terça-feira, julho 17, 2007
Hoje vai ter uma festa...
- Vi o destemido Rocky Balboa / Sylvester Stallone lutando bravamente contra todo mundo que sempre o achou ridículo.
- Acompanhei de queixo caído a insólita aventura passada pelo rebelde pistoleiro El Topo.
- Li meu nome relacionado a este blog num jornal da minha cidade.
- Fiquei feliz de ver o VÁ E VEJA sendo lido e recomendado por várias pessoas cuja opinião já era respeitada por mim um bom tempo antes da sua criação.
- Tive minha primeira experiência em um estúdio de TV tentando comandar uma equipe atrás das câmeras.
- Olhei um texto meu publicado em um site que venero chamado BOCA DO INFERNO várias vezes para perceber que eu não estava sonhando.
- Fui chamado de "jovem animal de cinema" pelo amigo e crítico pernambucano Luiz Joaquim na seção de links em seu site CINEMA ESCRITO.
- Numa tela de cinema, vi os dizeres "Directed by Abel Ferrara" e "Directed by John Cassavetes" pela primeira vez na minha vida. E espero que essas ocasiões se repitam mais vezes.
- Assisti um belo filme nacional projetado numa das minhas salas favoritas na cidade apenas para mim.
Nada fraquinho esse 2007 está sendo, não é? Só acho que ele seria melhor se eu saísse do desemprego para estar em algum lugar onde poderia ter mais uma boa experiência de trabalho e que meus acessos à Internet não tenham tanta diferença de tempo. Lá em casa eles estão impossíveis. É por causa disso que tenho dado umas fuleiradas nas leituras e nas caixas de comentários dos blogs amigos que gosto tanto de visitar. E é por isso também que deixei de dar meus parabéns virtuais aqui no blog ao companheiro de luta Fernando Vasconcelos pelos seus 7 anos de atividade cinéfila através do KINEMAIL. Ainda bem que sempre temos nos falado e pude desejar isso através do telefone. Marcelo Carrard também ficou sem parabéns pelos 3 anos de seu belo trabalho no MONDO PAURA. Meu amigo paulista, saiba que seu blog ainda vai ter mais fãs do que ele já tem. A ZINGU! também não contou com meus anúncios de suas duas últimas atualizações pelo simples fato que minhas duas últimas atualizações foram feitas numa correria só, diferente de agora.
Meus amigos e amigas, hoje o VÁ E VEJA completa o seu primeiro ano de existência. Até parece que foi ontem que tomei a decisão de entrar no Blogger e criar uma conta nele para ter um lugarzinho na Internet só meu onde falaria um pouco sobre tudo, não só sobre cinema e audiovisual. O tempo me mostrou que essas artes que não iriam dividir muito o seu espaço com outras, mas que iriam acabar lidando com várias situações da vida em que me encontrei durante esse inesquecível período de 1 ano no controle de um blog.
Eu sei que já tive dias mais inspirados onde escrevia e atualizava esse espaço com várias coisas diferentes em uma única semana como dicas, lançamentos, notas, links de trilhas sonoras em MP3, vídeos no YouTube e etc. Mas como não tenho tido um contato melhor com a Internet, aqui está mais um blog sobre mim (justamente pelo aumento na vontade de se falar com as pessoas que esse pequeno sumiço dá) e com opiniões a respeito de determinados filmes do que nunca. Acho que o VÁ E VEJA é um blog camaleônico, que não sabe direito o que diabos significa linha editorial. Basta dar uma rápida olhada nos arquivos para confirmar isso. E o que dizer da última atualização? Não é em qualquer lugar que você pode ler comentários de um filme consagrado como O HOSPEDEIRO onde pouco abaixo temos os dois últimos filmes do Van Damme a saírem direto em DVD tendo o mesmo destaque hehehe. Mesmo sendo meio perturbadinho do juízo como o próprio dono, o VÁ E VEJA recebeu o total de 13.280 visitas desde a inserção de um contador apenas em fevereiro deste ano e os seus comentários na caixinha continuam vindo bem legais e instigantes. Isso é simplesmente demais!
Infelizmente não vai dar para me alongar mais por aqui pelo tempo na lan já estar chegando ao fim. Minha intenção era fazer um agradecimento especial com vários nomes neste post, mas você pode ter certeza de uma coisa:
Se você já me apoiou algum dia e tem me apoiado de várias maneiras com sua amizade, palavras de incentivo, bons papos, comentários, críticas, trocas de idéias, dividiu risadas e sorrisos comigo pessoalmente ou virtualmente, então considere o seu nome escrito nesta linhazinha aqui embaixo depois do agradecimento ó...
Muito obrigado, ___________________
Mensagem final meio brega, é verdade, mas de coração. Muito obrigado mesmo e até a próxima!
PS: Dedico o post ao meu pai, que também se chama Osvaldo e é o meu melhor amigo para todas as horas.
DRÁCULA 2: A ASCENSÃO e DRÁCULA 3: O LEGADO FINAL

Uma das coisas mais comuns de serem notadas pelas pessoas nas continuações baratas é a ausência de vários personagens (e atores, logicamente) do filme original em seus roteiros. Tudo faz parte da redução de custos da maioria destes filmes feitos para lançamento direto em vídeo. Filmar em países como Bulgária e Romênia também, pois eles contam com profissionais de qualidade no ramo que cobram mais barato pelos seus serviços do que os residentes nos Estados Unidos. Ainda tem o Canadá - onde muitas produções norte-americanas para cinema e TV (citando exemplos no gênero... o ótimo TERRA DOS MORTOS do tio Romero e a série MASTERS OF HORROR) são feitas - com leis de incentivo para ajudar projetos que escolhem o país para ser usado como cenário. Lembra-se de SEXTA-FEIRA 13: PARTE 8? A Nova Iorque que aparece na conclusão do filme é Vancouver.
Como foi dito antes, DRÁCULA 2 e 3 foram feitos como um filme único de aproximadamente 3 horas de duração. Então o que o expectador vai ver aqui são dois filmes com uma única história e personagens, mas de estilos e opções diferentes. Isso foi algo neste projeto que me surpreendeu positivamente. É por isso que tem gente que curte mais um deles do que o outro ou que achou um intragável e se divertiu mais com o anterior / o próximo. Eu gostei de conhecer os dois, apesar dos títulos não serem nada bons. Eles diminuem as clássicas versões que foram feitas do imortal livro de Bram Stoker. Sei que ficaria ridículo, porém creio que um DRÁCULA 2000 3 soa mais honesto do que um DRÁCULA 3.

DRÁCULA 2 é o mais simplório dos dois filmes, embora não deixe de divertir e de ser uma pequena surpresa. A primeira coisa que salta aos olhos é a diferença da atmosfera deste para o do DRÁCULA 2000 logo na abertura. Ela contém a memorável apresentação do padre Uffizi, vivido por Jason Scott Lee (de DRAGÃO: A HISTÓRIA DE BRUCE LEE). Terminada essa cena, somos apresentados aos outros personagens que cometerão uma senhora burrada para fazer Uffizi entrar em ação. Trata-se de um pequeno grupo de universitários que é reunido por dois deles chamados Luke (Jason London) e Elizabeth (Diane Neal, uma tremenda gata). Os jovens trabalham num necrotério e encontraram um misterioso corpo carbonizado que eles suspeitam ser de um vampiro. Quem viu DRÁCULA 2000 sabe que o vampirão morre desta maneira no seu final. Quem não perdeu tempo vendo ele também não se sente perdido, já que vemos apenas um cadáver esquisito entrando na trama.
Como Luke recebeu a ligação anônima de um homem oferecendo a quantia de $ 30 milhões, a dupla chama Lowell (Craig Sheffer, de HELLRAISER: INFERNO) - um professor deficiente que é namorado de Elizabeth - e mais dois amigos da universidade para ajudarem eles e assim dividirem a bolada. Todos vão para uma casa no meio do nada e inventam de colocar o cadáver numa banheira cheia de sangue. Aí já viu, né? Depois que um dos atores do filme tem sua participação literalmente eliminada, quem aparece é Eric (John Light), o representante do interessado no Drácula renascido (interpretado por Stephen Billington, bem melhor que o Gerard Butler). Enquanto a merda começa a bater no ventilador, Uffizi fica cada vez mais próximo de encontrar o grupo. O final desta história é belo e sombrio. Ah se eu tivesse visto essa conclusão na época do lançamento... do jeito que sou, eu simplesmente teria vibrado mais do que vibrei. Só não fiz isso porque sabia que a história seria continuada dali, mas esse final também funciona como um bom desfecho pro filme. E como funciona.

Agora é a vez de falarmos do DRÁCULA 3. Esse daqui é fácil, fácil, um dos meus diretos pra vídeo favoritos. Diferente do DRÁCULA 2, aqui vemos a Romênia em toda a sua glória. Para vocês terem uma idéia do visual, saibam que o filme foi realmente rodado na Transilvânia. Se o diretor de fotografia Doug Milsome fez um trabalho legal no anterior, neste o cara faz um estrago considerável. O roteiro também é superior. Ele segue os dois sobreviventes do filme anterior indo para a Transilvânia com o propósito de resgatar Elizabeth das garras de Drácula (vivido desta vez pelo nosso querido Rutger Hauer). Entram em cena outros personagens como uma jornalista de TV que está cobrindo a ação de um grupo rebelde e uma gangue que seqüestra pessoas pobres da região para vendê-las ao Drácula e suas crianças da noite.
Quem faz uma rápida aparição nos dois filmes é outro dos meus atores favoritos: Roy Scheider. Pena que seu tempo em cena como o Cardinal Siqueros neles se resume a uns 2 minutos dele em cada filme. Mas isso não faz com que os distribuidores deixem de colocar seu nome e rosto nas capinhas dos DVD's para chamar a atenção. Se bem que hoje são poucas as pessoas que conhecem e gostam de Roy Scheider. Agora é inegável que a presença dele dá um charme e ajuda a subir o nível dos filmes.
É fácil se desapontar com ambos os filmes caso busque neles bem mais do que uma boa diversão. Antes de assisti-los, por favor, deixe o tradicionalismo de lado. Mesmo assim, a mitologia deste personagem tão amado, querido e odiado na mesma intensidade que é Drácula tem mais respeito aqui. Também achei a parte técnica deles bem bacana para um "direct-to-video" assumido. A cinematografia de Douglas Milsome, os efeitos de Gary Tunnicliffe (maquiagem) e Jamison Goei (computação gráfica) são notáveis considerando o orçamento e o tempo que eles tiveram. De qualquer maneira, os dois dão um banho em coisas como o próprio DRÁCULA 2000, BLADE 3 e é muito melhor até ver eles em seguida do que encarar uma reprise de qualquer um dos três SENHOR DOS ANÉIS.
Sobre os DVD's e curiosidades:
- DRÁCULA 2: A ASCENSÃO é distribuído pela Europa Filmes e está com imagem em FULL. Surpreendentemente, ele contém extras como cenas deletadas, trailer original e vídeos de alguns dos atores sendo testados para seus papéis. Mas o que realmente importa neles é a faixa de comentários em áudio (com legendas em português disponíveis) com o diretor e co-roteirista Patrick Lussier, o produtor e co-roteirista Joel Soisson e o responsável por efeitos de maquiagem Gary Tunnicliffe, que também foi diretor de segunda unidade nos dois filmes. Achei os comentários bem divertidos e informativos.
- Já o DRÁCULA 3: O LEGADO FINAL é distribuído pela Videofilmes e está com imagem em FULL. Zero de extras, como todos os discos desta distribuidora.
- Me lembrei de uma coisa que o Carlos Afonso disse em sua resenha sobre o DRÁCULA 3 para o Erotikill quando escutei os comentários no disco do 2. Ele disse que o roteiro parecia fazer referência ao clássico APOCALYPSE NOW. Joel Soisson confirmou isso perto do final da faixa de áudio. Com isso em mente, não pude deixar de reparar que a estrutura dele é mesmo um pouco semelhante nesta revisão. Os personagens passam por toda uma jornada repleta de situações esquisitas para finalmente se encontrarem com aquele ser que todo mundo estava querendo demais ver depois de tanto ouvir sobre ele. Faz sentido.
sexta-feira, julho 06, 2007
DIÁRIO DE UM VAMPIRO (Vampire Journals, 1997, EUA)

Ted Nicolaou teve muita sorte em fazer este filme pouco antes de uma crise financeira abalar a Full Moon. A partir de 98, mais e mais filmes de baixíssimo orçamento e qualidade feitos nas coxas acabaram ainda mais com a credibilidade que o pequeno estúdio tinha com os fãs do cinema de terror. Basta lembrarmos das continuações que a série PUPPET MASTER teve, eles poderiam ter parado muito bem no terceiro.
Nicolaou é mais lembrado pela série SUBSPECIES e por VISÃO DO TERROR, todos com constantes reprises no saudoso Cine Trash. Em DIÁRIO DE UM VAMPIRO, ele novamente filma na Romênia, um país cujas belas locações já garantem uma boa dose da atmosfera aos filmes feitos lá. Na trama, Zachary (David Gunn) é um caçador de vampiros que também é um, ou seja, um verdadeiro Highlander da espécie. A voz do personagem conduz o espectador pelo filme que conta a história de sua perseguição ao poderoso vampiro Ash (Jonathon Morris, teatral demais) e o seu fascínio por Sofia (Kirsten Cerre), uma jovem pianista que também chama a atenção do rival.
O roteiro do próprio Nicolaou é realmente bom e ele ainda dribla as limitações do baixo orçamento com competência. Mas a produção peca pelo elenco, composto por atores bem fracos. O que temos então são atuações pouco convincentes em um filme que tinha tudo para ser melhor conhecido. Mesmo assim, DIÁRIO DE UM VAMPIRO tem seu lugar entre as pérolas da Full Moon. A beleza gótica da produção - aliada a momentos inspirados do diretor e do cinematógrafo Adolfo Bartoli - é tamanha que ele não parece ser um filme B.
O HOSPEDEIRO (The Host, 2005, COR)

Um dos filmes especiais que fizeram o seu companheiro aqui sair do cinema em completo estado de graça. Mesmo tendo recebido uma notícia frustrante naquele domingo, não me fiz de vencido e disse a mim mesmo que a minha noite teria uma sessão de O HOSPEDEIRO, um filme aguardado por qualquer fã de cinema que se preze. A Internet frescou logo naquela hora, aí telefonei para um amigo que também gosta muito de cinema, batemos um pequeno papo e aproveitei o momento para perguntá-lo se ele tinha os horários deste filme de monstro coreano que eu queria tanto ver. A resposta foi um sim. Depois de o agradecer e com o horário certinho na cabeça, me aprontei e fui direto pro Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, a única sala de Recife que está passando o filme.
Me lembro de ter lido o Marcelo Carrard reclamando da distribuição da Pandora Filmes em seu MONDO PAURA. Será que essa maravilha de filme só tem uma cópia em circulação no país inteiro? Se isso for verdade, é uma pena. Eu não sei ainda porque ele apenas tem entrado em cartaz nos cinemas alternativos. Será que isso só acontece por ele ser uma grande homenagem ao seu subgênero que até hoje é visto com preconceito? Por ser um filme que goste e tenha respeito pelos seus personagens que agem e pensam como seres humanos? Eu não consigo engolir as tentativas de se explicar essa injustiça que eu já li na Internet. O HOSPEDEIRO merece demais uma chance no circuito comercial mesmo, porque seria muito bom ouvir a reação do pessoal acostumado com um arremedo de filme como HOMEM-ARANHA 3.
Em O HOSPEDEIRO, o espectador acompanha a inesperada história de uma família coreana nada convencional às voltas com os ataques de um girino gigante dentro de sua cidade. O monstro foi criado a partir do irresponsável despejo de substâncias tóxicas em um grande rio da Coréia, portanto, o filme também retorna com aquele tema clássico da natureza dando o troco na sociedade. Eu vibrei logo no pequeno início, onde toda a história é apresentada. Motivo: a primeira data que aparece é 09 de fevereiro de 2000, meu aniversário de 15 anos. Me senti homenageado sem ser hehe.
O pai da família é vivido pelo grande Song Kang-ho, uma figura que já pode ser notada facilmente por quem acompanha os filmes coreanos que estão sendo lançados aos poucos no Brasil. Ele está em ZONA DE RISCO de Chan-wook Park e MEMÓRIAS DE UM ASSASSINO, do Bong Joon-ho, mesmo diretor de O HOSPEDEIRO. Esse homem é tão monstruoso quanto a ameaça vinda do rio em seu filme. Eu já tinha ouvido falar deste cineasta quando vi o MEMÓRIAS... e o achei tão bom que fiquei criando expectativas para ver o que ele faria com um subgênero até esquecido. O coreano detonou, é claro. Contrariando outros exemplares do subgênero, o ataque do monstro acontece pouco antes dos 10 minutos iniciais da projeção. E ele aparece todo!! Outra coisa incrível é que muito da nossa atenção não se volta para o monstro em si, mas para o forte relacionamento vivido pelos membros daquela excêntrica família. O HOSPEDEIRO é diferente por causa disso e de vários outros fatores. O filme tem um drama muito eficiente, uma comicidade impagável e até satiriza com a política da própria Coréia do Sul e de um país ocidental que quer porque quer ser a polícia do mundo. Não vou dizer o nome dele, mas acho que dá para adivinhar, não é? :-)
E sabem qual é a cereja do bolo? Além de ser tão rico, bem narrado e puro cinema, O HOSPEDEIRO é muito, muito despretensioso. Acredito que seja por causa disso que ele vem conquistando mais e mais cinéfilos. O filme merece.
Notas:
1 - Esse filme lindo tem a sua detonação garantida em mais um dispensável remake americano que será realizado.
2 - O único resgate que o subgênero dos filmes com monstros gigantes estava tendo recentemente foram os filmecos dirigidos por gente do naipe de Mark L. Lester, Jim Wynorski, Fred Olen Ray, John Terlesky e Richard Pepin pra TV e lançamento direto em vídeo. Alguns divertem mesmo sendo ruins, enquanto outros são puro lixo. Mas esse é um outro assunto que irei explorar aqui nessas férias de julho. Um mês mais "light" como esse pede mais descontração de todos nós. Vai ter gente se lembrando do Erotikill e dos comentários bem-humorados que o Carlos Afonso fazia dessas tralhas. Bah, só de eu me lembrar daquela época agora, fiquei emocionado. :)
HOMEM-ARANHA 3 (Spider-Man 3, 2007, EUA)

O fã de cinema estranha quando vê um filme com elenco estrelar indo parar direto nas locadoras. E ele deve ter estranhado da mesma maneira quando soube que dois dos filmes mais esperados por legiões de espectadores preferiram não receber a opinião da crítica especializada. A primeira coisa que vem à mente é a de que existe alguma coisa errada com essas produções. Um deles, HOMEM-ARANHA 3 estreiou nas salas comerciais com a reputação de ser o filme mais caro já feito até hoje. Apenas aí já temos uma certa arrogância dos executivos dos estúdios hollywoodianos para o seu próprio público, pois orçamentos milionários não garantem bons filmes. Segundo eles, o que o povo quer assistir é o Homem-Aranha pulando de prédios em prédios, enfrentando bandidos e Mary Jane vivendo um romancezinho careta com o nosso herói, não é?
Por isso, pela primeira vez em muito tempo, o diretor Sam Raimi também participou do roteiro ao lado do seu irmão Ivan com a colaboração do veterano Alvin Sargent só para todo mundo ficar feliz e botar mais dinheiro no bolso. Bom cinema de entretenimento não pode ser feito assim. Qualquer filme, por mais despretensioso que ele seja, precisa de um bom roteiro, atuações convincentes do elenco e uma mão segura na direção. HOMEM-ARANHA 3 não tem nada disso. Em seu resultado final, temos um filme fraco e de duração excessiva (mais de 133 minutos, sem os créditos finais) que fica a léguas de distância dos seus antecessores. Piorando a situação, empurraram três vilões dentro de um único filme. Assim não tem como haver um mínimo de desenvolvimento destes personagens, que precisam de um bom espaço na trama para serem eficientes. O roteiro encerra uma situação de perigo envolvendo um deles e o herói para depois de uns 40 minutos o vilão voltar a aparecer. Citando um exemplo, temos o Venom, considerado um dos favoritos de quem se considera fã dos quadrinhos que inspiraram a série. Ele sai de cena da mesma maneira que chegou.
O filme também é culpado de nos fazer perder tempo com cenas que poderiam muito bem ter sido excluídas na hora da edição, como a cena passada numa casa noturna de Jazz & Blues e os muitos dramas da Mary Jane. Elas só nos fazem ter antipatia pelos protagonistas ao invés de se importar com eles. A Gwen Stacy (sim... ainda inventaram de colocar ela no filme) também está completamente desperdiçada. Tem ainda um confronto final que é ridículo de tão exagerado. No geral, HOMEM-ARANHA 3 sofre mesmo é pela visível falta de empenho da maioria dos envolvidos em fazer algo realmente bom, sem pensar em gastar logo uma boa quantia das grandes somas que ganharam para participar do filme. A série também se sai prejudicada por perder muito do encanto que ela vinha tendo nos cinéfilos, incluindo este que vos escreveu.
PS: Texto originalmente publicado no concurso relâmpago SEJA UM CRÍTICO da coluna CÂMERA CLARA do caderno Programa da Folha de Pernambuco, onde os leitores participantes poderiam escrever sobre HOMEM-ARANHA 3 e PIRATAS DO CARIBE 3. Ele sofreu um aumento com bem mais comentários furiosos sobre esse filmeco só para virar um post no blog.
Os dois últimos filmes do Van Damme

Eu não sabia e acabei pagando o pato. Quando percebi que FORÇA DE PROTEÇÃO era Van Damme num daqueles típicos filmes urbanos no estilo do Steven Seagal com cantores de rap no elenco tive vontade de tirar o DVD na mesma hora. Mas se eu o tirasse, não teria como comentá-lo aqui, então acabei vendo o filme todo.
O maior problema do FORÇA DE PROTEÇÃO é que o Sheldon Lettich não tem a menor noção do que um filmeco de ação feito pra vídeo precisa. A gente fica olhando altas vezes pro relógio por causa da elevada duração de 1 hora e 50 minutos!!! Se o roteiro compensasse nas cenas de ação ainda ia, mas nesse quesito o filme decepciona completamente. Quando tem, tudo acontece muito rápido. Até mesmo os tiroteios são fraquíssimos e sem a mínima emoção. Uma lástima.
Mesmo assim, achei ele um pouco melhor do que muitos filminhos desse estilo que já vi. Também pudera, Van Damme não faz 5 filmes por ano que nem o ganancioso do Seagal. O ator belga teve dois títulos lançados em 2006, ao invés de um, como costumava ser. Pelo menos, mesmo sendo fraquinho e sem muito interesse, FORÇA DE PROTEÇÃO não é nenhuma bomba como AGENTE BIOLÓGICO.
ATÉ A MORTE (Until Death, 2007, EUA)

Antes de FORÇA DE PROTEÇÃO, Van Damme fez SEGUNDO EM COMANDO com o diretor britânico Simon Fellows - de REENCARNAÇÃO (Blessed, 2003) e 7 SEGUNDOS. Em ATÉ A MORTE, a parceria se repete e o resultado dela é um filme de qualidade acima da média dos feitos por encomenda para lançamento nas locadoras. Van Damme mostra que pode atuar mais uma vez no papel do policial Anthony Stowe. Corrupto, alcóolatra, viciado em heroína e capaz de dar uma tacadinha numa prostituta nos fundos de um bar antes de ver a esposa, Stowe é obcecado em capturar Gabriel Callahan (Stephen Rea, pegando um chequinho pra pagar as contas), seu antigo parceiro da lei que se tornou um criminoso procurado. O que ele não esperava era que um incidente acontecido durante uma das suas noitadas fosse mudar o rumo de sua vida.
Há quem fique decepcionado com ATÉ A MORTE pela capinha do DVD dizer que o gênero dele é ação, coisa que não acredito que o filme seja. Para mim, ele é um drama policial que tem um dos protagonistas mais curiosos do cinema recente. Van Damme está tão bem (sim... estou falando sério) que no segundo ato da história, por incrível que possa parecer, o espectador passa a gostar do personagem. O restante do elenco está passável, mas não sei o que deu na cabeça do responsável pelo elenco de escalar a Selina Giles como a esposa de Stowe. Fazia tempo que eu não achava uma atriz tão fraca. Nem o Rea que pouco se lixa pra sua atuação chega aos pés dela em matéria de mediocridade. Assim como O LUTADOR (Undisputed 2, já comentado aqui no blog), há todo um clima de cinema oitentista, o que garante um charme extra. Simon Fellows fica tentando fazer umas meladas na edição querendo ser "muderno" de vez em quando, mas isso não me incomodou o bastante.
O filme lembra um melodrama esquecido do Mike Nichols com o Harrison Ford chamado UMA SEGUNDA CHANCE (Regarding Henry, 1991) onde o personagem principal passa por uma situação semelhante. Mesmo com alguns furos, ATÉ A MORTE consegue ser superior. Dá até pra esquecer que ele foi produzido pelos caras da Millennium Films. Outra coisa bem interessante é que o roteiro - assim como o dos filmes vindos de Hong Kong - não tem a menor pena dos personagens. E o Van Damme solta pelo menos duas frases de efeito que certamente devem fazer os fãs do cinema de macho irem ao delírio. Como diria o infame Borat... Nice!
Curiosidade: 1 - No DVD lançado pela Flashstar do ATÉ A MORTE tem o trailer do esperado filme coreano A CIDADE DA VIOLÊNCIA. Depois de assistir aquilo, não tem neguinho que fique sem querer que eles lancem isso o mais rápido possível!!
2 - ATÉ A MORTE é mais um filme do Van Damme que seria dirigido pelo Ringo Lam, se ele não pulasse fora por diferenças criativas com os produtores. Imaginem o estrago que esse monstrinho poderia ter feito com o material.
segunda-feira, junho 25, 2007
A FORTALEZA 1 e 2

A FORTALEZA (Fortress, 1993, EUA) é uma das minhas ficções-científicas favoritas dos anos 90. Longe de ser uma obra-prima, essa pequena pérola do grande Stuart Gordon continua tão divertida quanto na época em que suas reprises faziam sucesso no Domingo Maior. Me lembro de tê-lo visto pela primeira vez com uns 11 anos de idade. Não tive muito êxito para rever ele decentemente depois, mas algumas de suas fortes e marcantes imagens continuaram comigo sempre. Na recente revisão, vibrei quando vi essas imagens de novo e ouvi a música-tema da produção. Cinema é fascinante por causa disso. Até um filme que não é essas coisas pode se revelar capaz de nos trazer uma emoção inesperada como a que tive naquela noite de domingo.
O filme se passa no futuro pessimista (tinha que ser...) de um país não-identificado. Existe uma rígida lei de controle de natalidade nele que não permite que as pessoas tenham mais de 1 filho. Christopher Lambert é John Brennick, ex-líder de um grupo de rebeldes que é preso quando tentou atravessar uma fronteira com a esposa grávida pela segunda vez. O primeiro filho deles faleceu na tentativa de gravidez anterior, mas para o governo eles violaram a lei. Brennick é encaminhado para a Fortaleza, uma prisão subterrânea de segurança máxima dirigida por uma empresa particular. A instituição conta com um sistema de monitoração considerado infalível, mas o novo presidiário só pensa em fugir para se reencontrar com sua amada.
Interpretando outros personagens, temos Kurtwood Smith como o diretor da prisão, um Clifton Gonzalez Gonzalez bem novinho e Jeffrey Combs (uma figuraça, como de costume) fazendo dois dos parceiros de cela do Brennick. Vernon Wells (o Bennett - aka Freddy Mercury - de COMANDO PARA MATAR) faz uma participação especial que termina de maneira surpreendente. No seu íntimo, Gordon sabia que seu filme não seria nenhum clássico do gênero e se diverte horrores na condução de um roteiro bem simples, mas de boas idéias. As reviravoltas e revelações dele perto da conclusão realmente funcionam, ao contrário das forçadas de barra que alguns filminhos hollywoodianos querem que o espectador engula a todo o custo. E pior que tem gente que engole e ainda acha uma das sacadas mais geniais que já viu num filme, mas esse é um outro assunto. O que importa é que A FORTALEZA continua muito legal depois de tanto tempo e merece uma chance de quem busca uma boa e rápida diversão.

