terça-feira, novembro 14, 2006

quarta-feira, novembro 08, 2006

REVOLVER - CENA DO RESTAURANTE

REVOLVER (Idem, 2005)


"O inimigo se esconderá no último lugar em que você o procuraria."

Julius Caesar


É com essa bela citação que o tão criticado novo filme do Guy Ritchie começa. A maioria esmagadora do público e crítica o detonaram sem piedade, mas acredito que o único motivo dessa má recepção tenha sido o fato de praticamente ninguém esperar algo tão fora do lugar-comum vindo do cara que nos brindou com os divertidíssimos JOGOS, TRAPAÇAS E DOIS CANOS FUMEGANTES e SNATCH. E outra, o grande público cada vez mais tem ficado com preguiça de pensar. Tudo graças à TV e aos exemplares de cinema "fast-food" jogados toda semana nos multiplexes. Os anteriores de Ritchie, embora despretensiosos e feitos unicamente para diversão, não fazem parte dessa leva.

O filme é um passo adiante na carreira do realizador britânico. Ritchie realizou um longa ousado, diferente e complexo. Tanto que, ao contrário dos seus outros filmes, ele só tende a crescer depois de uma revisão. Produzido por Luc Besson, REVOLVER acompanha o golpista Jake Green (Jason Statham, em seu melhor desempenho) após a sua saída da cadeia, onde passou sete anos de reclusão por causa de um incidente acontecido quando jogava cartas para Macha (Ray Liotta, demais!), líder da jogatina na cidade e chefe do crime. Três anos depois, o protagonista e seu grupo vai ao cassino do poderoso gangster com a intenção de arrancar uma boa quantidade de grana dele. E conseguem levar milhões da mesa de jogos...

Prefiro não entrar em maiores detalhes sobre o que acontece a seguir, mas Jake acaba envolvido com uma dupla misteriosa. Zach (Vincent Pastore, da série FAMÍLIA SOPRANO e OS BONS COMPANHEIROS) e Avi (André Benjamin, do grupo musical Outkast, que não deixa a desejar no seu papel) o comunicam de que ele apenas tem três dias de vida e que só irão ajudá-lo a acabar com Macha se todo o seu dinheiro lhes for repassado. Jake não leva aquilo a sério e começa a visitar vários médicos que confirmam aquilo que foi dito pelos dois sujeitos nada amigáveis. Acuado, o golpista deverá tomar uma decisão.

Devo estar procurando pêlo em casca de ovo, pois penso que REVOLVER possa ser considerado uma obra de arte. Nunca imaginava a quantidade de momentos que ficariam grudados na minha cabeça dias depois de tê-lo assistido. Dentre eles, há a queda nos degraus de uma pequena escada ao som da clássica "Lacrimosa" composta por Mozart (que por sinal toca na genial e brilhante montagem final de VÁ E VEJA, filme que batizou este blog), a situação desesperadora pela qual um dos personagens passa debaixo da mesa de um restaurante (PQP, que agonia!!) e tudo que é passado por Jake e Macha quando o primeiro invade a privacidade do sono do último. As atuações de Statham e Liotta estão impagáveis nessa cena, principalmente Liotta. Já Mark Strong se destaca entre os coadjuvantes, seria difícil até de dar mais atenção aos próprios protagonistas caso o seu Sorter - um respeitado assassino profissional - tivesse um tempo maior em cena. Mas pode-se dizer que Strong acabou sendo presenteado pelo roteiro de Ritchie (cujos diálogos continuam divertidos e afiados) por participar em algumas das melhores seqüências do filme.

Finalizando, recomendo REVOLVER já sabendo que se trata de uma recomendação difícil de ser feita pela reviravolta geral que ocorre na sua estrutura quando o filme chega perto do final. A minha surpresa maior foi ver Guy Ritchie se utilizar desta vez do seu estilo narrativo, personagens tronchos e de uma traminha aparentemente simples de jogos e trapaças para transmitir algo além de diversão ao espectador. Valeu a pena.

terça-feira, novembro 07, 2006

É sexta-feira...


