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domingo, abril 22, 2012
quarta-feira, julho 14, 2010
EDDIE PRESLEY (1992, EUA)
Existe algo bonito em grande parte das pessoas com quem cruzo dia após dia, nas ruas de Recife. Noto em seus rostos, em seus olhares, que elas lutam pelos seus sonhos com uma vontade imensa de vivê-los. Eddie Presley, personagem escrito e interpretado por Duane Whitaker, bem que poderia ser uma delas.
O filme de Jeff Burr acompanha o personagem-título por alguns dias em Los Angeles, um homem cujo amor pelo Rei não tem limites. Tanto que mudou legalmente seu último nome para Presley quando decidiu cair na estrada homenageando o Rei através de seu tributo... mas isso se deu há muitos anos atrás. Podemos dizer que as coisas não tem dado muito certo para ele logo nos primeiros minutos da produção, quando o vemos morando numa van. Também passamos a saber que sua única fonte de renda é um emprego como vigia noturno de um depósito. Trabalho esse ameaçado por um supervisor dos mais malas já retratados no cinema e ajuda muito termos ninguém menos que Lawrence Tierney no papel.
A esperança ressurge para Eddie quando Doc (Roscoe Lee Browne), proprietário de um clubinho decadente, resolve dar uma chance para Eddie Presley. Com a ajuda de amigos do trabalho, ele fará de tudo para a noite de sua apresentação ser, também, o seu tão sonhado retorno, a perfomance de sua vida. Mas até mesmo nessa ocasião especial, feridas do passado - vistas em rápidos flashbacks em preto e branco no decorrer da narrativa - aliadas à inesperados problemas durante o próprio evento, farão Eddie contar apenas com ele mesmo e se abrir como nunca para seu (pequeno) público.
EDDIE PRESLEY é o papel da vida de Duane Whitaker, que também escreveu o roteiro, baseado em um monólogo de sua autoria. A peça conta com elementos autobiográficos e foi escrita numa das fases mais difíceis na carreira do ator, quando ele só arranjava papéis minúsculos em filmes e séries de TV e para sobreviver, também passou a trabalhar como vigia. Foi durante uma das apresentações do espetáculo que ele e os irmãos Jeff e William Burr (que produziu DO SUSSURRO AO GRITO) decidiram fazer o filme, reunindo vários amigos e conhecidos para tocar o projeto junto com eles. Jeff vinha de uma experiência negativa com LEATHERFACE: O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA 3 e estava ansioso para fazer um filme independente de verdade, com sua assinatura no corte final.
A reunião de figuras queridas ligadas ao cinema de gênero e independente norte-americano chama a atenção. Na parte técnica, destacam-se a efetiva trilha de Jim Manzie, a edição classuda de Jay Woelfel e a sintonia entre o diretor de fotografia Tom Callaway e Jeff Burr. A sensibilidade da dupla consegue captar imagens memoráveis em um filme pequeno, de poucas locações. O elenco conta também com um impecável Clu Gulager, como Sid, um agente de quinta categoria, a quem Eddie convida para ver sua apresentação. Ted Raimi e Willard E. Pugh fazem os dois amigos do trabalho que apoiam o incansável lutador. As ótimas Harri James e Stacie Bourgeois interpretam as duas mulheres na vida de Eddie.
Em papéis menores, Daniel Roebuck, Tim Thomerson e Patrick 'Puppy' Thomas interpretam respectivamente o pior mágico, o pior cômico e o pior ventríloquo já retratados no cinema. Os três estão deliciosamente hilários em suas participações, com Roebuck tendo mais tempo para seu Keystone, o Magnífico. Como se não bastasse, temos ainda as aparições relâmpago de Bruce Campbell e Quentin Tarantino como funcionários de um hospital psiquiátrico, Joe Estevez atua como o pai de Eddie Presley e John Lazar (o eterno Z-Man de DE VOLTA AO VALE DAS BONECAS) interpreta um motorista de limusine que leva Eddie e amigos ao clube de Doc. É 'piscou, perdeu' mesmo, questão de segundos.

Até meados de 2004, o filme se encontrava inédito no mercado doméstico. A redescoberta desta pérola se deu por conta de seu lançamento em DVD pela Tempe Vídeo, do realizador J. R. Bookwalter (THE DEAD NEXT DOOR, OZONE). Temos um excelente comentário de áudio que reúne Burr, Whitaker, Callaway, Woelfel e Manzie, que é informativo e divertido na mesma proporção. Dentre as várias informações, sabemos que as participações de Tierney e Tarantino se deram ao fato que EDDIE PRESLEY estava sendo filmado ao mesmo tempo que CÃES DE ALUGUEL. Há também 33 minutos de bastidores comentados pelos realizadores, uma prévia de COMBATE NA ESCURIDÃO, trailers e uma versão extendida do filme com 126 minutos de duração. E esse é apenas o disco simples. No segundo disco que compõe a edição especial, mais imagens de bastidores (incluindo Campbell e Tarantino ensaiando falas cortadas na edição final), entrevistas, um especial chamado "Tierney's Tyranny" e outros extras. Muito diferente das enganações que o consumidor brasileiro está acostumado a encontrar nas prateleiras.
