1 - Antes de qualquer coisa, comunico aos leitores que a oitava edição da ZINGU! já está no ar. Acho que vocês já devem estar perdendo a paciência de quantas vezes digo que cada edição desta excelente revista virtual vem me surpreendendo todo mês. Desta vez, o amigo Marcelo Carrard em sua coluna Cinema Extremo fala com a sua categoria habitual sobre um dos seus filmes favoritos, EL TOPO. Tenho essa pérola já faz meses na coleção, mas toda vez ataco a prateleira de DVD's quando vou ver algo aqui e cometo a falha de esquecer disso. Desta semana ele não me passa! Irei fazer de tudo pra dar a maior atenção possível a este clássico do cinema setentista. Andrea Ormond nos revela o seu lado cronista, Melody Westenra fala de LOLITA (o livro), Gabriel Carneiro ataca com Oliver Twist de David Lean e o companheiro Eduardo Aguilar comenta sobre um livro chamado 13. Será que ele é sobre numerologia? hehehe. :)
Carrard manda ver outra vez na pista da ZINGU! com os Discomovies na coluna Subgêneros Esquecidos e muito mais, além de um dossiê do crítico paulista Edward Janks. Um dos textos dele presentes nesta edição é 1985 - Um Ano de Muita Sacanagem. UIA! Que bom saber, nasci exatamente neste ano hehehe. Enfim, a ZINGU! já virou sinônimo de leitura obrigatória todo mês.
2 - Corrigindo uma falha, adicionei um rápido comentário do curta-metragem CABACEIRAS no post do Cine-PE: dia 26 de abril. Simplesmente o título dele me passou batido quando estava escrevendo aqui sobre o dia. Agora posso dizer que minha cobertura dos três dias que participei do festival está completa.
3 - Mais uma resenha de minha autoria foi publicada no glorioso Boca do Inferno. Falo de uma mega tralha chamada VAMPIROS ASSASSINOS. O texto já tinha sido publicado antes no saudoso Erotikill, mas creio que ele agrade quem gosta de ver alguém descendo lenha e tirando sarro com a cara de bombas que não tem noção do ridículo como essa. O maior destaque da última atualização foi o artigo do incansável Felipe Guerra sobre o aguardado GRINDHOUSE. Quem se considera fã de terror e ficção e diz que não gosta do Boca do Inferno não é meu amigo!
4 - Adicionei mais blogs e sites na seção de links ao lado, como o do Cineprojeto 365 onde também irei colaborar com resenhas na medida do possível.
quarta-feira, maio 09, 2007
É demais pedir perseguições como essas no cinema de ação atual?
BLAZING MAGNUM (Una Magnum Special Per Tony Saitta, 1976)
UM TOQUE DE MESTRE (Un Uomo da Rispettare, 1976)
Homenagens Póstumas
Herbert Fux
1927 - 2007
Gordon Scott
1926 - 2007
Serafim Gonzalez
1934 - 2007
Enéas Carneiro
1938 - 2007
segunda-feira, maio 07, 2007
Cine-PE: 27 de abril
A noite de sexta-feira foi a mais tumultuada e cheia de gente dos três dias em que participei do Cine-PE 2007. Simplesmente por causa de duas coisas:
1 - Era sexta-feira.
2 - Presença confirmada de Rodrigo Santoro na apresentação do longa NÃO POR ACASO.
Pronto, aí fudeu. Pense na quantidade de tietes que estavam presentes em todos os lugares. Nas filas, nos pátios, na praça de alimentação e nas cadeiras, só se falava de Rodrigo Santoro. Aliás, esse é um reflexo da extensa maioria do público do festival. Você pode dar uma chegada perto da entrada e raramente se pode ouvir alguém falando de cinema ou trocando alguma idéia sobre os filmes que acabou de ver no intervalo. É por causa deste grande fluxo de pessoas que o evento acontece no Teatro Guararapes, localizado no Centro de Convenções de Pernambuco em Olinda. Há casos em que a acústica do local prejudica alguns filmes, mas esse ano foi bem melhor e só tive mais problemas com um dos títulos exibidos, o documentário de curta-metragem A ENCOMENDA DO BICHO MEDONHO. Outra particularidade do grande público de festivais como o Cine-PE é bater palmas para qualquer coisa que tenha início, meio e fim que esteja no telão sem ser os comerciais.
Como eu estava acompanhado de amigos e colegas da minha turma na faculdade e ainda me encontrei com gente que conheço de fora, bati uns papos legais e fui apresentado a mais outras pessoas. Aliás, foi no Cine-PE que fui apresentado a uma das minhas ex-namoradas. Uma coisa bacana e que gosto muito do evento é que ele reúne mesmo várias pessoas que gostam de cinema e que trabalham no ramo. Pernambuco está se fortalecendo cada vez mais em termos de produção audiovisual. Quem sabe algum dia desses eu mesmo invente algo só pra botar minhas mãos numa câmera e o Estado ter mais uma figura fazendo cinema? hehehe. Minha cabeça tá uma doidera só esses tempos... vai que daí nasce uma idéia interessante.
Vamos aos comentários, desta vez de uma maneira bem diferente dos posts anteriores que vocês acompanharam. A noite começou com O SAPO, um curta-metragem infantil feito pelo carioca Adolfo Sarkis. Na hora estranhei, mas depois saquei a onda. Se um curta destinado a um público tão restrito entra num festival como o Cine-PE ao lado de tantos outros filmes de conteúdo adulto, é porque ele agrada em cheio aos dois públicos. Ainda bem que minha previsão estava correta e o filme acabou sendo mais legal e simpático do que o esperado. Não tem como não se divertir e voltar aos tempos de criança com a história do garoto que só quer participar de uma peça interpretando o Sapo (daí o título) por estar a fim de uma garota popular do colégio que interpreta A Princesa. O SAPO é bem leve, despretensioso e divertido, justamente como vocês devem estar imaginando. O diretor Adolfo Sarkis merece parabéns pela boa condução do filme, pelo roteiro objetivo e a paciência que se deve ter sempre quando se trabalha com crianças.
A ENCOMENDA DO BICHO MEDONHO do paraibano André da Costa Pinto foi outro filme que explicitou o problema que a organização do evento enfrenta com a acústica do Teatro Guararapes. Ele fala de um senhor de seus 95 anos incrivelmente lúcido chamado David Ferreira. Eu não consegui entender muita coisa do que os entrevistados falavam, além do filme sofrer um pouco de falta de foco, característica de realizadores iniciantes em documentário. A ENCOMENDA DO BICHO MEDONHO faz parte do projeto REVELANDO OS BRASIS, que promove a inclusão e formação audiovisual para moradores de municípios brasileiros com até 20 mil habitantes. É com esse pequeno registro da vivência do seu David que não deixamos de conhecer o seu talento, já que ele faleceu no último dia 6 de abril.
Logo depois foi a vez de JOYCE, curta-metragem de ficção paulista dirigido por Caroline Leone (será que ela tem parentesco com o Mestre??) que registra um pouco do amadurecimento de uma garota de 12 anos residente em uma favela da grande São Paulo. Pessoalmente, ele não fez muito o meu gênero e me sinto até cansado com filmes assim, que parecem não ter algo de diferente para se dizer. Vai ver ando querendo notar segundas intenções em um filme que não as tem. Resumindo... muitos gostaram e acharam válido, para mim foi mais do mesmo. Podem me chamar de insensível rs.
NO RASTRO DO CAMALEÃO é a estréia de Eric Laurence (do marcante ENTRE PAREDES), cearense radicado pernambucano, no cinema de documentário. Com alguns momentos de notável criatividade do realizador, o filme fala do cotidiano da banda cabaçal Irmãos Aniceto onde eles falam de maneira bem descontraída e sincera sobre a relação deles com o cinema nacional e vários outros assuntos. Tem uma cena onde um deles vai à feira livre dar uma paradinha num camelô para comprar um CD. Como fã de faroeste italiano, não pude deixar de reparar nas capinhas de TRINITY E SEUS COMPANHEIROS e UM DÓLAR ENTRE OS DENTES nos DVD's piratinhas que estavam em venda lá. ;-)
Já O HOMEM-LIVRO é uma pérola, tanto o filme quanto o personagem que o protagoniza. Evando dos Santos tem 42 mil livros guardados em sua casa, localizada em um subúrbio do Rio de Janeiro, para serem transferidos a uma biblioteca desenhada por Oscar Niemeyer. Pelo pouco que conheci dele no documentário, Seu Evando é uma daquelas pessoas que me fazem ter mais esperança neste país em que a gente vive. Ao invés de fazer o espectador se distrair com outras coisas, a diretora Anna Azevedo se utiliza muito bem do único espaço mostrado em seu filme: a casa de Evando. Com todos os livros, ela acaba virando outra personagem no curta. Seu Evando foi aplaudido em massa quando disse de forma bem descontraída que Paulo Coelho era a Xuxa da literatura brasileira hehehe. Ótimo.
O último curta-metragem da noite foi para mim o mais ousado de todos os dias em que eu participei do Cine-PE. EISENSTEIN é outro filme pernambucano a apresentar uma história de amor no festival. Longe de ser apenas isso, ele é uma homenagem escancarada ao cinema e a Sergei Eisenstein, um dos primeiros Mestres da sétima arte. O amor pelo cinema dos três diretores Raul Luna, Leornardo Lacca e Tião (que também atua no filme como protagonista) é visível e o resultado final impressiona e empolga ao mesmo tempo. Achei a inesperada montagem final simplesmente absurda de tão boa. Fiquei orgulho pelo pessoal da Trincheira Filmes e esse belo filhote, que venham os próximos!!
Depois do intervalo, voltei ao Teatro Guararapes o mais depressa que pude para não perder a homenagem do Cine-PE e do Canal Brasil ao grande diretor de fotografia Dib Lufti, responsável pela câmera de filmes como FOME DE AMOR, TERRA EM TRANSE e COMO ERA GOSTOSO O MEU FRANCÊS. Lufti sofreu um enfarto recentemente e está se recuperando bem desse susto que tomou. Para não arriscar a sua saúde, ele preferiu não viajar e quem recebeu o Calunga em mãos foi nada mais nada menos que outro grande do nosso cinema, Nelson Pereira do Santos. Lufti gravou um depoimento para agradecer a todos do evento pela homenagem. Ele estava visivelmente muito emocionado, derramando até algumas lágrimas ao afirmar o quanto é difícil de se fazer cinema aqui no Brasil. Foi um momento lindo e memorável do Cine-PE, mesmo que o homenageado não estava presente em físico no festival.
A seguir, foi a vez da equipe do longa-metragem NÃO POR ACASO entrar no palco através dos bastidores por causa de Rodrigo Santoro e a fúria das tietes que pagaram ingresso só pra vê-lo pessoalmente e de longe. Não me lembro direito se foi antes ou depois da apresentação da equipe antes do filme começar que vi Nelson Pereira dos Santos sair de fininho em meio ao tumulto que se instalou naquela sala com os fotógrafos e fãs tirando fotos e mais fotos de Santoro e das belezas femininas de Letícia Sabatella e Branca Messina (estreante em longas). Seu Nelson passou bem próximo de mim e fiquei tentado a falar com ele e receber um aperto de mão deste homem que respeito tanto. Não sei se eu seria bem recebido por ele ou não. Isso vou ficar sem saber. Será que Nelson ficaria incomodado com o pequeno chamado de um jovem que queria apenas dizer-lhe o quanto adorou finalmente conhecer BOCA DE OURO e se emocionar novamente com a saga de Fabiano, Sinha Vitória, Baleia e os meninos? Tomara que haja uma próxima vez, garanto que essa timidez besta não vai me controlar de novo.
