sexta-feira, março 09, 2007

DEAD OR ALIVE (Dead or Alive: Hanzaisha, 1999, JAP)

A última sexta-feira foi algo bem mal de se comentar e os acontecimentos daquele dia resultaram em várias coisas, incluindo deixar alguém bacana se sentir ofendido na caixa de comentários no blog de um colega. Não irei dizer aonde foi, pois nem quero me lembrar mais disso. Tinha até falado nos comentários em fechar o VÁ E VEJA, mas agora estou me sentindo muito melhor agora por causa do bom final de semana que passei. Lógico que não irei fazer isso, mas se um dia eu o fizer será porque realmente não dará mais para me dedicar um pouquinhozinho de nada a ele. Saiba que eu continuarei me dedicando ao VÁ E VEJA sempre que puder, pois falar sobre cinema com todos os meus amigos e leitores que gostam de vir aqui e conferir a minha opinião é uma das coisas que mais me tem dado prazer esses tempos. Vamos às atividades. :)

Reparem na tagline de DEAD OR ALIVE:

“WARNING: This motion picture contains explicit portrayals of violence; sex; violent sex; sexual violence; clowns and violent scenes of violent excess, which are definitely not suitable for all audiences.”

Meus caros, isso é tudo verdade.


Algumas pessoas dizem que Takashi Miike é um diretor muito "hypado". Bom... se existe alguém que merece ser "hypado" dessa nova geração de diretores, com certeza é Miike. O realizador de nacionalidade japonesa faz mais de 3 filmes por ano e trabalha tanto para cinema e televisão quanto para o prolífero mercado de vídeos e DVD's. Só em 1999, ele realizou o já clássico AUDITION (simplesmente O FILME que me faz ficar arrepiado toda vez quando vejo japinhas com cara de anjo. Maldição!!) e esse DEAD OR ALIVE que são duas obras inesquecíveis do moderno cinema japonês. Você confere qualquer um dos dois filmes uma vez e pronto, acaba carregando a experiência incomum que teve ao assisti-los pelo resto da sua vida de cinéfilo. Não é nenhum segredo de que vibro quando vejo um filme bom e feito com um orçamento bem baixo. Miike diz na sua entrevista no DVD de IMPRINT que as suas produções "direct-to-video" custam em torno de 500 mil dólares e a lucratividade fica garantida por causa disso. A primeira surpresa de DOA para mim foi logo nos créditos iniciais quando vi o logo TOEI VIDEO, uma sub-divisão da famosa produtora TOEI. Isso significa que esse filme tão comentado do Miike é uma produção barata para o mercado doméstico japonês. Só isso já me deixou mais relaxado, pois o cinema DTV tem muitos filmes bem mais honestos do que grande parte dos feitos para serem exibidos na tela grande.

A segunda surpresa é exatamente a abertura. Minha nossa, o que é aquilo?? São os primeiros 5 minutos mais alucinados, lisérgicos, bizarros e violentos já feitos para um filme. Acompanhado de um ensurdecedor rock dos mais pauleiras (ainda bem que eu vi o filme com a casa vazia pra não abaixar o volume! hehe), o espectador entra de cabeça em uma das noitadas do submundo e vê absolutamente tudo que imagina acontecer por lá. Tem homosexualismo, assassinato, um cara cheirando a mais longa carreira de cocaína que eu já vi, outro enchendo o bucho de pratos e mais pratos de macarrão e outras coisitas. É nesta mesma abertura que somos apresentados aos protagonistas Ryuichi (Riki Takeuchi, de FUDOH) e Jojima (Sho Aikawa, de RAINY DOG) que agem conforme o que são. O primeiro é o líder de uma gangue de desprezados imigrantes chineses no Japão (se isso estiver errado me corrijam, foi o que eu consegui entender...) enquanto que o segundo é um obstinado detetive que começa a investigar o sujeito depois de um assalto cometido pelo grupo.



O filme é obviamente inspirado pelo excelente FOGO CONTRA FOGO, ao mostrar mais uma vez os conflitos físicos e psicológicos entre os dois personagens de lados diferentes da lei. Mesmo que a trama em si não traga nada de muito novo, DEAD OR ALIVE é uma obra especial de Miike por ser um filme policial feito à sua maneira e quebrando grande parte das convenções do gênero ao longo da narrativa. A dupla central de atores também consegue dar das cenas dramáticas, pois o roteiro também dá destaque aos seus problemas mais íntimos. Ryuichi recebe o irmão recém-chegado da conclusão dos seus estudos nos Estados Unidos, mas este se revolta quando descobre que a sua educação foi paga com dinheiro manchado de sangue e Jujima precisa pagar uma delicada e cara operação de duzentos mil dólares para a sua filha adolescente. Ambos farão de tudo pelos seus entes queridos. Como dá para perceber, a narrativa fica mais densa depois da frenética abertura e em muitos momentos Miike chega a lembrar Takeshi Kitano na condução da história. Existem cenas com 3/4 minutos de duração sem nenhum corte. A influência deste grande realizador japonês é muito notada em RAINY DOG, um belíssimo filme que poderia ser feito por Miike e assinado pelo Kitano que eu não notaria a menor diferença. DEAD OR ALIVE tem ainda a participação do ótimo Susumu Terajima, um ator que está presente em quase todos os filmes de Kitano.

Os momentos mais falados da produção são justamente o início e o final, os mais rebeldes de todos. Simplesmente genial, essa inesperada conclusão diversas leituras e é algo tão insano e impressionante que o espectador não vai conseguir esquecer da sensação que teve ao assistí-la.

Quem for assistir DEAD OR ALIVE atrás de algo próximo de GOZU, ICHI THE KILLER e VISITOR Q vai ficar desapontado. Há uma série de imagens grotescas e bem violentas durante a disputa travada pelos protagonistas ao longo do filme, mas não é nada que se possa comparar com as cenas mais comentadas dos filmes citados. Mesmo assim, o filme não é para as pessoas mais sensíveis e fracas de estômago já que tem um momento em que zoofilia (não-explícita) é praticada numa filmagem pornográfica e outro em que alguém morre afogado na própria merda!! Sei que não é nada prazeroso ver esse tipo de imagem (pelo menos pra mim, tem quem ache hehehe), mas se você conseguir suportar vai desfrutar de mais uma experiência inesquecível desta grande figura chamada Takashi Miike. Bem que os norte-americanos deveriam aprender a fazer cinema DTV vendo os projetos que Miike executou utilizando para esta indústria.

