimo Martin Balsam.

PS: 1 - Se bem me lembro, o Otávio Pereira tem uma cópia à venda na sua lista promocional de títulos em DVD e DivX que pode ser pedida através do http://www.cineitalia.net/

2 - É o que dá querer dizer algo, escrever isso e não revisar direito. Quem leu o texto até o presente momento em que escrevo essas linhas deve ter estranhado comigo dizendo que Damiano Damiani estava descontando no mundo com OS PODERES DA MÁFIA. Ao incluir poucas palavras nela, essa frase agora tem o significado que eu queria que ela tivesse. Ufa!

Editado em 16/08/07 às 22:57

Trailer de ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO no YouTube

segunda-feira, agosto 13, 2007

Trailer de IRMÃOS DO CRIME (legendado em inglês):



Atores falam sobre o filme e seus personagens (legendado em japonês):

IRMÃOS DO CRIME (Jiang Hú / Gong Wu, 2004, HK)


Está para existir algo tão estiloso no cinema moderno quanto o cinema policial chinês. Lançado recentemente em DVD no Brasil, IRMÃOS DO CRIME confirma essa tendência ao se mostrar mais um belo exemplar do estilo. A trama não tem nenhuma novidade, mas a gente acaba mais atento pela maneira como ela é contada ao invés de ficar chateado pela sua parcela de previsibilidade.

No filme que se passa no curso de uma noite, o chefe Hung (Andy Lau) fica sabendo de duas coisas. A sua esposa dá luz ao filho que tanto esperava e que um assassino fora contratado para executá-lo em menos de 12 horas. Preocupado, o seu melhor amigo na organização apelidado de Canhoto (Jacky Cheung) lhe diz que o melhor a se fazer é sair da cidade e deixar os negócios com ele. Hung discorda e decide ficar em Hong Kong para proteger seus homens e sua família. Canhoto se decepciona com o amigo e envia seus homens para eliminar os três principais suspeitos (entre eles, Eric Tsang) pela assinatura do contrato de execução. Enquanto isso, vemos Yik (Edison Chen) e Turbo (Shawn Yue), dois jovens amigos do submundo, participando de um sorteio que dará chance a um deles de executar o chefão da cidade e crescer na tríade pelo seu feito.

Como dá pra perceber, temos mais da metade do elenco da série CONFLITOS INTERNOS aqui. Edison Chen e Shawn Yue estão melhores do que de costume e Andy Lau e Jacky Cheung passam mais da metade do seu tempo em cena dialogando dentro de um restaurante, mas o duelo de atuações e o carisma deles prendem o interesse. Faltou apenas o filme explorar de maneira um pouco mais satisfatória a questão do conflito de gerações dentro das gangues, algo que eu amo ver num filme do estilo. Lau e Cheung representam o antigo e Chen e Yue são o novo. Alguns personagens importantes ainda saem da trama como se não fossem nada.

Mas o clímax é inesquecível e emocionante. Por causa de uma revelação, o filme que antes aparentava ser só estilo acima de substância agora tem um significado. Mesmo que a gente tenha se tocado pouco tempo atrás sobre o que a produção realmente fala, é de se admirar o talento narrativo e visual de Ching Wong-Po. Com IRMÃOS DO CRIME, temos a revelação de um novo nome que deve marcar o cinema chinês, como vem fazendo o seu conterrâneo Johnnie To. Apesar de falho em alguns momentos, este filme de quase 1h20min é uma pequena surpresa que merece ser conhecida.

Just beautiful. :)

quarta-feira, agosto 08, 2007


Eu tinha lido maravilhas a respeito de BAD REPUTATION no IMDB e em outros sites. A maioria dos comentários dizem que ele é um grande retorno do "rape and revenge", subgênero esquecido que marcou o final dos anos 70 cujo mais famoso exemplar é o barra pesadíssima A VINGANÇA DE JENNIFER (aka Day of the Woman, 1977). BAD REPUTATION foi realizado em 2005 e passou por diversos festivais até ser lançado nesta semana em DVD na terra do Tio Sam. O filme fala sobre uma garota que é convidada para uma festa e acaba sendo estrupada por três rapazes. Para piorar a situação, ela passa a ser conhecida como a piranha da colégio e parte para uma sanguinária vingança.

Os comentários são muito animadores. Um deles ainda diz que BAD REPUTATION é daqueles filmes onde a gente sente pena dos vilões hehe. Vamos conferir, compañeros!


Trailer de BAD REPUTATION

sexta-feira, agosto 03, 2007

Homenagens Póstumas

Mesmo nesta fase mais light do blog que caracterizou as últimas semanas com comentários sobre filmes de terror, tralhas e cinema de ação, não dá para não deixar de prestar uma pequena homenagem a essas três perdas que tivemos recentemente.

Michel Serrault


1928 - 2007

Ingmar Bergman


1918 - 2007

Michelangelo Antonioni


1912 - 2007

Primeiro trailer de MISSIONARY MAN

Estamos no ansioso aguardo de MISSIONARY MAN, que já entrou em fase de pós-produção. Só essas duas frases da sinopse dele no IMDB fazem com que qualquer fã de faroeste italiano suba pelas paredes: "A mysterious stranger rolls into town on a unique motorcycle. All he carries is the bible and a desire for justice."



MISSIONARY MAN está previsto para sair ainda este ano pela Sony Pictures, provavelmente em DVD.

Directed by Dolph Lundgren

Quem diria que Dolph Lundgren seria uma revelação do cinema de ação também atrás das câmeras? Comento a seguir os dois filmes dirigidos e estrelados por ele que já foram lançados aqui no Brasil em DVD.

O DEFENSOR (The Defender, 2004, USA/UK/GER/ROM)


Um filme que tem Jerry Springer fazendo o presidente dos EUA é algo que só vendo para crer. Talvez em outras mãos, O DEFENSOR seria esculhambação pura, chegando ao nível das tralhas que Steven Seagal anda fazendo. Lundgren viu que essa era uma boa chance para dar um novo rumo à sua carreira e o resultado final deste projeto se tornou um dos títulos mais curiosos a chegar nas locadoras em 2005. Quem iria dirigir O DEFENSOR era o canadense Sidney J. Furie, mas este teve que abandonar o trabalho por problemas de saúde. O ator teve um bom relacionamento com o diretor ao fazerem AÇÃO DIRETA, onde ele acompanhou de perto todo o processo de produção do filme, algo que só faz aumentar a experiência de qualquer pessoa com cinema. Então Lundgren se revelou apto a topar a parada e os produtores nem correram um risco muito grande pela produção ser pequena e com locações limitadas.

O DEFENSOR mostra uma equipe de segurança de primeiro escalão comandados por Lance, um veterano da Guerra do Golfo vivido pelo próprio Lundgren, para proteger a Secretária de Defesa Nacional em um hotel na Romênia. Chegando no local que está sem ninguém além dela e da equipe, a moça se encontrará secretamente com uma pessoa importante para a iniciativa de paz promovida pelo Presidente por causa do forte clima anti-terrorismo instaurado no país. É só o encontro se concretizar para que um grupo de rebeldes armados invada o hotel com a intenção de executar sumariamente todo mundo que está lá dentro.

Lembrando ASSALTO À 13ª DP pela trama passada num cenário limitado com invasores misteriosos, a ação e a tensão não cessam até o final. Só de vez em quando é que o Presidente e os responsáveis pela súbita invasão aparecem em cenas com mais diálogo. Os protagonistas não conseguem arranjar muito tempo para bater papo. Se você apenas quer um filme de ação bruto, violento e de ritmo acertado, O DEFENSOR não desaponta. Tem seus pontos fracos, é verdade. Agora a qualidade da ação compensa a traminha meio insossa e as patriotadas ridículas que poderiam ser evitadas. Creio que ele junto com o VINGANÇA (Wake of Death, 2004) do Van Damme fazem o par das fitas do gênero lançadas direto em vídeo mais legais de 2005.

CONFRONTO FINAL (The Mechanik aka The Russian Specialist, 2005, GER/USA)


Em menos de um ano após O DEFENSOR, CONFRONTO FINAL já estava sendo lançado nas locadoras brasileiras. Pense num filme difícil de achar aqui em Recife, tive de pegar uma cópia da turma do Capitão Gancho que tinha ele dublado. Me sujeitei a vê-lo assim mesmo, só que o ignorante que autorou o disco deletou as legendas em português disponíveis para a dublagem nas falas em russo. Aí tive de ficar adivinhando o que os bandidos falavam na maioria das vezes.

No início, vemos o protagonista Nikolai Cherenko (quase que esse sobrenome era outra coisa...) perdendo a sua família durante um tiroteio decorrente de uma negociação de drogas. O mafioso responsável pela tragédia consegue fugir, só que ele não contava que Nick era um ex-membro das Forças Armadas Russas. Numa madrugada, Nick acaba com todos os homens que acompanhavam o criminoso e ainda dá um balaço na cara do sujeito. Isso tudo acontece em menos de 10 minutos de filme!

Depois desse evento, o homem imigra ilegalmente para os Estados Unidos querendo começar uma nova vida. Lá, Nick trabalha numa oficina como mecânico (daí o título original) e recebe uma missão de uma rica senhora que sabe muito bem quem ele é. Ela lhe diz que sua filha foi vítima de um sequestro por parte de uma poderosa gangue russa. Nick reluta inicialmente, mas a moça acaba mostrando para ele numa foto quem é o responsável pela infelicidade dela. Sim, exatamente o sujeitinho que ele pensara ter matado anos antes na Rússia. Foi o gás que estava faltando para Nick largar tudo e voltar para o seu país natal. Se ele já iria atrás do nojento de graça, imagina agora bem financiado? hehe.

