sexta-feira, fevereiro 19, 2010

SOLDADO UNIVERSAL 3: REGENERAÇÃO (Universal Soldier: Regeneration, 2009, EUA)


Em relação aos companheiros Steven Seagal, Wesley Snipes e os novatos Cuba Gooding Jr. e Val Kilmer nos filmes que vão direto pro DVD, Jean-Claude Van Damme está indo muito bem. Há quase três anos atrás, Até a Morte provou que o baixinho do calombo na testa é mais ator do que muita gente pensava. 2009 foi a vez do surpreendente JCVD, onde ele interpreta um ator chamado Jean-Claude Van Damme que está pendurado em dívidas, perde a custódia dos filhos para a ex-mulher e seus filmes vão direto pro DVD ao invés dos cinemas. Não se sabe quanto do Van Damme da ficção e do Van Damme da vida real estão no roteiro. JCVD é para Van Damme o que O Lutador foi para Mickey Rourke. Um belo filme que merecia alguma chance no circuito alternativo brasileiro.

O mesmo não pode ser dito de Soldado Universal 3: Regeneração, que é um espetáculo de truculência. A direção ficou a cargo de John Hyams, filho de Peter Hyams (que dirigiu Van Damme em TIMECOP e MORTE SÚBITA), trabalhando como diretor de fotografia neste filme. Regeneração parte direto do original, desconsiderando as duas continuações baratas feitas para a TV e Soldado Universal: O Retorno, onde Luc Deveraux (Van Damme) vive como um humano e tinha até uma filha! Ainda bem.

Nos primeiros minutos do filme ambientado na Rússia e filmado na Bulgária, uma moça e um rapaz são sequestrados de um museu de arte por um grupo mascarado. Os bandidos começam a massacrar os seguranças particulares, a polícia e um deles leva vários tiros, mas não morre. Essa introdução ao filme nos leva a algo cada vez mais raro e ausente do cinema de ação atual: uma cena de perseguição tão bem planejada, filmada e editada que joga o espectador no meio da ação e ainda assim, ele entende o que está acontecendo. Isso tudo antes do final dos créditos de abertura. Yeah!

Os dois jovens sequestrados são filhos do primeiro ministro, usados pelo general Boris e seus soldados saídos de um filme do Chuck Norris para negociar a liberdade de companheiros presos. Eles tomaram a usina de Chernobyl e ameaçam explodir o lugar se o governo russo não cumprir as exigências em até 72 horas. Aquele sequestrador que teimava em não morrer na perseguição do início é, na verdade, o NGU (interpretado pelo lutador Andrei "The Pit Bull" Arlovski), uma nova geração de Soldados Universais. Ela foi criada pelo Dr. Colin (Kerry Shayle), o típico cientista louco, e seu assistente (Garry Cooper). O governo americano envia 4 dos 5 soldados restantes da antiga geração para Chernobyl resgatar os jovens, num esforço lamentável, os guerrilheiros sofrem baixas, mas o novo soldado universal acaba com os 4. A solução é reativar Luc Deveraux (Van Damme), que estava sob tratamento psicológico (???) para a missão, voltando a ser a máquina de matar que sempre foi. Deveraux apenas não contava com o encontro surpresa no lugar: seu antigo inimigo, o psicótico Andrew Scott (Dolph Lundgren).


Essa volta de Deveraux não faz mesmo muito sentido. Se os outros quatro soldados não resistiram à nova geração, por que raios enviaram o Deveraux? Mas antes de qualquer coisa, é necessário lembrar que ao assistir esses filmes, qualquer falta de noção e lógica deve ser posta de lado. Não se assiste a um filme de ação por roteiro, atuações e construção de personagens. O que mais importa é ver o Deveraux quebrando o pau assim que bota os pés na usina e, nesse sentido, o filme não desaponta. Coloque no meio de tudo o aguardado confronto de Scott e Deveraux - com direito a final estilo Blade Runner - e temos quase 30 minutos ininterruptos de pura ação, com violência a granel e lutas bem coreografadas, influenciadas por MMA (Mixed Martial Arts). John Hyams também dirigiu The Smashing Mashine, documentário sobre o lutador Mark Kerr.

A atmosfera de Regeneração difere do esperado, com uma fotografia de cores frias que chama a atenção e remete ao cinema de ficção científica feito hoje. Se há algo que seja considerado negativo, é o limitado tempo em cena do trio principal de atores. Contam-se nos dedos os seus diálogos no roteiro de Victor Ostrovsky, embora seja essa ausência de humanidade e emoção que faz os personagens terem tamanha presença no filme.

Van Damme e Arlovski beiram a perfeição como duas máquinas de matar: o som que mais se ouve quando eles estão em cena são os de suas vítimas. Lundgren é o que menos aparece dos três, mas o retorno de Andrew Scott vem sendo comparado com a descontrolada fuga do monstro de Frankenstein. Não é para menos, Scott termina sendo o personagem mais interessante do filme e permite a Lundgren alguns de seus melhores momentos em anos.

Uma excelente colaboração entre pai e filho cineastas faz com que Soldado Universal 3: Regeneração seja acima da média e tão bem acabado para uma produção destinada ao DVD. O filme merece ser visto, nem que seja pela brutal cena de luta entre Van Damme e Lundgren, que podem sim estar mais velhos, mas acabam com qualquer "astro" atual do gênero como John Cena num estalar de dedos.


Mancada: a distribuidora California Filmes errou o nome de Van Damme em todo o material promocional do filme, posters e capas do DVD e Blu-Ray. Que coisa feia.

3 comentários:

herax disse...

cara, eu nem tinha me tocado que o diretor era o mesmo do documentario sobre o Mark Kerr, esse documentario é excelente!!! vou ficar de olho nos próximos trabalhos dele!

Osvaldo disse...

Já que você indicou, vou correndo atrás para conferir! Ele tem um outro documentário, o RANK: http://www.imdb.com/title/tt0498379/

Ronald Perrone disse...

Também vou ficar de olho nos próximos trabalhos dele, principalmente se for um filme de ação truculento como este aqui! Belo texto!