sexta-feira, setembro 22, 2006

Filme troncho: MEDO X (Fear X, 2003)


Esse me deixou a pensar novamente numa frase que sempre aparece quando vejo algo que não tenha me deixado satisfeito: É preciso gostar mesmo de um filme para que ele seja considerado bom?? Porque não me sinto convencido o suficiente por MEDO X para falar bem dele, mas não posso negar as suas virtudes. O filme é o primeiro longa-metragem falando em inglês do realizador dinamarquês Nicolas Wilding Refn e tem John Turturro, um dos meus atores favoritos, como protagonista.

Harry Cain (Turturro, perfeito) se torna um sujeito obcecado e perturbado depois do assassinato da sua esposa Claire, que estava grávida. O crime foi cometido por um homem desconhecido dentro do estacionamento do shopping center onde Harry trabalha como vigilante. Além dela, os disparos de revólver também vitimaram um policial que estava no lugar. Para Harry, a sua vida acabou. Ele deseja descobrir quem foi responsável pela morte da esposa de qualquer maneira, passando a virar horas assistindo as fitas de segurança - conseguidas com a ajuda dos solidários colegas de trabalho - na esperança de enxergar o rosto dele. Harry afirma não querer se vingar, mas achar a resposta para uma pergunta que está martelando na sua cabeça: Por que?

É a partir daí que o filme segue com sua trama, desenvolvida por um roteiro co-escrito pelo próprio produtor/diretor e o falecido autor de RÉQUIEM POR UM SONHO, Hubert Selby Jr. Refn (vindo dos elogiados PUSHER e BLEEDER) realizou um trabalho visualmente bonito e de difícil digestão, cujo clima estranho recebe a grata ajuda da fotografia de Larry Smith, da trilha sonora com o dedo de Brian Eno e, logicamente, pelas atuações de Turturro e James Remar. O ator do clássico THE WARRIORS apenas aparece a partir do segundo ato da trama e está muito bem num pequeno, porém importante papel.

Pelo resultado final, fica a impressão que Nicolas Refn não conseguiu fazer um bom "thriller" e quis aparecer inserindo algumas imagens surrealistas no meio de tudo numa tentativa de criar ao máximo a sensação de estarmos assistindo a algo de David Lynch. Até os misteriosos corredores do hotel onde o personagem de Turturro se hospeda aparentam ter saídos de BARTON FINK e O ILUMINADO. A originalidade, como se vê, não é um dos seus pontos fortes. A conclusão, estilo "Pootz, já acabou??", também desanima.

Embora falho e prejudicado pela pretensão do diretor, achei MEDO X incomum o suficiente para me deixar pensando nos dois personagens centrais do filme em vários momentos desde que o vi no feriadão passado. Ele é um daqueles filmes que a gente tem de deixar claro que deve ser visto por nossa própria conta e risco quando se comenta sobre ele.

TRIVIA: O fracasso comercial do filme - filmado no Canadá e feito ao custo de 7 milhões de dólares - faliu a produtora de Nicolas Refn!! Com as duas bem recebidas continuações de PUSHER, que agora é uma trilogia, Refn conseguiu pagar suas dívidas.

quarta-feira, setembro 20, 2006

Dennis Hopper VS Christopher Walken



Um momento antológico da carreira dos dois atores. Além dela ser uma cena que por si só vale o dinheiro investido na locação ou compra de AMOR À QUEIMA-ROUPA (True Romance, 93), temos aqui um verdadeiro show em matéria de diálogos (cortesia de Tarantino) e atuações de Hopper e Walken. Na minha humilde opinião, ela é simplesmente fantástica e genial.

OBS: Link mais recomendado apenas para quem já viu o filme.

segunda-feira, setembro 18, 2006

Hong Kong em dose dupla

Pouco depois de ter lançado o blog, divulguei dois lançamentos de filmes asiáticos: PROFISSIONAIS DO CRIME (Fulltime Killer, 2001) e O JUSTICEIRO (Divergence, 2005). Agora que já assisti a ambos, vim comentá-los rapidamente por aqui.


PROFISSIONAIS DO CRIME foi lançado com um atraso de cinco anos pela Europa Filmes. É uma pena que o disco não contenha nenhum extra, caso de vários títulos recentes da distribuidora. Pelo menos, o filme veio com imagem em widescreen e áudio original em cantonês. Eu estava muito ansioso em assistí-lo por ser uma produção tão cultuada pela maioria dos fãs do cinema de ação feito em Hong Kong. Vale dizer que com isso crei uma expectativa tão grande nele que estava achando que assistiria a um novo CONFLITOS INTERNOS hehehe.

