sábado, agosto 06, 2011

A MALDIÇÃO DA CAVEIRA (The Skull, 1965, UK)


É possível um filme de terror ser tão divertido de se assistir?

Claro que sim! A MALDIÇÃO DA CAVEIRA é outra jóia da Amicus estrelada pela dupla Peter Cushing e Christopher Lee com direção de Freddie Francis, vindo do sucesso de AS PROFECIAS DO DR. TERROR, que serve de resposta certeira a essa pergunta. Sentia falta de papear com vocês sobre horror clássico britânico e notei que eu nunca mais tinha assistido a um desses filmes, apenas feito revisões. O filme de Francis foi uma bela escolha, revelando-se uma experiência das mais prazerosas que tive em meses. Podemos dizer que ele faz parte de um tempo que não deve voltar tão cedo, quando filmes do gênero eram feitos com a única e exclusiva pretensão de entreter o seu público. E nada mais.


Cushing interpreta Christopher Maitland, um colecionador de objetos relacionados ao oculto que adquire do oportunista Anthony Marco (Patrick Wymark, o inesquecível Coronel Turner de O DESAFIO DAS ÁGUIAS) um livro escrito pelo Marquês de Sade cuja capa é feita em pele humana. Marco conta ao seu cliente que Sade, na verdade, era pior do que muita gente imaginava e inclusive tinha feito um pacto com o demônio. No dia seguinte, o vendedor apresenta uma oportunidade única: o crânio do Marquês. Maitland reclama do preço salgado, mas resolve comprar, apesar do aviso de seu amigo Matthew Phillips (Christopher Lee) de que a peça foi roubada de sua coleção, mas o antigo dono se revela satisfeito por se livrar dela!! O sinal de que tem coisa errada com o objeto é reforçado pela gradual descida ao inferno que Maitland enfrenta quando leva o crânio para a sua casa e as mortes que ocorrem a seguir.


Assim como muitos outros filmes do período, levaram-se anos para A MALDIÇÃO DA CAVEIRA ser assistido com uma cópia decente, preservando o enquadramento original. Os fãs de horror britânico esperaram até 2008 com o lançamento em DVD da Legend Films para vê-lo com a qualidade que o filme tanto merecia ser visto. Digo isso porque Francis é um ótimo contador de histórias de horror, além do próprio ser um dos maiores diretores de fotografia do cinema britânico e isso garante a entrega de um filme com forte apuro visual, apesar do orçamento apertado. Seu trabalho com o cinematógrafo John Wilcox é notável, destacando o efeito “Caveiroscope”, onde o espectador acompanha diversas cenas através do crânio amaldiçoado do Marquês.

O roteiro de Milton Subotsky, baseado no conto “A Caveira do Marquês de Sade” de Robert Bloch, tem os seus altos e baixos, como se extender mais do que o necessário com a entrada dos burocráticos personagens do detetive (Nigel Green) e um legista (Patrick Magee) na investigação dos assassinatos e o final apressado. Subotsky ganha pontos por abraçar o ridículo de muitas situações e suspeito que o próprio Bloch não se levou muito a sério aqui, algo evidente em outras histórias nas antologias que assinou para a Amicus. A sequência onde o crânio voa atrás de Maitland e faz a sua esposa dele (Jill Bennett) correr perigo de vida é um achado.


Mas o show é de Peter Cushing, o eterno ‘Gentleman of Horror’, cuja magnífica presença em cena domina o filme. A constante perda da sanidade de Maitland não é algo que qualquer outro ator poderia expressar tão bem e podemos dizer que esse é um dos seus grandes momentos no cinema. O “astro convidado” Christopher Lee não participa muito do filme, aparecendo de 4 a 5 rápidas cenas, mas ele contracena com seu querido amigo em todas elas. É sempre muito prazeroso vê-los atuando juntos, embora Lee esteja no piloto automático, mas vamos dar um desconto ao monstro pela sua carismática participação e sua voz... que voz! Outros atores bem conhecidos dos fãs do período como Michael Gough e Peter Woodthorpe tem pequenas e importantes aparições.

Enfim, mesmo que o resultado final o deixe um pouco longe de ser um clássico como outras colaborações Cushing/Lee, A MALDIÇÃO DA CAVEIRA é programa obrigatório para quem curte o gênero. Uma pequena pérola do cinema de horror britânico que deveria ser mais conhecida e comentada. Tenho fé que esse dia chegará.

3 comentários:

Alana disse...

Delícia esse filme, delícia de texto!

Osvaldo Neto disse...

Obrigado, querida! :)

Ivo Costa disse...

Filme foi comentando em minha Aula Oswaldo! :)