terça-feira, novembro 28, 2006
domingo, novembro 26, 2006
BERNIE (Idem, 96, FRA)

A primeira vez que reparei no rosto e no talento de Albert Dupontel ocorreu em meados de 2004 quando vi o polêmico IRREVERSÍVEL. Depois tive o grande prazer de vê-lo novamente no tenso e inesquecível ASSALTO AO CARRO FORTE, puta filme que agora está colecionando poeira nas prateleiras das locadoras. Por causa deste último, passei a olhar para este artista, até então desconhecido pela minha pessoa, com outros olhos.
Há duas semanas atrás, o Cinema da Fundação Joaquim Nabuco aqui em Recife anunciou uma mostra especial de comédias francesas e BERNIE, a estréia na direção de Dupontel, estava programado para ser exibido. Acabei deixando de aproveitar aquele tempo disponível para ver OS INFILTRADOS que tinha acabado de estreiar, mas este todo mundo sabe que ocasiões para assistir a um filme daquele porte na tela grande não devem faltar por umas três semanas após a primeira exibição.
BERNIE é o nome do protagonista, também interpretado pelo diretor e roteirista Dupontel. Ele é um homem de 30 anos que sai do orfanato com as suas economias bem consideráveis e está determinado a achar os seus pais que o deixaram jogado no latão de lixo quando ainda era um bebê. Bem... se não fosse pela grotesca imagem que acompanha esse post, você juraria que o filme era um dramalhão daqueles. O porém é o simples fato da personagem não ter a mínima noção do que é viver em sociedade, resultando em ações e reações um tanto desagradáveis.
O humor corrosivo de Albert Dupontel é destilado durante toda a duração do filme, que utiliza algumas seqüências dignas de figurar num legítimo representante do cinema extremo. Portanto, muitos espectadores poderão ficar chocados. Até agora só vi esses três filmes com o autor, mas creio que posso dizer que trata-se de um dos seus melhores desempenhos. Em diversos momentos, o perturbado Bernie chega a assustar pela sua completa inocência e falta de bom senso.
Dupontel ainda mostra ser bom diretor de atores, pois ninguém do elenco de BERNIE desaponta. Todas as atuações estão muito bem adequadas ao clima insano da produção. As insistentes comparações que fazem da condução deste filme com o estilo de Tarantino não devem ser levadas muito a sério. Meu conselho: simplesmente relaxe e aproveite aproximadas 1h30min de pura tiração de sarro com a sociedade em geral.
PS 1 - Finalmente vi OS INFILTRADOS nesta tarde de domingo. Gostei muito, mas CONFLITOS INTERNOS continua superior. Depois escrevo melhor sobre ele aqui.
PS 2 - Ainda bem que a ZINGU! é mensal, pois ela merece ser degustada como um bom vinho: aos poucos e com toda a atenção para a sutileza do seu sabor. Finalmente me lembrei de divulgar neste espaço a segunda edição desta revista eletrônica que vem ganhando leitores fiéis e adeptos a sua postura de falar de cinema com total ausência de frescuras por parte de um time de gente que realmente é apaixonada pelo assunto. Simplesmente imperdível!! E quem responder o quiz ganha uma tubaína de 2 LTS. paga pela equipe!!! hehehe.
domingo, novembro 19, 2006
PIQUENIQUE NA MONTANHA MISTERIOSA (PICNIC AT HANGING ROCK, 1975, AUS)

Hipnotizante. Memorável. Pertubardor. Esses três adjetivos se encaixam como uma luva em PIQUENIQUE NA MONTANHA MISTERIOSA, um filme que fez a crítica e o público internacional olhar para o cinema australiano com mais atenção. Fazem poucas horas que o assisti e continuo hipnotizado por aquelas belas imagens dos personagens na montanha acompanhadas pela trilha sonora inesquecível cujo tema principal é executado pelo Zamfir.
