sexta-feira, março 05, 2010

EVIL EVER AFTER (2006, EUA)


Difícil imaginar algo parecido hoje no cinema independente americano. Aqui no Brasil temos o catarinense Petter Baiestorf, mas há tempos eu não via tanta violência ginecológica no mesmo filme. A dose de EVIL EVER AFTER atingiu um nível bem acima da média, com direito até um dos personagens ter o seu pênis arrancado e comido! Brad Paulson dirigiu um filme que não economiza em mau gosto.

A produção começa com ninguém menos que Joe Estevez narrando a história do jovem Bernie Grisso (Ron Swallow), que leva uma vida sem complicações e tem pais que o amam. Tudo muda quando ele volta mais cedo da escola e vai ao porão da sua casa... para ver os pais devorando um cadáver humano. Bernie acaba virando canibal junto com seu pai e mãe, uma de suas vítimas é um bêbado que morre com a garrafa de birita perfurada no próprio peito. As coisas caminham na maior tranquilidade até o dia em que os pais do garoto são mortos por um policial corrupto (Ford Austin, fã declarado de BAD LIEUTENANT) que encobre os crimes da família, mas o deixa vivo. Anos depois, já adulto e curado do vício, Bernie (agora interpretado por Randal Malone, figuraça) é vítima de Ashley (Heidi Martinuzzi, também produtora executiva), a piranha do bairro que o faz ser extremamente humilhado, estuprado e deixado para morrer. Mas ele sobrevive e a contagem de corpos tem início.


EVIL EVER AFTER é uma produção de Chris Watson, que vem colaborando para o cenário independente americano desde 2003, com ZOMBIEGEDDON, onde reuniu figuras ilustres do cinema B e de terror. Watson também tem colaboração no roteiro, que coloca a maior parte do elenco em situações que muitos atores se sentiriam ofendidos ao serem filmados. Não é livre de falhas, claro. A duração se alonga mais do que o necessário, perdendo um bom tempo com cenas e diálogos de personagens que tem "carniça" escrito na testa. Não se assiste a um título como esses por desenvolvimento de personagem, mas quando o bicho pega, o longa não desaponta.


Assumidamente barato e grosseiro do início ao fim, esse é o tipo de filme que o grande crítico 'drive-in' Joe Bob Briggs escreveria sobre, se não fizesse parte do elenco que ainda conta com outros habitantes do universo B e 'micro-budget' americano: Brinke Stevens (aqui uma anti-MILF) e Mighty Mike Murga. Há participações de Julie e Lizzy Strain, Felissa Rose, Jeff Leroy e duas figuras com quem já troquei idéias: Eric Spudic e Chris Mackey. Para a minha alegria, os dois morrem no filme. Mackey faz o bêbado que citei no segundo parágrafo. Lloyd Kaufman gravou uma participação que acabou cortada na ilha de edição, seu personagem era outro que aparecia somente para morrer.



Ao ser livre e sem qualquer tipo de amarras, EVIL EVER AFTER cumpre a missão de recriar o clima das produções dos anos 70 e 80 que o inspiraram, inclusive na trilha sonora, atuações exageradas e a morte de um garoto 'on-screen' que lembra ASSALTO A 13a. DP. Mas ao contrário do filme de Carpenter, o moleque não tinha nada de inocente e (pasmem!) ainda era cadeirante. É essa postura "quanto pior, melhor" e o extermínio de praticamente todo o elenco que garantem a maior parte da curtição.

O que está rolando com o pessoal...


Chris Watson realizou DEAD IN LOVE, uma comédia dramática que vem recebendo elogios. Confesso que o meu maior interesse se deve a participação do grande Richard Norton no filme. Sei que ele não deve chutar a bunda de ninguém, mas o sujeito é um dos heróis de minha adolescência e estou ansioso para vê-lo em algo novo.

Watson e Ford Austin se reuniram novamente para fazer um filme que deve ser ainda mais demente: DAHMER VS. GACY. A produção continua percorrendo vários festivais nos Estados Unidos, segue o trailer:


Brad Paulson faz parte do blog Dead Harvey e Chris Mackey se dedica ao GUESTAR, ambos dedicados a produções independentes. Antes de EVIL EVER AFTER, Paulson chamou atenção com a antologia THE VAN e o roteiro de THE BLOOD STAINED BRIDE. Já Mackey gostou tanto de um filme chamado MINDS OF TERROR que adquiriu os direitos para distribuição própria. Ele sabe do que faz, tem um comentário de minha pessoa no IMDB quando o assisti. O longa de Mark Adams tem uma história das mais curiosas e será assunto de um artigo que já começou a ser escrito para o Boca do Inferno.

Heidi Martinuzzi é editora e dona do Pretty Scary e está em pós-produção com o documentário BRIDES OF HORROR, sobre as esposas de realizadores do cinema de terror.

Eric Spudic é ator e roteirista, mas o vício dele por filmes B foi tão grande que ele montou uma loja inteira de VHS e DVD's raros. Confira abaixo o divertido comercial da Spudic's Movie Empire, prestes a virar 'cult' no YouTube:

2 comentários:

Ronald Perrone disse...

Hehe, parece ser bem grotesco! Belo post!

Osvaldo disse...

Valeu, Ronald. Espere por mais! :)