terça-feira, janeiro 25, 2011

Entrevista com Chris Ridenhour (2010: Moby Dick, Mega Piranha)


A música é parte de qualquer experiência positiva com um filme. E muitas vezes, o crédito dado a ela é pouco ou simplesmente esquecido, principalmente em filmes B que mantém o nosso foco nas cenas de ação, monstros e nudez gratuita. Foi pensando melhor nisso que veio o reconhecimento de que uma boa parcela de minha curtição com os filmes da The Asylum também vinha da música, das trilhas compostas por um sujeito chamado Chris Ridenhour. Entrei em contato com ele pela primeira vez em meados do ano passado, quando assisti 6 GUNS e dizer que o cara foi gente fina comigo é fazer pouco dele. Na primeira semana de 2011, fizemos essa entrevista que o leitor confere a seguir:

VeV - Como você se apaixonou pela música e notou que ela seria parte de sua vida?

A série original de "Jornada nas Estrelas". Aquela música era tão exagerada e divertida, teve um enorme impacto em mim quando garoto e dialoga comigo até hoje. Depois, claro, "Guerra nas Estrelas" e praticamente tudo que John Williams fez no período. A seguir, entrei de cabeça nas trilhas inspiradas por música clássica como "Amadeus". Daí tive uma enorme fase rock/metal. E agora estou viajando demais com Joy Division. Adoro passar por fases musicais, é assim que você aprende.

VeV - Você já pensava em compor trilhas sonoras quando era mais jovem?

A primeira vez foi quando ouvi a trilha de Danny Elfman para "Os Fantasmas se Divertem" no cinema. A música se revelou tão divertida e inventiva, que eu ficava tipo "quem é esse Danny Elfman?". Foi uma verdadeira revelação - ele me fisgou por completo com aquela incrível abertura. Tenho certeza que muitas pessoas tiveram a mesma experiência com seus filmes naquela época. Quando descobri que Danny era apenas um cara autodidata que estava numa banda, a possibilidade de fazer uma carreira nesse ramo tornou-se mais realística para mim. Eu pensei: "Posso fazer isso!"


VeV - Quais as suas maiores influências e trilhas sonoras favoritas?

"Edward Mãos de Tesoura", "O Poderoso Chefão" e "O Império Contra-Ataca" estariam entre as primeiras posições. Mais recentemente, tenho apreciado a força e poderosa simplicidade de compositores como Clint Mansell e Carter Burwell. Também sou um grande fã de Nick Cave. Esses três caras estão no topo para mim atualmente.

VeV - Você sempre foi interessado em cinema? Filmes B também?

Sim, especialmente os japoneses - qualquer um com criaturas destruindo coisas. Qualquer um dos filmes do Godzilla. Muitas vezes aproveito melhor o tempo assistindo algo feito com orçamento baixíssimo e pessoas se divertindo ao invés de pagar 60 dólares para levar minha família e assistir um blockbuster pretensioso feito por zilhões de dólares que se propõe a manipular nossas emoções e no fim, vender algo com comerciais. Pois sim, sou um fã dos oprimidos, sempre fui.


05 - Como é trabalhar com os amigos da The Asylum? Eles lançam um filme todo mês, então você deve compor de 10 a 12 trilhas por ano.

Trabalhar com a The Asylum tem sido uma maravilhosa experiência. Eles são como uma família para mim e me deram incríveis oportunidades que apenas sonhei quando estava começando a carreira. Sim, como a maioria dos trabalhos no ramo, as horas são longas, mas eu realmente melhoro com a pressão. Acredito que faço o meu melhor trabalhando assim porque me força a alcançar níveis que musicalmente não pensava ser capaz.


VeV - Você está excitado por milhões de pessoas assistirem a sua ponta em "Mega Shark vs Crocosaurus"? E você também morre? (risos)

Sim, é demais! Fiquei em êxtase porque minha mãe e meu filho adoraram ela! Infelizmente eu não fui morto, mas sempre guardo esperanças para um futuro projeto! Minha amiga Ashley, que trabalha na Asylum, foi eleita recentemente como a melhor morte do canal SyFy por Mega Piranha!


VeV - Sua filha Kathrine ganhou um papel no primeiro filme infantil da The Asylum, "Princess and the Pony". Como está o coração do papai?

Foi muito bom tê-la como parte do filme. Sempre quis compor para um filme infantil, então eu dei tudo o que tinha, 110%! Foi demais trabalhar com Rachel Goldenberg, a diretora, que sugeriu Kathrine para participar do filme então sou muito grato por isso. Rachel tem um estilo muito excitante e identificável de fazer cinema. Acredito que ela tem uma grande carreira pela frente.

VeV - Você ainda se envolve em projetos alternativos? Os fãs conhecem Ravenswood das canções em "Merlin and the War of the Dragons" e "DragonQuest", o grupo continua ativo?

Sim, Ravenswood continua ativo, mas é bem mais um projeto de composição de canções já que Sanya e nem eu tivemos como juntar uma banda completa. Nós temos uma mágica conexão criativa, nos identificamos musicalmente - é muito fácil compor canções com ela porque tudo que Sanya canta soa tão inspirado para mim. Temos um clipe sensacional em produção, espero que ele seja finalizado este ano. Será algo épico.



VeV - De suas próprias trilhas, quais são as favoritas?

Eu diria "Merlin e A Guerra dos Dragões". Aquela foi a primeira trilha onde senti que realmente pus o meu coração. Me identifiquei muito com os personagens e penso que o diretor Mark Atkins fez um trabalho incrível. Mais recentemente, diria "Moby Dick". Assim como "Merlin", me senti emocionalmente conectado com os personagens e isso fez o trabalho ser um deleite. Eu realmente cresço nesses momentos.


VeV - O que vem a seguir para Chris Ridenhour? Fale sobre seus futuros projetos.

Agora mesmo estou finalizando "Mega Python Vs. Gatoroid". Foi uma oportunidade maravilhosa trabalhar com a diretora Mary Lambert. Ela dirigiu um de meus filmes de terror favoritos, "Cemitério Maldito". Não perdi oportunidades de perguntar sobre seu trabalho e aprendi muito com isso. Ela é sensacional. Ainda este ano tenho um grande filme dramático do meu bom amigo Daniel Lusko chamado "The Persecuted". Ele conseguiu reunir um pessoal fantástico no projeto e estarei trabalhando com uma orquestra completa e ao vivo pela primeira vez, então estou muito excitado!


VeV - Esse é o seu espaço para enviar algumas palavras aos leitores e compositores brasileiros.

Sim... nunca desistam! E usem Mac!

Agradecemos a Chris Ridenhour pelo tempo concedido para a entrevista. "Mega Python vs. Gatoroid" estréia neste próximo sábado, dia 29, no canal SyFy.

2 comentários:

Luiz Alexandre disse...

Sujeito bacana esse Ridenhour. Vocês deviam se juntar e fazer uma banda, poderia se chamar "The Minority" ou "The Stand Stills", hehehe.

Osvaldo Neto disse...

Ótimas sugestões... hahahaha

Valeu pela força! Você sempre curte as entrevistas. :)