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segunda-feira, setembro 26, 2011

MISSÃO LASER (Laser Mission, 1990, EUA)


Quem espera grande coisa de uma produção cujo título sequer chama a atenção mesmo tendo relação direta com a história? Some isso ao fato de termos Brandon Lee em sua estréia no cinema americano e Ernest Borgnine juntos numa mistureba ingênua de ação e ficção científica. E ainda temos a música-tema sendo executada mais de 5 vezes em todo o filme, levando o espectador a crer que David Knopfler (irmão de Mark Knopfler e ex-Dire Straits) não recebeu o suficiente para elaborar uma trilha sonora completa.


Brandon Lee (que teria uma provável bela carreira interrompida devido ao seu brutal falecimento durante as filmagens de “O Corvo”) é Michael Gold, um mercenário norte-americano enviado a um país ditatorial fictício com o propósito de contatar o professor Braun (Ernest Borgnine, mandando ver no falso sotaque alemão) e lhe propor asilo nos Estados Unidos. Braun possui o projeto de uma arma à laser guardada na memória, que só pode ser elaborada com a inclusão de um famoso e caro diamante roubado no início do filme. Gold promete liberdade total e segurança no seu novo lar, pois a criação não pode cair em mãos erradas. Durante a conversa, ambos acabam atingidos por dados tranquilizantes no pescoço. Aprisionado pelo horrendo (no mal sentido…) Coronel Kalishnakov (Graham Clarke) e sem idéia do paradeiro do simpático senhor, resta ao mercenário aturar um guarda tosco dizendo “We cut off your head mañana!!”, escapar da cela, falar com seus contratantes e iniciar uma missão de resgate.

Requisitos como os descritos acima fazem qualquer produçãozinha ser diversão garantida para os apreciadores de um bom filme ruim. “Missão Laser” pode ser visto como um belo cartão de visitas para as filmecos fuleiros do gênero que infestaram os cinemas e as prateleiras das locadoras nos anos 80. O leitor deve estar se perguntando: – Peraí, mas ele não foi feito em 1990? Exatamente, o roteiro é uma tremenda colcha de retalhos de todos os clichês e besteiras destas saudosas produções. O básico do básico está presente: o moçinho fodão que pouco está ligando para as situações perigosas, a gatinha ajudante (aqui, Debi Monahan), o vilão imbecil, os personagens cômicos sem a menor graça e um veterano decadente fazendo participação especial.


E tome queijo. Numa fuga em cima dos telhados de uma residência, Michael Gold cai na sala de jantar desta, quebrando tudo. Depois de se levantar sem sofrer um mísero arranhão, ele segue rumo a concluir seu objetivo, quando olha o casal assustado e diz: – Só vim aqui para dizer… bom apetite!! Com tamanha esculhambação, fica impossível não sentir pena ao ver Ernest Borgnine, astro de obras do porte de “Os Doze Condenados”, “Meu Ódio Será Sua Herança” e “O Imperador do Norte” (só para citar três…) encarando furadas deste nível para faturar uns trocados. Já os vilões Graham Clarke e Werner Pochath (falecido em 1993, vítima da AIDS) mostraram que são bons profissionais. Deveriam ter observações assim no roteiro: para quem for Kalishnakov, seja bem ridículo; para quem for Eckhardt, seja mais ridículo ainda e tente fazer umas expressões faciais toscas para mostrar a insanidade do personagem. Eles conseguiram.


Algo que não deve ser cobrado em “Missão Laser” é lógica. Acreditem, depois de um cena de tiroteio no meio urbano, os protagonistas seguem rumo a estrada e vão parar num deserto!! Também não dá para decifrar onde diabos se passa a história. O país tem a aparência de ser localizado na África, com o idioma falado sem definição entre inglês e espanhol (alguns falam só o idioma britânico ou latino e outros, como o guarda tosco, misturam os dois) e escritos em português. Falando nisso, todos os sotaques dos atores americanos interpretando estrangeiros são um ponto a mais para o fator trash da produção.

Enfim, apesar da ruindade geral, o filme tem um bom visual graças aos cenários escolhidos pelos produtores. Mas isso pouco importa. O importante mesmo é que “Missão Laser” diverte quem curte ficar tirando sarro das babaquices enquanto confere alguma bobagem inofensiva de vez em quando (senão o cérebro atrofia hehehe).

NA: 01 – Infelizmente, dá para notar que alguns momentos foram editados pela censura como uma decapitação, uma cena de sexo e a morte de um dos principais vilões. Segundo um usuário no IMDb, a versão sem cortes é a intitulada “Soldier of Fortune”.

02 – Os direitos de copyright do longa caíram em domínio público. Então, qualquer um que adquira uma cópia do filme pode distribuí-lo a vontade que não tem bronca com a lei. Segue um link para download desta pérola via este excelente site especializado em torrents de filmes em domínio público: http://www.publicdomaintorrents.com/

Texto escrito originalmente para o hoje extinto site Erotikill. Dedico a postagem ao amigo Leopoldo Tauffenbach, a quem tive o prazer de conhecer 'in persona' na passagem por São Paulo e que teve a "sorte" de assistir a essa pérola do cinema nos últimos dias. :)

terça-feira, junho 14, 2011

Brian Trenchard-Smith e um desafio em sua carreira


De hoje em diante, eliminarei diversas pendências no Vá e Veja. Uma delas é nunca ter conversado direito com vocês sobre o trabalho de Brian Trenchard-Smith. Esse diretor inglês de nascimento é conhecido por assinar obras cultuadas pelos fãs de cinema B e exploitation realizadas na Austrália como THE MAN FROM HONG KONG, TURKEY SHOOT e DRIVE-IN DA MORTE, além de ter descoberto Nicole Kidman no juvenil BICICLETAS VOADORAS. Com exceção do último, os filmes citados marcaram um período conhecido como Ozploitation, retratado com extrema competência no documentário NOT QUITE HOLLYWOOD.

Para continuar na ativa com o passar dos anos, assim como outros realizadores, Brian acabou se aventurando no cinema “direto pra vídeo”, pois os filmes B cada vez mais perdiam o seu espaço na tela grande. A NOITE DOS DEMÔNIOS 2 e as suas duas continuações para a franquia O DUENDE (3 e 4) renderam bons lucros, além de explicitar o seu característico senso de humor para uma nova geração de espectadores. Eu faço parte dela, com muito prazer.


Brian sempre intercalou seus filmes de gênero produzidos por estúdios independentes como a Trimark com os telefilmes. Hoje em dia, praticamente tudo que Brian dirige tem a TV como destino principal. AMEAÇA SUBMARINA é um de seus vários telefilmes e o título pode ser considerado parte de um subgênero dentre as obras que lidam com a guerra, o chamado “filme de submarino”. Não se deve esperar algo como O BARCO, MARÉ VERMELHA e CAÇADA AO OUTUBRO VERMELHO quando se pensa em assistir a um “made for TV” de orçamento modesto. Mas nós estamos falando de outro desafio enfrentado por Brian, que produz e dirige esse projeto, dono de uma das histórias mais curiosas que já tomei conhecimento.