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sexta-feira, março 05, 2010
EVIL EVER AFTER (2006, EUA)

Difícil imaginar algo parecido hoje no cinema independente americano. Aqui no Brasil temos o catarinense Petter Baiestorf, mas há tempos eu não via tanta violência ginecológica no mesmo filme. A dose de EVIL EVER AFTER atingiu um nível bem acima da média, com direito até um dos personagens ter o seu pênis arrancado e comido! Brad Paulson dirigiu um filme que não economiza em mau gosto.
A produção começa com ninguém menos que Joe Estevez narrando a história do jovem Bernie Grisso (Ron Swallow), que leva uma vida sem complicações e tem pais que o amam. Tudo muda quando ele volta mais cedo da escola e vai ao porão da sua casa... para ver os pais devorando um cadáver humano. Bernie acaba virando canibal junto com seu pai e mãe, uma de suas vítimas é um bêbado que morre com a garrafa de birita perfurada no próprio peito. As coisas caminham na maior tranquilidade até o dia em que os pais do garoto são mortos por um policial corrupto (Ford Austin, fã declarado de BAD LIEUTENANT) que encobre os crimes da família, mas o deixa vivo. Anos depois, já adulto e curado do vício, Bernie (agora interpretado por Randal Malone, figuraça) é vítima de Ashley (Heidi Martinuzzi, também produtora executiva), a piranha do bairro que o faz ser extremamente humilhado, estuprado e deixado para morrer. Mas ele sobrevive e a contagem de corpos tem início.
EVIL EVER AFTER é uma produção de Chris Watson, que vem colaborando para o cenário independente americano desde 2003, com ZOMBIEGEDDON, onde reuniu figuras ilustres do cinema B e de terror. Watson também tem colaboração no roteiro, que coloca a maior parte do elenco em situações que muitos atores se sentiriam ofendidos ao serem filmados. Não é livre de falhas, claro. A duração se alonga mais do que o necessário, perdendo um bom tempo com cenas e diálogos de personagens que tem "carniça" escrito na testa. Não se assiste a um título como esses por desenvolvimento de personagem, mas quando o bicho pega, o longa não desaponta.
Assumidamente barato e grosseiro do início ao fim, esse é o tipo de filme que o grande crítico 'drive-in' Joe Bob Briggs escreveria sobre, se não fizesse parte do elenco que ainda conta com outros habitantes do universo B e 'micro-budget' americano: Brinke Stevens (aqui uma anti-MILF) e Mighty Mike Murga. Há participações de Julie e Lizzy Strain, Felissa Rose, Jeff Leroy e duas figuras com quem já troquei idéias: Eric Spudic e Chris Mackey. Para a minha alegria, os dois morrem no filme. Mackey faz o bêbado que citei no segundo parágrafo. Lloyd Kaufman gravou uma participação que acabou cortada na ilha de edição, seu personagem era outro que aparecia somente para morrer.
Ao ser livre e sem qualquer tipo de amarras, EVIL EVER AFTER cumpre a missão de recriar o clima das produções dos anos 70 e 80 que o inspiraram, inclusive na trilha sonora, atuações exageradas e a morte de um garoto 'on-screen' que lembra ASSALTO A 13a. DP. Mas ao contrário do filme de Carpenter, o moleque não tinha nada de inocente e (pasmem!) ainda era cadeirante. É essa postura "quanto pior, melhor" e o extermínio de praticamente todo o elenco que garantem a maior parte da curtição.
O que está rolando com o pessoal...
Chris Watson realizou DEAD IN LOVE, uma comédia dramática que vem recebendo elogios. Confesso que o meu maior interesse se deve a participação do grande Richard Norton no filme. Sei que ele não deve chutar a bunda de ninguém, mas o sujeito é um dos heróis de minha adolescência e estou ansioso para vê-lo em algo novo.
Watson e Ford Austin se reuniram novamente para fazer um filme que deve ser ainda mais demente: DAHMER VS. GACY. A produção continua percorrendo vários festivais nos Estados Unidos, segue o trailer:
Brad Paulson faz parte do blog Dead Harvey e Chris Mackey se dedica ao GUESTAR, ambos dedicados a produções independentes. Antes de EVIL EVER AFTER, Paulson chamou atenção com a antologia THE VAN e o roteiro de THE BLOOD STAINED BRIDE. Já Mackey gostou tanto de um filme chamado MINDS OF TERROR que adquiriu os direitos para distribuição própria. Ele sabe do que faz, tem um comentário de minha pessoa no IMDB quando o assisti. O longa de Mark Adams tem uma história das mais curiosas e será assunto de um artigo que já começou a ser escrito para o Boca do Inferno.
Heidi Martinuzzi é editora e dona do Pretty Scary e está em pós-produção com o documentário BRIDES OF HORROR, sobre as esposas de realizadores do cinema de terror.
Eric Spudic é ator e roteirista, mas o vício dele por filmes B foi tão grande que ele montou uma loja inteira de VHS e DVD's raros. Confira abaixo o divertido comercial da Spudic's Movie Empire, prestes a virar 'cult' no YouTube:
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