terça-feira, dezembro 24, 2013

sexta-feira, dezembro 06, 2013

Cineclube Dissenso: OS OLHOS DA CIDADE SÃO MEUS (Anguish, 1987)



OS OLHOS DA CIDADE SÃO MEUS (Anguish, 1987), de Bigas Luna, é o filme de encerramento das atividades do Cineclube Dissenso em 2013. O realizador catalão passou a ser reconhecido em 1978 com BILBAO, que foi selecionado para o Festival de Cannes do mesmo ano. Sempre atrevido e corajoso, Luna gostava de mexer e tirar um bom sarro com a identidade e o machismo do povo espanhol, de carregar os seus filmes de erotismo. Trata-se de uma marca autoral evidenciada em filmes como LOLA, AS IDADES DE LULU, JAMÓN, JAMÓN (que revelaria Javier Bardem e Penelope Cruz), OVOS DE OURO (também estrelado por Bardem) e A TETA E A LUA, seus maiores sucessos comerciais e de crítica.

Luna faleceu aos 67 anos neste ano de 2013, vítima de leucemia. OS OLHOS DA CIDADE SÃO MEUS é a sua única contribuição ao cinema de horror, mas ele não se contentou em fazer um filme que poderia apenas ser visto como parte de um gênero. A obra também se revela um intrigante trabalho com metalinguagem e uma homenagem ao cinema como experiência coletiva, prestando reverência a esse gênero que se faz presente desde os primórdios da sétima arte. O filme será exibido neste sábado, 07 de dezembro, da maneira como ele deve ser visto: no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, a partir das 14h. 

Não poderíamos encerrar nossas atividades de 2013 sem agradecer o apoio fundamental do departamento de cinema da Fundação Joaquim Nabuco e a você, nosso estimado público, pela sua presença e colaboração na divulgação das sessões e nos debates. Esse contagioso amor ao cinema se renova a cada uma de nossas sessões nestes últimos 5 anos de Cineclube Dissenso. Obrigado!

Fabio Ramalho
Osvaldo Neto
Rodrigo Almeida

SERVIÇO
Cineclube Dissenso
Os Olhos da Cidade São Meus (Espanha, 1987) , de Bigas Luna
Sábado, 07 de dezembro - 14h
Cinema da Fundação Joaquim Nabuco
Entrada Gratuita

sexta-feira, novembro 29, 2013

PROFISSÃO: LADRÃO (Thief, 1981) no Cineclube Dissenso




Na tarde deste próximo sábado 30 de novembro, a partir das 14h na Sala João Cardoso Ayres, o Cineclube Dissenso tem o prazer de exibir PROFISSÃO: LADRÃO (Thief, 1981), primeiro filme para cinema dirigido por Michael Mann (FOGO CONTRA FOGO, COLATERAL, INIMIGOS PÚBLICOS). Trata-se do segundo trabalho do realizador exibido no Dissenso. Nosso público pôde conferir A FORTALEZA INFERNAL (The Keep, 1983) em agosto de 2012.

Boa parte da força deste filme, também conhecido através do título RUAS DE VIOLÊNCIA, reside em um excelente James Caan como Frank, um ladrão de extremo profissionalismo e seguidor de um rígido código de honra, um sujeito de poucos amigos que não tem o que perder na vida. Mann também não perde tempo ao introduzir a rotina deste personagem ao espectador com muita eficiência logo nos créditos iniciais, apresentados durante uma cena de roubo onde os diálogos são quase inexistentes. Essa abertura joga o espectador no mundo em que essa personagem vive, um mundo em que pessoas reagem de maneiras difíceis de serem compreendidas por pessoas “comuns”, que tiveram boa criação e tem a sorte de contar com o apoio de uma família. Não é o caso de Frank que viveu a maior parte de sua vida atrás das grades, assim como Okla (Willie Nelson), o seu mentor.

