terça-feira, julho 26, 2011

EVIL SISTER II (2001, EUA)


Brad Sykes não é nenhum corpo estranho aqui no Vá e Veja. Meu primeiro contato com seus pequenos filmes se deu por conta de FÁBRICA DA MORTE, seu único trabalho lançado em DVD aqui no Brasil. Um slasher barato e sem qualquer novidades, mas divertido, que conta com uma irreconhecível Tiffany Shepis no papel de uma criatura mutante assassina. Em 2010, conferi PLAGUERS, seu tributo às ficções B dos anos 80 com uma boa pitada de DEMONS e ALIENS: O RESGATE em seu roteiro que tem Steve Railsback (FORÇA SINISTRA) no elenco interpretando Bishop, ops, Tarver. Foi esse o título que me deixou curioso em procurar o realizador norte-americano para bater um papo sobre a produção.

Publiquei uma boa parte da épica entrevista que fizemos no ano passado quando PLAGUERS foi exibido no CineFantasy e deixei o restante para uma futura ocasião. Pra quê? Ela só aumentou com o fortalecimento do contato e o fato de eu ter assistido a mais filmes dirigidos pelo Brad, alguns gentilmente enviados pelo próprio. E até então, tenho curtido o que vi. Em sua maioria, esses filmes tiveram orçamentos tão minúsculos que as filmagens não poderiam ultrapassar o limite de 6 a 7 dias. EVIL SISTER II é um deles. Nunca sequer tinha ouvido falar do primeiro, mas ele deve ter lucrado o suficiente para os produtores investirem em um segundo filme. É uma daquelas continuações apenas no título, com quase nada que remeta ao original, a não ser o fato de termos uma irmãzinha malvada em questão.


Os protagonistas são Frank (Joe Hagerty) e Tam (Heather Branch), pai e filha que pegam a estrada na procura de Lorna (também interpretada por Branch, com uma peruca ruiva) que fugiu de casa. Vestindo apenas uma capa preta, a moça passa a seduzir e matar os homens que aparecem em seu caminho. É revelado pouco depois do primeiro assassinato masculino da produção que a busca se mostra possível devido a uma ligação psíquica (!!!) de Tam com Lorna. Outros personagens entram em cena, como uma cigana (Tisha Draft), um vadio de estrada apelidado de Widow (Jarrod Robbins) e June (Susanah Deveraux), uma moça que encontra Lorna na estrada. Os três possuem alguma relevância para a história, mas podemos dizer que a maior função deles é aumentar a duração do filme.

EVIL SISTER II foi o segundo longa escrito e dirigido por Sykes, gravado em vídeo no ano de 1998, lançado apenas em 2001 nos Estados Unidos. Não escapa de falhas comuns a grande parte dos pequenos filmes realizados no período que foi um dos mais prolíficos do cinema 'microbudget' americano, como a falta de ritmo e um olhar mais crítico aos roteiros. No caso deste filme em especial, temos apenas 4 mortes no decorrer de toda a duração e uma "revelação surpreendente" estragada pelas constantes cenas onde o papai Frank mostra que não é um sujeito muito legal. O elenco desses pequenos filmes também são irregulares, muitos atores tem alguma ou nenhuma experiência e conheço histórias de gente que topou atuar de graça. Sempre alguns atores se saem melhor que outros e apesar do 'over' em diversos momentos, aqui o destaque vai para Hagerty, presença constante em vários títulos do período e outros filmes de Sykes. Frank é um dos papéis que mais exigiram dele como ator.


Mas trata-se de uma produção diferente das demais, fugindo de ser mais um slasher genérico para focar mais na jornada que os personagens enfrentam. Ela também poderia se beneficiar com algumas mortes a mais, principalmente por elas serem retratadas de forma tão crua e brutal graças aos efeitos e direção de 2a. unidade de Steve Warren que salta aos olhos, cujos close ups e 'inserts' parecem ter sido gravados com uma SuperVHS. Vejo injustiça quando uma pequena produção como essa sai massacrada em sites como IMDB e semelhantes por pessoas que esperam algo do porte de um A MORTE PEDE CARONA ou que nunca compreenderam o que é cinema independente e de baixo orçamento. Estamos falando de um filme feito em vídeo, orçado em aproximados $2.500 dólares (chupa essa, Rodriguez!), onde equipe e elenco se jogaram com a cara e a coragem na estrada pelos 6 dias de filmagem. O próprio diretor fez a primeira vítima do filme por causa de um ator que pulou fora logo no 1o. dia da fotografia principal. E assistir como a turma se vira, criando soluções para diversos problemas é sempre algo que pode ser notado em filmes como EVIL SISTER II, sejam eles bons ou ruins, o que não é o caso dele já que os pontos positivos se sobressaem às suas falhas e limitações.

Curiosidade: Nos créditos finais, fui surpreendido por uma dedicatória a ninguém menos que Jean Rollin. Lorna parece sair de um filme dele.

Esse texto é dedicado em memória de Steve Warren (RIP)

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