Esse não é o caso de A FORTALEZA 2 (Fortress 2: Re-Entry, 1999, EUA). Não bastava ter estragado HIGHLANDER com aquelas continuações absurdas, Christopher Lambert também embarcou nesta que é uma das mais desnecessárias já feitas. Mesmo com alguns dos principais nomes do filme original tomando conta da produção, não tem coisa que salve ele da obscuridade merecida por causa de um roteiro tão pobre e cheio de clichês. Para não entregar muito o final do anterior, vamos dizer que John Brennick acaba preso de novo anos depois e enviado a outra prisão de segurança máxima no espaço. A cagada já começa daí, pois essa não é mais a Fortaleza. Então o filme não deveria nem ser feito, pra início de conversa. A única coisa que os dois filmes tem em comum são Christopher Lambert (cuja carreira também foi pro espaço) e os produtores.
Para piorar a situação, o roteiro também é reciclado. Muita pouca coisa muda, até alguns personagens que contracenam com Brennick lembram os do primeiro filme. De legal, apenas Pam Grier, o injustiçado Nick Brimble (de Frankenstein Unbound, último filme dirigido pelo Roger Corman) e o fato de que as moças não estão mais separadas dos rapazes quando tomam banho. Dirigido por Geoff Murphy (Chantagem Fatal, Jovens Demais Para Morrer e A Força em Alerta 2 e etc), o filme infelizmente é só uma cópia barata e inferior do original e não posso recomendá-lo. Mas quem não viu o primeiro pode se divertir mesmo assim.
PS: Mais alguém acha que o título original do A FORTALEZA 2 parece ser o de um filme pornô?? Que mente maldosa a minha...
Falando um pouco de mim outra vez e sobre a realização do CINEMANIA
É isso aí, companheiros, agora é mesmo hora de falar da primeira experiência pessoal que tive com um programa de televisão. Ele era fictício, mas a felicidade e a satisfação sentidas em vários momentos foram muito verdadeiras. VÁ E VEJA tem sido mais pessoal do que eu queria esses tempos. Espero não estar afastando leitores com isso, pois tudo não passa de uma fase. Na segunda mesmo, tinha pensado em dar um tempo no blog, tipo umas duas semanas sem atualização. Só que o meu humor deu uma melhorada logo na noite de quarta-feira, apesar dele não ser o mesmo de antes, logicamente. Aí a vontade de falar com vocês voltou e este último final de semana deu uma compensada nas coisas chatas que me aconteceram. Vamos ao relato que eu estava devendo sobre essa experiência marcante que tive a partir do final do mês passado.
Aquela quinta-feira, dia 31, começou diferente dos outros dias de maio. Fui fazer um "check-up" cardiológico que estava marcado semanas atrás. Sabe como é... checar os batimentos cardíacos, tirar a pressão arterial, receber a notificação de quais tipos de exame de sangue o médico quer e etc. Isso logo no primeiro dia em que comando uma gravação em um estúdio de TV, até parece que alguém lá em cima estava adivinhando. Depois do almoço e de um pequeno descanso, fui para a faculdade me encontrar com Andréa Lima (apresentadora) e Renata Amador (assistente de direção e produtora) para ensaiarmos o roteiro da apresentação em estúdio. Depois chegaram Renato June e Thiago Sales, que também estão cuidando da produção. Aliás, todos os cinco membros do grupo tem feito isso de várias maneiras com textos, imagens e sugestões para o programa. Renato digitou o conteúdo dos blocos no teleprompter (substituto eletrônico dos cartazes onde o apresentador lê as informações, ao invés de decorar todo o texto) e Thiago estava lá pra nos ajudar assim que eu ou mais pessoas do grupo entrassem em pânico, algo bem provável de acontecer.
Logo no ensaio, tive a sensação de que o clima entre nós iria ser dos melhores. Tudo rolou de forma divertida e respeitosa, embora eu ficasse demorando mais do que o necessário para tomar algumas decisões. Renata me alertou várias vezes sobre isso e esses alertas me ajudaram bastante na hora do "vamos ver". Eu não consigo imaginar uma pessoa melhor do que Renata para me ajudar lá dentro do estúdio naquele dia. Ela foi demais e Andréa também não deixou a desejar. Paciente, tranqüila e bem-humorada, a nossa apresentadora venceu os problemas que a estavam incomodando naquele momento, como uma dor nas costas que estava sentindo e o uso de uma lente de contato que estava bem fraca e os seus olhos nunca mais tinham usado. Com tudo isso, Andréa ainda estava excelente. Modéstia a parte, isso era algo já esperado por mim desde quando nos falamos pela primeira vez sobre o projeto e sua predileção em ser a apresentadora dele. Eu fui muito sortudo, hein? GOD SAVE THE WOMEN!!
O ensaio prolongou um pouco mais do que devia e a nossa professora Fabiane Lucena chegou no estúdio antes de Renata e Andréa voltarem da preparação da apresentadora. Sabe como é... colocar uma roupinha mais descontraída, uma maquiagem básica e etc. Essa aparição repentina da professora foi o bastante pro nervosismo tomar conta de mim. Para piorar a situação, o áudio do estúdio não estava chegando na sala de controle, mas os técnicos da faculdade fizeram o máximo para consertar tudo em pouco tempo. Somando tudo, tivemos um atraso de quase 25 minutos no nosso horário de gravação. Imagine o estado deste que vos escreve naquela hora em que a câmera ainda não tinha rodado qualquer imagem! Foi arrepiante, você sente todo um peso nas suas costas. Quem ficou conosco na mesa de corte (espécie de pré-edição durante a gravação) foi Éberes (aka Ceará), um dos técnicos da faculdade.
Na gravação, mais uma vez fiquei surpreso. Todos demonstraram uma boa segurança no que estavam fazendo. Cada um cometeu a sua mancadinha aqui e ali, eu mesmo tive uma pequena discussão com Renato pois ainda estava muito nervoso, mas confusão foi algo que praticamente não houve conosco. Eu só queria que tudo acabasse bem pra todos da equipe. Não sei se isso acontece com outras pessoas, mas a sensação que tive é que naquele momento nada mais no mundo importava mais do que o programa. A minha concentração era tanta que a professora tentou falar comigo em uma ocasião e eu não a ouvia!! Renata é que me disse que ela queria me dizer algo. Fui repreendido pela professora por causa disso, mesmo já sabendo que um bom diretor deve saber escutar todo mundo. Coisas do nervosismo mais uma vez. Perto do final, eu e Renata tentávamos um plano diferente com um pequeno movimento de câmera que tinha até sido experimentado no ensaio, mas não estava saindo legal. Aí tive que tomar a decisão de pularmos aquilo dali e fazermos um plano mais simples e direto mesmo pois a hora estava passando. O tempo é o maior inimigo que você pode imaginar no estúdio. Os outros problemas que podem aparecer são fichinha comparados a ele. Terminada a gravação, tirei o fone dos ouvidos, cumprimentei Renato e Thiago e saí correndo para falar com Andréa e Renata. O entrosamento e a interação do pessoal foi acima do esperado por nós e pela professora. Tanto que ela disse "O grupo está formado, só falta a emissora". Isso foi muito bom de escutar depois da descarga de tensão que tinha tomado hehehe.
No dia seguinte, já estávamos capturando mais vídeos para a ilha de edição e a fita bruta da gravação. As minhas duas colegas de grupo estavam comigo na hora e foi muito divertido rever aqueles pouco mais de 20 minutos que gravamos da apresentação para o CINEMANIA. Também foi impossível de conter as risadas quando ouvimos a voz de Renata me dizendo que a professora Fabiane queria falar comigo. Andréa ainda ria com as expressões que fazia quando não estávamos gravando. Ela disse que tentava imaginar o que acontecia na sala de controle. Depois deste dia, houve uma série de problemas em relação à reservas de horário na ilha de edição mais por causa do pessoal do 8º período que era prioridade. Fizemos o possível com o tempo conseguido, mas não terminamos o programa a tempo de ser entregue como a nossa prova de segunda unidade. Fabiane compreendeu, já que o mesmo tinha acontecido a todos os outros grupos com exceção do primeiro que gravou em estúdio. Na sexta-feira, dia 8 de junho, esse grupo ainda estava finalizando o seu programa. Nós queríamos muito ter o CINEMANIA prontinho no dia 11 ao invés de apenas entregar o seu roteiro final. O programa será finalizado sem falta no mês de julho, pois ele não pode ser só aquilo que foi feito até agora. Farei de tudo para vocês o assistirem pela Internet, através do YouTube e download de um link direto. Aguardem!
terça-feira, junho 12, 2007
ZODÍACO (Zodiac, 2007, EUA)
A sessão das 15h20min deste último sábado no Multiplex do Shopping Recife estava lotada e isso é muito bom de se ver em um filme que não conseguiu um terço da propaganda que 300 teve. Vai ver ele também foi ajudado pelas poucas estréias interessantes do final de semana. De todos os filmes do David Fincher até este que irei comentar a seguir, só tinha gostado mais mesmo de VIDAS EM JOGO. Sou um dos poucos que gostam de verdade do ALIEN 3 e valorizo mais SEVEN e CLUBE DA LUTA mais pelos padrões que eles quebraram do que pelos filmes que são. Só QUARTO DO PÂNICO que nada mais é do que uma boa diversão para o espectador e para o próprio Fincher, que visivelmente adorou ter aquela experiência. No geral, posso dizer que nunca me decepcionei com este diretor e ZODÍACO não é exceção.

O filme retrata um caso verídico que ficou marcado na História dos Estados Unidos e nas mentes dos seus populares nos anos 70. Baseado no livro de Robert Graysmith, esse longa-metragem tem um elenco impecável com Jake Gyllenhall encarnando o próprio autor, que era cartunista do San Francisco Chronicles quando a redação recebe a primeira de várias cartas do assassino do Zodíaco. O conteúdo chama de imediato a atenção de muitos dos presentes, incluindo o jornalista boêmio Paul Avery (Robert Downey Jr.). Graysmith revela ser a pessoa que mais está atenta ao caso mesmo sem participar do jornal como repórter e Avery - que não é nada besta - começa a ficar mais próximo do colega de redação para receber a ajuda dele nas suas reportagens. Enquanto isso, os inspetores David Toschi (Mark Ruffalo) e William Armstrong (Anthony Edwards) da polícia de São Francisco começam a investigar o assassino após um inesperado homicídio ocorrido dentro de um típico bairro de classe média. Chloe Sevigny (uma moça que eu e o Daniel "The Walrus" não conseguimos imaginar mais sem a boca no "instrumento" hehe), Brian Cox, Dermot Mulroney, Elias Koteas, Donal Logue e Philip Baker Hall interpretam personagens periféricos, mas de fundamental importância na história. Tom Kopache é apenas uma presença decorativa na redação do SF Chronicles (não me lembro dele dizer uma palavra... o que é uma pena se isso for verdade) e até o mala do James LeGros está convincente em sua participação especial.
Nenhum dos maneirismos visuais que Fincher detonava em seus filmes anteriores está presente aqui. A narrativa de ZODÍACO é bem à moda antiga e moderna ao mesmo tempo com ótimas escolhas do diretor, como a montagem com cartas do famoso assassino e manchetes de jornais ilustrando a passagem do tempo enquanto vemos os personagens em ação. Digo sem qualquer receio que ZODÍACO é um dos mais fiéis relatos cinematográficos de um caso policial já feitos lembrando bastante TODOS OS HOMENS DO PRESIDENTE, que vem sendo mais citado pelos cinéfilos recentemente durante os comentários sobre o filme.
Ele lembra (e muito) ainda o excelente MEMÓRIAS DE UM ASSASSINO, que vem da Coréia e também fala de homicídios cometidos por um assassino em série que chocaram um país. ZODÍACO procura focar o quanto um caso pode mexer com a vida dos seus envolvidos, ao invés de explorar exageradamente a execução dos crimes. O realismo da produção é o seu maior ponto positivo. Já ouvi comentários dizendo que o filme era monótono, confuso e difícil. Sim, e o caso não foi exatamente assim? Toda aquela frustração constante que os personagens sentem a cada pista falsa que seguem e a cada erro cometido é sentida de imediato pelo espectador. E a esperta conclusão desagradará muitas pessoas que esperavam um final conforme as convenções do subgênero. Eu achei demais! ZODÍACO é fácil, fácil, o melhor filme do David Fincher e isso já pode ser o bastante para ele garantir lugar em várias listas dos melhores do ano.
Curiosidades:
Philip Baker Hall pode ser visto em mais uma das versões cinematográficas que relatam os crimes do assassino do Zodíaco. O filme também é chamado ZODÍACO aqui no Brasil e ele foi lançado em DVD pela Imagem Filmes. Já Anthony Edwards tem um dos seus melhores momentos no ótimo telefilme À SANGUE FRIO, que é baseado no clássico livro de Truman Capote que fala de um crime que também chocou os Estados Unidos.
UZUMAKI (Jap, 2000)

Original, bizarro, troncho e divertido ao mesmo tempo. Certamente não é todo dia em que a gente vê um filme assim. Você pode não gostar de UZUMAKI, mas provavelmente acabará concordando que o filme é uma experiência memorável. A beleza imagética da produção agrada até os detratores. Traduzindo para o português, o título original significa ESPIRAL. Quem diria que espirais seriam retratadas como algo de ameaçador em qualquer meio de expressão algum dia? Isso que eu chamo de imaginação.
Baseado em uma famosa HQ, esse exemplar do moderno cinema oriental de terror consegue se esquivar dos clichês tradicionais que tanto infestam os outros filmes, como aqueles fantasmas femininos cabeludos que viraram moda depois de THE RING. O filme inicia com um close parcial do rosto de uma garota que irá nos contar uma história acontecida na sua cidade natal. A seguir, temos outro close, desta vez na expressão facial de um rapaz morto e a câmera vai subindo e girando como se fosse uma espiral até vermos várias pessoas olhando esse mesmo cadáver das escadarias de um local. Me lembro do efeito que essa cena teve em mim quando testei o vídeo no meu DVD. Foi o bastante para deixar o filme guardado um tempinho hehehehe. Quando terminei de assisti-lo, vi que podia ter visto ele antes porque a curtição seria a mesma.