O filme trata de um misterioso acontecimento ocorrido na Austrália em 1900 durante um piqueninque organizado por um colégio interno de garotas quando quatro delas decidem conhecer uma montanha. Três não retornam conforme combinado e a restante volta gritando. A coordenadora do passeio também desaparece sem deixar vestígios. A partir daí, o espectador se sentirá um verdadeiro "voyeur" ao observar o desenrolar dos acontecimentos posteriores até a derradeira conclusão, graças ao talento de Peter Weir revelado ao mundo neste seu segundo longa-metragem. Talvez eu faça um comentário mais longo a respeito dele futuramente, mas agora não pretendo falar muita coisa para não entregar algum "spoiler" sem intenção. Se você é daquele tipo de espectador impaciente com narrativas mais densas ou estiver esperando um filme de suspense com doses cavalares de tensão, passe longe deste aqui. O filme é uma bela experiência cinematográfica construída a partir do fato real acima descrito e ponto final.
O DVD nacional está satisfatório. Ele é um disco promocional vendido nas Americanas e Carrefours da vida por 10 reais que tem também VALMONT de Milos Forman. Verdadeira pechincha para colecionadores. O filme em questão foi extraído da versão do diretor da Criterion Collection, só que com som stereo 2.0 (ao invés de 5.1 na versão original) e a imagem revela perdas de qualidade sofridas pela compressão em alguns momentos.
terça-feira, novembro 14, 2006
quarta-feira, novembro 08, 2006
REVOLVER (Idem, 2005)

"O inimigo se esconderá no último lugar em que você o procuraria."
Julius Caesar
É com essa bela citação que o tão criticado novo filme do Guy Ritchie começa. A maioria esmagadora do público e crítica o detonaram sem piedade, mas acredito que o único motivo dessa má recepção tenha sido o fato de praticamente ninguém esperar algo tão fora do lugar-comum vindo do cara que nos brindou com os divertidíssimos JOGOS, TRAPAÇAS E DOIS CANOS FUMEGANTES e SNATCH. E outra, o grande público cada vez mais tem ficado com preguiça de pensar. Tudo graças à TV e aos exemplares de cinema "fast-food" jogados toda semana nos multiplexes. Os anteriores de Ritchie, embora despretensiosos e feitos unicamente para diversão, não fazem parte dessa leva.
O filme é um passo adiante na carreira do realizador britânico. Ritchie realizou um longa ousado, diferente e complexo. Tanto que, ao contrário dos seus outros filmes, ele só tende a crescer depois de uma revisão. Produzido por Luc Besson, REVOLVER acompanha o golpista Jake Green (Jason Statham, em seu melhor desempenho) após a sua saída da cadeia, onde passou sete anos de reclusão por causa de um incidente acontecido quando jogava cartas para Macha (Ray Liotta, demais!), líder da jogatina na cidade e chefe do crime. Três anos depois, o protagonista e seu grupo vai ao cassino do poderoso gangster com a intenção de arrancar uma boa quantidade de grana dele. E conseguem levar milhões da mesa de jogos...
Prefiro não entrar em maiores detalhes sobre o que acontece a seguir, mas Jake acaba envolvido com uma dupla misteriosa. Zach (Vincent Pastore, da série FAMÍLIA SOPRANO e OS BONS COMPANHEIROS) e Avi (André Benjamin, do grupo musical Outkast, que não deixa a desejar no seu papel) o comunicam de que ele apenas tem três dias de vida e que só irão ajudá-lo a acabar com Macha se todo o seu dinheiro lhes for repassado. Jake não leva aquilo a sério e começa a visitar vários médicos que confirmam aquilo que foi dito pelos dois sujeitos nada amigáveis. Acuado, o golpista deverá tomar uma decisão.
Devo estar procurando pêlo em casca de ovo, pois penso que REVOLVER possa ser considerado uma obra de arte. Nunca imaginava a quantidade de momentos que ficariam grudados na minha cabeça dias depois de tê-lo assistido. Dentre eles, há a queda nos degraus de uma pequena escada ao som da clássica "Lacrimosa" composta por Mozart (que por sinal toca na genial e brilhante montagem final de VÁ E VEJA, filme que batizou este blog), a situação desesperadora pela qual um dos personagens passa debaixo da mesa de um restaurante (PQP, que agonia!!) e tudo que é passado por Jake e Macha quando o primeiro invade a privacidade do sono do último. As atuações de Statham e Liotta estão impagáveis nessa cena, principalmente Liotta. Já Mark Strong se destaca entre os coadjuvantes, seria difícil até de dar mais atenção aos próprios protagonistas caso o seu Sorter - um respeitado assassino profissional - tivesse um tempo maior em cena. Mas pode-se dizer que Strong acabou sendo presenteado pelo roteiro de Ritchie (cujos diálogos continuam divertidos e afiados) por participar em algumas das melhores seqüências do filme.