Vi no blog do companheiro BAKEMON que a Europa Filmes confirmou o lançamento do filme em DVD para abril com o título de MORRER OU VIVER. Essa turminha dos títulos...

PS: A gloriosa ZINGU! está no ar em sua sexta edição. O maior destaque dela é um dossiê dos mais completos sobre Ozualdo Candeias, um dos mestres do cinema marginal brasileiro que faleceu no mês passado. Ainda tem umas vampirinhas lésbicas esperando ansiosamente pela sua visita. Acredite, elas não querem ficar nem um pouco decepcionadas com você. Por isso, deixe de sua preguiçite aguda, pegue o mouse, arraste um pouquinho para a direita, clique aqui e desfrute de uma excelente leitura.

quinta-feira, março 01, 2007

Serviço de Utilidade Pública


Se você tem algum amor pelo seu valioso tempo de vida e pelo seu sagrado dinheirinho, faça o favor a si mesmo de nunca alugar ou baixar esse DÁLIA NEGRA feito pelo mesmo Uli Lommel de THE BOOGEYMAN. Como é que o cara conseguiu piorar tanto daqueles tempos para cá? Minha nossa! Fiquei muito puto por ter gasto 10/15 minutos da minha preciosa vida tentando assistir esse lixo que é simplesmente inassistível. Ainda bem que não gastei 1 centavo nessa tentativa. Isso (pois não merece nem ser chamado de filme) foi lançado pela oportunista Lions Gate e é distribuído aqui pela California que fez e continua fazendo muita gente pegar ele pensando que se trata do recente filme de Brian De Palma. Essa nojeira é séria candidata ao pior lixo em VHS e DVD que vi na minha vida. Lommel merecia ser preso para nunca mais tocar numa droga de uma câmera. Por aí já deu pra ver o "nívi" da bomba.

São filmes desse tipo que trazem má fama ao uso de câmeras digitais para baratear custos orçamentários. Chega deu vergonha em mim de apoiar tanto essa forma de realização. Enfim, eu tenho a mais plena convicção de que qualquer merda que você levar pra casa algum dia da locadora é melhor do que esse DÁLIA NEGRA do Lommel.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

The Power of Christ Compels You!!


Ainda bem que desliguei a TV e fui dormir sem ver o resto dessa porcaria!! A chamada "Academia" mostrou o quanto é preconceituosa mais uma vez. 2007 foi outro ano marcado por fortes injustiças só por causa disso. E eu quero lá saber do porra do Al Gore falando de aquecimento global e tendo o ovo fortemente babado por Di Caprio, Winslet e cia? E eu quero lá saber do porre da Celine Dion estragando o fantástico, lindo, extraordinário tema de ERA UMA VEZ NA AMÉRICA? Aqui fica registrado o meu protesto e os meus pêsames a quem ficou acordado e perdeu um tempinho muito valioso das suas vidas, seja por cinefilia ou profissão. Só se salvaram algumas poucas premiações (finalmente Whitaker vai ser mais reconhecido pelo povão!) . Meu único arrependimento foi o de não ter visto a montagem especial que homenageia os vários grandes artistas do cinema que deixaram o nosso plano terrestre no ano passado que foi muito macabro para todos nós nesse sentido. Ela deve ter tido a maior duração de todas.

PS1: Premiação bem mais justa foi o 1º Movie Bloggers Awards. Discordo de alguns vencedores, mas ela dá um banho naquilo que passou na noite de ontem na TV em termos de justiça e sinceridade. Cliquem aqui pra conferir.

PS2: O camarada Thales Oss atualizou o seu Cine Delírio. Podem dar uma passada lá para dar aquela força porque a proposta do blog é muito boa.

PS3: Como vocês podem ver no box de comentários abaixo, meu PC doméstico pifou no último sábado. Em questão de minutos, vocês veriam aqui um post destacando o controvertido e divertidíssimo BORAT. Vou ter que escrever sobre ele de novo, já que não deu tempo pra salvar o texto num disquete e nem sei se irei perder o HD. É foda...

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

A HORA E A VEZ DOS INJUSTIÇADOS!

Se esses dois caras ganharem os respectivos Oscar de melhor ator e de melhor ator coadjuvante, confesso que vou vibrar.


O companheiro Herax me fez relembrar ontem que Forest Whitaker atuou em O GRANDE DRAGÃO BRANCO, crássico da saudosa Cannon Pictures. Pense como aquela turminha lavava dinheiro fazendo altas tralhas!! Whitaker é o ator mais cotado para ganhar o prêmio pela sua elogiadíssima atuação como Idi Amin em O ÚLTIMO REI DA ESCÓCIA.


Já Jackie Earle Harley é um caso especial. Em menos de três anos, o cara atuou em dois filmes do Albert Pyun (simplesmente DOLLMAN e NEMESIS!) e ainda apareceu em MANIAC COP 3 de William Lustig. Harley foi indicado pela sua capacidade de roubar a cena de vários atores mais conhecidos do que ele em PECADOS ÍNTIMOS.

Perdi completamente o respeito pela premiação há um bom tempo e isso se agravou mais ainda com o evento do ano passado, mas mesmo assim estou na torçida por eles!