Sobre NÃO POR ACASO, eu deveria ter saído da sala junto com Nelson. Acho que estou ficando cada vez mais chato com filmes pretensiosos como esse. É sério, eu não aguento mais qualquer filme que tenha algum acidente automobilístico tendo relação com quase todos os seus personagens. Já teve AMORES BRUTOS, 21 GRAMAS, CRASH... chega!! Só esse fato e o barulho da sala antes da apresentação me fez perder grande parte da atenção que o filme e os personagens poderiam ter da minha pessoa. Mas isso foi o de menos, constrangedor e ridículo foi ver o público pagante sendo praticamente expulso das suas cadeiras para os membros da equipe assistirem o filme como o público. Porra, eu queria ver se fosse comigo, eu não sairia e ainda deixava claro pra todos que quisessem ouvir que paguei por aquele lugar para assistir a droga daquele filme. Sou um cara até considerado calmo, mas se mexer comigo, leva. Qual era o papel que a organização deveria ter? Deixar aqueles lugares reservados e quem fosse se sentar lá seria avisado da reserva. Pronto, aí tudo ficava bem. Eu saí da sala com 1h de filme, pois senti que a experiência de estar lá não tava me adicionando em nada, além de me sentir desapontado com o que aconteceu. A apresentadora Graça Araújo ainda deu umas meladas nesta edição de sexta-feira nas apresentações de NÃO POR ACASO e EISENSTEIN que nem quero me lembrar agora.
Tirando o final anti-climático da minha passada pelo Cine-PE, valeu a pena aparecer naqueles dias por lá. Teve muitos títulos de curta-metragem que gostei muito de ter conhecido e assisti um dos melhores longa-metragens da nossa safra recente, além de fazer pela primeira vez em toda a minha vida a cobertura de um festival reconhecido nacionalmente (com um certo atraso, é verdade) através deste espaço que tanto me faz bem e prazer de manter no ar. Muito obrigado mesmo a todos que já nos visitaram algum dia e que continuam visitando o VÁ E VEJA para conferir as minhas impressões. Se não fosse por vocês e pela minha iniciativa de virar blogueiro, eu nunca teria tido essa primeira experiência. Até a próxima!
1 - Era sexta-feira.
2 - Presença confirmada de Rodrigo Santoro na apresentação do longa NÃO POR ACASO.
Pronto, aí fudeu. Pense na quantidade de tietes que estavam presentes em todos os lugares. Nas filas, nos pátios, na praça de alimentação e nas cadeiras, só se falava de Rodrigo Santoro. Aliás, esse é um reflexo da extensa maioria do público do festival. Você pode dar uma chegada perto da entrada e raramente se pode ouvir alguém falando de cinema ou trocando alguma idéia sobre os filmes que acabou de ver no intervalo. É por causa deste grande fluxo de pessoas que o evento acontece no Teatro Guararapes, localizado no Centro de Convenções de Pernambuco em Olinda. Há casos em que a acústica do local prejudica alguns filmes, mas esse ano foi bem melhor e só tive mais problemas com um dos títulos exibidos, o documentário de curta-metragem A ENCOMENDA DO BICHO MEDONHO. Outra particularidade do grande público de festivais como o Cine-PE é bater palmas para qualquer coisa que tenha início, meio e fim que esteja no telão sem ser os comerciais.
Como eu estava acompanhado de amigos e colegas da minha turma na faculdade e ainda me encontrei com gente que conheço de fora, bati uns papos legais e fui apresentado a mais outras pessoas. Aliás, foi no Cine-PE que fui apresentado a uma das minhas ex-namoradas. Uma coisa bacana e que gosto muito do evento é que ele reúne mesmo várias pessoas que gostam de cinema e que trabalham no ramo. Pernambuco está se fortalecendo cada vez mais em termos de produção audiovisual. Quem sabe algum dia desses eu mesmo invente algo só pra botar minhas mãos numa câmera e o Estado ter mais uma figura fazendo cinema? hehehe. Minha cabeça tá uma doidera só esses tempos... vai que daí nasce uma idéia interessante.
Vamos aos comentários, desta vez de uma maneira bem diferente dos posts anteriores que vocês acompanharam. A noite começou com O SAPO, um curta-metragem infantil feito pelo carioca Adolfo Sarkis. Na hora estranhei, mas depois saquei a onda. Se um curta destinado a um público tão restrito entra num festival como o Cine-PE ao lado de tantos outros filmes de conteúdo adulto, é porque ele agrada em cheio aos dois públicos. Ainda bem que minha previsão estava correta e o filme acabou sendo mais legal e simpático do que o esperado. Não tem como não se divertir e voltar aos tempos de criança com a história do garoto que só quer participar de uma peça interpretando o Sapo (daí o título) por estar a fim de uma garota popular do colégio que interpreta A Princesa. O SAPO é bem leve, despretensioso e divertido, justamente como vocês devem estar imaginando. O diretor Adolfo Sarkis merece parabéns pela boa condução do filme, pelo roteiro objetivo e a paciência que se deve ter sempre quando se trabalha com crianças.
A ENCOMENDA DO BICHO MEDONHO do paraibano André da Costa Pinto foi outro filme que explicitou o problema que a organização do evento enfrenta com a acústica do Teatro Guararapes. Ele fala de um senhor de seus 95 anos incrivelmente lúcido chamado David Ferreira. Eu não consegui entender muita coisa do que os entrevistados falavam, além do filme sofrer um pouco de falta de foco, característica de realizadores iniciantes em documentário. A ENCOMENDA DO BICHO MEDONHO faz parte do projeto REVELANDO OS BRASIS, que promove a inclusão e formação audiovisual para moradores de municípios brasileiros com até 20 mil habitantes. É com esse pequeno registro da vivência do seu David que não deixamos de conhecer o seu talento, já que ele faleceu no último dia 6 de abril.
Logo depois foi a vez de JOYCE, curta-metragem de ficção paulista dirigido por Caroline Leone (será que ela tem parentesco com o Mestre??) que registra um pouco do amadurecimento de uma garota de 12 anos residente em uma favela da grande São Paulo. Pessoalmente, ele não fez muito o meu gênero e me sinto até cansado com filmes assim, que parecem não ter algo de diferente para se dizer. Vai ver ando querendo notar segundas intenções em um filme que não as tem. Resumindo... muitos gostaram e acharam válido, para mim foi mais do mesmo. Podem me chamar de insensível rs.
NO RASTRO DO CAMALEÃO é a estréia de Eric Laurence (do marcante ENTRE PAREDES), cearense radicado pernambucano, no cinema de documentário. Com alguns momentos de notável criatividade do realizador, o filme fala do cotidiano da banda cabaçal Irmãos Aniceto onde eles falam de maneira bem descontraída e sincera sobre a relação deles com o cinema nacional e vários outros assuntos. Tem uma cena onde um deles vai à feira livre dar uma paradinha num camelô para comprar um CD. Como fã de faroeste italiano, não pude deixar de reparar nas capinhas de TRINITY E SEUS COMPANHEIROS e UM DÓLAR ENTRE OS DENTES nos DVD's piratinhas que estavam em venda lá. ;-)
Já O HOMEM-LIVRO é uma pérola, tanto o filme quanto o personagem que o protagoniza. Evando dos Santos tem 42 mil livros guardados em sua casa, localizada em um subúrbio do Rio de Janeiro, para serem transferidos a uma biblioteca desenhada por Oscar Niemeyer. Pelo pouco que conheci dele no documentário, Seu Evando é uma daquelas pessoas que me fazem ter mais esperança neste país em que a gente vive. Ao invés de fazer o espectador se distrair com outras coisas, a diretora Anna Azevedo se utiliza muito bem do único espaço mostrado em seu filme: a casa de Evando. Com todos os livros, ela acaba virando outra personagem no curta. Seu Evando foi aplaudido em massa quando disse de forma bem descontraída que Paulo Coelho era a Xuxa da literatura brasileira hehehe. Ótimo.
O último curta-metragem da noite foi para mim o mais ousado de todos os dias em que eu participei do Cine-PE. EISENSTEIN é outro filme pernambucano a apresentar uma história de amor no festival. Longe de ser apenas isso, ele é uma homenagem escancarada ao cinema e a Sergei Eisenstein, um dos primeiros Mestres da sétima arte. O amor pelo cinema dos três diretores Raul Luna, Leornardo Lacca e Tião (que também atua no filme como protagonista) é visível e o resultado final impressiona e empolga ao mesmo tempo. Achei a inesperada montagem final simplesmente absurda de tão boa. Fiquei orgulho pelo pessoal da Trincheira Filmes e esse belo filhote, que venham os próximos!!
Depois do intervalo, voltei ao Teatro Guararapes o mais depressa que pude para não perder a homenagem do Cine-PE e do Canal Brasil ao grande diretor de fotografia Dib Lufti, responsável pela câmera de filmes como FOME DE AMOR, TERRA EM TRANSE e COMO ERA GOSTOSO O MEU FRANCÊS. Lufti sofreu um enfarto recentemente e está se recuperando bem desse susto que tomou. Para não arriscar a sua saúde, ele preferiu não viajar e quem recebeu o Calunga em mãos foi nada mais nada menos que outro grande do nosso cinema, Nelson Pereira do Santos. Lufti gravou um depoimento para agradecer a todos do evento pela homenagem. Ele estava visivelmente muito emocionado, derramando até algumas lágrimas ao afirmar o quanto é difícil de se fazer cinema aqui no Brasil. Foi um momento lindo e memorável do Cine-PE, mesmo que o homenageado não estava presente em físico no festival.
A seguir, foi a vez da equipe do longa-metragem NÃO POR ACASO entrar no palco através dos bastidores por causa de Rodrigo Santoro e a fúria das tietes que pagaram ingresso só pra vê-lo pessoalmente e de longe. Não me lembro direito se foi antes ou depois da apresentação da equipe antes do filme começar que vi Nelson Pereira dos Santos sair de fininho em meio ao tumulto que se instalou naquela sala com os fotógrafos e fãs tirando fotos e mais fotos de Santoro e das belezas femininas de Letícia Sabatella e Branca Messina (estreante em longas). Seu Nelson passou bem próximo de mim e fiquei tentado a falar com ele e receber um aperto de mão deste homem que respeito tanto. Não sei se eu seria bem recebido por ele ou não. Isso vou ficar sem saber. Será que Nelson ficaria incomodado com o pequeno chamado de um jovem que queria apenas dizer-lhe o quanto adorou finalmente conhecer BOCA DE OURO e se emocionar novamente com a saga de Fabiano, Sinha Vitória, Baleia e os meninos? Tomara que haja uma próxima vez, garanto que essa timidez besta não vai me controlar de novo.
Sobre NÃO POR ACASO, eu deveria ter saído da sala junto com Nelson. Acho que estou ficando cada vez mais chato com filmes pretensiosos como esse. É sério, eu não aguento mais qualquer filme que tenha algum acidente automobilístico tendo relação com quase todos os seus personagens. Já teve AMORES BRUTOS, 21 GRAMAS, CRASH... chega!! Só esse fato e o barulho da sala antes da apresentação me fez perder grande parte da atenção que o filme e os personagens poderiam ter da minha pessoa. Mas isso foi o de menos, constrangedor e ridículo foi ver o público pagante sendo praticamente expulso das suas cadeiras para os membros da equipe assistirem o filme como o público. Porra, eu queria ver se fosse comigo, eu não sairia e ainda deixava claro pra todos que quisessem ouvir que paguei por aquele lugar para assistir a droga daquele filme. Sou um cara até considerado calmo, mas se mexer comigo, leva. Qual era o papel que a organização deveria ter? Deixar aqueles lugares reservados e quem fosse se sentar lá seria avisado da reserva. Pronto, aí tudo ficava bem. Eu saí da sala com 1h de filme, pois senti que a experiência de estar lá não tava me adicionando em nada, além de me sentir desapontado com o que aconteceu. A apresentadora Graça Araújo ainda deu umas meladas nesta edição de sexta-feira nas apresentações de NÃO POR ACASO e EISENSTEIN que nem quero me lembrar agora.
Tirando o final anti-climático da minha passada pelo Cine-PE, valeu a pena aparecer naqueles dias por lá. Teve muitos títulos de curta-metragem que gostei muito de ter conhecido e assisti um dos melhores longa-metragens da nossa safra recente, além de fazer pela primeira vez em toda a minha vida a cobertura de um festival reconhecido nacionalmente (com um certo atraso, é verdade) através deste espaço que tanto me faz bem e prazer de manter no ar. Muito obrigado mesmo a todos que já nos visitaram algum dia e que continuam visitando o VÁ E VEJA para conferir as minhas impressões. Se não fosse por vocês e pela minha iniciativa de virar blogueiro, eu nunca teria tido essa primeira experiência. Até a próxima!
sábado, maio 05, 2007
Enquanto isso na fila do cinema...
PS: Povo... o texto sobre a minha última noite no Cine-PE 2007 está maior do que eu esperava. Só me falta dar aquela revisada e ele será publicado ainda neste domingo. Por enquanto, divirtam-se com esse vídeo bem curioso achado no YouTube.
Quem for ou estiver em SP, não pode perder essa!!
Durante o mês de maio a Biblioteca Municipal Prefeito Prestes Maia estará apresentando a Mostra “O Medo no Cinema”, com a exibição de 4 clássicos de terror e suspense. Cópias em 16mm. Sempre aos sábados, às 13:30hs. Gratuito!
Organização: Sergio Luiz de Andrade e Vinícius Del Fiol.
Dia 12
Mórbida curiosidade (Peeping Tom, ING, 1960)
Direção: Michael Powell
Dia 19
A Casa da noite eterna (The Legend of hell house, ING, 1973)
Direção: John Hough
Dia 26
Anjo da noite (idem, BRA, 1974)
Direção: Walter Hugo Khouri
Local: Biblioteca Municipal Prefeito Prestes Maia
Av. João Dias 822 - Santo Amaro
Tel.: 5687-0513
Lotação: 150 lugares
Organização: Sergio Luiz de Andrade e Vinícius Del Fiol.
Dia 12
Mórbida curiosidade (Peeping Tom, ING, 1960)
Direção: Michael Powell
Dia 19
A Casa da noite eterna (The Legend of hell house, ING, 1973)
Direção: John Hough
Dia 26
Anjo da noite (idem, BRA, 1974)
Direção: Walter Hugo Khouri
Local: Biblioteca Municipal Prefeito Prestes Maia
Av. João Dias 822 - Santo Amaro
Tel.: 5687-0513
Lotação: 150 lugares
quinta-feira, maio 03, 2007
CINE-PE: 26 de abril
Vídeos e curtas:
RAPSÓDIA DO ABSURDO (GO) - Dir. Cláudia Nunes
Documentário experimental feito a partir de imagens de arquivo de dois tristes episódios que envolvem a luta pela terra e pelo campo aqui no Brasil. Eu achei válida a proposta e a mensagem que o vídeo quis passar, mas ainda penso que ele poderia ser bem mais enxuto. Às vezes pensava que assistia a um videoclipe longo. Talvez eu não me sinta bem ou não seja acostumado a ver pouco mais de 10 minutos só de imagens e sons, sem qualquer diálogo. No geral, interessante.
CHORUME (SP) - Dir. Hélio Vilela Nunes
Muito, muito legal! O meu vídeo favorito de todos os que vi no evento. Ele retrata a estranha experiência que um gari passa durante a sua habitual jornada de trabalho noturno. Não vou dizer o que acontece a ele, mas vale dizer que o curta me fez lembrar o ótimo DEPOIS DE HORAS de Scorsese. Quando o Hélio apareceu no palco para falar sobre o filme, não pude deixar de pensar "Olha só que figura!" hehe. E é das figuras que muitas vezes temos gratas surpresas. CHORUME é bem direto, muito divertido e prazeroso de se ver. Vale a pena conferir.
NA CORDA BAMBA (PE) - Dir. Marcos Buccini
Taí um curta de animação que agradou em cheio o público do festival. Ele é daqueles filmes que vivem de uma idéia até simples, mas que é bem executada. Aí é que está a diferença. Para mim, o curta fala sobre a quantidade de vezes em que caminhamos nas ruas das nossas cidades sem se importar muito com o que está acontecendo ao redor. Até o momento em que ocorre algo que nos faz sorrir e querer lembrar daquilo durante a volta ao trabalho ou pra casa para contar o acontecido. No início, confesso que não gostei só por ele não fazer muito o meu estilo, mas revendo um pouco dele agora na cabeça acabei o achando legal.
ATÉ O SOL RAIÁ (PE) - Dir. Fernando Jorge e Leandro Amorim
Para (in)felicidade minha e dos presentes, os realizadores não conseguiram entregar a cópia em 35mm a tempo. Uma pena.
BEIJO DE SAL (SP) - Dir. Felipe Gamarano Barbosa
Já era hora de alguém chegar dando porrada na tela. Esse curta-metragem de ficção do Felipe foi o primeiro dos dias em que participei a fazer isso. Vencedor de prêmios nacionais e internacionais, o filme fala a respeito da amizade de dois homens durante o desenrolar de uma festa de Ano Novo. Tudo acontece a partir do momento em que Paulo chega na casa de veraneio de Rogério acompanhado da mulher com quem ele acabou de se casar. Paulo é um rapaz dos seus 30 anos, enquanto que Rogério já está na casa dos 40 e é um autêntico "bon vivant". Esse cara foi o terror das feministas durante a sessão hehehe. Um dos maiores destaques do filme é Rogério Trindade, que vive e dá seu nome ao anfitrião, numa atuação extremamente natural e ao mesmo tempo comovente. Graças à direção de Felipe e a excelência da atuação de Rogério, o espectador atento até compreende os atos estúpidos que o personagem comete só por gostar muito do seu amigo. Muito bom. Merece demais ser visto e conhecido por também apresentar dois nomes que ainda serão mais reconhecidos no cinema nacional, mas posso dizer de antemão que não é para todos os públicos.
CABACEIRAS - Dir. Ana Bárbara Ramos
Cabaceiras é o nome de uma cidade localizada no interior da Paraíba onde vários filmes nacionais são rodados. Esse documentário de curta-metragem bem estruturado tem seu foco em três pessoas do município que participaram de produções como O AUTO DA COMPADECIDA. Gostei muito de ver o posicionamento crítico que elas tem ao falar que a sua cidade não serve só como cenário de região afetada pela seca (lá tem os típicos laguinhos rasteiros, mas água é uma coisa que não falta nas casas) e que muitos realizadores exploram isso para vender essa imagem sofrida do Nordeste conseguindo assim dinheiro de leis públicas de incentivo com a intenção de financiar o resto do filme. Há uma senhora entrevistada que dá uma viajada daquelas e achei muito legal a diretora do documentário manter a integralidade do que ela queria dizer. No final, os aplausos ao curta e aos seus personagens foram realmente merecidos.
NOITE DE SEXTA, MANHÃ DE SÁBADO (PE) - Dir. Kleber Mendonça Filho
Com este filme, Kleber abocanhou mais um prêmio de melhor direção de curta-metragem no Cine-PE. Dos três dele que eu assisti, NOITE DE SEXTA, MANHÃ DE SÁBADO é o que menos aprecio e me identifico. O que não quer dizer, porém, ele não tenha os seus méritos. Trata-se de uma história de amor contada em 15 minutos através de uma ligação de celular feita de Recife para Kiev. O filme é mais simples do que muita gente esperava depois de VINIL VERDE e ELETRODOMÉSTICA, mas é uma experiência original que ainda deve agradar e fazer pensar os públicos de vários festivais.
Um adendo: Você ainda não viu VINIL VERDE? Caso queira assisti-lo através do Porta Curtas, clique aqui. Eu o considero uma das melhores obras do cinema nacional de curta-metragem. Leandro Caraça e Diogenes L. Cesar, não duvido nada vocês dois gostarem desse filme.
Longa-metragem:
OS 12 TRABALHOS (SP) - Dir. Ricardo Elias
Gostei tanto que irei fazer um post em breve só sobre ele. Trata-se de um filme muito especial, sincero, humano e sem frescurites narrativas sobre o inesquecível primeiro dia de trabalho de Éracles (vivido com garra pelo jovem ator paulista Sidney Santiago, que também foi merecidamente premiado pela sua bela atuação aqui no Cine-PE)como motoboy. Fiquei muito feliz e grato pela surpresa ao ver um trabalho com tantas qualidades me saltando aos olhos, principalmente pela dignidade e respeito conferidos a um personagem do nosso cotidiano que acredito que nenhum outro realizador teve interesse de analisar de maneira decente. Belíssimo.
RAPSÓDIA DO ABSURDO (GO) - Dir. Cláudia Nunes
Documentário experimental feito a partir de imagens de arquivo de dois tristes episódios que envolvem a luta pela terra e pelo campo aqui no Brasil. Eu achei válida a proposta e a mensagem que o vídeo quis passar, mas ainda penso que ele poderia ser bem mais enxuto. Às vezes pensava que assistia a um videoclipe longo. Talvez eu não me sinta bem ou não seja acostumado a ver pouco mais de 10 minutos só de imagens e sons, sem qualquer diálogo. No geral, interessante.
CHORUME (SP) - Dir. Hélio Vilela Nunes
Muito, muito legal! O meu vídeo favorito de todos os que vi no evento. Ele retrata a estranha experiência que um gari passa durante a sua habitual jornada de trabalho noturno. Não vou dizer o que acontece a ele, mas vale dizer que o curta me fez lembrar o ótimo DEPOIS DE HORAS de Scorsese. Quando o Hélio apareceu no palco para falar sobre o filme, não pude deixar de pensar "Olha só que figura!" hehe. E é das figuras que muitas vezes temos gratas surpresas. CHORUME é bem direto, muito divertido e prazeroso de se ver. Vale a pena conferir.
NA CORDA BAMBA (PE) - Dir. Marcos Buccini
Taí um curta de animação que agradou em cheio o público do festival. Ele é daqueles filmes que vivem de uma idéia até simples, mas que é bem executada. Aí é que está a diferença. Para mim, o curta fala sobre a quantidade de vezes em que caminhamos nas ruas das nossas cidades sem se importar muito com o que está acontecendo ao redor. Até o momento em que ocorre algo que nos faz sorrir e querer lembrar daquilo durante a volta ao trabalho ou pra casa para contar o acontecido. No início, confesso que não gostei só por ele não fazer muito o meu estilo, mas revendo um pouco dele agora na cabeça acabei o achando legal.
ATÉ O SOL RAIÁ (PE) - Dir. Fernando Jorge e Leandro Amorim
Para (in)felicidade minha e dos presentes, os realizadores não conseguiram entregar a cópia em 35mm a tempo. Uma pena.
BEIJO DE SAL (SP) - Dir. Felipe Gamarano Barbosa
Já era hora de alguém chegar dando porrada na tela. Esse curta-metragem de ficção do Felipe foi o primeiro dos dias em que participei a fazer isso. Vencedor de prêmios nacionais e internacionais, o filme fala a respeito da amizade de dois homens durante o desenrolar de uma festa de Ano Novo. Tudo acontece a partir do momento em que Paulo chega na casa de veraneio de Rogério acompanhado da mulher com quem ele acabou de se casar. Paulo é um rapaz dos seus 30 anos, enquanto que Rogério já está na casa dos 40 e é um autêntico "bon vivant". Esse cara foi o terror das feministas durante a sessão hehehe. Um dos maiores destaques do filme é Rogério Trindade, que vive e dá seu nome ao anfitrião, numa atuação extremamente natural e ao mesmo tempo comovente. Graças à direção de Felipe e a excelência da atuação de Rogério, o espectador atento até compreende os atos estúpidos que o personagem comete só por gostar muito do seu amigo. Muito bom. Merece demais ser visto e conhecido por também apresentar dois nomes que ainda serão mais reconhecidos no cinema nacional, mas posso dizer de antemão que não é para todos os públicos.
CABACEIRAS - Dir. Ana Bárbara Ramos
Cabaceiras é o nome de uma cidade localizada no interior da Paraíba onde vários filmes nacionais são rodados. Esse documentário de curta-metragem bem estruturado tem seu foco em três pessoas do município que participaram de produções como O AUTO DA COMPADECIDA. Gostei muito de ver o posicionamento crítico que elas tem ao falar que a sua cidade não serve só como cenário de região afetada pela seca (lá tem os típicos laguinhos rasteiros, mas água é uma coisa que não falta nas casas) e que muitos realizadores exploram isso para vender essa imagem sofrida do Nordeste conseguindo assim dinheiro de leis públicas de incentivo com a intenção de financiar o resto do filme. Há uma senhora entrevistada que dá uma viajada daquelas e achei muito legal a diretora do documentário manter a integralidade do que ela queria dizer. No final, os aplausos ao curta e aos seus personagens foram realmente merecidos.
NOITE DE SEXTA, MANHÃ DE SÁBADO (PE) - Dir. Kleber Mendonça Filho
Com este filme, Kleber abocanhou mais um prêmio de melhor direção de curta-metragem no Cine-PE. Dos três dele que eu assisti, NOITE DE SEXTA, MANHÃ DE SÁBADO é o que menos aprecio e me identifico. O que não quer dizer, porém, ele não tenha os seus méritos. Trata-se de uma história de amor contada em 15 minutos através de uma ligação de celular feita de Recife para Kiev. O filme é mais simples do que muita gente esperava depois de VINIL VERDE e ELETRODOMÉSTICA, mas é uma experiência original que ainda deve agradar e fazer pensar os públicos de vários festivais.
Um adendo: Você ainda não viu VINIL VERDE? Caso queira assisti-lo através do Porta Curtas, clique aqui. Eu o considero uma das melhores obras do cinema nacional de curta-metragem. Leandro Caraça e Diogenes L. Cesar, não duvido nada vocês dois gostarem desse filme.
Longa-metragem:
OS 12 TRABALHOS (SP) - Dir. Ricardo Elias
Gostei tanto que irei fazer um post em breve só sobre ele. Trata-se de um filme muito especial, sincero, humano e sem frescurites narrativas sobre o inesquecível primeiro dia de trabalho de Éracles (vivido com garra pelo jovem ator paulista Sidney Santiago, que também foi merecidamente premiado pela sua bela atuação aqui no Cine-PE)como motoboy. Fiquei muito feliz e grato pela surpresa ao ver um trabalho com tantas qualidades me saltando aos olhos, principalmente pela dignidade e respeito conferidos a um personagem do nosso cotidiano que acredito que nenhum outro realizador teve interesse de analisar de maneira decente. Belíssimo.
terça-feira, maio 01, 2007
CINE-PE: 24 de abril
Nossa... dois dias que quero escrever sobre o Cine-PE aqui e eu não consigo. Bom, para as atualizações não atrasarem muito, finalmente darei uma geral sobre todos os dias em que pude comparecer. Estive presente nos dias 24, 26 e 27 de abril. Irei ficar atualizando aqui até a hora que irei sair da Internet por causa do tempo limitado (dividir PC depois de quase 2 meses sem mexer direito com os irmãos é dureza... quem não tem não imagina a barra hehehe). Infelizmente não pude comparecer no sábado pra ver as projeções de O CÃO SEM DONO e de UMA VIDA E OUTRA, do camarada Daniel Aragão.
Vamos aos comentários do que rolou na terça-feira...
Vídeos e curtas:
EU SOU COMO UM POLVO (MG) - Dir. Sávio Leite
Gostei muito da proposta e do vídeo em si. O diretor Sávio Leite posicionou a sua câmera embaixo de uma mesa de vidro e o artista Lourenço Mutarelli desenha dois bizarros auto-retratos enquanto ouvimos a sua voz em off lendo um texto autobiográfico. O texto é um pequeno desabafo sobre o seu passado e uma revelação do quanto a sua arte de desenhar o ajudou. Bonito de se ver e até emocionante para o espectador que já tenha visto apenas a qualquer um dos trabalhos de Mutarelli.
PIXINGUINHA E A VELHA GUARDA DO SAMBA (SP) - Dir. Ricardo Dias / Thomas Farkas
No ano de 1954, Thomas Farkas filmou uma apresentação de Pixinguinha e o Pessoal da Velha Guarda no Parque do Ibirapuera em São Paulo com uma câmera 16mm de corda, nas festividades do quarto centenário da cidade. Ricardo Dias resgata essa preciosidade e conta a história do dia da filmagem através de depoimentos do próprio Farkas, que co-dirige o filme. Trata-se da única apresentação filmada de Pixinguinha e seu grupo, portanto o curta é bem válido.
Longas-metragens:
O MUNDO EM DUAS VOLTAS (SP) - Dir. David Schürmann
Não curti o chamado documentário da Família Schürmann. Quando vi que um dos próprios membros da família era o diretor do filme fiquei com o pé atrás no mesmo instante. Deveriam ter chamado alguém de fora do ambiente familiar, pois o resultado final é até mais careta do que você pode estar imaginando agora. O que falar sobre um documentário de viagens onde nenhum problema acontece e o pessoal é bem recebido em todos os cantos em que eles colocam os seus pés? Ah sim, o Capitão fala que a embarcação quase foi assaltada por piratas. Mas cadê as imagens? Pra mim não há coisa pior para um documentário do que afirmar qualquer coisa e não a comprovar de alguma maneira. Resumindo, é filme pra turista de sofá ficar deslumbrando as belas imagens dos vários lugares que os Schürmann visitam. Posso estar sendo bem cruel, mas até parece que essa produção só foi feita para a famosa família de viajantes conseguir mais patrocinadores do que os que já tem. As melhores coisas dele são a curiosa passagem pela Filipinas durante a Semana Santa onde o espectador vê uma crucificação sendo encenada (nada com cordas como se faz por aqui, lá o sujeito é pregado mesmo nas mãos e pés!!) e a eternização da garotinha Kat, que era soropositiva e faleceu no ano passado aos 13 anos de idade. Ela está uma graça no filme.
O CÔCO, A RODA, O PNÊU E O FAROL (PE) - Dir. Mariana Fortes
Sei que é muito, muito feio dizer isso, mas eu tava bem cansadinho e acabei tirando uns cochilos pra me dar conta de que era melhor sair dali para ter uma boa noite de sono no conforto da minha casa. Pelo que eu vi, é um registro válido sobre o côco de roda ou samba de côco, que é uma vertente musical muito forte aqui em Pernambuco, e as suas personagens que, mesmo quase anônimas e apenas mais conhecidas dentro das suas comunidades, continuam a fazer com que o Côco continue com força por muitos e muitos anos.
Homenagem: Patrícia Pillar
A homenageada da noite de terça-feira foi a atriz Patrícia Pillar, que estava presente no evento e recebeu o troféu Calunga em mãos. Ela estava linda e a achei bem sincera e modesta em seus agradecimentos. Antes dela subir ao palco, foi passado um vídeo realizado pela organização do festival e o Canal Brasil em homenagem à atriz com várias de suas participações no cinema e na TV, inclusive em PARA VIVER UM GRANDE AMOR, um musical oitentista em que ela contracena com Djavan. Foi bem divertido quando ela disse "Ainda bem que evoluímos, tomara que a gente nunca mais use isso" sobre a maquiagem dela no filme hehehehe. E fiquei bem feliz quando ela falou sobre o grande trabalho que está tendo atrás das câmeras na realização do documentário dela sobre Waldick Soriano, justamente por comprovar que esse filme vai sair mesmo!!
Vamos aos comentários do que rolou na terça-feira...
Vídeos e curtas:
EU SOU COMO UM POLVO (MG) - Dir. Sávio Leite
Gostei muito da proposta e do vídeo em si. O diretor Sávio Leite posicionou a sua câmera embaixo de uma mesa de vidro e o artista Lourenço Mutarelli desenha dois bizarros auto-retratos enquanto ouvimos a sua voz em off lendo um texto autobiográfico. O texto é um pequeno desabafo sobre o seu passado e uma revelação do quanto a sua arte de desenhar o ajudou. Bonito de se ver e até emocionante para o espectador que já tenha visto apenas a qualquer um dos trabalhos de Mutarelli.
PIXINGUINHA E A VELHA GUARDA DO SAMBA (SP) - Dir. Ricardo Dias / Thomas Farkas
No ano de 1954, Thomas Farkas filmou uma apresentação de Pixinguinha e o Pessoal da Velha Guarda no Parque do Ibirapuera em São Paulo com uma câmera 16mm de corda, nas festividades do quarto centenário da cidade. Ricardo Dias resgata essa preciosidade e conta a história do dia da filmagem através de depoimentos do próprio Farkas, que co-dirige o filme. Trata-se da única apresentação filmada de Pixinguinha e seu grupo, portanto o curta é bem válido.
Longas-metragens:
O MUNDO EM DUAS VOLTAS (SP) - Dir. David Schürmann
Não curti o chamado documentário da Família Schürmann. Quando vi que um dos próprios membros da família era o diretor do filme fiquei com o pé atrás no mesmo instante. Deveriam ter chamado alguém de fora do ambiente familiar, pois o resultado final é até mais careta do que você pode estar imaginando agora. O que falar sobre um documentário de viagens onde nenhum problema acontece e o pessoal é bem recebido em todos os cantos em que eles colocam os seus pés? Ah sim, o Capitão fala que a embarcação quase foi assaltada por piratas. Mas cadê as imagens? Pra mim não há coisa pior para um documentário do que afirmar qualquer coisa e não a comprovar de alguma maneira. Resumindo, é filme pra turista de sofá ficar deslumbrando as belas imagens dos vários lugares que os Schürmann visitam. Posso estar sendo bem cruel, mas até parece que essa produção só foi feita para a famosa família de viajantes conseguir mais patrocinadores do que os que já tem. As melhores coisas dele são a curiosa passagem pela Filipinas durante a Semana Santa onde o espectador vê uma crucificação sendo encenada (nada com cordas como se faz por aqui, lá o sujeito é pregado mesmo nas mãos e pés!!) e a eternização da garotinha Kat, que era soropositiva e faleceu no ano passado aos 13 anos de idade. Ela está uma graça no filme.
O CÔCO, A RODA, O PNÊU E O FAROL (PE) - Dir. Mariana Fortes
Sei que é muito, muito feio dizer isso, mas eu tava bem cansadinho e acabei tirando uns cochilos pra me dar conta de que era melhor sair dali para ter uma boa noite de sono no conforto da minha casa. Pelo que eu vi, é um registro válido sobre o côco de roda ou samba de côco, que é uma vertente musical muito forte aqui em Pernambuco, e as suas personagens que, mesmo quase anônimas e apenas mais conhecidas dentro das suas comunidades, continuam a fazer com que o Côco continue com força por muitos e muitos anos.
Homenagem: Patrícia Pillar
A homenageada da noite de terça-feira foi a atriz Patrícia Pillar, que estava presente no evento e recebeu o troféu Calunga em mãos. Ela estava linda e a achei bem sincera e modesta em seus agradecimentos. Antes dela subir ao palco, foi passado um vídeo realizado pela organização do festival e o Canal Brasil em homenagem à atriz com várias de suas participações no cinema e na TV, inclusive em PARA VIVER UM GRANDE AMOR, um musical oitentista em que ela contracena com Djavan. Foi bem divertido quando ela disse "Ainda bem que evoluímos, tomara que a gente nunca mais use isso" sobre a maquiagem dela no filme hehehehe. E fiquei bem feliz quando ela falou sobre o grande trabalho que está tendo atrás das câmeras na realização do documentário dela sobre Waldick Soriano, justamente por comprovar que esse filme vai sair mesmo!!
PREMIAÇÃO DO CINE PE 2007
LONGAS-METRAGENS
* Troféu Gilberto Freyre: O Côco, a Roda, o Pneu e o Farol (PE), de Mariana Fortes.
* Prêmio Especial da Crítica: Cão sem Dono (SP), de Beto Brant e Renato Ciasca
* Prêmio Especial do Júri: 5 Frações de uma Quase História (MG), Direção coletina mineira.
* Melhor Atriz Coadjuvante: Branca Messina, de Não por Acaso (SP)
* Melhor Ator Coadjuvante: Flávio Bauraqui, por Os 12 Trabalhos (SP)
* Melhor Direção de Arte: Adriana Lemos Mroninski, por 5 Frações de uma Quase História (MG)
* Melhor Trilha Sonora: André Abujamra, por Os 12 Trabalhos (SP)
* Melhor Edição de Som: Luiz Adelmo, por O Mundo em Duas Voltas (SP)
* Melhor Montagem: Marcio Canella, por Não por Acaso (SP)
* Melhor Fotografia: Pedro Farkas, por Não por Acaso (SP)
* Melhor Roteiro: Cláudio Yosida e Ricardo Elias, por Os 12 Trabalhos (SP)
* Melhor Atriz: Tainá Muller, por Cão sem Dono (SP)
* Melhor Ator: Leonardo Medeiros, por Não por Acaso (SP) e Sidney Santiago, por Os 12 Trabalhos (SP)
* Melhor Direção: Ricardo Elias, por Os 12 Trabalhos (SP)
* Prêmio Especial do Público: O Mundo em Duas Voltas (SP)
* Melhor Longa-Metragem: Cão sem Dono (SP), de Beto Brant e Renato Ciasca
CURTAS-METRAGENS
* Prêmio da Associação Brasileira de Documentaristas (ABD): Schenberguianas
* Prêmio Josué de Castro: Schenberguianas
* Prêmio Especial do Júri: Joyce (SP), de Caroline Leone
* Prêmio Especial do Público: Cabaceiras (PB), de Ana Bárbara Ramos
* Prêmio Especial da Crítica: Vida Maria (CE), de Márcio Ramos
* Melhor Atriz: Joana Seibel, por Fúria (RJ)
* Melhor Ator: Nando Cunha, por O Homem (DF)
* Melhor Direção de Arte: Rafael Targat, por Fúria (RJ)
* Melhor Trilha Sonora: Hérlon Robson, por Vida Maria (CE)
* Melhor Edição de Som: Daniel Turini, por Pixinguinha e a Velha Guarda do Samba (SP)
* Melhor Montagem: Grilo, por Schenberguianas (PE)
* Melhor Fotografia: Cláudio Leone, por Joyce (SP)
* Melhor Roteiro: Márcio Ramos, por Vida Maria (CE)
* Melhor Direção: Kleber Mendonça Filho, por Noite de Sexta, Manhã de Sábado (PE)
* 1º Prêmio Aquisição do Canal Brasil: Beijo de Sal (RJ), com direção de Felipe Gamarano Barbosa
* 2º Prêmio de Aquisição do Canal Brasil: Trecho (MG), com direção de Clarissa Campolina e Helvécio Marins Júnior
* Melhor Curta-Metragem: Vida Maria (CE), com direção de Márcio Ramos
VÍDEOS DIGITAIS
* Prêmio da Associação Brasileira de Documentaristas (ABD): Stela do Patrocínio, de Márcio de Andrade
* Prêmio Especial da Crítica: O Jumento Santo e a Cidade que se acabou antes de começar (PE), com direção de Wiliam Paiva e Leonardo Domingues
* Prêmio Especial do Júri: para o ator Otávio Augusto pelo vídeo Ruínas
* Melhor Montagem: O Jumento Santo e a Cidade que se acabou antes de começar (PE). Montadores: Wiliam Paiva e Leonardo Domingues
* Melhor Roteiro: O Jumento Santo e a Cidade que se acabou antes de começar (PE). Roteiristas: Leo Falcão e André Muhle.
* Melhor Direção: Além de Café, Petróleo e Diamantes (SP). Diretor: Marcelo Trotta.
* Prêmio Especial do Público: O Sapo (RJ), com direção de Adolfo Sarkis.
* Melhor Vídeo Digital: O Jumento Santo e a Cidade que se acabou antes de começar (PE)
* Troféu Gilberto Freyre: O Côco, a Roda, o Pneu e o Farol (PE), de Mariana Fortes.
* Prêmio Especial da Crítica: Cão sem Dono (SP), de Beto Brant e Renato Ciasca
* Prêmio Especial do Júri: 5 Frações de uma Quase História (MG), Direção coletina mineira.
* Melhor Atriz Coadjuvante: Branca Messina, de Não por Acaso (SP)
* Melhor Ator Coadjuvante: Flávio Bauraqui, por Os 12 Trabalhos (SP)
* Melhor Direção de Arte: Adriana Lemos Mroninski, por 5 Frações de uma Quase História (MG)
* Melhor Trilha Sonora: André Abujamra, por Os 12 Trabalhos (SP)
* Melhor Edição de Som: Luiz Adelmo, por O Mundo em Duas Voltas (SP)
* Melhor Montagem: Marcio Canella, por Não por Acaso (SP)
* Melhor Fotografia: Pedro Farkas, por Não por Acaso (SP)
* Melhor Roteiro: Cláudio Yosida e Ricardo Elias, por Os 12 Trabalhos (SP)
* Melhor Atriz: Tainá Muller, por Cão sem Dono (SP)
* Melhor Ator: Leonardo Medeiros, por Não por Acaso (SP) e Sidney Santiago, por Os 12 Trabalhos (SP)
* Melhor Direção: Ricardo Elias, por Os 12 Trabalhos (SP)
* Prêmio Especial do Público: O Mundo em Duas Voltas (SP)
* Melhor Longa-Metragem: Cão sem Dono (SP), de Beto Brant e Renato Ciasca
CURTAS-METRAGENS
* Prêmio da Associação Brasileira de Documentaristas (ABD): Schenberguianas
* Prêmio Josué de Castro: Schenberguianas
* Prêmio Especial do Júri: Joyce (SP), de Caroline Leone
* Prêmio Especial do Público: Cabaceiras (PB), de Ana Bárbara Ramos
* Prêmio Especial da Crítica: Vida Maria (CE), de Márcio Ramos
* Melhor Atriz: Joana Seibel, por Fúria (RJ)
* Melhor Ator: Nando Cunha, por O Homem (DF)
* Melhor Direção de Arte: Rafael Targat, por Fúria (RJ)
* Melhor Trilha Sonora: Hérlon Robson, por Vida Maria (CE)
* Melhor Edição de Som: Daniel Turini, por Pixinguinha e a Velha Guarda do Samba (SP)
* Melhor Montagem: Grilo, por Schenberguianas (PE)
* Melhor Fotografia: Cláudio Leone, por Joyce (SP)
* Melhor Roteiro: Márcio Ramos, por Vida Maria (CE)
* Melhor Direção: Kleber Mendonça Filho, por Noite de Sexta, Manhã de Sábado (PE)
* 1º Prêmio Aquisição do Canal Brasil: Beijo de Sal (RJ), com direção de Felipe Gamarano Barbosa
* 2º Prêmio de Aquisição do Canal Brasil: Trecho (MG), com direção de Clarissa Campolina e Helvécio Marins Júnior
* Melhor Curta-Metragem: Vida Maria (CE), com direção de Márcio Ramos
VÍDEOS DIGITAIS
* Prêmio da Associação Brasileira de Documentaristas (ABD): Stela do Patrocínio, de Márcio de Andrade
* Prêmio Especial da Crítica: O Jumento Santo e a Cidade que se acabou antes de começar (PE), com direção de Wiliam Paiva e Leonardo Domingues
* Prêmio Especial do Júri: para o ator Otávio Augusto pelo vídeo Ruínas
* Melhor Montagem: O Jumento Santo e a Cidade que se acabou antes de começar (PE). Montadores: Wiliam Paiva e Leonardo Domingues
* Melhor Roteiro: O Jumento Santo e a Cidade que se acabou antes de começar (PE). Roteiristas: Leo Falcão e André Muhle.
* Melhor Direção: Além de Café, Petróleo e Diamantes (SP). Diretor: Marcelo Trotta.
* Prêmio Especial do Público: O Sapo (RJ), com direção de Adolfo Sarkis.
* Melhor Vídeo Digital: O Jumento Santo e a Cidade que se acabou antes de começar (PE)
quarta-feira, abril 25, 2007
BOCA DE OURO (1963, BRASIL-IL-IL)
Antes da sua abertura oficial, o Cine-PE promoveu uma mostra com três filmes do Cinema Novo no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco aqui em Recife. Não consegui ver o documentário OPINIÃO PÚBLICA do Arnaldo Jabor, um filme que eu tava com alguma curiosidade para assistir por me falarem coisas interessantes a respeito dele. Deixemos Jabor pra lá, só sei que esse último sábado foi uma data a anotar na minha memória afetiva, assim como o dia 17 de setembro de 2005. Memorizei assim:
Sábado, 21 de abril de 2007. O dia em que eu vi o grande Jece Valadão arrebentando numa tela de cinema!

Fazia um bom tempo que eu não saía de casa para uma sessão de cinema com tanta vontade de chegar logo na sala para pegar o meu ingresso e me jogar dentro da sala escura. Encontrei alguns conhecidos e troquei uma rápida idéia com eles, porque no Cinema da Fundaj é impossível não encontrar várias pessoas de sessões anteriores. Com o tempo e sabendo selecionar se você não for muito tímido(a), verá que vale a pena manter contato com algumas.
Nos créditos de abertura de BOCA DE OURO, vemos um pouco da ascensão do protagonista que é um bicheiro interpretado magistralmente por Jece Valadão até a cena em que ele pede a um dentista (Wilson Grey!!) que arranque todos os dentes da sua boca e para colocar uma dentadura de ouro, tornando-se assim o temido marginal de Madureira, no Rio de Janeiro dos anos 60. O filme começa quando Boca de Ouro foi encontrado assassinado e a redação de um jornal manda o repórter Caveirinha (Ivan Cândido, perfeito) e um fotógrafo (Alguém sabe o nome desse ator? Porque ele manda bem com o pouco material de roteiro que teve e queria dar créditos a ele...) para falar com Dona Guigui (Odete Lara, que está linda no filme como vocês podem ver pela foto), que foi uma das amantes do bandido, e tentar extrair informações sobre qualquer crime cometido por Boca que ainda não foi descoberto pela Polícia. É a partir daí que passamos a conhecer o episódio ocorrido entre Boca, Leleco (Daniel Filho) e Celeste (Mária Lúcia Monteiro).
Cínico e amoral são adjetivos que não apenas podem ser atribuídos ao personagem de Valadão, mas também ao próprio filme que revela-se muito à frente do seu tempo justamente por causa da brilhante leitura cinematográfica que Nelson Pereira dos Santos faz da peça de Nelson Rodrigues. Se os créditos não tivessem mencionado de que o filme era uma adaptação de uma peça teatral, eu não imaginaria que ele fosse uma já que a maioria dos filmes do tipo explicitam isso pela ausência de cenários, poucos atores e outras caracterísitcas. Enquanto eu via Valadão detonando em momentos antológicos, ficava pensando no motivo pelo qual o cinema brasileiro de longa-metragem não tem mais personagens assumidamente machistas e cafajestes como o Boca e cenas escritas como a do "sorteio" do colar. Falta mais coragem e ousadia nos filmes de hoje, coisa que esse puta filme de 1963 tem de sobra. Também pudera, com leis de incentivo que só aprovam produções que falam das mesmíssimas coisas do Brasil que são mais fáceis de serem vendidas no exterior. Pelo menos agora parece que esse quadro vai mudar. Ainda tenho esperança de que um bom filme feito para o povão será feito no Brasil e não episódios de novela global filmado em scope com aquelas mesmas caras que já estou de saco cheio de ver em qualquer canto que seja no elenco.
BOCA DE OURO é um filme fantástico que merece demais ser redescoberto hoje. Fiquei mais surpreso e feliz do que esperava ao vê-lo no cinema, principalmente pela narrativa que evoca o clássico RASHOMON de Kurosawa (ou é RASHOMON que evoca BOCA DE OURO?? hehe) e pela extraordinária atuação de Jece Valadão que faz os diálogos de Rodrigues serem ainda mais memoráveis. Me senti com orgulho de ser brasileiro como há muito tempo eu não sentia ao relembrar que a gente tinha um filme policial ao mesmo nível dos melhores do gênero.
Sábado, 21 de abril de 2007. O dia em que eu vi o grande Jece Valadão arrebentando numa tela de cinema!

Fazia um bom tempo que eu não saía de casa para uma sessão de cinema com tanta vontade de chegar logo na sala para pegar o meu ingresso e me jogar dentro da sala escura. Encontrei alguns conhecidos e troquei uma rápida idéia com eles, porque no Cinema da Fundaj é impossível não encontrar várias pessoas de sessões anteriores. Com o tempo e sabendo selecionar se você não for muito tímido(a), verá que vale a pena manter contato com algumas.
Nos créditos de abertura de BOCA DE OURO, vemos um pouco da ascensão do protagonista que é um bicheiro interpretado magistralmente por Jece Valadão até a cena em que ele pede a um dentista (Wilson Grey!!) que arranque todos os dentes da sua boca e para colocar uma dentadura de ouro, tornando-se assim o temido marginal de Madureira, no Rio de Janeiro dos anos 60. O filme começa quando Boca de Ouro foi encontrado assassinado e a redação de um jornal manda o repórter Caveirinha (Ivan Cândido, perfeito) e um fotógrafo (Alguém sabe o nome desse ator? Porque ele manda bem com o pouco material de roteiro que teve e queria dar créditos a ele...) para falar com Dona Guigui (Odete Lara, que está linda no filme como vocês podem ver pela foto), que foi uma das amantes do bandido, e tentar extrair informações sobre qualquer crime cometido por Boca que ainda não foi descoberto pela Polícia. É a partir daí que passamos a conhecer o episódio ocorrido entre Boca, Leleco (Daniel Filho) e Celeste (Mária Lúcia Monteiro).
Cínico e amoral são adjetivos que não apenas podem ser atribuídos ao personagem de Valadão, mas também ao próprio filme que revela-se muito à frente do seu tempo justamente por causa da brilhante leitura cinematográfica que Nelson Pereira dos Santos faz da peça de Nelson Rodrigues. Se os créditos não tivessem mencionado de que o filme era uma adaptação de uma peça teatral, eu não imaginaria que ele fosse uma já que a maioria dos filmes do tipo explicitam isso pela ausência de cenários, poucos atores e outras caracterísitcas. Enquanto eu via Valadão detonando em momentos antológicos, ficava pensando no motivo pelo qual o cinema brasileiro de longa-metragem não tem mais personagens assumidamente machistas e cafajestes como o Boca e cenas escritas como a do "sorteio" do colar. Falta mais coragem e ousadia nos filmes de hoje, coisa que esse puta filme de 1963 tem de sobra. Também pudera, com leis de incentivo que só aprovam produções que falam das mesmíssimas coisas do Brasil que são mais fáceis de serem vendidas no exterior. Pelo menos agora parece que esse quadro vai mudar. Ainda tenho esperança de que um bom filme feito para o povão será feito no Brasil e não episódios de novela global filmado em scope com aquelas mesmas caras que já estou de saco cheio de ver em qualquer canto que seja no elenco.
BOCA DE OURO é um filme fantástico que merece demais ser redescoberto hoje. Fiquei mais surpreso e feliz do que esperava ao vê-lo no cinema, principalmente pela narrativa que evoca o clássico RASHOMON de Kurosawa (ou é RASHOMON que evoca BOCA DE OURO?? hehe) e pela extraordinária atuação de Jece Valadão que faz os diálogos de Rodrigues serem ainda mais memoráveis. Me senti com orgulho de ser brasileiro como há muito tempo eu não sentia ao relembrar que a gente tinha um filme policial ao mesmo nível dos melhores do gênero.
quinta-feira, abril 19, 2007
Mostra "Abrindo Cabeças" do Cine-PE
O Cinema da Fundação Joaquim Nabuco abre espaço para a Mostra “Abrindo Cabeças”, promovida pela 11º edição do Cine-PE: Festival do Audiovisual. A mostra apresenta três obras realizadas no período do Cinema Novo.
Sexta, 20 de Abril, 18h30
Opinião Pública
(Brasil, 1967). Documentário de Arnaldo Jabor.
Em “Opinião Pública”, o diretor faz, aos 27 anos, o primeiro filme de longa-metragem no estilo cinema verdade, analisando os corações e mentes da classe média brasileira, logo depois da "revolução" militar de 1964, mostrando como a classe média, com seu conservadorismo e ingenuidade, apoiou esse retrocesso histórico no país.
Cinemateca Brasileira / Livre / 65 min. / 35mm / Tela Plana / Mono
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Sábado, 21 de Abril, 18h30
Boca de Ouro
(Brasil, 1962) De Nelson Pereira dos Santos. Com Odete Lara, Jece Valadão, Daniel Filho, Maria Lúcia Monteiro, Ivan Cândido, Wilson Grey.
Baseado em peça homônima de Nelson Rodrigues e filmado de forma brilhante por Nelson Pereira dos Santos. Boca de Ouro (Jece Valadão) decide arrancar todos os dentes para colocar uma dentadura de ouro. Por ter sido abandonado pela mãe em uma pia de banheiro, deseja também que seu caixão seja todo de ouro, para se recuperar do trauma que sofreu. Boca de Ouro começa apresentando seu protagonista, que acabara de morrer assassinado. O repórter Caveirinha (Ivan Cândido), designado para descobrir a verdadeira história do marginal, vai entrevistar sua ex-amante, Guigui (Odete Lara), que conta três diferentes versões da vida do bicheiro.
Tela plana / 14 anos / 103 min. / Mono / Cinemateca Brasileira / Livre
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Domingo, 22 de Abril, 18h30
VIDAS SECAS
(Brasil, 1963). De Nelson Pereira dos Santos. Com Átila Ióri, Maria Ribeiro, Orlando Macedo, Jofre Soares, Gilvan Lima, Genivaldo Lima.
Rara oportunidade de ver no cinema a obra-prima de Nelson Pereira dos Santos, uma das melhores adaptações de uma obra literária para o cinema, neste caso, da obra de Graciliano Ramos. "Vidas secas" exibe o limite da incomunicabilidade e animalização do homem na família de retirantes que se desloca em movimento circular entre uma trégua e outra dada pela hostilidade da natureza. Filme determinante no período do Cinema Novo.
103 min. / Livre / 35mm / Tela plana / Mono / Cinemateca Brasileira
Serviço: Rua Henrique Dias, 609, Derby - Recife/PE
Fones e e-mail: 3073.6688, 3073.6689, 3073.6712 e 3073.6651 -cinema@fundaj.gov.br – Ingressos: R$ 6,00 (inteira) – R$ 3,00 - (acima de 60 anos/estudantes)
Sexta, 20 de Abril, 18h30
Opinião Pública
(Brasil, 1967). Documentário de Arnaldo Jabor.
Em “Opinião Pública”, o diretor faz, aos 27 anos, o primeiro filme de longa-metragem no estilo cinema verdade, analisando os corações e mentes da classe média brasileira, logo depois da "revolução" militar de 1964, mostrando como a classe média, com seu conservadorismo e ingenuidade, apoiou esse retrocesso histórico no país.
Cinemateca Brasileira / Livre / 65 min. / 35mm / Tela Plana / Mono
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Sábado, 21 de Abril, 18h30
Boca de Ouro
(Brasil, 1962) De Nelson Pereira dos Santos. Com Odete Lara, Jece Valadão, Daniel Filho, Maria Lúcia Monteiro, Ivan Cândido, Wilson Grey.
Baseado em peça homônima de Nelson Rodrigues e filmado de forma brilhante por Nelson Pereira dos Santos. Boca de Ouro (Jece Valadão) decide arrancar todos os dentes para colocar uma dentadura de ouro. Por ter sido abandonado pela mãe em uma pia de banheiro, deseja também que seu caixão seja todo de ouro, para se recuperar do trauma que sofreu. Boca de Ouro começa apresentando seu protagonista, que acabara de morrer assassinado. O repórter Caveirinha (Ivan Cândido), designado para descobrir a verdadeira história do marginal, vai entrevistar sua ex-amante, Guigui (Odete Lara), que conta três diferentes versões da vida do bicheiro.
Tela plana / 14 anos / 103 min. / Mono / Cinemateca Brasileira / Livre
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Domingo, 22 de Abril, 18h30
VIDAS SECAS
(Brasil, 1963). De Nelson Pereira dos Santos. Com Átila Ióri, Maria Ribeiro, Orlando Macedo, Jofre Soares, Gilvan Lima, Genivaldo Lima.
Rara oportunidade de ver no cinema a obra-prima de Nelson Pereira dos Santos, uma das melhores adaptações de uma obra literária para o cinema, neste caso, da obra de Graciliano Ramos. "Vidas secas" exibe o limite da incomunicabilidade e animalização do homem na família de retirantes que se desloca em movimento circular entre uma trégua e outra dada pela hostilidade da natureza. Filme determinante no período do Cinema Novo.
103 min. / Livre / 35mm / Tela plana / Mono / Cinemateca Brasileira
Serviço: Rua Henrique Dias, 609, Derby - Recife/PE
Fones e e-mail: 3073.6688, 3073.6689, 3073.6712 e 3073.6651 -cinema@fundaj.gov.br – Ingressos: R$ 6,00 (inteira) – R$ 3,00 - (acima de 60 anos/estudantes)
CAGADA DO DIA!
"Acredito que tenhamos um toque mais contemporâneo. No original, os pássaros simplesmente aparecem, e era, tipo, 'por que esses pássaros estão aqui?'. Desta vez há uma razão, e as pessoas têm a ver com isso. O filme tem um viés ambientalista, em relação ao que faria a natureza revidar contra nós".
Cathy Schulman, produtora da anunciada e desnecessária refilmagem de OS PÁSSAROS.
terça-feira, abril 17, 2007
Atores famosos em suspenses "direct-to-video"

88 MINUTOS (88 Minutes, 2007, EUA)
Dinheiro. Esse deve ser o único motivo pelo qual o homem que encarnou o criminoso latino mais FDP e querido de toda a história do cinema tope fazer um filminho tão medíocre e genérico como esse 88 MINUTOS. E Jon Avnet também deveria estar precisando de dinheiro para voltar a dirigir 8 anos depois (!!!!) da sua última incursão atrás das câmeras, JUSTIÇA VERMELHA. Não me lembro de nada deste filme com Richard Gere, vai ver ele é tão descartável quanto esse mais recente.
Nem estou a fim de falar maiores detalhes sobre a trama. Basta vocês saberem o seguinte: Saca o Super Cine? Pegue um filminho daqueles que costumam passar por lá com roteiros previsíveis e sem a menor imaginação recheados dos clichês mais batidos que já foram usados, adicionem um diretor que fez um filme promissor e depois virou pau mandado da indústria e um elenco coadjuvante com alguns poucos (bote poucos nisso, só dois!) atores interessantes e Al Pacino como protagonista. Pronto, tens aí mais uma super-produção da Millennium Films / Nu Image pronta para ser lançada. Já repararam que esses caras só fazem bosta com gente famosa? Apenas no ano passado, tivemos EDISON e O SACRIFÍCIO nos cinemas! Ainda bem que isso daqui foi direto para as prateleiras das locadoras brasileiras. Tenho é pena de quem irá ver 88 MINUTOS nas salas escuras do exterior esperando mais um bom filme com Al Pacino. Se tem uma coisa boa nele é ver Pacino presente na grande maioria das suas cenas.

CRIMES EM SÉRIE (American Crime, 2004, EUA)
Essa produção independente filmada em digital pode não ser nada imperdível, mas também não é nenhum lixão como muitos tem comentado pela Internet. Fiquei até feliz de não ter lido o caro Renato Doho detonando ele antes no seu blog e ficar com o pé atrás na hora de pegá-lo. Assim como o colega blogueiro, também peguei o filme por causa de Annabella Sciorra e Rachael Leigh Cook hehehe. De brinde, temos Cary Elwes, um ator que acho bem irregular. Felizmente, aqui o cara consegue melhorar o resultado final atuando como um apresentador de TV britânico de maneira propositalmente caricatural. Outra coisa boa foi eu não ter gasto nenhum mísero centavo para assistir ele, muitas vezes aquele dinheirinho gasto na locação pesa no julgamento de qualquer filminho que seja. Bom... as minhas expectativas estavam lá embaixo e eu não queria saber de mais nada enquanto o assistia a não ser gastar um tempinho, daí o filme funcionou que foi uma beleza para mim.
Os créditos de abertura foram bem bolados, coisa rara de se ver em um DTV. O espectador acompanha os nomes do elenco e realizadores num vídeo cassete em funcionamento. O filme fala sobre três pessoas (Sciorra, Cook e Kip Pardue) de uma equipe de reportagem de uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos que encontram uma VHS revelando alguém seguindo uma dançarina exótica desaparecida após descobrirem o corpo da moça. No fim da fita, outra surpresa: imagens de outra mulher sendo seguida da mesma maneira e assassinada depois. Trata-se de um assassinato ainda não investigado pela polícia, o que os leva a acreditarem que essa é a chance das suas carreiras. O porém é que uma dessas três pessoas também acaba sumindo sem deixar vestígios e o caso termina chamando a atenção de Albert Bodine (Elwes, quase irreconhecível e detonando no sotaque carregado!), um apresentador de um programa de TV britânico estilo Linha Direta que tem sérios problemas de personalidade e profissionalismo.
O maior problema de CRIMES EM SÉRIE é ele não se decidir o que quer ser, uma sátira ou um "thriller" já que em muitos momentos ele se leva demais a sério e em outros não. Para complicar, o espectador também fica confuso a partir da entrada de Bodine na trama principal. Como ela é apresentada no formato do programa do apresentador, não dá pra não ficar se questionando se aquilo tudo é encenação para o programa dele ou está acontecendo mesmo aos personagens. Depois de um tempo é que tudo fica esclarecido, portanto podemos culpar a direção e o roteiro sem perdão. O filme simplesmente não tem foco e é muito prejudicado por isso.
Acho que vale conferir CRIMES EM SÉRIE numa tarde preguiçosa de domingo já que ele tem os seus atrativos e alguma parcela de interesse e originalidade, coisa que o diferencia de muitos filmes genéricos do estilo que são lançados a torto e a direito nas prateleiras. Como sou estudante de Radialismo & TV, curti a tiração de sarro com aquele tipo de programa televisivo usando as tradicionais falas clichês, musiquinhas toscas de fundo e tudo que ele tem direito, além de um impagável Cary Elwes o apresentando. Também gostei do final, que despertou fúria em muitos dos detratores do filme.
terça-feira, abril 10, 2007
WHEN A KILLER CALLS para download
Aproveitando o post anterior sobre um dos próximos lançamentos da THE ASYLUM, deixo aqui o link para download direto de WHEN A KILLER CALLS que eles lançaram quando a refilmagem de WHEN A STRANGER CALLS (aqui no Brasil, QUANDO UM ESTRANHO CHAMA) entrou em cartaz nos cinemas americanos. Alguns dizem que o filme - assim como a versão deles para A GUERRA DOS MUNDOS - consegue ser melhor do que as grandes produções hollywoodianas que eles quiseram faturar em cima. Os comentários em geral sobre WHEN A KILLER CALLS afirmam que ele é um "slasher" ao invés de ser um suspense como o filme original e a recente refilmagem. Vou ver se arrisco uma conferida esses dias.
Você também pode assistir ao filme sem precisar baixar ele para o seu HD. Aproveite e dê uma navegada assim que puder por este site sensacional que é o Internet Archive para ver a quantidade de coisas bacanas que se pode usufruir dele. LADY FRANKENSTEIN, BLOODY PIT OF HORROR, NOSFERATU, CALIGARI, HORROR HOTEL, CARNIVAL OF SOULS e NIGHT OF THE LIVING DEAD são alguns dos títulos que também podem ser baixados gratuitamente por lá.
Você também pode assistir ao filme sem precisar baixar ele para o seu HD. Aproveite e dê uma navegada assim que puder por este site sensacional que é o Internet Archive para ver a quantidade de coisas bacanas que se pode usufruir dele. LADY FRANKENSTEIN, BLOODY PIT OF HORROR, NOSFERATU, CALIGARI, HORROR HOTEL, CARNIVAL OF SOULS e NIGHT OF THE LIVING DEAD são alguns dos títulos que também podem ser baixados gratuitamente por lá.
domingo, abril 08, 2007
PQP, TRANSMORPHERS!!

Isso é o que eu chamo de picaretagem!! E o diretor / roteirista Leigh Scott diz que o filme não tem nada a ver com a recente versão cinematográfica do famoso seriado TRANSFORMERS. Tá certo, vou fingir que acredito...
Por favor, alguém lança essa porra no Brasil (antes do TRANSFORMERS, lógico) !!!!!!
quinta-feira, abril 05, 2007
Uma sessão da tarde inesquecível: FAHRENHEIT 451
Agora que consegui arranjar um tempo melhor para acessar um computador e escrever, tenho de dividir com vocês um pouco do que foi aquele dia 10 de março quando exibimos FAHRENHEIT 451 no Cineclube Cinecittà para um público de mais de 30 pessoas! Mesmo com uns presentes dorminhocos e que só vieram pra assinar a ata (o evento vale como atividade complementar da faculdade...), vamos dizer que tinham umas 20 pessoas que realmente estavam lá para ver o filme e falar sobre ele, se julgarmos pelo visível interesse de algumas perguntas no debate que ocorreu no final dele. A tarde daquele sábado começou puxada, pois uma responsabilidade que poderia muito bem ter sido recebida bem antes caiu nos meus ombros justamente na noite anterior do evento. Não relato a trajetória daquele início de tarde para não me alongar muito aqui, pois quero escrever mais sobre a sessão em si. Depois de toda a corrreria que passei, consegui descer no ponto de ônibus mais perto do local da sessão faltando uns 10 minutos para a apresentação. Bom... eu já estava meio morto antes e acabei chegando no auditório quase um zumbi. O suor foi dado, só faltou o sangue e as lágrimas também. E eu daria isso se fosse necessário, com toda certeza! Entreguei o material, me encontrei com os amigos Henrique Compasso (um dos responsáveis pelo Cinecittà junto comigo) e Luiz Joaquim (o convidado), saí para passar uma água no rosto e tomar um pouco deste agraciado líquido provido pela natureza pra voltar ao auditório.

Depois das apresentações e comentários iniciais feitos por mim e Henrique sobre a volta do Cinecittà, a sessão começa e eu estava ansioso para finalmente conhecer esse verdadeiro clássico do cinema. O filme tinha sido muito bem indicado pelos amigos Ronilson Araújo e Djalma Farias, que são as outras duas pessoas responsáveis pelo Cinecittà e que não puderam comparecer por causa de obrigações pessoais. Uma pena, a presença dos dois só iria melhorar ainda mais aquela tarde. A primeira coisa que me deixou com a sensação de que as quase duas horas de duração deste clássico seriam inesquecíveis foi a inteligência dos créditos iniciais, ditados ao invés dos tradicionais escritos. Quem foi pra sala sem saber muita coisa do filme se surpreendeu ao ver os bombeiros entrando em ação logo no início do filme sem a menor intenção de apagar um incêndio, mas sim para causar um e em livros! Chega a ser assombroso ver uma criança pegando em um livro, ficando interessada em saber o que aquele belo objeto pode trazer a ela e ser privada disso por causa do olhar de um dos bombeiros para o seu responsável. O título do filme refere-se à temperatura na qual os livros são queimados. Depois deste momento, vemos que o responsável pelas chamas lançadas é o protagonista Montag (Oskar Werner, apresentando um desempenho notável mesmo brigado com Truffaut nas filmagens) que passará a questionar o motivo dele estar fazendo isso depois que conhece Clarisse (Julie Christie), uma professora de primário. Com isso, Montag fica curioso para saber o que contém nos livros e começa a "pegar emprestado" os livros das casas "condenadas" em que ele entra com seus colegas de serviço.
FAHRENHEIT 451, tanto o livro quanto o filme, critica ferozmente o totalitarismo. Essa obra-prima de Truffaut continuaria imperdível se fosse uma fiel adaptação do texto de Ray Bradbury aliado ao visível talento do elenco escalado que tem ainda Cyril Cusack como o superior de Montag, mas o filme é bem mais do que apenas isso. A experiência de assistir FAHRENHEIT 451 continuará na mente do espectador depois de anos, como bem disse Luiz Joaquim no debate que ocorreu após a exibição. O filme é muito a frente do seu tempo, não tem uma simples pessoa que não se impressione com o quanto a sala da casa do protagonista é parecida com algumas dos dias de hoje, inclusive com uma TV de tela larga na parede. Para ser sincero, as únicas coisas que estão datadas nele são os efeitos especiais em uma pequena cena de perseguição e o barbeador de última geração que Montag ganha da sua esposa Linda, também interpretada por Julie Christie.
A maioria das pessoas residentes naquele universo fictício são profundamente alienadas pelo conteúdo exibido na televisão, algo que está acontecendo muito no nosso país por causa da fraca educação que o governo fornece aos seus cidadãos e que o filme faz questão de criticar. A submissão dos personagens a esse meio de comunicação também é destacada no excelente V DE VINGANÇA. Uma cena fantástica acontece logo no início quando os bombeiros invadem uma das casas "condenadas" e acham livros escondidos dentro de uma TV!! Os diálogos não ficam atrás em termos de qualidade, muitos são tão memoráveis quanto os vários momentos inesquecíveis e aterrorizantes desta obra-prima. Se brincar, FAHRENHEIT 451 funciona mais como filme de terror do que de ficção. Os 10 minutos finais onde há uma revelação inesperada dentro da trama é de uma beleza incomum.

Como falei antes, alguns dos presentes ficaram empolgados no fim da exibição para fazer perguntas, a maioria delas de natureza política pelo filme instigar mesmo neste tema. Quem acompanhou a gente na mesa junto com Luiz Joaquim foi a profa. Isa Dias que trouxe vários dos seus alunos para prestigiar o evento. Só houve uma ocasião estranha em que eu realmente não consegui compreender o que um dos espectadores queria falar e acabei falando de maneira muito sincera o que eu pensava sobre o questionamento dele, mas ele acabou se expressando melhor e tudo acabou beleza. Ainda bem que a gente conseguiu falar em pouco tempo de algumas curiosidades do filme, da impressionante sutileza dos diálogos, da notável influência de Hitchcock em Truffaut e da maravilhosa trilha de Bernard Hermann, o papo tava tão bom que chega deu uma pena não termos mais tempo para continuar. Acho que o ponto mais alto do papo foi o belo depoimento de Luiz sobre a importância de FAHRENHEIT 451 em sua vida como fã e crítico de cinema. Eu não consigo evitar a felicidade e a emoção toda vez quando alguém fala de coisas que marcaram a infância, no caso de Luiz trata-se da inesquecível cena da descoberta de uma biblioteca particular pertecente a uma senhora e sua resolução. Até hoje esse momento continua chocante.
Dá pra perceber que fiquei feliz com o evento e por conseguir convidar o meu amigo Luiz Joaquim, que é o maior fã de François Truffaut que eu conheço. Quando tive certeza de que iríamos exibir FAHRENHEIT 451, falei para mim mesmo que tinha de chamá-lo. De negativo, apenas o fato do auditório recém-inaugurado não possuir cortinas e ter uma película fumê fraca nas janelas, fazendo com que o sol da tarde atrapalhasse um pouco a visualização do telão durante uns aproximados 30 minutos. A coordenação prometeu que daria um jeito na próxima exibição. Vamos ver.
É isso aí, povo. Até a próxima sessão que será no dia 14 de abril, onde exibiremos com orgulho um dos melhores filmes de 2006, V DE VINGANÇA. Tô contando os dias!
PS: O companheiro Matheus Trunk detonou mais uma vez. Cara... que inspiração foi aquela pra escrever a carta ao leitor da ZINGU! deste mês?? Tu andas fumando o quê?? hehehehe. Com certeza, um dos melhores momentos da blogosfera brasileira em 2007. Mas a ZINGU! de abril não para por aí. Tem o dossiê Carlos Imperial (!!!), o grande Marcelo Carrard falando de NUNEXPLOITATION e ALL NIGHT LONG II, críticas do do Filipe Chamy para UMA BALA PARA O GENERAL e crítica do Biáfora para O AMIGO AMERICANO e muito, muito mais. Deixe de putaria, clica aqui e seja feliz!

Depois das apresentações e comentários iniciais feitos por mim e Henrique sobre a volta do Cinecittà, a sessão começa e eu estava ansioso para finalmente conhecer esse verdadeiro clássico do cinema. O filme tinha sido muito bem indicado pelos amigos Ronilson Araújo e Djalma Farias, que são as outras duas pessoas responsáveis pelo Cinecittà e que não puderam comparecer por causa de obrigações pessoais. Uma pena, a presença dos dois só iria melhorar ainda mais aquela tarde. A primeira coisa que me deixou com a sensação de que as quase duas horas de duração deste clássico seriam inesquecíveis foi a inteligência dos créditos iniciais, ditados ao invés dos tradicionais escritos. Quem foi pra sala sem saber muita coisa do filme se surpreendeu ao ver os bombeiros entrando em ação logo no início do filme sem a menor intenção de apagar um incêndio, mas sim para causar um e em livros! Chega a ser assombroso ver uma criança pegando em um livro, ficando interessada em saber o que aquele belo objeto pode trazer a ela e ser privada disso por causa do olhar de um dos bombeiros para o seu responsável. O título do filme refere-se à temperatura na qual os livros são queimados. Depois deste momento, vemos que o responsável pelas chamas lançadas é o protagonista Montag (Oskar Werner, apresentando um desempenho notável mesmo brigado com Truffaut nas filmagens) que passará a questionar o motivo dele estar fazendo isso depois que conhece Clarisse (Julie Christie), uma professora de primário. Com isso, Montag fica curioso para saber o que contém nos livros e começa a "pegar emprestado" os livros das casas "condenadas" em que ele entra com seus colegas de serviço.
FAHRENHEIT 451, tanto o livro quanto o filme, critica ferozmente o totalitarismo. Essa obra-prima de Truffaut continuaria imperdível se fosse uma fiel adaptação do texto de Ray Bradbury aliado ao visível talento do elenco escalado que tem ainda Cyril Cusack como o superior de Montag, mas o filme é bem mais do que apenas isso. A experiência de assistir FAHRENHEIT 451 continuará na mente do espectador depois de anos, como bem disse Luiz Joaquim no debate que ocorreu após a exibição. O filme é muito a frente do seu tempo, não tem uma simples pessoa que não se impressione com o quanto a sala da casa do protagonista é parecida com algumas dos dias de hoje, inclusive com uma TV de tela larga na parede. Para ser sincero, as únicas coisas que estão datadas nele são os efeitos especiais em uma pequena cena de perseguição e o barbeador de última geração que Montag ganha da sua esposa Linda, também interpretada por Julie Christie.
A maioria das pessoas residentes naquele universo fictício são profundamente alienadas pelo conteúdo exibido na televisão, algo que está acontecendo muito no nosso país por causa da fraca educação que o governo fornece aos seus cidadãos e que o filme faz questão de criticar. A submissão dos personagens a esse meio de comunicação também é destacada no excelente V DE VINGANÇA. Uma cena fantástica acontece logo no início quando os bombeiros invadem uma das casas "condenadas" e acham livros escondidos dentro de uma TV!! Os diálogos não ficam atrás em termos de qualidade, muitos são tão memoráveis quanto os vários momentos inesquecíveis e aterrorizantes desta obra-prima. Se brincar, FAHRENHEIT 451 funciona mais como filme de terror do que de ficção. Os 10 minutos finais onde há uma revelação inesperada dentro da trama é de uma beleza incomum.

Como falei antes, alguns dos presentes ficaram empolgados no fim da exibição para fazer perguntas, a maioria delas de natureza política pelo filme instigar mesmo neste tema. Quem acompanhou a gente na mesa junto com Luiz Joaquim foi a profa. Isa Dias que trouxe vários dos seus alunos para prestigiar o evento. Só houve uma ocasião estranha em que eu realmente não consegui compreender o que um dos espectadores queria falar e acabei falando de maneira muito sincera o que eu pensava sobre o questionamento dele, mas ele acabou se expressando melhor e tudo acabou beleza. Ainda bem que a gente conseguiu falar em pouco tempo de algumas curiosidades do filme, da impressionante sutileza dos diálogos, da notável influência de Hitchcock em Truffaut e da maravilhosa trilha de Bernard Hermann, o papo tava tão bom que chega deu uma pena não termos mais tempo para continuar. Acho que o ponto mais alto do papo foi o belo depoimento de Luiz sobre a importância de FAHRENHEIT 451 em sua vida como fã e crítico de cinema. Eu não consigo evitar a felicidade e a emoção toda vez quando alguém fala de coisas que marcaram a infância, no caso de Luiz trata-se da inesquecível cena da descoberta de uma biblioteca particular pertecente a uma senhora e sua resolução. Até hoje esse momento continua chocante.
Dá pra perceber que fiquei feliz com o evento e por conseguir convidar o meu amigo Luiz Joaquim, que é o maior fã de François Truffaut que eu conheço. Quando tive certeza de que iríamos exibir FAHRENHEIT 451, falei para mim mesmo que tinha de chamá-lo. De negativo, apenas o fato do auditório recém-inaugurado não possuir cortinas e ter uma película fumê fraca nas janelas, fazendo com que o sol da tarde atrapalhasse um pouco a visualização do telão durante uns aproximados 30 minutos. A coordenação prometeu que daria um jeito na próxima exibição. Vamos ver.
É isso aí, povo. Até a próxima sessão que será no dia 14 de abril, onde exibiremos com orgulho um dos melhores filmes de 2006, V DE VINGANÇA. Tô contando os dias!
PS: O companheiro Matheus Trunk detonou mais uma vez. Cara... que inspiração foi aquela pra escrever a carta ao leitor da ZINGU! deste mês?? Tu andas fumando o quê?? hehehehe. Com certeza, um dos melhores momentos da blogosfera brasileira em 2007. Mas a ZINGU! de abril não para por aí. Tem o dossiê Carlos Imperial (!!!), o grande Marcelo Carrard falando de NUNEXPLOITATION e ALL NIGHT LONG II, críticas do do Filipe Chamy para UMA BALA PARA O GENERAL e crítica do Biáfora para O AMIGO AMERICANO e muito, muito mais. Deixe de putaria, clica aqui e seja feliz!
terça-feira, março 27, 2007
A clássica briga entre Kinski e Herzog no set de FITZCARRALDO
** Meus amigos(as), ainda não consegui arranjar metade do tempo que eu quero para me sentar e escrever sobre a sessão de FAHRENHEIT 451 e os vários filmes que assisti atualmente. Vou ser mais franco com vocês, saí do meu emprego no início deste mês e agora estou me dedicando na procura de outro. O meu computador pessoal não tem colaborado na questão do conserto logo agora que poderia aproveitar uma manhã ou uma tarde inteira só para deixar vocês com mais conteúdo do que nas últimas atualizações. Quando eu conseguir esse tempinho a mais que eu tanto desejo em frente a um computador, pode deixar que vocês verão o VÁ E VEJA atualizado.
Por enquanto, divirtam-se com o vídeo e me desejem boa sorte na minha caçada. Um grande abraço a todos.
sexta-feira, março 09, 2007
FAHRENHEIT 451 no Cinecittà

Depois de um semestre sem exibições, o Cineclube Cinecittà da Faculdade Maurício de Nassau retorna neste sábado, dia 10 de março, para exibir um clássico da ficção científica dirigido por François Truffaut. Baseado no livro homônimo de Ray Bradburry e estrelado por Oskar Werner e Julie Christie, o filme se passa num futuro hipotético onde os livros e toda forma de escrita são proibidos por um regime totalitário, sob o argumento de que eles fazem com que as pessoas sejam infelizes e improdutivas.
Luiz Joaquim, crítico de cinema da Folha de Pernambuco e programador do Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, é o nosso convidado especial desta sessão.
A entrada é franca e a exibição será no auditório do Bloco Capunga, localizado na Rua Fernando Lopes, 778 - Graças - Recife /PE.
DOA no YouTube
5 minutos aproximados da abertura:
PQP! Que final!!!
E o perfil deste usuário tem DOA completo com legendas em inglês e mais outros filmes asiáticos indispensáveis como SONATINE e DOLLS do Kitano: http://www.youtube.com/profile_videos?user=DaiyobuNai
PQP! Que final!!!
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