A trama do filme é centrada em Frank Habley (interpretado por Adrian Paul, Highlander - série de TV), Comandante da Marinha dos Estados Unidos que aceita cumprir uma perigosa missão submarina no mar do Japão. Ela tem um final trágico, com as mortes do Oficial Engenheiro e do Oficial Executivo e seu melhor amigo, o Tenente Comandante Tom Palatonio (Mike Doyle), por conta dos ataques de um submarino inimigo não detectado pelo radar. Habley enfrenta a Corte Marcial pelo ocorrido, que não acredita em sua versão dos fatos. Pouco depois, o Comandante recebe uma nova chance de liderar mais uma missão nas águas da Coréia do Norte, sendo que dentre os membros da sua tripulação se encontram o Tenente Comandante Steven Barker (Matthew St. Patrick) que tem autorização de tomar o controle da missão sem o seu prévio conhecimento e a Tenente Claire Trifoli (Catherine Dent), irmã de Tom que o culpa pela morte do oficial.


Eis a curiosa história de bastidores: AMEAÇA SUBMARINA possui três versões diferentes. Brian gravou cenas para duas versões de um mesmo filme: uma com temática homossexual (o longa teve financiamento da Here!, emissora de TV com programação destinada ao público LGBT) e outra ausente de maiores referências em relação a opção sexual do protagonista, intitulada “The Phantom Below” que é a versão lançada no Brasil e na maioria dos países. A terceira versão foi editada para uma distribuidora japonesa que também injetou grana na produção, mas exigiu um filme com 96 minutos de duração (a regular tem 94 minutos). Tudo filmado no Havaí em 15 dias sem colaboração da Marinha. Na versão “gay”, Habley e Tom são amantes e o fato é escondido da Marinha e dos membros da equipe, com exceção de Dizzy Malone (Matt Battaglia), Oficial de Mergulho, outro grande amigo do Comandante, hetero e casado. Claire também acaba descobrindo do relacionamento entre Habley e seu irmão. Soube da maior parte destas informações através de contato pessoal com o próprio Brian Trenchard-Smith, que tem sido bastante proveitoso. Grande cara.

No geral, AMEAÇA SUBMARINA poderia ser exibido numa Sessão da Tarde sem qualquer censura em sua versão “comum”, a qual eu assisti. Não passa de um telefilme rotineiro com violência quase nula, sem nenhuma novidade ou muito interesse em fugir do convencional, mas que diverte sem aborrecer, especialmente se você curte filmes de submarinos e sente vontade de ver mais um.

Brian escreveu sobre os bastidores da produção para o site Trailers from Hell no fim de maio. Confira o artigo do realizador clicando aqui. E saibam que já estou com o DVD brasileiro de FORÇA AÉREA 2 em mãos. Yeah!

quarta-feira, maio 05, 2010

CHARLIE'S DEATH WISH (EUA, 2005)

O título não nega qual é a da produção: remeter o espectador aos bons tempos do filme de vingança setentista. CHARLIE'S DEATH WISH é feito com uma curtição tão forte pelo subgênero que acaba arrancando um sorriso de satisfação em qualquer fã. Um mal que assola a maioria desses pequenos filmes é se levar demais a sério e isso não acontece aqui, claro. Há trabalhos em baixo orçamento que tem potencial para isso do início ao fim e outros que não.

Jeff Leroy tinha plena consciência que o seu filme não seria nenhum clássico, mas ele sabia do que queria do início ao fim. E nós estamos falando de um filme onde um dos personagens principais é vivido por Ron Jeremy, um que ele não tira as calças (aleluia!) em momento algum. O famoso astro pornô também atua melhor do que muita gente pensa.

Phoebe Dollar interpreta Charlie, uma stripper que se muda para Hollywood com a única e exclusiva intenção de exterminar os responsáveis pela morte de sua irmã. A pobre moça sofreu um "acidente" quando estava na cadeia. Inocente ou culpada da prisão, isso não importa para Charlie. Todos aqueles que estão envolvidos irão pagar e a garota está chegando cada vez mais perto do mafioso Harry Niche (Randal Malone).

O capitão Al Rosenburg (Jeremy) é o responsável pelo caso, junto com o policial Harris (John Fava). Ele suspeita de Charlie, mas como ela tem eliminado toda a escória da cidade, o homem da lei não sabe bem o que fazer. Também entra em cena um inescrupuloso documentarista, Mike Bloomfeld (Marc Knudsen) que cobre os acontecimentos com o menor bom gosto possível, numa crítica a mídia que não faz muito bem ao filme. Ainda no elenco, participações especiais de Jed Rowen e dos roqueiros Lemmy Kilmister, Tracii Guns e Dizzy Reed, todos fazendo pessoas muito simpáticas.

Jeff Leroy é um representante legítimo do cinema independente de gênero americano. Desde o início de sua carreira, ele colaborou atrás das câmeras em diversas funções para gente como Ron Ford, Brad Sykes e Jay Woelfel. Na direção, ele é mais conhecido por CREEPIES e WEREWOLF IN A WOMEN'S PRISON. Jeff sempre faz questão de usar efeitos práticos, ao invés de encher o filme com computação gráfica, como muitos de seus colegas fazem. Trabalhar com orçamentos baixíssimos não o impede de ter tudo o que quer em seus filmes. Em CHARLIE'S DEATH WISH, ele explode prédios, ruas, tem perseguições de carro e ainda faz o famoso letreiro de Hollywood perder o HO. Tudo com o emprego das boas e velhas miniaturas. Claro que a técnica não é 100% convincente, mas estamos falando de um realizador de cinema de gênero, que sempre presta tributo aos filmes que tanto ama. E isso, aliado a sua postura em fazer seus filmes e efeitos da forma mais artesanal possível, faz de Jeff Leroy um autor.

Trailer de RAT SCRATCH FEVER, que será lançado em 2010



Por que WEREWOLF IN A WOMEN'S PRISON é melhor que AVATAR?



Jeff Leroy em um dia de trabalho

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

SOLDADO UNIVERSAL 3: REGENERAÇÃO (Universal Soldier: Regeneration, 2009, EUA)


Em relação aos companheiros Steven Seagal, Wesley Snipes e os novatos Cuba Gooding Jr. e Val Kilmer nos filmes que vão direto pro DVD, Jean-Claude Van Damme está indo muito bem. Há quase três anos atrás, Até a Morte provou que o baixinho do calombo na testa é mais ator do que muita gente pensava. 2009 foi a vez do surpreendente JCVD, onde ele interpreta um ator chamado Jean-Claude Van Damme que está pendurado em dívidas, perde a custódia dos filhos para a ex-mulher e seus filmes vão direto pro DVD ao invés dos cinemas. Não se sabe quanto do Van Damme da ficção e do Van Damme da vida real estão no roteiro. JCVD é para Van Damme o que O Lutador foi para Mickey Rourke. Um belo filme que merecia alguma chance no circuito alternativo brasileiro.

O mesmo não pode ser dito de Soldado Universal 3: Regeneração, que é um espetáculo de truculência. A direção ficou a cargo de John Hyams, filho de Peter Hyams (que dirigiu Van Damme em TIMECOP e MORTE SÚBITA), trabalhando como diretor de fotografia neste filme. Regeneração parte direto do original, desconsiderando as duas continuações baratas feitas para a TV e Soldado Universal: O Retorno, onde Luc Deveraux (Van Damme) vive como um humano e tinha até uma filha! Ainda bem.

Nos primeiros minutos do filme ambientado na Rússia e filmado na Bulgária, uma moça e um rapaz são sequestrados de um museu de arte por um grupo mascarado. Os bandidos começam a massacrar os seguranças particulares, a polícia e um deles leva vários tiros, mas não morre. Essa introdução ao filme nos leva a algo cada vez mais raro e ausente do cinema de ação atual: uma cena de perseguição tão bem planejada, filmada e editada que joga o espectador no meio da ação e ainda assim, ele entende o que está acontecendo. Isso tudo antes do final dos créditos de abertura. Yeah!

Os dois jovens sequestrados são filhos do primeiro ministro, usados pelo general Boris e seus soldados saídos de um filme do Chuck Norris para negociar a liberdade de companheiros presos. Eles tomaram a usina de Chernobyl e ameaçam explodir o lugar se o governo russo não cumprir as exigências em até 72 horas. Aquele sequestrador que teimava em não morrer na perseguição do início é, na verdade, o NGU (interpretado pelo lutador Andrei "The Pit Bull" Arlovski), uma nova geração de Soldados Universais. Ela foi criada pelo Dr. Colin (Kerry Shayle), o típico cientista louco, e seu assistente (Garry Cooper). O governo americano envia 4 dos 5 soldados restantes da antiga geração para Chernobyl resgatar os jovens, num esforço lamentável, os guerrilheiros sofrem baixas, mas o novo soldado universal acaba com os 4. A solução é reativar Luc Deveraux (Van Damme), que estava sob tratamento psicológico (???) para a missão, voltando a ser a máquina de matar que sempre foi. Deveraux apenas não contava com o encontro surpresa no lugar: seu antigo inimigo, o psicótico Andrew Scott (Dolph Lundgren).


Essa volta de Deveraux não faz mesmo muito sentido. Se os outros quatro soldados não resistiram à nova geração, por que raios enviaram o Deveraux? Mas antes de qualquer coisa, é necessário lembrar que ao assistir esses filmes, qualquer falta de noção e lógica deve ser posta de lado. Não se assiste a um filme de ação por roteiro, atuações e construção de personagens. O que mais importa é ver o Deveraux quebrando o pau assim que bota os pés na usina e, nesse sentido, o filme não desaponta. Coloque no meio de tudo o aguardado confronto de Scott e Deveraux - com direito a final estilo Blade Runner - e temos quase 30 minutos ininterruptos de pura ação, com violência a granel e lutas bem coreografadas, influenciadas por MMA (Mixed Martial Arts). John Hyams também dirigiu The Smashing Mashine, documentário sobre o lutador Mark Kerr.

A atmosfera de Regeneração difere do esperado, com uma fotografia de cores frias que chama a atenção e remete ao cinema de ficção científica feito hoje. Se há algo que seja considerado negativo, é o limitado tempo em cena do trio principal de atores. Contam-se nos dedos os seus diálogos no roteiro de Victor Ostrovsky, embora seja essa ausência de humanidade e emoção que faz os personagens terem tamanha presença no filme.

Van Damme e Arlovski beiram a perfeição como duas máquinas de matar: o som que mais se ouve quando eles estão em cena são os de suas vítimas. Lundgren é o que menos aparece dos três, mas o retorno de Andrew Scott vem sendo comparado com a descontrolada fuga do monstro de Frankenstein. Não é para menos, Scott termina sendo o personagem mais interessante do filme e permite a Lundgren alguns de seus melhores momentos em anos.

Uma excelente colaboração entre pai e filho cineastas faz com que Soldado Universal 3: Regeneração seja acima da média e tão bem acabado para uma produção destinada ao DVD. O filme merece ser visto, nem que seja pela brutal cena de luta entre Van Damme e Lundgren, que podem sim estar mais velhos, mas acabam com qualquer "astro" atual do gênero como John Cena num estalar de dedos.


Mancada: a distribuidora California Filmes errou o nome de Van Damme em todo o material promocional do filme, posters e capas do DVD e Blu-Ray. Que coisa feia.

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

FORÇA DA NATUREZA (Gale Force, 2002, EUA)

No final de 2009, o amigo Ronald Perrone escreveu sobre um de meus filmes de ação favoritos dos anos 90: O ÚLTIMO GRANDE HERÓI. Além da vontade de revê-lo, o texto também me fez enviar por e-mail um vídeo achado pelo roteirista Steve Latshaw, roteirista deste FORÇA DA NATUREZA, dirigido por Jim Wynorski. Logo na abertura deste épico do cinema, cenas do filme de John McTiernan foram editadas na sequência em que o personagem de Treat Williams foge de um grupo de criminosos. A caída de queixo foi geral entre os comentários do Dementia 13. Ronald se animou, correu atrás e o resultado foi o texto recente e muito divertido sobre RANGERS, um dos filmes mais inacreditáveis da parceria Latshaw/Wynorski.



Eu não sabia que Arnold fazia liquidação de garagem.

FORÇA DA NATUREZA não é nenhum "Frankenstein" como RANGERS e RAPTOR (já comentado aqui). Ele não passa de uma brincadeira com os reality shows que estavam começando a fazer sucesso nos Estados Unidos, principalmente SURVIVOR que originou o NO LIMITE. Até certos clichês são usados para fazer graça. Treat Williams é Sam Garrett, um policial durão enviado a uma ilha como participante de um programa chamado 'Caça ao Tesouro', onde entra na disputa por um prêmio de 10 milhões de dólares. O que ele e nem seus colegas esperavam é que o time de ex-soldados contratados pela produção para dificultar a busca pelo tesouro e o próprio apresentador tem outros planos, Os caras não querem saber de tiros de festim. Como se isso não bastasse, uma onda gigante está a caminho da ilha. Sentiu o drama? Por incrível que pareça, o filme ainda tenta se levar um pouquinho a sério, mas não muito, claro... digo isso porque alguns personagens são mortos de maneira muito gratuita. Nem mesmo eu esperava tal destino para eles.