Enquanto O DEFENSOR é uma fita bem simples e direta com um certo clima dos filmes da Cannon, CONFRONTO FINAL (títulozinho genérico e repetido ainda por cima...) em tudo nos remete aos filmes de vingança feitos nos anos 70. Tá na cara que eu achei ele lindo, não é? A fotografia de cores meio chapadas de Ross Clarkson (de O LUTADOR, outro filme raramente bacana da Nu Image) salienta ainda mais as reais intenções de Dolph ao dirigir a produção. A influência de Sam Peckinpah nas cenas de tiroteio é absolutamente inquestionável. Até os típicos closes nas feridas sendo abertas por bala estão lá. Quem também atua no filme é Ben Cross (também de O LUTADOR) como William Burton, um americano beberrão que é apaixonado por uma prostituta e ajuda o personagem de Dolph na missão. Ele se responsabiliza por um saudável alívio cômico, que acho sempre bem-vindo quando se é efetivo. CONFRONTO FINAL ficou ainda mais legal na revisão que fiz para escrever essas linhas, o que geralmente encaro como um sinal de que o filme é mesmo bom.

Agradecimentos ao Otávio Moulin pelo ótimo post a respeito do último filme e de um professor muito curioso em seu blog.

domingo, julho 29, 2007

Relembrando um clássico... CREEPSHOW (Idem, 1982, EUA)


Um pai (Tom Atkins) recrimina o filho por ele viver lendo uma revista de quadrinhos com histórias de terror. Ele toma ela das mãos do garoto e a joga no lixo. Enquanto o pai e a mãe dele estão na sala, a criança sorri com a aparição de uma sombria figura esquelética na janela do seu quarto. Assim começa CREEPSHOW, que se inspira nos quadrinhos da EC Comics. O filme é dirigido por George A. Romero e roteirizado pelo escritor Stephen King, que também atua nele.

Com nada menos que 6 histórias (se contarmos o prólogo e o epílogo), esse inesquecível programa de 2 horas de duração marcou demais a geração de cinéfilos dos anos 80 e a minha também pelas suas reprises no extinto Cine Trash. O elenco tem atores como os veteranos Hal Holbrook, Fritz Weaver, Leslie Nielsen, E. G. Marshall e Adrienne Barbeau. Ed Harris e Ted Danson podem ser vistos aqui mais jovens do que de costume. O mestre Tom Savini cuida dos excelentes efeitos especiais.

Acredito que esse filme deve fazer parte da memória afetiva de muitas pessoas. É impossível ele não ser mencionado em qualquer papo cinéfilo de mesa de bar onde todo mundo inventa de lembrar de alguns filmes de terror que marcaram a nossa infância e adolescência. Não demora minutos para vir aqueles "Pô, tu se lembra daquele onde um matuto toca num meteoro e se ferra bonitinho?" ou "Sabe aquele do monstro que vive numa caixa e que depois sai dela pra comer gente?". Aí logo depois vem alguém dizendo: "Porra, vocês tão falando de um filme só... do CREEPSHOW!".

Segue abaixo uma rápida sinopse das histórias com pequenos comentários:

1 - DIA DOS PAIS: Uma família se vê às voltas com as memórias do seu odiado patriarca.

Acho essa a mais fraca, apesar de divertir mesmo assim. Quem aparece aqui é o jovem Ed Harris, já um pouco calvo.

2 - A MORTE SOLITÁRIA DE JORDY VERRILL: Um autêntico caipira (Stephen King, perfeito) tem uma surpresa ao ver que um meteoro caiu na frente da sua casa. Ele inventa de tocar nele e realmente acaba se ferrando bonitinho.

Atraente pela sua comicidade, pela atuação de King e pelo inevitável trágico desfecho, essa história é uma das mais lembradas. A maquiagem de Savini é um de seus pontos altos.

3 - INDO COM A MARÉ: Amantes tornam-se vítimas de sádica vingança do marido traído.

Previsível, mas de imagens marcantes. Duelo de atuações entre Leslie Nielsen (inesperadamente odioso) e Ted Danson não desaponta.

4 - A CAIXA: Um professor universitário está cheio do seu casamento patético. O amigo de trabalho dele encontra uma criatura sanguinária dentro de caixa escondida no campus da universidade.

A história principal do filme e minha favorita. Com cerca de 30 minutos de duração, ela certamente é responsável por grande parte da fama de CREEPSHOW. Atuações irrepreensíveis de Hal Holbrook, Adrienne Barbeau e Fritz Weaver dão credibilidade ao material. Ela é muito lembrada pelos fãs também por causa do design do monstro e diálogos memoráveis.

5 - VINGANÇA BARATA: Homem poderoso que tem medo de baratas sofre com o repentino aparecimento destes insetos no seu apartamento.

Passada em um futuro indefinido, o conto é um show particular do veterano E. G. Marshall. A segunda melhor história do filme se passa basicamente só com esse ator em um único cenário com pequenas participações de outros atores. De todas, essa tem mais a cara do diretor por criticar a questão da desigualdade social e olhar o futuro da humanidade de maneira negativa.

Romero estava inspirado quando colocou as mãos neste projeto. Em todas as histórias, ele faz questão que o seu expectador tenha a sensação de estar lendo o filme ao invés de apenas o assistindo. Vários elementos como aquelas pequenas observações acima dos quadrinhos são inseridos com regularidade. Ao início e final de cada história, a "revista" começa a ser folheada para chegar onde deve ser "lida". E uma imagem desenhada dos quadrinhos com balões ou não passa a se transformar aos poucos em sua recriação com os atores do filme e vice-versa. Iniciativas sutis como essa fazem extrema falta nas recentes adaptações de quadrinhos para o cinema. Elas primam tanto pelo exagero e estupidez que até parece que o espectador não tem a menor capacidade de saber que aquilo é uma produção do estilo. Haja paciência....

Sendo assim, CREEPSHOW é muito mais do que um simples filme dos anos 80 com pequenas, ingênuas e nostálgicas histórias de terror. É uma experiência cinematográfica inovadora que não tem medo de usar a beleza de sua despretensão para conquistar o espectador, seja ele fã de terror ou de cinema mesmo.

Agradecimentos especiais ao amigo Douglas Nascimento pela cópia.

Steven Seagal em O HOMEM SOMBRA (Shadow Man, 2006)




Sou mais me divertir com um filmeco estúpido como esse do que encarar uma reprise de TERRA EM TRANSE!

Crédito pelas imagens: Gregory Conley, do excelente site Your Video Store Shelf.

terça-feira, julho 24, 2007

Dois trailers: O primeiro é falso e o outro é mesmo de um filme, por incrível que pareça...

URBAN BLACKOUT:

Dica do Renato Doho



TRASHIX:

O aguardado primeiro longa da Bafo Movies

A MANSÃO MARSTEN (Salem's Lot, 2004, EUA)


No dia de Ação de Graças, um mendigo entra em uma missão onde o padre Donald Callahan (James Cromwell) e outros voluntários estão distribuindo refeições para pessoas necessitadas como ele. No momento em que a sua vez chega e seu prato de comida é entregue, ele parte em cima do padre. Durante a briga, esse homem dá um tiro de revolver na barriga do sujeito e os dois caem da janela do local que tem uma altura considerável em cima de um carro da polícia. Ambos estão em estado grave ao serem socorridos num pronto-socorro pelos ferimentos sofridos. O mendigo é idenficado como Ben Mears (um Rob Lowe melhor do que o de costume), um escritor nova-iorquino de 37 anos. No corredor do hospital, um enfermeiro pede que esse paciente lhe diga a razão pela qual ele como um bom cristão não o deixaria pra morrer ali mesmo pelo ato que cometeu. Ben responde: Jerusalem's... Lot.

Assim começa A MANSÃO MARSTEN, um surpreendente telefilme de 180 minutos de duração que não nega fogo até o seu final. No final da noite de um sábado qualquer deste mês de julho, coloquei o DVD dele pra assistir e disse a mim mesmo que só iria ver 1h30min dele para continuar no domingo. Quando esse tempo chegou, eu tava achando aquilo tudo tão bacana que decidi ver só mais meia-horinha. Acabei vendo tudo de uma vez só. E não duvido nada que isso venha a acontecer com outras pessoas.

Feita pela TNT e Warner Bros. Television a partir do famoso livro de Stephen King, a produção tem o pouco conhecido Mikael Salomon na cadeira de diretor. Já é possível notarmos uma boa dose de inspiração de Salomon antes mesmo dos 8 primeiros minutos de duração do filme, onde alguns dos outros personagens são apresentados. Não sou um cara que costuma vibrar com técnicas, mas fiquei fã de uma tomada executada em menos de 30 segundos aos aproximados 7 minutos de exibição. O espectador acompanha grudado na cadeira a história que marcou o retorno de Ben Mears à sua cidade-natal, a pequena e calma Jerusalem's Lot. Mears volta a ela depois de tanto tempo para trabalhar num livro sobre a mansão dos Marsten, o lugar onde houve um sinistro evento na sua infância que ele nunca conseguiu esquecer.

