domingo, outubro 13, 2013

Uma palavrinha sobre o VI Janela Internacional de Cinema do Recife

Na última sexta-feira, 11 de outubro, tivemos o início da 6a. edição do Janela Internacional de Cinema do Recife. Quem ainda acompanha esse blog e me conhece pessoalmente sabe do quanto eu tenho carinho por esse festival, realizado com enorme dedicação por Kleber Mendonça Filho, Emilie Lesclaux e equipe. Carinho esse que vem não apenas porque eu fui parte do 1o. Janela Crítica (projeto que contempla jovens que desejam se tornar pensadores de cinema), voluntário na 2a. edição, espectador na 3a. e 4a. e representante do Cineclube Dissenso na 5a. e 6a. edições, mas porque esse é um festival de cinema do qual tenho muito orgulho de ver sendo realizado na cidade do Recife. Diferente de um outro aí que não vem ao caso agora e só tem cometido equívocos atrás de equívocos. 

A abertura oficial se deu com TATUAGEM, de Hilton Lacerda, mas a programação se iniciou mais cedo a partir das 18h30 com a inesquecível exibição de FAÇA A COISA CERTA, a obra-prima de Spike Lee, o 1o. dos Clássicos do Janela deste ano. É deveras curioso vê-lo sendo exibido no evento após a aclamação de O SOM AO REDOR, do próprio Kleber, pois, de certa forma, eles são filmes-irmãos. Apesar de seus momentos cômicos, FAÇA A COISA CERTA e O SOM AO REDOR são filmes sobre um bairro e seus personagens que se mostram dedicados a construir uma tensão que chegará a um nível agonizante e uma explosão de violência física e psicológica em sua conclusão. 

FAÇA A COISA CERTA é um grande filme que ficou gigante na tela do São Luiz. Amparado por um elenco genial (Danny Aiello, Ossie Davis, Ruby Dee, Rosie Perez, John Turturro, Richard Edson, Giancarlo Esposito, Bill Nunn, Roger Guenveur Smith, a dupla John Savage e Frank Vincent em pequenos porém marcantes papéis e muitos outros excelentes atores), Lee realiza aquele que talvez seja o filme definitivo sobre a intolerância e a estupidez geradas por confrontos raciais. Eu entrei em êxtase semelhante ao do trielo de TRÊS HOMENS EM CONFLITO - outra sessão memorável do Janela - quando Radio Raheem (Nunn) nos brinda com seu monólogo sobre Amor vs. Ódio. Foi lindo demais. 


A sessão de OS EMBALOS DE SÁBADO À NOITE realizada na noite do sábado 12 (se ligou? "Os Embalos de Sábado à Noite", sessão no sábado à noite... hehe) foi outra coisa linda. A obra mais amada de toda a carreira do diretor John Badham apenas cresceu com essa revisão e fiquei impressionado com o quanto o filme consegue ser tão belo em sua simplicidade e humanidade, no interesse por aqueles personagens. Imagem e som de qualidade muito acima de minhas já elevadas espectativas fizeram com que o longa atingisse ainda mais o espectador tanto nas cenas em que ele esbanja alegria quanto nas cenas em que acompanhamos o sensível e melancólico registro dos dramas vividos por um jovem chamado Tony Manero (John Travolta, no papel que merecidamente o transformou em astro) e as pessoas que o cercam.

E o que dizer da espetacular trilha de canções compostas e - em sua grande maioria - interpretadas pelos BEE GEES? UAU. Fica claro porque o seu casamento com as imagens do filme é algo que jamais será desfeito na memória das pessoas que tiveram a oportunidade de assisti-lo em sua estréia. Nem da minha, que acabo de assistir pela 1a. vez na tela grande.


Eu deveria ter escrito também sobre a sessão do Cineclube Dissenso realizada ontem também no São Luiz em conjunto com o Janela mas isso vai ter que ficar para outra hora. Não quero me atrasar para conferir um dos filmes de minha vida na tela grande. Trata-se de nada mais nada menos que "Era Uma Vez no Oeste" de Sergio Leone.

 Fui!

Um comentário:

Anônimo disse...

Pois é, "Os Embalos de Sábado a Noite" é um desses filmes q qto mais se vê mais se gosta! Edú Aguilar, Abs