Não consigo mais evitar tamanha ansiedade e saibam que estou contando os dias pra chegar logo o final de semana! Também não é para menos, Martin Scorsese finalmente deixou qualquer outro tipo de história de lado e voltou a mostrar interesse no cinema policial, que é o gênero onde ele se dá melhor. OS INFILTRADOS deve ser um programa, no mínimo, imperdível para qualquer cinéfilo que se preze.

sexta-feira, novembro 03, 2006

Uma Homenagem



Se Charles Bronson estivesse vivo hoje, completaria 85 anos de idade. Marcelo Nova (se não me engano...) disse: "Quando Charles Bronson morreu, o mundo ficou mais gay". Preciso dizer que assino embaixo?

segunda-feira, outubro 30, 2006

Weird Al - Smells Like Nirvana



Tá difícil de arranjar mais tempo para escrever melhor sobre alguns filmes que curti muito ter visto nessas duas últimas semanas deste mês de outubro. Também aconteceram algumas coisinhas nada legais comigo (problemas pessoais, assalto à mão armada...) que deixam qualquer pessoa um tanto chateada por dentro e sem muita vontade de fazer algo além de tentar se distrair ao máximo. No meu caso, cinema, música e literatura se tornam santos remédios, principalmente o primeiro hehe. Só nesse final de semana, vi 5 filmes: REVOLVER (o novo de Guy Ritchie), OS FUGITIVOS, DESTRUCTION FORCE, MATADORES DE VELHINHA e ILS. Os que mais gostei foram o primeiro, o terceiro e o último.

Espero que essa semana dê uma desafogada de ritmo e seja melhor. É trampo de manhã à noite, faculdade, trabalhos para entregar a professores... aí o blog fica sendo prejudicado de atualizações mais constantes. O pouco tempo livre que tenho na Internet durante a semana acaba sendo dedicado na resposta de e-mails e scraps via orkut.

Só para não deixar os visitantes que acessam aqui todo dia sem diversão, posto essa hilária e clássica paródia do clipe de Smells Like Teen Spirit do Nirvana feita pelo genial Weird Al Yankovic. Abraços a todos.

quarta-feira, outubro 25, 2006

PARTE 1: ENTREVISTA TERENCE HILL E BUD SPENCER



Aqui fica essa homenagem a dois atores que fizeram e continuam fazendo parte da infância de várias gerações.

Agradecimentos a Marcelo Andreazza pelos links.

PARTE 2: ENTREVISTA TERENCE HILL E BUD SPENCER

sexta-feira, outubro 20, 2006

DVD'S de Terror e Suspense


ESCURIDÃO (The Dark, 2005) - Esse filme dividiu opiniões quando foi lançado nos cinemas em meados de janeiro / fevereiro deste ano. ESCURIDÃO é dirigido pelo John Fawcett do elogiado POSSUÍDA. A produção tem o País de Gales como cenário (o que ajudou na atmosfera) e Maria Bello e Sean Bean como protagonistas. A falta de originalidade não o ajuda muito, pois ele dá uma chupinhada legal no cinema de terror asiático. Até nos remakes, tem uma cena de suicídio que apresenta um enquadramento praticamente idêntico ao que aparece no vídeo macabro de O CHAMADO. Eu gosto da Maria Bello, mas outro porém do filme é que nem a trama principal e nem a sua personagem me envolveram o bastante. Deve haver algo errado em qualquer história onde você não consegue se importar muito com uma mãe cuja filha desaparece subitamente. Talvez o reveja ano que vem.