Depois dos dizeres iniciais, o espectador conhece a estranha protagonista quando ela repara que o estranho pai do seu melhor amigo (que também é estranho) está gravando um caracol numa câmera de vídeo. A garota não consegue puxar uma conversa, pois o homem está vidrado no animal. A partir do momento em que ela se encontra com o rapaz, o filme passa a se desenvolver e nós percebemos que o pai está cada vez mais obcecado por espirais de todos os tipos. Não demora muito para que essa insana obsessão vá tomando conta aos poucos dos moradores da pequena cidade (tinha de ser!) onde a moça reside.
É tudo muito absurdo e esquisito em UZUMAKI. O diretor Higuchinsky (até o nome do cara é estranho!!) fez um bom trabalho com um material que poucos saberiam como lidar. Não é qualquer um que encara um roteiro alucinógeno e surrealista como esse e faz o resultado final lembrar os bons tempos dos filmes de Lucio Fulci e Michele Soavi. Ao invés de respostas, mais e mais perguntas são jogadas nas nossas caras. No geral, o filme pode até ser definido rapidamente como uma coletânea aterradora de imagens inacreditáveis de tão insólitas, fascinantes e criativas acompanhada por uma trilha sonora bacana e atuações eficientes. Há ainda uma divertida referência ao clássico O EXORCISTA perto da conclusão.
Há quem diga que filmes no estilo de UZUMAKI são perda de tempo. VÁ E VEJA não pensa assim. Ver um filminho dodói do juízo de vez em quando sempre faz bem.
Agradecimentos à minha amiga Rosana Dias pela cópia.
segunda-feira, junho 04, 2007
Duas interessantes novidades em DVD

Finalmente irei ver este filme do nosso querido Stuart Gordon com roteiro de David Mamet!! Já está anotadíssimo na memória para a minha próxima visitinha nas duas locadoras mais próximas de casa.
Nos balaios promocionais:

Eu já estou com esse filme na coleção faz mais de 1 ano. Só que toda vez que o vejo na prateleira e penso no sobrenome Godard rola uma preguiça desgraçada para puxar ele. O disco é da Spectra Nova e a capinha diz que a imagem é FULL, provavelmente deve ser cópia de VHS como a que eu tenho.
quarta-feira, maio 30, 2007
Encarando um desafio prazeroso
domingo, maio 27, 2007
Download de A CASA DOS MAUS ESPÍRITOS

Parte 1 (76mb)
Parte 2 (76mb)
Para juntar os arquivos, use o Splitter ou o HJ-Split
Ele também está disponível em um DivX de 700mb e outros tamanhos no maravilhoso Internet Archive clicando aqui.
O LUTADOR (Undisputed 2, 2006, USA)
Poucas vezes tenho conferido filmes feitos exclusivamente para vídeo realmente bons. 2006 foi o ano das continuações baratas feitas para lançamento direto em DVD. Na maioria esmagadora das vezes, elas não tem a menor relação com o filme original. Só pela Sony teve 8MM 2, MULHER SOLTEIRA PROCURA 2, A CASA DE VIDRO 2, MATADOR DE ALUGUEL 2 e outras. Esse ano também devem ser lançadas mais, agorinha mesmo foi a vez de COM AS PRÓPRIAS MÃOS 2 com o Kevin Sorbo (aquele da série de filmes pra TV HÉRCULES com Anthony Quinn fazendo Zeus, lembram disso?) no lugar do Dwayne "The Rock" Johnson. Pois bem... os caras da Nu Image viram que era uma boa fazer uma continuação neste mesmo molde de O IMBATÍVEL (Undisputed, 2000), por ele ter feito um relativo sucesso e ser uma das poucas produções que a empresa lançou no cinema. O orçamento destas continuações é sempre mais baixo do que o original, algo que dá uma esperança de um retorno rápido e seguro do dinheiro investido pelos produtores.
No lugar de Walter Hill, Isaac Florentine. Um diretor mais conhecido por ter feito vários episódios de Power Rangers do que pelos seus filmes baratos de ação. Ao invés de Ving Rhames, quem interpreta George Chambers desta vez é Michael Jai White, um ator que desde SPAWN nunca fez mais nada que fosse mais digno de menção. Isso não cheira nada bem, não é? Mas eu só queria ver um puro e simples bom filme de porrada e pensei que ele poderia me satisfazer. E como satisfez! Parecia que eu estava assistindo um daqueles filmes massas de torneio dos anos 80 e 90!

O LUTADOR se passa na Rússia dos tempos atuais, embora tenha sido inteiramente filmado na Bulgária. George Chambers está no país para gravar um comercial de vodka, pois as coisas não vão nada bem para ele continuar com o seu elevado estilo de vida. Só que Chambers acaba sendo preso inocentemente por porte ilegal de drogas no seu quarto, numa trama armada por um mafioso para ele entrar numa das piores prisões do país e enfrentar Uri Boyka (Scott Adkins, puta revelação!), o campeão invicto do local. A cadeia é o palco das apostas ilegais no bar do mafioso, não perguntem para mim o motivo disso pois eu não faço a mínima idéia. Poxa vida, se o Chambers já está ferrado de grana, não custava nada apenas fazer uma oferta a ele ao invés disso tudo? Mas sabem como é... coisas de roteiro de filme feito pra vídeo comer mais tempo de exibição e não ser só uma coletânea de lutas hehe. Além do Chambers, há um outro detento americano vivido pelo injustiçado Ben Cross com quem o protagonista fará uma amizade.

Como dá pra notar, a única coisa que existe em comum neste filme com o original é a premissa básica e o personagem do Chambers que é interpretado aqui por alguém mais jovem. Eu gostei de Snipes e Rhames no anterior, mas Michael Jai White e Scott Adkins exalam carisma e ainda são verdadeiros artistas marciais. White faz basicamente o que o antecessor fazia (ficar bem puto quase sempre!) e ainda dá vários golpes nas inspiradas e brutais cenas de luta que ninguém imaginaria ver Rhames fazendo. O britânico Adkins como Boyka é um daqueles vilões que a gente adora odiar. Além de ser uma fantástica revelação como ator marcial, ele não decepciona em seu desempenho fora do ringue da prisão.
Não tem como o fã do gênero se decepcionar com O LUTADOR. Bom... a única coisa que achei fora de lugar foi a conclusão melosa. Nem tudo são flores. Mas Isaac Florentine aqui está em sua melhor forma, com muito mais domínio na câmera e nas cenas de ação. Ele sabe muito bem aquilo que quer e (ainda bem...) é mais discreto com os efeitos sonoros do que em seus filmes anteriores. Pelo menos, Florentine e Adkins podem ter certeza que já ganharam mais um fã aqui no Brasil. Depois do elogiado FORÇAS ESPECIAIS (Special Forces, 2003) e deste O LUTADOR, os dois se juntaram novamente em THE SHEPHERD onde uma briga daquelas entre Scott Adkins e Jean-Claude Van Damme é algo certo se depender de Florentine. A sinopse do filme é bem semelhante a do fuderoso O LIMITE DA TRAIÇÃO (Extreme Prejudice, 87) de Walter Hill.
PS: Leiam o comentário inspirado do amigo Luiz Alexandre sobre FORÇAS ESPECIAIS em seu blog clicando aqui. Eu tenho que ver esse filme algum dia!!
terça-feira, maio 22, 2007
1931 - 2007 Por coincidência, só fui ver o inacreditável APACHE BRANCO (um faroeste italiano feito nos anos 80!) neste final de semana. Mattei não partiu de 2007 sem deixar mais um dos seus filhotes cinematográficos. Essa nova produção se chama ZOMBIES: THE BEGINNING (Zombie, La Creazione). Clicando na imagem abaixo, você irá assistir ao trailer do último filme de Mattei que tem tudo para agradar aos fãs deste diretor que marcou a História do cinema sem tomar o mínimo conhecimento disso!
Addio, Bruno Mattei. Sua coragem e despretensão em fazer filmes fará muita falta.
segunda-feira, maio 21, 2007
Falando um pouco sobre como estou no momento, a inauguração da sala alternativa Fernando Spencer e MARIA de Abel Ferrara

Chegando lá um pouco antes da hora para não ser pego de surpresa, tomei um expresso na maior tranquilidade. Depois dei uma olhada nos posters e material publicitário que podem ser encontrados pelos corredores do ETC. Dentre eles destaco A ÚLTIMA CARTADA, o novo filme de Joe Carnahan (do visceral NARC) que quero muito ver na tela grande. Eu conhecia muita pouca gente dos presentes, aquelas pessoas com quem eu podia papear pro tempo passar mais rápido já estavam fazendo isso com outras que não conheço. Aí escolhi uma das mesas na praça de alimentação e fiquei na minha tomando um refrigerante de leve fornecido pelas sorridentes moças do buffet na espera do início da cerimônia. Quando vi a movimentação tratei de ficar próximo da entrada das salas. Chegando lá reencontrei Luiz Joaquim e achei Carol Ferreira, quem deu sinal verde ao VÁ E VEJA para prestigiar o evento. Eu pensava que nunca tinha falado com ela pessoalmente, mas nos reconhecemos de outras ocasiões. Foi Luiz também quem disse algumas belas pelavras em homenagem a Fernando Spencer, uma pessoa de importância e influência determinante para o cinema e a crítica cinematográfica de Pernambuco. Spencer estava presente, recebeu uma placa da organização do cinema e falou emocionado sobre um pouco da sua trajetória. Foi ele quem trouxe o conceito de sessão de arte para o Estado. Antes mesmo da cerimônia terminar, a atenciosa Carol me chamou e indicou as salas 1 e 2 onde MARIA seria exibido, já que na 3 rolaria a exibição de um documentário sobre o homenageado. Agradeci e me joguei dentro da sala para assistir ao meu primeiro Abel Ferrara no cinema. A noite já era inesquecível por si só, mas ver o "Directed by Abel Ferrara" numa tela grande me deu uma sensação de prazer cinéfilo comparável apenas ao que tive quando vi "Directed by George A. Romero" na mesma maneira há quase dois anos atrás com TERRA DOS MORTOS.
Não é nenhum exagero dizer que MARIA é o mais religioso de todos os filmes da filmografia de Ferrara e até mesmo o mais melodramático. Mas não se preocupe muito com isso, pois com o nosso camarada nós estamos em terreno seguro. E outra vez temos um elenco afiadíssimo pelas mãos do diretor que é composto desta vez por Juliette Binoche, Forest Whitaker, Matthew Modine (em seu segundo Ferrara) e Heather Graham. MARIA tem seu foco maior em três personagens. Tudo está ligado a ESTE É MEU SANGUE, um filme sobre Jesus Cristo dirigido pelo cineasta e ator Tony Childress (Modine) onde ele mesmo faz o protagonista. Childress se prepara para a série de protestos que o seu novo projeto irá receber, pois está crente de que seu novo projeto fará sucesso e polêmica. Binoche interpreta uma atriz chamada Marie que interpreta Maria Madalena no filme de Childress que abandona a sua carreira após os términos das filmagens para viver em Jerusalém pelo fato da personagem ter lhe influenciado bastante. Já Whitaker é Theodore Younger, apresentador de um programa de entrevistas no horário noturno que tem como justamente Jesus Cristo como tema principal. Ele faz de tudo para conseguir o que quer, devendo até uma merecida assistência à sua esposa Elizabeth (Heather Graham, dando um tempo nos besteróis...) que está no final de sua gravidez e pode ter o bebê a qualquer momento.
Muitas vezes fico achando que sou novo demais pra gostar de Ferrara, mas eu acredito com forte convicção de que que ele é um dos poucos diretores realmente especiais da atualidade. É através dos três personagens principais que Ferrara lança uma série de questionamentos e parece falar com o espectador sobre as questões que mais lhe atormentam, utilizando-se de uma sinceridade admirável. Quem curte cinema sabe que esse diretor nova-iorquino tem raízes católicas, mas sempre quando pode ele dá uma alfinetada em sua própria religião pelas coisas absurdas que até hoje ela prega. Eu sou católico de criação e a julgar pela minha última frase dá pra perceber que concordo com ele em alguns pontos.
Eu não sei dizer se MARIA deveria ser mais visto pelo público, já que o estilo narrativo de Ferrara não é nada caracterizado pela linearidade. Enquanto a ação vai rolando, há várias intervenções de cenas do próprio filme de Childress dentro do filme e do programa de entrevistas fictício de Theodore onde vemos vários teóricos e estudiosos reais nos transmitindo informações dentro do tema (evangelhos apócrifos e outros mais). As atuações de Binoche, Whitaker e Modine podem ser consideradas algumas das melhores de suas carreiras, mas quem dá show mesmo são os dois últimos. Modine tem menos tempo de participação no filme do que eu gostaria, pois ele compreendeu perfeitamente quem era aquele personagem e a sua última cena dentro de uma sala de projeção eu considero desde já ficará um dos melhores momentos da filmografia de Ferrara. Digo o mesmo da espantosa cena de Whitaker na igreja com um arrepiante close da imagem de Jesus Cristo na cruz. Não pude deixar de reparar no rapaz que estava ao meu lado junto de sua esposa ou namorada. Lágrimas caíam copiosamente do rosto dele neste momento. Isso que é cinema!
MARIA é um filme difícil, intimista e de ritmo lento, apesar de durar em torno de 1h30min. Ele consegue ser religioso, sem ter uma visão doutrinatória desse tema tão difícil de se lidar. Ele consegue ser forte, provocante e incômodo da mesma maneira que os melhores filmes de Ferrara usando menos de 0,5% da violência física presente neles. Enfim, MARIA é nada mais nada menos que uma emocionante obra de arte. Já estará no meu top 10 de vistos no cinema em 2007, mesmo tendo demorado dois anos para chegar aqui no Brasil.
Agradecimentos à organização do Cinema Rosa e Silva e Carol Ferreira pelo apoio e a Fernando Vasconcelos, responsável pelo empurrãozinho que me fez receber a confirmação do convite. Valeu mesmo!
quarta-feira, maio 16, 2007
Lobisomens de motoca e a sucessora do Dr. Frankenstein: quase 3 horas de pura diversão
Peguei minha pipoquinha, uma quantidade satisfatória de Coca-Cola (e olhe que estou tentando fazer um regime rs), deixei os DVD's na mesa e coloquei um no player. Acabei me divertindo que nem os antigos pirralhos de 14 anos faziam quando voltaram pra casa com duas fitas velhíssimas alugadas da locadora para arriscar a vida útil do cabeçote do vídeo-cassete.

