segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Gary Daniels em dois filmes da saudosa PM Entertainment

Gary Daniels é um dos outros figuras que participavam das saudosas sessões domésticas faladas no último post. Particularmente, acho uma puta injustiça ele não ser melhor aproveitado hoje em dia como podemos ver no pavoroso LADO A LADO COM O INIMIGO, onde nem mesmo Anthony Hickox conseguiu fazer alguma coisa para ajudar a salvar tudo da desgraça total. Daniels pode não ser nenhum mestre da atuação, mas ele é carismático, tem presença de cena e luta muito, além de ser britânico e garantir um charminho extra por causa do seu sotaque. O cara tinha tudo para ser um grande astro do cinema de ação e acabou tendo a carreira prejudicada com a repentina falência da PM Entertainment em 2000, a prolífera produtora de filmes B chefiada por Richard Pepin (que iria produzir e dirigir depois uma grata surpresa chamada A CAIXA) e Joseph Merhi, onde o astro britânico fez alguns filmes notáveis. Vamos aos comentários que chegaram mais demorados do que o previsto, mas chegaram:


FÚRIA ASSASSINA não é somente um dos melhores filmes de ação da PM, mas um dos melhores e mais divertidos exemplares do gênero dos anos 90. Cara... como eu fiquei feliz quando percebi que ele continua tão legal quanto o vi pela primeira vez numa sessão noturna da Rede Record. Dirigido por Merhi, o filme tem Gary Daniels como protagonista interpretando Alex Gainor, um professor de primário que tem uma vida das mais pacíficas e felizes ao lado da sua esposa e filha pequena, mas é feito de refém por um fugitivo de policiais corruptos. Os dois acabam sendo pegos pelos perseguidores e encaminhados a um laboratório secreto (que é exatamente como se imagina um laboratório tosco de filme B!) onde são realizados experimentos igualmente secretos do governo com seres humanos para a criação do assassino de guerra perfeito. Ohhhhh!! Que novidade!! Eu nunca vi isso antes em filme nenhum!!

Gainor recebe a injeção de uma droga feita para esse fim e não demora muito para que ele se liberte do local, pegue uma metralhadora de um guarda idiota e faça uma verdadeira festa espancando e baleando vários outros guardas idiotas. Os vilões - que tentam fazer cara de mal sem o menor sucesso - conseguem controlá-lo um pouco e o levam a um local deserto para acabar com a vida dele. Não conseguem e alguns acabam partindo desta pra melhor hehehe. A partir daí, as cenas de ação não param e se revelam muito bem executadas para uma produção assumidamente B e feita para o mercado doméstico. As minhas favoritas são as as passadas no topo de um grande prédio comercial (que acaba numa luta corporal dentro de um helicóptero, assim como o recente ADRENALINA com Jason Statham. Olha aí a fonte...) e num shopping center onde tem uma loja de vídeos da PM que exibe cartazes de CIA - CODINOME ALEXA, TOLERÂNCIA ZERO, A ARTE DE MORRER, CYBERTRACKER e outras jóias da cinematografia mundial produzidas por ela (exagerei nada hehehe) escapa imune da destruição. Acho que o filme não seria tão legal se o roteiro não incluísse uma boa crítica ao jornalismo sensacionalista enquanto mostra a cobertura da mídia sobre os inevitáveis desastres e corpos deixados para trás que acompanham a desesperada fuga do protagonista dos bandidos, da polícia, do FBI e da CIA!! O fracassado jornalista televisivo Harry Johansen (Kenneth Tigar, de PHANTASM 2) é o único que tem interesse em ouvir a versão de Gainor dos acontecimentos. Gary Daniels está em ótima forma, comprovando toda a desenvoltura frente às câmeras que eu falei mais acima.

Sim... sim.... este é aquele tipo de filme onde há várias falhinhas técnicas e de roteiro, onde os bandidos tem a pior mira possível, onde o ônibus escolar que o malvadão toma do motorista não tem nenhum pirralho dentro e etc. Mas quem quer gastar 1h30min do seu tempo com uma boa e inofensiva diversão está pouco se lixando para isso. Se você está a fim disso, pode dar uma chance para FÚRIA ASSASSINA que as chances de uma decepção são quase nulas. Na minha prateleira de DVD's, esse filme onde o pobre coitado do protagonista invade uma casa pra matar a fome e é agredido pelos proprietários - um casal de sadomasoquistas (!!!) - está lado a lado do glorioso, do magnífico, do genial COMANDO PARA MATAR do casca-grossa Mark L. Lester. Ele merece.


Em TENSÃO TOTAL, Daniels interpreta Ray Morgan, um policial que se envolve em um tiroteio contra um grupo de assaltantes e que acaba matando um deles junto com seus colegas de corporação. Ray e os companheiros descobrem que ele era de menor e filho de um mafioso (Richard Foronjy, de O PAGAMENTO FINAL e FUGA À MEIA-NOITE). O criminoso, por sua vez, faz com que os seus outros filhos se juntem aos seus capangas para cumprir uma violenta vingança contra todos os policiais responsáveis pela morte do jovem assaltante. Nada que já não tenha sido visto inúmeras vezes antes, não é? Por mim, até aí está tudo bem, já que existem vários filmes sem nenhuma novidade e muito bons mesmo assim por serem bem realizados e defendidos ao longo da sua duração. TENSÃO TOTAL não é um deles. O diretor e co-roteirista Art Camacho não busca outras soluções e segue aquela velha cartilha dos filmes de vingança, com a diferença de que para acontecer algo que deixe o personagem de Daniels extremamente puto e com uma vontade desgraçada de partir pra cima da família do mafioso e seus homens são gastos mais de 45/50min de filme!! Aí é demais pro saco de qualquer um. Ainda bem que o filme chega a ser involuntariamente engraçado por querer se levar tão a sério a todo custo. Simplesmente não dá pra fazer isso porque o roteiro é muito previsível e recheado por alguns dos diálogos mais clichês que já tive o prazer de ouvir. Adicione à receita o típíco show de pirotecnia que a PM sabia fazer tão bem e Gary Daniels fazendo bonito em algumas cenas de luta que o filme está pronto para ser lançado nas prateleiras. TENSÃO TOTAL passa o tempo, mas é bem inferior ao FÚRIA ASSASSINA que tinha um roteiro melhor e nem levava as suas cenas absurdas a sério. Enfim, a fita é válida apenas para os fãs mais alucidados do gênero que se divertem com todo o humor involuntário desse tipo de produção e os de Daniels, que também se leva a sério demais aqui.

Todos os dois filmes foram lançados em DVD no segundo semestre do ano passado pela New Pictures do Brasil Entertainment. Usei os títulos de quando eles saíram em VHS no Brasil e só o TENSÃO TOTAL saiu com o título de VINGANÇA SANGRENTA. Extras zero, menus fuleiríssimos e imagem/som de VHS com qualidade bacana, mas pelo menos a gente saiu na frente uma vez já que temos essas maravilhas em DVD e os gringos FDP secos por elas não hehehe.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Um papinho sobre minha adolescência e algumas pérolas que me marcaram

Eu tava teclando com o amigo Luiz Alexandre no MSN um dia desses e disse que iria escrever sobre dois filmes do Gary Daniels que tinha revisto nessas férias. Na mesma hora, bateu o desejo de compartilhar com vocês um pouco da minha alegria em relembrar daqueles tempos onde eu não fazia a menor idéia do quanto a vida é uma pauleira. Confesso que sinto muitas saudades de quando eu tinha os meus 13 e 14 anos. Muitas coisas aconteceram naqueles tempos, tanto no lado pessoal, quanto na cinefilia. Essa fase me marcou tanto que não consigo me lembrar do que aconteceu em 98 ou em 99, penso sempre nos dois anos ao mesmo tempo. Em meados de 1998, a minha família já estava estabelecida no mesmo lugar em que moramos até hoje, ganhei um "galo" na primeira briga realmente feia que eu tive (sem deixar de quebrar o nariz do infeliz que mexeu comigo hehehe) e eu já começava a me ligar um pouco sobre as garotas, principalmente no que elas queriam escutar dos meninos através das suas "mensagens subliminares".

Só estou falando um pouco sobre isso porque vários filmes vistos nesta época me marcaram tanto quanto esses acontecimentos tão comuns na vida de um adolescente. Eu era tarado pelas locadoras de VHS que impregnavam os subúrbios de Casa Amarela, bairro onde se situa o Educandário São José, a escola em que estudei do Jardim até a 8ª série aqui em Recife. Eu não era sócio de uma, duas ou três, mas de quatro! Elas eram ainda bem mais baratas do que as próximas da minha residência e contavam com as pérolas que essas não tinham nas prateleiras. No final de semana, pegava aquele pacotão só de filme que tinha porrada, tiro, explosão e mulher nua hehehe. Poxa vida... quantas saudades. Várias vezes participei e marquei sessões domésticas regadas a muitas risadas, pipoca e Coca Cola com os filmes de Jet Li (os que marcaram... TAI CHI, LUTAR OU MORRER, MÁSCARA NEGRA e MÁSCARA DA MORTE, o DURO DE MATAR do Wong Jing), Jackie Chan (a gente viu os clássicos CITY HUNTER e O MESTRE INVENCÍVEL mais de 5 vezes!!), Van Damme, Dolph Lundgren, Don "The Dragon" Wilson, Jeff Speakman, Jeff Wincott e outros figuras. Ainda vi A CATEDRAL no mesmo período e me lembro como se fosse ontem do quanto eu fiquei confuso com o filme, mas que gostei dele mesmo assim hehehe. Aquela foi a minha iniciação ao glorioso cinema de terror italiano. :)

Havia ainda o saudoso Cine Trash (Cara... como eu amava aquilo!! Dá pra fazer uma lista com mais de 10 títulos que passaram lá e que estão guardados na memória com muito carinho) e os que passavam de montão na Band e na Record de noite. Pense no barulho que era a sala de aula antes do professor entrar lá. Dava pra escutar que outros colegas também estavam comentando do mesmo filme que tinha passado ontem de noite na TV. Nas sessões de VHS, assistimos altos clássicos de John Woo como ALVO DUPLO 2, RAJADAS DE FOGO, NO CORAÇÃO DO PERIGO (PQP! Não sei porque esse filme continua tão obscuro. O balé da violência de Woo impera do começo ao fim aqui), FERVURA MÁXIMA e BALA NA CABEÇA, outros de terror e suspense como RESSUREIÇÃO com Christopher Lambert (que até hoje acho bom) e A BRUXA DE BLAIR, só que a memória afetiva puxa mais para esses pequenos e despretensiosos filmes que foram assistidos com pessoas especiais que acabei perdendo aquele contato por causa dos diferentes trajetos que tomamos em nossas vidas. Os poucos (bote poucos nisso... infelizmente) com quem falo até hoje dizem que será marcada uma reunião dos ex-alunos da 8ª série de 1999. Até hoje esse encontro só fica na promessa... vamos ver se ele acontece mesmo em 2007.

Acho que volto ainda amanhã ou até hoje mesmo pra falar de FÚRIA ASSASSINA (Rage, 1996) e TENSÃO TOTAL (Recoil, 1997), os dois filmes que revi do Gary Daniels. Abraços a todos.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Stelvio Massi e Umberto Lenzi em dois "polizieschi"


DESTRUCTION FORCE (aka La Banda del Trucido / Dirty Gang, 1977) foi a minha iniciação ao cinema policial de Stelvio Massi, que é tido como um dos grandes realizadores deste subgênero que tomou aos poucos a popularidade conquistada pelos "gialli" e faroestes. Como dá para perceber no poster acima, os astros do filme são Luc Merenda e Tomas Milian. Esses dois atores fizeram tantos filmes nesta prolífica fase do cinema italiano que não consegui pensar em "poliziesco" sem a imagem de um deles vir à mente depois de ter pesquisado um pouco sobre o estilo. Se bem que MISTER SCARFACE foi a primeira VHS que eu comprei com o dinheiro da minha mesada quando eu tinha uns 12 anos de idade!! Pirei com o filme na época, só que essa é uma outra história que irei contar depois por aqui.

A cópia que eu consegui foi extraída da VHS brasileira cuja imagem está escurecida e até embaçada com legendas em branco. Vai ver ela foi telecinada diretamente da cópia em película num equipamento de terceira geração. Há ainda umas cenas que não ficaram bem coesas, o que me faz acreditar que cortes foram feitos na fita. Mesmo assim, deu pra me divertir bem com o filme que é até esquecível e não apresenta nenhuma novidade, mas os menos de 90 minutos da sua duração passam ligeirinho. Merenda encarna um policial claramente inspirado pelo Dirty Harry de Clint Eastwood. Frio e de poucas palavras, ele age bem mais do que pensa. A trama rotineira é recheada por tiros, explosões, perseguições e um show particular de Tomas Milian como o desajeitado Trash (sim, o cara se chama Lixo hehe). O filme já merece uma conferida pela hilariedade de algumas cenas protagonizadas pelo sujeito. Não tem como ficar sem rir de um cara cozinhando e resmungando da vida ao mesmo tempo para o pobre do filho dele que ainda é um bebê. No geral, trata-se de um passatempo inofensivo com as suas qualidades e uma trilha troncha daquelas que só mesmo os compositores setentistas sabiam fazer. Estou também com o elogiado MARK THE COP do mesmo diretor na prateleira me esperando para assistir. Ele deve ser ainda melhor e mais divertido.

Curiosidade: O título nacional do filme é A GANGUE SUJA DO SEXO!! Ah que saudade dos velhos tempos...


Acabei revendo GANG WAR IN MILAN (Milano Rovente, 1973) nessas férias de janeiro. O primeiro "poliziesco" de Umberto Lenzi pode não ser nenhuma obra-prima, mas é uma produção essencial para qualquer pessoa interessada no subgênero. No filme, Salvatore Cangemi (Antonio Sabato) é um grande cafetão de Milan que recebe uma forçada proposta do traficante francês Roger Daverty (Phillipe Leroy, presença confirmada em LA TERZA MADRE, o novo filme do Dario Argento) de revender drogas através das suas prostitutas. Como Salvatore está pouco se lixando para a proposta de Roger e ambos vivem tentando ferrar o outro, inicia-se uma guerra entre as duas gangues em Milão conforme o próprio título anuncia.

Uma das melhores coisas deste filme do Lenzi é o próprio protagonista. Simplesmente, Salvatore Cangemi é um dos personagens cinematográficos mais FDP que tive o (des)prazer de conhecer. O cara é impiedoso, violento, impulsivo, fica puto do nada, vive batendo nas suas prostitutas e ainda não suporta ver alguém falando inglês na frente dele. Quando vi GANG WAR IN MILAN pela primeira vez, pensei ser impossível simpatizar com um personagem assim. Já na revisão, passei a achá-lo mais humano, uma espécie de pré-Tony Montana e reparei melhor nas pequenas cenas em que ele visita a mãe no asilo. Há vários clichês vistos no filme que seriam usados muitas vezes depois em outros filmes de gangsters como a tradicional seqüência onde tem alguém sendo morto a mando do grupo e os membros da organização estão cantando, rindo e se divertindo. A veia "exploitation" do Lenzi se faz presente aqui em diversos momentos, pena que o maior ponto fraco do filme seja a sua própria direção. Tem momentos em que o excesso de "closes" enche a paciência, principalmente quando Salvatore está no seu escritório conversando com os outros membros da gangue. A trilha sonora também repete e muito a música-tema. Ainda bem que temos a beleza de Marisa Mell (de PERIGO: DIABOLIK) para dar uma compensadinha nas falhas e limpar a nossa vista de um bando de macho bigodudo e alguns dragões que "interpretam" as prostitutas. Enfim, o filme tem Sabato, Leroy, Mell, muitos tiros, mortes diversas, peitinhos de fora e um infeliz sendo torturado por choques no saco!! Tudo de bom, né? :)

Agradecimentos a Octavius e Herax, dois seres fanáticos por "poliziesco" que continuam instigando outros fãs de cinema a conhecerem o estilo.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

La Cabina (1972, ESP)



Assistam a esse maravilhoso e inesquecível curta-metragem de Antonio Mercero. Acabei de ver e já digo que o dia de meu aniversário começou de maneira espetacular. São 35 minutos aproximados do seu tempo muitíssimo bem aplicados, eu só dou 10 pro filme porque não existe nota 11 e nem 12. Já estou esperando os comentários de vocês! :)

Agradecimentos a Harlem Pinheiro, que foi quem me fez descobrir o filme.

É HOJE!!

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

David Bowie - Thurdays Child

Reencontrei este belo vídeo do Bowie no final de semana num CD antigo que eu tenho com diversos arquivos. Nunca o vi passando na TV ou alguém falando dele em qualquer tipo de veículo de comunicação, o que não deixa de ser uma pena. Talvez seja porque o clipe é minimalista e meio "pra baixo", mas ele consegue dizer algumas coisas sobre a passagem do tempo em nossas vidas que muitos filmes não tiveram êxito em transmitir.

Via YouTube:



Via RapidShare (o arquivo do CD, um ASF de apenas 4mb com qualidade acima da esperada): Clique Aqui

terça-feira, fevereiro 06, 2007

APOCALYPTO (2006, EUA)


O último fim de semana foi muito legal, apesar de algumas coisinhas que continuam teimando em me deixar um pouco chateado por dentro. São pequenas coisas mesmo, só que não irei me sentir completamente bem até o dia em que todas elas estejam resolvidas. Bem... vamos deixar esse tipo de papo de lado que estou voltando às atividades com força total depois de uma pequena diminuição no fluxo de atualizações por causa das férias que ninguém é de ferro. Usei bem mais o tempo livre para fazer as minhas coisinhas e assistir vários filmes, sinal de que não faltarão cartas na manga para serem lançadas por aqui.

Tive o prazer de compartilhar a experiência de assistir APOCALYPTO neste domingo em companhia de pessoas que realmente gostam de ver um bom filme e bater aquele papo legal depois da sessão. Antes mesmo de subirmos as escadas rolantes para entrar na filinha que já estava começando a se formar, fui agraciado com uma cópia de O HOMEM DUPLO (A Scanner Darkly, 2006), filme do Richard Linklater baseado em Phillip K. Dick que tenho vontade de ver desde que a sua produção foi anunciada! Vou ver se ele entra em cartaz ainda este mês, como estava sendo prometido, antes de assisti-lo na tela pequena. Quando a sessão começou, já vi que APOCALYPTO me deixaria com um sorriso de satisfação daqueles.... se bem que eu sorrio por causa de qualquer besteira hehe. Só aquela caçada à anta do início com menos de 5 minutos de duração paga um terço do ingresso. O restante do filme compensa ainda mais a graninha que foi gasta.

Com APOCALYPTO, já podemos dizer que Mel Gibson tem uma obra-prima na sua curta filmografia de diretor. O poder de síntese que o filme possui é impressionante. No inteligente roteiro co-escrito pelo próprio Gibson, a produção é muito bem sucedida ao contar toda a história de uma civilização utilizando apenas alguns dias, ao contrário da maioria das produções do estilo que fazem isso com meses e anos. O espectador acompanha um pouco da jornada diária do protagonista, um guerreiro chamado Pata de Jaguar (Rudy Youngblood, num desempenho mais do que satisfatório para uma estréia nos cinemas) com o seu filho e a sua esposa que está grávida. Tudo muda quando a sua aldeia é invadida pelos Maias que acabam eliminando sumariamente grande parte dos habitantes do local e ele é levado junto com os sobreviventes do massacre para a cidade deles onde terão dois destinos. Alguns homens e todas as mulheres serão vendidos como escravos e os outros que restaram deverão ser sacrificados à força para satisfazer os deuses que os habitantes do local veneram. Mas Pata de Jaguar fará de tudo para rever a sua família que se escapou do massacre e se escondeu em uma caverna.

A beleza imagética de APOCALYPTO acaba gerando um memorável contraste com a brutalidade e grosseria que está presente na maioria dos momentos da trama. Não é para menos que soltei um “PQP! APOCALYPTO é o CONQUISTA SANGRENTA dos anos 2000!” como mensagem no tópico dele na comunidade do orkut do site Cinemascópio. Os companheiros da blogosfera falaram que AMARGO PESADELO e RAMBO – PROGRAMADO PARA MATAR são algumas das influências de Gibson, mas elas só são notadas por quem é mesmo fã dos filmes. Chegou a minha vez hehe. Achei “Mad Mel” tão casca grossa na condução do filme que senti a presença espiritual de Mark L. Lester e Michael Winner, dois mestres absolutos da grosseria cinematográfica. Falando no Winner, digo também que Charles Bronson ficaria orgulhoso com aquele belo confronto final na floresta se ainda estivesse entre nós.

Quem avisa, amigo é. Vão logo correndo assistir esse filmaço na tela grande que é como ele precisa ser visto, pois a fotografia (em digital, para o horror dos conservadores!) e a direção de arte também impressionam pelo nível absurdo de qualidade que elas possuem. Se você que está me lendo agora não sabe de absolutamente nada sobre o período histórico, pode assistir o filme sem medo que dá para entender tudo. Não liguem para esse bando de críticos carolas que estão reclamando da violência "chocante" da produção. Ela não é gratuita em momento algum e se mostra perfeitamente adequada ao que o filme pede. A já famosa seqüência dos sacrifícios humanos é algo simplesmente lindo, lindo, lindo! Resumindo, APOCALYPTO consegue ser uma aula de História (mesmo que a fidelidade não seja o forte do filme...) e de Cinema ao mesmo tempo e ponto final. Tomara que Mel Gibson nos dê todo ano um filme tão bom quanto este, nem que ele tenha de bater a cara num poste por causa de uma bebedeira para ter outra idéia bacana.

PS: Matheus Trunk nos comunicou de que a gloriosa ZINGU! em sua quinta edição já está no ar para a alegria dos verdadeiros cinéfilos e para a infelicidade dos invejosos de plantão. Como é de costume, me vejo achando uma edição melhor do que a outra. Toda santa vez acontece isso. Visite, leia com carinho e seja feliz. Link: www.revistazingu.blogspot.com

terça-feira, janeiro 30, 2007

O GOSTO DA VINGANÇA ( A Bittersweet Life, 2005)


Coincidentemente, as três últimas resenhas postadas aqui (incluindo essa) foram de filmes orientais. Também pudera, eles estão nos surpreendendo há anos com um cinema de qualidade ímpar, feito por diretores preocupados com uma coisa que cada vez mais está sendo deixada de lado: a arte de contar bem uma história. Até deixei de escrever sobre o belíssimo ZONA DE RISCO (Joint Security Area, 2001) de Chan-wook Park na semana passada para evitar isso, mas tive de me render quando vi SHA PO LANG na última terça-feira.

Lee Byung-hun (que também atua em JSA) interpreta Sun-woo, um rapaz sisudo, violento e de passado obscuro que tem trabalhado por sete anos para o mafioso Presidente Kang (Kim Yeong-cheol) conquistando a sua total confiança. Sun-woo também é o gerente do La Dolce Vita, restaurante de propriedade da organização onde são marcadas todas as reuniões e negociações. Durante um jantar, o chefe ordena que ele acompanhe a sua namorada, uma violinista profissional chamada Hee-soo (Shin Min-a) durante três dias. Caso o jovem perceba a presença sexual de um homem na vida cotidiana da moça, ele deve ligar para Kang ou eliminar imediatamente ela e o companheiro. O porém é que essa tarefa acaba colocando Sun-woo em uma enrascada que despertará toda a fúria vingativa contida no íntimo do seu ser.


Algumas pessoas definiram A BITTERSWEET LIFE como um "Action Noir" e acho que essa definição foi feliz. O filme consegue fazer isso sem qualquer prejuízo para a narrativa e o diretor Ji-woon Kim faz a alegria da gente com uma das melhores e mais memoráveis seqüências de ação corporal dos últimos anos. Ela chega a ser fantástica de tão bem executada e coreografada. Não me lembro de ter visto a cabeça de algum infeliz sendo pressionada e arrastada contra a parede em algum outro filme. Chega doeu em mim na hora hehehe.

Lee Byung-hun encarna Sun-woo com uma naturalidade impressionante e ele me fez lembrar de Alain Delon diversas vezes. O protagonista é um sujeito boa pinta, mas tem cara de poucos amigos e vive muitíssimo bem vestido na maioria das vezes. Soube ontem que Ji-woon Kim se inspirou em LE SAMOURAI de Melville para escrever o roteiro, então a semelhança já está mais do que explicada. Já nos quesitos técnicos, o filme detona. A trilha sonora é um trabalho inspirado e a fotografia salta aos nossos olhos com belos enquadramentos e um uso memorável de cores como vermelho (incluindo o vermelho do sangue que sai dos ferimentos à bala), branco e preto.

O que mais me surpreendeu em A BITTERSWEET LIFE é a maneira como ele fala da vida. Através dos excelentes diálogos travados entre os personagens e das intervenções narrativas do próprio protagonista no início e no fim do filme, fica impossível para um espectador atento a esses detalhes deixar de fazer uma reflexão sobre o quanto ela é imprevisível e injusta na maioria das vezes. Algumas dessas falas são tão marcantes que ficaram gravadas na minha memória, principalmente "A vida é sofrimento. Você não sabe disso?" dita pelo Presidente Baek (Hwang Jeong-min) a Sun-woo. Não pense que o filme seja muito pessimista, há uma correto e muito bem-vindo alívio cômico durante o desenrolar da trama para aliviar esse pessimismo. Os orientais são monstruosos nisso. Takeshi Kitano que o diga.

A BITTERSWEET LIFE é e sempre será um dos melhores filmes sobre esse sentimento que qualquer ser humano já sentiu ou irá sentir algum dia chamado vingança e as conseqüências que ela acaba causando na vida de quem parte para executá-la. O derramamento de sangue pelas mãos de Sun-woo inevitavelmente desencadeará outras vinganças que irão entrar em ponto de ebulição no excelente tiroteio final travado no La Dolce Vita (numa óbvia homenagem ao clássico de Fellini e irônica brincadeira com o próprio título ao mesmo tempo), complementando aquela velha idéia de que a violência só gera mais violência. Ninguém presta neste filme, mas Sun-woo é um personagem tão humano e bem construído que criamos uma empatia com ele e torcemos para o sucesso da sua vingança. Não é à toa que SCARFACE foi outro título que inspirou Ji-woon Kim, um grande realizador que merece ser acompanhado com mais atenção. Preciso aproveitar esse restinho de férias noturnas e assistir A TALE OF TWO SISTERS logo.

Moral: Ao assistir qualquer filme da trilogia da vingança de Chan-wook Park e A BITTERSWEET LIFE, temos a mais absoluta certeza de que não desejamos fazer mal algum a qualquer coreano.

Agradeço ao Otavio Moulin, que fez uma força pro filme ser lançado aqui no Brasil em DVD (mesmo com uma legenda em português que carece de uma revisãozinha na ortografia e gramática em algumas passagens, mas tudo bem... o filme vem com ótima qualidade de som e imagem em WIDE) pela Visual Filmes; ao Leandro Caraça, que sem querer querendo me indicou este filmão no top 10 de 2005 em seu VIVER E MORRER NO CINEMA e a Marcelo Carrard pelo reforço da indicação ao comentar sobre ele no seu MONDO PAURA.

Esse filme fará juz ao título se for ruim!


PS: Se tudo correr bem como acredito, escreverei e postarei uma resenha sobre uma maravilha de filme intitulado A BITTERSWEET LIFE ainda hoje. ;)

quarta-feira, janeiro 24, 2007

SHA PO LANG (Saat Po Long aka SPL, 2005, HK)


Como está evidente em todos os calendários do mundo, hoje é uma quarta-feira que também é dia 24. Então me sinto na obrigação de iniciar as atividades do blog essa semana falando de um verdadeiro filme de macho. Vários colegas blogueiros de credibilidade como Bakemon, Heraclito Maia, Leandro Caraça e Takeo Maruyama (acho que errei rs) já tinham comentado muito bem sobre esse SPL. E eles estavam absolutamente certos. Meus caros, se vocês realmente curtem cinema de ação / policial podem ir na locadora mais próxima e alugar COMANDO FINAL (o infeliz título dado a ele pela Imagem Filmes quando sua equipe consultou o "Hiper-Mega-Ultra Generic Title Generator versão 2.0 em português", fazer o que?) sem o menor receio de ser feliz. O filme é foda!

A trama inicia com o violento chefe do crime Wong Po (o lendário Sammo Hung) sendo liberado da cadeia pela falta de provas contra ele. Detalhe: a principal testemunha de acusação foi assassinada por Jack dentro do carro da polícia, onde o detetive Chung (Simon Yam) também se encontrava. Recuperado dos ferimentos e prestes a se aposentar, Chung inicia com seus homens uma obsessiva caçada por qualquer evidência que finalmente coloque Po atrás das grades, nem que isso signifique a necessidade de alterar a integridade da mesma. Mas quem não se mostra muito disposto a ajudar Chung e seus homens nesse sentido é o inspetor Ma (Donnie Yen) que foi designado para controlar a unidade após a aposentadoria do detetive.


SPL é bem enxuto e vai direto ao assunto, sem enrolações. O espaço que o diretor Wilson Yip destina ao drama particular de alguns personagens, frisando a questão da paternidade, pode ser limitado mas é muito bem utilizado. Talvez seja por isso que achei que Po deveria ser um pouco mais explorado, afinal trata-se de Sammo Hung fazendo um vilão! Mesmo cinquentão, ele simplesmente detona no filme e não faz feio no já antológico confronto entre ele e Donnie Yen. Além de atuar, esse último ainda foi responsável pela coreografia das cenas de luta e realizou um belo trabalho. Todas elas não são longas, e sim rápidas e brutais. Outra luta bem comentada e tão boa quanto a citada ocorre entre Yen e Jackie Wu - que faz um sanguinário assassino contratado pelo Po - num beco. Também gostei de todos os três atores que fazem os parceiros do detetive Chung. Já o meu ator favorito no filme é Simon Yam, o único dos três protagonistas que não se destaca pelo conhecimento de artes marciais. Se não fosse por ele, SPL talvez perderia grande parte do impacto que transmite ao espectador em sua trágica conclusão.

Muitos consideram esse filme como a volta do inesquecível cinema de ação feito em Hong Kong nos anos 80 e 90. Pessoalmente, achei essa afirmação um pouquinho exagerada enquanto o assistia ontem. Ele está mais para que seja o marco inicial desta volta. Tomara mesmo que o merecidíssimo sucesso de SPL influencie outras produções posteriores no mesmo molde e com qualidade semelhante, caso não sejam superiores. A junção de cinema policial com o cinema de artes marciais é um achado. Estranhei um pouco quando a porrada começou a comer, mas depois fiquei bem satisfeito. Acho que esse foi o primeiro filme dos anos 2000 (senão o primeiro de todos mesmo) que conseguiu unir de maneira muito bem sucedida e feliz os dois gêneros.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Parabéns, João Carpinteiro!


Não tem jeito, toda vez que vejo um filme dele acabo ficando assim:

terça-feira, janeiro 16, 2007

JOGO DA VINGANÇA (Am Zin / Running Out of Time, 1999, CHI)


Quando assisti a BREAKING NEWS em meados de junho/julho de 2006, percebi que Johnnie To era mesmo alguém especial pro cinema contemporâneo. Já com PROFISSIONAIS DO CRIME bateu uma pequena decepção, pois esperava que este fosse melhor do que BREAKING NEWS e até mesmo do que CONFLITOS INTERNOS de tanto o pessoal fã de filmes asiáticos falar mil maravilhas dele. Depois de JOGO DA VINGANÇA, posso dizer que To virou um dos meus favoritos e não é exagero afirmar que o diretor foi uma das maiores revelações do moderno cinema chinês. Pena que a cópia em DVD lançada no nosso país pela China Vídeo ainda fique a dever em qualidade de som e imagem (acredito que a matriz tenha sido o criticado disco da Tai Seng), porque o filme é muito legal.

Não há nenhuma grande novidade na sua trama ou em seu desenvolvimento, trata-se de outro daqueles bons casos onde o talento dos envolvidos fazem a diferença. Ela é centrada naquele típico jogo de gato e rato que sempre gostamos de ver disputado desta vez entre um criminoso que está prestes a morrer em 72 horas chamado Cheung (Andy Lau, de CONFLITOS INTERNOS) e o inspetor Ho-Sheung-Sang (Lau Ching Wan, também conhecido como Sean Lau, de MÁSCARA NEGRA). Cheung assalta uma seguradora para chamar a atenção do policial e o desafia a prendê-lo nesse exato tempo que ele tem de vida.

A produção foi feita com o propósito de apenas entreter, sendo que Johnnie To vai um pouco além disso e deixa o resultado acima da média do gênero. Assim como o obsessivo Ho vai sendo manipulado pelo Cheung sem notar os seus truques, o espectador também entra no jogo montado por To e pelos dois roteiristas (que são franceses!) de seu filme sem a menor resistência. Em JOGO DA VINGANÇA, o desenrolar do desafio é mais importante do que a vitória.

Falemos das atuações. Lau Ching Wan faz um policial egocêntrico, bem-humorado e sarcástico, mas implacável e obstinado no cumprimento do seu dever e o carismático Andy Lau tem aqui uma das suas melhores atuações como um criminoso de motivações misteriosas. Não se sabe o que Cheung realmente pretende até o final e isso faz com que nós fiquemos indecisos pra quem vamos torcer. No elenco, temos os divertidíssimos Shiu Hung Hui e Suet Lam - presenças garantidas em vários filmes de To - e a gatinha Ruby Wong em papéis coadjuvantes. Waise Lee (de BALA NA CABEÇA) está desperdiçado num papel que não lhe faz justiça.


JOGO DA VINGANÇA ainda possui uma das histórias de amor que mais me chamaram a atenção nos últimos anos. Detalhe: ela dura apenas duas cenas que somadas não dão nem 10 minutos! A trilha sonora de Raymond Wong (SHAOLIN SOCCER), as boas atuações e a condução segura de To funcionam maravilhosamente bem nelas. O filme também tem a virtude de não se levar muito a sério. Portanto, a boa diversão e algumas risadas com as constantes tirações de sarro de Ho com a cara do seu chefe estão garantidas. Só espero que os recentes lançamentos de filmes do To em DVD tenham feito bonito nas vendas e locações e façam com que as distribuidoras se animem a lançar mais e mais títulos da sua filmografia aqui no Brasil. Não custa nada sonhar alto, mas tomara que o elogiadíssimo EXILED (muitíssimo bem falado por Leandro Caraça e André ZP) tenha uma chance nos nossos cinemas.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Hanks... Tom Hanks



Não podia deixar de postar uma montagem tão divertida e bacana como esta por aqui. O YouTube é mesmo um negócio fabuloso, nunca pensei que iria postar três vídeos de lá numa semana. :)

quinta-feira, janeiro 11, 2007

David Bowie - As The World Falls Down



Esta é a minha homenagem um pouco tardia aos 60 anos que David Bowie completou nesta última segunda-feira, dia 08 de janeiro. Fiquem com uma das minhas cenas favoritas de LABIRINTO, um filme que continua marcando a infância de muita gente e que me fez conhecer esse grande artista que é Bowie. E aproveitando... temos a Jennifer Connelly novinha, novinha hehe.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Trailer de ZYZZYX RD.



** Só soube dessa ainda agora através do bate-papo descontraído que sempre rola no blog do "companero" Ailton Monteiro. Esse filme de 2006 já virou lenda por ter sido o maior fracasso de bilheteria do ano passado. Ele custou cerca de 2 milhões de dólares e só três espectadores o assistiram numa sala de cinema do Texas. Portanto, faturou apenas 30 dólares! Pelo trailer, ZZYZX ROAD não me pareceu merecedor de tal feito. A culpa pode ser do título impronunciável. Enfim, o filme já saiu em DVD por aqui com o título de ESTRADA DA MORTE pela California Filmes e eu não irei perder de jeito nenhum. Mais alguém se arrisca? hehehe

terça-feira, janeiro 09, 2007

EXPRESSO DO HORROR (Horror Express, 1973, ESP/ING)


O primeiro filme a ser resenhado por aqui em 2007 tem que ser realmente especial. Acabei escolhendo esta pérola das madrugadas televisivas que nunca tive a sorte de ver quando pivete, que é o caso de muita gente. Vi uma fita VHS de EXPRESSO DO HORROR numa locadora de Gravatá (cidade do interior de PE) durante uma temporada de férias. Eu tinha uns 13 anos e acabei levando O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA no lugar dele só por causa do título. Pense num esporro que levei da minha mãe por tê-lo alugado hehehe. Daí em diante, minha cabeçinha viu que aquilo dali é que era cinema de terror de verdade e passei a caçar revistas como Horror Show e guias de vídeo diversos com o objetivo de me informar mais sobre o gênero. Pronto, aliado as sessões da tarde do CINE TRASH, acabei fã dele para sempre. Se eu tivesse alugado ele junto com O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA, aquela tarde de sábado teria sido ainda mais inesquecível.

O filme tem início com uma fala do professor Alexander Sexton (Christopher Lee) já anunciando o trágico fracasso da sua expedição à Manchúria. O renomado arqueólogo britânico encontra um ser pré-histórico com cerca de dois milhões de anos de idade e o leva numa caixa para o expresso trans-siberiano. Lá, ele reencontra o seu rival de profissão Dr. Wells (Peter Cushing) acompanhado da sua assistente. Além deles, do chato inspetor Mirov (Julio Peña) e de outros personagens que são apresentados ao expectador, há um conde que está acompanhado da sua esposa e de Pujardov (o argentino Alberto de Mendoza, mais perfeito impossível!!), um monge malucão que insiste em dizer que o conteúdo da caixa que o Prof. Sexton está levando contém algo maligno após o falecimento em circustâncias misteriosas de um ladrão ao tentar abri-la. É aí que já temos um dos vários momentos memoráveis do filme que é quando Pujardov faz o sinal da cruz na caixa com um giz e o dito cujo não aparece nela!

Como estamos falando de um filme de terror, você já deve ter adivinhado de antemão que o ser encontrado pelo Prof. Sexton voltará a viver depois do embarque de todos os personagens e que muitos tripulantes do trem serão vitimados por ele. A criatura suga o cérebro de cada uma das suas vítimas, deixando os olhos destas completamente brancos. Sexton e Wells devem deixar um pouco a rivalidade de lado e desvendar o mistério que cerca esse monstro.


Que filme prazeroso de se ver é EXPRESSO DO HORROR. Antes de qualquer coisa, temos a mais querida e adorada dupla de atores da história do cinema de terror atuando juntos novamente: Christopher Lee e Peter Cushing. Os dois estão muito a vontade em seus papéis, fazendo com que as suas atuações sejam convincentes e divertidas ao mesmo tempo. Vale lembrar que Cushing estava muito abalado com o repentino falecimento da sua esposa e iria desistir de filmar essa realização do Eugenio Martin (assinando com o pseudônimo Gene Martin) para desespero do produtor Bernard Gordon. Graças ao amigo Christopher Lee, Cushing foi convencido de que fazer o filme seria bom para ele por causa dos bons tempos que ambos passaram em outros sets de filmagem.

As influências que a produção teve em outros títulos de importância pro gênero como ALIEN, O ENIGMA DE OUTRO MUNDO e O ESCONDIDO são inegáveis. O amigo Fernando Martins me lembrou ontem de que até Lucio Fulci foi influenciado pelo filme em THE BEYOND, uma de suas obras-primas. Já a sua influência mais notável é o clássico VAMPIROS DE ALMAS. Quer mais? Adicione a participação mais do que especial de Telly Savalas como um capitão cossaco (!!!!) a todas as outras grandes qualidades da produção onde destaco o roteiro esperto com diálogos divertidíssimos e inteligentes, a boa mão de Martin, a fotografia bacana de Alejandro Ulloa e a excelente e inesquecível trilha sonora John Cacavas, cuja música-tema é utilizada de maneira feliz em diversos momentos. A vontade que dá de sair assobiando (pra quem sabe, porque eu sou uma negação) ela depois de ver o filme por aí é enorme.

Não ligue para as evidentes limitações orçamentárias - o próprio cenário do trem foi reaproveitado de PANCHO VILLA, fita anterior de Martin também estrelada por Savalas - e divirta-se com as aproximadas 1h30min de um filme pequeno e despretensioso, mas feito com o coração e sem a mínima intenção de se tornar aquilo que eu e outros o consideram: um clássico do gênero.

quinta-feira, janeiro 04, 2007

ZINGU #4 online

Palavras do jovem Matheus Trunk:

"A edição de janeiro da revista eletrônica ZINGU! já está no ar. Dossiê HOWARD HAWKS com análise de onze filmes do mestre e com entrevista dele feita por Peter Bogdanovich. E mais: estréia de três colunistas novos, musas eternas com Edwige Fenech por Marcelo Carrard, estréia da Coluna do Biáfora, o que a crítica sabe?! Com os dez filmes mais super-estimados, coluna Cinema Extremo com Subconscious Cruelty tesouro dos quadrinhos com Carlos Zéfiro, anti-musas com Trio Maravilha, cantoras com Maria Thereza, ruído com The Action"

Caro(a) visitante, a ZINGU! surpreende mais uma vez. Não é à toa que virei fã de carteirinha do trabalho deste pessoal de uma vez por todas. E na edição deste mês, os amigos Ailton Monteiro e Leandro Caraça estão participando do dossiê Howard Hawks. A coluna O QUE A CRÍTICA SABE?! de Gabriel Carneiro está bem provocante este mês. Acessem: www.revistazingu.blogspot.com

Jodorowsky em duas ótimas notícias!


Um dos filmes mais cultuados do cineasta chileno Alejandro Jodorowsky (La montaña sagrada), o faroeste psicodélico El Topo foi remasterizado nos EUA e está ganhando uma nova edição em DVD. Jodorowsky falou com a revisa Premiere sobre a novidade e acabou comentando seu novo projeto.

King Shot, escrito e dirigido por ele, é um filme de gângster. Como se trata de Jodorowsky, porém, seus personagens não são muito convencionais. O roqueiro Marilyn Manson, por exemplo, interpretará no filme um Papa de 300 anos de idade.

"O filme se passa num cassino no deserto, onde todos os gângsteres vão jogar. Lá eles acham o esqueleto de um homem gigante, do tamanho do King Kong", explica. O cineasta diz que Manson se mostrou um grande fã de suas criações e demonstrou interesse em participar do filme. O difícil é entender como um Papa entra na história.

"Há um monte de atores que pediram para participar do filme. Nick Nolte me telefonou e disse que assistiu a um filme que eu fiz, Santa Sangre. Ele disse 'Quero trabalhar com você'. Eu perguntei como faria para pagá-lo. Ele disse que 'isso não era importante'", emendou Jodorowsky.

Estrelado, portanto, por Nolte e Manson, King Shot será rodado na Romênia e "no deserto da Espanha onde Leone filmou seus faroestes", nas palavras do chileno. O filme pode estrear ainda este ano.

Fonte: www.omelete.com.br

domingo, dezembro 31, 2006

Até ano que vem

Daqui a 30 minutos, já estaremos em 2007. Foi um ano que teve os seus altos e baixos, assim como todos os outros que passei. Tomara que desta vez os altos tenham uma maior presença, já que os poucos baixos que tive no ano de 2006 deixaram marcas na minha pessoa. Bem... espero que 2007 não seja apenas um ano onde as maiores mudanças sejam a do calendário e da nossa idade e sim de grandes e significativas mudanças positivas - tanto no lado pessoal quanto no profissional - para mim e para cada um de todos vocês que gostam de acompanhar o que tenho a dizer de vez em quando por aqui. Muita paz, saúde, felicidade, sexo e aquele dinheiro legal no bolso sempre que a gente merece. Que venham também altos filmes fodas que nos deixem pirados para trocar idéias de maneira bem-humorada (às vezes, nem tanto hehe) e construtiva assim como nós temos feito.

E isso é tu... tu... tudo pessoal!!

PS: Não sou o que se pode chamar de um cara religioso, mas minha oração de final de ano será essa.

quinta-feira, dezembro 28, 2006

MASTERS OF HORROR: IMPRINT (2006)


Takashi Miike dirigindo Billy Drago e Youki Kudoh em IMPRINT.

Conheci o cinema de Takashi Miike no ano passado quando assisti ao fantástico AUDITION. Foi o bastante para eu ter me dado conta de que tinha visto uma das obras de alguém que deixaria o seu nome escrito na História do Cinema. Logo quando deu, fui conferir a filmografia de Miike no IMDB e fiquei embabacado. Além de ser muito versátil, Miike é um realizador incansável e faz um filme atrás do outro. Temos de 4 a 8 filmes novos deste diretor que realmente nasceu pra fazer cinema todo santo ano. E conforme podemos ver na excelente entrevista disponível no DVD nacional deste filme intitulado MARCAS DO TERROR, ele é uma pessoa muito humilde, sincera e bem-humorada, o que só fez me deixar mais fã dele.

IMPRINT é o filme de 63 minutos que Miike realizou para a primeira temporada da série MASTERS OF HORROR. Incluindo ele, vi apenas três episódios desta consagrada série até agora: os ótimos JENIFER e HOMECOMING. A segunda temporada está desapontando alguns fãs do gênero, embora eu acredite que o nível geral da qualidade dos episódios continua alto para os padrões televisivos. Esse foi o famoso episódio da série barrado para exibição pelo canal Showtime. Sinceramente... eu não vi motivo para tanto. Perdi a conta de quantas vezes assisti a filmes com cenas tão violentas quanto as de IMPRINT na TV no horário em que a série é exibida nos Estados Unidos. Foi frescurite aguda mesmo.

A mais recente e comentada obra de Miike fala sobre Christopher (Billy Drago!!), um jornalista americano que desembarca numa ilha à procura de uma mulher. Quando ele chega lá, pergunta sobre ela para um anão que tem um pedaço do seu nariz arrancado. Este ser esquisito diz que desconhece saber quem ela é. Pela cara da figura, dá pra ver que é uma mentira. Como não há mais barcos para voltar, Christopher acaba se hospedando no bordel do anão e fica com a única prostituta da casa que não fica implorando para que um homem a escolha. Ela é uma moça com a face deformada que começa a contar a ele tudo o que aconteceu com a mulher que está procurando e também passa a revelar algumas coisas do seu passado.

Se eu dissesse que não esperava mais do filme, estaria mentindo. Só que o resultado final de IMPRINT está bem acima da média para o que é feito atualmente no gênero. Preferia bem mais que os episódios da MASTERS OF HORROR estivessem passando em sessões duplas nos cinemas do que a quantidade esmagadora de porcarias que os estúdios hollywoodianos vem lançando, como os recentes O SACRIFÍCIO e PULSE. O terror de IMPRINT não reside em fantasmas ou criaturas bizarras, mas do próprio ser humano. É esse estilo de filme de terror que mais tem me agradado hoje em dia.

O último episódio da MASTERS OF HORROR é uma pauleirinha das grossas. Tem aborto, incesto, estupro e uma puta cena de tortura que revela a obsessão de Takashi Miike por agulhas (kiri kiri kiri hehehe) de uma vez por todas. Os únicos pontos fracos são as atuações do elenco que, com exceção de Billy Drago e Youki Kudoh, é todo composto por japoneses que tiveram de ser ensinados a dizer suas falas foneticamente e a conclusão mal-resolvida e previsível, embora os seus últimos momentos sejam únicos. Tenho certeza de que Miike escolheu Drago por causa do seu rosto marcante. A expressão do ator quando seu personagem descobre a verdade sobre a prostituta que o acompanha no quarto é perfeita. Pena que ele dê um show de "overacting" onde menos se precisa, mas fazer o quê? É Billy Drago, pô!

IMPRINT é mais uma obra cinematográfica inesquecível vinda do olhar de Takashi Miike, um dos melhores diretores da atualidade. Poderia ser ainda melhor, mas do jeito que está continua altamente recomendável. Como nota-se, a história é contada na melhor tradição do clássico RASHOMON de Akira Kurosawa. Quem gosta desse estilo de narrativa, de Miike e de Billy Drago (a coisa mais normal do filme, acredite se quiser) está em casa.

Agradecimentos especiais a minha amiga Rosana Portilho pelo envio da cópia deste e de mais outros 13 filmes que chegaram em minhas mãos no sábado retrasado, antes mesmo do Natal! Muito obrigado mais uma vez, Rosana. :)

PS: Adicionei vários blogs na seção de links que vocês podem ver no canto direito da tela. Tem de estreantes (Cine Delírio, Pipoca com Manteiga e Telas e Telonas) a outros já conhecidos (Cinema Cuspido e Escarrado, Cinema Para Todos e O Negativo Queimado). Dê uma olhada com carinho no que puder da lista e, caso agrade, os coloque nos favoritos pois eles merecem.

CONSUMIDO PELO ÓDIO em DVD!


** Segundo a capinha do disco, o filme está apresentado em letterbox!! Agora a melada que fizeram com o nome do diretor na mesma dispensa comentários.

segunda-feira, dezembro 25, 2006

COSTINHA - O PERU DA FESTA

O presentinho de Natal do VÁ E VEJA para todos os seus amigos e visitantes. Um grande abraço a todos e desde já agradeço pela boa receptividade que esse blog conseguiu em pouco mais de 5 meses. Valeu! :)


O PERU DA FESTA - VOL. 1

http://www.filesend.net/download.php?f=82cb25a52301448665839c0563033571

O PERU DA FESTA - VOL. 2

http://www.filesend.net/download.php?f=2d44a1e40af47c0281b280ffeee77f04

O PERU DA FESTA - VOL. 3

http://www.filesend.net/download.php?f=ff0cfae53471d1a29bb6b1be379bbdc7

O PERU DA FESTA - VOL. 4

http://www.filesend.net/download.php?f=46756341ec35c57e04aa22cf8b1e2dc5

O PERU DA FESTA - VOL. 5

http://www.filesend.net/download.php?f=3b556455ffe2aec8c2e29505d5dc7978

quarta-feira, dezembro 20, 2006

TOP 10: CINEMA

10 filmes que eu vi (ou revi, em alguns casos) no cinema e julguei importantes pro ano de 2006:

CACHÉ - Pensei.... pensei novamente e depois pensei mais duas vezes. Tenho que começar por esse filme impecável, provocante e assustador filme de Haneke. Umas das obras-primas cinematográficas deste início de século. É impossível sair de uma sessão de CACHÉ e continuar sendo a mesma pessoa de quase 2h atrás.

EL LABIRINTO DEL FAUNO - Falando em obras-primas, temos o grande prazer de assistir a esta do Guillermo Del Toro logo no finalzinho de 2006. Uma deslumbrante e inesquecível experiência cinematográfica que me fez pensar durante horas a fio no quanto os seres humanos podem ser bem mais cruéis do que os monstros que nos amedrontavam na infãncia.

MUNIQUE - Spielberg faz o seu melhor filme desde TUBARÃO. Nunca pensei que veria algo tão corajoso, violento, complexo e principalmente adulto de um cineasta que estava se contentando em fazer algumas besteiras de vez em quando como a nova versão de A GUERRA DOS MUNDOS.

SYRIANA - Esse só entrou agora por causa de uma revisão recente em DVD. Trata-se de um grande filme que merece ser mais visto e debatido. Nunca os mecanismos do jogo de interesses que está presente na guerra pelo petróleo foram tão bem explorados antes por essa arte que nós tanto amamos. SYRIANA é cinema de primeira qualidade. Quem deu aquele típico beijinho na(o) namorada(o) enquanto o assistia no cinema por poucos segundos se fudeu bonitinho, pois o filme exige a nossa completa atenção. E isso, meus caros, poucos conseguem fazer.

MATCH POINT - Quando eu já estava começando a ficar decepcionado com a recente filmografia daquela figura chamada Woody Allen, eis que ela chega nos entregando uma de suas obras-primas sem qualquer alarde. Filmaço!

OS INFILTRADOS - Só um monstro do calibre de Martin Scorsese para me deixar grudado na cadeira durante 2h30min com uma trama que eu já conhecia de cabo a rabo.

MIAMI VICE - Como filmar com tesão por Michael Mann.

OS TRÊS ENTERROS DE MELQUIADES ESTRADA - Tommy Lee Jones fez bonito em sua estréia no cinema como diretor. Fortemente inspirado por TRAGAM-ME A CABEÇA DE ALFREDO GARCIA, OS TRÊS ENTERROS... é um belo filme sobre a amizade de dois homens comuns levada até as últimas conseqüências. Atuações fantásticas e cenas inesquecíveis.

CINEMA, ASPIRINAS ® E URUBUS - Pode-se dizer que Marcelo Gomes está entre os poucos realizadores que fazem cinema de longa-metragem no Brasil sem a menor intenção de bancar o intelectualóide ou de fazer novela em formato scope. Esse belo filme sobre o início e o fim da amizade de dois homens comuns foi um dos poucos filmes nacionais vistos este ano que não me deixaram com a sensação de tempo perdido. Ele foi o meu BENS CONFISCADOS de 2006.

A ÚLTIMA NOITE - Muito obrigado, Sr. Altman.

** Top sem ordem de preferência.

terça-feira, dezembro 19, 2006

Trilha completa de LADY VENGEANCE


Estou me sentindo um verdadeiro mané... o último a saber mesmo. Fui acessar a página oficial deste novo e elogiado filme de Chan-wook Park e acabei me deparando com a trilha sonora completa disponível gratuitamente para download na seção "media". Preciso dividir esse achado com outra pobre alma fã de trilhas sonoras que também ficou todo esse tempo sem saber. Dei uma rápida sacada e a trilha é no mesmo estilo clássico da composta para OLDBOY, o filme anterior da "trilogia da vingança".

Tracklist:

01 - Sympathy For Lady Vengeance
02 - Guemja's Prayer
03 - None of Your Business
04 - A Witch
05 - A Spy
06 - Fatality
07 - Sunny Afternoon
08 - You've Changed
09 - Marble
10 - The Angel
11 - Farewell
12 - Lullaby
13 - The Letter
14 - Crime and Punishment
15 - Pull The Trigger
16 - Wicked Cake
17 - Unhappy Party
18 - Mareta, Mareta No'm Faces Plorar
19 - Sympathy For Lady Vegeance (alternate take)
20 - Lullaby (alternate take)

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Peter Boyle

1935 - 2006

terça-feira, dezembro 12, 2006

JOINT SECURITY AREA é lançado em DVD


Ano de Lançamento: 2006
Distribuidora: Europa Filmes
Duração: 110 minutos
País/Ano de Produção: CORÉIA DO SUL / 2000
Áudio: Português Dolby Digital 2.0, Português Dolby Digital 5.1, Coreano Dolby Digital 2.0, Coreano Dolby Digital 5.0
Idioma: Coreano, Português
Legenda: Português
Formato da Tela: Widescreen
Processo Digital: Ntsc
Extras: Making-of, Entrevistas, Videoclipe

** Mesmo com o título genérico, temos mais um filme do Chan-wook Park lançado no mercado brasileiro. Antes tarde do que nunca. O disco duplo está custando R$ 29,90 em algumas lojas virtuais.

segunda-feira, dezembro 11, 2006

É isso aí!

Nacionalistas deviam agradecer Hollywood

IGOR GIELOW
SECRETÁRIO DE REDAÇÃO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O aspecto mais curioso do nacionalismo brasileiro é que ele se manifesta por conta dos motivos mais risíveis. Como uma dermatite dormente, só explode em comichão de tempos em tempos, reagindo a "ameaças". Os defensores da nação brasileira agora miram alvo fácil, um filmeco B. "Turistas" mostra uma terra de ninguém em que você pode se dar mal na mão dos locais e acabar sem um rim, talvez coisa pior.
Estereótipos? Bravo nacionalista, passe a noite numa "no-go area" de qualquer cidade brasileira e me conte depois. O filme fantasia sobre eventos que estão no noticiário. A realidade não o incomoda? Ah, mas você usou a camisa do "Eu sou da paz" quando foi moda, ou quando a realidade tocou alguém próximo. Mas sem sair do shopping, ou do jipão blindado, não é? No máximo, deu um trocado para o projeto que um amigo do amigo seu toca naquela favela -qual mesmo?
"Turistas" deve ser tolo, trash. Não sei, só li a respeito. Mas absurdo é acreditar que isso, e não a indecência do nosso cotidiano, irá manchar a imagem pátria. É como se o ótimo "Massacre da Serra Elétrica" (1974) o levasse a crer que o Texas é uma terra de canibais. Há vários motivos para não ir à terra dos Bush, mas medo de virar almoço não é um deles.
O nacionalismo local é burlesco, o que acaba sendo algo bom. Nacionalismo é perigoso. A lista de "ismos" associados a ele fala por si só: fascismo, nazismo, jacobinismo, imperialismo, comunismo e afins.
Nossa variante é tão fajuta que apareceu só depois da formação do Estado nacional, com certeza por ser bom negócio. De tempos em tempos, volta: Estado Novo, ditadura militar e, agora, no governo Lula. Dificilmente haveria um presidente mais adequado para o clima de boicote xenofóbico.
Afinal de contas, Lula não gosta de jornalista gringo que não fale bem do governo (na verdade, não gosta de nenhum que não fale bem), estimula empresa amiga a dizer que "sou brasileira, com muito orgulho", diz que "brasileiro não desiste nunca", exalta a trinca cachaça-feijoada-pagodinho e até torrou US$ 10 milhões para levar um brazuca de carona ao espaço. Na terra dos mensalões, a jequice desfila livre.
Espera-se que Lula não repita FHC e perca seu tempo passando recibo, como o tucano fez com quando os "Simpsons" avacalharam o Rio. Alguém pode perceber, e verá que a matéria-prima para a crítica abunda. Os nacionalistas deviam é agradecer o fato de que Hollywood não nos leva a sério.

*** Agradeço ao amigo André Balaio pelo envio do e-mail com esse ótimo texto.

quinta-feira, dezembro 07, 2006

quarta-feira, dezembro 06, 2006

ZINGU! # 3 online!!


A nova edição da ZINGU! está tão imperdível quanto as duas anteriores e as que virão. Mas esta é especialíssima. O destaque principal é uma grande figura do nosso cinema brasileiro chamada Ivan Cardoso. O dossiê deste mês foi inteiramente dedicado a ele e conta ainda com uma entrevista muito sincera (e bote sincera nisso...) cedida pelo próprio ao cinéfilo e editor-chefe Matheus Trunk. Há também uma bela homenagem a Jece Valadão, um dos últimos ídolos do nosso cinema, que partiu do nosso plano terrestre na semana passada. Não poderia deixar de recomendar também o comentário do nosso amigo Marcelo Carrard sobre o clássico CANNIBAL HOLOCAUST na sua coluna Cinema Extremo. Enfim, como sempre, tem muito conteúdo legal para o nosso deleite na nova edição desta nova revista online que veio para ficar. Ainda não a li na maneira ideal, mas posso mandar meus parabéns sem nenhum receio a toda equipe mais uma vez.

Acesse: www.revistazingu.blogspot.com

Tô sem palavras!



Exibição especial de VÁ E VEJA no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, em Recife.

Data: 21 de Dezembro
Horário: 15h40min

terça-feira, dezembro 05, 2006

MOSTRAS EM RECIFE

Uma pequena prestação de serviço aos amigos e leitores recifenses... fui um pouco atrasado, mas ainda tá valendo. Falou!!

5° FESTIVAL VARILUX DE CINEMA FRANCÊS

HOJE, dia 05, às 20h20 – Cineteatro Apolo

PARIS, EU TE AMO
Paris Je T'Aime, França, 2006, De Olivier Assayas, Frédéric Auburtin, Gurinder Chadha, Sylvain Chomet, Vincenzo Natali, Joel Coen, Ethan Coen, Walter Salles e outros. Com Juliette Binoche, Sergio Castelitto, Natalie Portman e Ludvine Seigner. Este é um filme coletivo, realizado por 23 cineastas de nacionalidades e estilos diversos, em que Paris é a personagem principal, desvendada através de histórias de amor e situações inusitadas. Cada diretor teve cinco minutos para ilustrar esta maravilhosa homenagem à capital francesa, tendo como suporte um grandioso e irresistível elenco de estrelas internacionais.

110 min. / Pandora / Dolby SR / Inédito / 14 anos / Plano

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quarta-feira, 06

17h50 – A cidade está tranqüila (CINEMA DA FUNDAÇÃO)

20h20 – No calor do verão – (CINETEATRO APOLO)

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quinta-feira, 07

20h – A cidade está tranqüila (2ª exibição) - (CINEMA DA FUNDAÇÃO)

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VIII Festival de Vídeo de PE

Para conferir a programação e maiores informações, clique no link abaixo:

http://www.recife.pe.gov.br/modelo.php?id=168&Tipo=D

Que ridículo...

É por isso que esse país não vai pra frente!!


Protagonista do longa 'Turistas' pede desculpas a Governo e ao povo brasileiro

02/12/2006 13:16:00

O protagonista do filme "Turistas" da Fox, Josh Duhamel, em entrevista ao “The Tonight Show with Jay Leno”, talk show de grande audiência transmitido em cadeia nacional pela NBC, pediu desculpas ao Governo e ao povo brasileiro. O ator elogiou o país e afirmou que o filme não pretende dissuadir as pessoas de visitarem o Brasil.

O longa rodado no Brasil conta a história de um grupo de jovens em férias, que acaba vítima de uma quadrilha de tráfico de órgãos na selva amazônica. O filme estreou sob duras críticas da imprensa dos Estados Unidos.

O Ministério do Turismo planeja reagir contra os efeitos negativos que possam ser criados pelo filme norte-americano “Turistas”, que estreou nesta sexta-feira.

Por meio da Embratur, unidade responsável pela promoção do Destino Brasil no exterior, o ministério do Turismo conta com um plano de ações de relações públicas para minimizar os efeitos negativos do filme à imagem do Brasil – em curso desde o dia 10 de novembro. Trata-se de um programa chamado Monitor Brasil, que acompanha o que é publicado sobre o País na imprensa internacional. A repercussão de Turistas é monitorada nos Estados Unidos.

O Instituto deve utilizar o filme como uma vantagem estratégica, transformando o lançamento em uma oportunidade para fazer uma aproximação com a mídia norte-americana e abordar o Brasil real, suas belezas e cultura. O plano de ações – executado pela Olgilvy PR, parceira da agência de RP que atende o Instituto – inclui a divulgação, a diferentes públicos, de diversos destinos turísticos brasileiros, a começar pelos que são mostrados no filme, como Rio de Janeiro e Bahia.

O acompanhamento de tudo o que é publicado sobre o Brasil é um dos trabalhos que está contribuindo para o aumento da entrada de turistas estrangeiros no Brasil e, por conseqüência, do gasto deles aqui. Neste ano, espera-se que possa cheguar até a US$ 4,4 bilhões a receita gerada ao País pelos visitantes internacionais – recorde sobre os US$ 3,8 bilhões contabilizados em 2005, melhor ano até então.

Filme não foi bem recebido por crítica

"Turistas" da Fox Atomic, braço dos estúdios Fox para um público entre 17 e 24 anos, não foi bem recebido pela crítica. Resenha da revista “Variety”, publicação de referência em cinema, destaca que o filme de horror dirigido por John Stockwell “é mais desagradável que assustador e tem um detestável americano como protagonista”. Diz ainda que é “um filme bobo para ser esquecido”.

Mesma linha segue a crítica do jornal “New York Times”. Diz que “esses estúpidos do horror” levariam chicotadas na prisão se a estupidez fosse crime. Já o “New York Daily Times”, que pede aos leitores para tomarem cuidado com a armadilha de “Turistas”, contextualiza que esta mais nova película de uma lista sem-fim de thrillers de jovens em perigo ao menos oferece a “vantagem visual de uma locação exótica e bela”. Antes mesmo do lançamento no país, “Turistas” também já repercute mal no Canadá. O jornal “Edmonton Sun” comenta que o filme é “surpreendentemente chato e turvo”.

A indústria do cinema tem observado um ressurgimento da popularidade dos filmes de horror nos últimos dois anos. “Turistas” é um entre diversos filmes de horror estreando nos Estados Unidos nos próximos 18 meses, podendo se passar em qualquer país que os norte-americanos considerassem exótico. O próprio roteirista, Michael Ross, em entrevista ao site “Dread Central” (www.dreadcentral.com), declarou que, originalmente, “Turistas” se passaria na Guatemala.

“O filme é uma obra de ficção e acreditamos que o expectador saberá diferenciar a realidade da ficção. A única coisa verdadeira que mostra são as belezas naturais do Brasil”, afirmou a presidente da EMBRATUR (Instituto Brasileiro de Turismo), Jeanine Pires.

Fonte: www.gazetaonline.com.br


** E esses "críticuzinhos" preconceituosos de merda prestam um verdadeiro desserviço ao seu leitor e à imprensa jornalística mundial e só fazem manchar ainda mais o respeito que algumas pessoas tem pela categoria.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

A PROFECIA (The Omen, 1976, EUA)

Eu tinha uns 14 anos quando assisti A PROFECIA pela primeira vez. Foi uma experiência cinematográfica particularmente perturbadora e difícil de se esquecer, pois sequer imaginava que filmes de terror poderiam ser tão realistas (desde que a gente entre no clima, lógico). Enfim, eu não estava preparado para o impacto que o filme transmite ao seu espectador, mesmo com a censura batendo com a minha idade na época. E aquela trilha sonora maravilhosamente sinistra de Jerry Goldsmith colaborou bastante para o efeito que ele teve na minha vida de cinéfilo. Aí só fui revê-lo de maneira decente só agora neste finalzinho de 2006, mais precisamente no último domingo. Meus caros, este filme é simplesmente um clássico. Ele já começa mostrando que é caceteiro, com créditos de abertura musicados pela clássica AVE SATANI e a imagem de Damien e sua sombra, que é uma cruz de cabeça para baixo!! Vôte!

A PROFECIA inicia com o diplomata americano Richard Thorn (um memorável Gregory Peck) a caminho do hospital onde sua esposa Katherine (Lee Remick) está internada para trabalho de parto. Chegando lá, ele descobre que o seu filho morreu, mas acaba adotando uma criança nascida no mesmo dia cuja mãe também faleceu através do padre responsável pelo setor de adoções da maternidade sem o consentimento da sua amada. Anos depois da adoção, acontecimentos estranhos passam a fazer parte da rotina da família Thorn e outros personagens como o Padre Brennan (Patrick Troughton, perfeito!), o fotógrafo Keith Jennings (David Warner) e a babá Srta. Baylock (Billie Whitelaw) acabam se envolvendo numa trama inesquecível que nos revela aos poucos de que o pequeno Damien (Harvey Stephens) é, de fato, o filho do demônio.

O filme é exemplar e tem tudo a seu favor. Richard Donner consegue ser simples e elegante ao mesmo tempo na sua direção, contribuindo para a força do roteiro de David Seltzer. O seu objetivo foi fazer exatamente aquilo que me deixou tão impressionado antes e que ficou ainda mais visível nesta revisão: um filme de terror que faz o espectador pensar na possibilidade daquilo tudo acontecer na vida real. Se ficamos apreensivos só de pensar que o demo está presente no nosso planeta como um ser humano, imagina então se ele estivesse no corpo de uma criança? Vôte de novo!

Como falei antes, Gregory Peck tem uma atuação marcante como Richard Thorn e posso dizer que fiquei comovido com seu personagem em vários momentos. E o restante do elenco principal é de uma categoria indescritível. Quem gosta de boas atuações sabe que cada um deles acaba brilhando em alguma seqüência, principalmente Billie Whitelaw e Patrick Troughton que aproveitam ao máximo o seu tempo de cena.

Mas o clima aterrorizante de A PROFECIA não seria tão inesquecível se não fosse pela já citada trilha sonora fodástica (junção de foda com fantástica, enriqueça o seu vocabulário. VÁ E VEJA é cultura hehe) de Jerry Goldsmith. Ela nos provoca de uma maneira que só vendo e ouvindo o filme para crer. As partituras receberam o Oscar de Melhor Trilha Sonora, numa das pouquíssimas vezes que o Oscar fez justiça a alguma produção do gênero. O garotinho Harvey Stephens foi muito bem escolhido e dirigido por Donner, tendo aqui um dos melhores e mais citados desempenhos de um ator mirim. O famoso sorriso dele na conclusão ainda é algo de gelar a espinha. Há ainda uma série de várias cenas antológicas, como a do empalamento, a do zoológico, a do velocípede, os cães no cemitério e a decapitação que é vista através de três ângulos diferentes!! Nelas, a elogiosa montagem do veterano Stuart Baird ganha um merecido destaque.

Se você é fã de terror e ainda não assistiu A PROFECIA, nem queira perder seu tempo com a recente refilmagem (que é até legal e fiel, mas inferior) e assista logo ao original em toda a sua glória.

quarta-feira, novembro 29, 2006

terça-feira, novembro 28, 2006

domingo, novembro 26, 2006

BERNIE (Idem, 96, FRA)



A primeira vez que reparei no rosto e no talento de Albert Dupontel ocorreu em meados de 2004 quando vi o polêmico IRREVERSÍVEL. Depois tive o grande prazer de vê-lo novamente no tenso e inesquecível ASSALTO AO CARRO FORTE, puta filme que agora está colecionando poeira nas prateleiras das locadoras. Por causa deste último, passei a olhar para este artista, até então desconhecido pela minha pessoa, com outros olhos.

Há duas semanas atrás, o Cinema da Fundação Joaquim Nabuco aqui em Recife anunciou uma mostra especial de comédias francesas e BERNIE, a estréia na direção de Dupontel, estava programado para ser exibido. Acabei deixando de aproveitar aquele tempo disponível para ver OS INFILTRADOS que tinha acabado de estreiar, mas este todo mundo sabe que ocasiões para assistir a um filme daquele porte na tela grande não devem faltar por umas três semanas após a primeira exibição.

BERNIE é o nome do protagonista, também interpretado pelo diretor e roteirista Dupontel. Ele é um homem de 30 anos que sai do orfanato com as suas economias bem consideráveis e está determinado a achar os seus pais que o deixaram jogado no latão de lixo quando ainda era um bebê. Bem... se não fosse pela grotesca imagem que acompanha esse post, você juraria que o filme era um dramalhão daqueles. O porém é o simples fato da personagem não ter a mínima noção do que é viver em sociedade, resultando em ações e reações um tanto desagradáveis.

O humor corrosivo de Albert Dupontel é destilado durante toda a duração do filme, que utiliza algumas seqüências dignas de figurar num legítimo representante do cinema extremo. Portanto, muitos espectadores poderão ficar chocados. Até agora só vi esses três filmes com o autor, mas creio que posso dizer que trata-se de um dos seus melhores desempenhos. Em diversos momentos, o perturbado Bernie chega a assustar pela sua completa inocência e falta de bom senso.

Dupontel ainda mostra ser bom diretor de atores, pois ninguém do elenco de BERNIE desaponta. Todas as atuações estão muito bem adequadas ao clima insano da produção. As insistentes comparações que fazem da condução deste filme com o estilo de Tarantino não devem ser levadas muito a sério. Meu conselho: simplesmente relaxe e aproveite aproximadas 1h30min de pura tiração de sarro com a sociedade em geral.

PS 1 - Finalmente vi OS INFILTRADOS nesta tarde de domingo. Gostei muito, mas CONFLITOS INTERNOS continua superior. Depois escrevo melhor sobre ele aqui.

PS 2 - Ainda bem que a ZINGU! é mensal, pois ela merece ser degustada como um bom vinho: aos poucos e com toda a atenção para a sutileza do seu sabor. Finalmente me lembrei de divulgar neste espaço a segunda edição desta revista eletrônica que vem ganhando leitores fiéis e adeptos a sua postura de falar de cinema com total ausência de frescuras por parte de um time de gente que realmente é apaixonada pelo assunto. Simplesmente imperdível!! E quem responder o quiz ganha uma tubaína de 2 LTS. paga pela equipe!!! hehehe.

domingo, novembro 19, 2006

PIQUENIQUE NA MONTANHA MISTERIOSA (PICNIC AT HANGING ROCK, 1975, AUS)


Hipnotizante. Memorável. Pertubardor. Esses três adjetivos se encaixam como uma luva em PIQUENIQUE NA MONTANHA MISTERIOSA, um filme que fez a crítica e o público internacional olhar para o cinema australiano com mais atenção. Fazem poucas horas que o assisti e continuo hipnotizado por aquelas belas imagens dos personagens na montanha acompanhadas pela trilha sonora inesquecível cujo tema principal é executado pelo Zamfir.

O filme trata de um misterioso acontecimento ocorrido na Austrália em 1900 durante um piqueninque organizado por um colégio interno de garotas quando quatro delas decidem conhecer uma montanha. Três não retornam conforme combinado e a restante volta gritando. A coordenadora do passeio também desaparece sem deixar vestígios. A partir daí, o espectador se sentirá um verdadeiro "voyeur" ao observar o desenrolar dos acontecimentos posteriores até a derradeira conclusão, graças ao talento de Peter Weir revelado ao mundo neste seu segundo longa-metragem. Talvez eu faça um comentário mais longo a respeito dele futuramente, mas agora não pretendo falar muita coisa para não entregar algum "spoiler" sem intenção. Se você é daquele tipo de espectador impaciente com narrativas mais densas ou estiver esperando um filme de suspense com doses cavalares de tensão, passe longe deste aqui. O filme é uma bela experiência cinematográfica construída a partir do fato real acima descrito e ponto final.

O DVD nacional está satisfatório. Ele é um disco promocional vendido nas Americanas e Carrefours da vida por 10 reais que tem também VALMONT de Milos Forman. Verdadeira pechincha para colecionadores. O filme em questão foi extraído da versão do diretor da Criterion Collection, só que com som stereo 2.0 (ao invés de 5.1 na versão original) e a imagem revela perdas de qualidade sofridas pela compressão em alguns momentos.

terça-feira, novembro 14, 2006

quarta-feira, novembro 08, 2006

REVOLVER - CENA DO RESTAURANTE

REVOLVER (Idem, 2005)


"O inimigo se esconderá no último lugar em que você o procuraria."

Julius Caesar


É com essa bela citação que o tão criticado novo filme do Guy Ritchie começa. A maioria esmagadora do público e crítica o detonaram sem piedade, mas acredito que o único motivo dessa má recepção tenha sido o fato de praticamente ninguém esperar algo tão fora do lugar-comum vindo do cara que nos brindou com os divertidíssimos JOGOS, TRAPAÇAS E DOIS CANOS FUMEGANTES e SNATCH. E outra, o grande público cada vez mais tem ficado com preguiça de pensar. Tudo graças à TV e aos exemplares de cinema "fast-food" jogados toda semana nos multiplexes. Os anteriores de Ritchie, embora despretensiosos e feitos unicamente para diversão, não fazem parte dessa leva.

O filme é um passo adiante na carreira do realizador britânico. Ritchie realizou um longa ousado, diferente e complexo. Tanto que, ao contrário dos seus outros filmes, ele só tende a crescer depois de uma revisão. Produzido por Luc Besson, REVOLVER acompanha o golpista Jake Green (Jason Statham, em seu melhor desempenho) após a sua saída da cadeia, onde passou sete anos de reclusão por causa de um incidente acontecido quando jogava cartas para Macha (Ray Liotta, demais!), líder da jogatina na cidade e chefe do crime. Três anos depois, o protagonista e seu grupo vai ao cassino do poderoso gangster com a intenção de arrancar uma boa quantidade de grana dele. E conseguem levar milhões da mesa de jogos...

Prefiro não entrar em maiores detalhes sobre o que acontece a seguir, mas Jake acaba envolvido com uma dupla misteriosa. Zach (Vincent Pastore, da série FAMÍLIA SOPRANO e OS BONS COMPANHEIROS) e Avi (André Benjamin, do grupo musical Outkast, que não deixa a desejar no seu papel) o comunicam de que ele apenas tem três dias de vida e que só irão ajudá-lo a acabar com Macha se todo o seu dinheiro lhes for repassado. Jake não leva aquilo a sério e começa a visitar vários médicos que confirmam aquilo que foi dito pelos dois sujeitos nada amigáveis. Acuado, o golpista deverá tomar uma decisão.

Devo estar procurando pêlo em casca de ovo, pois penso que REVOLVER possa ser considerado uma obra de arte. Nunca imaginava a quantidade de momentos que ficariam grudados na minha cabeça dias depois de tê-lo assistido. Dentre eles, há a queda nos degraus de uma pequena escada ao som da clássica "Lacrimosa" composta por Mozart (que por sinal toca na genial e brilhante montagem final de VÁ E VEJA, filme que batizou este blog), a situação desesperadora pela qual um dos personagens passa debaixo da mesa de um restaurante (PQP, que agonia!!) e tudo que é passado por Jake e Macha quando o primeiro invade a privacidade do sono do último. As atuações de Statham e Liotta estão impagáveis nessa cena, principalmente Liotta. Já Mark Strong se destaca entre os coadjuvantes, seria difícil até de dar mais atenção aos próprios protagonistas caso o seu Sorter - um respeitado assassino profissional - tivesse um tempo maior em cena. Mas pode-se dizer que Strong acabou sendo presenteado pelo roteiro de Ritchie (cujos diálogos continuam divertidos e afiados) por participar em algumas das melhores seqüências do filme.

Finalizando, recomendo REVOLVER já sabendo que se trata de uma recomendação difícil de ser feita pela reviravolta geral que ocorre na sua estrutura quando o filme chega perto do final. A minha surpresa maior foi ver Guy Ritchie se utilizar desta vez do seu estilo narrativo, personagens tronchos e de uma traminha aparentemente simples de jogos e trapaças para transmitir algo além de diversão ao espectador. Valeu a pena.

terça-feira, novembro 07, 2006

É sexta-feira...


Não consigo mais evitar tamanha ansiedade e saibam que estou contando os dias pra chegar logo o final de semana! Também não é para menos, Martin Scorsese finalmente deixou qualquer outro tipo de história de lado e voltou a mostrar interesse no cinema policial, que é o gênero onde ele se dá melhor. OS INFILTRADOS deve ser um programa, no mínimo, imperdível para qualquer cinéfilo que se preze.

sexta-feira, novembro 03, 2006

Uma Homenagem



Se Charles Bronson estivesse vivo hoje, completaria 85 anos de idade. Marcelo Nova (se não me engano...) disse: "Quando Charles Bronson morreu, o mundo ficou mais gay". Preciso dizer que assino embaixo?

segunda-feira, outubro 30, 2006

Weird Al - Smells Like Nirvana



Tá difícil de arranjar mais tempo para escrever melhor sobre alguns filmes que curti muito ter visto nessas duas últimas semanas deste mês de outubro. Também aconteceram algumas coisinhas nada legais comigo (problemas pessoais, assalto à mão armada...) que deixam qualquer pessoa um tanto chateada por dentro e sem muita vontade de fazer algo além de tentar se distrair ao máximo. No meu caso, cinema, música e literatura se tornam santos remédios, principalmente o primeiro hehe. Só nesse final de semana, vi 5 filmes: REVOLVER (o novo de Guy Ritchie), OS FUGITIVOS, DESTRUCTION FORCE, MATADORES DE VELHINHA e ILS. Os que mais gostei foram o primeiro, o terceiro e o último.

Espero que essa semana dê uma desafogada de ritmo e seja melhor. É trampo de manhã à noite, faculdade, trabalhos para entregar a professores... aí o blog fica sendo prejudicado de atualizações mais constantes. O pouco tempo livre que tenho na Internet durante a semana acaba sendo dedicado na resposta de e-mails e scraps via orkut.

Só para não deixar os visitantes que acessam aqui todo dia sem diversão, posto essa hilária e clássica paródia do clipe de Smells Like Teen Spirit do Nirvana feita pelo genial Weird Al Yankovic. Abraços a todos.

quarta-feira, outubro 25, 2006

PARTE 1: ENTREVISTA TERENCE HILL E BUD SPENCER



Aqui fica essa homenagem a dois atores que fizeram e continuam fazendo parte da infância de várias gerações.

Agradecimentos a Marcelo Andreazza pelos links.

PARTE 2: ENTREVISTA TERENCE HILL E BUD SPENCER

sexta-feira, outubro 20, 2006

DVD'S de Terror e Suspense


ESCURIDÃO (The Dark, 2005) - Esse filme dividiu opiniões quando foi lançado nos cinemas em meados de janeiro / fevereiro deste ano. ESCURIDÃO é dirigido pelo John Fawcett do elogiado POSSUÍDA. A produção tem o País de Gales como cenário (o que ajudou na atmosfera) e Maria Bello e Sean Bean como protagonistas. A falta de originalidade não o ajuda muito, pois ele dá uma chupinhada legal no cinema de terror asiático. Até nos remakes, tem uma cena de suicídio que apresenta um enquadramento praticamente idêntico ao que aparece no vídeo macabro de O CHAMADO. Eu gosto da Maria Bello, mas outro porém do filme é que nem a trama principal e nem a sua personagem me envolveram o bastante. Deve haver algo errado em qualquer história onde você não consegue se importar muito com uma mãe cuja filha desaparece subitamente. Talvez o reveja ano que vem.


CRY_WOLF - O JOGO DA MENTIRA (Cry_Wolf, 2005) - Antes de me concentrar nos lançamentos DTV (direct-to-video), falo deste terror "teen" que tinha tudo para ser muito ruim. Vamos em partes. Elenco adolescente recheado de "baby-faces", censura PG-13 nos Estados Unidos, participação de Jon Bon Jovi. Horripilante, não é? Acabei o encarando numa tentativa de matar um tempinho no último feriadão e não é que ele funciona bem como rápido passatempo? Lógico que esse filminho com uma trama até previsível não é grande coisa, mas pelo menos é assistível, diferentemente daqueles "EU SEI ONDE VOCÊ DEU UMA CAGADA NO VERÃO PASSADO" etc e etc. Uma coisa bacana é que ele custou apenas 1 milhão de dólares e fez um relativo sucesso internacional. O curta MANUAL LABOR, do mesmo diretor Jeff Wadlow, é bem legal e está disponível como extra. Pena que nem o making-off e nem o elogiado curta anterior THE TOWER OF BABBLE, com narração de Kevin Spacey, não estejam no disco nacional.


MISTÉRIO NO LAGO (Beneath Still Waters, 2005) - Esculacharam tanto, tanto, tanto esse novo trabalho do Brian Yuzna para a sua Fantastic Factory que quando acabei de assistir achei qualidades nele. O elenco é bem fraco e os seus sotaques acabam até divertidos (a maioria dos atores são espanhóis, incluindo a sumida Diana Peñalver, de FOME ANIMAL, num papel pequeno), só que o filme tem uns pequenos momentos isolados que o colocam um pouquinho acima da média dos filmecos de terror padrão que infestam as locadoras. É aquilo... tinha 90 minutos livres e esse MISTÉRIO NO LAGO que o povo esculhambava tava dando sopa na prateleira, resolvi assistir e achei razoável. Yuzna é capaz de fazer melhor (vide o ótimo SOCIETY e o divertidíssimo O DENTISTA), mas as distribuidoras ainda lançam e continuam lançando filmes bem piores do que este. Gostei de algumas mortes, como a de um dos dois garotinhos do início do filme que tem o seu crânio aberto pelas mãos do vilão canastra na sua boca.


MONSTER MAN (Idem, 2003) - Se você curte filmes de terror em geral e uma boa comédia besteirol, pegue esse daqui sem qualquer preocupação. Dirigido e roteirizado por Michael Davis, o filme é perfeito para uma descompromissada sessão de domingo à tarde e agrada bastante como passatempo. A trama de MONSTER MAN é uma mistureba de OLHOS FAMINTOS + ENCURRALADO + MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA e os seus protagonistas aquela típica dupla de marmanjos que só pensam em sexo. O filme brinca com vários clichês do gênero, mas não deixa de roubar a nossa atenção toda vez que a troncha figura do título pode aparecer com a sua caranga. A diversão está garantida e, mesmo demorando para aparecer, o gore também é bacana. Recomendado. Dos visitantes que postam aqui regularmente, acredito que Bruno C. Martino, Fernando Vasconcelos e Luiz Alexandre irão curtir muito o filme.

O mais legal é que assisti a todos em companhia de membros da minha família, o último foi com o meu irmão Anderson e o restante com o meu grande parceiro de sessões caseiras, o meu pai Osvaldão, que também viu ABISMO DO MEDO e outros filminhos leves comigo hehe.

terça-feira, outubro 17, 2006

segunda-feira, outubro 16, 2006

CIDADE VIOLENTA (Città Violenta, 1970)


Eu tinha me programado para assistir HARD CANDY e DÁLIA NEGRA neste feriadão, mas acabei surpreendido com a retirada do primeiro de cartaz logo na última quinta-feira, apenas 7 dias depois da sua estréia numa única sala de um dos multiplexes de Recife. Assisti ao novo trabalho do Brian De Palma no último sábado e uma decepção acabou sendo inevitável. Afinal, DÁLIA NEGRA foi, simplesmente, o meu primeiro De Palma numa sala de cinema. Ia comentá-lo agora se eu não tivesse assistido depois a esse belo exercício cinematográfico do Sergio Sollima com o grande Charles Bronson. Além do eterno Paul Kersey, CIDADE VIOLENTA também tem Jill Ireland, que foi o maior amor da vida de Bronson, e Telly Savalas se divertindo como um poderoso chefão do crime.

Só o início é matador. Os créditos de abertura são compostos em sua maioria por "fotos" tiradas de Jeff (Charles Bronson) enquanto passeia em companhia da sua amante Vanessa (Jill Ireland) ao som de mais outra impagável música-tema composta por Ennio Morricone, que teve marcante parceria com Sollima e define a atmosfera pessimista e densa do longa. Logo após, os dois personagens sofrem uma tensa perseguição a carro, num dos vários momentos memoráveis da produção. Depois de tudo, Jeff se vê preso e vítima de uma covarde traição. Vemos através de "flashbacks" que ele é um assassino profissional e que foi traído por Vanessa e um milionário chamado Coogan. O seu desejo de vingança aumenta a cada dia que passa e assim que sai da cadeia, ele vai atrás de informações para punir pessoalmente os traidores.

Serei direto. CIDADE VIOLENTA é daqueles filmes com tramas simplórias e até previsíveis, mas o que faz a diferença neles é como o diretor conduz o material. Só esse ano tivemos MIAMI VICE como exemplo dessa linha, onde Michael Mann nos deixa grudados na cadeira com alguns dos melhores planos e tiroteios urbanos do cinema recente. Sendo assim, CIDADE VIOLENTA é de fundamental importância na carreira de Bronson por ser um dos seus primeiros títulos onde ele encarna um vingador determinado. Outra coisa que me fez dar mais pontos ao filme é que não tem nenhuma alma bondosa e digna de pena ou simpatia nele. Como exemplo, dou o próprio protagonista que se mostra um completo FDP muitas vezes. É por isso que acabo gostando da maioria dos policiais e faroestes italianos, pois eles eram os melhores em lidar com esse tipo de personagem.

Charles Bronson foi muito bem escolhido para interpretar Jeff, um sujeito frio e de poucas palavras. Já a bela Jill Ireland não convence como uma "femme fatale" e Telly Savalas tem menos tempo em cena do que o esperado. Aliás, foi a partir da aparição do famoso intérprete de KOJAK que passei a perder interesse no filme. Uma pena, já que a primeira metade de CIDADE VIOLENTA pode ser considerada uma aula de cinema. Basta dizer que não há nenhum diálogo nos primeiros 10 minutos e que me faltam palavras para dizer o quanto a cena passada numa pista de corridas é fantástica. Sollima acabou virando um dos meus diretores prediletos graças a este e O DIA DA DESFORRA, sendo que aqui ele imprime um estilo mais seco e pesado. O silencioso final reservado a dois dos personagens dentro de um elevador também é uma coisa linda e inesperada. Coisa de quem sabe mesmo e adora fazer cinema.

De negativas, o confronto entre Bronson e Savalas decepciona e algumas cenas são mais longas do que o necessário. Mas fiquei feliz em finalmente assistir CIDADE VIOLENTA com excelente qualidade de imagem em widescreen num DVD comprado por 10 reais naqueles balaios de magazines. Apesar de não contar com os extras da edição da Anchor Bay, o DVD nacional da Spectra Nova (intitulado VIOLENT CITY) é uma aquisição válida na coleção de qualquer fã de cinema policial europeu e de Charles Bronson. O áudio no disco é mono, alternando entre o idioma inglês e italiano, pelo fato da cópia ser restaurada e integral.

PS1: O roteiro é escrito a 8 mãos!! Entre elas, Sollima e a cineasta Lina Wertmüller.

PS2: Alguém sabe se aquela aranha da cena da cadeia é real ou não? Se for mecânica, é uma das melhores que eu já vi.

sexta-feira, outubro 13, 2006

quarta-feira, outubro 11, 2006