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Imagens do Carnaval do VÁ E VEJA

Acabou-se o que era doce. Depois de uma pequena e mais prolongada folga dos afazeres cotidianos por causa das festividades do Carnaval, já estou de volta ao mundo real. Posso dizer que aproveitei bem esse tempinho. Além de ver mais filmes, dediquei um tempo à leitura, dei algumas saídas bem tímidas se comparadas aquelas dos anos anteriores, descansei um pouco mais do que o de costume para repor as energias e escrevi pro blog na segunda-feira. É como eu disse para um amigo ontem, as imagens mais marcantes do meu carnaval deste ano foram as imagens cinematográficas dos filmes que eu vi. Aqui estão algumas delas, sem legendas para alguns de vocês se divertirem tentando adivinhar de quais filmes elas são. Umas são mais fáceis e outras não. Só não vale clicar no botão direito do mouse pra checar o link das fotos hehehe:







E mais esse que acabei de fechar a folga com chave de ouro:


Darei as respostas ainda hoje nos comentários abaixo. O legal é que gostei de todos os filmes, cada um a sua maneira. Espero comentar alguns deles ainda esta semana.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

RECOIL: Trailer + Cena

Esse trailer é uma comédia como o próprio filme. Ele entrega praticamente tudo o que vai acontecer e as melhores cenas de ação, mas dá para quem nunca assistiu a um dos filmes da PM na vida ter uma idéia das coisas que mais me atraem neles, como as atuações horrendas coroadas por diálogos ultra-clichês. Dá para perceber também que o nível de CGI nas cenas de ação é próximo do zero, algo que muitos técnicos medrosos não ousam fazer hoje em dia.



A cena de perseguição do início, divirtam-se:



PS: Os indicados do Movie Bloggers Awards já foram selecionados pela comissão de 17 blogueiros participantes do evento. Acessem o Pipoca com Manteiga e confiram o resultado. Parabéns ao companheiro Victor Nassar pela excelente iniciativa. A justiça será feita!

Gary Daniels em dois filmes da saudosa PM Entertainment

Gary Daniels é um dos outros figuras que participavam das saudosas sessões domésticas faladas no último post. Particularmente, acho uma puta injustiça ele não ser melhor aproveitado hoje em dia como podemos ver no pavoroso LADO A LADO COM O INIMIGO, onde nem mesmo Anthony Hickox conseguiu fazer alguma coisa para ajudar a salvar tudo da desgraça total. Daniels pode não ser nenhum mestre da atuação, mas ele é carismático, tem presença de cena e luta muito, além de ser britânico e garantir um charminho extra por causa do seu sotaque. O cara tinha tudo para ser um grande astro do cinema de ação e acabou tendo a carreira prejudicada com a repentina falência da PM Entertainment em 2000, a prolífera produtora de filmes B chefiada por Richard Pepin (que iria produzir e dirigir depois uma grata surpresa chamada A CAIXA) e Joseph Merhi, onde o astro britânico fez alguns filmes notáveis. Vamos aos comentários que chegaram mais demorados do que o previsto, mas chegaram:


FÚRIA ASSASSINA não é somente um dos melhores filmes de ação da PM, mas um dos melhores e mais divertidos exemplares do gênero dos anos 90. Cara... como eu fiquei feliz quando percebi que ele continua tão legal quanto o vi pela primeira vez numa sessão noturna da Rede Record. Dirigido por Merhi, o filme tem Gary Daniels como protagonista interpretando Alex Gainor, um professor de primário que tem uma vida das mais pacíficas e felizes ao lado da sua esposa e filha pequena, mas é feito de refém por um fugitivo de policiais corruptos. Os dois acabam sendo pegos pelos perseguidores e encaminhados a um laboratório secreto (que é exatamente como se imagina um laboratório tosco de filme B!) onde são realizados experimentos igualmente secretos do governo com seres humanos para a criação do assassino de guerra perfeito. Ohhhhh!! Que novidade!! Eu nunca vi isso antes em filme nenhum!!

Gainor recebe a injeção de uma droga feita para esse fim e não demora muito para que ele se liberte do local, pegue uma metralhadora de um guarda idiota e faça uma verdadeira festa espancando e baleando vários outros guardas idiotas. Os vilões - que tentam fazer cara de mal sem o menor sucesso - conseguem controlá-lo um pouco e o levam a um local deserto para acabar com a vida dele. Não conseguem e alguns acabam partindo desta pra melhor hehehe. A partir daí, as cenas de ação não param e se revelam muito bem executadas para uma produção assumidamente B e feita para o mercado doméstico. As minhas favoritas são as as passadas no topo de um grande prédio comercial (que acaba numa luta corporal dentro de um helicóptero, assim como o recente ADRENALINA com Jason Statham. Olha aí a fonte...) e num shopping center onde tem uma loja de vídeos da PM que exibe cartazes de CIA - CODINOME ALEXA, TOLERÂNCIA ZERO, A ARTE DE MORRER, CYBERTRACKER e outras jóias da cinematografia mundial produzidas por ela (exagerei nada hehehe) escapa imune da destruição. Acho que o filme não seria tão legal se o roteiro não incluísse uma boa crítica ao jornalismo sensacionalista enquanto mostra a cobertura da mídia sobre os inevitáveis desastres e corpos deixados para trás que acompanham a desesperada fuga do protagonista dos bandidos, da polícia, do FBI e da CIA!! O fracassado jornalista televisivo Harry Johansen (Kenneth Tigar, de PHANTASM 2) é o único que tem interesse em ouvir a versão de Gainor dos acontecimentos. Gary Daniels está em ótima forma, comprovando toda a desenvoltura frente às câmeras que eu falei mais acima.

Sim... sim.... este é aquele tipo de filme onde há várias falhinhas técnicas e de roteiro, onde os bandidos tem a pior mira possível, onde o ônibus escolar que o malvadão toma do motorista não tem nenhum pirralho dentro e etc. Mas quem quer gastar 1h30min do seu tempo com uma boa e inofensiva diversão está pouco se lixando para isso. Se você está a fim disso, pode dar uma chance para FÚRIA ASSASSINA que as chances de uma decepção são quase nulas. Na minha prateleira de DVD's, esse filme onde o pobre coitado do protagonista invade uma casa pra matar a fome e é agredido pelos proprietários - um casal de sadomasoquistas (!!!) - está lado a lado do glorioso, do magnífico, do genial COMANDO PARA MATAR do casca-grossa Mark L. Lester. Ele merece.


