domingo, dezembro 19, 2010

SPOILER (EUA, 1998)


Jeff Burr é um nome em que confio por um simples motivo: dos filmes que assisti, ele não se mostra preguiçoso em nenhum deles. Jeff não tem culpa se os roteiros muitas vezes não eram dos melhores... os dois MESTRE DOS BRINQUEDOS dirigidos por ele que o digam! Mas ainda assim, ele nos entregou títulos como DO SUSSURRO AO GRITO, O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA III (a melhor continuação do clássico de Tobe Hooper) e A NOITE DO ESPANTALHO que divertem qualquer fã do gênero. Assim como boa parte dos seus colegas de profissão, a força de Jeff é melhor notada em seus projetos mais pessoais, EDDIE PRESLEY e COMBATE NA ESCURIDÃO. SPOILER é um de seus filmes mais obscuros, uma mistura de drama e ficção estrelada por Gary Daniels.

Roger Mason (Daniels) é preso por um crime que não cometeu. Sem conseguir viver longe da família durante 1 ano de sentença, o homem foge da cadeia, mas acaba sendo pego e sujeito a torturas mentais. Detalhe: ele é condenado a 26 anos de suspensão criogênica. Mason acorda com a mesma idade, mas seus entes queridos envelhecem ou já se encontram mortos. Ele foge outra vez para tentar reencontrar os seus parentes, nem que seja por pouco tempo, para ser preso novamente, submetido a mais abusos e congelado em seguida. Policiais e caçadores de recompensas parecem estar sempre um passo atrás dele. Já um fugitivo lendário, Mason recebe a notícia que seus pais e esposa faleceram, apenas restando a sua filha. E adivinhem o que ele fará em seguida? Fugir, sem saber se encontrará com a última pessoa que ama no mundo.

Pela premissa, temos um dos filmes B mais deprimentes já feitos. Mas Jeff Burr faz o possível para ele não ser tão melodramático. Muitos sets são de uma pobreza franciscana, o que reforça a criatividade de Jeff em disfarçar as limitações do baixíssimo orçamento para uma produção do gênero (menos de 500 mil dólares). O roteiro de Michael Kalesniko é derivativo de O DEMOLIDOR e VINGADOR DO FUTURO, mas apresenta sequências memoráveis - uma das fugas é sensacional - e injeta alguma comicidade, que embora deslocada às vezes ajuda ao filme não ficar insuportável. Uma falha grave do roteiro é o fato de nos fazer pensar que o personagem tenha alguma culpa pelas coisas ruins que acontecem a ele. Poxa vida, o cara tem um ano de sentença a cumprir e foge para correr o risco de ser pego e congelado por mais 10, 20 anos? Sei não...

Gary Daniels dá o melhor de si e carrega o filme nas costas, apesar do papel não considerar o seu talento como artista marcial. A luta entre ele e Bryan Genesse (yeah!) também merecia ser melhor executada. Todo o filme praticamente se resume aos planos e posteriores fugas de seu personagem, que cruza seu caminho com uma série de personagens interpretados em rápidas aparições de figuras conhecidas como os irreconhecíveis Meg Foster e James Booth, passando por Joe Unger, Bruce Glover, Duane Whitaker (que estão em BROKE SKY), Timothy Bottoms e Willard E. Pugh. Não me esqueci de Jeffrey Combs, que arrebenta na melhor participação especial do longa, como um sádico e afeminado policial que tem caçado Mason por muito tempo e finalmente encontra o fugitivo.



A direção de SPOILER é assinada com o pseudônimo Cameron Von Daake, pois Jeff Burr perdeu o controle na pós-produção. Certamente, teríamos um filme melhor com sua palavra no corte final, mas apesar do ocorrido, outra vez é o talento de Jeff como diretor que se sobressai. Trata-se de uma produção fora dos padrões do período, inclusive pela presença de Gary Daniels que entrega sua melhor atuação num filme que não prioriza cenas de ação. Isso pode desapontar a muitos, menos a quem busca algo diferente do que o ator fez para a PM Entertainment e Nu Image, por exemplo.

PS: Não acredito que escrevi todo esse texto sem fazer uma piadinha com o título!

5 comentários:

Luiz Alexandre disse...

Peraí, você tá me dizendo que o Gary Daniels fez um filme em que ele não fala com seus pés e punhos? E que não é perda de tempo?
Coisa mais curiosa (e corajosa) do sujeito. Mas ele nunca foi um ator ruim, no máximo limitado, se um sujeito como o Mark Rufallo consegue, acho que o Daniels tb não deve ter problemas. O único filme dele que vi onde não lutava (ao menos não até onde vi) era um que ele dividia espaço com a Traci Lords, onde acontecia um terremoto na cidadade, mas na época achei uma lástima. Preciso ver o Spoiler.

Ronald Perrone disse...

Eu andei pegando alguns filmes do Burr pra ver, mas esse aqui me passou despercebido..

Osvaldo Neto disse...

Daniels fala com os pés e punhos aqui, Luiz. Mas pouquíssimo. Também nunca considerei o Daniels ruim... mesmo que ele não tenha sido a escolha ideal para um papel como esse, o comprometimento dele com o projeto foi notável. O cara deve sentir orgulho do seu trabalho neste filme. Já assisti (e tenho) esse com a Traci Lords, DEVASTAÇÃO EM LOS ANGELES (Epicenter), feito quando a PM estava falindo e começou a fazer como outras produtoras estavam fazendo, usando cenas de ação de outros filmes. Um dia tomo coragem e revejo, mas também achei um desperdício.

Ronald, já assistiu EDDIE PRESLEY e STRAIGHT INTO DARKNESS? Curioso pela sua opinião, rapaz.

Ronald Perrone disse...

Ainda não, meu amigo. Mas pretendo fazer isso logo, não só com esses dois filmes, mas com todos do Burr que eu acumulei aqui.

andre disse...

Eu tava lendo uma entrevista com o gary daniels e ele diz q esse é o filme q ele mais tem orgulho de ter feito,preciso conferir com urgencia...