sexta-feira, junho 25, 2010

6 GUNS (2010, EUA)


Estamos de volta com mais um filme deles, os reis dos 'mockbusters', a The Asylum. Não é de ontem que sempre nutri uma simpatia por eles, o que faz suas produções marcarem presença de maneira simpática, apesar da chateação com um filme ou outro que atinge uma ruindade acima do suportável (sim, 666: A BESTA e O TESOURO DA VINCI, estou falando de vocês!). Com o passar do tempo, as produções da The Asylum melhoraram. Especialmente em algo básico como som. Não faltam efeitos sonoros com volume mais alto que os diálogos e falas sem sincronia com a boca dos atores em algumas de suas produções menos recentes. Já não noto mais essas falhas nos filmes que assisti dela produzidos no ano passado. Existe a possibilidade que minha audição tenha sido alterada pela cerveja do fim de semana? Claro que sim, mas podemos dizer que eles lançam pequenos bons filmes. E o faroeste 6 GUNS é um deles.

O filme começa apresentando Will Stevens (Brian Wimmer), um ex-homem da lei que está vivendo em paz, na sua casinha ao lado da esposa Selina (Sage Mears) e seus dois pequenos filhos. Mas essa paz chega ao fim com a violenta invasão de Lee Horn (Geoff Meed, também autor do roteiro) e sua gangue. A moça vê o marido e os filhos serem executados e como se não bastasse, ainda é estuprada na frente de Will, que morre lentamente. Lee deixa ela por último para Joe Beall (Carey Van Dyke) e este terminar o serviço com um tiro de misericórdia. O bandido sente compaixão pela pobre mulher e não a estupra, nem a mata. Com o passar do tempo, a única sobrevivente do massacre transforma-se na bêbada da cidade. Eis que o caçador de recompensas Frank Allison (Barry Van Dyke) chega no local, para seguir o rastro de Lee Horn. Frank representa também a chance de Selina se vingar dos assassinos de sua família.


6 GUNS é o segundo filme de Shane Van Dyke, que dirigiu PARANORMAL ENTITY e o aguardado TITANIC 2 para a The Asylum. O segredo para se apreciar um filme deles é não criar qualquer expectativas, até porque eles desenvolveram um gênero próprio. Não importa se é fantasia, aventura... um filme da Asylum é um filme da Asylum. Quando soube que a produtora estaria fazendo um faroeste, eu fiquei curioso. Não se tratava de um 'mockbuster', nem de ficção científica, monstros etc, mas algo de um gênero que hoje - infelizmente - não é garantia de bom retorno financeiro. 6 GUNS não parece algo qualquer feito para o mercado de DVD e tem um visível cuidado geral na produção. A música de Chris Ridenhour (compositor de carteira assinada pela produtora) não rouba a atenção para si e cumpre o seu papel de complementar as cenas. O diretor Shane Van Dyke se vira também como ator, no papel de um dos capangas de Lee Horn. Sua direção simples, sem rodeios, faz alguns momentos terem mais força, como nos 20 minutos iniciais, onde Horn e sua gangue invadem a casa da família Stevens. Ele relembra que a violência não precisa ser tão explícita para dar conta do recado. Destaca-se também, a câmera inspirada de Alexander Yellen.

O roteiro despretensioso de Geoff Meed não apresenta novidades, mas a maior parte do pequeno elenco valoriza os personagens. Meed rouba muitas cenas como o violento Lee Horn, enquanto que um ótimo Barry Van Dyke certamente assistiu uma maratona Clint Eastwood para compor Frank Allison. Selina é a personagem mais bem construída, com várias mudanças emocionais e por isso, a estreante Sage Mears teve menos sorte. Mas a seu favor, podemos ver que ela é mais atriz do que muitas figurinhas descartáveis de Hollywood. Prova disso é que ela poderia fazer da Selina bêbada alguém risível, mas não o fez. E de brinde, o sempre divertido Greg Evigan como o xerife covarde e as beldades Anya Benton e Erin Marie Hogan como as moçinhas trabalhadoras do Saloon. Há ainda uma pontinha não-creditada de Gregory Paul Smith, talento promissor que cuida do design de vestuário em vários filmes da The Asylum e tem atuado mais na pele de monstros e criaturas. Gregory será visto em DIRE WOLF de Fred Olen Ray, THE CONQUERED e PRIMITIVE, ambos de Benjamin Cooper.


Uns tiroteios a mais fariam muito bem a 6 GUNS, que é mais limitado pelo orçamento que pelo esforço da equipe. É perceptível a falta de figurantes, pois de habitantes na cidade, temos apenas Selina, o xerife e as pessoas que estão no Saloon. Mas isso não diminui em nada o charme da produção, que se revela mais próxima do bom e velho bangue-bangue italiano do que os outros títulos recentes do gênero. Fácil, fácil, um dos melhores filmes da The Asylum.

Leia a entrevista do ator/roteirista Geoff Meed para o Vá e Veja

3 comentários:

Ronald Perrone disse...

Comecei a ver há uns dias e relamente estava acima da média para os filmes da Asylum! Precisto terminar de ver...

Osvaldo Neto disse...

Só o fato deles não terem feito um faroeste com câmera 'moderna' já é digno de menção. Assista o restinho, é um filme bem simples e sem pretensões, por isso que curti.

Ah, e faça o favor de ignorar os comentários bestas no IMDB. Dá para ver que credibilidade não é o forte deles quando um sujeito diz que ele faz DJANGO parecer bom.

Luiz Alexandre disse...

O IMDB é um dos motivos de eu considerar o projeto web 2.0 superestimado, por mais contraditório e hipócrita que eu possa soar. Já li cada comentário besta naquele lugar que, nossa, nem te conto. É um expectador que assiste a filme do Don Wilson como se estivesse diante de um filme, sei lá, do Harrison Ford ou um bom filme de um diretor legal como o Woody Allen ou o James Gray e a besta do "comentarista" analisar o filme na expectativa de quem vai assistir a um filme do Tom Hanks. "Críticos" do IMDB, citando literalmente o que Stewie Griffin disse ao Matthew McConaughey em um episódio do Family Guy: "You suck donkey's ass!"