quinta-feira, janeiro 13, 2011

VeV Especial: CHOPPING MALL (1986, EUA)

"Onde comprar pode custar um braço e uma perna!"

Dono de uma das mais famosas taglines do cinema B americano, CHOPPING MALL fez Jim Wynorski alguém a ser notado pelos fãs do estilo. Nada mal para um segundo longa, realizado logo após sua estréia em O IMPÉRIO PERDIDO. Um dos maiores responsáveis pelo fato da produção continuar sendo tão lembrada entre os fãs do estilo é a narrativa despojada e bem humorada que se tornaria marca registrada do diretor, com queijorama em doses cavalares. Essa tendência só iria aumentar e atingir níveis absurdos em vários de seus futuros filmes, embora tenham sido poucas as vezes que Wynorski beirou à perfeição como nesta delícia de slasher oitentista com robôs assassinos. É isso mesmo, robôs!

Antes de chegarmos ao filme em si, por quê não falar um pouco dos bastidores? Jim Wynorski trabalhava no departamento de marketing da Concorde, mas não demorou muito para que Roger Corman notasse a sua desenvoltura e lhe desse mais oportunidades. De uma hora para outra, ele passou a ser creditado nos roteiros de SORCERESS (dirigido em 1982 por Jack Hill, sob o pseudônimo de Brian Stuart), SCREWBALLS e FORBIDDEN WORLD até chegar o dia em que uma distribuidora encomendou um slasher cujo principal cenário fosse um shopping center. Corman procurou o seu mais novo pupilo e disse que se ele chegasse em alguns dias com algo bom, o filme seria dirigido por ele. Em dois dias, Jim entregou o primeiro tratamento de CHOPPING MALL. O resto é história.


Como todo realizador do meio que se preze, Jim Wynorski aproveitou ao máximo os recursos disponíveis e os cenários limitados do shopping para contar a história de um grupo de jovens bobocas que serão perseguidos por três robôs assassinos, que matam com tiros de raio laser. É de Wynorski, inclusive, a voz dos robôs que sempre dizem "Obrigado! Tenha um bom dia!" após executarem as suas vítimas. Sensacional. A visível curtição da equipe também ajuda, inclusive com atores conscientes de que seus personagens não passam de estereótipos e se esbaldam com eles. O elenco também conta com a musa Barbara Crampton e participações especiais de Mary Woronov, Paul Bartel, Mel Welles, um jovem Gerrit Graham e Dick Miller. CHOPPING MALL é definitivo para a carreira de Wynorski porque foi a primeira vez onde ele se viu rodeado de talentos que iriam trabalhar ao seu lado outras vezes, como os protagonistas Kelli Maroney e John Terlesky, o co-roteirista Steve Mitchell, os adoráveis Lenny Juliano, Arthur Roberts e Ace Mask que viriam a ser atores de carteirinha do diretor. Juliano aparece logo na primeira cena do filme, onde os robôs são apresentados ao espectador.

E claro, não podemos deixar de falar do quanto o trabalho de Chuck Cirino é importante para a produção, na primeira de muitas e ótimas trilhas sonoras para Wynorski. A contribuição de Cirino é um show à parte, com uma trilha que pode sim, ser datada, mas que é divertidíssima, viciante e se encaixa perfeitamente a cada cena, a cada diálogo ridículo, a cada roupa e corte de cabelo dos protagonistas... enfim, uma trilha que, assim como o longa inteiro, é muito do cinema de gênero dos anos 80 em estado puro, no que há de melhor (ou pior, para alguns). Simplesmente hilário, demente e queijudo, CHOPPING MALL é imperdível e um dos melhores cartões de visita para o cinema de Jim Wynorski.


Falha nossa (correção 14/01): o co-autor do roteiro de CHOPPING MALL é Steve Mitchell, não R. J. Robertson, que foi um dos grandes parceiros de Wynorski como roteirista em 10 filmes.

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