The bad guys

O elenco de figuras carimbadas chama a atenção. Além de um divertido Treat Williams, temos os grandes Tim Thomerson (o eterno Jack Deth da série TRANCERS e Brick Bardo, em DOLLMAN) e Curtis Armstrong (o eterno Booger de A VINGANÇA DOS NERDS) como participantes do reality show. No campo feminino, Susan Walters e Tamara Davies são boas presenças (não, elas não tiram a blusa hehe) e de vilões, o subestimado Michael Dudikoff tem bons momentos como o líder dos mercenários. Um dos subordinados de Dudikoff é outro rosto familiar, William Zabka, o loirinho treinado por Martin Kove só para levar o chute mais ridículo da história do cinema em KARATE KID.

The good guys

A produção também usa outra tática dos primórdios do cinema barato, mas esta é utilizada até hoje: a participação confinada. Cliff DeYoung é o ‘nome’ que tem o papel do produtor do reality show. DeYoung só aparece uma única vez em outra locação, mas ao longo do filme ele fica no estúdio da emissora de TV. A última cena do personagem no filme de cair o queixo, daquelas que fazem a gente se lembrar de que o cinema é a arte onde absolutamente tudo pode acontecer. E é por isso que sigo vendo essas belezas ao invés de perder tempo com baboseiras intelectualóides de boteco onde não acontece nada em 10 minutos de filme. Uma coisa é certa, nos legítimos filmes B, isso nunca irá ocorrer. Sempre há algo para a nossa alegria em muito menos de 10 minutos de filme, mesmo que no fim das contas ele acabe sendo muito ruim.

Ofereço um brinde à Jim Wynorski, Steve Latshaw, Fred Olen Ray e a todos os outros autores de vários filmes que são sem vergonha sim, mas sou mais eles do que farsantes tirando onda de cineastas quando não o são. É claro que sei reconhecer títulos onde o estilo está acima do conteúdo, mas também faço questão de sempre afirmar que cinema é a arte de se fazer filmes, não quadros em movimento.

Stock Footage Cinema
Um pouco de história do cinema B e direto para vídeo para vocês

Computação gráfica não era moda e nem qualquer um tinha After Effects no computador de 1998 a 2005. Várias produtoras neste período fizeram seus filmes B de ação/ficção com cenas de tiroteio, explosões, helicópteros e etc licenciadas (ou seja, pagas aos estúdios e detentores dos direitos) de outros filmes de maior orçamento. Essa é uma prática adotada desde o início da carreira do mestre Roger Corman e segundo o próprio Latshaw, de seriados dos anos 50 que eram roteirizados a partir dessas cenas mais caras de se fazer. Os valores de produção aparentavam ser maiores e a produção em si ficava mais em conta do que muitos pensavam.

Entre os produtores do período, destacaram-se Joseph Merhi e Richard Pepin, da inesquecível PM Entertainment, com títulos como AVALANCHE e DEVASTAÇÃO EM LOS ANGELES (Epicenter). Mas nenhum deles superou a quantidade de lançamentos da Phoenician (Andrew Stevens, Elie Samaha e Alison Semenza) e Cinetel (Paul Hertzberg). Motivo: Wynorski e Fred Olen Ray eram os seus diretores. Eles ganham a vida por serem rápidos, saberem trabalhar com limitações orçamentárias e entregar os filmes no prazo ou até mesmo antes do tempo estimado. A dupla trabalhou tanto nesse período que os seus hoje já conhecidos pseudônimos Jay Andrews e Ed Raymond foram criados para as distribuidoras não reclamarem que os 4 filmes que compraram no ano eram dirigidos pela mesma pessoa. Não é para menos que eles foram os reis deste 'stock footage cinema' e fizeram a festa no período.

PS 1 - Voltei a usar os comentários do Blogger. Intense Debate causou problemas na leitura do Vá e Veja e usei o substituto do Halo Scan, o Echo, por um período de testes e ele simplesmente não funciona... além de ser pago (já aumentaram de 10 para 12 dólares ao ano). Tudo indica que irei perder todos os comentários feitos até hoje por vocês no blog. Me chamem de besta, mas isso dói no coração. Tenho grande parte exportado num arquivo .xml, tomara que haja alguma maneira de importá-los no serviço do Blogger no futuro.

PS 2 - Blogs adicionados:

CINE MONSTRO de Carlos Primati, que já podemos chamar de obrigatório, mesmo com menos de dois meses na Internet.

TED BOY MARINO
, porque nunca é demais ter mais outro espaço na blogosfera dedicado a cobrir "cinema de macho".

terça-feira, janeiro 19, 2010

Albert Pyun abre o jogo sobre BULLETFACE


Foi anunciado recentemente que o primeiro filme a ser lançado do diretor Albert Pyun não seria mais TALES OF THE ANCIENT EMPIRE (sua continuação de A ESPADA E OS BÁRBAROS), mas o sombrio BULLETFACE, com roteiro de Randall Fontana (Hong Kong '97). Como grande parte das produções independentes atuais, o filme será auto-distribuído pelos próprios realizadores através da Curnan Pictures. Segue abaixo a sinopse traduzida:

A história é situada na fronteira do México com a California, principalmente em Imperial Beach, CA. BULLETFACE é sobre uma agente do DEA, Dara Maren, que é presa ao proteger seu irmão mais novo, um criminoso. A prisão parece saída de um pesadelo, um lugar tão miserável que os guardas traficam órgãos dos detentos. O irmão de Dara acaba sendo assassinado por um traficante que cria uma nova droga alteradora de DNA feita a partir de um fluído retirado da espinha dorsal. Os novos viciados (entre eles, oficiais da lei e do governo) se transformam em algo nada humano e centenas de cadáveres começam a aparecer ao redor da fronteira.

Enquanto isso, um agente corrupto do FBI suborna os guardas de prisão para deixar Dara se vingar da morte do irmão e derrubar o traficante. Quando Dara sai da prisão, ela não é a mesma pessoa que entrou. Dara tem 60 horas fora da cadeia e deve voltar para servir o restante da sua sentença de 20 anos ou o agente ficará em seu lugar.

Mesmo ocupado com o lançamento da edição especial de BULLETFACE, Pyun falou ao Vá e Veja sobre o filme:

"O que eu diria sobre Bulletface é que ele talvez seja o mais sombrio e intenso filme da minha carreira. Um sombrio 'thriller' de horror.
O filme também é sobre como as relações familiares no mundo do crime são retorcidas, inclusive no amor, e como elas causam uma ação extrema e violenta vindas da dor emocional e do ódio.

Bulletface é totalmente sexual e sem regras em sua violência ao retratar o dano que estupro, vingança e feridas emocionais podem causar em circunstâncias extremas. A questão principal do filme é que tipo de ser humano a personagem de Victoria Maurette pode ser depois de estuprada, ter um órgão roubado, sua família assassinada e traída por aqueles que ama. Sua forma de ver a vida é marcada pelo pior de tudo isto.
"

BULLETFACE também é co-estrelado por Steven Bauer, Eddie Velez e Scott Paulin co-estrelam junto com Morgan Weisser e Jennifer Dare Paulin. A atriz pornô Jenaveve Jolie faz parte do elenco. Velez é o vilão principal do filme, enquanto Paulin faz outra figura maligna e Bauer é um "good guy", o agente que tira a personagem da cadeia e corre o risco de ficar preso no lugar dela. Quando perguntado sobre como foi trabalhar com Bauer, Pyun respondeu que ele foi muito profissional e fácil de lidar.

De acordo com o Quiet Earth, a edição especial terá quatro discos (!!) com o filme em widescreen, a trilha sonora de Tony Riparetti em CD e de bonus, um novo corte de LEFT FOR DEAD baseado nos comentários e críticas na versão de 2008 e a trilha deste 'horror-western'. Pyun disse trabalhar em mais material extra e também revelou que BULLETFACE foi adquirido pela Lusomundo para distribuição em Portugal. Esperemos então pelo trailer e ver se algum distribuidor brasileiro se aventura a distribuir o filme. Stills do filme podem ser vistas no Quiet Earth e Dread Central.

Fique por dentro das novidades de Albert Pyun através de suas páginas no Twitter e MySpace.

terça-feira, dezembro 29, 2009

Trailer de UNDISPUTED 3 e resenha de FORÇAS ESPECIAIS, por Luiz Alexandre

A mais nova sessão porrada de Isaac Florentine,
com Scott Adkins reprisando o papel de Yuri Boyka.




Consegui resgatar a resenha do comparsa Luiz Alexandre para FORÇAS ESPECIAIS, escrita em seu Mad Blog:


Florentine mostrando como se faz, no set de UNDISPUTED 3.

NINJA (2009, EUA)


Como é bom assistir um filme que te deixa feliz não só em um, mas em vários momentos. Sorrir como eu sorri assistindo a NINJA chegou a ser medicinal para mim. Um dos principais motivos de eu apreciar tanto cinema B (e quebrar a cara um monte de vezes) é voltar ao tempo, me sentir de novo como aquele moleque que saía da escola na sexta-feira para ir na locadora se aventurar nas prateleiras empoeiradas dos filmes de catálogo. Era o tempo das VHS e se você acha que hoje em dia lançam coisa até demais, é porque não soube curtir essa época. Lançavam de tudo nas locadoras. Gosto muito de lembrar que foi só John Woo lançar O ALVO que os filmes do diretor feitos em Hong Kong foram sendo lançados aos poucos por distribuidoras como Reserva Especial, Penta Vídeo, Alpha Filmes e Flashstar. Foi também o tempo onde as fitas de Gary Daniels, Mark Dacascos, Michael Dudikoff, Lorenzo Lamas e Frank Zagarino disputavam a atenção dos blockbusters hollywoodianos.

Esse primeiro parágrafo acabou sendo bem nostálgico porque NINJA não deve ser encarado de outra maneira. Isaac Florentine é o cara, só mesmo alguém que sabe do riscado consegue a façanha de fazer seis filmes para a Nu Image e todos (repito: todos!) serem bons. Scott Adkins foi uma descoberta de Florentine em FORÇAS ESPECIAIS e a parceria deu tão certo que foi repetida em O LUTADOR (Undisputed 2) e OPERAÇÃO FRONTEIRA, onde Adkins encara Van Damme. O britânico também apareceu em ESPIÃO POR ACIDENTE, O MEDALHÃO, CÃO DE BRIGA, O ULTIMATO BOURNE e X-MEN ORIGENS: WOLVERINE, mas foram com os filmes de Florentine que ele teve maiores chances de mostrar o seu talento. NINJA é o primeiro filme maior de Adkins como protagonista, que mostra potencial para crescer mais, embora o roteiro empurre umas cenas dramáticas nele que só servem para enrolar e explicitam as suas limitações. Mais atenção na próxima, Isaac: papo não é o forte do sujeito.


Em NINJA, a trama não passa de uma desculpa esfarrapada para uma sucessão de pancadaria e mortes a cada 5 minutos ou menos. Quando vemos o personagem Masazuka pela primeira vez, o seu ator Tsuyoshi Hara se esforça tanto pra fazer cara de malvado que a gente já sabe quem é o vilão. Temos uma Nova York mais falsa que o Milli Vanilli, pois tudo foi filmado em Sofia na Bulgária. A seita secreta apresentada ao expectador logo após o início só está no filme para fornecer capangas. E como se espera, entra em cena o representante da lei (Todd Jensen, figura carimbada nas produções da Nu Image) para atrapalhar a vida dos protagonistas do bem.

É por essas e outras que eu recomendo NINJA sem restrições a quem for maluco como eu e aprecia um filminho de ação besta e inofensivo para matar 1 hora e meia. Dentre as qualidades, a maior é a direção enxuta e firme de Isaac Florentine, que contraria as desgraças que QUANTUM OF SOLACE e os novos BOURNE fizeram com cenas de luta e ação tão mal dirigidas e elaboradas que chega a ser impossível acompanhar o desenrolar delas. Embora falho em momentos (a ação Ninja decepciona para um filme com esse título), NINJA cumpre a sua função principal: divertir. E isso é o que mais importa para os fãs do gênero.

Você sabe quando um filme foi feito na Bulgária quando...

...qualquer um desses atores (ou os três) aparecem,
da esquerda para a direita:
Velizar Binev, Todd Jensen e Raicho Vasilev.

domingo, setembro 21, 2008

Cinema B de ação em dois filmes


DUPLA PERSEGUIÇÃO (Mach 2, 2001)
Dir. Fred Olen Ray

Brian Bosworth pode ser um canastrão de primeira, mas o cara tem a minha consideração por ter feito um dos filmes de ação mais divertidos dos anos 90: ESTADO DE CHOQUE. É nesse filme que Bruce Payne rouba a cena fazendo um de seus vilões mais insanos e me fez homenageá-lo o colocando como minha foto no Blogger. Falemos do MACH 2, que junto com TENSÃO NAS ALTURAS e RESGATE NAS PROFUNDEZAS, formam os três "terroristas-em- avião" que Ray usando o seu pseudônimo Ed Raymond dirigiu em meados de 2000. Assim como eles, várias outras fitas B exploraram esse filão aberto por PASSAGEIRO 57 e TURBULÊNCIA. Pena que hoje o subgênero esteja praticamente extinto desde o 11 de setembro.

Gosto de Ray porque ele faz filmes B que não querem ser mais do que um filme B. Esse título não é exceção, o roteiro de Steve Latshaw (pai de JACK-O, Sras. e Srs.) diverte e o elenco idem. Aliás, que elenco. Além do "The Boz", Shannon Whirry (sem tirar a blusa uma vezinha só, uma pena), Michael Dorn e os lendários David Hedison e Cliff Robertson. Também podemos notar a presença de outras figuras do cinema B, Andrew Stevens e John Putch e como sou um nostálgico, adorei ver Grant Cramer (PALHAÇOS ASSASSINOS) e Lance Guest (O ÚLTIMO GUERREIRO DAS ESTRELAS). Como se não bastasse, ainda há pontas de Austin Stoker e Charles Cyphers, de ASSALTO À 13a. DP. Atenção para o uso de imagens de AEROPORTO 80 e ASSASSINO A PREÇO FIXO, este último numa inacreditável perseguição de carros. Só vendo pra crer!



BLACK THUNDER - O RESGATE (Black Thunder, 1997)
Dir. Rick Jacobson

Eu vivi no tempo em que você poderia ir para a locadora e encontrar filmes protagonizados por Gary Daniels, Jeff Wincott, Jeff Speakman, Lorenzo Lamas, Frank Zagarino e outras lendas com caras como Billy Drago, Mattias Hues, Martin Kove, Edward Albert, Cary Tagawa e até Ron Silver fazendo os vilões. Aqui, o moçinho é Michael Dudikoff e o vilão, Richard Norton. Mais filme B dos anos 90 impossível. Ver BLACK THUNDER me fez sentir com 13 anos de novo.

Michael Dudikoff e Gary Hudson interpretam dois pilotos que são chamados para resgatar um caça "invisível", não detectável por radares, que foi roubado por um grupo de terroristas líbios. Quem acompanha o blog deve se lembrar deste post que fiz quando comprei o DVD. Pois é, demorei um pouco para assisti-lo, mas o filme era tudo aquilo que falei! Ou seja, recomendo uma coisa linda dessa com folgas hehe.

Como curiosidade, BLACK THUNDER foi refilmado no ano passado como O VÔO DA FÚRIA com Steven Seagal. Nem preciso dizer qual dos dois é o melhor, né? E o roteirista William C. Martell mantém os ótimos Script Secrets e Sex in a Submarine, sempre com dicas e conselhos aos aventureiros na escrita para cinema.

Editado em 22/09/08

sexta-feira, agosto 03, 2007

Directed by Dolph Lundgren

Quem diria que Dolph Lundgren seria uma revelação do cinema de ação também atrás das câmeras? Comento a seguir os dois filmes dirigidos e estrelados por ele que já foram lançados aqui no Brasil em DVD.

O DEFENSOR (The Defender, 2004, USA/UK/GER/ROM)


Um filme que tem Jerry Springer fazendo o presidente dos EUA é algo que só vendo para crer. Talvez em outras mãos, O DEFENSOR seria esculhambação pura, chegando ao nível das tralhas que Steven Seagal anda fazendo. Lundgren viu que essa era uma boa chance para dar um novo rumo à sua carreira e o resultado final deste projeto se tornou um dos títulos mais curiosos a chegar nas locadoras em 2005. Quem iria dirigir O DEFENSOR era o canadense Sidney J. Furie, mas este teve que abandonar o trabalho por problemas de saúde. O ator teve um bom relacionamento com o diretor ao fazerem AÇÃO DIRETA, onde ele acompanhou de perto todo o processo de produção do filme, algo que só faz aumentar a experiência de qualquer pessoa com cinema. Então Lundgren se revelou apto a topar a parada e os produtores nem correram um risco muito grande pela produção ser pequena e com locações limitadas.

O DEFENSOR mostra uma equipe de segurança de primeiro escalão comandados por Lance, um veterano da Guerra do Golfo vivido pelo próprio Lundgren, para proteger a Secretária de Defesa Nacional em um hotel na Romênia. Chegando no local que está sem ninguém além dela e da equipe, a moça se encontrará secretamente com uma pessoa importante para a iniciativa de paz promovida pelo Presidente por causa do forte clima anti-terrorismo instaurado no país. É só o encontro se concretizar para que um grupo de rebeldes armados invada o hotel com a intenção de executar sumariamente todo mundo que está lá dentro.

Lembrando ASSALTO À 13ª DP pela trama passada num cenário limitado com invasores misteriosos, a ação e a tensão não cessam até o final. Só de vez em quando é que o Presidente e os responsáveis pela súbita invasão aparecem em cenas com mais diálogo. Os protagonistas não conseguem arranjar muito tempo para bater papo. Se você apenas quer um filme de ação bruto, violento e de ritmo acertado, O DEFENSOR não desaponta. Tem seus pontos fracos, é verdade. Agora a qualidade da ação compensa a traminha meio insossa e as patriotadas ridículas que poderiam ser evitadas. Creio que ele junto com o VINGANÇA (Wake of Death, 2004) do Van Damme fazem o par das fitas do gênero lançadas direto em vídeo mais legais de 2005.

CONFRONTO FINAL (The Mechanik aka The Russian Specialist, 2005, GER/USA)


Em menos de um ano após O DEFENSOR, CONFRONTO FINAL já estava sendo lançado nas locadoras brasileiras. Pense num filme difícil de achar aqui em Recife, tive de pegar uma cópia da turma do Capitão Gancho que tinha ele dublado. Me sujeitei a vê-lo assim mesmo, só que o ignorante que autorou o disco deletou as legendas em português disponíveis para a dublagem nas falas em russo. Aí tive de ficar adivinhando o que os bandidos falavam na maioria das vezes.

No início, vemos o protagonista Nikolai Cherenko (quase que esse sobrenome era outra coisa...) perdendo a sua família durante um tiroteio decorrente de uma negociação de drogas. O mafioso responsável pela tragédia consegue fugir, só que ele não contava que Nick era um ex-membro das Forças Armadas Russas. Numa madrugada, Nick acaba com todos os homens que acompanhavam o criminoso e ainda dá um balaço na cara do sujeito. Isso tudo acontece em menos de 10 minutos de filme!

Depois desse evento, o homem imigra ilegalmente para os Estados Unidos querendo começar uma nova vida. Lá, Nick trabalha numa oficina como mecânico (daí o título original) e recebe uma missão de uma rica senhora que sabe muito bem quem ele é. Ela lhe diz que sua filha foi vítima de um sequestro por parte de uma poderosa gangue russa. Nick reluta inicialmente, mas a moça acaba mostrando para ele numa foto quem é o responsável pela infelicidade dela. Sim, exatamente o sujeitinho que ele pensara ter matado anos antes na Rússia. Foi o gás que estava faltando para Nick largar tudo e voltar para o seu país natal. Se ele já iria atrás do nojento de graça, imagina agora bem financiado? hehe.