O elenco chama a atenção. Já falamos de Lowe e Cromwell, só que temos também André Braugher, Samantha Mathis, Daniel Byrd, Donald Sutherland e Rutger Hauer. Esses dois veteraníssimos atores cujos desempenhos sempre são prazerosos de assistir fazem Richard Straker e Kurt Barlow (Rutger Hauer, que escolha feliz!!), os misteriosos parceiros de negócios que trouxeram um Mal na sua chegada a Jerusalem's Lot que fará muitas vítimas. O formato de especial pra TV ou minisérie dividida em duas partes veio bem a calhar, pois a história dá destaque a muitos personagens além do Mears. Não digo que o filme é livre de defeitos. Nem li o livro que o origina também, mas não acredito que o personagem de Sutherland seja tão carente de um melhor desenvolvimento. Ainda há uma parcela de (d)efeitos especiais e algumas soluções apressadas que prejudicam o resultado final. Mesmo com as suas falhas, A MANSÃO MARSTEN é um belo filme que eu não posso deixar de recomendar fortemente para qualquer fã do gênero ou das boas adaptações cinematográficas dos livros de Stephen King. Não é nenhum clássico, com certeza. Mas também não é todo dia que corremos o risco de passar 3 horas tão ligeiras em frente da televisão.

PS: 1- SALEM'S LOT também já teve uma outra adaptação também feita para a TV em 1979 e dirigida por Tobe Hooper. Talvez ela seja ainda mais conhecida do que esta mais recente por causa da marcante caracterização do ator Reggie Nalder como Kurt Barlow.

2 - O DVD desta versão de 2004 é ausente de extras em qualquer lugar do mundo. Uma pena.

Jim Wynorski e seus monstrengos fuleiros de CGI em mais duas tralhas

KOMODO VS. COBRA (Idem, 2005, EUA)


A julgar pela boa quantidade de comentários negativos de gente que levou esse filme a sério no IMDB, eu gostaria de fazer uma pergunta: Quem em sã consciência espera algo relevante vindo de um filme intitulado KOMODO VS. COBRA? E pior, aluga e compra pensando que vai ver uma produção milionária como o GODZILLA ou KING KONG. Eu perco tempo vendo coisas assim porque várias vezes elas funcionam melhor do que muita comédia para mim. Poxa vida, não sei o motivo de tanta gente ficar puta da vida quando viu aquele dragão de Komodo e aquela cobra de proporções gigantescas de CGI dos mais vagabundos. O negócio é tão ridículo e a cara de pau de Wynorski em colocar esses monstros mal feitos correndo atrás dos atores é tão grande que só mesmo quem for muito mal humorado pra não rir uma vez só deste filme.

Na trama, um grupo de ambientalistas idiotas vai para uma ilha considerada deserta onde funciona um laboratório secreto do governo. É nele que tem sido realizados vários experimentos com propósitos militares em animais. Quando eles chegam no local, percebem que tudo saiu do controle com o aparecimento de um dragão de Komodo e uma cobra gigantes que devoraram a equipe que trabalhava no laboratório. Só lhes resta sair do local da mesma maneira que vieram, mas desta vez o grupo terá de encarar a floresta com mais esses dois perigos. O filme se resume mesmo a isso, com algumas pessoas sendo devoradas e outras sobrevivendo até os poucos restantes chegarem ao final. Tudo é muito ingênuo e a violência também é mínima, fazendo lembrar um pouco dos antigos filmes do subgênero. E isso fica reforçado pela evidente participação dos militares e do governo na história.

O líder do elenco é ninguém menos que Michael Paré. Sim, o mesmo de RUAS DE FOGO e EDDIE, O ÍDOLO POP. Depois ele passou a se especializar em filmes B como MERCADORES DA MORTE, um dos filmes mais vagabundos da Nu Image cheio de cenas de outras fitas da produtora copiadas e coladas nele. Paré também se envolveu com Jim Wynorski em A VINGANÇA DOS GÁRGULAS e Uwe Boll em SANCTIMONY.

SHOCKWAVE (Idem aka A. I. Assault, 2006, EUA)


Esse é melhorzinho que o KOMODO VS. COBRA, mas também não deixa de ser uma tralha. O curioso é ver o roteiro explorando basicamente a mesma situação: grupo de pessoas dentro de uma ilha tenta sobreviver de ameaças gigantes. Reciclagem pura, só que aqui os monstros são outros... robôs com inteligência artificial muito desenvolvida.

Apenas duas coisas chamam mais a atenção:

1 - A quantidade inesperada de vários atores conhecidos do cinema e TV fazendo participações especiais. Ao me deslumbrar por ver os nomes de Robert Picardo, George Takei, Michael Dorn, Bill Mumy, Tim Thomerson e Alexandra Paul tive a certeza absoluta que eu ainda possuo um sangue nerd dos mais fortes correndo nas veias. Alguns fazem pontas mesmo, enquanto outros vivem personagens periféricos. Esse tipo de personagem costuma ter uma participação limitada em termos de tempo e ele costuma aparecer de vez em quando durante algumas cenas de um filme. Tipo o Sam Shepard em FALCÃO NEGRO EM PERIGO, entende?

2 - Uma vez picareta, sempre picareta. A cara de pau do Wynorski não sossega aqui também. O design dos
robôs é parecidíssimo até demais com os das naves alienígenas que atacam as pessoas na nova versão de A GUERRA DOS MUNDOS dirigida por Steven Spielberg. Os efeitos de CGI estão melhores aqui e podem ser aceitos com mais facilidade pelos desinformados que não sabem o que alugam.

Os protagonistas são um bando de canastrões que eu nunca vi na vida, tirando dois carinhas que também participam de KOMODO VS. COBRA. Não tenho intenção de perder um pouco mais de tempo escrevendo a sinopse de um filme que é basicamente a mesma coisa do outro, sendo que um pouquinho melhor produzido. Agora o DVD da Focus Filmes para este título que tem um dos piores FOOLSCREEN que eu já vi em toda a minha vida. É um negócio de doer mesmo. O logo da CINETEL FILMS fica na nossa telinha assim mesmo como descrevo a seguir, veja só (metade do C INETEL FIL metade do M). E quando o nome do filme aparece depois do prólogo, o E de SHOCKWAVE por pouco não sai do cantinho direito da tela. Nem uma bagaceira como essa nos tempos de hoje é digna de um tratamento tão miserável pra ser vendido para as locadoras a um preço tão elevado. Depois os sócios desta e de outras distribuidoras brasileiras que agem de forma parecida ficam se perguntando o motivo pelo qual a pirataria esteja tão em alta...

Concluindo, esses dois filmes podem ser mesmo considerados perda de tempo e eles ainda são capazes de afetar a sua saúde mental ao fritar alguns neurônios de quem os assiste. Veja por sua própria conta e risco, ok? Saibam que eu já estou sofrendo deste mal por nem mesmo saber porque escrevi sobre eles aqui... :-)

PS: Wynorski assina ambos como Jay Andrews, o seu pseudônimo mais conhecido.

terça-feira, julho 17, 2007

Hoje vai ter uma festa...

2007 tem sido um ano de fortes emoções cinéfilas e pessoais. Dentre elas, destaco algumas das mais marcantes que me vieram à mente neste momento. Até agora eu posso dizer que:

- Vi o destemido Rocky Balboa / Sylvester Stallone lutando bravamente contra todo mundo que sempre o achou ridículo.

- Acompanhei de queixo caído a insólita aventura passada pelo rebelde pistoleiro El Topo.

- Li meu nome relacionado a este blog num jornal da minha cidade.

- Fiquei feliz de ver o VÁ E VEJA sendo lido e recomendado por várias pessoas cuja opinião já era respeitada por mim um bom tempo antes da sua criação.

- Tive minha primeira experiência em um estúdio de TV tentando comandar uma equipe atrás das câmeras.

- Olhei um texto meu publicado em um site que venero chamado BOCA DO INFERNO várias vezes para perceber que eu não estava sonhando.

- Fui chamado de "jovem animal de cinema" pelo amigo e crítico pernambucano Luiz Joaquim na seção de links em seu site CINEMA ESCRITO.

- Numa tela de cinema, vi os dizeres "Directed by Abel Ferrara" e "Directed by John Cassavetes" pela primeira vez na minha vida. E espero que essas ocasiões se repitam mais vezes.

- Assisti um belo filme nacional projetado numa das minhas salas favoritas na cidade apenas para mim.

Nada fraquinho esse 2007 está sendo, não é? Só acho que ele seria melhor se eu saísse do desemprego para estar em algum lugar onde poderia ter mais uma boa experiência de trabalho e que meus acessos à Internet não tenham tanta diferença de tempo. Lá em casa eles estão impossíveis. É por causa disso que tenho dado umas fuleiradas nas leituras e nas caixas de comentários dos blogs amigos que gosto tanto de visitar. E é por isso também que deixei de dar meus parabéns virtuais aqui no blog ao companheiro de luta Fernando Vasconcelos pelos seus 7 anos de atividade cinéfila através do KINEMAIL. Ainda bem que sempre temos nos falado e pude desejar isso através do telefone. Marcelo Carrard também ficou sem parabéns pelos 3 anos de seu belo trabalho no MONDO PAURA. Meu amigo paulista, saiba que seu blog ainda vai ter mais fãs do que ele já tem. A ZINGU! também não contou com meus anúncios de suas duas últimas atualizações pelo simples fato que minhas duas últimas atualizações foram feitas numa correria só, diferente de agora.

