segunda-feira, junho 28, 2010

Primeira resenha de DINOCROC VS SUPERGATOR

Por Ken Tucker, da EW


Dinocroc Vs. Supergator was impeccable Saturday-night junk entertainment. The Syfy network has really tapped into a solid niche audience for cheesy, new, low-budget sci-fi-horror movies, and this one, produced by the legendary Roger Corman and featuring the late David Carradine, was goofy fun all the way.

“What the hell is going on?” asked Carradine early in this two-hour festival of square-jawed heroes, buxom babes, and monstrously bad CGI. What was going on was Carradine portraying a rich investor, Jason Drake, who was interested in using biotechnology to “create genetic Frankensteins” using “growth hormones on living creatures.”

The best thing about Dinocroc Vs. Supergator was its fast pace. The movie knew that the only way to keep us watching was to immediately immerse us in a tropical setting, get the croc and the gator chomping on tourists and one sleazeball filmmaker (the director of the “just-completed” Maniac Man 6), and zooming past the bad dialogue and acting.

Carradine’s part was filmed separately from the rest of the monster action — the idea was that his Drake had a weak heart and communicated via phone to the people in the thick of his dangerous experiments. It’s good that Carradine was kept away from most of the rest of the cast, since they were busy giving strenuously bad performances. I haven’t seen this much over-acting on a Saturday night since January Jones hosted SNL.

Foremost among the delightfully schlocky roles was Logan, a.k.a. The Cajun, a swampy hunter hired to kill the rampaging Dinocroc and the Supergator. Logan, played by Rib Hillis (now there’s an actor-name!), had the bright idea to pit the two monsters together for the movie’s big final battle. Why? Because, he said, “I know lizards, they’re pretty smart… the alligator and the crocodile are mortal enemies. We make ‘em fight, and then take out the winner.”

Dinocroc Vs. Supergator was its own sort of film mutation: Dinocroc was a 2004 Corman film (starring the great Charles Napier), while Supergator was a 2007 Corman production featuring Kelly McGillis. For Syfy, Corman melded his two properties and the result was swift ridiculousness that had good, lowdown energy. Scoff if you want, but there are gradations of junk, and I’d rather watch a TV-movie like this than CSI: Miami or America’s Got Talent any night.

sexta-feira, junho 25, 2010

Algumas palavras ao leitor

Muito trabalho e pouca diversão fazem de Osvaldo um bobão. Fico na esperança de que em julho o blog volte a manter um ritmo decente de atualizações, incluindo as entrevistas que tem atraído um interesse acima do esperado. De acordo com o Flag Counter do Vá e Veja - que pode ser acessado aqui - esse modesto espaço já recebeu visitas de 63 países desde o seu cadastro no serviço em maio passado. Na última vez que tinha visto, foram 57. Ou seja, o blog dialoga muito mais com os visitantes estrangeiros do que eu pensava, mesmo sendo escrito em português brasileiro. As visitas do Brasil continuam sendo esmagadoras em comparação, claro, mas saber disso injeta uma boa dose de ânimo.

A quem estiver lendo essas linhas, saiba que isso se deve a você, leitor. Obrigado pela sua companhia e interesse no que um simples rapaz de Recife tem a falar sobre cinema.

De volta aos anos 90




6 GUNS (2010, EUA)


Estamos de volta com mais um filme deles, os reis dos 'mockbusters', a The Asylum. Não é de ontem que sempre nutri uma simpatia por eles, o que faz suas produções marcarem presença de maneira simpática, apesar da chateação com um filme ou outro que atinge uma ruindade acima do suportável (sim, 666: A BESTA e O TESOURO DA VINCI, estou falando de vocês!). Com o passar do tempo, as produções da The Asylum melhoraram. Especialmente em algo básico como som. Não faltam efeitos sonoros com volume mais alto que os diálogos e falas sem sincronia com a boca dos atores em algumas de suas produções menos recentes. Já não noto mais essas falhas nos filmes que assisti dela produzidos no ano passado. Existe a possibilidade que minha audição tenha sido alterada pela cerveja do fim de semana? Claro que sim, mas podemos dizer que eles lançam pequenos bons filmes. E o faroeste 6 GUNS é um deles.