Em uma bela cena, Frank vai à cadeia visitar esse homem que é o mais próximo que ele teve de um pai e diz a ele que conheceu uma garota. “Você se casará com ela?”, é a primeira pergunta que Okla o faz. Ele não perguntou se Frank a achou bonita, aonde a moça trabalhava, se ela era boa de cama, ele perguntou se o sujeito se casaria com ela porque a única maneira para homens como eles se encaixarem de alguma forma na sociedade é se casando e tendo filhos. Frank guarda na carteira uma colagem de fotos de revista que expressa o seu ideal de felicidade, sua procura por uma vida melhor, pacífica e com uma família depois de realizar um último golpe que o fará ter tudo isso.

Não é para menos que ele se envolve em um roubo organizado por Leo (Robert Prosky, em sua estréia no cinema aos 51 anos de idade) e, ao mesmo tempo, se dedica a conquistar o coração da garçonete Jessie (Tuesday Weld). Em outro momento marcante do filme, Caan entrega um monólogo de quase 10 minutos em que Frank se abre por completo para essa mulher. O famoso intérprete de Sonny Corleone já declarou que essa cena em particular seria o melhor momento de toda a sua carreira.

Michael Mann e James Caan nos bastidores de PROFISSÃO: LADRÃO
Além de Prosky, Dennis Farina, John Santucci, John Kapelos e William Petersen (o astro de VIVER E MORRER EM LOS ANGELES, dirigido por William Friedkin) também estreiaram no cinema através deste filme. Mann se utilizou da ajuda de ladrões da vida real para dar mais autenticidade às cenas de roubo e alguns deles interpretaram policiais, enquanto ex-policiais interpretaram bandidos. John Santucci – falecido em 2004 – interpreta Urizzi, um policial corrupto, mas ele também trabalhou como consultor técnico por ter sido ladrão de jóias no passado. Dennis Farina, falecido neste ano de 2013, foi ex-policial e interpretou um dos capangas de Leo.


Apesar de ser o seu primeiro longa para cinema, PROFISSÃO: LADRÃO é um filme onde Michael Mann atinge um equilíbrio entre estilo e substância jamais igualado em seus trabalhos posteriores. O longa já aponta diversas características e temas que seriam revisitados nos próximos filmes do diretor (sua obsessão com a autenticidade; a linha tênue entre policiais e criminosos; personagens que buscam redenção por seus pecados), sem falar do rico cuidado visual e sonoro que também se tornaria uma assinatura de Mann. A excelente trilha sonora foi composta pelo grupo Tangerine Dream, cujo trabalho também foi notado por quem acompanhou as nossas sessões de O COMBOIO DO MEDO e A FORTALEZA INFERNAL.

Curiosidade: DRIVE (2011), de Nicolas Winding Refn, é muito influenciado por esse longa de Michael Mann. Se você gostou deste filme, saiba que as suas chances de gostar de PROFISSÃO: LADRÃO acabam de se tornar maiores.

SERVIÇO
Cineclube Dissenso
Profissão: Ladrão (Estados Unidos, 1981), de Michael Mann
Sábado, 30 de novembro - 14h
Sala João Cardoso Ayres
Entrada Gratuita

quinta-feira, outubro 31, 2013

FANTASMA de Don Coscarelli no Cineclube Dissenso!


Usando o Halloween e o Dia de Finados como mera desculpa para exibirmos mais um filme de terror, o Cineclube Dissenso apresenta FANTASMA (Phantasm, 1979), longa escrito e dirigido por Don Coscarelli. A produção é um marco do cinema de horror e de gênero independente americano e o Dissenso tem o prazer em exibi-la na tarde deste sábado dia 02 de novembro às 14h no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco. 