Iniciei logo com o que eu achava que seria mais esculhambado, LOBISOMENS SOBRE RODAS. Desta vez, tive o privilégio de assistir a esse exemplar dos filmes de motoqueiros dos anos 70 em uma excelente cópia restaurada com imagem em widescreen e som legal. A qualidade da imagem é tamanha que acabou quebrando um pouco o clima "drive-in" ou "grindhouse" da sessão. Quando os créditos iniciais (onde o nome do filme não aparece! hehehe) começaram a rolar com os "Devil's Advocates" mandando ver na estrada eu estava crente de que assistia a um registro da passagem de uma gangue de motoqueiros por uma cidade que poderia estar em qualquer documentário. Tirando a figura comentando sobre o tamanho do pênis do seu namorado para a amiga, o filme já ganha pontos pela autenticidade desta única cena.
As coisas começam a dar mal para os nossos camaradas quando eles inventam de farrear num misterioso mosteiro e acabam sendo abordados pelos monges visivelmente nada bem intencionados que residem lá. A gangue se alimenta do pão e de um líquido vermelho oferecido pelos homens que - numa amostra do talento do diretor Michel Levesque - nunca tem os seus rostos revelados pela câmera. Assim que eles conseguem sair do local, cada um dos membros da gangue passam a ser assassinados misteriosamente.

O filme tem um fiapo de roteiro e não duvido nada que muitas coisas tenham sido improvisadas na filmagem. Devem ter rolado litros e mais litros de ácido pelas mãos de cada membro da equipe. Querem uma prova? O filme contém uma seqüência inteira passada em uma paisagem desértica vinda do mais absoluto nada!!! LOBISOMENS SOBRE RODAS pode ser considerado um pouco decepcionante por causa de uma coisa: o título. Qualquer pessoa que vai assistir a um filme chamado LOBISOMENS SOBRE RODAS pensa que ele é um filme de terror com algo dos filmes de motoqueiros. Mas ele é exatamente o inverso. Os lobisomens mesmo apenas dão as caras perto dos 10 minutos finais onde em pouco tempo apreciamos alguns pequenos momentos de notável inspiração. Bah, não vou me segurar, por favor só leia se quiser continuar com este parágrafo, mas não se preocupe que não irei soltar SPOILERS. Perto da conclusão, um motoqueiro queima a bandeira dos Estados Unidos enrolada num pedaço de madeira para se defender dos ataques das criaturas e há uma perseguição dos sobreviventes munidos de tochas a um lobisomem que está fugindo de moto, mais ou menos como os revoltados moradores das pequenas vilas sempre faziam nos clássicos filmes da Universal. Pretendo rever o filme qualquer dia desses com os comentários em áudio do diretor e roteirista Michel Levesque acompanhado do co-roteirista David M. Kaufman. Eles são moderados por David Gregory (da Blue Underground), que é bem capaz de tê-los deixado bem ocupados falando.
Ainda aproveitando o DVD de LOBISOMENS... vi os trailers do próprio e o de THE LOSERS que estão na parte de extras para aumentar o clima "grindhouse" que reinava no quarto. Só sei que eu disse a mim mesmo de que precisava urgentemente assistir a algum filme do do Jack Starrett com William Smith, que é o caso de THE LOSERS. No filme, uma gangue de motoqueiros é recrutada pelo exército americano pra ir ao Vietnã!! PQP! Genial!!!

Depois foi a vez de LADY FRANKENSTEIN, lançado aqui no Brasil em VHS como A MULHER DE FRANKENSTEIN. Um título dos mais aproveitadores só por causa da presença de Rosalba Neri, uma atriz de beleza estonteante nos anos 60 e 70 que apareceu em muitos exploitations e filmes de terror europeus no período, inclusive alguns títulos do nosso querido Jess Franco. Ela interpreta a filha do Dr. Frankenstein, vivido aqui pelo veterano Joseph Cotten. Após protagonizar BARON BLOOD de Mario Bava, Cotten fez participações em vários filmes baratos na Itália, incluindo o crássico A ILHA DOS HOMENS PEIXE e até mesmo um dos "polizieschi" de Umberto Lenzi para faturar uma grana rápida antes de se aposentar. A simples presença de um ator como Cotten beneficia e dar um ar respeitável a qualquer filme que seja, coisa que os produtores italianos deveriam saber muito bem.
Como falei no início do texto de hoje, LADY FRANKENSTEIN é uma nova visão da conhecidíssima história de Frankenstein. Mel Welles, mais conhecido pela sua atuação no papel de Gravis Mushnik na versão original de A PEQUENA LOJA DOS HORRORES do mestre Roger Corman, é o responsável pela direção do filme e Paul Muller, Herbert Fux e Mickey Hargitay também fazem parte do elenco. Essas três figuras são muito bem conhecidas do fã daquele tão bom cinema popular europeu que marcou época. Hargitay é mais lembrado por algumas pessoas por ter se casado com Jayne Mansfield, só que há outras que o lembram mais de BLOODY PIT OF HORROR e DELIRIUM, dois filmes baratos que tem fãs incondicionais e detratores na mesma proporção.