O filme tem de tudo para ser considerado um bom exemplar do gênero, mas deve desapontar um pouco aquele espectador que espera algo mais. Como vocês devem ter percebido, esse foi o meu caso. O mais legal em PROFISSIONAIS DO CRIME é que ele é um filme de referências, feito por gente que realmente ama o cinema de ação. Resumindo, é estilo (bem) acima de substância. Acho mais válido para fãs fervorosos do estilo, que poderão ter o prazer de acompanhar a disputa entre Tok (Andy Lau) e O (Takashi Sorimachi), os dois matadores protagonistas. Tok é uma figura, o cara deve ser o primeiro assassino profissional fã de cinema/quadrinhos/videogame do cinema!!


Infelizmente, DIVERGENCE foi lançado com um título nacional que realmente dispensa maiores comentários de tão patético. Por isso, só fiz questão de o citar no início do post para o leitor se situar. O disco da Flashstar também possui imagem em widescreen e áudio em cantonês (se bem me lembro...). De extras, temos apenas o trailer e galeria de foto. DIVERGÊNCIA é um filme bem diferente na filmografia de Benny Chan. Não posso dizer, entretanto, que ele seja original, já que algumas semelhanças com o já citado CONFLITOS INTERNOS são claras. Há até uma participação especial do ótimo Eric Tsang.

Enfim, é aquele típico filme onde vemos um belo argumento sendo desenvolvido e concluído de maneira insatisfatória por ele ser complexo demais para a sua duração pequena. 2 horas ao invés de 1h40min aqui cairiam muito bem. Mesmo com essa negativa, acho que vale conferir DIVERGÊNCIA por causa dos seus personagens, principalmente o policial sofredor Yuen, interpretado pelo Aaron Kwok (foto). As poucas cenas de ação - como uma perseguição a pé - também dão uma compensada nas falhas.

No geral, ambos ficam na média e ganham aquelas famosas três estrelinhas.

PS: Olhem para isso!! Valeu, Luiz!! :D

Clique Aqui

quinta-feira, setembro 14, 2006

O RETORNO DE RINGO (Il Ritorno di Ringo, 1965)


Eu não sei porque ainda não tinha comentado sobre algum filme italiano para o blog. Acredite, só fui reparar neste pequeno (e grande) detalhe um dia desses. Quem me conhece sabe que tenho muito carinho pelas produções italianas, principalmente os faroestes, os conhecidos "giallos" - aqueles filmes da turma de luva preta que se amarra em passar a faca no pessoal (pense como serei zoado depois dessa hehe) - e os "poliziesco" , mesmo só tendo assistido a MISTER SCARFACE e GANG WAR IN MILAN. Resolvi falar sobre um bangue-bangue à italiana que não posso deixar de recomendar para qualquer fã do estilo estrelado por Giuliano Gemma (ainda usando o famoso pseudônimo Montgomery Wood) chamado O RETORNO DE RINGO. Embora o DVD nacional deste filme que foi lançado pela Ocean Pictures tenha UMA PISTOLA PARA RINGO como título, o espectador irá assistir a seqüência oficial deste faroeste de sucesso dirigida pelo mesmo Duccio Tessari. Hoje em dia, não há mais desculpas para tamanho descuido em relação a isso, basta uma rápida consulta no IMDb e tirar qualquer dúvida sobre títulos.

Infelizmente, a matriz do disco é uma VHS pra lá de antiga com imagem em fullscreen, cortando os extremos laterais do enquadramento original. Tem uma cena em que Gemma vai falar e nada de vermos a cara dele!! É nessas horas que dá uma raiva danada por não estarmos assistindo a um filme em widescreen. Pelo menos, o longa-metragem está disponível no formato digital e pode ser encontrado com uma relativa facilidade nas locadoras. Para muitos, o filme chega a até ser mais famoso do que o seu antecessor ou O DÓLAR FURADO, que foram feitos no mesmo ano de 1964 e são responsáveis pela transformação de Giuliano Gemma numa verdadeira estrela do cinema italiano. Aqui mesmo no Brasil, O DÓLAR FURADO é bem mais lembrado pelos freqüentadores das matinês nos saudosos cinemas de bairro do que DJANGO e a trilogia dos dólares de Leone.

Os créditos de abertura são notáveis e tive de ficar imaginando como aquela cena ficaria em widescreen. Deve ser uma coisa linda, no mínimo. Ao som da inesquecível música-tema de Ennio Morricone (como de costume...), eles mostram Ringo (Gemma) voltando para casa depois de combater na Guerra Civil americana. Quando ele chega na cidade, vê que tudo está sendo dominado pelos irmãos Esteban (Fernando Sancho) e Paco Fuentes (George Martin), dois bandidos mexicanos, e que sua mulher Helen (Lorella de Luca) e filha são reféns deles. Ringo deixa crescer a barba para se disfarçar como um pobre mexicano e dificultar o reconhecimento dos moradores locais. Enquanto trabalha para um floricultor (Pajarito) apelidado de Morning Glory (é sério hehe), ele planeja uma vingança e tenta rever a sua família.

A cada filme que vejo de Giuliano Gemma, mais compreendo o motivo deste ator ter se tornado um astro. Além de esbanjar carisma, ele tem uma excelente presença em cena e era um verdadeiro galã. É por isso mesmo que a maioria dos personagens que interpretou nos faroestes estão envolvidos ou irão se envolver amorosamente com uma boa moça, algo que continua arrancando suspiros das espectadoras femininas.

O filme nos remete ao famoso poema A ODISSÉIA, de Homero, pelo fato de Ringo estar vivendo a mesma situação que Odisseu viveu na sua volta ao lar depois de sobreviver a todas as duras batalhas que enfrentou. Se não bastasse ser tão legal de se ver, O RETORNO DE RINGO ainda tem uma puta cena passada na antiga casa do protagonista onde há um inesperado encontro e a música-tema de Morricone em versão instrumental vai às alturas!! Só por ela já vale a pena conhecer esta bela obra de Duccio Tessari.

quarta-feira, setembro 13, 2006

TRASH NEWS

Não poderia deixar de divulgar aos amigos e leitores do blog essa notícia pra lá de insana enviada pelo amigo Fernando Vasconcelos. O pornô brasileiro agora pode ser realmente considerado decadente.

Notícia literalmente Fucking Trash

"Depois de Alexandre Frota, Rita Cadillac e Matheus Carrieri, chegou a vez de Gretchen fazer o seu primeiro filme pornô. A cantora assinou contrato com a produtora Brasileirinhas e em novembro lança a produção La Conga Sex.

Embora o filme esteja confirmado, ainda não foram divulgadas informações oficiais
sobre as cenas que Gretchen protagoniza e qual foi o valor do contrato. La Conga Sex é aguardado como um dos maiores sucessos da produtora. Ao lado de A 1ª Vez de Rita Cadillac, o pornô deve bater recordes de vendas e locação. Além de Gretchen, comenta-se que a Brasileirinhas está de olho em Regininha Poltergeist (capa de TRIP, PLAYBOY, SEXY e 'musa' de Fausto Fawcett) para um futuro contrato com a produtora.

TRIVIA: o Brasil é o único país do mundo onde celebridades da mídia
oficial (embora do escalão pra lá de decadente e trash) fazem carreira em filme pornô
e continuam no mercado mainstream de TV. E, ao contrário dos EUA, aqui macho (!??!) também vira estrela pornô fora do mercado gay. Frota e Carrieri, veteranos de Rede Globo, SBT e G Magazine (nessa ordem eh eh eh) fizeram nome no pornô hetero brasileiro. Esse nosso Brasilzão é mesmo uma onda! eh eh eh"

domingo, setembro 10, 2006

TRAGAM-ME A CABEÇA DE ALFREDO GARCIA (Bring Me the Head of Alfredo Garcia, 1974)


Um poderoso fazendeiro (Emilio Fernandez, de MEU ÓDIO SERÁ A SUA HERANÇA) força a sua filha grávida a dizer o nome do pai da criança sob tortura. Furioso ao saber quem é o responsável, ele faz um anúncio na presença de vários visitantes: TRAGAM-ME A CABEÇA DE ALFREDO GARCIA. O protagonista Benny (Warren Oates) é um perdedor que está faturando uns trocados para se sustentar tocando piano num pequeno bar do México. Numa das muitas noitadas daquele local, ele entra em contato com dois homens misteriosos (Gig Young e Robert Webber) atrás de maiores informações sobre o paradeiro do procurado. Nosso anti-herói acaba indo ao escritório dos chefes da dupla e aceita a proposta de 10.000 dólares para partir em busca da valiosa cabeça. Junto com a namorada Elita (Isela Veiga), ex-companheira de Alfredo Garcia, já morto e enterrado, Benny enfrentará uma viagem inteiramente marcada pela violência e ganância do ser humano.

Essa é a trama deste verdadeiro clássico do cinema dos anos 70 dirigido pelo excelentíssimo senhor Sam Peckinpah. Minha nossa, que filme!! Fiquei grudado na cadeira, sem querer perder nenhuma cena e nenhum mínimo detalhe da jornada de Benny atrás da cabeça do infeliz sujeito que tem seu nome no título. Trata-se de uma obra-prima que continua (e continuará sendo) bastante influenciadora pelo seu notável clima estranho e melancólico. Enquanto o assistia, me lembrava do belíssimo OS TRÊS ENTERROS DE MELQUIADES ESTRADA diversas vezes.

Warren Oates está perfeito na pele de Benny, um pobre homem que vai perdendo a razão progressivamente durante o trajeto da viagem. Os vários momentos onde ele tenta convencer a Elita de que Alfredo Garcia não se importaria de ter o seu túmulo violado e ser decepado logo em seguida para a felicidade dela chegam a ser divertidos de tão absurdos. Oates também protagoniza as fantásticas cenas da complicada relação de Benny com a cabeça de Alfredo Garcia. Simplesmente, não há cinéfilo que as deixe de carregar para sempre na sua memória.


Eu agora me junto ao coro e digo que Peckinpah nunca foi tão Peckinpah em TRAGAM-ME A CABEÇA DE ALFREDO GARCIA. Além dele ter sido o único filme onde esse grande cineasta teve completo domínio da edição final, Benny pode ser visto como um dos personagens mais auto-biográficos já escritos. É conhecido que o próprio Oates se baseou em Peckinpah para compor a sua atuação, pegando até os óculos escuros do diretor emprestado. Complementando tudo, temos ainda uma trilha sonora irrepreensível de Jerry Fielding e a participação especial de Kris Kristofferson como um dos motoqueiros que aparecem para incomodar o casal de protagonistas.

Feio e bonito ao mesmo tempo, ALFREDO GARCIA acabou virando um dos meus filmes favoritos. E amei a última imagem, que mostra uma metralhadora disparando. Quando os disparos se encerram, aparece "Directed by Sam Peckinpah" abaixo do cano e no lado esquerdo da tela. Lindo... lindo... lindo...


Agradecimentos especiais a Fernando Vasconcelos e Kleber Mendonça Filho.

quarta-feira, setembro 06, 2006

segunda-feira, setembro 04, 2006

A CONTA-GOTAS

O camarada e realizador Daniel Aragão produziu um curta-metragem no final do ano passado que achei muito bacana intitulado A CONTA-GOTAS. Sua estréia oficial se deu no festival de curtas de Hamburgo em maio deste ano. Tive a oportunidade de assistí-lo pouco depois da sua conclusão numa exibição especial de curtas pernambucanos no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco feita no final de novembro de 2005.

Infelizmente, a produção foi ignorada em diversos festivais e pouca gente teve o prazer de conferir esta homenagem ao cinema exploitation dos anos 60 e 70. Portanto, estou aqui dando uma força para Daniel e deixando um link para o meu estimado visitante poder assistir A CONTA-GOTAS:

Download direto

Rápida descrição do filme pelo próprio Daniel: "Um curta-metragem com John Oates, hehe. Para todos vocês que curtem Jess Franco , Russ Meyer , George Romero , Soledad Miranda , Polanski , Euro Trash..."

Tá em casa, não é?? :)

NOTA: O post foi editado, pois o vídeo no YouTube está incompleto.

sábado, setembro 02, 2006

13 BADALADAS (Trece Campanadas, 2002)


Se a Ocean Pictures continuar lançando filmes de boa qualidade como esse, ela ganhará mais respeito da minha parte. Conhecida por fãs de faroeste italiano pelos lançamentos mensais de títulos do estilo, a Ocean agora está investindo também em produções estrangeiras recentes, sem deixar algumas bombas do quilate de ANUBIS, SWAT 2 (!!!!) e VAMPIROS ASSASSINOS de lado.

Eu peguei esta produção espanhola de 2002 apenas com a intenção de assistir a um filme bem feito e de trama interessante. Talvez por tê-lo assistido sem tanta exigência, acabei achando ele acima da média. 13 BADALADAS fala sobre Jacobo (Juan Diego Botto), um jovem escultor que retorna a Santiago de Compostela, sua cidade natal, por causa do delicado estado saúde de sua mãe. Pouco demora para ele começar a ser atormentado pelo fantasma do pai (Luis Tosar), morto violentamente há 20 anos, que o pede para continuar um trabalho devido ao seu falecimento.

É uma pena que o filme seja prejudicado por uma fragilidade do roteiro. Toda a história é acompanhada por dois pontos de vista: o de Jacobo e o de Maria, amiga de infância que passa a ter um interesse amoroso pelo rapaz. Isso faz com que qualquer um já mate de cara o questionamento principal do filme pouco tempo depois de algumas cenas intensas.

A violência física aqui é mínima e o longa-metragem acaba sendo um drama com elementos psicológicos e sobrenaturais que utiliza artifícios do cinema de suspense para chamar a atenção do espectador. E consegue, graças ao bom diretor Xavier Villaverde e atuações do elenco praticamente desconhecido pelos espectadores brasileiros. Juan Diego Botto tem apenas um bom desempenho como o protagonista, mas não devemos exigir tanto dele pelo fato do personagem não ser fácil de se interpretar. Infelizmente, há momentos que o jovem ator tende ao "overacting". Agora posso dizer sem medo de ser feliz que a ótima atuação de Luis Tosar como o pai de Jacobo é simplesmente a alma de 13 BADALADAS. Nunca tinha ouvido falar deste talentosíssimo ator antes e ainda bem que ele agora está recebendo projeção internacional na versão cinematográfica de MIAMI VICE, dirigida por Michael Mann. A música e a fotografia também são destaques do filme.

segunda-feira, agosto 28, 2006

RED LINES

Dois curtas feitos por Frazer Lee e protagonizados pelo grande Doug "Pinhead" Bradley podem ser assistidos no YouTube. Ambos receberam premiações diversas e são bem cotados pelos fãs de terror. Em todo caso, resolvi postá-los por acreditar que eles merecem divulgação.

RED LINES:



"Red Lines gave me the total creeps and the creeps is essential to horror. I mean, if you don't have the creeps you don't jump - there's nothing to be afraid of. So, I mean, it was like - my legs tightened up and the muscles in my back tightened up because I was totally in a conundrum and it blew me away. This guy's a great director, he knows how to do it guys."
(Tobe Hooper, director of Texas Chainsaw Massacre & Poltergeist)

Comentário do editor: RED LINES é mais outra prova de que a falta de um grande orçamento não acaba sendo nenhum impecilho para fazer um bom curta-metragem. Fiquei até surpreso e feliz por ver Doug Bradley numa pequena produção como esta. Feito em apenas um mês, o filme dura 6 minutos e fala sobre uma detenção escolar aparentemente comum, mas que se revela nada agradável no seu decorrer.

Kirsty Levett mostra talento como a azarada aluna, que é um papel difícil por não possuir nenhum diálogo e Doug Bradley tem presença mesmo sem a famosa maquiagem do Pinhead. O curta é muito bem filmado, editado e dirigido, portanto vale a pena conferir e indicar. Infelizmente, pela tela pequena do YouTube não dá para se envolver como alguém que está assistindo ao filme num festival, caso óbvio de Hooper. Como este famoso diretor declarou, Frazer Lee tem futuro e já estou mais ansioso por URBANE, o seu primeiro longa-metragem onde Bradley e Robert Englund darão vida aos personagens principais e a trilha sonora ficará a cargo do excelente Claudio Simonetti.

ON THE EDGE - PARTE 1

ON THE EDGE - PARTE 2

quinta-feira, agosto 24, 2006

Eu adoro a The Asylum!


Na melhor tradição dos produtores picaretas italianos dos anos 80 e americanos como Roger Corman, Andrew Stevens e Damian Lee, eis que chega a THE ASYLUM. Trata-se de uma produtora especializada em produções de baixo orçamento que sem querer querendo acabou ficando famosa. Uma das mais comentadas dela é KING OF THE ANTS (lançado como TRATAMENTO DE CHOQUE pela Casablanca), filme dirigido por Stuart Gordon com Chris McKenna, George Wendt, Daniel Baldwin e Kari Wuhrer. Tudo começou quando David Michael Latt (o cabeça da ASYLUM) resolveu fazer uma adaptação de GUERRA DOS MUNDOS em 2005, já que este famoso livro de H. G. WELLS hoje se encontra em domínio público.

Simplesmente, a THE ASYLUM faturou uma puta grana legal lançando o filme nas locadoras um dia antes de GUERRA DOS MUNDOS de Steven Spielberg entrar em cartaz nos cinemas. Acredite se quiser, mas muita gente prefere este filme B do que a milionária produção de Spielberg. Eu provavelmente farei parte deste grupo quando o assistir e consegui uma cópia de PIRATES OF TREASURE ISLAND com o grande Lance Henriksen como Long John Silver. Deve ser uma maravilha, tem até inseto gigante na abertura!! Nem SERPENTES A BORDO (Snakes on a Plane) escapou, a turma da ASYLUM lançou SNAKES ON A TRAIN nas locadoras americanas três dias antes do esperado blockbuster classe B ir para as telonas.

Fiquem com os links para conferir o site oficial e ler uma matéria publicada pelo New York Post sobre os "mockbusters", onde a THE ASYLUM tem destaque. Pelo que sei, apenas BLOODY BILL, DETOUR, KING OF THE ANTS, KING OF THE LOST WORLD (que recebeu o título de KING - O REI DA SELVA da distribuidora California) são os únicos filmes da produtora lançados no Brasil.

Site oficial

Matéria "mockbusters" do NY Post

Agradecimentos ao camarada Eduardo Buss pela montagem das capinhas.

terça-feira, agosto 22, 2006

Samuel L. Jackson: O Sr. das Serpentes


Que beleza de posters, não?

Além de estrelar o aguardado SERPENTES A BORDO (Snakes on a Plane), filme B assumido de grande orçamento, Samuel L. Jackson também é protagonista de BLACK SNAKE MOAN, novo filme de Craig Brewer, diretor de RITMO DE UM SONHO (Hustle and Flow). A história se concentra numa ninfomaníaca branca, de passado conturbado, que tenta curar a sua "doença" com a ajuda de um bluesman negro mais experiente. Christina Ricci (Igual a tudo na vida), loirinha e magrinha, faz o par com Samuel L. Jackson (Star Wars).