O filme começa apresentando Will Stevens (Brian Wimmer), um ex-homem da lei que está vivendo em paz, na sua casinha ao lado da esposa Selina (Sage Mears) e seus dois pequenos filhos. Mas essa paz chega ao fim com a violenta invasão de Lee Horn (Geoff Meed, também autor do roteiro) e sua gangue. A moça vê o marido e os filhos serem executados e como se não bastasse, ainda é estuprada na frente de Will, que morre lentamente. Lee deixa ela por último para Joe Beall (Carey Van Dyke) e este terminar o serviço com um tiro de misericórdia. O bandido sente compaixão pela pobre mulher e não a estupra, nem a mata. Com o passar do tempo, a única sobrevivente do massacre transforma-se na bêbada da cidade. Eis que o caçador de recompensas Frank Allison (Barry Van Dyke) chega no local, para seguir o rastro de Lee Horn. Frank representa também a chance de Selina se vingar dos assassinos de sua família.


6 GUNS é o segundo filme de Shane Van Dyke, que dirigiu PARANORMAL ENTITY e o aguardado TITANIC 2 para a The Asylum. O segredo para se apreciar um filme deles é não criar qualquer expectativas, até porque eles desenvolveram um gênero próprio. Não importa se é fantasia, aventura... um filme da Asylum é um filme da Asylum. Quando soube que a produtora estaria fazendo um faroeste, eu fiquei curioso. Não se tratava de um 'mockbuster', nem de ficção científica, monstros etc, mas algo de um gênero que hoje - infelizmente - não é garantia de bom retorno financeiro. 6 GUNS não parece algo qualquer feito para o mercado de DVD e tem um visível cuidado geral na produção. A música de Chris Ridenhour (compositor de carteira assinada pela produtora) não rouba a atenção para si e cumpre o seu papel de complementar as cenas. O diretor Shane Van Dyke se vira também como ator, no papel de um dos capangas de Lee Horn. Sua direção simples, sem rodeios, faz alguns momentos terem mais força, como nos 20 minutos iniciais, onde Horn e sua gangue invadem a casa da família Stevens. Ele relembra que a violência não precisa ser tão explícita para dar conta do recado. Destaca-se também, a câmera inspirada de Alexander Yellen.

O roteiro despretensioso de Geoff Meed não apresenta novidades, mas a maior parte do pequeno elenco valoriza os personagens. Meed rouba muitas cenas como o violento Lee Horn, enquanto que um ótimo Barry Van Dyke certamente assistiu uma maratona Clint Eastwood para compor Frank Allison. Selina é a personagem mais bem construída, com várias mudanças emocionais e por isso, a estreante Sage Mears teve menos sorte. Mas a seu favor, podemos ver que ela é mais atriz do que muitas figurinhas descartáveis de Hollywood. Prova disso é que ela poderia fazer da Selina bêbada alguém risível, mas não o fez. E de brinde, o sempre divertido Greg Evigan como o xerife covarde e as beldades Anya Benton e Erin Marie Hogan como as moçinhas trabalhadoras do Saloon. Há ainda uma pontinha não-creditada de Gregory Paul Smith, talento promissor que cuida do design de vestuário em vários filmes da The Asylum e tem atuado mais na pele de monstros e criaturas. Gregory será visto em DIRE WOLF de Fred Olen Ray, THE CONQUERED e PRIMITIVE, ambos de Benjamin Cooper.


Uns tiroteios a mais fariam muito bem a 6 GUNS, que é mais limitado pelo orçamento que pelo esforço da equipe. É perceptível a falta de figurantes, pois de habitantes na cidade, temos apenas Selina, o xerife e as pessoas que estão no Saloon. Mas isso não diminui em nada o charme da produção, que se revela mais próxima do bom e velho bangue-bangue italiano do que os outros títulos recentes do gênero. Fácil, fácil, um dos melhores filmes da The Asylum.

Leia a entrevista do ator/roteirista Geoff Meed para o Vá e Veja

quinta-feira, junho 10, 2010

Com vocês, THE AUCTIONEERS


O último dia da fotografia principal de THE AUCTIONEERS foi, de fato, no domingo passado. Trata-se de um curta de quatro minutos feito para um concurso da Canon, que já pode ser assistido online. Para as filmagens, foram usadas câmeras HDSLR (5D e 7D) que permitiram mobilidade e muitas escolhas para a equipe da produção.

