quinta-feira, maio 31, 2012

O ESPECIALISTA (Gli Specialisti aka Le Specialiste, 1969, ITA/FRA/ALE)


A importância de Sergio Corbucci para o ciclo dos Spaghetti Westerns é algo indiscutível. DJANGO, O VINGADOR SILENCIOSO, COMPAÑEROS e OS VIOLENTOS VÃO PARA O INFERNO são verdadeiras obras-primas que nenhum admirador do subgênero pode deixar de assistir. Até mesmo filmes menores como JOE, O PISTOLEIRO IMPLACÁVEL e MINNESOTA CLAY tem o seu interesse garantido por conta da força de Corbucci na condução de suas histórias. O ESPECIALISTA é um de seus melhores trabalhos como diretor, mas infelizmente também não deixa de ser um dos filmes mais obscuros e menos comentados de toda a sua filmografia.

O ótimo elenco da produção é liderado pelo astro e cantor francês Johnny Hallyday – em seu único faroeste – que interpreta Hud, famoso pistoleiro que busca a verdade por trás da morte de seu irmão, acusado de roubar uma enorme quantia de dinheiro do banco para o qual ele trabalhava na pequena cidade de Blackstone sendo morto através de linchamento. Hud mata um punhado de capangas do violento “El Diablo” (Mario Adorf) antes de se dirigir ao local, deixando apenas um sobreviver para contar a história. O xerife de Blackstone (Gastone Moschin, de O CONFORMISTA e CALIBRE 9) tem recolhido os armamentos de sua população após o cruel acontecimento. Todos sabem que Hud está para chegar no local com um intenso desejo de vingança, mas antes de cumpri-la, o sujeito quer respostas para todas as suas perguntas. O problema é que ele não tem como confiar em absolutamente ninguém com exceção de Sheba (Sylvie Fennec), ex-namorada do irmão. Outra marcante presença feminina é Virginia Pollywood (Françoise Fabian), viúva que herdou o banco da cidade de seu falecido marido e alguém que conheceu Hud quando ambos eram mais jovens.


Por sua natureza mais sombria e melancólica, locação anti-convencional (os Alpes) e poucos momentos de humor, O ESPECIALISTA lembra e muito O VINGADOR SILENCIOSO. O íntegro xerife de Gastone Moschin, por exemplo, nunca é levado a sério pelos outros personagens e acaba sendo o alívio cômico da produção, papel que fora de Frank Wolff no filme anterior, realizado em 1968. Numa passagem do longa, Hud concorda em ir para a cidade desarmado, mas a proposta do homem da lei parece não gerar muitos resultados já que alguns dos cidadões de bem dão as boas-vindas ao nosso anti-herói com tiros de rifle minutos depois de sua chegada. Eles terminam baleados pelos rápidos e certeiros disparos da pistola que Hud “toma emprestada” do coldre do xerife.


Corbucci estava muito inspirado quando realizou O ESPECIALISTA. O espectador pode ouvir o vento uivar nos encontros de Hud no casebre isolado onde Sheba reside com o seu pai bêbado e ausente. São cenas que duram poucos minutos, mas esse pequeno detalhe no trabalho de som reforça todo o sentimento de solidão e abandono pelo qual a moça está passando. Também é curiosa a presença de quatro jovens que são verdadeiros hippies, numa bela maneira que o realizador encontrou de contextualizar o filme com o tempo em que ele foi realizado. A princípio, tratam-se de personagens gratuitos, sem maior importância na narrativa, mas são eles que farão o final ser ainda mais inesquecível.

Quem já acompanhou diversos exemplares do bom e velho bangue-bangue italiano sabe que ele é notório por lidar com o Oeste americano de uma maneira que o cinema clássico hollywoodiano jamais tinha feito. São produções que retratam um mundo sem piedade para com as pessoas de boa índole e que fazem de tudo para que a lei seja cumprida. Um mundo em que você deve atirar nas costas de seu inimigo assim que tiver a primeira oportunidade. Em O ESPECIALISTA, não é nada difícil se sentir parte desse universo. Belíssimo filme.


Curiosidade: David Webb Peoples, roteirista de OS IMPERDOÁVEIS, certamente deve ter assistido a O ESPECIALISTA. A partir de sua entrada em cena, “El Diablo” está sempre narrando os seus feitos (reais e irreais) para um rapaz que escreve tudo em um diário, personagem que remete ao repórter de Saul Rubinek no clássico dirigido e estrelado por Clint Eastwood.

Um comentário:

Anônimo disse...

Excelente faroeste para os fãs do gênero. Um filme que nos faz viajar no tempo e reviver os bons tempo do cinema, nas décadas de 60 e 70. Muito bom.