quinta-feira, agosto 29, 2013

SORCERER de William Friedkin no Cineclube Dissenso


Em celebração ao aniversário de William Friedkin, que completa 78 anos nesta quinta-feira 29, o Cineclube Dissenso exibirá um de seus filmes malditos: "O Comboio do Medo" (Sorcerer, 1977). Maldito apenas no sentido de azarado, já que se trata de uma espetacular produção cinematográfica que tem ganho mais reconhecimento com o passar dos anos.

Explicaremos melhor. "O Comboio do Medo" foi o filme realizado por Friedkin logo após a sua consagração com "Operação França" (The French Connection, 1971) e o explosivo sucesso mundial de "O Exorcista" (The Exorcist, 1974), um clássico do cinema de horror que o levantou ao topo dos queridinhos de Hollywood. O 'studio system' do período era um tanto diferente do atual e os executivos davam mais liberdade criativa e financeira aos cineastas que faziam esses filmes à sua maneira, mas que não deixavam de render bons lucros para os estúdios. O longa que custou 22 milhões de dólares terminou sendo um fiasco de bilheteria em grande parte por seu lançamento ter coincidido com o de um arrasa quarteirões chamado "Guerra nas Estrelas" (Star Wars, 1977). "O Comboio do Medo" conseguiu arrecadar estimados 12 dos 22 milhões de seu orçamento e terminou sendo mais lembrado juntamente com outros dois fracassos de bilheteria e de orçamentos inflacionados - "O Portal do Paraíso" (Heaven's Gate, 1980) de Michael Cimino e "O Fundo do Coração" (One from the Heart, 1982) de Francis Ford Coppola - que quase destruíram a carreira de seus realizadores e que marcaram o fim desses tempos em que os estúdios concediam maior liberdade artística para os diretores.

Mas nada disso tira o brilho deste corajoso trabalho de Friedkin e sua equipe. "O Comboio do Medo" é a 2a. adaptação para cinema do livro "O Salário do Medo" de George Anaud, a 1a. foi dirigida por Henri-Georges Clouzot (As Diabólicas) em 1953. A produção tem o seu foco em quatro personagens. Nilo (Francisco Rabal) é um matador profissional. O terrorista Kassem (Amidou) viu os seus amigos serem presos e mortos pela polícia após explodirem um banco em Jerusalém. Victor Manzon (Bruno Cremer) é um banqueiro francês que deixou o seu país para escapar de uma acusação de fraude. O ladrão Jackie Scanlon (Roy Scheider) foge da máfia depois de um assalto que deu errado. Nilo, Kassem, Victor e Jackie se encontrarão de exílio num pobre vilarejo de um fictício país da América Latina, um lugar onde eles não possuem a menor chance de sair. A oportunidade chega para os quatro homens na forma de um perigoso trabalho: transportar dois caminhões com uma carga de dinamites para uma petrolífera por um trajeto repleto de obstáculos nas selvas do país. O problema maior vem das próprias bananas de dinamite que foram mal armazenadas, acarretando no vazamento de nitroglicerina. Qualquer movimento brusco pode fazer com que essas cargas explodam e ceifem as vidas dos 4 homens. O "salário do medo" é de 10 mil dólares para cada um caso eles cheguem ao final de seus destinos.

Nunca lançado comercialmente no Brasil, "O Comboio do Medo" apenas encontra-se disponível em DVD numa versão extraída do Laserdisc no final dos anos 90. Mas além de ter lançado o excelente "Killer Joe" em 2012, Friedkin também travou uma batalha judicial com a Paramount e a Universal para conseguir os direitos do filme. Ele conseguiu e supervisionou a restauração do negativo original para uma nova cópia digital que será exibida na noite de seu aniversário no Festival de Veneza onde receberá um prêmio pelo conjunto de sua obra.

SERVIÇO
Cineclube Dissenso
O Comboio do Medo (Estados Unidos, 1977), de William Friedkin
Sábado, 31 de agosto - 14h
Sala João Cardoso Ayres
Entrada Gratuita

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