FANTASMA, assim como o maravilhoso A CASA DO ALÉM (The Beyond, 1981) do italiano Lucio Fulci, se assemelha e muito a um pesadelo filmado com uma narrativa que não preza muito pela lógica e realismo. O real interesse de Coscarelli é jogar seu espectador em uma montanha russa de horror cinematográfico. E para isso, ele conta a história de Mike (A. Michael Baldwin), um garoto que tem medo de perder a companhia de seu irmão Jody (Bill Thornbury) após o recente falecimento de seus pais. Mike faz de tudo para estar perto do irmão, até mesmo quando este acompanha seu amigo Reggie (Reggie Bannister) no funeral de um conhecido em comum que foi morto por uma misteriosa mulher no início do filme. O moleque acompanha tudo escondido, de binóculos, e termina vendo o agente funerário (um sinistro Angus Scrimm, em desempenho que o marcaria para sempre) guardar sozinho o caixão com o corpo do falecido dentro de seu carro. Com esse ponto de partida e a união do trio para investigar e combater o mal trazido pelo Homem Alto, o longa ficará cada vez mais excêntrico, bizarro e delirante até o seu inevitável fim. 

Feito com um orçamento estimado em 300 mil dólares, de acordo com o IMDB, o longa faturou mais de dez milhões de dólares de bilheteria apenas nos Estados Unidos com exibições em cinemas e drive-ins. Seu grande sucesso também foi responsável por 3 continuações (lançadas em 1988, 1994 e 1998) escritas e dirigidas pelo próprio Coscarelli. O diretor também realizou O PRÍNCIPE GUERREIRO (The Beastmaster, 1982), filme de fantasia que teve constantes reprises no Cinema em Casa durante os anos 90, o excelente BUBBA HO-TEP (2002) onde Elvis Presley (Bruce Campbell, o eterno Ash da franquia EVIL DEAD) se junta a um JFK negro (Ossie Davis) para combater uma múmia que tem sugado as almas de idosos em um asilo e o recente JOHN MORRE NO FINAL (John Dies at the End, 2012). 

SERVIÇO
Cineclube Dissenso
Fantasma (Estados Unidos, 1979), de Don Coscarelli
Sábado, 02 de novembro - 14h
Cinema da Fundação Joaquim Nabuco
Entrada Gratuita

domingo, outubro 13, 2013

Uma palavrinha sobre o VI Janela Internacional de Cinema do Recife

Na última sexta-feira, 11 de outubro, tivemos o início da 6a. edição do Janela Internacional de Cinema do Recife. Quem ainda acompanha esse blog e me conhece pessoalmente sabe do quanto eu tenho carinho por esse festival, realizado com enorme dedicação por Kleber Mendonça Filho, Emilie Lesclaux e equipe. Carinho esse que vem não apenas porque eu fui parte do 1o. Janela Crítica (projeto que contempla jovens que desejam se tornar pensadores de cinema), voluntário na 2a. edição, espectador na 3a. e 4a. e representante do Cineclube Dissenso na 5a. e 6a. edições, mas porque esse é um festival de cinema do qual tenho muito orgulho de ver sendo realizado na cidade do Recife. Diferente de um outro aí que não vem ao caso agora e só tem cometido equívocos atrás de equívocos. 

A abertura oficial se deu com TATUAGEM, de Hilton Lacerda, mas a programação se iniciou mais cedo a partir das 18h30 com a inesquecível exibição de FAÇA A COISA CERTA, a obra-prima de Spike Lee, o 1o. dos Clássicos do Janela deste ano. É deveras curioso vê-lo sendo exibido no evento após a aclamação de O SOM AO REDOR, do próprio Kleber, pois, de certa forma, eles são filmes-irmãos. Apesar de seus momentos cômicos, FAÇA A COISA CERTA e O SOM AO REDOR são filmes sobre um bairro e seus personagens que se mostram dedicados a construir uma tensão que chegará a um nível agonizante e uma explosão de violência física e psicológica em sua conclusão. 