THE AUCTIONEERS contou com cenas rodadas no Observatório Griffith, uma clássica locação do cinema americano, presente em JUVENTUDE TRANSVIADA. Foi nela onde foram gravadas as sequências com Darren Dalton e Ezra Buzzington. O co-diretor Cameron Romero divide muito do que aconteceu durante a realização no texto que pode ser lido na descrição do vídeo.

Chapter 5: The Auctioneers from Cameron Romero on Vimeo.

Abaixo, imagens dos bastidores:

Observatório Griffith

Darren Dalton e Ezra Buzzington


Cameron Romero e Ford Austin


Darren Dalton e Cameron Romero

Marc Wasserman e seu filho Jonah, ator mirim.

quarta-feira, junho 09, 2010

"Let's pop some tops" em Porto Alegre!

É com muito prazer que venho confirmar a participação de "POPATOPOLIS" no VI FANTASPOA, Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre, que acontece de 02 a 18 de julho. O filme é parte da Seleção Oficial de 2010 e será exibido nos 06 (às 17:00) e 09 (às 15:00) na Sala PF Gastal.

domingo, junho 06, 2010

Tom Sizemore em dois projetos de Ford Austin


Só alegria. É o que podemos dizer de Tom Sizemore trabalhando com uma turma que ele não deve largar tão cedo. Como fã deste que é um dos melhores atores de sua geração, digo que é muito bom vê-lo longe de problemas e tendo prazer em fazer filmes. A foto acima foi tirada durante as primeiras filmagens de MORELLA, uma nova adaptação do clássico conto de Edgar Allan Poe, dirigida e roteirizada por Adam Ropp.

Marinheiro de primeira viagem na direção de longas, Adam viu o seu sonho virar realidade ao ser o primeiro contemplado no programa Filmmaker Discovery da UBFilm.com/Ubroadcast Entertainment. É um filme pequeno, embora complexo na sua produção, que será ambientado no ano de 1929 e filmado em diversas locações em cidades no estado de Oklahoma. Além de Sizemore, o elenco conta com Margaret O' Brien, Randal Malone, Ford Austin (o tira malvado de EVIL EVER AFTER), Marc Wasserman, Jennifer Arcuri e a lenda Rodolfo Valentino em um dos papéis principais. Quando perguntado pelo Vá e Veja sobre como eles iriam fazer isso, o ator e produtor Ford Austin respondeu: - Um mágico não deve contar os seus segredos.

Ford Austin, no set de MORELLA

Austin é um incansável ator e produtor do atual cinema independente americano que cada vez mais tem ganho o seu espaço ao custo de muito suor e dedicação. Ele também revelou ao blog que eles estão em negociação com atrizes de renome para interpretar Morella, mas seus nomes ainda não podem ser revelados. Uma outra grande notícia para o filme se deu neste final de semana. O filme acabou de conseguir o artista conceitual Mauro Borelli, de O LOBISOMEM (2010), DRÁCULA DE BRAM STOKER e AS AVENTURAS DO BARÃO DE MUNCHAUSEN.

Tom Sizemore já tinha feito um outro filme produzido por Austin chamado COMMUTE, onde foi a voz de Deus (!!!!) para o personagem vivido pelo roteirista e diretor Marc Wasserman. E agora ele está fazendo mais um, chamado THE AUCTIONEERS. Com direção de Ford Austin e Cameron Romero (cinematógrafo de MORELLA e filho de George) que assina o roteiro, a produção também será estrelada por Ezra Buzzington (CLUBE DA LUTA, VIAGEM MALDITA), Darren Dalton (AMANHECER VIOLENTO, VIDAS SEM RUMO) e BJ Hendricks (A MENTE QUE MENTE, STAUNTON HILL). Maiores detalhes da trama não podem ser revelados, mas ela envolve venda de crianças através de leilões na Internet, daí o título. O filme está em seu quarto dia de filmagens e já ganhou um 'teaser poster' que pode ser visualizado abaixo, assim como mais fotos dos bastidores de MORELLA:




THE AUCTIONERS é uma produção da Angry Baby Monkey Pictures e Disruptors Productions, enquanto que MORELLA vem da Ford Austin Company e Morella LLC. Mais notícias sobre ambos em breve, claro, no Vá e Veja.

terça-feira, junho 01, 2010

Entrevista com André Bozzetto Jr. (Lua Perversa, blog Escrituras da Lua Cheia)

Vamos começar as atividades do mês de junho com outro entrevistado. Desta vez, recebemos o escritor e realizador independente André Bozzetto Jr. Nascido em Ilópolis/RS e radicado atualmente em Pinhalzinho/SC, André não tem medido esforços para aumentar a popularização de uma das criaturas mais clássicas e queridas do imaginário mundial: o lobisomem. Boa leitura!

VeV - Quando foi a primeira vez que você se sentiu fascinado pelo Lobisomem? Foi por meio de algum filme?

O fascínio pelos licantropos surgiu ainda na infância, e os filmes do gênero tiveram importância determinante para isso. Clássicos como “Bala de Prata”, “Grito de Horror” e o meu favorito, “Um Lobisomem Americano em Londres” era exibidos e reprisados com muita freqüência nos canais abertos de televisão durante a segunda metade da década de 1980 e eu assistia sempre, com uma empolgante mistura de medo e admiração. Também não posso deixar de mencionar o lobisomem da novela “Roque Santeiro”, da rede Globo, e o seriado “O lobisomem ataca de novo”, ambos igualmente veiculados nos anos 80 e que contribuíram para fomentar o meu interesse pelos monstros lupinos. Adicione a isso o fato de eu ter crescido em uma pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul onde “causos” de lobisomens e assombrações eram difundidos na tradição oral de geração para geração e então o panorama está completo.

"A Fera Assassina", destaque na coleção

VeV - No cinema, o Lobisomem é responsável por um subgênero dentro do cinema de terror e fantasia, assim como os vampiros e animais assassinos. O que você pensa das variações, como a série "Anjos da Noite" e um hoje esquecido filme do Anthony Hickox, "Operação Nervos de Aço" que juntam ação e terror?

Qualquer coisa que envolva lobisomens me interessa. Tanto que tenho praticamente todos os filmes do gênero já lançados em DVD no Brasil e procuro assistir a qualquer lançamento, mesmo sabendo que, infelizmente, a grande maioria se constitui em obras ruins, para não dizer péssimas. Penso que os filmes que você citou possuem alguns aspectos positivos, mas no geral ficam abaixo da média, tanto que nenhum deles figuraria no meu “Top 20 filmes de lobisomem”. Porém, isso está atrelado muito mais a uma concepção de gosto pessoal do que a qualquer outro aspecto. Particularmente, gosto de ver os lobisomens como monstros, como seres amaldiçoados violentos e sanguinários. Em outras palavras: gosto da abordagem que é dada aos licantropos nos filmes de terror. Na minha opinião, a quase totalidade das tentativas de mesclar a figura do lobisomem com outros gêneros cinematográficos distintos do terror resultou em obras que deixaram a desejar. Cito como exceções o clássico oitentista “Deu a louca nos monstros”, que é uma divertidíssima comédia com elementos de terror e aventura destinada ao público adolescente e que trata a figura do lobisomem de forma respeitosa e bem elaborada, e também o controverso “A Fera Assassina”, que encaro como sendo uma comédia de humor negro extremamente violenta e escatológica, mas que funciona muito bem em sua proposta de provocar risos e reações de repulsa na mesma proporção.

VeV - Já que você falou de alguns dos melhores filmes de Lobisomem, o que pode ser dito dos piores, como o "Werewolf" de 1996, as continuações de "Grito de Horror" e o mais recente "Sangue e Chocolate"?

Se fossemos falar de forma mais específica sobre os filmes de lobisomem ruins, então teríamos quase que destinar uma entrevista exclusivamente a esse tema, pois infelizmente são muitos (risos). Seguidamente ouço algumas pessoas dizendo: “Tal filme é um lixo! O lobisomem é muito tosco!”. Contudo, penso que os lobisomens malfeitos seriam facilmente tolerados se viessem acompanhados de bons roteiros, o que quase nunca acontece. Podemos utilizar como exemplo o clássico “Evil Dead – A Morte do Demônio”, que é um filme tosco em diversos quesitos técnicos, mas possui um enredo tão envolvente e um trabalho de direção tão inspirado que é muito difícil classificar o filme com menos do que um “excelente”. Para a nossa decepção, isso não se aplica a 90% dos filmes de lobisomem que têm sido produzidos nos últimos anos.