Não quero entregar muito o jogo a respeito de LADY FRANKENSTEIN. Grande parte dos comentários na Internet revelam algo sobre a participação de Joseph Cotten que acho prejudicial a quem irá assistir a ele pela primeira vez. A minha surpresa seria maior se eu não tivesse lido eles. Vamos dizer que o roteiro contém uma virada e a partir daí ele é dominado pela personagem de Rosalba Neri, que usa do seu corpo e da sedução para conseguir o que quer. Aí é que está a inovação dele, temos aqui talvez a primeira cientista maluca do gênero. O filme poderia ser melhor e não tão previsível, mas conseguiu me divertir bem.
terça-feira, maio 15, 2007
quarta-feira, maio 09, 2007
Anúncios gerais
Carrard manda ver outra vez na pista da ZINGU! com os Discomovies na coluna Subgêneros Esquecidos e muito mais, além de um dossiê do crítico paulista Edward Janks. Um dos textos dele presentes nesta edição é 1985 - Um Ano de Muita Sacanagem. UIA! Que bom saber, nasci exatamente neste ano hehehe. Enfim, a ZINGU! já virou sinônimo de leitura obrigatória todo mês.
2 - Corrigindo uma falha, adicionei um rápido comentário do curta-metragem CABACEIRAS no post do Cine-PE: dia 26 de abril. Simplesmente o título dele me passou batido quando estava escrevendo aqui sobre o dia. Agora posso dizer que minha cobertura dos três dias que participei do festival está completa.
3 - Mais uma resenha de minha autoria foi publicada no glorioso Boca do Inferno. Falo de uma mega tralha chamada VAMPIROS ASSASSINOS. O texto já tinha sido publicado antes no saudoso Erotikill, mas creio que ele agrade quem gosta de ver alguém descendo lenha e tirando sarro com a cara de bombas que não tem noção do ridículo como essa. O maior destaque da última atualização foi o artigo do incansável Felipe Guerra sobre o aguardado GRINDHOUSE. Quem se considera fã de terror e ficção e diz que não gosta do Boca do Inferno não é meu amigo!
4 - Adicionei mais blogs e sites na seção de links ao lado, como o do Cineprojeto 365 onde também irei colaborar com resenhas na medida do possível.
É demais pedir perseguições como essas no cinema de ação atual?
Homenagens Póstumas
1927 - 2007
Gordon Scott
1926 - 2007
Serafim Gonzalez
1934 - 2007
Enéas Carneiro
1938 - 2007
segunda-feira, maio 07, 2007
Cine-PE: 27 de abril
1 - Era sexta-feira.
2 - Presença confirmada de Rodrigo Santoro na apresentação do longa NÃO POR ACASO.
Pronto, aí fudeu. Pense na quantidade de tietes que estavam presentes em todos os lugares. Nas filas, nos pátios, na praça de alimentação e nas cadeiras, só se falava de Rodrigo Santoro. Aliás, esse é um reflexo da extensa maioria do público do festival. Você pode dar uma chegada perto da entrada e raramente se pode ouvir alguém falando de cinema ou trocando alguma idéia sobre os filmes que acabou de ver no intervalo. É por causa deste grande fluxo de pessoas que o evento acontece no Teatro Guararapes, localizado no Centro de Convenções de Pernambuco em Olinda. Há casos em que a acústica do local prejudica alguns filmes, mas esse ano foi bem melhor e só tive mais problemas com um dos títulos exibidos, o documentário de curta-metragem A ENCOMENDA DO BICHO MEDONHO. Outra particularidade do grande público de festivais como o Cine-PE é bater palmas para qualquer coisa que tenha início, meio e fim que esteja no telão sem ser os comerciais.
Como eu estava acompanhado de amigos e colegas da minha turma na faculdade e ainda me encontrei com gente que conheço de fora, bati uns papos legais e fui apresentado a mais outras pessoas. Aliás, foi no Cine-PE que fui apresentado a uma das minhas ex-namoradas. Uma coisa bacana e que gosto muito do evento é que ele reúne mesmo várias pessoas que gostam de cinema e que trabalham no ramo. Pernambuco está se fortalecendo cada vez mais em termos de produção audiovisual. Quem sabe algum dia desses eu mesmo invente algo só pra botar minhas mãos numa câmera e o Estado ter mais uma figura fazendo cinema? hehehe. Minha cabeça tá uma doidera só esses tempos... vai que daí nasce uma idéia interessante.
Vamos aos comentários, desta vez de uma maneira bem diferente dos posts anteriores que vocês acompanharam. A noite começou com O SAPO, um curta-metragem infantil feito pelo carioca Adolfo Sarkis. Na hora estranhei, mas depois saquei a onda. Se um curta destinado a um público tão restrito entra num festival como o Cine-PE ao lado de tantos outros filmes de conteúdo adulto, é porque ele agrada em cheio aos dois públicos. Ainda bem que minha previsão estava correta e o filme acabou sendo mais legal e simpático do que o esperado. Não tem como não se divertir e voltar aos tempos de criança com a história do garoto que só quer participar de uma peça interpretando o Sapo (daí o título) por estar a fim de uma garota popular do colégio que interpreta A Princesa. O SAPO é bem leve, despretensioso e divertido, justamente como vocês devem estar imaginando. O diretor Adolfo Sarkis merece parabéns pela boa condução do filme, pelo roteiro objetivo e a paciência que se deve ter sempre quando se trabalha com crianças.
A ENCOMENDA DO BICHO MEDONHO do paraibano André da Costa Pinto foi outro filme que explicitou o problema que a organização do evento enfrenta com a acústica do Teatro Guararapes. Ele fala de um senhor de seus 95 anos incrivelmente lúcido chamado David Ferreira. Eu não consegui entender muita coisa do que os entrevistados falavam, além do filme sofrer um pouco de falta de foco, característica de realizadores iniciantes em documentário. A ENCOMENDA DO BICHO MEDONHO faz parte do projeto REVELANDO OS BRASIS, que promove a inclusão e formação audiovisual para moradores de municípios brasileiros com até 20 mil habitantes. É com esse pequeno registro da vivência do seu David que não deixamos de conhecer o seu talento, já que ele faleceu no último dia 6 de abril.
Logo depois foi a vez de JOYCE, curta-metragem de ficção paulista dirigido por Caroline Leone (será que ela tem parentesco com o Mestre??) que registra um pouco do amadurecimento de uma garota de 12 anos residente em uma favela da grande São Paulo. Pessoalmente, ele não fez muito o meu gênero e me sinto até cansado com filmes assim, que parecem não ter algo de diferente para se dizer. Vai ver ando querendo notar segundas intenções em um filme que não as tem. Resumindo... muitos gostaram e acharam válido, para mim foi mais do mesmo. Podem me chamar de insensível rs.
NO RASTRO DO CAMALEÃO é a estréia de Eric Laurence (do marcante ENTRE PAREDES), cearense radicado pernambucano, no cinema de documentário. Com alguns momentos de notável criatividade do realizador, o filme fala do cotidiano da banda cabaçal Irmãos Aniceto onde eles falam de maneira bem descontraída e sincera sobre a relação deles com o cinema nacional e vários outros assuntos. Tem uma cena onde um deles vai à feira livre dar uma paradinha num camelô para comprar um CD. Como fã de faroeste italiano, não pude deixar de reparar nas capinhas de TRINITY E SEUS COMPANHEIROS e UM DÓLAR ENTRE OS DENTES nos DVD's piratinhas que estavam em venda lá. ;-)
Já O HOMEM-LIVRO é uma pérola, tanto o filme quanto o personagem que o protagoniza. Evando dos Santos tem 42 mil livros guardados em sua casa, localizada em um subúrbio do Rio de Janeiro, para serem transferidos a uma biblioteca desenhada por Oscar Niemeyer. Pelo pouco que conheci dele no documentário, Seu Evando é uma daquelas pessoas que me fazem ter mais esperança neste país em que a gente vive. Ao invés de fazer o espectador se distrair com outras coisas, a diretora Anna Azevedo se utiliza muito bem do único espaço mostrado em seu filme: a casa de Evando. Com todos os livros, ela acaba virando outra personagem no curta. Seu Evando foi aplaudido em massa quando disse de forma bem descontraída que Paulo Coelho era a Xuxa da literatura brasileira hehehe. Ótimo.
O último curta-metragem da noite foi para mim o mais ousado de todos os dias em que eu participei do Cine-PE. EISENSTEIN é outro filme pernambucano a apresentar uma história de amor no festival. Longe de ser apenas isso, ele é uma homenagem escancarada ao cinema e a Sergei Eisenstein, um dos primeiros Mestres da sétima arte. O amor pelo cinema dos três diretores Raul Luna, Leornardo Lacca e Tião (que também atua no filme como protagonista) é visível e o resultado final impressiona e empolga ao mesmo tempo. Achei a inesperada montagem final simplesmente absurda de tão boa. Fiquei orgulho pelo pessoal da Trincheira Filmes e esse belo filhote, que venham os próximos!!
Depois do intervalo, voltei ao Teatro Guararapes o mais depressa que pude para não perder a homenagem do Cine-PE e do Canal Brasil ao grande diretor de fotografia Dib Lufti, responsável pela câmera de filmes como FOME DE AMOR, TERRA EM TRANSE e COMO ERA GOSTOSO O MEU FRANCÊS. Lufti sofreu um enfarto recentemente e está se recuperando bem desse susto que tomou. Para não arriscar a sua saúde, ele preferiu não viajar e quem recebeu o Calunga em mãos foi nada mais nada menos que outro grande do nosso cinema, Nelson Pereira do Santos. Lufti gravou um depoimento para agradecer a todos do evento pela homenagem. Ele estava visivelmente muito emocionado, derramando até algumas lágrimas ao afirmar o quanto é difícil de se fazer cinema aqui no Brasil. Foi um momento lindo e memorável do Cine-PE, mesmo que o homenageado não estava presente em físico no festival.
A seguir, foi a vez da equipe do longa-metragem NÃO POR ACASO entrar no palco através dos bastidores por causa de Rodrigo Santoro e a fúria das tietes que pagaram ingresso só pra vê-lo pessoalmente e de longe. Não me lembro direito se foi antes ou depois da apresentação da equipe antes do filme começar que vi Nelson Pereira dos Santos sair de fininho em meio ao tumulto que se instalou naquela sala com os fotógrafos e fãs tirando fotos e mais fotos de Santoro e das belezas femininas de Letícia Sabatella e Branca Messina (estreante em longas). Seu Nelson passou bem próximo de mim e fiquei tentado a falar com ele e receber um aperto de mão deste homem que respeito tanto. Não sei se eu seria bem recebido por ele ou não. Isso vou ficar sem saber. Será que Nelson ficaria incomodado com o pequeno chamado de um jovem que queria apenas dizer-lhe o quanto adorou finalmente conhecer BOCA DE OURO e se emocionar novamente com a saga de Fabiano, Sinha Vitória, Baleia e os meninos? Tomara que haja uma próxima vez, garanto que essa timidez besta não vai me controlar de novo.
Sobre NÃO POR ACASO, eu deveria ter saído da sala junto com Nelson. Acho que estou ficando cada vez mais chato com filmes pretensiosos como esse. É sério, eu não aguento mais qualquer filme que tenha algum acidente automobilístico tendo relação com quase todos os seus personagens. Já teve AMORES BRUTOS, 21 GRAMAS, CRASH... chega!! Só esse fato e o barulho da sala antes da apresentação me fez perder grande parte da atenção que o filme e os personagens poderiam ter da minha pessoa. Mas isso foi o de menos, constrangedor e ridículo foi ver o público pagante sendo praticamente expulso das suas cadeiras para os membros da equipe assistirem o filme como o público. Porra, eu queria ver se fosse comigo, eu não sairia e ainda deixava claro pra todos que quisessem ouvir que paguei por aquele lugar para assistir a droga daquele filme. Sou um cara até considerado calmo, mas se mexer comigo, leva. Qual era o papel que a organização deveria ter? Deixar aqueles lugares reservados e quem fosse se sentar lá seria avisado da reserva. Pronto, aí tudo ficava bem. Eu saí da sala com 1h de filme, pois senti que a experiência de estar lá não tava me adicionando em nada, além de me sentir desapontado com o que aconteceu. A apresentadora Graça Araújo ainda deu umas meladas nesta edição de sexta-feira nas apresentações de NÃO POR ACASO e EISENSTEIN que nem quero me lembrar agora.