Meus amigos e amigas, hoje o VÁ E VEJA completa o seu primeiro ano de existência. Até parece que foi ontem que tomei a decisão de entrar no Blogger e criar uma conta nele para ter um lugarzinho na Internet só meu onde falaria um pouco sobre tudo, não só sobre cinema e audiovisual. O tempo me mostrou que essas artes que não iriam dividir muito o seu espaço com outras, mas que iriam acabar lidando com várias situações da vida em que me encontrei durante esse inesquecível período de 1 ano no controle de um blog.

Eu sei que já tive dias mais inspirados onde escrevia e atualizava esse espaço com várias coisas diferentes em uma única semana como dicas, lançamentos, notas, links de trilhas sonoras em MP3, vídeos no YouTube e etc. Mas como não tenho tido um contato melhor com a Internet, aqui está mais um blog sobre mim (justamente pelo aumento na vontade de se falar com as pessoas que esse pequeno sumiço dá) e com opiniões a respeito de determinados filmes do que nunca. Acho que o VÁ E VEJA é um blog camaleônico, que não sabe direito o que diabos significa linha editorial. Basta dar uma rápida olhada nos arquivos para confirmar isso. E o que dizer da última atualização? Não é em qualquer lugar que você pode ler comentários de um filme consagrado como O HOSPEDEIRO onde pouco abaixo temos os dois últimos filmes do Van Damme a saírem direto em DVD tendo o mesmo destaque hehehe. Mesmo sendo meio perturbadinho do juízo como o próprio dono, o VÁ E VEJA recebeu o total de 13.280 visitas desde a inserção de um contador apenas em fevereiro deste ano e os seus comentários na caixinha continuam vindo bem legais e instigantes. Isso é simplesmente demais!

Infelizmente não vai dar para me alongar mais por aqui pelo tempo na lan já estar chegando ao fim. Minha intenção era fazer um agradecimento especial com vários nomes neste post, mas você pode ter certeza de uma coisa:

Se você já me apoiou algum dia e tem me apoiado de várias maneiras com sua amizade, palavras de incentivo, bons papos, comentários, críticas, trocas de idéias, dividiu risadas e sorrisos comigo pessoalmente ou virtualmente, então considere o seu nome escrito nesta linhazinha aqui embaixo depois do agradecimento ó...

Muito obrigado, ___________________

Mensagem final meio brega, é verdade, mas de coração. Muito obrigado mesmo e até a próxima!

PS: Dedico o post ao meu pai, que também se chama Osvaldo e é o meu melhor amigo para todas as horas.

DRÁCULA 2: A ASCENSÃO e DRÁCULA 3: O LEGADO FINAL

Patrick Lussier e Joel Soisson, responsáveis pelo lamentável DRÁCULA 2000, entraram num acordo com a Dimension Films para filmarem duas continuações de menor orçamento deste filme que seriam lançadas no mercado doméstico. Ambas foram rodadas simultaneamente na Romênia, num esquema de produção já praticado faziam séculos pelo excelentíssimo Sr. Roger Corman. Para surpresa de quem estava detonando elas antes mesmo de saírem (eu incluso), elas acabam com o primeiro filme e são divertidas. Como assisti uma e revi outra delas esses tempos, aqui estou eu aproveitando a onda de filmes de vampiros deixada na última atualização.


Uma das coisas mais comuns de serem notadas pelas pessoas nas continuações baratas é a ausência de vários personagens (e atores, logicamente) do filme original em seus roteiros. Tudo faz parte da redução de custos da maioria destes filmes feitos para lançamento direto em vídeo. Filmar em países como Bulgária e Romênia também, pois eles contam com profissionais de qualidade no ramo que cobram mais barato pelos seus serviços do que os residentes nos Estados Unidos. Ainda tem o Canadá - onde muitas produções norte-americanas para cinema e TV (citando exemplos no gênero... o ótimo TERRA DOS MORTOS do tio Romero e a série MASTERS OF HORROR) são feitas - com leis de incentivo para ajudar projetos que escolhem o país para ser usado como cenário. Lembra-se de SEXTA-FEIRA 13: PARTE 8? A Nova Iorque que aparece na conclusão do filme é Vancouver.

Como foi dito antes, DRÁCULA 2 e 3 foram feitos como um filme único de aproximadamente 3 horas de duração. Então o que o expectador vai ver aqui são dois filmes com uma única história e personagens, mas de estilos e opções diferentes. Isso foi algo neste projeto que me surpreendeu positivamente. É por isso que tem gente que curte mais um deles do que o outro ou que achou um intragável e se divertiu mais com o anterior / o próximo. Eu gostei de conhecer os dois, apesar dos títulos não serem nada bons. Eles diminuem as clássicas versões que foram feitas do imortal livro de Bram Stoker. Sei que ficaria ridículo, porém creio que um DRÁCULA 2000 3 soa mais honesto do que um DRÁCULA 3.


DRÁCULA 2 é o mais simplório dos dois filmes, embora não deixe de divertir e de ser uma pequena surpresa. A primeira coisa que salta aos olhos é a diferença da atmosfera deste para o do DRÁCULA 2000 logo na abertura. Ela contém a memorável apresentação do padre Uffizi, vivido por Jason Scott Lee (de DRAGÃO: A HISTÓRIA DE BRUCE LEE). Terminada essa cena, somos apresentados aos outros personagens que cometerão uma senhora burrada para fazer Uffizi entrar em ação. Trata-se de um pequeno grupo de universitários que é reunido por dois deles chamados Luke (Jason London) e Elizabeth (Diane Neal, uma tremenda gata). Os jovens trabalham num necrotério e encontraram um misterioso corpo carbonizado que eles suspeitam ser de um vampiro. Quem viu DRÁCULA 2000 sabe que o vampirão morre desta maneira no seu final. Quem não perdeu tempo vendo ele também não se sente perdido, já que vemos apenas um cadáver esquisito entrando na trama.

Como Luke recebeu a ligação anônima de um homem oferecendo a quantia de $ 30 milhões, a dupla chama Lowell (Craig Sheffer, de HELLRAISER: INFERNO) - um professor deficiente que é namorado de Elizabeth - e mais dois amigos da universidade para ajudarem eles e assim dividirem a bolada. Todos vão para uma casa no meio do nada e inventam de colocar o cadáver numa banheira cheia de sangue. Aí já viu, né? Depois que um dos atores do filme tem sua participação literalmente eliminada, quem aparece é Eric (John Light), o representante do interessado no Drácula renascido (interpretado por Stephen Billington, bem melhor que o Gerard Butler). Enquanto a merda começa a bater no ventilador, Uffizi fica cada vez mais próximo de encontrar o grupo. O final desta história é belo e sombrio. Ah se eu tivesse visto essa conclusão na época do lançamento... do jeito que sou, eu simplesmente teria vibrado mais do que vibrei. Só não fiz isso porque sabia que a história seria continuada dali, mas esse final também funciona como um bom desfecho pro filme. E como funciona.


Agora é a vez de falarmos do DRÁCULA 3. Esse daqui é fácil, fácil, um dos meus diretos pra vídeo favoritos. Diferente do DRÁCULA 2, aqui vemos a Romênia em toda a sua glória. Para vocês terem uma idéia do visual, saibam que o filme foi realmente rodado na Transilvânia. Se o diretor de fotografia Doug Milsome fez um trabalho legal no anterior, neste o cara faz um estrago considerável. O roteiro também é superior. Ele segue os dois sobreviventes do filme anterior indo para a Transilvânia com o propósito de resgatar Elizabeth das garras de Drácula (vivido desta vez pelo nosso querido Rutger Hauer). Entram em cena outros personagens como uma jornalista de TV que está cobrindo a ação de um grupo rebelde e uma gangue que seqüestra pessoas pobres da região para vendê-las ao Drácula e suas crianças da noite.

Quem faz uma rápida aparição nos dois filmes é outro dos meus atores favoritos: Roy Scheider. Pena que seu tempo em cena como o Cardinal Siqueros neles se resume a uns 2 minutos dele em cada filme. Mas isso não faz com que os distribuidores deixem de colocar seu nome e rosto nas capinhas dos DVD's para chamar a atenção. Se bem que hoje são poucas as pessoas que conhecem e gostam de Roy Scheider. Agora é inegável que a presença dele dá um charme e ajuda a subir o nível dos filmes.

É fácil se desapontar com ambos os filmes caso busque neles bem mais do que uma boa diversão. Antes de assisti-los, por favor, deixe o tradicionalismo de lado. Mesmo assim, a mitologia deste personagem tão amado, querido e odiado na mesma intensidade que é Drácula tem mais respeito aqui. Também achei a parte técnica deles bem bacana para um "direct-to-video" assumido. A cinematografia de Douglas Milsome, os efeitos de Gary Tunnicliffe (maquiagem) e Jamison Goei (computação gráfica) são notáveis considerando o orçamento e o tempo que eles tiveram. De qualquer maneira, os dois dão um banho em coisas como o próprio DRÁCULA 2000, BLADE 3 e é muito melhor até ver eles em seguida do que encarar uma reprise de qualquer um dos três SENHOR DOS ANÉIS.

Sobre os DVD's e curiosidades:

- DRÁCULA 2: A ASCENSÃO é distribuído pela Europa Filmes e está com imagem em FULL. Surpreendentemente, ele contém extras como cenas deletadas, trailer original e vídeos de alguns dos atores sendo testados para seus papéis. Mas o que realmente importa neles é a faixa de comentários em áudio (com legendas em português disponíveis) com o diretor e co-roteirista Patrick Lussier, o produtor e co-roteirista Joel Soisson e o responsável por efeitos de maquiagem Gary Tunnicliffe, que também foi diretor de segunda unidade nos dois filmes. Achei os comentários bem divertidos e informativos.