Finalizando, recomendo REVOLVER já sabendo que se trata de uma recomendação difícil de ser feita pela reviravolta geral que ocorre na sua estrutura quando o filme chega perto do final. A minha surpresa maior foi ver Guy Ritchie se utilizar desta vez do seu estilo narrativo, personagens tronchos e de uma traminha aparentemente simples de jogos e trapaças para transmitir algo além de diversão ao espectador. Valeu a pena.
terça-feira, novembro 07, 2006
É sexta-feira...

Não consigo mais evitar tamanha ansiedade e saibam que estou contando os dias pra chegar logo o final de semana! Também não é para menos, Martin Scorsese finalmente deixou qualquer outro tipo de história de lado e voltou a mostrar interesse no cinema policial, que é o gênero onde ele se dá melhor. OS INFILTRADOS deve ser um programa, no mínimo, imperdível para qualquer cinéfilo que se preze.
sexta-feira, novembro 03, 2006
Uma Homenagem


Se Charles Bronson estivesse vivo hoje, completaria 85 anos de idade. Marcelo Nova (se não me engano...) disse: "Quando Charles Bronson morreu, o mundo ficou mais gay". Preciso dizer que assino embaixo?
segunda-feira, outubro 30, 2006
Weird Al - Smells Like Nirvana
Tá difícil de arranjar mais tempo para escrever melhor sobre alguns filmes que curti muito ter visto nessas duas últimas semanas deste mês de outubro. Também aconteceram algumas coisinhas nada legais comigo (problemas pessoais, assalto à mão armada...) que deixam qualquer pessoa um tanto chateada por dentro e sem muita vontade de fazer algo além de tentar se distrair ao máximo. No meu caso, cinema, música e literatura se tornam santos remédios, principalmente o primeiro hehe. Só nesse final de semana, vi 5 filmes: REVOLVER (o novo de Guy Ritchie), OS FUGITIVOS, DESTRUCTION FORCE, MATADORES DE VELHINHA e ILS. Os que mais gostei foram o primeiro, o terceiro e o último.
Espero que essa semana dê uma desafogada de ritmo e seja melhor. É trampo de manhã à noite, faculdade, trabalhos para entregar a professores... aí o blog fica sendo prejudicado de atualizações mais constantes. O pouco tempo livre que tenho na Internet durante a semana acaba sendo dedicado na resposta de e-mails e scraps via orkut.
Só para não deixar os visitantes que acessam aqui todo dia sem diversão, posto essa hilária e clássica paródia do clipe de Smells Like Teen Spirit do Nirvana feita pelo genial Weird Al Yankovic. Abraços a todos.
quarta-feira, outubro 25, 2006
PARTE 1: ENTREVISTA TERENCE HILL E BUD SPENCER
Aqui fica essa homenagem a dois atores que fizeram e continuam fazendo parte da infância de várias gerações.
Agradecimentos a Marcelo Andreazza pelos links.
sexta-feira, outubro 20, 2006
DVD'S de Terror e Suspense

ESCURIDÃO (The Dark, 2005) - Esse filme dividiu opiniões quando foi lançado nos cinemas em meados de janeiro / fevereiro deste ano. ESCURIDÃO é dirigido pelo John Fawcett do elogiado POSSUÍDA. A produção tem o País de Gales como cenário (o que ajudou na atmosfera) e Maria Bello e Sean Bean como protagonistas. A falta de originalidade não o ajuda muito, pois ele dá uma chupinhada legal no cinema de terror asiático. Até nos remakes, tem uma cena de suicídio que apresenta um enquadramento praticamente idêntico ao que aparece no vídeo macabro de O CHAMADO. Eu gosto da Maria Bello, mas outro porém do filme é que nem a trama principal e nem a sua personagem me envolveram o bastante. Deve haver algo errado em qualquer história onde você não consegue se importar muito com uma mãe cuja filha desaparece subitamente. Talvez o reveja ano que vem.

