
O título não nega qual é a da produção: remeter o espectador aos bons tempos do filme de vingança setentista. CHARLIE'S DEATH WISH é feito com uma curtição tão forte pelo subgênero que acaba arrancando um sorriso de satisfação em qualquer fã. Um mal que assola a maioria desses pequenos filmes é se levar demais a sério e isso não acontece aqui, claro. Há trabalhos em baixo orçamento que tem potencial para isso do início ao fim e outros que não.
Jeff Leroy tinha plena consciência que o seu filme não seria nenhum clássico, mas ele sabia do que queria do início ao fim. E nós estamos falando de um filme onde um dos personagens principais é vivido por Ron Jeremy, um que ele não tira as calças (aleluia!) em momento algum. O famoso astro pornô também atua melhor do que muita gente pensa.
Phoebe Dollar interpreta Charlie, uma stripper que se muda para Hollywood com a única e exclusiva intenção de exterminar os responsáveis pela morte de sua irmã. A pobre moça sofreu um "acidente" quando estava na cadeia. Inocente ou culpada da prisão, isso não importa para Charlie. Todos aqueles que estão envolvidos irão pagar e a garota está chegando cada vez mais perto do mafioso Harry Niche (Randal Malone).

O capitão Al Rosenburg (Jeremy) é o responsável pelo caso, junto com o policial Harris (John Fava). Ele suspeita de Charlie, mas como ela tem eliminado toda a escória da cidade, o homem da lei não sabe bem o que fazer. Também entra em cena um inescrupuloso documentarista, Mike Bloomfeld (Marc Knudsen) que cobre os acontecimentos com o menor bom gosto possível, numa crítica a mídia que não faz muito bem ao filme. Ainda no elenco, participações especiais de Jed Rowen e dos roqueiros Lemmy Kilmister, Tracii Guns e Dizzy Reed, todos fazendo pessoas muito simpáticas.
Jeff Leroy é um representante legítimo do cinema independente de gênero americano. Desde o início de sua carreira, ele colaborou atrás das câmeras em diversas funções para gente como Ron Ford, Brad Sykes e Jay Woelfel. Na direção, ele é mais conhecido por CREEPIES e WEREWOLF IN A WOMEN'S PRISON. Jeff sempre faz questão de usar efeitos práticos, ao invés de encher o filme com computação gráfica, como muitos de seus colegas fazem. Trabalhar com orçamentos baixíssimos não o impede de ter tudo o que quer em seus filmes. Em CHARLIE'S DEATH WISH, ele explode prédios, ruas, tem perseguições de carro e ainda faz o famoso letreiro de Hollywood perder o HO. Tudo com o emprego das boas e velhas miniaturas. Claro que a técnica não é 100% convincente, mas estamos falando de um realizador de cinema de gênero, que sempre presta tributo aos filmes que tanto ama. E isso, aliado a sua postura em fazer seus filmes e efeitos da forma mais artesanal possível, faz de Jeff Leroy um autor.
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Jeff Leroy em um dia de trabalho