John Singleton (Os donos da rua, Shaft 2000), famoso por dirigir filmes com temática racial, produz o longa ao lado de Stephanie Allain. Há algum tempo, a co-produtora comentou ao BlackFilm.com: "Onde Ritmo de um sonho é realmente sobre a noção de ter coragem de criar, Black Snake Moan é sobre ter a coragem de se relacionar com alguém".

O filme estréia nos EUA em 16 de fevereiro de 2007.

Fonte: www.omelete.com.br

Já que falei de SERPENTES A BORDO, confiram abaixo um divertido poster feito por um fã. Clique na imagem para aumentar a resolução dela no seu monitor.


Comentário de Ary Monteiro Jr. sobre o filme no orkut: "Porra o filme foi um fracasso de bilheteria mas quem assitiu disse que foi a melhor experiência cinematográfica do ano com platéias cheias de empolgação fazendo uma zona enorme no filme, jogando cobras de borracha na tela, batendo palmas de pé, gritando nas cenas de terror (dizem que o gore é bacana) e repetindo a fala "I had it with this motherfucking snakes in this motherfucking plane!" É o novo Rocky Horror."

domingo, agosto 13, 2006

MAIS CINEMA ASIÁTICO EM DVD














O meu amigo Titara Barros me recomendou dois filmes lançados pela obscura Oregon Films em seu comentário no último post. Resolvi destacá-los por acreditar que eles são merecedores de mais divulgação. Quando ele respondeu meu scrap no Orkut, soube que um deles era um filme sobre a Yakuza dirigido pelo Takashi Miike (de AUDITION e ICHI THE KILLER) intitulado CENA MAFIOSA, cuja segunda parte foi lançada pela mesma distribuidora. Estou ansioso para ver!! Sinopses de divulgação abaixo:

Cena Mafiosa (Family): As entranhas da Yakuza, a máfia japonesa, estão expostas em carne viva neste sangrento thriller dirigido por Takashi Miike. Muita ação, intriga, belas mulheres e tráfico de entorpecentes transformam Cena Mafiosa num épico sobre essa que é uma das máfias mais temíveis e inescrupulosas do planeta, da qual até Al Capone, se japonês fôsse, se orgulharia de fazer parte!

Cena Mafiosa 2 (Family – Part 2): Uma sangrenta produção policial, uma versão nipônica da saga de Dom Corleone, Cena Mafiosa 2 retoma a história do primeiro filme, para revelar a identidade do assassino de um poderoso da máfia, o chefe Mitsumikai. Mas como nem tudo é o que parece, outro mafioso, Hideshi, inicia uma investigação pessoal que pode revelar intrigas que o próprio Al Capone tremeria na base.














O outro filme é VENCER PARA VIVER que também teve sua continuação dirigida pelo diretor Takeshi Miyasaka e lançada pela Oregon Films. Não achei nada sobre os dois no iMDB. Sinopses de divulgação abaixo:

Vencer para Viver (Yanagawa Gumi): Um sujeito ensangüentado da cabeça aos pés está numa praia, aos prantos, quando diz para si mesmo:"esta é a última vez que choro". É assim, jogando o espectador já de cara no clima sombrio que persistirá por toda a trama, a abertura de Vencer para Viver, filme de inspiração tarantinesca dirigido por Takeshi Miyasaka. Narrado em flahback, o filme refaz a trajetória de Jiro Yanagawa, um coreano que se tornou um ás da cena mafiosa japonesa dos anos 50. Mexido em seus brios, Yanagawa se nega a retornar à terra-natal, mesmo depois de dar e tomar muita porrada da polícia. A motivação do bandido: vencer para viver.

Vencer para Viver 2 (Yanagawa Gumi 2): Poucas coisas nesta vida inquietam mais um homem do que seu orgulho ferido. E em se tratando do homem japonês, conhecido por cumprir com rigor seus códigos de ética, traições não são perdoáveis, e a vingança, ainda que demore, vai acontecer. Pois é de acerto de contas que trata esse thriller japonês, que volta a trazer a figura mística de Jiro Yanagawa, lutador coreano que fez fama no Japão, é chegada a hora de um sanguinário revival entre tropas inimigas. O filme é baseado numa história real.

"São dois filmes do caralho!!"

- Titara Barros

quinta-feira, agosto 10, 2006

NOITE E NEBLINA em DVD

Sei que fui um pouco atrasado mais uma vez, mas não poderia deixar de linkar aqui a ótima matéria de autoria do meu amigo Luiz Joaquim sobre o lançamento do DVD de NOITE E NEBLINA. O famoso e impactante curta-metragem de Alain Resnais recebeu um belíssimo tratamento da distribuidora recifense Aurora DVD. Esse pessoal me deixa com cada vez mais orgulho de ser pernambucano.