Para nos atermos apenas aos exemplos que você mencionou, eu diria o seguinte: “Werewolf – A Noite do Lobo” é praticamente um filme amador (daqueles bem pobres) que por algum motivo misterioso acabou sendo lançado em DVD pelo mundo afora. Com exceção de Richard Lynch (que inclusive aparece em um episódio da série "O lobisomem ataca de novo") o resto do elenco tem atuações que chegam a ser vergonhosas de tão ruins. A mocinha não tem nenhum atrativo, é bobinha e chata, o roteiro é mais furado do que uma peneira e a edição do filme é tão mal feita que algumas cenas chegam a ficar sem sentido, como por exemplo a parte em que o lobisomem aparece atacando uma mulher em uma estrada, e logo depois vemos ele em casa começando a se transformar em monstro. Ou seja: inverteram a cena! Será que ninguém da produção notou isso, para corrigir antes de lançar o filme?! Ridículo demais! Eu comprei apenas porque quero ter em DVD original todos os filmes de lobisomem lançados no Brasil, mas não recomendo para ninguém, pois ao contrário dos filmes do Paul Naschy, por exemplo, que são ruins, mas engraçados, este é ainda pior e não tem graça nenhuma.

Sobre as continuações do fantástico “Grito de Horror” é relativamente fácil falar. Basta colocar as coisas da seguinte forma: as partes IV e VI eu classificaria apenas como “ruins”, enquanto todas as outras não merecem menos do que o status de “péssimas”. Não é a toa que o terceiro filme da série seja provavelmente o pior filme de lobisomem que já assisti até hoje.

A respeito de “Sangue e Chocolate”, para mim ele é apenas um filminho pretensioso, que mostra pela milésima vez o clichê da história de amor a lá Romeu e Julieta. Porém, o pior é constatar que, além do enredo enfadonho, o filme não tem ritmo, não tem personagens cativantes, não tem um clímax empolgante, não tem nada, enfim. Já ouvi falar que o livro que inspirou a obra cinematográfica é bem superior, mas como não li, não posso emitir opiniões.

VeV - O que você acha de "Lua Nova"? (risos)

Acho que “Lua Nova”, assim como os demais filmes da série “Crepúsculo” não merecem a atenção de caras como eu por três motivos. Primeiro: essas obras são destinadas ao público infanto-juvenil; segundo: não são, de forma alguma, filmes de terror, mas sim romances bem “água com açúcar” (risos); terceiro e mais importante: a própria autora da série de livros já explicou que os tais garotos indígenas não são lobisomens, mas sim metamorfos – seres que teriam a habilidade de se transformar em qualquer animal, mas escolhem o lobo por opção. Em síntese: eu respeito quem gosta, mas para mim é algo sem qualquer atrativo.

Maquiando um dos atores de "Lua Perversa"

VeV - Ainda sobre o subgênero, você acredita que ainda há muito potencial nele para ser explorado? Tanto em literatura, cinema, TV e até mesmo uma rádio novela?

Sim, acredito. Lendo alguns livros como “Lobisomem”, de Maria L. V. Ribeiro Pinto e o clássico seminal “O Livro dos Lobisomens”, do inglês Sabine Baring-Gould, podemos ter uma noção de como a mitologia acerca dos licantropos é extremamente vasta e diversificada, apresentando uma gama de distintas características de acordo com o local e a época em que se desenvolveu. Isso viabiliza aos interessados pelo gênero a possibilidade de desenvolver múltiplas e ricas abordagens, independentemente de qual for o meio escolhido para se contar uma boa história de lobisomem. Além disso, por algum motivo obscuro, as produções literárias e cinematográficas envolvendo os lobisomens sempre se desenvolveram de forma bem mais sucinta e discreta do que as que tratam dos vampiros, por exemplo, o que me faz crer que ainda há muito a ser explorado sobre essas criaturas, inclusive fazendo-se uso de tecnologias contemporâneas, como séries para o You Tube e rádio-novelas para transmissão em programas ao vivo ou em podcast.