- Já o DRÁCULA 3: O LEGADO FINAL é distribuído pela Videofilmes e está com imagem em FULL. Zero de extras, como todos os discos desta distribuidora.

- Me lembrei de uma coisa que o Carlos Afonso disse em sua resenha sobre o DRÁCULA 3 para o Erotikill quando escutei os comentários no disco do 2. Ele disse que o roteiro parecia fazer referência ao clássico APOCALYPSE NOW. Joel Soisson confirmou isso perto do final da faixa de áudio. Com isso em mente, não pude deixar de reparar que a estrutura dele é mesmo um pouco semelhante nesta revisão. Os personagens passam por toda uma jornada repleta de situações esquisitas para finalmente se encontrarem com aquele ser que todo mundo estava querendo demais ver depois de tanto ouvir sobre ele. Faz sentido.

sexta-feira, julho 06, 2007

DIÁRIO DE UM VAMPIRO (Vampire Journals, 1997, EUA)


Ted Nicolaou teve muita sorte em fazer este filme pouco antes de uma crise financeira abalar a Full Moon. A partir de 98, mais e mais filmes de baixíssimo orçamento e qualidade feitos nas coxas acabaram ainda mais com a credibilidade que o pequeno estúdio tinha com os fãs do cinema de terror. Basta lembrarmos das continuações que a série PUPPET MASTER teve, eles poderiam ter parado muito bem no terceiro.

Nicolaou é mais lembrado pela série SUBSPECIES e por VISÃO DO TERROR, todos com constantes reprises no saudoso Cine Trash. Em DIÁRIO DE UM VAMPIRO, ele novamente filma na Romênia, um país cujas belas locações já garantem uma boa dose da atmosfera aos filmes feitos lá. Na trama, Zachary (David Gunn) é um caçador de vampiros que também é um, ou seja, um verdadeiro Highlander da espécie. A voz do personagem conduz o espectador pelo filme que conta a história de sua perseguição ao poderoso vampiro Ash (Jonathon Morris, teatral demais) e o seu fascínio por Sofia (Kirsten Cerre), uma jovem pianista que também chama a atenção do rival.

O roteiro do próprio Nicolaou é realmente bom e ele ainda dribla as limitações do baixo orçamento com competência. Mas a produção peca pelo elenco, composto por atores bem fracos. O que temos então são atuações pouco convincentes em um filme que tinha tudo para ser melhor conhecido. Mesmo assim, DIÁRIO DE UM VAMPIRO tem seu lugar entre as pérolas da Full Moon. A beleza gótica da produção - aliada a momentos inspirados do diretor e do cinematógrafo Adolfo Bartoli - é tamanha que ele não parece ser um filme B.

O HOSPEDEIRO (The Host, 2005, COR)


Um dos filmes especiais que fizeram o seu companheiro aqui sair do cinema em completo estado de graça. Mesmo tendo recebido uma notícia frustrante naquele domingo, não me fiz de vencido e disse a mim mesmo que a minha noite teria uma sessão de O HOSPEDEIRO, um filme aguardado por qualquer fã de cinema que se preze. A Internet frescou logo naquela hora, aí telefonei para um amigo que também gosta muito de cinema, batemos um pequeno papo e aproveitei o momento para perguntá-lo se ele tinha os horários deste filme de monstro coreano que eu queria tanto ver. A resposta foi um sim. Depois de o agradecer e com o horário certinho na cabeça, me aprontei e fui direto pro Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, a única sala de Recife que está passando o filme.

Me lembro de ter lido o Marcelo Carrard reclamando da distribuição da Pandora Filmes em seu MONDO PAURA. Será que essa maravilha de filme só tem uma cópia em circulação no país inteiro? Se isso for verdade, é uma pena. Eu não sei ainda porque ele apenas tem entrado em cartaz nos cinemas alternativos. Será que isso só acontece por ele ser uma grande homenagem ao seu subgênero que até hoje é visto com preconceito? Por ser um filme que goste e tenha respeito pelos seus personagens que agem e pensam como seres humanos? Eu não consigo engolir as tentativas de se explicar essa injustiça que eu já li na Internet. O HOSPEDEIRO merece demais uma chance no circuito comercial mesmo, porque seria muito bom ouvir a reação do pessoal acostumado com um arremedo de filme como HOMEM-ARANHA 3.

Em O HOSPEDEIRO, o espectador acompanha a inesperada história de uma família coreana nada convencional às voltas com os ataques de um girino gigante dentro de sua cidade. O monstro foi criado a partir do irresponsável despejo de substâncias tóxicas em um grande rio da Coréia, portanto, o filme também retorna com aquele tema clássico da natureza dando o troco na sociedade. Eu vibrei logo no pequeno início, onde toda a história é apresentada. Motivo: a primeira data que aparece é 09 de fevereiro de 2000, meu aniversário de 15 anos. Me senti homenageado sem ser hehe.

O pai da família é vivido pelo grande Song Kang-ho, uma figura que já pode ser notada facilmente por quem acompanha os filmes coreanos que estão sendo lançados aos poucos no Brasil. Ele está em ZONA DE RISCO de Chan-wook Park e MEMÓRIAS DE UM ASSASSINO, do Bong Joon-ho, mesmo diretor de O HOSPEDEIRO. Esse homem é tão monstruoso quanto a ameaça vinda do rio em seu filme. Eu já tinha ouvido falar deste cineasta quando vi o MEMÓRIAS... e o achei tão bom que fiquei criando expectativas para ver o que ele faria com um subgênero até esquecido. O coreano detonou, é claro. Contrariando outros exemplares do subgênero, o ataque do monstro acontece pouco antes dos 10 minutos iniciais da projeção. E ele aparece todo!! Outra coisa incrível é que muito da nossa atenção não se volta para o monstro em si, mas para o forte relacionamento vivido pelos membros daquela excêntrica família. O HOSPEDEIRO é diferente por causa disso e de vários outros fatores. O filme tem um drama muito eficiente, uma comicidade impagável e até satiriza com a política da própria Coréia do Sul e de um país ocidental que quer porque quer ser a polícia do mundo. Não vou dizer o nome dele, mas acho que dá para adivinhar, não é? :-)

E sabem qual é a cereja do bolo? Além de ser tão rico, bem narrado e puro cinema, O HOSPEDEIRO é muito, muito despretensioso. Acredito que seja por causa disso que ele vem conquistando mais e mais cinéfilos. O filme merece.

Notas:

1 - Esse filme lindo tem a sua detonação garantida em mais um dispensável remake americano que será realizado.

2 - O único resgate que o subgênero dos filmes com monstros gigantes estava tendo recentemente foram os filmecos dirigidos por gente do naipe de Mark L. Lester, Jim Wynorski, Fred Olen Ray, John Terlesky e Richard Pepin pra TV e lançamento direto em vídeo. Alguns divertem mesmo sendo ruins, enquanto outros são puro lixo. Mas esse é um outro assunto que irei explorar aqui nessas férias de julho. Um mês mais "light" como esse pede mais descontração de todos nós. Vai ter gente se lembrando do Erotikill e dos comentários bem-humorados que o Carlos Afonso fazia dessas tralhas. Bah, só de eu me lembrar daquela época agora, fiquei emocionado. :)

HOMEM-ARANHA 3 (Spider-Man 3, 2007, EUA)


O fã de cinema estranha quando vê um filme com elenco estrelar indo parar direto nas locadoras. E ele deve ter estranhado da mesma maneira quando soube que dois dos filmes mais esperados por legiões de espectadores preferiram não receber a opinião da crítica especializada. A primeira coisa que vem à mente é a de que existe alguma coisa errada com essas produções. Um deles, HOMEM-ARANHA 3 estreiou nas salas comerciais com a reputação de ser o filme mais caro já feito até hoje. Apenas aí já temos uma certa arrogância dos executivos dos estúdios hollywoodianos para o seu próprio público, pois orçamentos milionários não garantem bons filmes. Segundo eles, o que o povo quer assistir é o Homem-Aranha pulando de prédios em prédios, enfrentando bandidos e Mary Jane vivendo um romancezinho careta com o nosso herói, não é?

Por isso, pela primeira vez em muito tempo, o diretor Sam Raimi também participou do roteiro ao lado do seu irmão Ivan com a colaboração do veterano Alvin Sargent só para todo mundo ficar feliz e botar mais dinheiro no bolso. Bom cinema de entretenimento não pode ser feito assim. Qualquer filme, por mais despretensioso que ele seja, precisa de um bom roteiro, atuações convincentes do elenco e uma mão segura na direção. HOMEM-ARANHA 3 não tem nada disso. Em seu resultado final, temos um filme fraco e de duração excessiva (mais de 133 minutos, sem os créditos finais) que fica a léguas de distância dos seus antecessores. Piorando a situação, empurraram três vilões dentro de um único filme. Assim não tem como haver um mínimo de desenvolvimento destes personagens, que precisam de um bom espaço na trama para serem eficientes. O roteiro encerra uma situação de perigo envolvendo um deles e o herói para depois de uns 40 minutos o vilão voltar a aparecer. Citando um exemplo, temos o Venom, considerado um dos favoritos de quem se considera fã dos quadrinhos que inspiraram a série. Ele sai de cena da mesma maneira que chegou.

O filme também é culpado de nos fazer perder tempo com cenas que poderiam muito bem ter sido excluídas na hora da edição, como a cena passada numa casa noturna de Jazz & Blues e os muitos dramas da Mary Jane. Elas só nos fazem ter antipatia pelos protagonistas ao invés de se importar com eles. A Gwen Stacy (sim... ainda inventaram de colocar ela no filme) também está completamente desperdiçada. Tem ainda um confronto final que é ridículo de tão exagerado. No geral, HOMEM-ARANHA 3 sofre mesmo é pela visível falta de empenho da maioria dos envolvidos em fazer algo realmente bom, sem pensar em gastar logo uma boa quantia das grandes somas que ganharam para participar do filme. A série também se sai prejudicada por perder muito do encanto que ela vinha tendo nos cinéfilos, incluindo este que vos escreveu.

PS: Texto originalmente publicado no concurso relâmpago SEJA UM CRÍTICO da coluna CÂMERA CLARA do caderno Programa da Folha de Pernambuco, onde os leitores participantes poderiam escrever sobre HOMEM-ARANHA 3 e PIRATAS DO CARIBE 3. Ele sofreu um aumento com bem mais comentários furiosos sobre esse filmeco só para virar um post no blog.

Os dois últimos filmes do Van Damme

FORÇA DE PROTEÇÃO (The Hard Corps, 2006, EUA)


Eu não sabia e acabei pagando o pato. Quando percebi que FORÇA DE PROTEÇÃO era Van Damme num daqueles típicos filmes urbanos no estilo do Steven Seagal com cantores de rap no elenco tive vontade de tirar o DVD na mesma hora. Mas se eu o tirasse, não teria como comentá-lo aqui, então acabei vendo o filme todo.

O maior problema do FORÇA DE PROTEÇÃO é que o Sheldon Lettich não tem a menor noção do que um filmeco de ação feito pra vídeo precisa. A gente fica olhando altas vezes pro relógio por causa da elevada duração de 1 hora e 50 minutos!!! Se o roteiro compensasse nas cenas de ação ainda ia, mas nesse quesito o filme decepciona completamente. Quando tem, tudo acontece muito rápido. Até mesmo os tiroteios são fraquíssimos e sem a mínima emoção. Uma lástima.

Mesmo assim, achei ele um pouco melhor do que muitos filminhos desse estilo que já vi. Também pudera, Van Damme não faz 5 filmes por ano que nem o ganancioso do Seagal. O ator belga teve dois títulos lançados em 2006, ao invés de um, como costumava ser. Pelo menos, mesmo sendo fraquinho e sem muito interesse, FORÇA DE PROTEÇÃO não é nenhuma bomba como AGENTE BIOLÓGICO.

ATÉ A MORTE (Until Death, 2007, EUA)


Antes de FORÇA DE PROTEÇÃO, Van Damme fez SEGUNDO EM COMANDO com o diretor britânico Simon Fellows - de REENCARNAÇÃO (Blessed, 2003) e 7 SEGUNDOS. Em ATÉ A MORTE, a parceria se repete e o resultado dela é um filme de qualidade acima da média dos feitos por encomenda para lançamento nas locadoras. Van Damme mostra que pode atuar mais uma vez no papel do policial Anthony Stowe. Corrupto, alcóolatra, viciado em heroína e capaz de dar uma tacadinha numa prostituta nos fundos de um bar antes de ver a esposa, Stowe é obcecado em capturar Gabriel Callahan (Stephen Rea, pegando um chequinho pra pagar as contas), seu antigo parceiro da lei que se tornou um criminoso procurado. O que ele não esperava era que um incidente acontecido durante uma das suas noitadas fosse mudar o rumo de sua vida.

Há quem fique decepcionado com ATÉ A MORTE pela capinha do DVD dizer que o gênero dele é ação, coisa que não acredito que o filme seja. Para mim, ele é um drama policial que tem um dos protagonistas mais curiosos do cinema recente. Van Damme está tão bem (sim... estou falando sério) que no segundo ato da história, por incrível que possa parecer, o espectador passa a gostar do personagem. O restante do elenco está passável, mas não sei o que deu na cabeça do responsável pelo elenco de escalar a Selina Giles como a esposa de Stowe. Fazia tempo que eu não achava uma atriz tão fraca. Nem o Rea que pouco se lixa pra sua atuação chega aos pés dela em matéria de mediocridade. Assim como O LUTADOR (Undisputed 2, já comentado aqui no blog), há todo um clima de cinema oitentista, o que garante um charme extra. Simon Fellows fica tentando fazer umas meladas na edição querendo ser "muderno" de vez em quando, mas isso não me incomodou o bastante.

O filme lembra um melodrama esquecido do Mike Nichols com o Harrison Ford chamado UMA SEGUNDA CHANCE (Regarding Henry, 1991) onde o personagem principal passa por uma situação semelhante. Mesmo com alguns furos, ATÉ A MORTE consegue ser superior. Dá até pra esquecer que ele foi produzido pelos caras da Millennium Films. Outra coisa bem interessante é que o roteiro - assim como o dos filmes vindos de Hong Kong - não tem a menor pena dos personagens. E o Van Damme solta pelo menos duas frases de efeito que certamente devem fazer os fãs do cinema de macho irem ao delírio. Como diria o infame Borat... Nice!

Curiosidade: 1 - No DVD lançado pela Flashstar do ATÉ A MORTE tem o trailer do esperado filme coreano A CIDADE DA VIOLÊNCIA. Depois de assistir aquilo, não tem neguinho que fique sem querer que eles lancem isso o mais rápido possível!!

2 - ATÉ A MORTE é mais um filme do Van Damme que seria dirigido pelo Ringo Lam, se ele não pulasse fora por diferenças criativas com os produtores. Imaginem o estrago que esse monstrinho poderia ter feito com o material.

segunda-feira, junho 25, 2007

A FORTALEZA 1 e 2



A FORTALEZA (Fortress, 1993, EUA) é uma das minhas ficções-científicas favoritas dos anos 90. Longe de ser uma obra-prima, essa pequena pérola do grande Stuart Gordon continua tão divertida quanto na época em que suas reprises faziam sucesso no Domingo Maior. Me lembro de tê-lo visto pela primeira vez com uns 11 anos de idade. Não tive muito êxito para rever ele decentemente depois, mas algumas de suas fortes e marcantes imagens continuaram comigo sempre. Na recente revisão, vibrei quando vi essas imagens de novo e ouvi a música-tema da produção. Cinema é fascinante por causa disso. Até um filme que não é essas coisas pode se revelar capaz de nos trazer uma emoção inesperada como a que tive naquela noite de domingo.

O filme se passa no futuro pessimista (tinha que ser...) de um país não-identificado. Existe uma rígida lei de controle de natalidade nele que não permite que as pessoas tenham mais de 1 filho. Christopher Lambert é John Brennick, ex-líder de um grupo de rebeldes que é preso quando tentou atravessar uma fronteira com a esposa grávida pela segunda vez. O primeiro filho deles faleceu na tentativa de gravidez anterior, mas para o governo eles violaram a lei. Brennick é encaminhado para a Fortaleza, uma prisão subterrânea de segurança máxima dirigida por uma empresa particular. A instituição conta com um sistema de monitoração considerado infalível, mas o novo presidiário só pensa em fugir para se reencontrar com sua amada.

Interpretando outros personagens, temos Kurtwood Smith como o diretor da prisão, um Clifton Gonzalez Gonzalez bem novinho e Jeffrey Combs (uma figuraça, como de costume) fazendo dois dos parceiros de cela do Brennick. Vernon Wells (o Bennett - aka Freddy Mercury - de COMANDO PARA MATAR) faz uma participação especial que termina de maneira surpreendente. No seu íntimo, Gordon sabia que seu filme não seria nenhum clássico do gênero e se diverte horrores na condução de um roteiro bem simples, mas de boas idéias. As reviravoltas e revelações dele perto da conclusão realmente funcionam, ao contrário das forçadas de barra que alguns filminhos hollywoodianos querem que o espectador engula a todo o custo. E pior que tem gente que engole e ainda acha uma das sacadas mais geniais que já viu num filme, mas esse é um outro assunto. O que importa é que A FORTALEZA continua muito legal depois de tanto tempo e merece uma chance de quem busca uma boa e rápida diversão.



Esse não é o caso de A FORTALEZA 2 (Fortress 2: Re-Entry, 1999, EUA). Não bastava ter estragado HIGHLANDER com aquelas continuações absurdas, Christopher Lambert também embarcou nesta que é uma das mais desnecessárias já feitas. Mesmo com alguns dos principais nomes do filme original tomando conta da produção, não tem coisa que salve ele da obscuridade merecida por causa de um roteiro tão pobre e cheio de clichês. Para não entregar muito o final do anterior, vamos dizer que John Brennick acaba preso de novo anos depois e enviado a outra prisão de segurança máxima no espaço. A cagada já começa daí, pois essa não é mais a Fortaleza. Então o filme não deveria nem ser feito, pra início de conversa. A única coisa que os dois filmes tem em comum são Christopher Lambert (cuja carreira também foi pro espaço) e os produtores.

Para piorar a situação, o roteiro também é reciclado. Muita pouca coisa muda, até alguns personagens que contracenam com Brennick lembram os do primeiro filme. De legal, apenas Pam Grier, o injustiçado Nick Brimble (de Frankenstein Unbound, último filme dirigido pelo Roger Corman) e o fato de que as moças não estão mais separadas dos rapazes quando tomam banho. Dirigido por Geoff Murphy (Chantagem Fatal, Jovens Demais Para Morrer e A Força em Alerta 2 e etc), o filme infelizmente é só uma cópia barata e inferior do original e não posso recomendá-lo. Mas quem não viu o primeiro pode se divertir mesmo assim.

