sábado, agosto 21, 2010

Notas sobre "À Beira da Loucura" e o Cineclube Dissenso

Apenas hoje consegui tirar um tempinho para escrever sobre o último final de semana. De segunda-feira até ontem foi dureza. Só arranjei tempo para comer e dormir. Posso estar ficando louco, chegando um zumbi em casa, mas por outro lado, tenho estado cada vez mais feliz por ver algumas coisas bacanas acontecendo. E um desses acontecimentos se deu no último sábado, 14/08, quando a convite do Cineclube Dissenso, o Vá e Veja teve uma sessão comemorativa pelos 4 anos do blog. Exibimos À BEIRA DA LOUCURA, de John Carpenter, um de seus filmes mais importantes e sabe-se lá o porquê, menos comentados.

Através da busca do investigador John Trent (Sam Neill) a um desaparecido e famoso escritor de livros de terror chamado Sutter Cane (Jurgen Prochnow), o filme entra fundo na dualidade entre ficção e realidade tão cara ao período de realização - embora feito bem antes de CIDADE DAS SOMBRAS, EXISTENZ e MATRIX - além de pagar tributo à maneira pela qual as histórias fantásticas se propagaram pela primeira vez: a literatura. Foi através dela que mentes perturbadas e geniais como Edgar Allan Poe e H. P. Lovecraft se expressaram e continuam impressionando gerações de leitores. E como acabei de citar Lovecraft, o roteiro do também produtor executivo Michael De Luca contém diversas referências ao mestre que fazem a alegria dos fãs. Sem falar da emoção que senti ao assistir esse filme como ele merecia ser visto até então, numa sala de cinema, algo inédito no Brasil já que ele foi lançado diretamente em VHS. O excelente final, aliado ao tema musical da produção - a cargo do próprio Carpenter - que é puro rock n' roll, deixou um sorrisão estampado em meu rosto na saída da sessão. Custei a acreditar horas depois que eu tinha alguma parte nesta inesquecível sessão de cinema.

Antes de entrar na sala, reencontrei Felipe Macedo, amigo de longa data e companheiro de sessões de DVD por alguns sábados e domingos à tarde na minha antiga morada. Sua presença me deixou ainda mais confortável, já que se tratava de alguém com gosto e opinião semelhantes e por isso, tinha certeza que ele seria alguém de importância ao meu lado no debate, que por sinal, foi muito bom. Se bem que ele poderia ter acabado um pouquinho mais cedo, já que tanto aprofundamento num filme, por melhor que seja, muitas vezes acaba tirando parte de sua magia.

Mas não exagero quando digo que os debates do Dissenso são uma das razões pelas quais ele tem funcionado tão bem. E o que me atrai demais neles é a sua democracia. Os presentes que quiserem se manifestar, tecer um comentário e críticas, sejam elas positivas ou negativas, tem voz no debate, sem exceção. Eu costumo participar de todos, embora saia da maioria com a mesma opinião que tive na saída da exibição. Mas existem sessões de filmes que eu não gostei, mas que melhoraram a meu ver por conta dos debates.

Em clima de comemoração, ao final do debate, houve um divertido joguinho de perguntas e respostas, com a ajuda dos comparsas André Antônio e Luiz Otávio em duas perguntas. 4 vencedores (1 por cada aniversário hehe) levaram 1 DVD original para casa, com títulos que são a cara do Vá e Veja e gerarão futuras postagens no blog. Os discos foram os seguintes:


A CASA DO TERROR 2
com 4 episódios da série televisiva de terror da Hammer

CAÇADA NO SUBMUNDO
Clássico da PM Entertainment, com Jeff Fahey

PONTO DE ORIGEM
Telefilme da HBO com Ray Liotta e John Leguizamo

VAMPIRES AND OTHER STEREOTYPES
Primeiro longa de Kevin J. Lindenmuth, personagem obrigatório ao se falar do cinema de gênero americano dos anos 90. Este último foi um presente autografado do próprio diretor e roteirista ao espectador contemplado, que por sorte, foi o amigo Felipe. Valeu, Kevin!

Obrigado a todos os amigos do Cineclube Dissenso - André, Fernando, Luiz, Paulo, Pedro, Rodrigo e Tiago - pela grande tarde, que iniciou um dos melhores finais de semana cinéfilos que tive em bom tempo. Os outros filmes vistos foram ECOS DO ALÉM 2 (que para minha surpresa, não foi ruim), uma revisão de DETOUR - CURVA DO DESTINO e uma bela sessão no multiplex de OS MERCENÁRIOS. Tudo indica que fortes emoções cinéfilas me aguardam também neste sábado e domingo, já que o filme de hoje no Dissenso é nada mais nada menos que essa belezinha abaixo...

Mas esses são assuntos para outros dias no Vá e Veja. Até mais!

2 comentários:

bruno andrade disse...

Muito legal a sua nota, bicho. Um dado, que não chega nem a ser uma correção porque é um dos segredos mais bem guardados da história da distribuição e exploração comercial de cinema no Brasil: o filme chegou a ser exibido sim em cinema. Foi algo restritíssimo, incomum na época em que aconteceu (95) - umas poucas salas no Rio e em SP. Só. Pouquíssimas pessoas sabem disso.

Mas quando eu me lembro que quando Escape From L.A. foi exibido aqui em Florianópolis num cinema completamente fora de mão (leia-se: fora da ilha), e que o cartaz era basicamente um papelão escrito com canetinha hidrocor (juro - com vários nomes escritos errado, incluindo o do Russell), não é de estranhar a estranha sorte que In the Mouth of Madness teve.

Osvaldo Neto disse...

Obrigado pelo comentário, Bruno. Sinta-se bem vindo ao blog para trocarmos mais idéias, abraços!