FAÇA A COISA CERTA é um grande filme que ficou gigante na tela do São Luiz. Amparado por um elenco genial (Danny Aiello, Ossie Davis, Ruby Dee, Rosie Perez, John Turturro, Richard Edson, Giancarlo Esposito, Bill Nunn, Roger Guenveur Smith, a dupla John Savage e Frank Vincent em pequenos porém marcantes papéis e muitos outros excelentes atores), Lee realiza aquele que talvez seja o filme definitivo sobre a intolerância e a estupidez geradas por confrontos raciais. Eu entrei em êxtase semelhante ao do trielo de TRÊS HOMENS EM CONFLITO - outra sessão memorável do Janela - quando Radio Raheem (Nunn) nos brinda com seu monólogo sobre Amor vs. Ódio. Foi lindo demais. 


A sessão de OS EMBALOS DE SÁBADO À NOITE realizada na noite do sábado 12 (se ligou? "Os Embalos de Sábado à Noite", sessão no sábado à noite... hehe) foi outra coisa linda. A obra mais amada de toda a carreira do diretor John Badham apenas cresceu com essa revisão e fiquei impressionado com o quanto o filme consegue ser tão belo em sua simplicidade e humanidade, no interesse por aqueles personagens. Imagem e som de qualidade muito acima de minhas já elevadas espectativas fizeram com que o longa atingisse ainda mais o espectador tanto nas cenas em que ele esbanja alegria quanto nas cenas em que acompanhamos o sensível e melancólico registro dos dramas vividos por um jovem chamado Tony Manero (John Travolta, no papel que merecidamente o transformou em astro) e as pessoas que o cercam.

E o que dizer da espetacular trilha de canções compostas e - em sua grande maioria - interpretadas pelos BEE GEES? UAU. Fica claro porque o seu casamento com as imagens do filme é algo que jamais será desfeito na memória das pessoas que tiveram a oportunidade de assisti-lo em sua estréia. Nem da minha, que acabo de assistir pela 1a. vez na tela grande.


Eu deveria ter escrito também sobre a sessão do Cineclube Dissenso realizada ontem também no São Luiz em conjunto com o Janela mas isso vai ter que ficar para outra hora. Não quero me atrasar para conferir um dos filmes de minha vida na tela grande. Trata-se de nada mais nada menos que "Era Uma Vez no Oeste" de Sergio Leone.

 Fui!

quinta-feira, agosto 29, 2013

SORCERER de William Friedkin no Cineclube Dissenso


Em celebração ao aniversário de William Friedkin, que completa 78 anos nesta quinta-feira 29, o Cineclube Dissenso exibirá um de seus filmes malditos: "O Comboio do Medo" (Sorcerer, 1977). Maldito apenas no sentido de azarado, já que se trata de uma espetacular produção cinematográfica que tem ganho mais reconhecimento com o passar dos anos.

Explicaremos melhor. "O Comboio do Medo" foi o filme realizado por Friedkin logo após a sua consagração com "Operação França" (The French Connection, 1971) e o explosivo sucesso mundial de "O Exorcista" (The Exorcist, 1974), um clássico do cinema de horror que o levantou ao topo dos queridinhos de Hollywood. O 'studio system' do período era um tanto diferente do atual e os executivos davam mais liberdade criativa e financeira aos cineastas que faziam esses filmes à sua maneira, mas que não deixavam de render bons lucros para os estúdios. O longa que custou 22 milhões de dólares terminou sendo um fiasco de bilheteria em grande parte por seu lançamento ter coincidido com o de um arrasa quarteirões chamado "Guerra nas Estrelas" (Star Wars, 1977). "O Comboio do Medo" conseguiu arrecadar estimados 12 dos 22 milhões de seu orçamento e terminou sendo mais lembrado juntamente com outros dois fracassos de bilheteria e de orçamentos inflacionados - "O Portal do Paraíso" (Heaven's Gate, 1980) de Michael Cimino e "O Fundo do Coração" (One from the Heart, 1982) de Francis Ford Coppola - que quase destruíram a carreira de seus realizadores e que marcaram o fim desses tempos em que os estúdios concediam maior liberdade artística para os diretores.

Mas nada disso tira o brilho deste corajoso trabalho de Friedkin e sua equipe. "O Comboio do Medo" é a 2a. adaptação para cinema do livro "O Salário do Medo" de George Anaud, a 1a. foi dirigida por Henri-Georges Clouzot (As Diabólicas) em 1953. A produção tem o seu foco em quatro personagens. Nilo (Francisco Rabal) é um matador profissional. O terrorista Kassem (Amidou) viu os seus amigos serem presos e mortos pela polícia após explodirem um banco em Jerusalém. Victor Manzon (Bruno Cremer) é um banqueiro francês que deixou o seu país para escapar de uma acusação de fraude. O ladrão Jackie Scanlon (Roy Scheider) foge da máfia depois de um assalto que deu errado. Nilo, Kassem, Victor e Jackie se encontrarão de exílio num pobre vilarejo de um fictício país da América Latina, um lugar onde eles não possuem a menor chance de sair. A oportunidade chega para os quatro homens na forma de um perigoso trabalho: transportar dois caminhões com uma carga de dinamites para uma petrolífera por um trajeto repleto de obstáculos nas selvas do país. O problema maior vem das próprias bananas de dinamite que foram mal armazenadas, acarretando no vazamento de nitroglicerina. Qualquer movimento brusco pode fazer com que essas cargas explodam e ceifem as vidas dos 4 homens. O "salário do medo" é de 10 mil dólares para cada um caso eles cheguem ao final de seus destinos.

Nunca lançado comercialmente no Brasil, "O Comboio do Medo" apenas encontra-se disponível em DVD numa versão extraída do Laserdisc no final dos anos 90. Mas além de ter lançado o excelente "Killer Joe" em 2012, Friedkin também travou uma batalha judicial com a Paramount e a Universal para conseguir os direitos do filme. Ele conseguiu e supervisionou a restauração do negativo original para uma nova cópia digital que será exibida na noite de seu aniversário no Festival de Veneza onde receberá um prêmio pelo conjunto de sua obra.

SERVIÇO
Cineclube Dissenso
O Comboio do Medo (Estados Unidos, 1977), de William Friedkin
Sábado, 31 de agosto - 14h
Sala João Cardoso Ayres
Entrada Gratuita

segunda-feira, julho 29, 2013

Matéria de Ernesto Barros para o JC a respeito do 1o. Recife Exploitation

Recife Exploitation Parte 2: Três dias de alegria

Não é exagero dizer que a última semana foi uma verdadeira prova de fogo para mim. Os três dias de Julho em que apresentei a 2a. parte do Recife Exploitation, evento interrompido pelas manifestações de 20 e 21 de Junho, foram de uma correria só. Eu chegava em casa, me arrumava, engolia um sanduíche e me mandava para a Fundação Joaquim Nabuco. Só dava tempo para fazer exatamente isso. Ah, e sem falar que eu ainda dava uma divulgadinha pelo Facebook antes dos início das sessões graças ao celular no meio do caminho para casa e para a sessão ou pelo meu notebook no próprio ambiente da Fundação, tirando uma casquinha no Wi-Fi do Café Castigliani. E quando eu chegava em casa, sofria um apagão e já acordava para encarar o dia seguinte.

Enfim, caro amigo e leitor, só dei a real no 1o. parágrafo para dizer a você que não adianta reclamar que eventos desse tipo não acontecem na minha ou na sua cidade. É preciso descruzar os braços e fazer, especialmente se você sentir que pode contar com o apoio de gente que tenha simpatia pela sua pessoa e seu trabalho. Se não o tiver, faça por merecer e consiga esse apoio para fazer um evento. É trabalhoso? Sim, isso é. Mas se você for inquieto como eu, você também achará esse trabalho prazeroso. A maior recompensa vem do reconhecimento, na forma de um sorriso sincero de seu espectador, de um "muito obrigado", de um "quando será o próximo evento?".