PS: Mais alguém acha que o título original do A FORTALEZA 2 parece ser o de um filme pornô?? Que mente maldosa a minha...

Falando um pouco de mim outra vez e sobre a realização do CINEMANIA

A minha auto estima não estava das melhores no início da semana passada. Na noite de sexta pra sábado, tive uma das piores noites de sono de minha memória recente. Eu andava reclamando a mim mesmo que nunca mais tinha sonhado, só que no lugar de sonho tive um pesadelo que realmente fez jus ao nome. Foi o bastante para o meu sábado não ser legal. Quando dei uma melhorada no domingo com a chegada do meu irmão de viagem e decido ir ao cinema da Fundação Joaquim Nabuco assistir ao O HOSPEDEIRO, tomei conhecimento de uma notícia que me deixou abalado antes de ir ver o filme. Não me fiz de vencido e fui pra sessão. Ver a insólita aventura daquela família coreana realmente foi algo bom que eu fiz. Aquele belo filme me deixou sorrindo sozinho durante a solitária volta para casa. Pena que na segunda de manhã manhã aconteceu exatamente a mesma coisa, tive mais outra notícia chata. Pra piorar a situação, o meu vídeo pifou terça-feira e perdi a fita original de APACHE BRANCO dentro dele. Ela simplesmente torou e a sua situação piorou de vez quando tentei dar um jeito no aparelho.

É isso aí, companheiros, agora é mesmo hora de falar da primeira experiência pessoal que tive com um programa de televisão. Ele era fictício, mas a felicidade e a satisfação sentidas em vários momentos foram muito verdadeiras. VÁ E VEJA tem sido mais pessoal do que eu queria esses tempos. Espero não estar afastando leitores com isso, pois tudo não passa de uma fase. Na segunda mesmo, tinha pensado em dar um tempo no blog, tipo umas duas semanas sem atualização. Só que o meu humor deu uma melhorada logo na noite de quarta-feira, apesar dele não ser o mesmo de antes, logicamente. Aí a vontade de falar com vocês voltou e este último final de semana deu uma compensada nas coisas chatas que me aconteceram. Vamos ao relato que eu estava devendo sobre essa experiência marcante que tive a partir do final do mês passado.

Aquela quinta-feira, dia 31, começou diferente dos outros dias de maio. Fui fazer um "check-up" cardiológico que estava marcado semanas atrás. Sabe como é... checar os batimentos cardíacos, tirar a pressão arterial, receber a notificação de quais tipos de exame de sangue o médico quer e etc. Isso logo no primeiro dia em que comando uma gravação em um estúdio de TV, até parece que alguém lá em cima estava adivinhando. Depois do almoço e de um pequeno descanso, fui para a faculdade me encontrar com Andréa Lima (apresentadora) e Renata Amador (assistente de direção e produtora) para ensaiarmos o roteiro da apresentação em estúdio. Depois chegaram Renato June e Thiago Sales, que também estão cuidando da produção. Aliás, todos os cinco membros do grupo tem feito isso de várias maneiras com textos, imagens e sugestões para o programa. Renato digitou o conteúdo dos blocos no teleprompter (substituto eletrônico dos cartazes onde o apresentador lê as informações, ao invés de decorar todo o texto) e Thiago estava lá pra nos ajudar assim que eu ou mais pessoas do grupo entrassem em pânico, algo bem provável de acontecer.

Logo no ensaio, tive a sensação de que o clima entre nós iria ser dos melhores. Tudo rolou de forma divertida e respeitosa, embora eu ficasse demorando mais do que o necessário para tomar algumas decisões. Renata me alertou várias vezes sobre isso e esses alertas me ajudaram bastante na hora do "vamos ver". Eu não consigo imaginar uma pessoa melhor do que Renata para me ajudar lá dentro do estúdio naquele dia. Ela foi demais e Andréa também não deixou a desejar. Paciente, tranqüila e bem-humorada, a nossa apresentadora venceu os problemas que a estavam incomodando naquele momento, como uma dor nas costas que estava sentindo e o uso de uma lente de contato que estava bem fraca e os seus olhos nunca mais tinham usado. Com tudo isso, Andréa ainda estava excelente. Modéstia a parte, isso era algo já esperado por mim desde quando nos falamos pela primeira vez sobre o projeto e sua predileção em ser a apresentadora dele. Eu fui muito sortudo, hein? GOD SAVE THE WOMEN!!

O ensaio prolongou um pouco mais do que devia e a nossa professora Fabiane Lucena chegou no estúdio antes de Renata e Andréa voltarem da preparação da apresentadora. Sabe como é... colocar uma roupinha mais descontraída, uma maquiagem básica e etc. Essa aparição repentina da professora foi o bastante pro nervosismo tomar conta de mim. Para piorar a situação, o áudio do estúdio não estava chegando na sala de controle, mas os técnicos da faculdade fizeram o máximo para consertar tudo em pouco tempo. Somando tudo, tivemos um atraso de quase 25 minutos no nosso horário de gravação. Imagine o estado deste que vos escreve naquela hora em que a câmera ainda não tinha rodado qualquer imagem! Foi arrepiante, você sente todo um peso nas suas costas. Quem ficou conosco na mesa de corte (espécie de pré-edição durante a gravação) foi Éberes (aka Ceará), um dos técnicos da faculdade.

Na gravação, mais uma vez fiquei surpreso. Todos demonstraram uma boa segurança no que estavam fazendo. Cada um cometeu a sua mancadinha aqui e ali, eu mesmo tive uma pequena discussão com Renato pois ainda estava muito nervoso, mas confusão foi algo que praticamente não houve conosco. Eu só queria que tudo acabasse bem pra todos da equipe. Não sei se isso acontece com outras pessoas, mas a sensação que tive é que naquele momento nada mais no mundo importava mais do que o programa. A minha concentração era tanta que a professora tentou falar comigo em uma ocasião e eu não a ouvia!! Renata é que me disse que ela queria me dizer algo. Fui repreendido pela professora por causa disso, mesmo já sabendo que um bom diretor deve saber escutar todo mundo. Coisas do nervosismo mais uma vez. Perto do final, eu e Renata tentávamos um plano diferente com um pequeno movimento de câmera que tinha até sido experimentado no ensaio, mas não estava saindo legal. Aí tive que tomar a decisão de pularmos aquilo dali e fazermos um plano mais simples e direto mesmo pois a hora estava passando. O tempo é o maior inimigo que você pode imaginar no estúdio. Os outros problemas que podem aparecer são fichinha comparados a ele. Terminada a gravação, tirei o fone dos ouvidos, cumprimentei Renato e Thiago e saí correndo para falar com Andréa e Renata. O entrosamento e a interação do pessoal foi acima do esperado por nós e pela professora. Tanto que ela disse "O grupo está formado, só falta a emissora". Isso foi muito bom de escutar depois da descarga de tensão que tinha tomado hehehe.

No dia seguinte, já estávamos capturando mais vídeos para a ilha de edição e a fita bruta da gravação. As minhas duas colegas de grupo estavam comigo na hora e foi muito divertido rever aqueles pouco mais de 20 minutos que gravamos da apresentação para o CINEMANIA. Também foi impossível de conter as risadas quando ouvimos a voz de Renata me dizendo que a professora Fabiane queria falar comigo. Andréa ainda ria com as expressões que fazia quando não estávamos gravando. Ela disse que tentava imaginar o que acontecia na sala de controle. Depois deste dia, houve uma série de problemas em relação à reservas de horário na ilha de edição mais por causa do pessoal do 8º período que era prioridade. Fizemos o possível com o tempo conseguido, mas não terminamos o programa a tempo de ser entregue como a nossa prova de segunda unidade. Fabiane compreendeu, já que o mesmo tinha acontecido a todos os outros grupos com exceção do primeiro que gravou em estúdio. Na sexta-feira, dia 8 de junho, esse grupo ainda estava finalizando o seu programa. Nós queríamos muito ter o CINEMANIA prontinho no dia 11 ao invés de apenas entregar o seu roteiro final. O programa será finalizado sem falta no mês de julho, pois ele não pode ser só aquilo que foi feito até agora. Farei de tudo para vocês o assistirem pela Internet, através do YouTube e download de um link direto. Aguardem!

terça-feira, junho 12, 2007

ZODÍACO (Zodiac, 2007, EUA)

A semana passada foi bem puxada, não conseguimos terminar o programa de TV e participei de vários outros trabalhos para a faculdade. Sinceramente, esse é o final de período mais trabalhoso que eu tive até hoje. Mesmo assim, deu tempo para conhecer pessoalmente o amigo César Almeida, do blog DOLLARI ROSSO, e a sua carismática esposa Denise. César veio conhecer o Recife a convite do seu irmão que mora aqui e aproveitamos a ocasião para nos vermos pela primeira vez e batermos um papo. Todos os dois são gente finíssima. Quero muito vê-los de novo antes que eles partam de volta para Porto Alegre. Como ainda não consegui escrever sobre minha primeira experiência dentro e fora de um estúdio de TV, falarei de ZODÍACO e postarei um rápido texto sobre UZUMAKI que escrevi neste final de semana durante um tempinho livre.