Alan Cassol, Petter Baiestorf, André Bozzetto Jr. e Coffin Souza

VeV - Como você se despertou para colaborar com a popularização do Lobisomem? Quais foram os seus primeiros passos?


Penso que seja algo natural as pessoas sentirem vontade de compartilhar com as outras as vivências acerca daquilo que lhes agrada. Como um bom fã de lobisomem, eu adorava encontrar com os amigos no dia seguinte à exibição de algum filme na TV para que pudéssemos debater sobre os aspectos que mais nos chamaram a atenção. Ficávamos horas conversando sobre as obras que assistíamos. Posteriormente, isso evoluiu para o desejo de colecionar os filmes e também escrever resenhas e artigos sobre eles para sites como o Boca do Inferno. Devido ao meu apreço pela literatura e pelo cinema amador, creio que tenha sido igualmente parte de um processo natural que o tema da licantropia se expandisse também para essas áreas. Portanto, isso tudo é algo que, em primeiro lugar, diz respeito à minha satisfação pessoal. É algo que faço porque gosto, e muito. Porém, todos que se interessam pela temática do lobisomem sabem que o Brasil ainda é carente em produções do gênero, tanto na literatura quanto no cinema ou em quaisquer outras áreas. Por isso procuro contribuir de todas as formas possíveis com a difusão e divulgação de materiais diversos, para que outros fãs como eu também tenham algo mais com o que se entreter.

VeV - A literatura revelou ser um caminho bem instigante para você. Desde o seu primeiro livro, "Odisséia nas Sombras", escrito aos seus 17 anos, você não parou. De onde vem tamanha inspiração?

Acho que isso também é parte de um processo. Posso dizer que fui privilegiado pelo fato de que meus pais sempre me incentivaram muito nas atividades de leitura, desde a mais tenra infância. Era difícil que se passassem mais do que algumas semanas sem que eles me presenteassem com algum livro ou exemplar de histórias-em-quadrinhos. Logicamente, isso foi fundamental, não só na formação da minha personalidade, mas também para determinar meus gostos e anseios. Acredito que todo leitor voraz já se sentiu tentado a se aventurar na escrita, independentemente de ter posto essa idéia em prática ou não. Hoje em dia penso que a sorte recompensou a minha coragem em me enveredar pela literatura ainda tão jovem e inexperiente, pois em 1998 o mercado editorial era bem mais fechado do que agora e a internet brasileira ainda não havia se convertido em um instrumento de divulgação tão poderoso como o é atualmente.

Felizmente, a repercussão do “Odisséia nas Sombras” foi extremamente positiva, me abriu várias portas em termos de trabalho e possibilitou que em 2004 eu pudesse publicar outros dois livros de não-ficção, voltados à área da História, sendo que foram estes que deram um retorno financeiro realmente significativo. Durante o período em que cursei Mestrado, as minhas atividades literárias se restringiram a artigos científicos dirigidos a revistas de teoria literária e História, mas felizmente a partir de 2009 consegui novamente encontrar tempo para retomar as minhas histórias de terror. Ao longo dessa trajetória aprendi que as fontes de inspiração são infinitas. Se você estiver “no clima” propício, qualquer coisa é capaz de lhe induzir a desenvolver uma boa idéia para uma história: um “causo” contado por um conterrâneo, um notícia estranha publicada em um jornal qualquer, um acontecimento bizarro noticiado na TV, uma paisagem peculiar, um sentimento instigante ou mesmo as boas e velhas (e óbvias) referências oriundas do cinema e da literatura.

VeV - Além dos lobisomens, você também é fã do bom cinema de terror. Foi isso também que te levou a produzir curtas independentes, como "Mendigos", "Paisagens, Pesadelos e Paranóias" (que homenageia o 'giallo') e mais recentemente, "Lua Perversa"?