Enquanto O DEFENSOR é uma fita bem simples e direta com um certo clima dos filmes da Cannon, CONFRONTO FINAL (títulozinho genérico e repetido ainda por cima...) em tudo nos remete aos filmes de vingança feitos nos anos 70. Tá na cara que eu achei ele lindo, não é? A fotografia de cores meio chapadas de Ross Clarkson (de O LUTADOR, outro filme raramente bacana da Nu Image) salienta ainda mais as reais intenções de Dolph ao dirigir a produção. A influência de Sam Peckinpah nas cenas de tiroteio é absolutamente inquestionável. Até os típicos closes nas feridas sendo abertas por bala estão lá. Quem também atua no filme é Ben Cross (também de O LUTADOR) como William Burton, um americano beberrão que é apaixonado por uma prostituta e ajuda o personagem de Dolph na missão. Ele se responsabiliza por um saudável alívio cômico, que acho sempre bem-vindo quando se é efetivo. CONFRONTO FINAL ficou ainda mais legal na revisão que fiz para escrever essas linhas, o que geralmente encaro como um sinal de que o filme é mesmo bom.

Agradecimentos ao Otávio Moulin pelo ótimo post a respeito do último filme e de um professor muito curioso em seu blog.

terça-feira, janeiro 30, 2007

O GOSTO DA VINGANÇA ( A Bittersweet Life, 2005)


Coincidentemente, as três últimas resenhas postadas aqui (incluindo essa) foram de filmes orientais. Também pudera, eles estão nos surpreendendo há anos com um cinema de qualidade ímpar, feito por diretores preocupados com uma coisa que cada vez mais está sendo deixada de lado: a arte de contar bem uma história. Até deixei de escrever sobre o belíssimo ZONA DE RISCO (Joint Security Area, 2001) de Chan-wook Park na semana passada para evitar isso, mas tive de me render quando vi SHA PO LANG na última terça-feira.

Lee Byung-hun (que também atua em JSA) interpreta Sun-woo, um rapaz sisudo, violento e de passado obscuro que tem trabalhado por sete anos para o mafioso Presidente Kang (Kim Yeong-cheol) conquistando a sua total confiança. Sun-woo também é o gerente do La Dolce Vita, restaurante de propriedade da organização onde são marcadas todas as reuniões e negociações. Durante um jantar, o chefe ordena que ele acompanhe a sua namorada, uma violinista profissional chamada Hee-soo (Shin Min-a) durante três dias. Caso o jovem perceba a presença sexual de um homem na vida cotidiana da moça, ele deve ligar para Kang ou eliminar imediatamente ela e o companheiro. O porém é que essa tarefa acaba colocando Sun-woo em uma enrascada que despertará toda a fúria vingativa contida no íntimo do seu ser.


Algumas pessoas definiram A BITTERSWEET LIFE como um "Action Noir" e acho que essa definição foi feliz. O filme consegue fazer isso sem qualquer prejuízo para a narrativa e o diretor Ji-woon Kim faz a alegria da gente com uma das melhores e mais memoráveis seqüências de ação corporal dos últimos anos. Ela chega a ser fantástica de tão bem executada e coreografada. Não me lembro de ter visto a cabeça de algum infeliz sendo pressionada e arrastada contra a parede em algum outro filme. Chega doeu em mim na hora hehehe.

Lee Byung-hun encarna Sun-woo com uma naturalidade impressionante e ele me fez lembrar de Alain Delon diversas vezes. O protagonista é um sujeito boa pinta, mas tem cara de poucos amigos e vive muitíssimo bem vestido na maioria das vezes. Soube ontem que Ji-woon Kim se inspirou em LE SAMOURAI de Melville para escrever o roteiro, então a semelhança já está mais do que explicada. Já nos quesitos técnicos, o filme detona. A trilha sonora é um trabalho inspirado e a fotografia salta aos nossos olhos com belos enquadramentos e um uso memorável de cores como vermelho (incluindo o vermelho do sangue que sai dos ferimentos à bala), branco e preto.

O que mais me surpreendeu em A BITTERSWEET LIFE é a maneira como ele fala da vida. Através dos excelentes diálogos travados entre os personagens e das intervenções narrativas do próprio protagonista no início e no fim do filme, fica impossível para um espectador atento a esses detalhes deixar de fazer uma reflexão sobre o quanto ela é imprevisível e injusta na maioria das vezes. Algumas dessas falas são tão marcantes que ficaram gravadas na minha memória, principalmente "A vida é sofrimento. Você não sabe disso?" dita pelo Presidente Baek (Hwang Jeong-min) a Sun-woo. Não pense que o filme seja muito pessimista, há uma correto e muito bem-vindo alívio cômico durante o desenrolar da trama para aliviar esse pessimismo. Os orientais são monstruosos nisso. Takeshi Kitano que o diga.

A BITTERSWEET LIFE é e sempre será um dos melhores filmes sobre esse sentimento que qualquer ser humano já sentiu ou irá sentir algum dia chamado vingança e as conseqüências que ela acaba causando na vida de quem parte para executá-la. O derramamento de sangue pelas mãos de Sun-woo inevitavelmente desencadeará outras vinganças que irão entrar em ponto de ebulição no excelente tiroteio final travado no La Dolce Vita (numa óbvia homenagem ao clássico de Fellini e irônica brincadeira com o próprio título ao mesmo tempo), complementando aquela velha idéia de que a violência só gera mais violência. Ninguém presta neste filme, mas Sun-woo é um personagem tão humano e bem construído que criamos uma empatia com ele e torcemos para o sucesso da sua vingança. Não é à toa que SCARFACE foi outro título que inspirou Ji-woon Kim, um grande realizador que merece ser acompanhado com mais atenção. Preciso aproveitar esse restinho de férias noturnas e assistir A TALE OF TWO SISTERS logo.

Moral: Ao assistir qualquer filme da trilogia da vingança de Chan-wook Park e A BITTERSWEET LIFE, temos a mais absoluta certeza de que não desejamos fazer mal algum a qualquer coreano.

Agradeço ao Otavio Moulin, que fez uma força pro filme ser lançado aqui no Brasil em DVD (mesmo com uma legenda em português que carece de uma revisãozinha na ortografia e gramática em algumas passagens, mas tudo bem... o filme vem com ótima qualidade de som e imagem em WIDE) pela Visual Filmes; ao Leandro Caraça, que sem querer querendo me indicou este filmão no top 10 de 2005 em seu VIVER E MORRER NO CINEMA e a Marcelo Carrard pelo reforço da indicação ao comentar sobre ele no seu MONDO PAURA.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

SHA PO LANG (Saat Po Long aka SPL, 2005, HK)


Como está evidente em todos os calendários do mundo, hoje é uma quarta-feira que também é dia 24. Então me sinto na obrigação de iniciar as atividades do blog essa semana falando de um verdadeiro filme de macho. Vários colegas blogueiros de credibilidade como Bakemon, Heraclito Maia, Leandro Caraça e Takeo Maruyama (acho que errei rs) já tinham comentado muito bem sobre esse SPL. E eles estavam absolutamente certos. Meus caros, se vocês realmente curtem cinema de ação / policial podem ir na locadora mais próxima e alugar COMANDO FINAL (o infeliz título dado a ele pela Imagem Filmes quando sua equipe consultou o "Hiper-Mega-Ultra Generic Title Generator versão 2.0 em português", fazer o que?) sem o menor receio de ser feliz. O filme é foda!