CRY_WOLF - O JOGO DA MENTIRA (Cry_Wolf, 2005) - Antes de me concentrar nos lançamentos DTV (direct-to-video), falo deste terror "teen" que tinha tudo para ser muito ruim. Vamos em partes. Elenco adolescente recheado de "baby-faces", censura PG-13 nos Estados Unidos, participação de Jon Bon Jovi. Horripilante, não é? Acabei o encarando numa tentativa de matar um tempinho no último feriadão e não é que ele funciona bem como rápido passatempo? Lógico que esse filminho com uma trama até previsível não é grande coisa, mas pelo menos é assistível, diferentemente daqueles "EU SEI ONDE VOCÊ DEU UMA CAGADA NO VERÃO PASSADO" etc e etc. Uma coisa bacana é que ele custou apenas 1 milhão de dólares e fez um relativo sucesso internacional. O curta MANUAL LABOR, do mesmo diretor Jeff Wadlow, é bem legal e está disponível como extra. Pena que nem o making-off e nem o elogiado curta anterior THE TOWER OF BABBLE, com narração de Kevin Spacey, não estejam no disco nacional.


MISTÉRIO NO LAGO (Beneath Still Waters, 2005) - Esculacharam tanto, tanto, tanto esse novo trabalho do Brian Yuzna para a sua Fantastic Factory que quando acabei de assistir achei qualidades nele. O elenco é bem fraco e os seus sotaques acabam até divertidos (a maioria dos atores são espanhóis, incluindo a sumida Diana Peñalver, de FOME ANIMAL, num papel pequeno), só que o filme tem uns pequenos momentos isolados que o colocam um pouquinho acima da média dos filmecos de terror padrão que infestam as locadoras. É aquilo... tinha 90 minutos livres e esse MISTÉRIO NO LAGO que o povo esculhambava tava dando sopa na prateleira, resolvi assistir e achei razoável. Yuzna é capaz de fazer melhor (vide o ótimo SOCIETY e o divertidíssimo O DENTISTA), mas as distribuidoras ainda lançam e continuam lançando filmes bem piores do que este. Gostei de algumas mortes, como a de um dos dois garotinhos do início do filme que tem o seu crânio aberto pelas mãos do vilão canastra na sua boca.


MONSTER MAN (Idem, 2003) - Se você curte filmes de terror em geral e uma boa comédia besteirol, pegue esse daqui sem qualquer preocupação. Dirigido e roteirizado por Michael Davis, o filme é perfeito para uma descompromissada sessão de domingo à tarde e agrada bastante como passatempo. A trama de MONSTER MAN é uma mistureba de OLHOS FAMINTOS + ENCURRALADO + MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA e os seus protagonistas aquela típica dupla de marmanjos que só pensam em sexo. O filme brinca com vários clichês do gênero, mas não deixa de roubar a nossa atenção toda vez que a troncha figura do título pode aparecer com a sua caranga. A diversão está garantida e, mesmo demorando para aparecer, o gore também é bacana. Recomendado. Dos visitantes que postam aqui regularmente, acredito que Bruno C. Martino, Fernando Vasconcelos e Luiz Alexandre irão curtir muito o filme.

O mais legal é que assisti a todos em companhia de membros da minha família, o último foi com o meu irmão Anderson e o restante com o meu grande parceiro de sessões caseiras, o meu pai Osvaldão, que também viu ABISMO DO MEDO e outros filminhos leves comigo hehe.

terça-feira, outubro 17, 2006

segunda-feira, outubro 16, 2006

CIDADE VIOLENTA (Città Violenta, 1970)


Eu tinha me programado para assistir HARD CANDY e DÁLIA NEGRA neste feriadão, mas acabei surpreendido com a retirada do primeiro de cartaz logo na última quinta-feira, apenas 7 dias depois da sua estréia numa única sala de um dos multiplexes de Recife. Assisti ao novo trabalho do Brian De Palma no último sábado e uma decepção acabou sendo inevitável. Afinal, DÁLIA NEGRA foi, simplesmente, o meu primeiro De Palma numa sala de cinema. Ia comentá-lo agora se eu não tivesse assistido depois a esse belo exercício cinematográfico do Sergio Sollima com o grande Charles Bronson. Além do eterno Paul Kersey, CIDADE VIOLENTA também tem Jill Ireland, que foi o maior amor da vida de Bronson, e Telly Savalas se divertindo como um poderoso chefão do crime.