Sim. Parte da resposta anterior se aplica também neste caso. Sempre fui um fã fervoroso de filmes de terror, e quando em 2000 ou 2001 tive a oportunidade de assistir “Criaturas Hediondas” e “O Monstro Legume do Espaço”, do ícone catarinense Petter Baiestorf eu simplesmente pirei (risos)! Descobri que mesmo com recursos praticamente nulos e amadorismo total era possível se criar filmes trash brasileiros que, apesar de tudo, eram incrivelmente divertidos! Desnecessário dizer que a vontade de fazer algo assim ficou latente, mas a oportunidade apareceu somente em 2004, quando fiz o “Mendigos” com um grupo de amigos com o único e exclusivo objetivo de proporcionar um pouco de diversão aos nossos finais de semana tediosos. Como costuma acontecer nestes casos, depois do primeiro as portas permaneceram abertas para o surgimento dos que vieram posteriormente.

VeV - "Lua Perversa" ocupa um lugar de destaque em seu trabalho por ser sobre o Lobisomem e buscar uma proximidade para os filmes clássicos da criatura, como o marco "O Lobisomem" com Lon Chaney Jr, inclusive na fotografia em preto e branco. Há muito tempo você tentava fazê-lo? Fale mais sobre o filme.

Na verdade, eu reescrevi completamente o roteiro do “Lua Perversa” várias vezes até chegar à versão final. Inicialmente, a idéia era produzir algo completamente diferente do que acabou saindo (risos)! Minha intenção era fazer um filme que passasse ao expectador a sensação de estar assistindo uma filmagem real, realizada com uma câmera amadora. Mas acabei desistindo por dois motivos. Primeiro porque recentemente foram lançados muitos filmes utilizando essa fórmula, como “Cloverfield – Mmonstro”, “Diário dos Mortos”, “REC” e o seu remake americano “Quarentena”, o que certamente faria com que o meu filme fosse visto como uma mera tentativa fajuta de pegar carona em uma moda do momento. Em segundo lugar, eu simplesmente não estava conseguindo criar uma caracterização de lobisomem que agradasse. Cheguei até gastar um dinheirão comprando alguns apetrechos importados, mas nada parecia ficar como eu queria.


Já estava praticamente desistindo da idéia quando, no início do ano passado, eu assisti a um filme norte-americano chamado “The Call of Cthulhu”, inspirado na clássica história de Lovecraft e dirigido por Andrew Leman em 2005, mas reproduzindo toda aquela estética dos filmes mudos da década de 1920. Confesso que gostei tanto do filme que disse para mim mesmo “é algo assim que eu vou fazer!”. Além disso, eu sempre fui um grande fã dos filmes clássicos dos monstros da Universal e também de obras oriundas do expressionismo alemão, como “Nosferatu”, do Murnau, certamente o meu filme de vampiro favorito. Tudo isso influenciou na hora de conceber o “Lua Perversa” do jeito que ele acabou ficando na versão final. E o melhor: tive a oportunidade de trabalhar com o meu ídolo, Petter Baiestorf, que fez uma participação como ator juntamente com o seu tradicional colaborador, o lendário Coffin Souza. Com certeza, isso foi muito gratificante e de antemão fez o projeto ter valido à pena. Para concluir essa longuíssima resposta (risos!), segue a sinopse oficial do filme:

“No início do século XX, José Diogo, um homem nascido e criado em Porto Alegre, decide visitar alguns parentes que vivem em uma região rural isolada no interior do Rio Grande do Sul. Chegando lá, em meio a festividades movidas a churrasco, chimarrão e vinho, ele se encanta com a beleza da jovem Sofia, mas também descobre que aquelas pessoas vivem amedrontadas pelos “causos” de um lobisomem que habita a região. Incrédulo, ele decide investigar e acaba trazendo à tona um terrível segredo que irá banhar de sangue as noites de lua cheia. Uma história de lobisomem tipicamente brasileira, baseada no folclore gaúcho, mas contada de uma forma diferenciada”.

VeV - Você mantém um respeitado blog chamado ESCRITURAS DA LUA CHEIA, alimentado semanalmente com contos seus e de autores convidados. Como se deu o nascimento do blog?