CRY_WOLF - O JOGO DA MENTIRA (Cry_Wolf, 2005) - Antes de me concentrar nos lançamentos DTV (direct-to-video), falo deste terror "teen" que tinha tudo para ser muito ruim. Vamos em partes. Elenco adolescente recheado de "baby-faces", censura PG-13 nos Estados Unidos, participação de Jon Bon Jovi. Horripilante, não é? Acabei o encarando numa tentativa de matar um tempinho no último feriadão e não é que ele funciona bem como rápido passatempo? Lógico que esse filminho com uma trama até previsível não é grande coisa, mas pelo menos é assistível, diferentemente daqueles "EU SEI ONDE VOCÊ DEU UMA CAGADA NO VERÃO PASSADO" etc e etc. Uma coisa bacana é que ele custou apenas 1 milhão de dólares e fez um relativo sucesso internacional. O curta MANUAL LABOR, do mesmo diretor Jeff Wadlow, é bem legal e está disponível como extra. Pena que nem o making-off e nem o elogiado curta anterior THE TOWER OF BABBLE, com narração de Kevin Spacey, não estejam no disco nacional.

MISTÉRIO NO LAGO (Beneath Still Waters, 2005) - Esculacharam tanto, tanto, tanto esse novo trabalho do Brian Yuzna para a sua Fantastic Factory que quando acabei de assistir achei qualidades nele. O elenco é bem fraco e os seus sotaques acabam até divertidos (a maioria dos atores são espanhóis, incluindo a sumida Diana Peñalver, de FOME ANIMAL, num papel pequeno), só que o filme tem uns pequenos momentos isolados que o colocam um pouquinho acima da média dos filmecos de terror padrão que infestam as locadoras. É aquilo... tinha 90 minutos livres e esse MISTÉRIO NO LAGO que o povo esculhambava tava dando sopa na prateleira, resolvi assistir e achei razoável. Yuzna é capaz de fazer melhor (vide o ótimo SOCIETY e o divertidíssimo O DENTISTA), mas as distribuidoras ainda lançam e continuam lançando filmes bem piores do que este. Gostei de algumas mortes, como a de um dos dois garotinhos do início do filme que tem o seu crânio aberto pelas mãos do vilão canastra na sua boca.

MONSTER MAN (Idem, 2003) - Se você curte filmes de terror em geral e uma boa comédia besteirol, pegue esse daqui sem qualquer preocupação. Dirigido e roteirizado por Michael Davis, o filme é perfeito para uma descompromissada sessão de domingo à tarde e agrada bastante como passatempo. A trama de MONSTER MAN é uma mistureba de OLHOS FAMINTOS + ENCURRALADO + MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA e os seus protagonistas aquela típica dupla de marmanjos que só pensam em sexo. O filme brinca com vários clichês do gênero, mas não deixa de roubar a nossa atenção toda vez que a troncha figura do título pode aparecer com a sua caranga. A diversão está garantida e, mesmo demorando para aparecer, o gore também é bacana. Recomendado. Dos visitantes que postam aqui regularmente, acredito que Bruno C. Martino, Fernando Vasconcelos e Luiz Alexandre irão curtir muito o filme.
O mais legal é que assisti a todos em companhia de membros da minha família, o último foi com o meu irmão Anderson e o restante com o meu grande parceiro de sessões caseiras, o meu pai Osvaldão, que também viu ABISMO DO MEDO e outros filminhos leves comigo hehe.
terça-feira, outubro 17, 2006
segunda-feira, outubro 16, 2006
CIDADE VIOLENTA (Città Violenta, 1970)

Eu tinha me programado para assistir HARD CANDY e DÁLIA NEGRA neste feriadão, mas acabei surpreendido com a retirada do primeiro de cartaz logo na última quinta-feira, apenas 7 dias depois da sua estréia numa única sala de um dos multiplexes de Recife. Assisti ao novo trabalho do Brian De Palma no último sábado e uma decepção acabou sendo inevitável. Afinal, DÁLIA NEGRA foi, simplesmente, o meu primeiro De Palma numa sala de cinema. Ia comentá-lo agora se eu não tivesse assistido depois a esse belo exercício cinematográfico do Sergio Sollima com o grande Charles Bronson. Além do eterno Paul Kersey, CIDADE VIOLENTA também tem Jill Ireland, que foi o maior amor da vida de Bronson, e Telly Savalas se divertindo como um poderoso chefão do crime.