Tirando o final anti-climático da minha passada pelo Cine-PE, valeu a pena aparecer naqueles dias por lá. Teve muitos títulos de curta-metragem que gostei muito de ter conhecido e assisti um dos melhores longa-metragens da nossa safra recente, além de fazer pela primeira vez em toda a minha vida a cobertura de um festival reconhecido nacionalmente (com um certo atraso, é verdade) através deste espaço que tanto me faz bem e prazer de manter no ar. Muito obrigado mesmo a todos que já nos visitaram algum dia e que continuam visitando o VÁ E VEJA para conferir as minhas impressões. Se não fosse por vocês e pela minha iniciativa de virar blogueiro, eu nunca teria tido essa primeira experiência. Até a próxima!
sábado, maio 05, 2007
Enquanto isso na fila do cinema...
PS: Povo... o texto sobre a minha última noite no Cine-PE 2007 está maior do que eu esperava. Só me falta dar aquela revisada e ele será publicado ainda neste domingo. Por enquanto, divirtam-se com esse vídeo bem curioso achado no YouTube.
Quem for ou estiver em SP, não pode perder essa!!
Organização: Sergio Luiz de Andrade e Vinícius Del Fiol.
Dia 12
Mórbida curiosidade (Peeping Tom, ING, 1960)
Direção: Michael Powell
Dia 19
A Casa da noite eterna (The Legend of hell house, ING, 1973)
Direção: John Hough
Dia 26
Anjo da noite (idem, BRA, 1974)
Direção: Walter Hugo Khouri
Local: Biblioteca Municipal Prefeito Prestes Maia
Av. João Dias 822 - Santo Amaro
Tel.: 5687-0513
Lotação: 150 lugares
quinta-feira, maio 03, 2007
CINE-PE: 26 de abril
RAPSÓDIA DO ABSURDO (GO) - Dir. Cláudia Nunes
Documentário experimental feito a partir de imagens de arquivo de dois tristes episódios que envolvem a luta pela terra e pelo campo aqui no Brasil. Eu achei válida a proposta e a mensagem que o vídeo quis passar, mas ainda penso que ele poderia ser bem mais enxuto. Às vezes pensava que assistia a um videoclipe longo. Talvez eu não me sinta bem ou não seja acostumado a ver pouco mais de 10 minutos só de imagens e sons, sem qualquer diálogo. No geral, interessante.
CHORUME (SP) - Dir. Hélio Vilela Nunes
Muito, muito legal! O meu vídeo favorito de todos os que vi no evento. Ele retrata a estranha experiência que um gari passa durante a sua habitual jornada de trabalho noturno. Não vou dizer o que acontece a ele, mas vale dizer que o curta me fez lembrar o ótimo DEPOIS DE HORAS de Scorsese. Quando o Hélio apareceu no palco para falar sobre o filme, não pude deixar de pensar "Olha só que figura!" hehe. E é das figuras que muitas vezes temos gratas surpresas. CHORUME é bem direto, muito divertido e prazeroso de se ver. Vale a pena conferir.
NA CORDA BAMBA (PE) - Dir. Marcos Buccini
Taí um curta de animação que agradou em cheio o público do festival. Ele é daqueles filmes que vivem de uma idéia até simples, mas que é bem executada. Aí é que está a diferença. Para mim, o curta fala sobre a quantidade de vezes em que caminhamos nas ruas das nossas cidades sem se importar muito com o que está acontecendo ao redor. Até o momento em que ocorre algo que nos faz sorrir e querer lembrar daquilo durante a volta ao trabalho ou pra casa para contar o acontecido. No início, confesso que não gostei só por ele não fazer muito o meu estilo, mas revendo um pouco dele agora na cabeça acabei o achando legal.
ATÉ O SOL RAIÁ (PE) - Dir. Fernando Jorge e Leandro Amorim
Para (in)felicidade minha e dos presentes, os realizadores não conseguiram entregar a cópia em 35mm a tempo. Uma pena.
BEIJO DE SAL (SP) - Dir. Felipe Gamarano Barbosa
Já era hora de alguém chegar dando porrada na tela. Esse curta-metragem de ficção do Felipe foi o primeiro dos dias em que participei a fazer isso. Vencedor de prêmios nacionais e internacionais, o filme fala a respeito da amizade de dois homens durante o desenrolar de uma festa de Ano Novo. Tudo acontece a partir do momento em que Paulo chega na casa de veraneio de Rogério acompanhado da mulher com quem ele acabou de se casar. Paulo é um rapaz dos seus 30 anos, enquanto que Rogério já está na casa dos 40 e é um autêntico "bon vivant". Esse cara foi o terror das feministas durante a sessão hehehe. Um dos maiores destaques do filme é Rogério Trindade, que vive e dá seu nome ao anfitrião, numa atuação extremamente natural e ao mesmo tempo comovente. Graças à direção de Felipe e a excelência da atuação de Rogério, o espectador atento até compreende os atos estúpidos que o personagem comete só por gostar muito do seu amigo. Muito bom. Merece demais ser visto e conhecido por também apresentar dois nomes que ainda serão mais reconhecidos no cinema nacional, mas posso dizer de antemão que não é para todos os públicos.
CABACEIRAS - Dir. Ana Bárbara Ramos
Cabaceiras é o nome de uma cidade localizada no interior da Paraíba onde vários filmes nacionais são rodados. Esse documentário de curta-metragem bem estruturado tem seu foco em três pessoas do município que participaram de produções como O AUTO DA COMPADECIDA. Gostei muito de ver o posicionamento crítico que elas tem ao falar que a sua cidade não serve só como cenário de região afetada pela seca (lá tem os típicos laguinhos rasteiros, mas água é uma coisa que não falta nas casas) e que muitos realizadores exploram isso para vender essa imagem sofrida do Nordeste conseguindo assim dinheiro de leis públicas de incentivo com a intenção de financiar o resto do filme. Há uma senhora entrevistada que dá uma viajada daquelas e achei muito legal a diretora do documentário manter a integralidade do que ela queria dizer. No final, os aplausos ao curta e aos seus personagens foram realmente merecidos.
NOITE DE SEXTA, MANHÃ DE SÁBADO (PE) - Dir. Kleber Mendonça Filho
Com este filme, Kleber abocanhou mais um prêmio de melhor direção de curta-metragem no Cine-PE. Dos três dele que eu assisti, NOITE DE SEXTA, MANHÃ DE SÁBADO é o que menos aprecio e me identifico. O que não quer dizer, porém, ele não tenha os seus méritos. Trata-se de uma história de amor contada em 15 minutos através de uma ligação de celular feita de Recife para Kiev. O filme é mais simples do que muita gente esperava depois de VINIL VERDE e ELETRODOMÉSTICA, mas é uma experiência original que ainda deve agradar e fazer pensar os públicos de vários festivais.
Um adendo: Você ainda não viu VINIL VERDE? Caso queira assisti-lo através do Porta Curtas, clique aqui. Eu o considero uma das melhores obras do cinema nacional de curta-metragem. Leandro Caraça e Diogenes L. Cesar, não duvido nada vocês dois gostarem desse filme.
Longa-metragem:
OS 12 TRABALHOS (SP) - Dir. Ricardo Elias
Gostei tanto que irei fazer um post em breve só sobre ele. Trata-se de um filme muito especial, sincero, humano e sem frescurites narrativas sobre o inesquecível primeiro dia de trabalho de Éracles (vivido com garra pelo jovem ator paulista Sidney Santiago, que também foi merecidamente premiado pela sua bela atuação aqui no Cine-PE)como motoboy. Fiquei muito feliz e grato pela surpresa ao ver um trabalho com tantas qualidades me saltando aos olhos, principalmente pela dignidade e respeito conferidos a um personagem do nosso cotidiano que acredito que nenhum outro realizador teve interesse de analisar de maneira decente. Belíssimo.
terça-feira, maio 01, 2007
CINE-PE: 24 de abril
Vamos aos comentários do que rolou na terça-feira...
Vídeos e curtas:
EU SOU COMO UM POLVO (MG) - Dir. Sávio Leite
Gostei muito da proposta e do vídeo em si. O diretor Sávio Leite posicionou a sua câmera embaixo de uma mesa de vidro e o artista Lourenço Mutarelli desenha dois bizarros auto-retratos enquanto ouvimos a sua voz em off lendo um texto autobiográfico. O texto é um pequeno desabafo sobre o seu passado e uma revelação do quanto a sua arte de desenhar o ajudou. Bonito de se ver e até emocionante para o espectador que já tenha visto apenas a qualquer um dos trabalhos de Mutarelli.
PIXINGUINHA E A VELHA GUARDA DO SAMBA (SP) - Dir. Ricardo Dias / Thomas Farkas
No ano de 1954, Thomas Farkas filmou uma apresentação de Pixinguinha e o Pessoal da Velha Guarda no Parque do Ibirapuera em São Paulo com uma câmera 16mm de corda, nas festividades do quarto centenário da cidade. Ricardo Dias resgata essa preciosidade e conta a história do dia da filmagem através de depoimentos do próprio Farkas, que co-dirige o filme. Trata-se da única apresentação filmada de Pixinguinha e seu grupo, portanto o curta é bem válido.
Longas-metragens:
O MUNDO EM DUAS VOLTAS (SP) - Dir. David Schürmann
Não curti o chamado documentário da Família Schürmann. Quando vi que um dos próprios membros da família era o diretor do filme fiquei com o pé atrás no mesmo instante. Deveriam ter chamado alguém de fora do ambiente familiar, pois o resultado final é até mais careta do que você pode estar imaginando agora. O que falar sobre um documentário de viagens onde nenhum problema acontece e o pessoal é bem recebido em todos os cantos em que eles colocam os seus pés? Ah sim, o Capitão fala que a embarcação quase foi assaltada por piratas. Mas cadê as imagens? Pra mim não há coisa pior para um documentário do que afirmar qualquer coisa e não a comprovar de alguma maneira. Resumindo, é filme pra turista de sofá ficar deslumbrando as belas imagens dos vários lugares que os Schürmann visitam. Posso estar sendo bem cruel, mas até parece que essa produção só foi feita para a famosa família de viajantes conseguir mais patrocinadores do que os que já tem. As melhores coisas dele são a curiosa passagem pela Filipinas durante a Semana Santa onde o espectador vê uma crucificação sendo encenada (nada com cordas como se faz por aqui, lá o sujeito é pregado mesmo nas mãos e pés!!) e a eternização da garotinha Kat, que era soropositiva e faleceu no ano passado aos 13 anos de idade. Ela está uma graça no filme.
O CÔCO, A RODA, O PNÊU E O FAROL (PE) - Dir. Mariana Fortes
Sei que é muito, muito feio dizer isso, mas eu tava bem cansadinho e acabei tirando uns cochilos pra me dar conta de que era melhor sair dali para ter uma boa noite de sono no conforto da minha casa. Pelo que eu vi, é um registro válido sobre o côco de roda ou samba de côco, que é uma vertente musical muito forte aqui em Pernambuco, e as suas personagens que, mesmo quase anônimas e apenas mais conhecidas dentro das suas comunidades, continuam a fazer com que o Côco continue com força por muitos e muitos anos.
Homenagem: Patrícia Pillar
A homenageada da noite de terça-feira foi a atriz Patrícia Pillar, que estava presente no evento e recebeu o troféu Calunga em mãos. Ela estava linda e a achei bem sincera e modesta em seus agradecimentos. Antes dela subir ao palco, foi passado um vídeo realizado pela organização do festival e o Canal Brasil em homenagem à atriz com várias de suas participações no cinema e na TV, inclusive em PARA VIVER UM GRANDE AMOR, um musical oitentista em que ela contracena com Djavan. Foi bem divertido quando ela disse "Ainda bem que evoluímos, tomara que a gente nunca mais use isso" sobre a maquiagem dela no filme hehehehe. E fiquei bem feliz quando ela falou sobre o grande trabalho que está tendo atrás das câmeras na realização do documentário dela sobre Waldick Soriano, justamente por comprovar que esse filme vai sair mesmo!!