Em TENSÃO TOTAL, Daniels interpreta Ray Morgan, um policial que se envolve em um tiroteio contra um grupo de assaltantes e que acaba matando um deles junto com seus colegas de corporação. Ray e os companheiros descobrem que ele era de menor e filho de um mafioso (Richard Foronjy, de O PAGAMENTO FINAL e FUGA À MEIA-NOITE). O criminoso, por sua vez, faz com que os seus outros filhos se juntem aos seus capangas para cumprir uma violenta vingança contra todos os policiais responsáveis pela morte do jovem assaltante. Nada que já não tenha sido visto inúmeras vezes antes, não é? Por mim, até aí está tudo bem, já que existem vários filmes sem nenhuma novidade e muito bons mesmo assim por serem bem realizados e defendidos ao longo da sua duração. TENSÃO TOTAL não é um deles. O diretor e co-roteirista Art Camacho não busca outras soluções e segue aquela velha cartilha dos filmes de vingança, com a diferença de que para acontecer algo que deixe o personagem de Daniels extremamente puto e com uma vontade desgraçada de partir pra cima da família do mafioso e seus homens são gastos mais de 45/50min de filme!! Aí é demais pro saco de qualquer um. Ainda bem que o filme chega a ser involuntariamente engraçado por querer se levar tão a sério a todo custo. Simplesmente não dá pra fazer isso porque o roteiro é muito previsível e recheado por alguns dos diálogos mais clichês que já tive o prazer de ouvir. Adicione à receita o típíco show de pirotecnia que a PM sabia fazer tão bem e Gary Daniels fazendo bonito em algumas cenas de luta que o filme está pronto para ser lançado nas prateleiras. TENSÃO TOTAL passa o tempo, mas é bem inferior ao FÚRIA ASSASSINA que tinha um roteiro melhor e nem levava as suas cenas absurdas a sério. Enfim, a fita é válida apenas para os fãs mais alucidados do gênero que se divertem com todo o humor involuntário desse tipo de produção e os de Daniels, que também se leva a sério demais aqui.

Todos os dois filmes foram lançados em DVD no segundo semestre do ano passado pela New Pictures do Brasil Entertainment. Usei os títulos de quando eles saíram em VHS no Brasil e só o TENSÃO TOTAL saiu com o título de VINGANÇA SANGRENTA. Extras zero, menus fuleiríssimos e imagem/som de VHS com qualidade bacana, mas pelo menos a gente saiu na frente uma vez já que temos essas maravilhas em DVD e os gringos FDP secos por elas não hehehe.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Um papinho sobre minha adolescência e algumas pérolas que me marcaram

Eu tava teclando com o amigo Luiz Alexandre no MSN um dia desses e disse que iria escrever sobre dois filmes do Gary Daniels que tinha revisto nessas férias. Na mesma hora, bateu o desejo de compartilhar com vocês um pouco da minha alegria em relembrar daqueles tempos onde eu não fazia a menor idéia do quanto a vida é uma pauleira. Confesso que sinto muitas saudades de quando eu tinha os meus 13 e 14 anos. Muitas coisas aconteceram naqueles tempos, tanto no lado pessoal, quanto na cinefilia. Essa fase me marcou tanto que não consigo me lembrar do que aconteceu em 98 ou em 99, penso sempre nos dois anos ao mesmo tempo. Em meados de 1998, a minha família já estava estabelecida no mesmo lugar em que moramos até hoje, ganhei um "galo" na primeira briga realmente feia que eu tive (sem deixar de quebrar o nariz do infeliz que mexeu comigo hehehe) e eu já começava a me ligar um pouco sobre as garotas, principalmente no que elas queriam escutar dos meninos através das suas "mensagens subliminares".

Só estou falando um pouco sobre isso porque vários filmes vistos nesta época me marcaram tanto quanto esses acontecimentos tão comuns na vida de um adolescente. Eu era tarado pelas locadoras de VHS que impregnavam os subúrbios de Casa Amarela, bairro onde se situa o Educandário São José, a escola em que estudei do Jardim até a 8ª série aqui em Recife. Eu não era sócio de uma, duas ou três, mas de quatro! Elas eram ainda bem mais baratas do que as próximas da minha residência e contavam com as pérolas que essas não tinham nas prateleiras. No final de semana, pegava aquele pacotão só de filme que tinha porrada, tiro, explosão e mulher nua hehehe. Poxa vida... quantas saudades. Várias vezes participei e marquei sessões domésticas regadas a muitas risadas, pipoca e Coca Cola com os filmes de Jet Li (os que marcaram... TAI CHI, LUTAR OU MORRER, MÁSCARA NEGRA e MÁSCARA DA MORTE, o DURO DE MATAR do Wong Jing), Jackie Chan (a gente viu os clássicos CITY HUNTER e O MESTRE INVENCÍVEL mais de 5 vezes!!), Van Damme, Dolph Lundgren, Don "The Dragon" Wilson, Jeff Speakman, Jeff Wincott e outros figuras. Ainda vi A CATEDRAL no mesmo período e me lembro como se fosse ontem do quanto eu fiquei confuso com o filme, mas que gostei dele mesmo assim hehehe. Aquela foi a minha iniciação ao glorioso cinema de terror italiano. :)

Havia ainda o saudoso Cine Trash (Cara... como eu amava aquilo!! Dá pra fazer uma lista com mais de 10 títulos que passaram lá e que estão guardados na memória com muito carinho) e os que passavam de montão na Band e na Record de noite. Pense no barulho que era a sala de aula antes do professor entrar lá. Dava pra escutar que outros colegas também estavam comentando do mesmo filme que tinha passado ontem de noite na TV. Nas sessões de VHS, assistimos altos clássicos de John Woo como ALVO DUPLO 2, RAJADAS DE FOGO, NO CORAÇÃO DO PERIGO (PQP! Não sei porque esse filme continua tão obscuro. O balé da violência de Woo impera do começo ao fim aqui), FERVURA MÁXIMA e BALA NA CABEÇA, outros de terror e suspense como RESSUREIÇÃO com Christopher Lambert (que até hoje acho bom) e A BRUXA DE BLAIR, só que a memória afetiva puxa mais para esses pequenos e despretensiosos filmes que foram assistidos com pessoas especiais que acabei perdendo aquele contato por causa dos diferentes trajetos que tomamos em nossas vidas. Os poucos (bote poucos nisso... infelizmente) com quem falo até hoje dizem que será marcada uma reunião dos ex-alunos da 8ª série de 1999. Até hoje esse encontro só fica na promessa... vamos ver se ele acontece mesmo em 2007.