Só o início é matador. Os créditos de abertura são compostos em sua maioria por "fotos" tiradas de Jeff (Charles Bronson) enquanto passeia em companhia da sua amante Vanessa (Jill Ireland) ao som de mais outra impagável música-tema composta por Ennio Morricone, que teve marcante parceria com Sollima e define a atmosfera pessimista e densa do longa. Logo após, os dois personagens sofrem uma tensa perseguição a carro, num dos vários momentos memoráveis da produção. Depois de tudo, Jeff se vê preso e vítima de uma covarde traição. Vemos através de "flashbacks" que ele é um assassino profissional e que foi traído por Vanessa e um milionário chamado Coogan. O seu desejo de vingança aumenta a cada dia que passa e assim que sai da cadeia, ele vai atrás de informações para punir pessoalmente os traidores.
Serei direto. CIDADE VIOLENTA é daqueles filmes com tramas simplórias e até previsíveis, mas o que faz a diferença neles é como o diretor conduz o material. Só esse ano tivemos MIAMI VICE como exemplo dessa linha, onde Michael Mann nos deixa grudados na cadeira com alguns dos melhores planos e tiroteios urbanos do cinema recente. Sendo assim, CIDADE VIOLENTA é de fundamental importância na carreira de Bronson por ser um dos seus primeiros títulos onde ele encarna um vingador determinado. Outra coisa que me fez dar mais pontos ao filme é que não tem nenhuma alma bondosa e digna de pena ou simpatia nele. Como exemplo, dou o próprio protagonista que se mostra um completo FDP muitas vezes. É por isso que acabo gostando da maioria dos policiais e faroestes italianos, pois eles eram os melhores em lidar com esse tipo de personagem.
Charles Bronson foi muito bem escolhido para interpretar Jeff, um sujeito frio e de poucas palavras. Já a bela Jill Ireland não convence como uma "femme fatale" e Telly Savalas tem menos tempo em cena do que o esperado. Aliás, foi a partir da aparição do famoso intérprete de KOJAK que passei a perder interesse no filme. Uma pena, já que a primeira metade de CIDADE VIOLENTA pode ser considerada uma aula de cinema. Basta dizer que não há nenhum diálogo nos primeiros 10 minutos e que me faltam palavras para dizer o quanto a cena passada numa pista de corridas é fantástica. Sollima acabou virando um dos meus diretores prediletos graças a este e O DIA DA DESFORRA, sendo que aqui ele imprime um estilo mais seco e pesado. O silencioso final reservado a dois dos personagens dentro de um elevador também é uma coisa linda e inesperada. Coisa de quem sabe mesmo e adora fazer cinema.
De negativas, o confronto entre Bronson e Savalas decepciona e algumas cenas são mais longas do que o necessário. Mas fiquei feliz em finalmente assistir CIDADE VIOLENTA com excelente qualidade de imagem em widescreen num DVD comprado por 10 reais naqueles balaios de magazines. Apesar de não contar com os extras da edição da Anchor Bay, o DVD nacional da Spectra Nova (intitulado VIOLENT CITY) é uma aquisição válida na coleção de qualquer fã de cinema policial europeu e de Charles Bronson. O áudio no disco é mono, alternando entre o idioma inglês e italiano, pelo fato da cópia ser restaurada e integral.
PS1: O roteiro é escrito a 8 mãos!! Entre elas, Sollima e a cineasta Lina Wertmüller.
PS2: Alguém sabe se aquela aranha da cena da cadeia é real ou não? Se for mecânica, é uma das melhores que eu já vi.
sexta-feira, outubro 13, 2006
quarta-feira, outubro 11, 2006
terça-feira, outubro 03, 2006
VAMPIRE'S KISS
Uma montagem feita em homenagem ao filme VAMPIRE'S KISS, lançado aqui no Brasil como UM ESTRANHO VAMPIRO, achada no YouTube pelo amigo Fernando Vasconcelos. Tive de ir no IMDb pra checar se ele era mesmo dos anos 80, pois este é um dos filmes mais divertidos de tão tronchos que tive a chance de assistir. Nicolas Cage foi muito bem escolhido para compor o demente protagonista que acredita ter sido mordido por uma vampira (Jennifer Beals, de FLASHDANCE, hoje sumida).
