segunda-feira, julho 29, 2013

Recife Exploitation Parte 2: Três dias de alegria

Não é exagero dizer que a última semana foi uma verdadeira prova de fogo para mim. Os três dias de Julho em que apresentei a 2a. parte do Recife Exploitation, evento interrompido pelas manifestações de 20 e 21 de Junho, foram de uma correria só. Eu chegava em casa, me arrumava, engolia um sanduíche e me mandava para a Fundação Joaquim Nabuco. Só dava tempo para fazer exatamente isso. Ah, e sem falar que eu ainda dava uma divulgadinha pelo Facebook antes dos início das sessões graças ao celular no meio do caminho para casa e para a sessão ou pelo meu notebook no próprio ambiente da Fundação, tirando uma casquinha no Wi-Fi do Café Castigliani. E quando eu chegava em casa, sofria um apagão e já acordava para encarar o dia seguinte.

Enfim, caro amigo e leitor, só dei a real no 1o. parágrafo para dizer a você que não adianta reclamar que eventos desse tipo não acontecem na minha ou na sua cidade. É preciso descruzar os braços e fazer, especialmente se você sentir que pode contar com o apoio de gente que tenha simpatia pela sua pessoa e seu trabalho. Se não o tiver, faça por merecer e consiga esse apoio para fazer um evento. É trabalhoso? Sim, isso é. Mas se você for inquieto como eu, você também achará esse trabalho prazeroso. A maior recompensa vem do reconhecimento, na forma de um sorriso sincero de seu espectador, de um "muito obrigado", de um "quando será o próximo evento?".


O que me deu um gás tremendo para realizar essa 1a. mostra foi usá-la como uma plataforma para o lançamento do livro Cemitério Perdido dos Filmes B: Exploitaiton aqui no Recife. A publicação da Editora Estronho - organizada pelo compañero Cesar Almeida - é um belíssimo projeto do qual eu sempre demonstrarei a minha extrema gratidão e orgulho por ser parte dele. Outra coisa que me fez seguir em frente foi simplesmente pensar que eu seria o responsável por exibir um filme como BANQUETE DE SANGUE na Sala João Cardoso Ayres. É sempre muito bom se sentir "culpado" pelo prazer e diversão proporcionados ao seu público. E olha que ainda tivemos vários outros filmes essenciais e extremamente divertidos nesta 1a. edição do Recife Exploitation.


Mas voltemos a falar da 2a. e última parte do evento, ocorrida de 22 a 24 de Julho. ATÉ O VENTO TEM MEDO foi o filme exibido na segunda-feira, dia 22. Tivemos uma noite chuvosa e de trânsito complicado, talvez tenha sido por isso que o público tenha sido tão reduzido. Uma pena. O que importa é que tivemos uma excelente sessão, com os espectadores imersos na deliciosa construção de uma atmosfera da mais genuína tensão e incerteza por parte do grande trabalho do diretor Carlos Enrique Taboada. A última fala de Diego, o jardineiro do colégio interno de garotas aonde toda a história se desenvolve, certamente gelou a espinha de todos os presentes (eu incluso).



Já a terça-feira foi gozação pura, na sessão dupla de BANQUETE DE SANGUE do grande H. G. Lewis (que dispensa maiores comentários) e o Filme Surpresa, WEREWOLF IN A WOMEN'S PRISON de Jeff Leroy. O longa de Leroy, produzido e lançado no ano de 2006, é uma bela prova de que o cinema exploitation continua a ser realizado hoje. Feito com um orçamento mixuruca, cenários ultra-falsos e uma abundância de nudez gratuita, o charme deste filme reside no roteiro cheio de referências e amor ao cinema exploitation e na mais completa cara de pau do seu realizador e equipe fazerem de tudo para o longa ser um espetáculo de sanguinolência e putaria do início ao fim. E eles conseguem esse feito com louvor. Tanto em BANQUETE quanto em WEREWOLF, o clima Grindhouse tomou conta da João Cardoso com muitas risadas do público presente, que praticamente lotou a sala durante esta noite.



Clima esse que voltou a dominar a sala de exibição com a aguardada sessão de ZOMBIO 2 - CHIMARRÃO ZOMBIES, com direção, roteiro e produção de Petter Baiestorf. Exibimos o 1o. corte do longa que, visivelmente, ainda carece de uma trabalhada no tratamento de som e imagem, uma enxugada aqui e ali para aumentar o ritmo da montagem mas ainda assim... UAU, o que é isso, minha gente? Há muito o que se falar do quanto esse filme é importante para a história do exploitation brasileiro, do jeito que ele já está. Parabenizo de coração a Petter, Gurcius Gewdner, Coffin Souza, Leyla Buk, Gisele Ferran, Leo Pyrata, Elio Copini, Flavio C. Von Sperling, Airton Bratz, Douglas Domingues, Cristian Verardi, Felipe M. Guerra, Rodrigo Aragão, enfim... toda a galera que se juntou e realizou essa beleza de filme. Eu não poderia ter escolhido algo mais especial do que ZOMBIO 2 para encerrar o evento e agradeço, novamente, a Petter pela sua alegria e carinho em compartilhar o seu novo filme com o público recifense. 

Encerro a postagem agradecendo mais uma vez a todos os que estiveram presentes no evento e a todos que divulgaram e apoiaram o 1o. Recife Exploitation. Tomara que a 2a. edição seja ainda melhor. Até o próximo evento!

Nenhum comentário: