terça-feira, fevereiro 23, 2010

BROKE SKY (2007, EUA)


O famigerado IMDB lista o filme de hoje em quatro gêneros (comédia, drama, suspense e thriller) e ele tem mesmo tudo isso, mas em doses bem administradas pelo estreante Thomas L. Callaway, que tem uma extensa filmografia como diretor de fotografia desde os anos 80. Entre os seus trabalhos, estão CREEPOZOIDS, BANQUETE NO INFERNO, três filmes de Fred Olen Ray e até mesmo CÓDIGO DE HONRA, um clássico com Cynthia Rothrock, Richard Norton e Brian Thompson que não tenho idéia do porque ainda não foi comentado aqui no blog.

BROKE SKY é um "neo-noir" dotado de um bizarro senso de humor semelhante apenas ao do recente VÍCIO FRENÉTICO com Nicholas Cage, feito dois anos depois. Assim como no filme de Herzog, me peguei rindo de coisas que não deveria. A dupla de protagonistas nada comum acentua esse humor do filme, embora ambos sejam homens comuns. Bucky e Earl (Will Wallace e Joe Unger, excelentes) são dois velhos amigos na pequena Waco, no Texas. Ambos tem um dos piores empregos já retratados pelo cinema, eles ganham a vida recolhendo carcaças de animais mortos nas estradas da cidade. Bucky e Earl podem não ganhar muito, mas são felizes e se divertem em companhia do outro.


A chegada de uma máquina que realiza o trabalho deles com extrema eficiência, ameaça o ganha pão de um deles, já que ela precisa de apenas um operador. Até 30 minutos de filme, BROKE SKY parece ser uma comédia de humor negro sobre esses dois personagens. Mas como todo filme de inspiração "noir" que se preze são as más escolhas e o passado que o farão ficar cada vez mais sombrio. Um corpo aparece, claro.

O ótimo elenco principal se completa com Duane Whitaker fugindo dos canalhas que sempre deu vida fazendo o xerife da cidade e um arrepiante Bruce Glover roubando os minutos e segundos que aparece. É um daqueles personagens tão repulsivos que dá receio de conhecer o ator que o interpretou.


Filmes como BROKE SKY acontecem quando gente talentosa que trabalha no cinema de gênero e independente resolve fazer algo mais pessoal. É um filme que não deixa o gênero de lado, mas que possui marcas autorais e significa muito mais para os envolvidos, pois não trata-se de um filme feito por contrato assinado. Callaway - também produtor e diretor de fotografia da produção - fez questão de se cercar de gente que conheceu ao longo dos anos de trabalho no cinema independente americano, como os produtores Jeff Burr, Dan Golden e Eric Miller. Golden ainda acumulou a função de assistente de direção e contribuiu no roteiro.

Se existe algo que talvez deixasse o filme melhor, seria Bucky ser solteiro ao invés de casado. A esposa (vivida por uma simpática Barbara Chisholm) consome um tempo que poderia ser aplicado na tensão que passa a atormentar a relação entre Bucky e Earl. A música country que toca na trilha não fez muito a minha cabeça. Mas verdade seja dita, BROKE SKY já faz de Callaway um nome a ser respeitado. Espero que os próximos filmes dele sejam tão bons quanto este.

3 comentários:

Ronald Perrone disse...

Pô, mais outra resenha em tão pouco tempo?! hehe

Espero que continue assim... você não tinha me falado desse filme ainda. Parece ser muito bom!

Osvaldo disse...

Vamos ver, Ronald. Estou fazendo de tudo para manter um ritmo legal de atualizações. Valeu pela força. :)

BROKE SKY estava sem distribuição, mas o filme foi adquirido pela IFC para lançamento em "video on demand". Torço para que ele apareça por aqui.

Gabriel disse...

Assisti no canal Sundance, da Sky. Liguei por acaso, estava começando, excelente filme, prende a atenção, cheio de surpresas, vai ficando pesado ao longo do tempo!