sexta-feira, agosto 10, 2012

Cineclube Dissenso - A FORTALEZA INFERNAL, de Michael Mann (The Keep, 1983, UK)


Na sessão deste próximo sábado 11 de agosto, o Cineclube Dissenso exibirá A FORTALEZA INFERNAL (The Keep, 1983). Vagamente adaptado do best seller de F. Paul Wilson, o segundo longa de Michael Mann para as telas de cinema foi a única incursão do diretor no universo dos gêneros fantásticos. Trata-se de um daqueles títulos que foram um fracasso de público e crítica na ocasião de seu lançamento e que agora desfrutam de uma melhor compreensão graças ao valor que fãs e estudiosos deram a ele com o passar dos anos.

O livro de Wilson é uma história gótica de horror ambientada na Romênia de 1941, durante a 2a. Guerra Mundial. Mann queria mais do que apenas contar uma história de horror, ele também tentou fazer de A FORTALEZA INFERNAL um conto de fadas para adultos e não poupou o seu filme de sequências surrealistas. Ele estava vindo de um longa completamente urbano chamado PROFISSÃO LADRÃO (Thief, 1981), uma obra-prima que não apenas traria todos os elementos a serem trabalhados pelo diretor em seus futuros filmes policiais, mas também o seu forte apuro visual e o interesse em buscar a humanidade de seus personagens. De certa forma, apesar da completa diferença de gêneros e cenário, A FORTALEZA INFERNAL progride com o interesse do diretor no comportamento destes personagens, agora em sua maioria, um grupo de nazistas que acidentalmente libera uma maligna entidade sobrenatural da Fortaleza do título.

 

Outros achados do longa são o elenco, composto não por "nomes", mas por excelentes atores como Scott Glenn, Jürgen Prochnow, Gabriel Byrne, Ian McKellen e Robert Prosky; o forte visual da produção, carregada de expressionismo e claro, a inesquecível trilha sonora do grupo alemão Tangerine Dream. O grande porém é que a Paramount - estúdio por trás do filme - não teve interesse em investir mais dinheiro para a finalização do projeto. Eles rejeitaram o primeiro corte de Mann com três horas de duração, que depois seriam reduzidas para pouco mais de 90 minutos incluindo os créditos. Sem falar dos problemas com efeitos visuais que deveriam ser resolvidos pela equipe sem a ajuda do supervisor Wally Veevers, uma lenda do ofício que faleceria duas semanas após o início da pós-produção. Por isso não é nenhuma surpresa que o próprio Michael Mann hoje renegue esse trabalho e o resultado final seja um tanto bagunçado, mas as visíveis falhas não diminuem o impacto e o fascínio que este esquecido filme poderá despertar no espectador do cineclube. São experiências cinematográficas como A FORTALEZA INFERNAL que fazem este seu modesto escriba pensar que o Cinema seria um belo amigo da imperfeição.

3 comentários:

marcelo disse...

Boa citação no texto ao Thief (1981), que é o meu preferido da filmografia do Mann e eu diria sem exageros que é tão bom quanto Fogo contra Fogo.

Ronald Perrone disse...

Comentário perfeito. Se eu estivesse aí não perderia por nada! Aliás, é o único longa do Mann que eu não vi ainda! :-(

Osvaldo Neto disse...

Marcelo, para mim, THIEF é ainda melhor que FOGO CONTRA FOGO.

Vá e Veja o THE KEEP urgente, Ronald! :)