O que me deu um gás tremendo para realizar essa 1a. mostra foi usá-la como uma plataforma para o lançamento do livro Cemitério Perdido dos Filmes B: Exploitaiton aqui no Recife. A publicação da Editora Estronho - organizada pelo compañero Cesar Almeida - é um belíssimo projeto do qual eu sempre demonstrarei a minha extrema gratidão e orgulho por ser parte dele. Outra coisa que me fez seguir em frente foi simplesmente pensar que eu seria o responsável por exibir um filme como BANQUETE DE SANGUE na Sala João Cardoso Ayres. É sempre muito bom se sentir "culpado" pelo prazer e diversão proporcionados ao seu público. E olha que ainda tivemos vários outros filmes essenciais e extremamente divertidos nesta 1a. edição do Recife Exploitation.


Mas voltemos a falar da 2a. e última parte do evento, ocorrida de 22 a 24 de Julho. ATÉ O VENTO TEM MEDO foi o filme exibido na segunda-feira, dia 22. Tivemos uma noite chuvosa e de trânsito complicado, talvez tenha sido por isso que o público tenha sido tão reduzido. Uma pena. O que importa é que tivemos uma excelente sessão, com os espectadores imersos na deliciosa construção de uma atmosfera da mais genuína tensão e incerteza por parte do grande trabalho do diretor Carlos Enrique Taboada. A última fala de Diego, o jardineiro do colégio interno de garotas aonde toda a história se desenvolve, certamente gelou a espinha de todos os presentes (eu incluso).



Já a terça-feira foi gozação pura, na sessão dupla de BANQUETE DE SANGUE do grande H. G. Lewis (que dispensa maiores comentários) e o Filme Surpresa, WEREWOLF IN A WOMEN'S PRISON de Jeff Leroy. O longa de Leroy, produzido e lançado no ano de 2006, é uma bela prova de que o cinema exploitation continua a ser realizado hoje. Feito com um orçamento mixuruca, cenários ultra-falsos e uma abundância de nudez gratuita, o charme deste filme reside no roteiro cheio de referências e amor ao cinema exploitation e na mais completa cara de pau do seu realizador e equipe fazerem de tudo para o longa ser um espetáculo de sanguinolência e putaria do início ao fim. E eles conseguem esse feito com louvor. Tanto em BANQUETE quanto em WEREWOLF, o clima Grindhouse tomou conta da João Cardoso com muitas risadas do público presente, que praticamente lotou a sala durante esta noite.



Clima esse que voltou a dominar a sala de exibição com a aguardada sessão de ZOMBIO 2 - CHIMARRÃO ZOMBIES, com direção, roteiro e produção de Petter Baiestorf. Exibimos o 1o. corte do longa que, visivelmente, ainda carece de uma trabalhada no tratamento de som e imagem, uma enxugada aqui e ali para aumentar o ritmo da montagem mas ainda assim... UAU, o que é isso, minha gente? Há muito o que se falar do quanto esse filme é importante para a história do exploitation brasileiro, do jeito que ele já está. Parabenizo de coração a Petter, Gurcius Gewdner, Coffin Souza, Leyla Buk, Gisele Ferran, Leo Pyrata, Elio Copini, Flavio C. Von Sperling, Airton Bratz, Douglas Domingues, Cristian Verardi, Felipe M. Guerra, Rodrigo Aragão, enfim... toda a galera que se juntou e realizou essa beleza de filme. Eu não poderia ter escolhido algo mais especial do que ZOMBIO 2 para encerrar o evento e agradeço, novamente, a Petter pela sua alegria e carinho em compartilhar o seu novo filme com o público recifense. 

Encerro a postagem agradecendo mais uma vez a todos os que estiveram presentes no evento e a todos que divulgaram e apoiaram o 1o. Recife Exploitation. Tomara que a 2a. edição seja ainda melhor. Até o próximo evento!

quarta-feira, julho 24, 2013

E o 1o. Recife Exploitation chega ao seu fim...




A divertidíssima sessão do 1o. corte de Zombio 2: Chimarrão Zombies encerrou o 1o. Recife Exploitation - Parte 2: O Retorno com chave de ouro. O filme é uma lindeza só do início ao fim e o público presente se divertiu e muito ao longo da sessão. Eu ainda tenho muito a dizer sobre os últimos três dias em que exibi 4 longas tão singulares e especiais na Sala João Cardoso Ayres, sobre o clima de "drive-in" que tomou conta da sessão dupla de ontem e na exibição do ZOMBIO 2, mas a verdade é que agora eu estou bem cansado. Darei o dia de hoje por encerrado e com a sensação de dever cumprido. 

Agradeço mais uma vez à Fundação Joaquim Nabuco por ceder o espaço para a realização do evento e a Luiz Joaquim e Kleber Mendonça Filho pelo apoio, aos realizadores Petter Baiestorf e Jeff Leroy pela alegria em compartilhar seus filmes com o nosso público, ao apoio dos amigos que foram ao evento e a todos que certamente iriam se Recife não estivesse tão longe deles, Luiz Joaquim (novamente), Ernesto Barros e Júlio Cavani pelas matérias sobre a mostra na Folha, JC e Diário, aos brothers do Toca o Terror, Juvenatrix Fanzine, Revista O Grito!, Revista Continente ... enfim, agradeço de coração a todos os veículos de comunicação que ajudaram a promover essa 1a. edição do Recife Exploitation que foi modesta em recursos, mas enorme em matéria de alegria e prazer para o seu organizador e o seu público (espero que eu esteja certo com relação ao público... hahaha). Obrigado também a todos os que estiveram presentes, fiz esse evento pensando única e exclusivamente em vocês.

É isso aí. Boa noite e até o próximo evento!

sábado, julho 20, 2013

Werner Herzog em sessão dupla no Cineclube Dissenso


Neste sábado (20/07), o Cineclube Dissenso exibirá, às 14h, na SALA JOÃO CARDOSO AYRES, 'Terra do Silêncio e da Escuridão' (Alemanha, 1971), um dos documentários mais vigorosos e sensoriais da carreira de Werner Herzog. Nesse longa-metragem, o cineasta alemão acompanha a história da cego-surda Fini Straubinger, uma senhora que depois de sofrer um acidente na infância, perdeu gradualmente a visão. Durante a adolescência, ela foi obrigada a ficar apenas na cama, sem tratamento específico, o que resultou na perda também gradual de sua audição. Fini permaneceu na cama por quase 30 anos até ser “acordada” e passar a atuar na instrução e cuidado de outros deficientes auditivos e visuais. Mais do que um filme sobre a sofrida trajetória da mulher, da quase vegetação ao ativismo constante na luta pelo tratamento de outros cego-surdos em seu país, Herzog consegue se desviar do caráter apelativo e piegas mais óbvio, apresentando um filme sobre o tato como experiência. Desse modo, o ato de tocar o mundo (os animais, as plantas, o avião) e tocar os outros (os toques das mãos como forma de comunicação e de contato privilegiado) se estabelecem como questões vitais para a câmera do diretor. Herzog tenta captar a dimensão táctil supostamente impossível ao cinema. A produção foi sugerida ao cineclube pela professora da graduação em Cinema e da Pós-graduação em Comunicação (UFPE), Angela Prysthon.

A sessão será aberta pelo curta 'Últimas Palavras' (Alemanha, 1968), também de Herzog, sobre o derradeiro homem a deixar a ilha de Spinalonga, conhecida por ser um reduto de leprosos. O cineasta mostra o personagem que se recusou a abandonar a ilha e foi, então, forçadamente tirado de lá, abandonando a partir de então as palavras, criando um contraste com os outros entrevistados que não param absolutamente de dizer coisas. A entrada é gratuita.

SERVIÇO
Cineclube Dissenso
Últimas Palavras (Alemanha, 1968), de Werner Herzog
Terra do Silêncio e da Escuridão (Alemanhna, 1971), de Werner Herzog
Sábado, 20 de julho - 14h
Sala João Cardoso Ayres
Entrada Gratuita

quinta-feira, julho 18, 2013

Nascido em 17 de Julho


Blog Vá e Veja, nascido em 17 de julho de 2006. 7 anos de existência. Parabéns, seu moleque travesso. Daqui a pouco você estará assistindo uns softcores de madruga com o volume baixinho para não acordar ninguém em casa com os gemidos escandalosos das atrizes. :)

TOP 10 - Aniversariantes de hoje

Por uma bela coincidência em suas vidas, três realizadores cujo trabalho eu gosto e muito de acompanhar e (por que não?) rever fazem aniversário nesta quinta-feira, 18 de julho. Como homenagem a eles, resolvi fazer algo que geralmente eu não tenho o menor costume de fazer: listas de favoritos. Até porque volta e meia eu mudo de idéia sobre esses filmes, mas eu consegui abrir uma exceção porque Paul Verhoeven, Jeff Burr e Jeff Leroy são três caras cujas filmografias são compostas de vários filmes que já vi e revi. Sem falar que alguns desses títulos foram revistos mais de uma vez.

Let's cut the crap!
Preparem-se para o top 10 Verhoeven, Burr e Leroy no Vá e Veja!!

PAUL VERHOEVEN


01. - ROBOCOP
02. - CONQUISTA SANGRENTA
03. - O VINGADOR DO FUTURO
04. - TROPAS ESTELARES
05 - SHOWGIRLS
06 - SOLDADO DE LARANJA
07 - INSTINTO SELVAGEM
08 - A ESPIÃ
09 - LOUCA PAIXÃO
10 - SEM CONTROLE



JEFF BURR


01 - COMBATE NA ESCURIDÃO
02 - EDDIE PRESLEY
03 - DO SUSSURRO AO GRITO
04 - SPOILER
05 - LEATHERFACE - O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA 3
06 - A NOITE DO ESPANTALHO
07 - O PADRASTO 2
08 - PUMPKINHEAD 2
09 - O MESTRE DOS BRINQUEDOS 5
10 - O MESTRE DOS BRINQUEDOS 4

  
JEFF LEROY

01 - HELL'S HIGHWAY
02 - RAT SCRATCH FEVER
03 - CREEPIES
04 - WEREWOLF IN A WOMEN'S PRISON
06 - CRACK
07 - THE SCREAMING
08 - PSYCHON INVADERS
09 - THE WITCHES SABBATH
10 - ALIEN 3000


Pois é... pois é... preciso escrever mais sobre esses sujeitos. Ainda existe alguém que acompanha esse blog? Caso sim, eu gostaria muito que o 1o. leitor dessa postagem escolha um filme de cada um dos três diretores e deixe essa listinha na caixa de comentários. ;-)

quarta-feira, julho 10, 2013

Algumas palavras sobre o 1o. AssombraCine

 

Quem não foi, perdeu! O 1o. AssombraCine, organizado por André Balaio e Roberto Beltrão de Melo, editores do portal  O Recife Assombrado, terminou sendo um sucesso. Houve uma pequena correria contra o tempo - auditório da Cultura precisava ser fechado às 21h, sem falar que eu deveria ser o mais falastrão dos convidados (valeu aí pela moderação, André hahaha) - mas o saldo geral foi mais do que positivo e a quantidade de pessoas que estavam presentes no público também foi muito expressiva.

Obrigado a André e Roberto pelo convite, a Daniel Bandeira (o 'scene stealer' do debate), Fernando Vasconcelos, Juliano Dornelles e Rodrigo Carreiro pela excelente companhia e participação no evento e a todos os amigos presentes no auditório da Livraria Cultura na noite de ontem.

Da esquerda para a direita: Rodrigo Carreiro, Juliano Dornelles, André Balaio, Daniel Bandeira, Fernando Vasconcelos e o (ir)responsável por este simpático blog.

Que venham os próximos encontros "horripilantes" do AssombraCine e d'O Recife Assombrado!