Acho que volto ainda amanhã ou até hoje mesmo pra falar de FÚRIA ASSASSINA (Rage, 1996) e TENSÃO TOTAL (Recoil, 1997), os dois filmes que revi do Gary Daniels. Abraços a todos.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Stelvio Massi e Umberto Lenzi em dois "polizieschi"


DESTRUCTION FORCE (aka La Banda del Trucido / Dirty Gang, 1977) foi a minha iniciação ao cinema policial de Stelvio Massi, que é tido como um dos grandes realizadores deste subgênero que tomou aos poucos a popularidade conquistada pelos "gialli" e faroestes. Como dá para perceber no poster acima, os astros do filme são Luc Merenda e Tomas Milian. Esses dois atores fizeram tantos filmes nesta prolífica fase do cinema italiano que não consegui pensar em "poliziesco" sem a imagem de um deles vir à mente depois de ter pesquisado um pouco sobre o estilo. Se bem que MISTER SCARFACE foi a primeira VHS que eu comprei com o dinheiro da minha mesada quando eu tinha uns 12 anos de idade!! Pirei com o filme na época, só que essa é uma outra história que irei contar depois por aqui.

A cópia que eu consegui foi extraída da VHS brasileira cuja imagem está escurecida e até embaçada com legendas em branco. Vai ver ela foi telecinada diretamente da cópia em película num equipamento de terceira geração. Há ainda umas cenas que não ficaram bem coesas, o que me faz acreditar que cortes foram feitos na fita. Mesmo assim, deu pra me divertir bem com o filme que é até esquecível e não apresenta nenhuma novidade, mas os menos de 90 minutos da sua duração passam ligeirinho. Merenda encarna um policial claramente inspirado pelo Dirty Harry de Clint Eastwood. Frio e de poucas palavras, ele age bem mais do que pensa. A trama rotineira é recheada por tiros, explosões, perseguições e um show particular de Tomas Milian como o desajeitado Trash (sim, o cara se chama Lixo hehe). O filme já merece uma conferida pela hilariedade de algumas cenas protagonizadas pelo sujeito. Não tem como ficar sem rir de um cara cozinhando e resmungando da vida ao mesmo tempo para o pobre do filho dele que ainda é um bebê. No geral, trata-se de um passatempo inofensivo com as suas qualidades e uma trilha troncha daquelas que só mesmo os compositores setentistas sabiam fazer. Estou também com o elogiado MARK THE COP do mesmo diretor na prateleira me esperando para assistir. Ele deve ser ainda melhor e mais divertido.

Curiosidade: O título nacional do filme é A GANGUE SUJA DO SEXO!! Ah que saudade dos velhos tempos...


Acabei revendo GANG WAR IN MILAN (Milano Rovente, 1973) nessas férias de janeiro. O primeiro "poliziesco" de Umberto Lenzi pode não ser nenhuma obra-prima, mas é uma produção essencial para qualquer pessoa interessada no subgênero. No filme, Salvatore Cangemi (Antonio Sabato) é um grande cafetão de Milan que recebe uma forçada proposta do traficante francês Roger Daverty (Phillipe Leroy, presença confirmada em LA TERZA MADRE, o novo filme do Dario Argento) de revender drogas através das suas prostitutas. Como Salvatore está pouco se lixando para a proposta de Roger e ambos vivem tentando ferrar o outro, inicia-se uma guerra entre as duas gangues em Milão conforme o próprio título anuncia.

Uma das melhores coisas deste filme do Lenzi é o próprio protagonista. Simplesmente, Salvatore Cangemi é um dos personagens cinematográficos mais FDP que tive o (des)prazer de conhecer. O cara é impiedoso, violento, impulsivo, fica puto do nada, vive batendo nas suas prostitutas e ainda não suporta ver alguém falando inglês na frente dele. Quando vi GANG WAR IN MILAN pela primeira vez, pensei ser impossível simpatizar com um personagem assim. Já na revisão, passei a achá-lo mais humano, uma espécie de pré-Tony Montana e reparei melhor nas pequenas cenas em que ele visita a mãe no asilo. Há vários clichês vistos no filme que seriam usados muitas vezes depois em outros filmes de gangsters como a tradicional seqüência onde tem alguém sendo morto a mando do grupo e os membros da organização estão cantando, rindo e se divertindo. A veia "exploitation" do Lenzi se faz presente aqui em diversos momentos, pena que o maior ponto fraco do filme seja a sua própria direção. Tem momentos em que o excesso de "closes" enche a paciência, principalmente quando Salvatore está no seu escritório conversando com os outros membros da gangue. A trilha sonora também repete e muito a música-tema. Ainda bem que temos a beleza de Marisa Mell (de PERIGO: DIABOLIK) para dar uma compensadinha nas falhas e limpar a nossa vista de um bando de macho bigodudo e alguns dragões que "interpretam" as prostitutas. Enfim, o filme tem Sabato, Leroy, Mell, muitos tiros, mortes diversas, peitinhos de fora e um infeliz sendo torturado por choques no saco!! Tudo de bom, né? :)

Agradecimentos a Octavius e Herax, dois seres fanáticos por "poliziesco" que continuam instigando outros fãs de cinema a conhecerem o estilo.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

La Cabina (1972, ESP)



Assistam a esse maravilhoso e inesquecível curta-metragem de Antonio Mercero. Acabei de ver e já digo que o dia de meu aniversário começou de maneira espetacular. São 35 minutos aproximados do seu tempo muitíssimo bem aplicados, eu só dou 10 pro filme porque não existe nota 11 e nem 12. Já estou esperando os comentários de vocês! :)

Agradecimentos a Harlem Pinheiro, que foi quem me fez descobrir o filme.

É HOJE!!

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

David Bowie - Thurdays Child

Reencontrei este belo vídeo do Bowie no final de semana num CD antigo que eu tenho com diversos arquivos. Nunca o vi passando na TV ou alguém falando dele em qualquer tipo de veículo de comunicação, o que não deixa de ser uma pena. Talvez seja porque o clipe é minimalista e meio "pra baixo", mas ele consegue dizer algumas coisas sobre a passagem do tempo em nossas vidas que muitos filmes não tiveram êxito em transmitir.