Só o início é matador. Os créditos de abertura são compostos em sua maioria por "fotos" tiradas de Jeff (Charles Bronson) enquanto passeia em companhia da sua amante Vanessa (Jill Ireland) ao som de mais outra impagável música-tema composta por Ennio Morricone, que teve marcante parceria com Sollima e define a atmosfera pessimista e densa do longa. Logo após, os dois personagens sofrem uma tensa perseguição a carro, num dos vários momentos memoráveis da produção. Depois de tudo, Jeff se vê preso e vítima de uma covarde traição. Vemos através de "flashbacks" que ele é um assassino profissional e que foi traído por Vanessa e um milionário chamado Coogan. O seu desejo de vingança aumenta a cada dia que passa e assim que sai da cadeia, ele vai atrás de informações para punir pessoalmente os traidores.

Serei direto. CIDADE VIOLENTA é daqueles filmes com tramas simplórias e até previsíveis, mas o que faz a diferença neles é como o diretor conduz o material. Só esse ano tivemos MIAMI VICE como exemplo dessa linha, onde Michael Mann nos deixa grudados na cadeira com alguns dos melhores planos e tiroteios urbanos do cinema recente. Sendo assim, CIDADE VIOLENTA é de fundamental importância na carreira de Bronson por ser um dos seus primeiros títulos onde ele encarna um vingador determinado. Outra coisa que me fez dar mais pontos ao filme é que não tem nenhuma alma bondosa e digna de pena ou simpatia nele. Como exemplo, dou o próprio protagonista que se mostra um completo FDP muitas vezes. É por isso que acabo gostando da maioria dos policiais e faroestes italianos, pois eles eram os melhores em lidar com esse tipo de personagem.

Charles Bronson foi muito bem escolhido para interpretar Jeff, um sujeito frio e de poucas palavras. Já a bela Jill Ireland não convence como uma "femme fatale" e Telly Savalas tem menos tempo em cena do que o esperado. Aliás, foi a partir da aparição do famoso intérprete de KOJAK que passei a perder interesse no filme. Uma pena, já que a primeira metade de CIDADE VIOLENTA pode ser considerada uma aula de cinema. Basta dizer que não há nenhum diálogo nos primeiros 10 minutos e que me faltam palavras para dizer o quanto a cena passada numa pista de corridas é fantástica. Sollima acabou virando um dos meus diretores prediletos graças a este e O DIA DA DESFORRA, sendo que aqui ele imprime um estilo mais seco e pesado. O silencioso final reservado a dois dos personagens dentro de um elevador também é uma coisa linda e inesperada. Coisa de quem sabe mesmo e adora fazer cinema.

De negativas, o confronto entre Bronson e Savalas decepciona e algumas cenas são mais longas do que o necessário. Mas fiquei feliz em finalmente assistir CIDADE VIOLENTA com excelente qualidade de imagem em widescreen num DVD comprado por 10 reais naqueles balaios de magazines. Apesar de não contar com os extras da edição da Anchor Bay, o DVD nacional da Spectra Nova (intitulado VIOLENT CITY) é uma aquisição válida na coleção de qualquer fã de cinema policial europeu e de Charles Bronson. O áudio no disco é mono, alternando entre o idioma inglês e italiano, pelo fato da cópia ser restaurada e integral.

PS1: O roteiro é escrito a 8 mãos!! Entre elas, Sollima e a cineasta Lina Wertmüller.

