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terça-feira, junho 14, 2011

Brian Trenchard-Smith e um desafio em sua carreira


De hoje em diante, eliminarei diversas pendências no Vá e Veja. Uma delas é nunca ter conversado direito com vocês sobre o trabalho de Brian Trenchard-Smith. Esse diretor inglês de nascimento é conhecido por assinar obras cultuadas pelos fãs de cinema B e exploitation realizadas na Austrália como THE MAN FROM HONG KONG, TURKEY SHOOT e DRIVE-IN DA MORTE, além de ter descoberto Nicole Kidman no juvenil BICICLETAS VOADORAS. Com exceção do último, os filmes citados marcaram um período conhecido como Ozploitation, retratado com extrema competência no documentário NOT QUITE HOLLYWOOD.

Para continuar na ativa com o passar dos anos, assim como outros realizadores, Brian acabou se aventurando no cinema “direto pra vídeo”, pois os filmes B cada vez mais perdiam o seu espaço na tela grande. A NOITE DOS DEMÔNIOS 2 e as suas duas continuações para a franquia O DUENDE (3 e 4) renderam bons lucros, além de explicitar o seu característico senso de humor para uma nova geração de espectadores. Eu faço parte dela, com muito prazer.


Brian sempre intercalou seus filmes de gênero produzidos por estúdios independentes como a Trimark com os telefilmes. Hoje em dia, praticamente tudo que Brian dirige tem a TV como destino principal. AMEAÇA SUBMARINA é um de seus vários telefilmes e o título pode ser considerado parte de um subgênero dentre as obras que lidam com a guerra, o chamado “filme de submarino”. Não se deve esperar algo como O BARCO, MARÉ VERMELHA e CAÇADA AO OUTUBRO VERMELHO quando se pensa em assistir a um “made for TV” de orçamento modesto. Mas nós estamos falando de outro desafio enfrentado por Brian, que produz e dirige esse projeto, dono de uma das histórias mais curiosas que já tomei conhecimento.

A trama do filme é centrada em Frank Habley (interpretado por Adrian Paul, Highlander - série de TV), Comandante da Marinha dos Estados Unidos que aceita cumprir uma perigosa missão submarina no mar do Japão. Ela tem um final trágico, com as mortes do Oficial Engenheiro e do Oficial Executivo e seu melhor amigo, o Tenente Comandante Tom Palatonio (Mike Doyle), por conta dos ataques de um submarino inimigo não detectado pelo radar. Habley enfrenta a Corte Marcial pelo ocorrido, que não acredita em sua versão dos fatos. Pouco depois, o Comandante recebe uma nova chance de liderar mais uma missão nas águas da Coréia do Norte, sendo que dentre os membros da sua tripulação se encontram o Tenente Comandante Steven Barker (Matthew St. Patrick) que tem autorização de tomar o controle da missão sem o seu prévio conhecimento e a Tenente Claire Trifoli (Catherine Dent), irmã de Tom que o culpa pela morte do oficial.


Eis a curiosa história de bastidores: AMEAÇA SUBMARINA possui três versões diferentes. Brian gravou cenas para duas versões de um mesmo filme: uma com temática homossexual (o longa teve financiamento da Here!, emissora de TV com programação destinada ao público LGBT) e outra ausente de maiores referências em relação a opção sexual do protagonista, intitulada “The Phantom Below” que é a versão lançada no Brasil e na maioria dos países. A terceira versão foi editada para uma distribuidora japonesa que também injetou grana na produção, mas exigiu um filme com 96 minutos de duração (a regular tem 94 minutos). Tudo filmado no Havaí em 15 dias sem colaboração da Marinha. Na versão “gay”, Habley e Tom são amantes e o fato é escondido da Marinha e dos membros da equipe, com exceção de Dizzy Malone (Matt Battaglia), Oficial de Mergulho, outro grande amigo do Comandante, hetero e casado. Claire também acaba descobrindo do relacionamento entre Habley e seu irmão. Soube da maior parte destas informações através de contato pessoal com o próprio Brian Trenchard-Smith, que tem sido bastante proveitoso. Grande cara.

No geral, AMEAÇA SUBMARINA poderia ser exibido numa Sessão da Tarde sem qualquer censura em sua versão “comum”, a qual eu assisti. Não passa de um telefilme rotineiro com violência quase nula, sem nenhuma novidade ou muito interesse em fugir do convencional, mas que diverte sem aborrecer, especialmente se você curte filmes de submarinos e sente vontade de ver mais um.

Brian escreveu sobre os bastidores da produção para o site Trailers from Hell no fim de maio. Confira o artigo do realizador clicando aqui. E saibam que já estou com o DVD brasileiro de FORÇA AÉREA 2 em mãos. Yeah!

domingo, novembro 16, 2008

COMBATE NA ESCURIDÃO (Straight Into Darkness, 2005, EUA)

Jeff Burr é um nome mais conhecido dentre os fãs do cinema de terror. Eu mesmo já assisti a algumas continuações que ele assinou como O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA 3 e PUPPET MASTER 4 que vão do razoável ao bom, na minha opinião. Ele chamou a minha atenção desde que assisti o seu primeiro longa, DO SUSSURRO AO GRITO, uma antologia apresentada pelo grande Vincent Price. Também tenho boas lembranças de A NOITE DO ESPANTALHO, um pequeno slasher feito por ele em 1995. Mas tudo me leva a crer que COMBATE NA ESCURIDÃO seja o seu melhor filme, além de ser o mais pessoal de toda a sua filmografia.

A tensão da abertura é daquelas que pegam o espectador pelo pescoço para não soltar mais até o final do filme, ambientado no final da 2a. Guerra Mundial. Dois soldados americanos, Losey (Ryan Francis) e Deming (Scott MacDonald) são pegos por militares (James LeGros e Dan Roebuck) tentando desertar. A caminho da prisão militar ou da morte por execução, uma armadilha: minas. Mortes ocorrem, mas os desertores sobrevivem, seguem sobrevivendo a outras provações até chegarem num prédio abandonado e logo descobrem que não estão mais sós. No prédio também estão dois professores (os veteranos David Warner e Linda Thorson) de um orfanato que fora destruído e as crianças sobreviventes, muitas delas deficientes físicas por conta da violência da guerra. Elas crianças foram treinadas pelo personagem de Warner para lutar por suas vidas e estão sempre armadas esperando a chegada de uma poderosa ameaça. E ela vem na forma de um grupo de 60 soldados alemães que atacam o lugar.

COMBATE NA ESCURIDÃO é um belíssimo filme. Existem falhas, como a óbvia dublagem dos atores romenos que fazem os alemães e os flashbacks do personagem de Ryan Francis que servem para construir mais o personagem, mas a grande quantidade deles acaba distraindo. Tirando isso, não tenho muito do que reclamar. O filme conta com excelente uso da violência e locações na Romênia, alguma dose muito bem-vinda de surrealismo e uma inspirada homenagem a ninguém menos que Edgar Allan Poe. Direção, fotografia, atuações e trilha sonora também colaboram juntas para a sempre crescente atmosfera de desespero.

COMBATE... não é só humano em sua narrativa, mas também na produção. É ainda mais emocionante assisti-lo sabendo que todas as crianças que atuaram nele são mesmo orfãs na vida real, tendo sido contratadas pelos produtores através dos orfanatos que residem. Uma iniciativa que só me deixa ainda mais confiante em recomendar essa pequena obra-prima. Como diz um amigo meu, "Bons filmes merecem ser vistos".