Via YouTube:



Via RapidShare (o arquivo do CD, um ASF de apenas 4mb com qualidade acima da esperada): Clique Aqui

terça-feira, fevereiro 06, 2007

APOCALYPTO (2006, EUA)


O último fim de semana foi muito legal, apesar de algumas coisinhas que continuam teimando em me deixar um pouco chateado por dentro. São pequenas coisas mesmo, só que não irei me sentir completamente bem até o dia em que todas elas estejam resolvidas. Bem... vamos deixar esse tipo de papo de lado que estou voltando às atividades com força total depois de uma pequena diminuição no fluxo de atualizações por causa das férias que ninguém é de ferro. Usei bem mais o tempo livre para fazer as minhas coisinhas e assistir vários filmes, sinal de que não faltarão cartas na manga para serem lançadas por aqui.

Tive o prazer de compartilhar a experiência de assistir APOCALYPTO neste domingo em companhia de pessoas que realmente gostam de ver um bom filme e bater aquele papo legal depois da sessão. Antes mesmo de subirmos as escadas rolantes para entrar na filinha que já estava começando a se formar, fui agraciado com uma cópia de O HOMEM DUPLO (A Scanner Darkly, 2006), filme do Richard Linklater baseado em Phillip K. Dick que tenho vontade de ver desde que a sua produção foi anunciada! Vou ver se ele entra em cartaz ainda este mês, como estava sendo prometido, antes de assisti-lo na tela pequena. Quando a sessão começou, já vi que APOCALYPTO me deixaria com um sorriso de satisfação daqueles.... se bem que eu sorrio por causa de qualquer besteira hehe. Só aquela caçada à anta do início com menos de 5 minutos de duração paga um terço do ingresso. O restante do filme compensa ainda mais a graninha que foi gasta.

Com APOCALYPTO, já podemos dizer que Mel Gibson tem uma obra-prima na sua curta filmografia de diretor. O poder de síntese que o filme possui é impressionante. No inteligente roteiro co-escrito pelo próprio Gibson, a produção é muito bem sucedida ao contar toda a história de uma civilização utilizando apenas alguns dias, ao contrário da maioria das produções do estilo que fazem isso com meses e anos. O espectador acompanha um pouco da jornada diária do protagonista, um guerreiro chamado Pata de Jaguar (Rudy Youngblood, num desempenho mais do que satisfatório para uma estréia nos cinemas) com o seu filho e a sua esposa que está grávida. Tudo muda quando a sua aldeia é invadida pelos Maias que acabam eliminando sumariamente grande parte dos habitantes do local e ele é levado junto com os sobreviventes do massacre para a cidade deles onde terão dois destinos. Alguns homens e todas as mulheres serão vendidos como escravos e os outros que restaram deverão ser sacrificados à força para satisfazer os deuses que os habitantes do local veneram. Mas Pata de Jaguar fará de tudo para rever a sua família que se escapou do massacre e se escondeu em uma caverna.

A beleza imagética de APOCALYPTO acaba gerando um memorável contraste com a brutalidade e grosseria que está presente na maioria dos momentos da trama. Não é para menos que soltei um “PQP! APOCALYPTO é o CONQUISTA SANGRENTA dos anos 2000!” como mensagem no tópico dele na comunidade do orkut do site Cinemascópio. Os companheiros da blogosfera falaram que AMARGO PESADELO e RAMBO – PROGRAMADO PARA MATAR são algumas das influências de Gibson, mas elas só são notadas por quem é mesmo fã dos filmes. Chegou a minha vez hehe. Achei “Mad Mel” tão casca grossa na condução do filme que senti a presença espiritual de Mark L. Lester e Michael Winner, dois mestres absolutos da grosseria cinematográfica. Falando no Winner, digo também que Charles Bronson ficaria orgulhoso com aquele belo confronto final na floresta se ainda estivesse entre nós.

Quem avisa, amigo é. Vão logo correndo assistir esse filmaço na tela grande que é como ele precisa ser visto, pois a fotografia (em digital, para o horror dos conservadores!) e a direção de arte também impressionam pelo nível absurdo de qualidade que elas possuem. Se você que está me lendo agora não sabe de absolutamente nada sobre o período histórico, pode assistir o filme sem medo que dá para entender tudo. Não liguem para esse bando de críticos carolas que estão reclamando da violência "chocante" da produção. Ela não é gratuita em momento algum e se mostra perfeitamente adequada ao que o filme pede. A já famosa seqüência dos sacrifícios humanos é algo simplesmente lindo, lindo, lindo! Resumindo, APOCALYPTO consegue ser uma aula de História (mesmo que a fidelidade não seja o forte do filme...) e de Cinema ao mesmo tempo e ponto final. Tomara que Mel Gibson nos dê todo ano um filme tão bom quanto este, nem que ele tenha de bater a cara num poste por causa de uma bebedeira para ter outra idéia bacana.

PS: Matheus Trunk nos comunicou de que a gloriosa ZINGU! em sua quinta edição já está no ar para a alegria dos verdadeiros cinéfilos e para a infelicidade dos invejosos de plantão. Como é de costume, me vejo achando uma edição melhor do que a outra. Toda santa vez acontece isso. Visite, leia com carinho e seja feliz. Link: www.revistazingu.blogspot.com

terça-feira, janeiro 30, 2007

O GOSTO DA VINGANÇA ( A Bittersweet Life, 2005)


Coincidentemente, as três últimas resenhas postadas aqui (incluindo essa) foram de filmes orientais. Também pudera, eles estão nos surpreendendo há anos com um cinema de qualidade ímpar, feito por diretores preocupados com uma coisa que cada vez mais está sendo deixada de lado: a arte de contar bem uma história. Até deixei de escrever sobre o belíssimo ZONA DE RISCO (Joint Security Area, 2001) de Chan-wook Park na semana passada para evitar isso, mas tive de me render quando vi SHA PO LANG na última terça-feira.

Lee Byung-hun (que também atua em JSA) interpreta Sun-woo, um rapaz sisudo, violento e de passado obscuro que tem trabalhado por sete anos para o mafioso Presidente Kang (Kim Yeong-cheol) conquistando a sua total confiança. Sun-woo também é o gerente do La Dolce Vita, restaurante de propriedade da organização onde são marcadas todas as reuniões e negociações. Durante um jantar, o chefe ordena que ele acompanhe a sua namorada, uma violinista profissional chamada Hee-soo (Shin Min-a) durante três dias. Caso o jovem perceba a presença sexual de um homem na vida cotidiana da moça, ele deve ligar para Kang ou eliminar imediatamente ela e o companheiro. O porém é que essa tarefa acaba colocando Sun-woo em uma enrascada que despertará toda a fúria vingativa contida no íntimo do seu ser.


Algumas pessoas definiram A BITTERSWEET LIFE como um "Action Noir" e acho que essa definição foi feliz. O filme consegue fazer isso sem qualquer prejuízo para a narrativa e o diretor Ji-woon Kim faz a alegria da gente com uma das melhores e mais memoráveis seqüências de ação corporal dos últimos anos. Ela chega a ser fantástica de tão bem executada e coreografada. Não me lembro de ter visto a cabeça de algum infeliz sendo pressionada e arrastada contra a parede em algum outro filme. Chega doeu em mim na hora hehehe.

Lee Byung-hun encarna Sun-woo com uma naturalidade impressionante e ele me fez lembrar de Alain Delon diversas vezes. O protagonista é um sujeito boa pinta, mas tem cara de poucos amigos e vive muitíssimo bem vestido na maioria das vezes. Soube ontem que Ji-woon Kim se inspirou em LE SAMOURAI de Melville para escrever o roteiro, então a semelhança já está mais do que explicada. Já nos quesitos técnicos, o filme detona. A trilha sonora é um trabalho inspirado e a fotografia salta aos nossos olhos com belos enquadramentos e um uso memorável de cores como vermelho (incluindo o vermelho do sangue que sai dos ferimentos à bala), branco e preto.

O que mais me surpreendeu em A BITTERSWEET LIFE é a maneira como ele fala da vida. Através dos excelentes diálogos travados entre os personagens e das intervenções narrativas do próprio protagonista no início e no fim do filme, fica impossível para um espectador atento a esses detalhes deixar de fazer uma reflexão sobre o quanto ela é imprevisível e injusta na maioria das vezes. Algumas dessas falas são tão marcantes que ficaram gravadas na minha memória, principalmente "A vida é sofrimento. Você não sabe disso?" dita pelo Presidente Baek (Hwang Jeong-min) a Sun-woo. Não pense que o filme seja muito pessimista, há uma correto e muito bem-vindo alívio cômico durante o desenrolar da trama para aliviar esse pessimismo. Os orientais são monstruosos nisso. Takeshi Kitano que o diga.

A BITTERSWEET LIFE é e sempre será um dos melhores filmes sobre esse sentimento que qualquer ser humano já sentiu ou irá sentir algum dia chamado vingança e as conseqüências que ela acaba causando na vida de quem parte para executá-la. O derramamento de sangue pelas mãos de Sun-woo inevitavelmente desencadeará outras vinganças que irão entrar em ponto de ebulição no excelente tiroteio final travado no La Dolce Vita (numa óbvia homenagem ao clássico de Fellini e irônica brincadeira com o próprio título ao mesmo tempo), complementando aquela velha idéia de que a violência só gera mais violência. Ninguém presta neste filme, mas Sun-woo é um personagem tão humano e bem construído que criamos uma empatia com ele e torcemos para o sucesso da sua vingança. Não é à toa que SCARFACE foi outro título que inspirou Ji-woon Kim, um grande realizador que merece ser acompanhado com mais atenção. Preciso aproveitar esse restinho de férias noturnas e assistir A TALE OF TWO SISTERS logo.

Moral: Ao assistir qualquer filme da trilogia da vingança de Chan-wook Park e A BITTERSWEET LIFE, temos a mais absoluta certeza de que não desejamos fazer mal algum a qualquer coreano.

Agradeço ao Otavio Moulin, que fez uma força pro filme ser lançado aqui no Brasil em DVD (mesmo com uma legenda em português que carece de uma revisãozinha na ortografia e gramática em algumas passagens, mas tudo bem... o filme vem com ótima qualidade de som e imagem em WIDE) pela Visual Filmes; ao Leandro Caraça, que sem querer querendo me indicou este filmão no top 10 de 2005 em seu VIVER E MORRER NO CINEMA e a Marcelo Carrard pelo reforço da indicação ao comentar sobre ele no seu MONDO PAURA.

Esse filme fará juz ao título se for ruim!


PS: Se tudo correr bem como acredito, escreverei e postarei uma resenha sobre uma maravilha de filme intitulado A BITTERSWEET LIFE ainda hoje. ;)

quarta-feira, janeiro 24, 2007

SHA PO LANG (Saat Po Long aka SPL, 2005, HK)


Como está evidente em todos os calendários do mundo, hoje é uma quarta-feira que também é dia 24. Então me sinto na obrigação de iniciar as atividades do blog essa semana falando de um verdadeiro filme de macho. Vários colegas blogueiros de credibilidade como Bakemon, Heraclito Maia, Leandro Caraça e Takeo Maruyama (acho que errei rs) já tinham comentado muito bem sobre esse SPL. E eles estavam absolutamente certos. Meus caros, se vocês realmente curtem cinema de ação / policial podem ir na locadora mais próxima e alugar COMANDO FINAL (o infeliz título dado a ele pela Imagem Filmes quando sua equipe consultou o "Hiper-Mega-Ultra Generic Title Generator versão 2.0 em português", fazer o que?) sem o menor receio de ser feliz. O filme é foda!

A trama inicia com o violento chefe do crime Wong Po (o lendário Sammo Hung) sendo liberado da cadeia pela falta de provas contra ele. Detalhe: a principal testemunha de acusação foi assassinada por Jack dentro do carro da polícia, onde o detetive Chung (Simon Yam) também se encontrava. Recuperado dos ferimentos e prestes a se aposentar, Chung inicia com seus homens uma obsessiva caçada por qualquer evidência que finalmente coloque Po atrás das grades, nem que isso signifique a necessidade de alterar a integridade da mesma. Mas quem não se mostra muito disposto a ajudar Chung e seus homens nesse sentido é o inspetor Ma (Donnie Yen) que foi designado para controlar a unidade após a aposentadoria do detetive.


SPL é bem enxuto e vai direto ao assunto, sem enrolações. O espaço que o diretor Wilson Yip destina ao drama particular de alguns personagens, frisando a questão da paternidade, pode ser limitado mas é muito bem utilizado. Talvez seja por isso que achei que Po deveria ser um pouco mais explorado, afinal trata-se de Sammo Hung fazendo um vilão! Mesmo cinquentão, ele simplesmente detona no filme e não faz feio no já antológico confronto entre ele e Donnie Yen. Além de atuar, esse último ainda foi responsável pela coreografia das cenas de luta e realizou um belo trabalho. Todas elas não são longas, e sim rápidas e brutais. Outra luta bem comentada e tão boa quanto a citada ocorre entre Yen e Jackie Wu - que faz um sanguinário assassino contratado pelo Po - num beco. Também gostei de todos os três atores que fazem os parceiros do detetive Chung. Já o meu ator favorito no filme é Simon Yam, o único dos três protagonistas que não se destaca pelo conhecimento de artes marciais. Se não fosse por ele, SPL talvez perderia grande parte do impacto que transmite ao espectador em sua trágica conclusão.

Muitos consideram esse filme como a volta do inesquecível cinema de ação feito em Hong Kong nos anos 80 e 90. Pessoalmente, achei essa afirmação um pouquinho exagerada enquanto o assistia ontem. Ele está mais para que seja o marco inicial desta volta. Tomara mesmo que o merecidíssimo sucesso de SPL influencie outras produções posteriores no mesmo molde e com qualidade semelhante, caso não sejam superiores. A junção de cinema policial com o cinema de artes marciais é um achado. Estranhei um pouco quando a porrada começou a comer, mas depois fiquei bem satisfeito. Acho que esse foi o primeiro filme dos anos 2000 (senão o primeiro de todos mesmo) que conseguiu unir de maneira muito bem sucedida e feliz os dois gêneros.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Parabéns, João Carpinteiro!


Não tem jeito, toda vez que vejo um filme dele acabo ficando assim:

terça-feira, janeiro 16, 2007

JOGO DA VINGANÇA (Am Zin / Running Out of Time, 1999, CHI)


Quando assisti a BREAKING NEWS em meados de junho/julho de 2006, percebi que Johnnie To era mesmo alguém especial pro cinema contemporâneo. Já com PROFISSIONAIS DO CRIME bateu uma pequena decepção, pois esperava que este fosse melhor do que BREAKING NEWS e até mesmo do que CONFLITOS INTERNOS de tanto o pessoal fã de filmes asiáticos falar mil maravilhas dele. Depois de JOGO DA VINGANÇA, posso dizer que To virou um dos meus favoritos e não é exagero afirmar que o diretor foi uma das maiores revelações do moderno cinema chinês. Pena que a cópia em DVD lançada no nosso país pela China Vídeo ainda fique a dever em qualidade de som e imagem (acredito que a matriz tenha sido o criticado disco da Tai Seng), porque o filme é muito legal.

Não há nenhuma grande novidade na sua trama ou em seu desenvolvimento, trata-se de outro daqueles bons casos onde o talento dos envolvidos fazem a diferença. Ela é centrada naquele típico jogo de gato e rato que sempre gostamos de ver disputado desta vez entre um criminoso que está prestes a morrer em 72 horas chamado Cheung (Andy Lau, de CONFLITOS INTERNOS) e o inspetor Ho-Sheung-Sang (Lau Ching Wan, também conhecido como Sean Lau, de MÁSCARA NEGRA). Cheung assalta uma seguradora para chamar a atenção do policial e o desafia a prendê-lo nesse exato tempo que ele tem de vida.

A produção foi feita com o propósito de apenas entreter, sendo que Johnnie To vai um pouco além disso e deixa o resultado acima da média do gênero. Assim como o obsessivo Ho vai sendo manipulado pelo Cheung sem notar os seus truques, o espectador também entra no jogo montado por To e pelos dois roteiristas (que são franceses!) de seu filme sem a menor resistência. Em JOGO DA VINGANÇA, o desenrolar do desafio é mais importante do que a vitória.

Falemos das atuações. Lau Ching Wan faz um policial egocêntrico, bem-humorado e sarcástico, mas implacável e obstinado no cumprimento do seu dever e o carismático Andy Lau tem aqui uma das suas melhores atuações como um criminoso de motivações misteriosas. Não se sabe o que Cheung realmente pretende até o final e isso faz com que nós fiquemos indecisos pra quem vamos torcer. No elenco, temos os divertidíssimos Shiu Hung Hui e Suet Lam - presenças garantidas em vários filmes de To - e a gatinha Ruby Wong em papéis coadjuvantes. Waise Lee (de BALA NA CABEÇA) está desperdiçado num papel que não lhe faz justiça.


JOGO DA VINGANÇA ainda possui uma das histórias de amor que mais me chamaram a atenção nos últimos anos. Detalhe: ela dura apenas duas cenas que somadas não dão nem 10 minutos! A trilha sonora de Raymond Wong (SHAOLIN SOCCER), as boas atuações e a condução segura de To funcionam maravilhosamente bem nelas. O filme também tem a virtude de não se levar muito a sério. Portanto, a boa diversão e algumas risadas com as constantes tirações de sarro de Ho com a cara do seu chefe estão garantidas. Só espero que os recentes lançamentos de filmes do To em DVD tenham feito bonito nas vendas e locações e façam com que as distribuidoras se animem a lançar mais e mais títulos da sua filmografia aqui no Brasil. Não custa nada sonhar alto, mas tomara que o elogiadíssimo EXILED (muitíssimo bem falado por Leandro Caraça e André ZP) tenha uma chance nos nossos cinemas.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Hanks... Tom Hanks



Não podia deixar de postar uma montagem tão divertida e bacana como esta por aqui. O YouTube é mesmo um negócio fabuloso, nunca pensei que iria postar três vídeos de lá numa semana. :)

quinta-feira, janeiro 11, 2007

David Bowie - As The World Falls Down



Esta é a minha homenagem um pouco tardia aos 60 anos que David Bowie completou nesta última segunda-feira, dia 08 de janeiro. Fiquem com uma das minhas cenas favoritas de LABIRINTO, um filme que continua marcando a infância de muita gente e que me fez conhecer esse grande artista que é Bowie. E aproveitando... temos a Jennifer Connelly novinha, novinha hehe.