PS2: Alguém sabe se aquela aranha da cena da cadeia é real ou não? Se for mecânica, é uma das melhores que eu já vi.

sexta-feira, outubro 13, 2006

quarta-feira, outubro 11, 2006

terça-feira, outubro 03, 2006

VAMPIRE'S KISS



Uma montagem feita em homenagem ao filme VAMPIRE'S KISS, lançado aqui no Brasil como UM ESTRANHO VAMPIRO, achada no YouTube pelo amigo Fernando Vasconcelos. Tive de ir no IMDb pra checar se ele era mesmo dos anos 80, pois este é um dos filmes mais divertidos de tão tronchos que tive a chance de assistir. Nicolas Cage foi muito bem escolhido para compor o demente protagonista que acredita ter sido mordido por uma vampira (Jennifer Beals, de FLASHDANCE, hoje sumida).

O filme é uma comédia de humor negríssimo que culmina num final inacreditável. Nicolas Cage tem aqui um dos seus melhores desempenhos, onde manda ver no "over-acting" que é muito bem vindo para um personagem extremamente perturbado como aquele. Cage faz de tudo pelo seu personagem, inclusive comer uma barata viva!! VAMPIRE'S KISS merece muito ser lançado em DVD, principalmente naqueles balaios das Lojas Americanas e Carrefour hehe. Quero muito revê-lo algum dia.

PS: Se você ainda não assistiu ao filme, recomendo não ver o vídeo.

segunda-feira, outubro 02, 2006

Notícias nem tão novas assim....

Resolvi postá-las aqui porque pode ter alguém que, assim como eu há pouquíssimos dias, ainda não saiba.

- Vocês se lembram que o diretor medíocre Uwe Boll (de HOUSE OF THE DEAD, ALONE IN THE DARK e BLOODRAYNE, esse último já comentado aqui) desafiou alguns dos seus críticos e até usuários do fórum do iMDB para uma luta de boxe?? As lutas seriam filmadas e utilizadas no seu novo filme POSTAL, baseado no videogame homônimo. Simplesmente, Boll acabou ganhando todas elas!!

Confiram o link que inclui um vídeo para maiores informações: http://www.aintitcool.com/node/30194

- Joan Chen e Tony Leung estarão no novo filme de Ang Lee, um drama de guerra passado em Shanghai intitulado SE JIE. O título americano da produção é LUST, CAUTION.

- E finalizando com chave de ouro, vim aqui editar esse post só para divulgar que a revista eletrônica e mensal de cinema ZINGU! já pode ser acessada desde ontem. O conteúdo de alta qualidade é garatido pelo jovem cinéfilo paulista Matheus Trunk e colaboradores do nível de Andrea Ormond, Marcelo Carrard e outros nomes notáveis do universo blogueiro. Vale e muito a pena visitá-la.

domingo, outubro 01, 2006

NAS GARRAS DO CRIME (Wild Side, 1995)


Antes de começar, devo dizer que estou comentando a edição brasileira em DVD da D+T Editora (lançada em 2003, acredito) que usa a VHS da Sunset Filmes como matriz. Portanto, o filme é apresentado com imagem em tela cheia, legendas embutidas e boa qualidade de som. É uma pena que oficialmente nós não possamos escolher entre a versão de 96 minutos - a comentada aqui - e a do diretor (feita a partir de anotações e observações de Donald Cammell pelo editor e amigo Frank Mazzola) que tem 111 minutos pelo fato desta nunca ter sido lançada no nosso país. Do jeito que está, LADO SELVAGEM - isso mesmo, eu sou chato e não vou usar aquele título chumbrega!! - é um filme com desenvolvimento e narrativa confusas que só pode ser recomendável para quem queira conhecer algo de Donald Cammell (assinando aqui com o pseudônimo Franklin Brauner), assistir a famosa cena de lesbianismo entre Anne Heche e Joan Chen (lógico!!) e pelas atuações do bom elenco, que também conta com Christopher Walken e Steven Bauer.