O filme é uma comédia de humor negríssimo que culmina num final inacreditável. Nicolas Cage tem aqui um dos seus melhores desempenhos, onde manda ver no "over-acting" que é muito bem vindo para um personagem extremamente perturbado como aquele. Cage faz de tudo pelo seu personagem, inclusive comer uma barata viva!! VAMPIRE'S KISS merece muito ser lançado em DVD, principalmente naqueles balaios das Lojas Americanas e Carrefour hehe. Quero muito revê-lo algum dia.
PS: Se você ainda não assistiu ao filme, recomendo não ver o vídeo.
segunda-feira, outubro 02, 2006
Notícias nem tão novas assim....
- Vocês se lembram que o diretor medíocre Uwe Boll (de HOUSE OF THE DEAD, ALONE IN THE DARK e BLOODRAYNE, esse último já comentado aqui) desafiou alguns dos seus críticos e até usuários do fórum do iMDB para uma luta de boxe?? As lutas seriam filmadas e utilizadas no seu novo filme POSTAL, baseado no videogame homônimo. Simplesmente, Boll acabou ganhando todas elas!!
Confiram o link que inclui um vídeo para maiores informações: http://www.aintitcool.com/node/30194
- Joan Chen e Tony Leung estarão no novo filme de Ang Lee, um drama de guerra passado em Shanghai intitulado SE JIE. O título americano da produção é LUST, CAUTION.
- E finalizando com chave de ouro, vim aqui editar esse post só para divulgar que a revista eletrônica e mensal de cinema ZINGU! já pode ser acessada desde ontem. O conteúdo de alta qualidade é garatido pelo jovem cinéfilo paulista Matheus Trunk e colaboradores do nível de Andrea Ormond, Marcelo Carrard e outros nomes notáveis do universo blogueiro. Vale e muito a pena visitá-la.
domingo, outubro 01, 2006
NAS GARRAS DO CRIME (Wild Side, 1995)

Antes de começar, devo dizer que estou comentando a edição brasileira em DVD da D+T Editora (lançada em 2003, acredito) que usa a VHS da Sunset Filmes como matriz. Portanto, o filme é apresentado com imagem em tela cheia, legendas embutidas e boa qualidade de som. É uma pena que oficialmente nós não possamos escolher entre a versão de 96 minutos - a comentada aqui - e a do diretor (feita a partir de anotações e observações de Donald Cammell pelo editor e amigo Frank Mazzola) que tem 111 minutos pelo fato desta nunca ter sido lançada no nosso país. Do jeito que está, LADO SELVAGEM - isso mesmo, eu sou chato e não vou usar aquele título chumbrega!! - é um filme com desenvolvimento e narrativa confusas que só pode ser recomendável para quem queira conhecer algo de Donald Cammell (assinando aqui com o pseudônimo Franklin Brauner), assistir a famosa cena de lesbianismo entre Anne Heche e Joan Chen (lógico!!) e pelas atuações do bom elenco, que também conta com Christopher Walken e Steven Bauer.
Infelizmente, sabe-se que Donald Cammell cometeu suicídio pouco tempo depois do lançamento deste filme. Muitos acreditam que a briga com os produtores - que demitiram Frank Mazzola (apesar do nome dele continuar nos créditos) e reeditaram tudo ao seu jeito - tenha sido o principal motivo deste lamentável fato. A Nu Image queria aproveitar a polêmica levantada pelo relacionamento amoroso entre Anne Heche e a Ellen DeGeneres na época, pois LADO SELVAGEM, segundo eles, era um tedioso "filme de arte". Apesar dessa versão não ser a ideal, penso que um pouco do que Cammell queria passar ao espectador está presente. Também nota-se que o improviso rola solto nas interpretações em algumas cenas e ele faz com que Walken entregue uma das suas falas mais memoráveis: "You know what you get for rape? Ten years in a cell! With a gorilla! With a PSYCHO gorilla!"

Gostaria muito de conhecer a versão do diretor, porque a edição oficial só não é um típico filmeco de Cine Privé por causa dos motivos já citados no primeiro parágrafo. Há ainda outra cena memorável (a primeira é a da foto acima hehe) pela sua tremenda insanidade protagonizada por Walken e Bauer. Esse último foi muito bem escalado e Bruno Buckingham é um dos tipos mais dementes da galeria de personagens esquisitos da filmografia de Christopher Walken, que deve estar ainda melhor na "director's cut".
quarta-feira, setembro 27, 2006
O DIA DA DESFORRA (La Resa dei Conti, 1966)
2006 está sendo bem positivo para mim, como fã de cinema. Apesar de não ter curtido tanto os lançamentos nos cinemas como no ano passado, eu estou vendo vários filmes bacanas que sequer tinha idéia de que seriam tão legais e outros queria conferir faz um bom tempo. TRAGAM-ME A CABEÇA DE ALFREDO GARCIA foi um deles e nesse último final de semana tive o grande prazer de assistir O DIA DA DESFORRA, um clássico dos faroestes italianos dirigido pelo talentosíssimo Sergio Sollima.
Preciso urgentemente ver mais filmes deste diretor. Só me lembro de ter visto FACE A FACE há exatos 7 anos atrás numa cópia em VHS dublada e com fullscreen assassino da Reserva Especial. Isso não me impediu de ficar impressionado com a grande mudança de comportamento sofrida pelo personagem do excelente Gian Maria Volonté. Ele deve mesmo ser um filmaço, como os amigos Otavio Pereira e Heraclito Maia fazem questão de afirmar. Aliás, Heraclito batizou o seu querido Blog da Desforra em homenagem a este filme que aqui comento e foi através do Otavio no Cineitalia que adquiri uma cópia dele em DVD-R.
A trama principal de O DIA DA DESFORRA tem início quando Jonathan Corbett (Lee Van Cleef), um famoso caçador de recompensas com aspirações políticas, que topa de imediato perseguir um exímio atirador de facas mexicano Cuchillo Sanchez (Tomas Milian, simplesmente maravilhoso), quando passa a saber numa típica festa da alta sociedade local patrocinada por Brockston (Walter Barnes) que o sujeito é acusado de violentar e matar uma menina de 12 anos. Cuchillo não se demonstra nada difícil de ser encontrado, só que ele sempre arranja uma maneira de fugir por causa da sua invejável esperteza, enquanto Corbett continua tentando botar as mãos nele.
Lee Van Cleef é o primeiro nome do elenco e está muito bem interpretando Corbett, um dos ótimos papéis que justificam a predileção deste ator em continuar trabalhando na Itália, mas o filme é mesmo de Tomas Milian. O cubano encarna Cuchillo com uma bela e inesquecível desenvoltura em sua atuação. Não consigo nem imaginar alguém compondo melhor esse ótimo e ambíguo personagem. O sujeito é tão carismático e palhaço que o espectador fica indeciso se torce para ele ser pego ou não, mesmo sendo acusado de um crime tão hediondo. Eu já era fã do Tomas Milian antes e agora fiquei mais ainda ao vê-lo neste que foi o papel que o consagrou.
Além de ser um programaço para qualquer fã de bangue-bangue italiano que irá reconhecer faces familiares dos filmes do período (Gerard Herter, Fernando Sancho, Nello Pazzafini, Benito Stefanelli e Lorenzo Robledo), O DIA DA DESFORRA também possui uma grande e válida crítica aos valores sociais daquela época que é feita sem prejudicar o entretenimento. Os vários momentos antológicos como a rápida estadia de Cuchillo na fazenda de uma viúva cobiçada pelos seus capangas, a "picada" da cobra e os duelos finais conseguem ficar ainda mais memoráveis por terem a marcante trilha do genial Ennio Morricone, que faz uso de "Pour Elise" composta por Beethoven num deles. Não se deve deixar de assistí-lo em widescreen, porque a condução de Sergio Sollima é bem auxiliada pela cinematografia de Carlo Carlini, que apresenta belíssimos ângulos e enquadramentos. O DIA DA DESFORRA é um ótimo filme que merece ser mais conhecido e tenho certeza de que gostarei mais dele quando o rever por causa da riqueza dos seus detalhes. Só não dou nota 10 para ele, pois preferia que a duração fosse maior hehehe.
OBS: Caso o visitante não tenha notado, mais links de blogs foram adicionados ao lado e acabei de colocar o tema completo do filme O RETORNO DE RINGO em MP3 no post do meu comentário sobre o mesmo.