A trama inicia com o violento chefe do crime Wong Po (o lendário Sammo Hung) sendo liberado da cadeia pela falta de provas contra ele. Detalhe: a principal testemunha de acusação foi assassinada por Jack dentro do carro da polícia, onde o detetive Chung (Simon Yam) também se encontrava. Recuperado dos ferimentos e prestes a se aposentar, Chung inicia com seus homens uma obsessiva caçada por qualquer evidência que finalmente coloque Po atrás das grades, nem que isso signifique a necessidade de alterar a integridade da mesma. Mas quem não se mostra muito disposto a ajudar Chung e seus homens nesse sentido é o inspetor Ma (Donnie Yen) que foi designado para controlar a unidade após a aposentadoria do detetive.


SPL é bem enxuto e vai direto ao assunto, sem enrolações. O espaço que o diretor Wilson Yip destina ao drama particular de alguns personagens, frisando a questão da paternidade, pode ser limitado mas é muito bem utilizado. Talvez seja por isso que achei que Po deveria ser um pouco mais explorado, afinal trata-se de Sammo Hung fazendo um vilão! Mesmo cinquentão, ele simplesmente detona no filme e não faz feio no já antológico confronto entre ele e Donnie Yen. Além de atuar, esse último ainda foi responsável pela coreografia das cenas de luta e realizou um belo trabalho. Todas elas não são longas, e sim rápidas e brutais. Outra luta bem comentada e tão boa quanto a citada ocorre entre Yen e Jackie Wu - que faz um sanguinário assassino contratado pelo Po - num beco. Também gostei de todos os três atores que fazem os parceiros do detetive Chung. Já o meu ator favorito no filme é Simon Yam, o único dos três protagonistas que não se destaca pelo conhecimento de artes marciais. Se não fosse por ele, SPL talvez perderia grande parte do impacto que transmite ao espectador em sua trágica conclusão.

Muitos consideram esse filme como a volta do inesquecível cinema de ação feito em Hong Kong nos anos 80 e 90. Pessoalmente, achei essa afirmação um pouquinho exagerada enquanto o assistia ontem. Ele está mais para que seja o marco inicial desta volta. Tomara mesmo que o merecidíssimo sucesso de SPL influencie outras produções posteriores no mesmo molde e com qualidade semelhante, caso não sejam superiores. A junção de cinema policial com o cinema de artes marciais é um achado. Estranhei um pouco quando a porrada começou a comer, mas depois fiquei bem satisfeito. Acho que esse foi o primeiro filme dos anos 2000 (senão o primeiro de todos mesmo) que conseguiu unir de maneira muito bem sucedida e feliz os dois gêneros.

terça-feira, janeiro 16, 2007

JOGO DA VINGANÇA (Am Zin / Running Out of Time, 1999, CHI)


Quando assisti a BREAKING NEWS em meados de junho/julho de 2006, percebi que Johnnie To era mesmo alguém especial pro cinema contemporâneo. Já com PROFISSIONAIS DO CRIME bateu uma pequena decepção, pois esperava que este fosse melhor do que BREAKING NEWS e até mesmo do que CONFLITOS INTERNOS de tanto o pessoal fã de filmes asiáticos falar mil maravilhas dele. Depois de JOGO DA VINGANÇA, posso dizer que To virou um dos meus favoritos e não é exagero afirmar que o diretor foi uma das maiores revelações do moderno cinema chinês. Pena que a cópia em DVD lançada no nosso país pela China Vídeo ainda fique a dever em qualidade de som e imagem (acredito que a matriz tenha sido o criticado disco da Tai Seng), porque o filme é muito legal.

Não há nenhuma grande novidade na sua trama ou em seu desenvolvimento, trata-se de outro daqueles bons casos onde o talento dos envolvidos fazem a diferença. Ela é centrada naquele típico jogo de gato e rato que sempre gostamos de ver disputado desta vez entre um criminoso que está prestes a morrer em 72 horas chamado Cheung (Andy Lau, de CONFLITOS INTERNOS) e o inspetor Ho-Sheung-Sang (Lau Ching Wan, também conhecido como Sean Lau, de MÁSCARA NEGRA). Cheung assalta uma seguradora para chamar a atenção do policial e o desafia a prendê-lo nesse exato tempo que ele tem de vida.

A produção foi feita com o propósito de apenas entreter, sendo que Johnnie To vai um pouco além disso e deixa o resultado acima da média do gênero. Assim como o obsessivo Ho vai sendo manipulado pelo Cheung sem notar os seus truques, o espectador também entra no jogo montado por To e pelos dois roteiristas (que são franceses!) de seu filme sem a menor resistência. Em JOGO DA VINGANÇA, o desenrolar do desafio é mais importante do que a vitória.

Falemos das atuações. Lau Ching Wan faz um policial egocêntrico, bem-humorado e sarcástico, mas implacável e obstinado no cumprimento do seu dever e o carismático Andy Lau tem aqui uma das suas melhores atuações como um criminoso de motivações misteriosas. Não se sabe o que Cheung realmente pretende até o final e isso faz com que nós fiquemos indecisos pra quem vamos torcer. No elenco, temos os divertidíssimos Shiu Hung Hui e Suet Lam - presenças garantidas em vários filmes de To - e a gatinha Ruby Wong em papéis coadjuvantes. Waise Lee (de BALA NA CABEÇA) está desperdiçado num papel que não lhe faz justiça.


JOGO DA VINGANÇA ainda possui uma das histórias de amor que mais me chamaram a atenção nos últimos anos. Detalhe: ela dura apenas duas cenas que somadas não dão nem 10 minutos! A trilha sonora de Raymond Wong (SHAOLIN SOCCER), as boas atuações e a condução segura de To funcionam maravilhosamente bem nelas. O filme também tem a virtude de não se levar muito a sério. Portanto, a boa diversão e algumas risadas com as constantes tirações de sarro de Ho com a cara do seu chefe estão garantidas. Só espero que os recentes lançamentos de filmes do To em DVD tenham feito bonito nas vendas e locações e façam com que as distribuidoras se animem a lançar mais e mais títulos da sua filmografia aqui no Brasil. Não custa nada sonhar alto, mas tomara que o elogiadíssimo EXILED (muitíssimo bem falado por Leandro Caraça e André ZP) tenha uma chance nos nossos cinemas.