Clique aqui para ler a matéria

Confira a ficha do filme no site da AURORA DVD

Um belo motivo para assistir novas bagaceiras cinematográficas...


Mircea Monroe

Clique na imagem desta futura Scream Queen para conferir mais dos seus atributos artísticos (hehe) no BoizeBlog, do companheiro Eduardo Buss.

domingo, agosto 06, 2006

Erotikill e Van Damme

Não sei se algum leitor do blog desconhece que colaboro para um querido site de cinema intitulado Erotikill. Ele foi batizado em homenagem a FEMALE VAMPIRE, um dos clássicos do Jess Franco que também é conhecido como EROTIKILL, onde uma vampira interpretada pela sua esposa Lina Romay suga outra coisa ao invés de pescoços. Deu para entender, não é? hehehe.

O site teve atualização no último dia 01, com três resenhas de minha autoria. Tirando o despretensioso BLAST!, uma das produções mais recentes de Anthony Hickox, os outros podem ser considerados muito especiais. Eles são OS 4 DO APOCALIPSE e TEMPO DE MASSACRE, nada mais nada menos do que dois faroestes italianos dirigidos pelo mestre Lucio Fulci. O link do site pode ser visto no lado direito da tela do seu navegador.

BLAST!

TEMPO DE MASSACRE

OS 4 DO APOCALIPSE

Achei este vídeo tronxo no You Tube mostrando a primeira aparição cinematográfica de Jean-Claude Van Damme. É um trecho do filme MONACO FOREVER, onde o futuro astro das artes marciais interpreta um lutador de karatê gay. Só vendo para crer...

CINEMA CLASSE B RECENTE

Como muitos devem saber, curto uma boa tralha sempre que possível para "aliviar" um pouco o cérebro dos filmes autorais e "cabeça" que ando assistindo. Sinceramente, não consigo passar um mês sem ver uma divertida bagaceira com o propósito de relaxar e dar umas risadinhas. Vários exemplares do cinema B e Trash funcionam melhor do que muita comédia para mim. Devido a esse meu assumido mal gosto, me decepciono várias vezes com alguns e com outros me vejo sorrindo como um garotinho que acabou de ganhar um doce. Neste post, farei uma rápida revisada em alguns títulos assistidos recentemente.

PTERODACTYL - A AMEAÇA JURÁSSICA (Pterodactyl, 2005): Esse daqui é dirigido pelo casca grossa Mark L. Lester, que nos seus melhores dias realizou os crássicos COMANDO PARA MATAR e OS DONOS DO AMANHÃ e os praticamente desconhecidos JUSTIÇA EXTREMA e SÁDICA PERSEGUIÇÃO estrelados por Scott Glenn. Produzido em associação com o canal televisivo americano SCI-FI, fato que garante estréia na programação, o filme é uma violenta e eficiente diversão B. Quando pegamos a capinha do DVD e lemos a trama pra lá de besta do longa, estranhamos um pouco a censura 18 anos.


A sangreira rola mesmo solta, com decepações e mutilações diversas. O filme pode ser resumido em Coolio (que parece disputar o posto de rapper metido a ator mais tosco do cinema B americano com Ice-T, veja montagem acima) fazendo cara de mau e o restante do elenco lutando para sobreviver dos ataques de um bando de pterodátilos de CGI. O roteiro é muito simplório, cheio de personagens estereotipados, daqueles que todos nós já sabemos quem ou não irá morrer. Ainda temos de aturar um climinha de romance entre um casal aguadinho que só. Vale mais para os afeitos e ver (como foi meu caso hehe) tomando uma biritinha e comendo pipoca. Bobo, direto e divertido, como qualquer filmeco B de criaturas deve ser. Fã de terror e ficção, preste atenção nos sobrenomes dos personagens, que prestam uma homenagem a famosos e influentes autores literários.

Link para a resenha no Erotikill do meu amigo Carlos Afonso: Clique Aqui


CIDADE DO CRIME (Water's Edge, 2003): Tá aí um filme daqueles que enquanto a gente assiste, já pensamos no SuperCine da Rede Globo. Confesso que só peguei ele por causa da gatinha Emmanuelle Vaugier. É mais uma daquelas historinhas de gente da capital que chega numa cidade aparentemente pacata do interior e se mete em encrenca. Nem Vaugier e Daniel Baldwin, que mesmo quando detona na canastrice sai perdendo para o irmão Stephen, ajudam o bastante. Se tivesse apenas um elenco melhor e um pouco mais de empenho na direção, estaria acima da média. Como isso não acontece, resta apenas um filme razoável e sem maiores atrativos.