Infelizmente, sabe-se que Donald Cammell cometeu suicídio pouco tempo depois do lançamento deste filme. Muitos acreditam que a briga com os produtores - que demitiram Frank Mazzola (apesar do nome dele continuar nos créditos) e reeditaram tudo ao seu jeito - tenha sido o principal motivo deste lamentável fato. A Nu Image queria aproveitar a polêmica levantada pelo relacionamento amoroso entre Anne Heche e a Ellen DeGeneres na época, pois LADO SELVAGEM, segundo eles, era um tedioso "filme de arte". Apesar dessa versão não ser a ideal, penso que um pouco do que Cammell queria passar ao espectador está presente. Também nota-se que o improviso rola solto nas interpretações em algumas cenas e ele faz com que Walken entregue uma das suas falas mais memoráveis: "You know what you get for rape? Ten years in a cell! With a gorilla! With a PSYCHO gorilla!"


Gostaria muito de conhecer a versão do diretor, porque a edição oficial só não é um típico filmeco de Cine Privé por causa dos motivos já citados no primeiro parágrafo. Há ainda outra cena memorável (a primeira é a da foto acima hehe) pela sua tremenda insanidade protagonizada por Walken e Bauer. Esse último foi muito bem escalado e Bruno Buckingham é um dos tipos mais dementes da galeria de personagens esquisitos da filmografia de Christopher Walken, que deve estar ainda melhor na "director's cut".

quarta-feira, setembro 27, 2006

O DIA DA DESFORRA (La Resa dei Conti, 1966)


2006 está sendo bem positivo para mim, como fã de cinema. Apesar de não ter curtido tanto os lançamentos nos cinemas como no ano passado, eu estou vendo vários filmes bacanas que sequer tinha idéia de que seriam tão legais e outros queria conferir faz um bom tempo. TRAGAM-ME A CABEÇA DE ALFREDO GARCIA foi um deles e nesse último final de semana tive o grande prazer de assistir O DIA DA DESFORRA, um clássico dos faroestes italianos dirigido pelo talentosíssimo Sergio Sollima.

Preciso urgentemente ver mais filmes deste diretor. Só me lembro de ter visto FACE A FACE há exatos 7 anos atrás numa cópia em VHS dublada e com fullscreen assassino da Reserva Especial. Isso não me impediu de ficar impressionado com a grande mudança de comportamento sofrida pelo personagem do excelente Gian Maria Volonté. Ele deve mesmo ser um filmaço, como os amigos Otavio Pereira e Heraclito Maia fazem questão de afirmar. Aliás, Heraclito batizou o seu querido Blog da Desforra em homenagem a este filme que aqui comento e foi através do Otavio no Cineitalia que adquiri uma cópia dele em DVD-R.

A trama principal de O DIA DA DESFORRA tem início quando Jonathan Corbett (Lee Van Cleef), um famoso caçador de recompensas com aspirações políticas, que topa de imediato perseguir um exímio atirador de facas mexicano Cuchillo Sanchez (Tomas Milian, simplesmente maravilhoso), quando passa a saber numa típica festa da alta sociedade local patrocinada por Brockston (Walter Barnes) que o sujeito é acusado de violentar e matar uma menina de 12 anos. Cuchillo não se demonstra nada difícil de ser encontrado, só que ele sempre arranja uma maneira de fugir por causa da sua invejável esperteza, enquanto Corbett continua tentando botar as mãos nele.

Lee Van Cleef é o primeiro nome do elenco e está muito bem interpretando Corbett, um dos ótimos papéis que justificam a predileção deste ator em continuar trabalhando na Itália, mas o filme é mesmo de Tomas Milian. O cubano encarna Cuchillo com uma bela e inesquecível desenvoltura em sua atuação. Não consigo nem imaginar alguém compondo melhor esse ótimo e ambíguo personagem. O sujeito é tão carismático e palhaço que o espectador fica indeciso se torce para ele ser pego ou não, mesmo sendo acusado de um crime tão hediondo. Eu já era fã do Tomas Milian antes e agora fiquei mais ainda ao vê-lo neste que foi o papel que o consagrou.