A sessão das 15h20min deste último sábado no Multiplex do Shopping Recife estava lotada e isso é muito bom de se ver em um filme que não conseguiu um terço da propaganda que 300 teve. Vai ver ele também foi ajudado pelas poucas estréias interessantes do final de semana. De todos os filmes do David Fincher até este que irei comentar a seguir, só tinha gostado mais mesmo de VIDAS EM JOGO. Sou um dos poucos que gostam de verdade do ALIEN 3 e valorizo mais SEVEN e CLUBE DA LUTA mais pelos padrões que eles quebraram do que pelos filmes que são. Só QUARTO DO PÂNICO que nada mais é do que uma boa diversão para o espectador e para o próprio Fincher, que visivelmente adorou ter aquela experiência. No geral, posso dizer que nunca me decepcionei com este diretor e ZODÍACO não é exceção.


O filme retrata um caso verídico que ficou marcado na História dos Estados Unidos e nas mentes dos seus populares nos anos 70. Baseado no livro de Robert Graysmith, esse longa-metragem tem um elenco impecável com Jake Gyllenhall encarnando o próprio autor, que era cartunista do San Francisco Chronicles quando a redação recebe a primeira de várias cartas do assassino do Zodíaco. O conteúdo chama de imediato a atenção de muitos dos presentes, incluindo o jornalista boêmio Paul Avery (Robert Downey Jr.). Graysmith revela ser a pessoa que mais está atenta ao caso mesmo sem participar do jornal como repórter e Avery - que não é nada besta - começa a ficar mais próximo do colega de redação para receber a ajuda dele nas suas reportagens. Enquanto isso, os inspetores David Toschi (Mark Ruffalo) e William Armstrong (Anthony Edwards) da polícia de São Francisco começam a investigar o assassino após um inesperado homicídio ocorrido dentro de um típico bairro de classe média. Chloe Sevigny (uma moça que eu e o Daniel "The Walrus" não conseguimos imaginar mais sem a boca no "instrumento" hehe), Brian Cox, Dermot Mulroney, Elias Koteas, Donal Logue e Philip Baker Hall interpretam personagens periféricos, mas de fundamental importância na história. Tom Kopache é apenas uma presença decorativa na redação do SF Chronicles (não me lembro dele dizer uma palavra... o que é uma pena se isso for verdade) e até o mala do James LeGros está convincente em sua participação especial.

Nenhum dos maneirismos visuais que Fincher detonava em seus filmes anteriores está presente aqui. A narrativa de ZODÍACO é bem à moda antiga e moderna ao mesmo tempo com ótimas escolhas do diretor, como a montagem com cartas do famoso assassino e manchetes de jornais ilustrando a passagem do tempo enquanto vemos os personagens em ação. Digo sem qualquer receio que ZODÍACO é um dos mais fiéis relatos cinematográficos de um caso policial já feitos lembrando bastante TODOS OS HOMENS DO PRESIDENTE, que vem sendo mais citado pelos cinéfilos recentemente durante os comentários sobre o filme.

Ele lembra (e muito) ainda o excelente MEMÓRIAS DE UM ASSASSINO, que vem da Coréia e também fala de homicídios cometidos por um assassino em série que chocaram um país. ZODÍACO procura focar o quanto um caso pode mexer com a vida dos seus envolvidos, ao invés de explorar exageradamente a execução dos crimes. O realismo da produção é o seu maior ponto positivo. Já ouvi comentários dizendo que o filme era monótono, confuso e difícil. Sim, e o caso não foi exatamente assim? Toda aquela frustração constante que os personagens sentem a cada pista falsa que seguem e a cada erro cometido é sentida de imediato pelo espectador. E a esperta conclusão desagradará muitas pessoas que esperavam um final conforme as convenções do subgênero. Eu achei demais! ZODÍACO é fácil, fácil, o melhor filme do David Fincher e isso já pode ser o bastante para ele garantir lugar em várias listas dos melhores do ano.

Curiosidades:

Philip Baker Hall pode ser visto em mais uma das versões cinematográficas que relatam os crimes do assassino do Zodíaco. O filme também é chamado ZODÍACO aqui no Brasil e ele foi lançado em DVD pela Imagem Filmes. Já Anthony Edwards tem um dos seus melhores momentos no ótimo telefilme À SANGUE FRIO, que é baseado no clássico livro de Truman Capote que fala de um crime que também chocou os Estados Unidos.

UZUMAKI (Jap, 2000)


Original, bizarro, troncho e divertido ao mesmo tempo. Certamente não é todo dia em que a gente vê um filme assim. Você pode não gostar de UZUMAKI, mas provavelmente acabará concordando que o filme é uma experiência memorável. A beleza imagética da produção agrada até os detratores. Traduzindo para o português, o título original significa ESPIRAL. Quem diria que espirais seriam retratadas como algo de ameaçador em qualquer meio de expressão algum dia? Isso que eu chamo de imaginação.

Baseado em uma famosa HQ, esse exemplar do moderno cinema oriental de terror consegue se esquivar dos clichês tradicionais que tanto infestam os outros filmes, como aqueles fantasmas femininos cabeludos que viraram moda depois de THE RING. O filme inicia com um close parcial do rosto de uma garota que irá nos contar uma história acontecida na sua cidade natal. A seguir, temos outro close, desta vez na expressão facial de um rapaz morto e a câmera vai subindo e girando como se fosse uma espiral até vermos várias pessoas olhando esse mesmo cadáver das escadarias de um local. Me lembro do efeito que essa cena teve em mim quando testei o vídeo no meu DVD. Foi o bastante para deixar o filme guardado um tempinho hehehehe. Quando terminei de assisti-lo, vi que podia ter visto ele antes porque a curtição seria a mesma.


Depois dos dizeres iniciais, o espectador conhece a estranha protagonista quando ela repara que o estranho pai do seu melhor amigo (que também é estranho) está gravando um caracol numa câmera de vídeo. A garota não consegue puxar uma conversa, pois o homem está vidrado no animal. A partir do momento em que ela se encontra com o rapaz, o filme passa a se desenvolver e nós percebemos que o pai está cada vez mais obcecado por espirais de todos os tipos. Não demora muito para que essa insana obsessão vá tomando conta aos poucos dos moradores da pequena cidade (tinha de ser!) onde a moça reside.

É tudo muito absurdo e esquisito em UZUMAKI. O diretor Higuchinsky (até o nome do cara é estranho!!) fez um bom trabalho com um material que poucos saberiam como lidar. Não é qualquer um que encara um roteiro alucinógeno e surrealista como esse e faz o resultado final lembrar os bons tempos dos filmes de Lucio Fulci e Michele Soavi. Ao invés de respostas, mais e mais perguntas são jogadas nas nossas caras. No geral, o filme pode até ser definido rapidamente como uma coletânea aterradora de imagens inacreditáveis de tão insólitas, fascinantes e criativas acompanhada por uma trilha sonora bacana e atuações eficientes. Há ainda uma divertida referência ao clássico O EXORCISTA perto da conclusão.

Há quem diga que filmes no estilo de UZUMAKI são perda de tempo. VÁ E VEJA não pensa assim. Ver um filminho dodói do juízo de vez em quando sempre faz bem.

Agradecimentos à minha amiga Rosana Dias pela cópia.

segunda-feira, junho 04, 2007

Duas interessantes novidades em DVD

Na locadora:


Finalmente irei ver este filme do nosso querido Stuart Gordon com roteiro de David Mamet!! Já está anotadíssimo na memória para a minha próxima visitinha nas duas locadoras mais próximas de casa.

Nos balaios promocionais:


Eu já estou com esse filme na coleção faz mais de 1 ano. Só que toda vez que o vejo na prateleira e penso no sobrenome Godard rola uma preguiça desgraçada para puxar ele. O disco é da Spectra Nova e a capinha diz que a imagem é FULL, provavelmente deve ser cópia de VHS como a que eu tenho.

quarta-feira, maio 30, 2007

Encarando um desafio prazeroso

Pessoal, hoje e amanhã estarei com as tardes e noites bem ocupadinhas. Irei encarar um desafio dentro do meu curso universitário: dirigir um programa de TV pela primeira vez na vida. Bem... eu já estava fazendo isso aos poucos, mas só nesta quinta-feira é que irei entrar no estúdio pra botar a mão na massa e gravar as seqüências da apresentadora. E eu prometo que tentarei colocá-lo no YouTube, independentemente do resultado final rs. A gente teve menos de 1 mês para recolher material, escrever todos os textos e tomar todas as decisões possíveis dentro das nossas limitações, pois a faculdade também não oferece toda a estrutura que desejamos como um acesso bacana das câmeras de lá para fazer qualquer tipo de gravações externas. Mas vocês não tem idéia do quanto eu me sinto ansioso, nervoso e com tesão para fazer as primeiras imagens do programa ao mesmo tempo. E como alguns já devem ter imaginado... sim, ele é sobre cinema. :)

Me desejem boa sorte!!

domingo, maio 27, 2007

Download de A CASA DOS MAUS ESPÍRITOS

Clássico do William Castle com o nosso querido Vincent Price! Quem é que precisa daquele remake pra se divertir quando se tem um original tão classudo e criativo?? Consegui um arquivo pequeno DivX de 150mb do filme e subi pra vocês também curtirem. A qualidade não está perfeita, lógico. Mas o download é bem rápido pra quem quiser logo ter o filme na máquina e curtir essa pérola assim que possível.


Parte 1 (76mb)

Parte 2 (76mb)

Para juntar os arquivos, use o Splitter ou o HJ-Split

Ele também está disponível em um DivX de 700mb e outros tamanhos no maravilhoso Internet Archive clicando aqui.

Vídeos de O LUTADOR

Trailer do filme:



Primeira luta: