Durante o mês de maio a Biblioteca Municipal Prefeito Prestes Maia estará apresentando a Mostra “O Medo no Cinema”, com a exibição de 4 clássicos de terror e suspense. Cópias em 16mm. Sempre aos sábados, às 13:30hs. Gratuito!
Organização: Sergio Luiz de Andrade e Vinícius Del Fiol.
Dia 12
Mórbida curiosidade (Peeping Tom, ING, 1960)
Direção: Michael Powell
Dia 19
A Casa da noite eterna (The Legend of hell house, ING, 1973)
Direção: John Hough
Dia 26
Anjo da noite (idem, BRA, 1974)
Direção: Walter Hugo Khouri
Local: Biblioteca Municipal Prefeito Prestes Maia
Av. João Dias 822 - Santo Amaro
Tel.: 5687-0513
Lotação: 150 lugares
sábado, maio 05, 2007
quinta-feira, maio 03, 2007
CINE-PE: 26 de abril
Vídeos e curtas:
RAPSÓDIA DO ABSURDO (GO) - Dir. Cláudia Nunes
Documentário experimental feito a partir de imagens de arquivo de dois tristes episódios que envolvem a luta pela terra e pelo campo aqui no Brasil. Eu achei válida a proposta e a mensagem que o vídeo quis passar, mas ainda penso que ele poderia ser bem mais enxuto. Às vezes pensava que assistia a um videoclipe longo. Talvez eu não me sinta bem ou não seja acostumado a ver pouco mais de 10 minutos só de imagens e sons, sem qualquer diálogo. No geral, interessante.
CHORUME (SP) - Dir. Hélio Vilela Nunes
Muito, muito legal! O meu vídeo favorito de todos os que vi no evento. Ele retrata a estranha experiência que um gari passa durante a sua habitual jornada de trabalho noturno. Não vou dizer o que acontece a ele, mas vale dizer que o curta me fez lembrar o ótimo DEPOIS DE HORAS de Scorsese. Quando o Hélio apareceu no palco para falar sobre o filme, não pude deixar de pensar "Olha só que figura!" hehe. E é das figuras que muitas vezes temos gratas surpresas. CHORUME é bem direto, muito divertido e prazeroso de se ver. Vale a pena conferir.
NA CORDA BAMBA (PE) - Dir. Marcos Buccini
Taí um curta de animação que agradou em cheio o público do festival. Ele é daqueles filmes que vivem de uma idéia até simples, mas que é bem executada. Aí é que está a diferença. Para mim, o curta fala sobre a quantidade de vezes em que caminhamos nas ruas das nossas cidades sem se importar muito com o que está acontecendo ao redor. Até o momento em que ocorre algo que nos faz sorrir e querer lembrar daquilo durante a volta ao trabalho ou pra casa para contar o acontecido. No início, confesso que não gostei só por ele não fazer muito o meu estilo, mas revendo um pouco dele agora na cabeça acabei o achando legal.
ATÉ O SOL RAIÁ (PE) - Dir. Fernando Jorge e Leandro Amorim
Para (in)felicidade minha e dos presentes, os realizadores não conseguiram entregar a cópia em 35mm a tempo. Uma pena.
BEIJO DE SAL (SP) - Dir. Felipe Gamarano Barbosa
Já era hora de alguém chegar dando porrada na tela. Esse curta-metragem de ficção do Felipe foi o primeiro dos dias em que participei a fazer isso. Vencedor de prêmios nacionais e internacionais, o filme fala a respeito da amizade de dois homens durante o desenrolar de uma festa de Ano Novo. Tudo acontece a partir do momento em que Paulo chega na casa de veraneio de Rogério acompanhado da mulher com quem ele acabou de se casar. Paulo é um rapaz dos seus 30 anos, enquanto que Rogério já está na casa dos 40 e é um autêntico "bon vivant". Esse cara foi o terror das feministas durante a sessão hehehe. Um dos maiores destaques do filme é Rogério Trindade, que vive e dá seu nome ao anfitrião, numa atuação extremamente natural e ao mesmo tempo comovente. Graças à direção de Felipe e a excelência da atuação de Rogério, o espectador atento até compreende os atos estúpidos que o personagem comete só por gostar muito do seu amigo. Muito bom. Merece demais ser visto e conhecido por também apresentar dois nomes que ainda serão mais reconhecidos no cinema nacional, mas posso dizer de antemão que não é para todos os públicos.
CABACEIRAS - Dir. Ana Bárbara Ramos
Cabaceiras é o nome de uma cidade localizada no interior da Paraíba onde vários filmes nacionais são rodados. Esse documentário de curta-metragem bem estruturado tem seu foco em três pessoas do município que participaram de produções como O AUTO DA COMPADECIDA. Gostei muito de ver o posicionamento crítico que elas tem ao falar que a sua cidade não serve só como cenário de região afetada pela seca (lá tem os típicos laguinhos rasteiros, mas água é uma coisa que não falta nas casas) e que muitos realizadores exploram isso para vender essa imagem sofrida do Nordeste conseguindo assim dinheiro de leis públicas de incentivo com a intenção de financiar o resto do filme. Há uma senhora entrevistada que dá uma viajada daquelas e achei muito legal a diretora do documentário manter a integralidade do que ela queria dizer. No final, os aplausos ao curta e aos seus personagens foram realmente merecidos.
NOITE DE SEXTA, MANHÃ DE SÁBADO (PE) - Dir. Kleber Mendonça Filho
Com este filme, Kleber abocanhou mais um prêmio de melhor direção de curta-metragem no Cine-PE. Dos três dele que eu assisti, NOITE DE SEXTA, MANHÃ DE SÁBADO é o que menos aprecio e me identifico. O que não quer dizer, porém, ele não tenha os seus méritos. Trata-se de uma história de amor contada em 15 minutos através de uma ligação de celular feita de Recife para Kiev. O filme é mais simples do que muita gente esperava depois de VINIL VERDE e ELETRODOMÉSTICA, mas é uma experiência original que ainda deve agradar e fazer pensar os públicos de vários festivais.
Um adendo: Você ainda não viu VINIL VERDE? Caso queira assisti-lo através do Porta Curtas, clique aqui. Eu o considero uma das melhores obras do cinema nacional de curta-metragem. Leandro Caraça e Diogenes L. Cesar, não duvido nada vocês dois gostarem desse filme.
Longa-metragem:
OS 12 TRABALHOS (SP) - Dir. Ricardo Elias
Gostei tanto que irei fazer um post em breve só sobre ele. Trata-se de um filme muito especial, sincero, humano e sem frescurites narrativas sobre o inesquecível primeiro dia de trabalho de Éracles (vivido com garra pelo jovem ator paulista Sidney Santiago, que também foi merecidamente premiado pela sua bela atuação aqui no Cine-PE)como motoboy. Fiquei muito feliz e grato pela surpresa ao ver um trabalho com tantas qualidades me saltando aos olhos, principalmente pela dignidade e respeito conferidos a um personagem do nosso cotidiano que acredito que nenhum outro realizador teve interesse de analisar de maneira decente. Belíssimo.
RAPSÓDIA DO ABSURDO (GO) - Dir. Cláudia Nunes
Documentário experimental feito a partir de imagens de arquivo de dois tristes episódios que envolvem a luta pela terra e pelo campo aqui no Brasil. Eu achei válida a proposta e a mensagem que o vídeo quis passar, mas ainda penso que ele poderia ser bem mais enxuto. Às vezes pensava que assistia a um videoclipe longo. Talvez eu não me sinta bem ou não seja acostumado a ver pouco mais de 10 minutos só de imagens e sons, sem qualquer diálogo. No geral, interessante.
CHORUME (SP) - Dir. Hélio Vilela Nunes
Muito, muito legal! O meu vídeo favorito de todos os que vi no evento. Ele retrata a estranha experiência que um gari passa durante a sua habitual jornada de trabalho noturno. Não vou dizer o que acontece a ele, mas vale dizer que o curta me fez lembrar o ótimo DEPOIS DE HORAS de Scorsese. Quando o Hélio apareceu no palco para falar sobre o filme, não pude deixar de pensar "Olha só que figura!" hehe. E é das figuras que muitas vezes temos gratas surpresas. CHORUME é bem direto, muito divertido e prazeroso de se ver. Vale a pena conferir.
NA CORDA BAMBA (PE) - Dir. Marcos Buccini
Taí um curta de animação que agradou em cheio o público do festival. Ele é daqueles filmes que vivem de uma idéia até simples, mas que é bem executada. Aí é que está a diferença. Para mim, o curta fala sobre a quantidade de vezes em que caminhamos nas ruas das nossas cidades sem se importar muito com o que está acontecendo ao redor. Até o momento em que ocorre algo que nos faz sorrir e querer lembrar daquilo durante a volta ao trabalho ou pra casa para contar o acontecido. No início, confesso que não gostei só por ele não fazer muito o meu estilo, mas revendo um pouco dele agora na cabeça acabei o achando legal.
ATÉ O SOL RAIÁ (PE) - Dir. Fernando Jorge e Leandro Amorim
Para (in)felicidade minha e dos presentes, os realizadores não conseguiram entregar a cópia em 35mm a tempo. Uma pena.
BEIJO DE SAL (SP) - Dir. Felipe Gamarano Barbosa
Já era hora de alguém chegar dando porrada na tela. Esse curta-metragem de ficção do Felipe foi o primeiro dos dias em que participei a fazer isso. Vencedor de prêmios nacionais e internacionais, o filme fala a respeito da amizade de dois homens durante o desenrolar de uma festa de Ano Novo. Tudo acontece a partir do momento em que Paulo chega na casa de veraneio de Rogério acompanhado da mulher com quem ele acabou de se casar. Paulo é um rapaz dos seus 30 anos, enquanto que Rogério já está na casa dos 40 e é um autêntico "bon vivant". Esse cara foi o terror das feministas durante a sessão hehehe. Um dos maiores destaques do filme é Rogério Trindade, que vive e dá seu nome ao anfitrião, numa atuação extremamente natural e ao mesmo tempo comovente. Graças à direção de Felipe e a excelência da atuação de Rogério, o espectador atento até compreende os atos estúpidos que o personagem comete só por gostar muito do seu amigo. Muito bom. Merece demais ser visto e conhecido por também apresentar dois nomes que ainda serão mais reconhecidos no cinema nacional, mas posso dizer de antemão que não é para todos os públicos.
CABACEIRAS - Dir. Ana Bárbara Ramos
Cabaceiras é o nome de uma cidade localizada no interior da Paraíba onde vários filmes nacionais são rodados. Esse documentário de curta-metragem bem estruturado tem seu foco em três pessoas do município que participaram de produções como O AUTO DA COMPADECIDA. Gostei muito de ver o posicionamento crítico que elas tem ao falar que a sua cidade não serve só como cenário de região afetada pela seca (lá tem os típicos laguinhos rasteiros, mas água é uma coisa que não falta nas casas) e que muitos realizadores exploram isso para vender essa imagem sofrida do Nordeste conseguindo assim dinheiro de leis públicas de incentivo com a intenção de financiar o resto do filme. Há uma senhora entrevistada que dá uma viajada daquelas e achei muito legal a diretora do documentário manter a integralidade do que ela queria dizer. No final, os aplausos ao curta e aos seus personagens foram realmente merecidos.
NOITE DE SEXTA, MANHÃ DE SÁBADO (PE) - Dir. Kleber Mendonça Filho
Com este filme, Kleber abocanhou mais um prêmio de melhor direção de curta-metragem no Cine-PE. Dos três dele que eu assisti, NOITE DE SEXTA, MANHÃ DE SÁBADO é o que menos aprecio e me identifico. O que não quer dizer, porém, ele não tenha os seus méritos. Trata-se de uma história de amor contada em 15 minutos através de uma ligação de celular feita de Recife para Kiev. O filme é mais simples do que muita gente esperava depois de VINIL VERDE e ELETRODOMÉSTICA, mas é uma experiência original que ainda deve agradar e fazer pensar os públicos de vários festivais.
Um adendo: Você ainda não viu VINIL VERDE? Caso queira assisti-lo através do Porta Curtas, clique aqui. Eu o considero uma das melhores obras do cinema nacional de curta-metragem. Leandro Caraça e Diogenes L. Cesar, não duvido nada vocês dois gostarem desse filme.
Longa-metragem:
OS 12 TRABALHOS (SP) - Dir. Ricardo Elias
Gostei tanto que irei fazer um post em breve só sobre ele. Trata-se de um filme muito especial, sincero, humano e sem frescurites narrativas sobre o inesquecível primeiro dia de trabalho de Éracles (vivido com garra pelo jovem ator paulista Sidney Santiago, que também foi merecidamente premiado pela sua bela atuação aqui no Cine-PE)como motoboy. Fiquei muito feliz e grato pela surpresa ao ver um trabalho com tantas qualidades me saltando aos olhos, principalmente pela dignidade e respeito conferidos a um personagem do nosso cotidiano que acredito que nenhum outro realizador teve interesse de analisar de maneira decente. Belíssimo.
terça-feira, maio 01, 2007
CINE-PE: 24 de abril
Nossa... dois dias que quero escrever sobre o Cine-PE aqui e eu não consigo. Bom, para as atualizações não atrasarem muito, finalmente darei uma geral sobre todos os dias em que pude comparecer. Estive presente nos dias 24, 26 e 27 de abril. Irei ficar atualizando aqui até a hora que irei sair da Internet por causa do tempo limitado (dividir PC depois de quase 2 meses sem mexer direito com os irmãos é dureza... quem não tem não imagina a barra hehehe). Infelizmente não pude comparecer no sábado pra ver as projeções de O CÃO SEM DONO e de UMA VIDA E OUTRA, do camarada Daniel Aragão.
Vamos aos comentários do que rolou na terça-feira...
Vídeos e curtas:
EU SOU COMO UM POLVO (MG) - Dir. Sávio Leite
Gostei muito da proposta e do vídeo em si. O diretor Sávio Leite posicionou a sua câmera embaixo de uma mesa de vidro e o artista Lourenço Mutarelli desenha dois bizarros auto-retratos enquanto ouvimos a sua voz em off lendo um texto autobiográfico. O texto é um pequeno desabafo sobre o seu passado e uma revelação do quanto a sua arte de desenhar o ajudou. Bonito de se ver e até emocionante para o espectador que já tenha visto apenas a qualquer um dos trabalhos de Mutarelli.
PIXINGUINHA E A VELHA GUARDA DO SAMBA (SP) - Dir. Ricardo Dias / Thomas Farkas
No ano de 1954, Thomas Farkas filmou uma apresentação de Pixinguinha e o Pessoal da Velha Guarda no Parque do Ibirapuera em São Paulo com uma câmera 16mm de corda, nas festividades do quarto centenário da cidade. Ricardo Dias resgata essa preciosidade e conta a história do dia da filmagem através de depoimentos do próprio Farkas, que co-dirige o filme. Trata-se da única apresentação filmada de Pixinguinha e seu grupo, portanto o curta é bem válido.
Longas-metragens:
O MUNDO EM DUAS VOLTAS (SP) - Dir. David Schürmann
Não curti o chamado documentário da Família Schürmann. Quando vi que um dos próprios membros da família era o diretor do filme fiquei com o pé atrás no mesmo instante. Deveriam ter chamado alguém de fora do ambiente familiar, pois o resultado final é até mais careta do que você pode estar imaginando agora. O que falar sobre um documentário de viagens onde nenhum problema acontece e o pessoal é bem recebido em todos os cantos em que eles colocam os seus pés? Ah sim, o Capitão fala que a embarcação quase foi assaltada por piratas. Mas cadê as imagens? Pra mim não há coisa pior para um documentário do que afirmar qualquer coisa e não a comprovar de alguma maneira. Resumindo, é filme pra turista de sofá ficar deslumbrando as belas imagens dos vários lugares que os Schürmann visitam. Posso estar sendo bem cruel, mas até parece que essa produção só foi feita para a famosa família de viajantes conseguir mais patrocinadores do que os que já tem. As melhores coisas dele são a curiosa passagem pela Filipinas durante a Semana Santa onde o espectador vê uma crucificação sendo encenada (nada com cordas como se faz por aqui, lá o sujeito é pregado mesmo nas mãos e pés!!) e a eternização da garotinha Kat, que era soropositiva e faleceu no ano passado aos 13 anos de idade. Ela está uma graça no filme.
O CÔCO, A RODA, O PNÊU E O FAROL (PE) - Dir. Mariana Fortes
Sei que é muito, muito feio dizer isso, mas eu tava bem cansadinho e acabei tirando uns cochilos pra me dar conta de que era melhor sair dali para ter uma boa noite de sono no conforto da minha casa. Pelo que eu vi, é um registro válido sobre o côco de roda ou samba de côco, que é uma vertente musical muito forte aqui em Pernambuco, e as suas personagens que, mesmo quase anônimas e apenas mais conhecidas dentro das suas comunidades, continuam a fazer com que o Côco continue com força por muitos e muitos anos.
Homenagem: Patrícia Pillar
A homenageada da noite de terça-feira foi a atriz Patrícia Pillar, que estava presente no evento e recebeu o troféu Calunga em mãos. Ela estava linda e a achei bem sincera e modesta em seus agradecimentos. Antes dela subir ao palco, foi passado um vídeo realizado pela organização do festival e o Canal Brasil em homenagem à atriz com várias de suas participações no cinema e na TV, inclusive em PARA VIVER UM GRANDE AMOR, um musical oitentista em que ela contracena com Djavan. Foi bem divertido quando ela disse "Ainda bem que evoluímos, tomara que a gente nunca mais use isso" sobre a maquiagem dela no filme hehehehe. E fiquei bem feliz quando ela falou sobre o grande trabalho que está tendo atrás das câmeras na realização do documentário dela sobre Waldick Soriano, justamente por comprovar que esse filme vai sair mesmo!!
Vamos aos comentários do que rolou na terça-feira...
Vídeos e curtas:
EU SOU COMO UM POLVO (MG) - Dir. Sávio Leite
Gostei muito da proposta e do vídeo em si. O diretor Sávio Leite posicionou a sua câmera embaixo de uma mesa de vidro e o artista Lourenço Mutarelli desenha dois bizarros auto-retratos enquanto ouvimos a sua voz em off lendo um texto autobiográfico. O texto é um pequeno desabafo sobre o seu passado e uma revelação do quanto a sua arte de desenhar o ajudou. Bonito de se ver e até emocionante para o espectador que já tenha visto apenas a qualquer um dos trabalhos de Mutarelli.
PIXINGUINHA E A VELHA GUARDA DO SAMBA (SP) - Dir. Ricardo Dias / Thomas Farkas
No ano de 1954, Thomas Farkas filmou uma apresentação de Pixinguinha e o Pessoal da Velha Guarda no Parque do Ibirapuera em São Paulo com uma câmera 16mm de corda, nas festividades do quarto centenário da cidade. Ricardo Dias resgata essa preciosidade e conta a história do dia da filmagem através de depoimentos do próprio Farkas, que co-dirige o filme. Trata-se da única apresentação filmada de Pixinguinha e seu grupo, portanto o curta é bem válido.
Longas-metragens:
O MUNDO EM DUAS VOLTAS (SP) - Dir. David Schürmann
Não curti o chamado documentário da Família Schürmann. Quando vi que um dos próprios membros da família era o diretor do filme fiquei com o pé atrás no mesmo instante. Deveriam ter chamado alguém de fora do ambiente familiar, pois o resultado final é até mais careta do que você pode estar imaginando agora. O que falar sobre um documentário de viagens onde nenhum problema acontece e o pessoal é bem recebido em todos os cantos em que eles colocam os seus pés? Ah sim, o Capitão fala que a embarcação quase foi assaltada por piratas. Mas cadê as imagens? Pra mim não há coisa pior para um documentário do que afirmar qualquer coisa e não a comprovar de alguma maneira. Resumindo, é filme pra turista de sofá ficar deslumbrando as belas imagens dos vários lugares que os Schürmann visitam. Posso estar sendo bem cruel, mas até parece que essa produção só foi feita para a famosa família de viajantes conseguir mais patrocinadores do que os que já tem. As melhores coisas dele são a curiosa passagem pela Filipinas durante a Semana Santa onde o espectador vê uma crucificação sendo encenada (nada com cordas como se faz por aqui, lá o sujeito é pregado mesmo nas mãos e pés!!) e a eternização da garotinha Kat, que era soropositiva e faleceu no ano passado aos 13 anos de idade. Ela está uma graça no filme.
O CÔCO, A RODA, O PNÊU E O FAROL (PE) - Dir. Mariana Fortes
Sei que é muito, muito feio dizer isso, mas eu tava bem cansadinho e acabei tirando uns cochilos pra me dar conta de que era melhor sair dali para ter uma boa noite de sono no conforto da minha casa. Pelo que eu vi, é um registro válido sobre o côco de roda ou samba de côco, que é uma vertente musical muito forte aqui em Pernambuco, e as suas personagens que, mesmo quase anônimas e apenas mais conhecidas dentro das suas comunidades, continuam a fazer com que o Côco continue com força por muitos e muitos anos.
Homenagem: Patrícia Pillar
A homenageada da noite de terça-feira foi a atriz Patrícia Pillar, que estava presente no evento e recebeu o troféu Calunga em mãos. Ela estava linda e a achei bem sincera e modesta em seus agradecimentos. Antes dela subir ao palco, foi passado um vídeo realizado pela organização do festival e o Canal Brasil em homenagem à atriz com várias de suas participações no cinema e na TV, inclusive em PARA VIVER UM GRANDE AMOR, um musical oitentista em que ela contracena com Djavan. Foi bem divertido quando ela disse "Ainda bem que evoluímos, tomara que a gente nunca mais use isso" sobre a maquiagem dela no filme hehehehe. E fiquei bem feliz quando ela falou sobre o grande trabalho que está tendo atrás das câmeras na realização do documentário dela sobre Waldick Soriano, justamente por comprovar que esse filme vai sair mesmo!!
PREMIAÇÃO DO CINE PE 2007
LONGAS-METRAGENS
* Troféu Gilberto Freyre: O Côco, a Roda, o Pneu e o Farol (PE), de Mariana Fortes.
* Prêmio Especial da Crítica: Cão sem Dono (SP), de Beto Brant e Renato Ciasca
* Prêmio Especial do Júri: 5 Frações de uma Quase História (MG), Direção coletina mineira.
* Melhor Atriz Coadjuvante: Branca Messina, de Não por Acaso (SP)
* Melhor Ator Coadjuvante: Flávio Bauraqui, por Os 12 Trabalhos (SP)
* Melhor Direção de Arte: Adriana Lemos Mroninski, por 5 Frações de uma Quase História (MG)
* Melhor Trilha Sonora: André Abujamra, por Os 12 Trabalhos (SP)
* Melhor Edição de Som: Luiz Adelmo, por O Mundo em Duas Voltas (SP)
* Melhor Montagem: Marcio Canella, por Não por Acaso (SP)
* Melhor Fotografia: Pedro Farkas, por Não por Acaso (SP)
* Melhor Roteiro: Cláudio Yosida e Ricardo Elias, por Os 12 Trabalhos (SP)
* Melhor Atriz: Tainá Muller, por Cão sem Dono (SP)
* Melhor Ator: Leonardo Medeiros, por Não por Acaso (SP) e Sidney Santiago, por Os 12 Trabalhos (SP)
* Melhor Direção: Ricardo Elias, por Os 12 Trabalhos (SP)
* Prêmio Especial do Público: O Mundo em Duas Voltas (SP)
* Melhor Longa-Metragem: Cão sem Dono (SP), de Beto Brant e Renato Ciasca
CURTAS-METRAGENS
* Prêmio da Associação Brasileira de Documentaristas (ABD): Schenberguianas
* Prêmio Josué de Castro: Schenberguianas
* Prêmio Especial do Júri: Joyce (SP), de Caroline Leone
* Prêmio Especial do Público: Cabaceiras (PB), de Ana Bárbara Ramos
* Prêmio Especial da Crítica: Vida Maria (CE), de Márcio Ramos
* Melhor Atriz: Joana Seibel, por Fúria (RJ)
* Melhor Ator: Nando Cunha, por O Homem (DF)
* Melhor Direção de Arte: Rafael Targat, por Fúria (RJ)
* Melhor Trilha Sonora: Hérlon Robson, por Vida Maria (CE)
* Melhor Edição de Som: Daniel Turini, por Pixinguinha e a Velha Guarda do Samba (SP)
* Melhor Montagem: Grilo, por Schenberguianas (PE)
* Melhor Fotografia: Cláudio Leone, por Joyce (SP)
* Melhor Roteiro: Márcio Ramos, por Vida Maria (CE)
* Melhor Direção: Kleber Mendonça Filho, por Noite de Sexta, Manhã de Sábado (PE)
* 1º Prêmio Aquisição do Canal Brasil: Beijo de Sal (RJ), com direção de Felipe Gamarano Barbosa
* 2º Prêmio de Aquisição do Canal Brasil: Trecho (MG), com direção de Clarissa Campolina e Helvécio Marins Júnior
* Melhor Curta-Metragem: Vida Maria (CE), com direção de Márcio Ramos
VÍDEOS DIGITAIS
* Prêmio da Associação Brasileira de Documentaristas (ABD): Stela do Patrocínio, de Márcio de Andrade
* Prêmio Especial da Crítica: O Jumento Santo e a Cidade que se acabou antes de começar (PE), com direção de Wiliam Paiva e Leonardo Domingues
* Prêmio Especial do Júri: para o ator Otávio Augusto pelo vídeo Ruínas
* Melhor Montagem: O Jumento Santo e a Cidade que se acabou antes de começar (PE). Montadores: Wiliam Paiva e Leonardo Domingues
* Melhor Roteiro: O Jumento Santo e a Cidade que se acabou antes de começar (PE). Roteiristas: Leo Falcão e André Muhle.
* Melhor Direção: Além de Café, Petróleo e Diamantes (SP). Diretor: Marcelo Trotta.
* Prêmio Especial do Público: O Sapo (RJ), com direção de Adolfo Sarkis.
* Melhor Vídeo Digital: O Jumento Santo e a Cidade que se acabou antes de começar (PE)
* Troféu Gilberto Freyre: O Côco, a Roda, o Pneu e o Farol (PE), de Mariana Fortes.
* Prêmio Especial da Crítica: Cão sem Dono (SP), de Beto Brant e Renato Ciasca
* Prêmio Especial do Júri: 5 Frações de uma Quase História (MG), Direção coletina mineira.
* Melhor Atriz Coadjuvante: Branca Messina, de Não por Acaso (SP)
* Melhor Ator Coadjuvante: Flávio Bauraqui, por Os 12 Trabalhos (SP)
* Melhor Direção de Arte: Adriana Lemos Mroninski, por 5 Frações de uma Quase História (MG)
* Melhor Trilha Sonora: André Abujamra, por Os 12 Trabalhos (SP)
* Melhor Edição de Som: Luiz Adelmo, por O Mundo em Duas Voltas (SP)
* Melhor Montagem: Marcio Canella, por Não por Acaso (SP)
* Melhor Fotografia: Pedro Farkas, por Não por Acaso (SP)
* Melhor Roteiro: Cláudio Yosida e Ricardo Elias, por Os 12 Trabalhos (SP)
* Melhor Atriz: Tainá Muller, por Cão sem Dono (SP)
* Melhor Ator: Leonardo Medeiros, por Não por Acaso (SP) e Sidney Santiago, por Os 12 Trabalhos (SP)
* Melhor Direção: Ricardo Elias, por Os 12 Trabalhos (SP)
* Prêmio Especial do Público: O Mundo em Duas Voltas (SP)
* Melhor Longa-Metragem: Cão sem Dono (SP), de Beto Brant e Renato Ciasca
CURTAS-METRAGENS
* Prêmio da Associação Brasileira de Documentaristas (ABD): Schenberguianas
* Prêmio Josué de Castro: Schenberguianas
* Prêmio Especial do Júri: Joyce (SP), de Caroline Leone
* Prêmio Especial do Público: Cabaceiras (PB), de Ana Bárbara Ramos
* Prêmio Especial da Crítica: Vida Maria (CE), de Márcio Ramos
* Melhor Atriz: Joana Seibel, por Fúria (RJ)
* Melhor Ator: Nando Cunha, por O Homem (DF)
* Melhor Direção de Arte: Rafael Targat, por Fúria (RJ)
* Melhor Trilha Sonora: Hérlon Robson, por Vida Maria (CE)
* Melhor Edição de Som: Daniel Turini, por Pixinguinha e a Velha Guarda do Samba (SP)
* Melhor Montagem: Grilo, por Schenberguianas (PE)
* Melhor Fotografia: Cláudio Leone, por Joyce (SP)
* Melhor Roteiro: Márcio Ramos, por Vida Maria (CE)
* Melhor Direção: Kleber Mendonça Filho, por Noite de Sexta, Manhã de Sábado (PE)
* 1º Prêmio Aquisição do Canal Brasil: Beijo de Sal (RJ), com direção de Felipe Gamarano Barbosa
* 2º Prêmio de Aquisição do Canal Brasil: Trecho (MG), com direção de Clarissa Campolina e Helvécio Marins Júnior
* Melhor Curta-Metragem: Vida Maria (CE), com direção de Márcio Ramos
VÍDEOS DIGITAIS
* Prêmio da Associação Brasileira de Documentaristas (ABD): Stela do Patrocínio, de Márcio de Andrade
* Prêmio Especial da Crítica: O Jumento Santo e a Cidade que se acabou antes de começar (PE), com direção de Wiliam Paiva e Leonardo Domingues
* Prêmio Especial do Júri: para o ator Otávio Augusto pelo vídeo Ruínas
* Melhor Montagem: O Jumento Santo e a Cidade que se acabou antes de começar (PE). Montadores: Wiliam Paiva e Leonardo Domingues
* Melhor Roteiro: O Jumento Santo e a Cidade que se acabou antes de começar (PE). Roteiristas: Leo Falcão e André Muhle.
* Melhor Direção: Além de Café, Petróleo e Diamantes (SP). Diretor: Marcelo Trotta.
* Prêmio Especial do Público: O Sapo (RJ), com direção de Adolfo Sarkis.
* Melhor Vídeo Digital: O Jumento Santo e a Cidade que se acabou antes de começar (PE)
quarta-feira, abril 25, 2007
BOCA DE OURO (1963, BRASIL-IL-IL)
Antes da sua abertura oficial, o Cine-PE promoveu uma mostra com três filmes do Cinema Novo no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco aqui em Recife. Não consegui ver o documentário OPINIÃO PÚBLICA do Arnaldo Jabor, um filme que eu tava com alguma curiosidade para assistir por me falarem coisas interessantes a respeito dele. Deixemos Jabor pra lá, só sei que esse último sábado foi uma data a anotar na minha memória afetiva, assim como o dia 17 de setembro de 2005. Memorizei assim:
Sábado, 21 de abril de 2007. O dia em que eu vi o grande Jece Valadão arrebentando numa tela de cinema!

Fazia um bom tempo que eu não saía de casa para uma sessão de cinema com tanta vontade de chegar logo na sala para pegar o meu ingresso e me jogar dentro da sala escura. Encontrei alguns conhecidos e troquei uma rápida idéia com eles, porque no Cinema da Fundaj é impossível não encontrar várias pessoas de sessões anteriores. Com o tempo e sabendo selecionar se você não for muito tímido(a), verá que vale a pena manter contato com algumas.
Nos créditos de abertura de BOCA DE OURO, vemos um pouco da ascensão do protagonista que é um bicheiro interpretado magistralmente por Jece Valadão até a cena em que ele pede a um dentista (Wilson Grey!!) que arranque todos os dentes da sua boca e para colocar uma dentadura de ouro, tornando-se assim o temido marginal de Madureira, no Rio de Janeiro dos anos 60. O filme começa quando Boca de Ouro foi encontrado assassinado e a redação de um jornal manda o repórter Caveirinha (Ivan Cândido, perfeito) e um fotógrafo (Alguém sabe o nome desse ator? Porque ele manda bem com o pouco material de roteiro que teve e queria dar créditos a ele...) para falar com Dona Guigui (Odete Lara, que está linda no filme como vocês podem ver pela foto), que foi uma das amantes do bandido, e tentar extrair informações sobre qualquer crime cometido por Boca que ainda não foi descoberto pela Polícia. É a partir daí que passamos a conhecer o episódio ocorrido entre Boca, Leleco (Daniel Filho) e Celeste (Mária Lúcia Monteiro).
Cínico e amoral são adjetivos que não apenas podem ser atribuídos ao personagem de Valadão, mas também ao próprio filme que revela-se muito à frente do seu tempo justamente por causa da brilhante leitura cinematográfica que Nelson Pereira dos Santos faz da peça de Nelson Rodrigues. Se os créditos não tivessem mencionado de que o filme era uma adaptação de uma peça teatral, eu não imaginaria que ele fosse uma já que a maioria dos filmes do tipo explicitam isso pela ausência de cenários, poucos atores e outras caracterísitcas. Enquanto eu via Valadão detonando em momentos antológicos, ficava pensando no motivo pelo qual o cinema brasileiro de longa-metragem não tem mais personagens assumidamente machistas e cafajestes como o Boca e cenas escritas como a do "sorteio" do colar. Falta mais coragem e ousadia nos filmes de hoje, coisa que esse puta filme de 1963 tem de sobra. Também pudera, com leis de incentivo que só aprovam produções que falam das mesmíssimas coisas do Brasil que são mais fáceis de serem vendidas no exterior. Pelo menos agora parece que esse quadro vai mudar. Ainda tenho esperança de que um bom filme feito para o povão será feito no Brasil e não episódios de novela global filmado em scope com aquelas mesmas caras que já estou de saco cheio de ver em qualquer canto que seja no elenco.
BOCA DE OURO é um filme fantástico que merece demais ser redescoberto hoje. Fiquei mais surpreso e feliz do que esperava ao vê-lo no cinema, principalmente pela narrativa que evoca o clássico RASHOMON de Kurosawa (ou é RASHOMON que evoca BOCA DE OURO?? hehe) e pela extraordinária atuação de Jece Valadão que faz os diálogos de Rodrigues serem ainda mais memoráveis. Me senti com orgulho de ser brasileiro como há muito tempo eu não sentia ao relembrar que a gente tinha um filme policial ao mesmo nível dos melhores do gênero.
Sábado, 21 de abril de 2007. O dia em que eu vi o grande Jece Valadão arrebentando numa tela de cinema!

Fazia um bom tempo que eu não saía de casa para uma sessão de cinema com tanta vontade de chegar logo na sala para pegar o meu ingresso e me jogar dentro da sala escura. Encontrei alguns conhecidos e troquei uma rápida idéia com eles, porque no Cinema da Fundaj é impossível não encontrar várias pessoas de sessões anteriores. Com o tempo e sabendo selecionar se você não for muito tímido(a), verá que vale a pena manter contato com algumas.
Nos créditos de abertura de BOCA DE OURO, vemos um pouco da ascensão do protagonista que é um bicheiro interpretado magistralmente por Jece Valadão até a cena em que ele pede a um dentista (Wilson Grey!!) que arranque todos os dentes da sua boca e para colocar uma dentadura de ouro, tornando-se assim o temido marginal de Madureira, no Rio de Janeiro dos anos 60. O filme começa quando Boca de Ouro foi encontrado assassinado e a redação de um jornal manda o repórter Caveirinha (Ivan Cândido, perfeito) e um fotógrafo (Alguém sabe o nome desse ator? Porque ele manda bem com o pouco material de roteiro que teve e queria dar créditos a ele...) para falar com Dona Guigui (Odete Lara, que está linda no filme como vocês podem ver pela foto), que foi uma das amantes do bandido, e tentar extrair informações sobre qualquer crime cometido por Boca que ainda não foi descoberto pela Polícia. É a partir daí que passamos a conhecer o episódio ocorrido entre Boca, Leleco (Daniel Filho) e Celeste (Mária Lúcia Monteiro).
Cínico e amoral são adjetivos que não apenas podem ser atribuídos ao personagem de Valadão, mas também ao próprio filme que revela-se muito à frente do seu tempo justamente por causa da brilhante leitura cinematográfica que Nelson Pereira dos Santos faz da peça de Nelson Rodrigues. Se os créditos não tivessem mencionado de que o filme era uma adaptação de uma peça teatral, eu não imaginaria que ele fosse uma já que a maioria dos filmes do tipo explicitam isso pela ausência de cenários, poucos atores e outras caracterísitcas. Enquanto eu via Valadão detonando em momentos antológicos, ficava pensando no motivo pelo qual o cinema brasileiro de longa-metragem não tem mais personagens assumidamente machistas e cafajestes como o Boca e cenas escritas como a do "sorteio" do colar. Falta mais coragem e ousadia nos filmes de hoje, coisa que esse puta filme de 1963 tem de sobra. Também pudera, com leis de incentivo que só aprovam produções que falam das mesmíssimas coisas do Brasil que são mais fáceis de serem vendidas no exterior. Pelo menos agora parece que esse quadro vai mudar. Ainda tenho esperança de que um bom filme feito para o povão será feito no Brasil e não episódios de novela global filmado em scope com aquelas mesmas caras que já estou de saco cheio de ver em qualquer canto que seja no elenco.
BOCA DE OURO é um filme fantástico que merece demais ser redescoberto hoje. Fiquei mais surpreso e feliz do que esperava ao vê-lo no cinema, principalmente pela narrativa que evoca o clássico RASHOMON de Kurosawa (ou é RASHOMON que evoca BOCA DE OURO?? hehe) e pela extraordinária atuação de Jece Valadão que faz os diálogos de Rodrigues serem ainda mais memoráveis. Me senti com orgulho de ser brasileiro como há muito tempo eu não sentia ao relembrar que a gente tinha um filme policial ao mesmo nível dos melhores do gênero.
quinta-feira, abril 19, 2007
Mostra "Abrindo Cabeças" do Cine-PE
O Cinema da Fundação Joaquim Nabuco abre espaço para a Mostra “Abrindo Cabeças”, promovida pela 11º edição do Cine-PE: Festival do Audiovisual. A mostra apresenta três obras realizadas no período do Cinema Novo.
Sexta, 20 de Abril, 18h30
Opinião Pública
(Brasil, 1967). Documentário de Arnaldo Jabor.
Em “Opinião Pública”, o diretor faz, aos 27 anos, o primeiro filme de longa-metragem no estilo cinema verdade, analisando os corações e mentes da classe média brasileira, logo depois da "revolução" militar de 1964, mostrando como a classe média, com seu conservadorismo e ingenuidade, apoiou esse retrocesso histórico no país.
Cinemateca Brasileira / Livre / 65 min. / 35mm / Tela Plana / Mono
----------------------------------------------------------------------------------
Sábado, 21 de Abril, 18h30
Boca de Ouro
(Brasil, 1962) De Nelson Pereira dos Santos. Com Odete Lara, Jece Valadão, Daniel Filho, Maria Lúcia Monteiro, Ivan Cândido, Wilson Grey.
Baseado em peça homônima de Nelson Rodrigues e filmado de forma brilhante por Nelson Pereira dos Santos. Boca de Ouro (Jece Valadão) decide arrancar todos os dentes para colocar uma dentadura de ouro. Por ter sido abandonado pela mãe em uma pia de banheiro, deseja também que seu caixão seja todo de ouro, para se recuperar do trauma que sofreu. Boca de Ouro começa apresentando seu protagonista, que acabara de morrer assassinado. O repórter Caveirinha (Ivan Cândido), designado para descobrir a verdadeira história do marginal, vai entrevistar sua ex-amante, Guigui (Odete Lara), que conta três diferentes versões da vida do bicheiro.
Tela plana / 14 anos / 103 min. / Mono / Cinemateca Brasileira / Livre
----------------------------------------------------------------------------------
Domingo, 22 de Abril, 18h30
VIDAS SECAS
(Brasil, 1963). De Nelson Pereira dos Santos. Com Átila Ióri, Maria Ribeiro, Orlando Macedo, Jofre Soares, Gilvan Lima, Genivaldo Lima.
Rara oportunidade de ver no cinema a obra-prima de Nelson Pereira dos Santos, uma das melhores adaptações de uma obra literária para o cinema, neste caso, da obra de Graciliano Ramos. "Vidas secas" exibe o limite da incomunicabilidade e animalização do homem na família de retirantes que se desloca em movimento circular entre uma trégua e outra dada pela hostilidade da natureza. Filme determinante no período do Cinema Novo.
103 min. / Livre / 35mm / Tela plana / Mono / Cinemateca Brasileira
Serviço: Rua Henrique Dias, 609, Derby - Recife/PE
Fones e e-mail: 3073.6688, 3073.6689, 3073.6712 e 3073.6651 -cinema@fundaj.gov.br – Ingressos: R$ 6,00 (inteira) – R$ 3,00 - (acima de 60 anos/estudantes)
Sexta, 20 de Abril, 18h30
Opinião Pública
(Brasil, 1967). Documentário de Arnaldo Jabor.
Em “Opinião Pública”, o diretor faz, aos 27 anos, o primeiro filme de longa-metragem no estilo cinema verdade, analisando os corações e mentes da classe média brasileira, logo depois da "revolução" militar de 1964, mostrando como a classe média, com seu conservadorismo e ingenuidade, apoiou esse retrocesso histórico no país.
Cinemateca Brasileira / Livre / 65 min. / 35mm / Tela Plana / Mono
----------------------------------------------------------------------------------
Sábado, 21 de Abril, 18h30
Boca de Ouro
(Brasil, 1962) De Nelson Pereira dos Santos. Com Odete Lara, Jece Valadão, Daniel Filho, Maria Lúcia Monteiro, Ivan Cândido, Wilson Grey.
Baseado em peça homônima de Nelson Rodrigues e filmado de forma brilhante por Nelson Pereira dos Santos. Boca de Ouro (Jece Valadão) decide arrancar todos os dentes para colocar uma dentadura de ouro. Por ter sido abandonado pela mãe em uma pia de banheiro, deseja também que seu caixão seja todo de ouro, para se recuperar do trauma que sofreu. Boca de Ouro começa apresentando seu protagonista, que acabara de morrer assassinado. O repórter Caveirinha (Ivan Cândido), designado para descobrir a verdadeira história do marginal, vai entrevistar sua ex-amante, Guigui (Odete Lara), que conta três diferentes versões da vida do bicheiro.
Tela plana / 14 anos / 103 min. / Mono / Cinemateca Brasileira / Livre
----------------------------------------------------------------------------------
Domingo, 22 de Abril, 18h30
VIDAS SECAS
(Brasil, 1963). De Nelson Pereira dos Santos. Com Átila Ióri, Maria Ribeiro, Orlando Macedo, Jofre Soares, Gilvan Lima, Genivaldo Lima.
Rara oportunidade de ver no cinema a obra-prima de Nelson Pereira dos Santos, uma das melhores adaptações de uma obra literária para o cinema, neste caso, da obra de Graciliano Ramos. "Vidas secas" exibe o limite da incomunicabilidade e animalização do homem na família de retirantes que se desloca em movimento circular entre uma trégua e outra dada pela hostilidade da natureza. Filme determinante no período do Cinema Novo.
103 min. / Livre / 35mm / Tela plana / Mono / Cinemateca Brasileira
Serviço: Rua Henrique Dias, 609, Derby - Recife/PE
Fones e e-mail: 3073.6688, 3073.6689, 3073.6712 e 3073.6651 -cinema@fundaj.gov.br – Ingressos: R$ 6,00 (inteira) – R$ 3,00 - (acima de 60 anos/estudantes)
CAGADA DO DIA!
"Acredito que tenhamos um toque mais contemporâneo. No original, os pássaros simplesmente aparecem, e era, tipo, 'por que esses pássaros estão aqui?'. Desta vez há uma razão, e as pessoas têm a ver com isso. O filme tem um viés ambientalista, em relação ao que faria a natureza revidar contra nós".
Cathy Schulman, produtora da anunciada e desnecessária refilmagem de OS PÁSSAROS.
terça-feira, abril 17, 2007
Atores famosos em suspenses "direct-to-video"

88 MINUTOS (88 Minutes, 2007, EUA)
Dinheiro. Esse deve ser o único motivo pelo qual o homem que encarnou o criminoso latino mais FDP e querido de toda a história do cinema tope fazer um filminho tão medíocre e genérico como esse 88 MINUTOS. E Jon Avnet também deveria estar precisando de dinheiro para voltar a dirigir 8 anos depois (!!!!) da sua última incursão atrás das câmeras, JUSTIÇA VERMELHA. Não me lembro de nada deste filme com Richard Gere, vai ver ele é tão descartável quanto esse mais recente.
Nem estou a fim de falar maiores detalhes sobre a trama. Basta vocês saberem o seguinte: Saca o Super Cine? Pegue um filminho daqueles que costumam passar por lá com roteiros previsíveis e sem a menor imaginação recheados dos clichês mais batidos que já foram usados, adicionem um diretor que fez um filme promissor e depois virou pau mandado da indústria e um elenco coadjuvante com alguns poucos (bote poucos nisso, só dois!) atores interessantes e Al Pacino como protagonista. Pronto, tens aí mais uma super-produção da Millennium Films / Nu Image pronta para ser lançada. Já repararam que esses caras só fazem bosta com gente famosa? Apenas no ano passado, tivemos EDISON e O SACRIFÍCIO nos cinemas! Ainda bem que isso daqui foi direto para as prateleiras das locadoras brasileiras. Tenho é pena de quem irá ver 88 MINUTOS nas salas escuras do exterior esperando mais um bom filme com Al Pacino. Se tem uma coisa boa nele é ver Pacino presente na grande maioria das suas cenas.

CRIMES EM SÉRIE (American Crime, 2004, EUA)
Essa produção independente filmada em digital pode não ser nada imperdível, mas também não é nenhum lixão como muitos tem comentado pela Internet. Fiquei até feliz de não ter lido o caro Renato Doho detonando ele antes no seu blog e ficar com o pé atrás na hora de pegá-lo. Assim como o colega blogueiro, também peguei o filme por causa de Annabella Sciorra e Rachael Leigh Cook hehehe. De brinde, temos Cary Elwes, um ator que acho bem irregular. Felizmente, aqui o cara consegue melhorar o resultado final atuando como um apresentador de TV britânico de maneira propositalmente caricatural. Outra coisa boa foi eu não ter gasto nenhum mísero centavo para assistir ele, muitas vezes aquele dinheirinho gasto na locação pesa no julgamento de qualquer filminho que seja. Bom... as minhas expectativas estavam lá embaixo e eu não queria saber de mais nada enquanto o assistia a não ser gastar um tempinho, daí o filme funcionou que foi uma beleza para mim.
Os créditos de abertura foram bem bolados, coisa rara de se ver em um DTV. O espectador acompanha os nomes do elenco e realizadores num vídeo cassete em funcionamento. O filme fala sobre três pessoas (Sciorra, Cook e Kip Pardue) de uma equipe de reportagem de uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos que encontram uma VHS revelando alguém seguindo uma dançarina exótica desaparecida após descobrirem o corpo da moça. No fim da fita, outra surpresa: imagens de outra mulher sendo seguida da mesma maneira e assassinada depois. Trata-se de um assassinato ainda não investigado pela polícia, o que os leva a acreditarem que essa é a chance das suas carreiras. O porém é que uma dessas três pessoas também acaba sumindo sem deixar vestígios e o caso termina chamando a atenção de Albert Bodine (Elwes, quase irreconhecível e detonando no sotaque carregado!), um apresentador de um programa de TV britânico estilo Linha Direta que tem sérios problemas de personalidade e profissionalismo.
O maior problema de CRIMES EM SÉRIE é ele não se decidir o que quer ser, uma sátira ou um "thriller" já que em muitos momentos ele se leva demais a sério e em outros não. Para complicar, o espectador também fica confuso a partir da entrada de Bodine na trama principal. Como ela é apresentada no formato do programa do apresentador, não dá pra não ficar se questionando se aquilo tudo é encenação para o programa dele ou está acontecendo mesmo aos personagens. Depois de um tempo é que tudo fica esclarecido, portanto podemos culpar a direção e o roteiro sem perdão. O filme simplesmente não tem foco e é muito prejudicado por isso.
Acho que vale conferir CRIMES EM SÉRIE numa tarde preguiçosa de domingo já que ele tem os seus atrativos e alguma parcela de interesse e originalidade, coisa que o diferencia de muitos filmes genéricos do estilo que são lançados a torto e a direito nas prateleiras. Como sou estudante de Radialismo & TV, curti a tiração de sarro com aquele tipo de programa televisivo usando as tradicionais falas clichês, musiquinhas toscas de fundo e tudo que ele tem direito, além de um impagável Cary Elwes o apresentando. Também gostei do final, que despertou fúria em muitos dos detratores do filme.
terça-feira, abril 10, 2007
WHEN A KILLER CALLS para download
Aproveitando o post anterior sobre um dos próximos lançamentos da THE ASYLUM, deixo aqui o link para download direto de WHEN A KILLER CALLS que eles lançaram quando a refilmagem de WHEN A STRANGER CALLS (aqui no Brasil, QUANDO UM ESTRANHO CHAMA) entrou em cartaz nos cinemas americanos. Alguns dizem que o filme - assim como a versão deles para A GUERRA DOS MUNDOS - consegue ser melhor do que as grandes produções hollywoodianas que eles quiseram faturar em cima. Os comentários em geral sobre WHEN A KILLER CALLS afirmam que ele é um "slasher" ao invés de ser um suspense como o filme original e a recente refilmagem. Vou ver se arrisco uma conferida esses dias.
Você também pode assistir ao filme sem precisar baixar ele para o seu HD. Aproveite e dê uma navegada assim que puder por este site sensacional que é o Internet Archive para ver a quantidade de coisas bacanas que se pode usufruir dele. LADY FRANKENSTEIN, BLOODY PIT OF HORROR, NOSFERATU, CALIGARI, HORROR HOTEL, CARNIVAL OF SOULS e NIGHT OF THE LIVING DEAD são alguns dos títulos que também podem ser baixados gratuitamente por lá.
Você também pode assistir ao filme sem precisar baixar ele para o seu HD. Aproveite e dê uma navegada assim que puder por este site sensacional que é o Internet Archive para ver a quantidade de coisas bacanas que se pode usufruir dele. LADY FRANKENSTEIN, BLOODY PIT OF HORROR, NOSFERATU, CALIGARI, HORROR HOTEL, CARNIVAL OF SOULS e NIGHT OF THE LIVING DEAD são alguns dos títulos que também podem ser baixados gratuitamente por lá.
domingo, abril 08, 2007
PQP, TRANSMORPHERS!!

Isso é o que eu chamo de picaretagem!! E o diretor / roteirista Leigh Scott diz que o filme não tem nada a ver com a recente versão cinematográfica do famoso seriado TRANSFORMERS. Tá certo, vou fingir que acredito...
Por favor, alguém lança essa porra no Brasil (antes do TRANSFORMERS, lógico) !!!!!!
quinta-feira, abril 05, 2007
Uma sessão da tarde inesquecível: FAHRENHEIT 451
Agora que consegui arranjar um tempo melhor para acessar um computador e escrever, tenho de dividir com vocês um pouco do que foi aquele dia 10 de março quando exibimos FAHRENHEIT 451 no Cineclube Cinecittà para um público de mais de 30 pessoas! Mesmo com uns presentes dorminhocos e que só vieram pra assinar a ata (o evento vale como atividade complementar da faculdade...), vamos dizer que tinham umas 20 pessoas que realmente estavam lá para ver o filme e falar sobre ele, se julgarmos pelo visível interesse de algumas perguntas no debate que ocorreu no final dele. A tarde daquele sábado começou puxada, pois uma responsabilidade que poderia muito bem ter sido recebida bem antes caiu nos meus ombros justamente na noite anterior do evento. Não relato a trajetória daquele início de tarde para não me alongar muito aqui, pois quero escrever mais sobre a sessão em si. Depois de toda a corrreria que passei, consegui descer no ponto de ônibus mais perto do local da sessão faltando uns 10 minutos para a apresentação. Bom... eu já estava meio morto antes e acabei chegando no auditório quase um zumbi. O suor foi dado, só faltou o sangue e as lágrimas também. E eu daria isso se fosse necessário, com toda certeza! Entreguei o material, me encontrei com os amigos Henrique Compasso (um dos responsáveis pelo Cinecittà junto comigo) e Luiz Joaquim (o convidado), saí para passar uma água no rosto e tomar um pouco deste agraciado líquido provido pela natureza pra voltar ao auditório.

Depois das apresentações e comentários iniciais feitos por mim e Henrique sobre a volta do Cinecittà, a sessão começa e eu estava ansioso para finalmente conhecer esse verdadeiro clássico do cinema. O filme tinha sido muito bem indicado pelos amigos Ronilson Araújo e Djalma Farias, que são as outras duas pessoas responsáveis pelo Cinecittà e que não puderam comparecer por causa de obrigações pessoais. Uma pena, a presença dos dois só iria melhorar ainda mais aquela tarde. A primeira coisa que me deixou com a sensação de que as quase duas horas de duração deste clássico seriam inesquecíveis foi a inteligência dos créditos iniciais, ditados ao invés dos tradicionais escritos. Quem foi pra sala sem saber muita coisa do filme se surpreendeu ao ver os bombeiros entrando em ação logo no início do filme sem a menor intenção de apagar um incêndio, mas sim para causar um e em livros! Chega a ser assombroso ver uma criança pegando em um livro, ficando interessada em saber o que aquele belo objeto pode trazer a ela e ser privada disso por causa do olhar de um dos bombeiros para o seu responsável. O título do filme refere-se à temperatura na qual os livros são queimados. Depois deste momento, vemos que o responsável pelas chamas lançadas é o protagonista Montag (Oskar Werner, apresentando um desempenho notável mesmo brigado com Truffaut nas filmagens) que passará a questionar o motivo dele estar fazendo isso depois que conhece Clarisse (Julie Christie), uma professora de primário. Com isso, Montag fica curioso para saber o que contém nos livros e começa a "pegar emprestado" os livros das casas "condenadas" em que ele entra com seus colegas de serviço.
FAHRENHEIT 451, tanto o livro quanto o filme, critica ferozmente o totalitarismo. Essa obra-prima de Truffaut continuaria imperdível se fosse uma fiel adaptação do texto de Ray Bradbury aliado ao visível talento do elenco escalado que tem ainda Cyril Cusack como o superior de Montag, mas o filme é bem mais do que apenas isso. A experiência de assistir FAHRENHEIT 451 continuará na mente do espectador depois de anos, como bem disse Luiz Joaquim no debate que ocorreu após a exibição. O filme é muito a frente do seu tempo, não tem uma simples pessoa que não se impressione com o quanto a sala da casa do protagonista é parecida com algumas dos dias de hoje, inclusive com uma TV de tela larga na parede. Para ser sincero, as únicas coisas que estão datadas nele são os efeitos especiais em uma pequena cena de perseguição e o barbeador de última geração que Montag ganha da sua esposa Linda, também interpretada por Julie Christie.
A maioria das pessoas residentes naquele universo fictício são profundamente alienadas pelo conteúdo exibido na televisão, algo que está acontecendo muito no nosso país por causa da fraca educação que o governo fornece aos seus cidadãos e que o filme faz questão de criticar. A submissão dos personagens a esse meio de comunicação também é destacada no excelente V DE VINGANÇA. Uma cena fantástica acontece logo no início quando os bombeiros invadem uma das casas "condenadas" e acham livros escondidos dentro de uma TV!! Os diálogos não ficam atrás em termos de qualidade, muitos são tão memoráveis quanto os vários momentos inesquecíveis e aterrorizantes desta obra-prima. Se brincar, FAHRENHEIT 451 funciona mais como filme de terror do que de ficção. Os 10 minutos finais onde há uma revelação inesperada dentro da trama é de uma beleza incomum.

Como falei antes, alguns dos presentes ficaram empolgados no fim da exibição para fazer perguntas, a maioria delas de natureza política pelo filme instigar mesmo neste tema. Quem acompanhou a gente na mesa junto com Luiz Joaquim foi a profa. Isa Dias que trouxe vários dos seus alunos para prestigiar o evento. Só houve uma ocasião estranha em que eu realmente não consegui compreender o que um dos espectadores queria falar e acabei falando de maneira muito sincera o que eu pensava sobre o questionamento dele, mas ele acabou se expressando melhor e tudo acabou beleza. Ainda bem que a gente conseguiu falar em pouco tempo de algumas curiosidades do filme, da impressionante sutileza dos diálogos, da notável influência de Hitchcock em Truffaut e da maravilhosa trilha de Bernard Hermann, o papo tava tão bom que chega deu uma pena não termos mais tempo para continuar. Acho que o ponto mais alto do papo foi o belo depoimento de Luiz sobre a importância de FAHRENHEIT 451 em sua vida como fã e crítico de cinema. Eu não consigo evitar a felicidade e a emoção toda vez quando alguém fala de coisas que marcaram a infância, no caso de Luiz trata-se da inesquecível cena da descoberta de uma biblioteca particular pertecente a uma senhora e sua resolução. Até hoje esse momento continua chocante.
Dá pra perceber que fiquei feliz com o evento e por conseguir convidar o meu amigo Luiz Joaquim, que é o maior fã de François Truffaut que eu conheço. Quando tive certeza de que iríamos exibir FAHRENHEIT 451, falei para mim mesmo que tinha de chamá-lo. De negativo, apenas o fato do auditório recém-inaugurado não possuir cortinas e ter uma película fumê fraca nas janelas, fazendo com que o sol da tarde atrapalhasse um pouco a visualização do telão durante uns aproximados 30 minutos. A coordenação prometeu que daria um jeito na próxima exibição. Vamos ver.
É isso aí, povo. Até a próxima sessão que será no dia 14 de abril, onde exibiremos com orgulho um dos melhores filmes de 2006, V DE VINGANÇA. Tô contando os dias!
PS: O companheiro Matheus Trunk detonou mais uma vez. Cara... que inspiração foi aquela pra escrever a carta ao leitor da ZINGU! deste mês?? Tu andas fumando o quê?? hehehehe. Com certeza, um dos melhores momentos da blogosfera brasileira em 2007. Mas a ZINGU! de abril não para por aí. Tem o dossiê Carlos Imperial (!!!), o grande Marcelo Carrard falando de NUNEXPLOITATION e ALL NIGHT LONG II, críticas do do Filipe Chamy para UMA BALA PARA O GENERAL e crítica do Biáfora para O AMIGO AMERICANO e muito, muito mais. Deixe de putaria, clica aqui e seja feliz!

Depois das apresentações e comentários iniciais feitos por mim e Henrique sobre a volta do Cinecittà, a sessão começa e eu estava ansioso para finalmente conhecer esse verdadeiro clássico do cinema. O filme tinha sido muito bem indicado pelos amigos Ronilson Araújo e Djalma Farias, que são as outras duas pessoas responsáveis pelo Cinecittà e que não puderam comparecer por causa de obrigações pessoais. Uma pena, a presença dos dois só iria melhorar ainda mais aquela tarde. A primeira coisa que me deixou com a sensação de que as quase duas horas de duração deste clássico seriam inesquecíveis foi a inteligência dos créditos iniciais, ditados ao invés dos tradicionais escritos. Quem foi pra sala sem saber muita coisa do filme se surpreendeu ao ver os bombeiros entrando em ação logo no início do filme sem a menor intenção de apagar um incêndio, mas sim para causar um e em livros! Chega a ser assombroso ver uma criança pegando em um livro, ficando interessada em saber o que aquele belo objeto pode trazer a ela e ser privada disso por causa do olhar de um dos bombeiros para o seu responsável. O título do filme refere-se à temperatura na qual os livros são queimados. Depois deste momento, vemos que o responsável pelas chamas lançadas é o protagonista Montag (Oskar Werner, apresentando um desempenho notável mesmo brigado com Truffaut nas filmagens) que passará a questionar o motivo dele estar fazendo isso depois que conhece Clarisse (Julie Christie), uma professora de primário. Com isso, Montag fica curioso para saber o que contém nos livros e começa a "pegar emprestado" os livros das casas "condenadas" em que ele entra com seus colegas de serviço.
FAHRENHEIT 451, tanto o livro quanto o filme, critica ferozmente o totalitarismo. Essa obra-prima de Truffaut continuaria imperdível se fosse uma fiel adaptação do texto de Ray Bradbury aliado ao visível talento do elenco escalado que tem ainda Cyril Cusack como o superior de Montag, mas o filme é bem mais do que apenas isso. A experiência de assistir FAHRENHEIT 451 continuará na mente do espectador depois de anos, como bem disse Luiz Joaquim no debate que ocorreu após a exibição. O filme é muito a frente do seu tempo, não tem uma simples pessoa que não se impressione com o quanto a sala da casa do protagonista é parecida com algumas dos dias de hoje, inclusive com uma TV de tela larga na parede. Para ser sincero, as únicas coisas que estão datadas nele são os efeitos especiais em uma pequena cena de perseguição e o barbeador de última geração que Montag ganha da sua esposa Linda, também interpretada por Julie Christie.
A maioria das pessoas residentes naquele universo fictício são profundamente alienadas pelo conteúdo exibido na televisão, algo que está acontecendo muito no nosso país por causa da fraca educação que o governo fornece aos seus cidadãos e que o filme faz questão de criticar. A submissão dos personagens a esse meio de comunicação também é destacada no excelente V DE VINGANÇA. Uma cena fantástica acontece logo no início quando os bombeiros invadem uma das casas "condenadas" e acham livros escondidos dentro de uma TV!! Os diálogos não ficam atrás em termos de qualidade, muitos são tão memoráveis quanto os vários momentos inesquecíveis e aterrorizantes desta obra-prima. Se brincar, FAHRENHEIT 451 funciona mais como filme de terror do que de ficção. Os 10 minutos finais onde há uma revelação inesperada dentro da trama é de uma beleza incomum.

Como falei antes, alguns dos presentes ficaram empolgados no fim da exibição para fazer perguntas, a maioria delas de natureza política pelo filme instigar mesmo neste tema. Quem acompanhou a gente na mesa junto com Luiz Joaquim foi a profa. Isa Dias que trouxe vários dos seus alunos para prestigiar o evento. Só houve uma ocasião estranha em que eu realmente não consegui compreender o que um dos espectadores queria falar e acabei falando de maneira muito sincera o que eu pensava sobre o questionamento dele, mas ele acabou se expressando melhor e tudo acabou beleza. Ainda bem que a gente conseguiu falar em pouco tempo de algumas curiosidades do filme, da impressionante sutileza dos diálogos, da notável influência de Hitchcock em Truffaut e da maravilhosa trilha de Bernard Hermann, o papo tava tão bom que chega deu uma pena não termos mais tempo para continuar. Acho que o ponto mais alto do papo foi o belo depoimento de Luiz sobre a importância de FAHRENHEIT 451 em sua vida como fã e crítico de cinema. Eu não consigo evitar a felicidade e a emoção toda vez quando alguém fala de coisas que marcaram a infância, no caso de Luiz trata-se da inesquecível cena da descoberta de uma biblioteca particular pertecente a uma senhora e sua resolução. Até hoje esse momento continua chocante.
Dá pra perceber que fiquei feliz com o evento e por conseguir convidar o meu amigo Luiz Joaquim, que é o maior fã de François Truffaut que eu conheço. Quando tive certeza de que iríamos exibir FAHRENHEIT 451, falei para mim mesmo que tinha de chamá-lo. De negativo, apenas o fato do auditório recém-inaugurado não possuir cortinas e ter uma película fumê fraca nas janelas, fazendo com que o sol da tarde atrapalhasse um pouco a visualização do telão durante uns aproximados 30 minutos. A coordenação prometeu que daria um jeito na próxima exibição. Vamos ver.
É isso aí, povo. Até a próxima sessão que será no dia 14 de abril, onde exibiremos com orgulho um dos melhores filmes de 2006, V DE VINGANÇA. Tô contando os dias!
PS: O companheiro Matheus Trunk detonou mais uma vez. Cara... que inspiração foi aquela pra escrever a carta ao leitor da ZINGU! deste mês?? Tu andas fumando o quê?? hehehehe. Com certeza, um dos melhores momentos da blogosfera brasileira em 2007. Mas a ZINGU! de abril não para por aí. Tem o dossiê Carlos Imperial (!!!), o grande Marcelo Carrard falando de NUNEXPLOITATION e ALL NIGHT LONG II, críticas do do Filipe Chamy para UMA BALA PARA O GENERAL e crítica do Biáfora para O AMIGO AMERICANO e muito, muito mais. Deixe de putaria, clica aqui e seja feliz!
terça-feira, março 27, 2007
A clássica briga entre Kinski e Herzog no set de FITZCARRALDO
** Meus amigos(as), ainda não consegui arranjar metade do tempo que eu quero para me sentar e escrever sobre a sessão de FAHRENHEIT 451 e os vários filmes que assisti atualmente. Vou ser mais franco com vocês, saí do meu emprego no início deste mês e agora estou me dedicando na procura de outro. O meu computador pessoal não tem colaborado na questão do conserto logo agora que poderia aproveitar uma manhã ou uma tarde inteira só para deixar vocês com mais conteúdo do que nas últimas atualizações. Quando eu conseguir esse tempinho a mais que eu tanto desejo em frente a um computador, pode deixar que vocês verão o VÁ E VEJA atualizado.
Por enquanto, divirtam-se com o vídeo e me desejem boa sorte na minha caçada. Um grande abraço a todos.
sexta-feira, março 09, 2007
FAHRENHEIT 451 no Cinecittà

Depois de um semestre sem exibições, o Cineclube Cinecittà da Faculdade Maurício de Nassau retorna neste sábado, dia 10 de março, para exibir um clássico da ficção científica dirigido por François Truffaut. Baseado no livro homônimo de Ray Bradburry e estrelado por Oskar Werner e Julie Christie, o filme se passa num futuro hipotético onde os livros e toda forma de escrita são proibidos por um regime totalitário, sob o argumento de que eles fazem com que as pessoas sejam infelizes e improdutivas.
Luiz Joaquim, crítico de cinema da Folha de Pernambuco e programador do Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, é o nosso convidado especial desta sessão.
A entrada é franca e a exibição será no auditório do Bloco Capunga, localizado na Rua Fernando Lopes, 778 - Graças - Recife /PE.
DOA no YouTube
5 minutos aproximados da abertura:
PQP! Que final!!!
E o perfil deste usuário tem DOA completo com legendas em inglês e mais outros filmes asiáticos indispensáveis como SONATINE e DOLLS do Kitano: http://www.youtube.com/profile_videos?user=DaiyobuNai
PQP! Que final!!!
E o perfil deste usuário tem DOA completo com legendas em inglês e mais outros filmes asiáticos indispensáveis como SONATINE e DOLLS do Kitano: http://www.youtube.com/profile_videos?user=DaiyobuNai
DEAD OR ALIVE (Dead or Alive: Hanzaisha, 1999, JAP)
A última sexta-feira foi algo bem mal de se comentar e os acontecimentos daquele dia resultaram em várias coisas, incluindo deixar alguém bacana se sentir ofendido na caixa de comentários no blog de um colega. Não irei dizer aonde foi, pois nem quero me lembrar mais disso. Tinha até falado nos comentários em fechar o VÁ E VEJA, mas agora estou me sentindo muito melhor agora por causa do bom final de semana que passei. Lógico que não irei fazer isso, mas se um dia eu o fizer será porque realmente não dará mais para me dedicar um pouquinhozinho de nada a ele. Saiba que eu continuarei me dedicando ao VÁ E VEJA sempre que puder, pois falar sobre cinema com todos os meus amigos e leitores que gostam de vir aqui e conferir a minha opinião é uma das coisas que mais me tem dado prazer esses tempos. Vamos às atividades. :)
Reparem na tagline de DEAD OR ALIVE:
“WARNING: This motion picture contains explicit portrayals of violence; sex; violent sex; sexual violence; clowns and violent scenes of violent excess, which are definitely not suitable for all audiences.”
Meus caros, isso é tudo verdade.

Algumas pessoas dizem que Takashi Miike é um diretor muito "hypado". Bom... se existe alguém que merece ser "hypado" dessa nova geração de diretores, com certeza é Miike. O realizador de nacionalidade japonesa faz mais de 3 filmes por ano e trabalha tanto para cinema e televisão quanto para o prolífero mercado de vídeos e DVD's. Só em 1999, ele realizou o já clássico AUDITION (simplesmente O FILME que me faz ficar arrepiado toda vez quando vejo japinhas com cara de anjo. Maldição!!) e esse DEAD OR ALIVE que são duas obras inesquecíveis do moderno cinema japonês. Você confere qualquer um dos dois filmes uma vez e pronto, acaba carregando a experiência incomum que teve ao assisti-los pelo resto da sua vida de cinéfilo. Não é nenhum segredo de que vibro quando vejo um filme bom e feito com um orçamento bem baixo. Miike diz na sua entrevista no DVD de IMPRINT que as suas produções "direct-to-video" custam em torno de 500 mil dólares e a lucratividade fica garantida por causa disso. A primeira surpresa de DOA para mim foi logo nos créditos iniciais quando vi o logo TOEI VIDEO, uma sub-divisão da famosa produtora TOEI. Isso significa que esse filme tão comentado do Miike é uma produção barata para o mercado doméstico japonês. Só isso já me deixou mais relaxado, pois o cinema DTV tem muitos filmes bem mais honestos do que grande parte dos feitos para serem exibidos na tela grande.
A segunda surpresa é exatamente a abertura. Minha nossa, o que é aquilo?? São os primeiros 5 minutos mais alucinados, lisérgicos, bizarros e violentos já feitos para um filme. Acompanhado de um ensurdecedor rock dos mais pauleiras (ainda bem que eu vi o filme com a casa vazia pra não abaixar o volume! hehe), o espectador entra de cabeça em uma das noitadas do submundo e vê absolutamente tudo que imagina acontecer por lá. Tem homosexualismo, assassinato, um cara cheirando a mais longa carreira de cocaína que eu já vi, outro enchendo o bucho de pratos e mais pratos de macarrão e outras coisitas. É nesta mesma abertura que somos apresentados aos protagonistas Ryuichi (Riki Takeuchi, de FUDOH) e Jojima (Sho Aikawa, de RAINY DOG) que agem conforme o que são. O primeiro é o líder de uma gangue de desprezados imigrantes chineses no Japão (se isso estiver errado me corrijam, foi o que eu consegui entender...) enquanto que o segundo é um obstinado detetive que começa a investigar o sujeito depois de um assalto cometido pelo grupo.
O filme é obviamente inspirado pelo excelente FOGO CONTRA FOGO, ao mostrar mais uma vez os conflitos físicos e psicológicos entre os dois personagens de lados diferentes da lei. Mesmo que a trama em si não traga nada de muito novo, DEAD OR ALIVE é uma obra especial de Miike por ser um filme policial feito à sua maneira e quebrando grande parte das convenções do gênero ao longo da narrativa. A dupla central de atores também consegue dar das cenas dramáticas, pois o roteiro também dá destaque aos seus problemas mais íntimos. Ryuichi recebe o irmão recém-chegado da conclusão dos seus estudos nos Estados Unidos, mas este se revolta quando descobre que a sua educação foi paga com dinheiro manchado de sangue e Jujima precisa pagar uma delicada e cara operação de duzentos mil dólares para a sua filha adolescente. Ambos farão de tudo pelos seus entes queridos. Como dá para perceber, a narrativa fica mais densa depois da frenética abertura e em muitos momentos Miike chega a lembrar Takeshi Kitano na condução da história. Existem cenas com 3/4 minutos de duração sem nenhum corte. A influência deste grande realizador japonês é muito notada em RAINY DOG, um belíssimo filme que poderia ser feito por Miike e assinado pelo Kitano que eu não notaria a menor diferença. DEAD OR ALIVE tem ainda a participação do ótimo Susumu Terajima, um ator que está presente em quase todos os filmes de Kitano.
Os momentos mais falados da produção são justamente o início e o final, os mais rebeldes de todos. Simplesmente genial, essa inesperada conclusão diversas leituras e é algo tão insano e impressionante que o espectador não vai conseguir esquecer da sensação que teve ao assistí-la.
Quem for assistir DEAD OR ALIVE atrás de algo próximo de GOZU, ICHI THE KILLER e VISITOR Q vai ficar desapontado. Há uma série de imagens grotescas e bem violentas durante a disputa travada pelos protagonistas ao longo do filme, mas não é nada que se possa comparar com as cenas mais comentadas dos filmes citados. Mesmo assim, o filme não é para as pessoas mais sensíveis e fracas de estômago já que tem um momento em que zoofilia (não-explícita) é praticada numa filmagem pornográfica e outro em que alguém morre afogado na própria merda!! Sei que não é nada prazeroso ver esse tipo de imagem (pelo menos pra mim, tem quem ache hehehe), mas se você conseguir suportar vai desfrutar de mais uma experiência inesquecível desta grande figura chamada Takashi Miike. Bem que os norte-americanos deveriam aprender a fazer cinema DTV vendo os projetos que Miike executou utilizando para esta indústria.
Vi no blog do companheiro BAKEMON que a Europa Filmes confirmou o lançamento do filme em DVD para abril com o título de MORRER OU VIVER. Essa turminha dos títulos...
Reparem na tagline de DEAD OR ALIVE:
“WARNING: This motion picture contains explicit portrayals of violence; sex; violent sex; sexual violence; clowns and violent scenes of violent excess, which are definitely not suitable for all audiences.”
Meus caros, isso é tudo verdade.

Algumas pessoas dizem que Takashi Miike é um diretor muito "hypado". Bom... se existe alguém que merece ser "hypado" dessa nova geração de diretores, com certeza é Miike. O realizador de nacionalidade japonesa faz mais de 3 filmes por ano e trabalha tanto para cinema e televisão quanto para o prolífero mercado de vídeos e DVD's. Só em 1999, ele realizou o já clássico AUDITION (simplesmente O FILME que me faz ficar arrepiado toda vez quando vejo japinhas com cara de anjo. Maldição!!) e esse DEAD OR ALIVE que são duas obras inesquecíveis do moderno cinema japonês. Você confere qualquer um dos dois filmes uma vez e pronto, acaba carregando a experiência incomum que teve ao assisti-los pelo resto da sua vida de cinéfilo. Não é nenhum segredo de que vibro quando vejo um filme bom e feito com um orçamento bem baixo. Miike diz na sua entrevista no DVD de IMPRINT que as suas produções "direct-to-video" custam em torno de 500 mil dólares e a lucratividade fica garantida por causa disso. A primeira surpresa de DOA para mim foi logo nos créditos iniciais quando vi o logo TOEI VIDEO, uma sub-divisão da famosa produtora TOEI. Isso significa que esse filme tão comentado do Miike é uma produção barata para o mercado doméstico japonês. Só isso já me deixou mais relaxado, pois o cinema DTV tem muitos filmes bem mais honestos do que grande parte dos feitos para serem exibidos na tela grande.
A segunda surpresa é exatamente a abertura. Minha nossa, o que é aquilo?? São os primeiros 5 minutos mais alucinados, lisérgicos, bizarros e violentos já feitos para um filme. Acompanhado de um ensurdecedor rock dos mais pauleiras (ainda bem que eu vi o filme com a casa vazia pra não abaixar o volume! hehe), o espectador entra de cabeça em uma das noitadas do submundo e vê absolutamente tudo que imagina acontecer por lá. Tem homosexualismo, assassinato, um cara cheirando a mais longa carreira de cocaína que eu já vi, outro enchendo o bucho de pratos e mais pratos de macarrão e outras coisitas. É nesta mesma abertura que somos apresentados aos protagonistas Ryuichi (Riki Takeuchi, de FUDOH) e Jojima (Sho Aikawa, de RAINY DOG) que agem conforme o que são. O primeiro é o líder de uma gangue de desprezados imigrantes chineses no Japão (se isso estiver errado me corrijam, foi o que eu consegui entender...) enquanto que o segundo é um obstinado detetive que começa a investigar o sujeito depois de um assalto cometido pelo grupo.
O filme é obviamente inspirado pelo excelente FOGO CONTRA FOGO, ao mostrar mais uma vez os conflitos físicos e psicológicos entre os dois personagens de lados diferentes da lei. Mesmo que a trama em si não traga nada de muito novo, DEAD OR ALIVE é uma obra especial de Miike por ser um filme policial feito à sua maneira e quebrando grande parte das convenções do gênero ao longo da narrativa. A dupla central de atores também consegue dar das cenas dramáticas, pois o roteiro também dá destaque aos seus problemas mais íntimos. Ryuichi recebe o irmão recém-chegado da conclusão dos seus estudos nos Estados Unidos, mas este se revolta quando descobre que a sua educação foi paga com dinheiro manchado de sangue e Jujima precisa pagar uma delicada e cara operação de duzentos mil dólares para a sua filha adolescente. Ambos farão de tudo pelos seus entes queridos. Como dá para perceber, a narrativa fica mais densa depois da frenética abertura e em muitos momentos Miike chega a lembrar Takeshi Kitano na condução da história. Existem cenas com 3/4 minutos de duração sem nenhum corte. A influência deste grande realizador japonês é muito notada em RAINY DOG, um belíssimo filme que poderia ser feito por Miike e assinado pelo Kitano que eu não notaria a menor diferença. DEAD OR ALIVE tem ainda a participação do ótimo Susumu Terajima, um ator que está presente em quase todos os filmes de Kitano.
Os momentos mais falados da produção são justamente o início e o final, os mais rebeldes de todos. Simplesmente genial, essa inesperada conclusão diversas leituras e é algo tão insano e impressionante que o espectador não vai conseguir esquecer da sensação que teve ao assistí-la.
Quem for assistir DEAD OR ALIVE atrás de algo próximo de GOZU, ICHI THE KILLER e VISITOR Q vai ficar desapontado. Há uma série de imagens grotescas e bem violentas durante a disputa travada pelos protagonistas ao longo do filme, mas não é nada que se possa comparar com as cenas mais comentadas dos filmes citados. Mesmo assim, o filme não é para as pessoas mais sensíveis e fracas de estômago já que tem um momento em que zoofilia (não-explícita) é praticada numa filmagem pornográfica e outro em que alguém morre afogado na própria merda!! Sei que não é nada prazeroso ver esse tipo de imagem (pelo menos pra mim, tem quem ache hehehe), mas se você conseguir suportar vai desfrutar de mais uma experiência inesquecível desta grande figura chamada Takashi Miike. Bem que os norte-americanos deveriam aprender a fazer cinema DTV vendo os projetos que Miike executou utilizando para esta indústria.
Vi no blog do companheiro BAKEMON que a Europa Filmes confirmou o lançamento do filme em DVD para abril com o título de MORRER OU VIVER. Essa turminha dos títulos...
PS: A gloriosa ZINGU! está no ar em sua sexta edição. O maior destaque dela é um dossiê dos mais completos sobre Ozualdo Candeias, um dos mestres do cinema marginal brasileiro que faleceu no mês passado. Ainda tem umas vampirinhas lésbicas esperando ansiosamente pela sua visita. Acredite, elas não querem ficar nem um pouco decepcionadas com você. Por isso, deixe de sua preguiçite aguda, pegue o mouse, arraste um pouquinho para a direita, clique aqui e desfrute de uma excelente leitura.
quinta-feira, março 01, 2007
Serviço de Utilidade Pública

Se você tem algum amor pelo seu valioso tempo de vida e pelo seu sagrado dinheirinho, faça o favor a si mesmo de nunca alugar ou baixar esse DÁLIA NEGRA feito pelo mesmo Uli Lommel de THE BOOGEYMAN. Como é que o cara conseguiu piorar tanto daqueles tempos para cá? Minha nossa! Fiquei muito puto por ter gasto 10/15 minutos da minha preciosa vida tentando assistir esse lixo que é simplesmente inassistível. Ainda bem que não gastei 1 centavo nessa tentativa. Isso (pois não merece nem ser chamado de filme) foi lançado pela oportunista Lions Gate e é distribuído aqui pela California que fez e continua fazendo muita gente pegar ele pensando que se trata do recente filme de Brian De Palma. Essa nojeira é séria candidata ao pior lixo em VHS e DVD que vi na minha vida. Lommel merecia ser preso para nunca mais tocar numa droga de uma câmera. Por aí já deu pra ver o "nívi" da bomba.
São filmes desse tipo que trazem má fama ao uso de câmeras digitais para baratear custos orçamentários. Chega deu vergonha em mim de apoiar tanto essa forma de realização. Enfim, eu tenho a mais plena convicção de que qualquer merda que você levar pra casa algum dia da locadora é melhor do que esse DÁLIA NEGRA do Lommel.
segunda-feira, fevereiro 26, 2007
The Power of Christ Compels You!!

Ainda bem que desliguei a TV e fui dormir sem ver o resto dessa porcaria!! A chamada "Academia" mostrou o quanto é preconceituosa mais uma vez. 2007 foi outro ano marcado por fortes injustiças só por causa disso. E eu quero lá saber do porra do Al Gore falando de aquecimento global e tendo o ovo fortemente babado por Di Caprio, Winslet e cia? E eu quero lá saber do porre da Celine Dion estragando o fantástico, lindo, extraordinário tema de ERA UMA VEZ NA AMÉRICA? Aqui fica registrado o meu protesto e os meus pêsames a quem ficou acordado e perdeu um tempinho muito valioso das suas vidas, seja por cinefilia ou profissão. Só se salvaram algumas poucas premiações (finalmente Whitaker vai ser mais reconhecido pelo povão!) . Meu único arrependimento foi o de não ter visto a montagem especial que homenageia os vários grandes artistas do cinema que deixaram o nosso plano terrestre no ano passado que foi muito macabro para todos nós nesse sentido. Ela deve ter tido a maior duração de todas.
PS1: Premiação bem mais justa foi o 1º Movie Bloggers Awards. Discordo de alguns vencedores, mas ela dá um banho naquilo que passou na noite de ontem na TV em termos de justiça e sinceridade. Cliquem aqui pra conferir.
PS2: O camarada Thales Oss atualizou o seu Cine Delírio. Podem dar uma passada lá para dar aquela força porque a proposta do blog é muito boa.
PS3: Como vocês podem ver no box de comentários abaixo, meu PC doméstico pifou no último sábado. Em questão de minutos, vocês veriam aqui um post destacando o controvertido e divertidíssimo BORAT. Vou ter que escrever sobre ele de novo, já que não deu tempo pra salvar o texto num disquete e nem sei se irei perder o HD. É foda...
quinta-feira, fevereiro 22, 2007
A HORA E A VEZ DOS INJUSTIÇADOS!
Se esses dois caras ganharem os respectivos Oscar de melhor ator e de melhor ator coadjuvante, confesso que vou vibrar.

O companheiro Herax me fez relembrar ontem que Forest Whitaker atuou em O GRANDE DRAGÃO BRANCO, crássico da saudosa Cannon Pictures. Pense como aquela turminha lavava dinheiro fazendo altas tralhas!! Whitaker é o ator mais cotado para ganhar o prêmio pela sua elogiadíssima atuação como Idi Amin em O ÚLTIMO REI DA ESCÓCIA.

Já Jackie Earle Harley é um caso especial. Em menos de três anos, o cara atuou em dois filmes do Albert Pyun (simplesmente DOLLMAN e NEMESIS!) e ainda apareceu em MANIAC COP 3 de William Lustig. Harley foi indicado pela sua capacidade de roubar a cena de vários atores mais conhecidos do que ele em PECADOS ÍNTIMOS.
Perdi completamente o respeito pela premiação há um bom tempo e isso se agravou mais ainda com o evento do ano passado, mas mesmo assim estou na torçida por eles!

O companheiro Herax me fez relembrar ontem que Forest Whitaker atuou em O GRANDE DRAGÃO BRANCO, crássico da saudosa Cannon Pictures. Pense como aquela turminha lavava dinheiro fazendo altas tralhas!! Whitaker é o ator mais cotado para ganhar o prêmio pela sua elogiadíssima atuação como Idi Amin em O ÚLTIMO REI DA ESCÓCIA.

Já Jackie Earle Harley é um caso especial. Em menos de três anos, o cara atuou em dois filmes do Albert Pyun (simplesmente DOLLMAN e NEMESIS!) e ainda apareceu em MANIAC COP 3 de William Lustig. Harley foi indicado pela sua capacidade de roubar a cena de vários atores mais conhecidos do que ele em PECADOS ÍNTIMOS.
Perdi completamente o respeito pela premiação há um bom tempo e isso se agravou mais ainda com o evento do ano passado, mas mesmo assim estou na torçida por eles!
quarta-feira, fevereiro 21, 2007
Imagens do Carnaval do VÁ E VEJA
Acabou-se o que era doce. Depois de uma pequena e mais prolongada folga dos afazeres cotidianos por causa das festividades do Carnaval, já estou de volta ao mundo real. Posso dizer que aproveitei bem esse tempinho. Além de ver mais filmes, dediquei um tempo à leitura, dei algumas saídas bem tímidas se comparadas aquelas dos anos anteriores, descansei um pouco mais do que o de costume para repor as energias e escrevi pro blog na segunda-feira. É como eu disse para um amigo ontem, as imagens mais marcantes do meu carnaval deste ano foram as imagens cinematográficas dos filmes que eu vi. Aqui estão algumas delas, sem legendas para alguns de vocês se divertirem tentando adivinhar de quais filmes elas são. Umas são mais fáceis e outras não. Só não vale clicar no botão direito do mouse pra checar o link das fotos hehehe:





.jpg)
E mais esse que acabei de fechar a folga com chave de ouro:

Darei as respostas ainda hoje nos comentários abaixo. O legal é que gostei de todos os filmes, cada um a sua maneira. Espero comentar alguns deles ainda esta semana.





.jpg)
E mais esse que acabei de fechar a folga com chave de ouro:

Darei as respostas ainda hoje nos comentários abaixo. O legal é que gostei de todos os filmes, cada um a sua maneira. Espero comentar alguns deles ainda esta semana.
Assinar:
Postagens (Atom)