Além de ser um programaço para qualquer fã de bangue-bangue italiano que irá reconhecer faces familiares dos filmes do período (Gerard Herter, Fernando Sancho, Nello Pazzafini, Benito Stefanelli e Lorenzo Robledo), O DIA DA DESFORRA também possui uma grande e válida crítica aos valores sociais daquela época que é feita sem prejudicar o entretenimento. Os vários momentos antológicos como a rápida estadia de Cuchillo na fazenda de uma viúva cobiçada pelos seus capangas, a "picada" da cobra e os duelos finais conseguem ficar ainda mais memoráveis por terem a marcante trilha do genial Ennio Morricone, que faz uso de "Pour Elise" composta por Beethoven num deles. Não se deve deixar de assistí-lo em widescreen, porque a condução de Sergio Sollima é bem auxiliada pela cinematografia de Carlo Carlini, que apresenta belíssimos ângulos e enquadramentos. O DIA DA DESFORRA é um ótimo filme que merece ser mais conhecido e tenho certeza de que gostarei mais dele quando o rever por causa da riqueza dos seus detalhes. Só não dou nota 10 para ele, pois preferia que a duração fosse maior hehehe.

OBS: Caso o visitante não tenha notado, mais links de blogs foram adicionados ao lado e acabei de colocar o tema completo do filme O RETORNO DE RINGO em MP3 no post do meu comentário sobre o mesmo.

sexta-feira, setembro 22, 2006

Filme troncho: MEDO X (Fear X, 2003)


Esse me deixou a pensar novamente numa frase que sempre aparece quando vejo algo que não tenha me deixado satisfeito: É preciso gostar mesmo de um filme para que ele seja considerado bom?? Porque não me sinto convencido o suficiente por MEDO X para falar bem dele, mas não posso negar as suas virtudes. O filme é o primeiro longa-metragem falando em inglês do realizador dinamarquês Nicolas Wilding Refn e tem John Turturro, um dos meus atores favoritos, como protagonista.

Harry Cain (Turturro, perfeito) se torna um sujeito obcecado e perturbado depois do assassinato da sua esposa Claire, que estava grávida. O crime foi cometido por um homem desconhecido dentro do estacionamento do shopping center onde Harry trabalha como vigilante. Além dela, os disparos de revólver também vitimaram um policial que estava no lugar. Para Harry, a sua vida acabou. Ele deseja descobrir quem foi responsável pela morte da esposa de qualquer maneira, passando a virar horas assistindo as fitas de segurança - conseguidas com a ajuda dos solidários colegas de trabalho - na esperança de enxergar o rosto dele. Harry afirma não querer se vingar, mas achar a resposta para uma pergunta que está martelando na sua cabeça: Por que?

É a partir daí que o filme segue com sua trama, desenvolvida por um roteiro co-escrito pelo próprio produtor/diretor e o falecido autor de RÉQUIEM POR UM SONHO, Hubert Selby Jr. Refn (vindo dos elogiados PUSHER e BLEEDER) realizou um trabalho visualmente bonito e de difícil digestão, cujo clima estranho recebe a grata ajuda da fotografia de Larry Smith, da trilha sonora com o dedo de Brian Eno e, logicamente, pelas atuações de Turturro e James Remar. O ator do clássico THE WARRIORS apenas aparece a partir do segundo ato da trama e está muito bem num pequeno, porém importante papel.

Pelo resultado final, fica a impressão que Nicolas Refn não conseguiu fazer um bom "thriller" e quis aparecer inserindo algumas imagens surrealistas no meio de tudo numa tentativa de criar ao máximo a sensação de estarmos assistindo a algo de David Lynch. Até os misteriosos corredores do hotel onde o personagem de Turturro se hospeda aparentam ter saídos de BARTON FINK e O ILUMINADO. A originalidade, como se vê, não é um dos seus pontos fortes. A conclusão, estilo "Pootz, já acabou??", também desanima.

Embora falho e prejudicado pela pretensão do diretor, achei MEDO X incomum o suficiente para me deixar pensando nos dois personagens centrais do filme em vários momentos desde que o vi no feriadão passado. Ele é um daqueles filmes que a gente tem de deixar claro que deve ser visto por nossa própria conta e risco quando se comenta sobre ele.

TRIVIA: O fracasso comercial do filme - filmado no Canadá e feito ao custo de 7 milhões de dólares - faliu a produtora de Nicolas Refn!! Com as duas bem recebidas continuações de PUSHER, que agora é uma trilogia, Refn conseguiu pagar suas dívidas.

quarta-feira, setembro 20, 2006

Dennis Hopper VS Christopher Walken



Um momento antológico da carreira dos dois atores. Além dela ser uma cena que por si só vale o dinheiro investido na locação ou compra de AMOR À QUEIMA-ROUPA (True Romance, 93), temos aqui um verdadeiro show em matéria de diálogos (cortesia de Tarantino) e atuações de Hopper e Walken. Na minha humilde opinião, ela é simplesmente fantástica e genial.

OBS: Link mais recomendado apenas para quem já viu o filme.

segunda-feira, setembro 18, 2006

Hong Kong em dose dupla

Pouco depois de ter lançado o blog, divulguei dois lançamentos de filmes asiáticos: PROFISSIONAIS DO CRIME (Fulltime Killer, 2001) e O JUSTICEIRO (Divergence, 2005). Agora que já assisti a ambos, vim comentá-los rapidamente por aqui.


PROFISSIONAIS DO CRIME foi lançado com um atraso de cinco anos pela Europa Filmes. É uma pena que o disco não contenha nenhum extra, caso de vários títulos recentes da distribuidora. Pelo menos, o filme veio com imagem em widescreen e áudio original em cantonês. Eu estava muito ansioso em assistí-lo por ser uma produção tão cultuada pela maioria dos fãs do cinema de ação feito em Hong Kong. Vale dizer que com isso crei uma expectativa tão grande nele que estava achando que assistiria a um novo CONFLITOS INTERNOS hehehe.

O filme tem de tudo para ser considerado um bom exemplar do gênero, mas deve desapontar um pouco aquele espectador que espera algo mais. Como vocês devem ter percebido, esse foi o meu caso. O mais legal em PROFISSIONAIS DO CRIME é que ele é um filme de referências, feito por gente que realmente ama o cinema de ação. Resumindo, é estilo (bem) acima de substância. Acho mais válido para fãs fervorosos do estilo, que poderão ter o prazer de acompanhar a disputa entre Tok (Andy Lau) e O (Takashi Sorimachi), os dois matadores protagonistas. Tok é uma figura, o cara deve ser o primeiro assassino profissional fã de cinema/quadrinhos/videogame do cinema!!


Infelizmente, DIVERGENCE foi lançado com um título nacional que realmente dispensa maiores comentários de tão patético. Por isso, só fiz questão de o citar no início do post para o leitor se situar. O disco da Flashstar também possui imagem em widescreen e áudio em cantonês (se bem me lembro...). De extras, temos apenas o trailer e galeria de foto. DIVERGÊNCIA é um filme bem diferente na filmografia de Benny Chan. Não posso dizer, entretanto, que ele seja original, já que algumas semelhanças com o já citado CONFLITOS INTERNOS são claras. Há até uma participação especial do ótimo Eric Tsang.

Enfim, é aquele típico filme onde vemos um belo argumento sendo desenvolvido e concluído de maneira insatisfatória por ele ser complexo demais para a sua duração pequena. 2 horas ao invés de 1h40min aqui cairiam muito bem. Mesmo com essa negativa, acho que vale conferir DIVERGÊNCIA por causa dos seus personagens, principalmente o policial sofredor Yuen, interpretado pelo Aaron Kwok (foto). As poucas cenas de ação - como uma perseguição a pé - também dão uma compensada nas falhas.

No geral, ambos ficam na média e ganham aquelas famosas três estrelinhas.

PS: Olhem para isso!! Valeu, Luiz!! :D

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