Eu aceitei o fato de que a internet é uma das maiores (provavelmente a maior) ferramenta de divulgação da qual um autor de literatura fantástica pode dispor em nosso país. Como em 2009 eu retomei a minha carreira de escritor ficcional – tendo escrito um conto para integrar a antologia “Metamorfose – a fúria dos lobisomens” (editora All Print) e concluindo o romance “Na Próxima Lua Cheia” que será lançado em breve pela editora Multifoco – julguei que a melhor forma de tornar o meu trabalho cada vez mais conhecido era dando freqüentes amostras daquilo que eu escrevia. Por isso criei o blog: para divulgar o meu trabalho e, logicamente, para fomentar a minha satisfação pessoal de escrever sobre o meu tema favorito. Em seguida, ocorreu-me que seria interessante compartilhar essa experiência com outros escritores que também dedicavam pelo menos parte de suas atenções aos licantropos. Assim, surgiram as participações de autores já bastante conhecidos daqueles que acompanham a literatura através da internet, como Adriano Siqueira e M. D. Amado, além de várias outras feras que conheci através das antologias “Metamorfose” e “Draculea”, como Armin Daniel Reichert, Leonardo Ragacini, Pedro Moreno, Mario Carneiro Jr e Lino França Jr. Para os próximos meses já estão agendadas as participações de Duda Falcão e de uma das minhas escritoras nacionais favoritas: Giulia Moon. Acredito que os leitores percebem a seriedade com que o blog vem sendo conduzido, pois o número de visitas cresce a cada dia e os comentários têm sido sempre bastante positivos.

...e apresentando, André Wayne!

VeV - Uma de suas criações mais interessantes é Jarbas, um garoto de 13 anos, fã de filmes de terror e lobisomens que acaba se transformando em um. É impossível não pensar que ele seja um alter-ego de você aos 13 anos, apesar de você não ter matado ninguém com essa idade. (eu acho... hahaha)

Jarbas era um garoto interiorano fã de cinema e literatura de horror, mas as semelhanças entre eu e ele param por aí (risos)! Na verdade, ele era uma pessoa de má índole, ardilosa, egoísta e desleal mesmo antes de se tornar um lobisomem. Depois de convertido em licantropo, a insanidade tomou conta de sua mente deturpada e ele se converteu em uma sangrenta e avassaladora máquina de matar. O que eu quis retratar com esse personagem é exatamente isso: se o lobisomem é um monstro misto de homem e lobo, muito de sua violência e brutalidade vem da potencialização de aspectos obscuros relacionados à própria natureza humana. Assim, quanto pior for o caráter de um sujeito em sua forma humana, mais terrível será o monstro em que ele irá se transformar nas noites de lua cheia. No universo ficcional que eu criei, Jarbas é um ser tão impregnado de loucura e perversidade que ao longo do tempo ele se tornou temido não só por humanos, mas também por outros lobisomens.

VeV - Algum novo projeto em vista para o futuro? Existe algo em primeira mão para os leitores do Vá e Veja? :)

Em 2010 a intenção é dar continuidade ao que vem sendo desenvolvido no blog Escrituras da Lua Cheia, que tem sido algo muito gratificante em função dos elogios e comentários positivos, mas o principal objetivo é trabalhar na divulgação do meu novo livro “Na Próxima Lua Cheia”, que como todos devem supor, trata-se de um romance de terror envolvendo lobisomens. Eventualmente, também pretendo participar de algumas antologias cujas temáticas me pareçam interessantes, e quem sabe até produzir um novo filme amador. Em primeira mão, aproveito para anunciar aos leitores do blog “Vá e Veja” a minha participação na antologia “Extraneus – Volume 2: Quase inocentes” organizada por M. D. Amado através do site Estronho e Esquésito e que será publicada pela Cidadela Editorial ainda em 2010.

VeV - Este é o seu espaço para mandar uma mensagem aos fãs do Lobisomem, do cinema e literatura de terror e fantasia e, claro, a todos que estejam lendo essa entrevista.

Principalmente no que se refere à literatura de horror, é inegável que há uma hegemonia quase que total por parte dos vampiros. Porém, saibam que a cada lua cheia caras como eu tentam fazer com que os lobisomens também tenham seu lugar ao sol, ou melhor, ao luar (risos)!

Obrigado pela oportunidade e um abraço a todos os leitores do blog “Vá e Veja”. Ah, e não se esqueçam: cuidado com a lua!

Agradecemos a André Bozzetto Jr. pelo tempo concedido para a entrevista.