ARMADILHA DE FOGO (Firefight, 2003): Falando nos Baldwin, acabei dando uma chance a este filme produzido pelo meu querido Roger Corman onde Stephen Baldwin tira onda de bandido. É um daqueles "direct-to-video" padrão que usam imagens de incêndios reais (e de outros filmes, com certeza) para economizar no orçamento. Ele fala sobre um bombeiro que arquiteta um assalto a um carro-forte pensando em pagar as contas do seu pequeno restaurante que está quase falindo. O plano é utilizar um incêndio controlado na floresta local enquanto eles entram em ação. Tudo corre muito bem até que uma gatinha integrante no esquema conta tudo, por livre e espontânea pressão, para o agressivo namorado. O mala, portanto, chama seus coleguinhas para roubar todo o dinheiro do grupo. Se isso não fosse o bastante, o fogo escapa do controle e ocasiona um furioso incêndio que toma conta da floresta durante o desenrolar do roubo. ARMADILHA DE FOGO é daqueles filmes que assistimos quando não temos absolutamente nada melhor para fazer. Embora previsível, passa o tempo numa boa e Stephen Baldwin solta a franga em uma de suas piores atuações. Acredito que nem naquele SNAKEMAN ele esteja tão ruim. O elenco conta com Steve Bacic e Nick Mancuso como protagonistas.


ÁGUIA 1 - O RESGATE: Outra produção do Roger Corman. Com Mark Dacascos, Theresa Randle e participação especial de Rutger Hauer, o longa-metragem vale mais pelos aspectos técnicos do que pelo seu conteúdo. Como alguns devem saber, os filmes de Corman possuem orçamentos bem limitados e este daqui - numa decisão muito acertada - foi inteiramente filmado em câmeras HD. Ele tinha tudo para ser bom, porém acaba sendo um medíocre filme de guerra. As duas piores coisas para qualquer exemplar do gênero são a falta de realismo e cenas de batalha que deixam o espectador entediado. ÁGUIA 1 - O RESGATE tem os dois. Para piorar, o filme evita violência gráfica e Hauer e Randle não convencem como militares. Enquanto o veterano fala com os outros atores como se estivesse na cozinha de sua casa, a bonita atriz negra de GAROTA 6 parece estar desconfortável quando empunha uma arma. Já Mark Dacascos é esforçado e tem o melhor desempenho.

terça-feira, agosto 01, 2006

VIAGEM MALDITA (The Hills Have Eyes, 2006)



Eu tinha escrito um comentário bem humorado no excelente blog de Marcelo Carrard chamado Mondo Paura (ver links ao lado...), que estava me sentindo um excluído da saudável "sociedade" dos vários - e verdadeiros - fãs do bom e velho cinema de terror por ainda não ter visto VIAGEM MALDITA. Agora posso dizer que não me sinto mais, pois assisti esse belíssimo exemplo de refilmagem feita com carinho e respeito pelo filme original no último domingo. Como muitos devem saber, o longa-metragem é a nova versão de QUADRILHA DE SÁDICOS, um dos filmes mais cultuados de Wes Craven. A trama em si não tem maiores novidades, onde uma família segue viagem de férias em comemoração pelas bodas de prata do patriarca e da matriarca desta. Eles inventam de pegar um atalho recomendado pelo suspeito dono de um posto de gasolina, caem numa armadilha e durante a noite, são brutalmente atacados por um clã de canibais sádicos e deformados.

Tinha várias coisas para postar na frente, mas resolvi aproveitar o tempo e escrever um pouco sobre esta produção que merece destaque. O filme é mesmo bem acima da média e extremamente bem dirigido por um jovem chamado Alexandre Aja. Vindo do merecido sucesso de ALTA TENSÃO, um belo e violento suspense já disponível nas locadoras brasileiras, Aja mostra todo o seu talento na condução de uma história até batida. As únicas falhas de VIAGEM MALDITA são o mal aproveitamento de uma figuraça como Billy Drago e o roteiro que não conseguiu driblar alguns dos clichês mais convencionais do gênero. Nem vale a pena citá-los aqui, pois não pretendo alongar o texto. Concluindo, se você está a fim de ver um filme de terror bom de verdade e sem frescuras, assista a VIAGEM MALDITA. Com boas atuações (requisito fundamental para uma produção do estilo ser bem sucedida, uma excelente direção de fotografia de Maxime Alexandre (anotem esse nome...) e uma trilha sonora inspiradíssima de tomandandy (apreciado por mim desde que assisti a PARCEIROS DO CRIME e UM HOMEM SEM DESTINO, ambos de Roger Avary), ele vale todo o preço do ingresso. Se eu achei a versão censurada - que está sendo exibida nos cinemas - uma pauleira, imagina a desgraceira que vem na sem cortes...