quinta-feira, janeiro 14, 2010

KERUAK - O EXTERMINADOR DE AÇO (Vendetta dal futuro / Hands of Steel, 1986, ITA)


Quando a maioria dos cinéfilos pensa no cinema oitentista, fitas como "Curtindo a Vida Adoidado", "Clube dos Cinco", "A Hora do Espanto", "A Hora do Pesadelo", "Duro de Matar", "Highlander", “Top Gun” e "ET - O Extra Terrestre" vem a mente. Já para mim e outras pessoas, os filmes de John Carpenter e Walter Hill, as produções da Cannon Pictures e pérolas feitas na Itália como "Demons", “Fuga do Bronx”, "Guerreiros do Futuro", “Ratos - A Noite do Terror” e este “Keruak - O Exterminador de Aço” acabam sendo as primeiras a ser lembradas. É impossível assistir a algum dos títulos macarrônicos e não pensar: Só os anos 80 nos brindaria com isso.

Os créditos de abertura são compostos de imagens de uma cidade localizada num futuro não muito distante, dominada pela miséria e poluição ao som de um inesquecível tema em sintetizador feito por Claudio Simonetti. Inesquecível mesmo, fiz de tudo pra esquecer e não consegui até hoje.

O brutamontes Daniel Greene "interpreta" Paco Queruak - e não Keruak como o título nacional divulga - um cyborg criado a mando do inescrupuloso Francis Turner (John Saxon, em participação mais que especial) para ser um assassino perfeito, matando sem deixar rastros. Num dia, Queruak recebe a incumbência de eliminar um ecologista paralítico e ferrenho chamado Arthur Mosely. Prestes a executar o pacifista, o matador não consegue terminar o serviço e foge. Ele, além de estar sendo procurado pela polícia e FBI, terá de enfrentar a ira de Turner que enviou mercenários como Peter Hallo (Claudio Cassinelli, amigo e parceiro constante de Martino) para eliminá-lo. Durante a fuga, o cyborg se esconde dos perseguidores num bar e motel de beira de estrada administrado por Linda (Janet Agren, de "Pavor na Cidade dos Zumbis") e ainda irá encarar Raoul, um caminhoneiro mala vivido por ninguém mais ninguém menos que o grande George Eastman.


A começar pela capinha, vemos que o modelo óbvio foi “O Exterminador do Futuro” dirigido por James Cameron em 1984. “Keruak - O Exterminador de Aço” difere do antecessor pelo fato do protagonista não matar inocentes (quem sabe Cameron não pegou a idéia do cyborg bom para "O Exterminador do Futuro 2”?) para concluir seus objetivos. Pena que exista uma tamanha enrolação que é a Dra. Peckinpah (sim, é isso mesmo que você leu!!!) querendo saber quem é Paco Queruak. E não adianta nada, o filme acaba sem explicar quem era ou o que aconteceu para o personagem principal ter se tornado um cyborg. Inseriram essas cenas no roteiro porque viram que o filme só teria uns 70 minutos de duração.

O diretor Sergio Martino (de "A Ilha dos Homens Peixe", outro clássico do cinema) realizou mais uma fita indispensável aos verdadeiros fãs do cinema italiano dos anos 80. "Keruak - O Exterminador de Aço" é de um tempo que não volta mais: quando os italianos fizeram inúmeras produções baratas de terror, ação e ficção científica. Elas tinham (uma maneira mais educada de dizer que copiavam) vários elementos de sucessos internacionais de bilheteria - principalmente "Fuga de Nova York", "Blade Runner", "Mad Max", "Predador" e "Rambo" - apresentando total despretensão e uma saudável ingenuidade que realmente fazem falta nos filmes atuais. A maioria tinha violência a granel e trazia atores americanos participando em papéis menores para chamar mais público. O elenco composto por figurinhas carimbadas da época é outro destaque com Claudio Cassinelli na sua última atuação, infelizmente o ator faleceu num acidente de helicóptero durante as filmagens e George Eastman sendo o típico vilão cafajeste. John Saxon detona como sempre, Donald O'Brien (que trabalhou com Martino em "Mannaja") e Andrea Coppola aparecem em papéis minúsculos.


Resumindo, "Keruak" é uma tralha inesquecível, com John Saxon disparando um canhão laser (veja a foto!) e cenas marcantes conquistando o coração dos admiradores destes pequenos e despretensiosos filmes que são muito mais divertidos que muita porcaria levada a sério que Hollywood costuma lançar nos cinemas.

Nota: É muito chato comentar sobre "Keruak" e não falar daquele que deve ser o maior fã da produção. Felipe M. Guerra, do blog Filmes para Doidos e colaborador de carteira de trabalho assinada do site Boca do Inferno, fazia questão de não perder as várias reprises do longa no extinto Cinema em Casa do SBT. Quando conseguiu acessar à Internet, a primeira coisa que o cara fez foi criar um e-mail usando Martin Dolman, o pseudônimo americano do diretor Sergio Martino. Foi esse ser insano quem me deu a oportunidade, através de um troca-troca de VHS via correios, de conferir a belezura que é este "Keruak". Valeu, Felipe!

Texto publicado originalmente no Erotikill, com atualizações.

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