terça-feira, dezembro 29, 2009

NINJA (2009, EUA)


Como é bom assistir um filme que te deixa feliz não só em um, mas em vários momentos. Sorrir como eu sorri assistindo a NINJA chegou a ser medicinal para mim. Um dos principais motivos de eu apreciar tanto cinema B (e quebrar a cara um monte de vezes) é voltar ao tempo, me sentir de novo como aquele moleque que saía da escola na sexta-feira para ir na locadora se aventurar nas prateleiras empoeiradas dos filmes de catálogo. Era o tempo das VHS e se você acha que hoje em dia lançam coisa até demais, é porque não soube curtir essa época. Lançavam de tudo nas locadoras. Gosto muito de lembrar que foi só John Woo lançar O ALVO que os filmes do diretor feitos em Hong Kong foram sendo lançados aos poucos por distribuidoras como Reserva Especial, Penta Vídeo, Alpha Filmes e Flashstar. Foi também o tempo onde as fitas de Gary Daniels, Mark Dacascos, Michael Dudikoff, Lorenzo Lamas e Frank Zagarino disputavam a atenção dos blockbusters hollywoodianos.

Esse primeiro parágrafo acabou sendo bem nostálgico porque NINJA não deve ser encarado de outra maneira. Isaac Florentine é o cara, só mesmo alguém que sabe do riscado consegue a façanha de fazer seis filmes para a Nu Image e todos (repito: todos!) serem bons. Scott Adkins foi uma descoberta de Florentine em FORÇAS ESPECIAIS e a parceria deu tão certo que foi repetida em O LUTADOR (Undisputed 2) e OPERAÇÃO FRONTEIRA, onde Adkins encara Van Damme. O britânico também apareceu em ESPIÃO POR ACIDENTE, O MEDALHÃO, CÃO DE BRIGA, O ULTIMATO BOURNE e X-MEN ORIGENS: WOLVERINE, mas foram com os filmes de Florentine que ele teve maiores chances de mostrar o seu talento. NINJA é o primeiro filme maior de Adkins como protagonista, que mostra potencial para crescer mais, embora o roteiro empurre umas cenas dramáticas nele que só servem para enrolar e explicitam as suas limitações. Mais atenção na próxima, Isaac: papo não é o forte do sujeito.


Em NINJA, a trama não passa de uma desculpa esfarrapada para uma sucessão de pancadaria e mortes a cada 5 minutos ou menos. Quando vemos o personagem Masazuka pela primeira vez, o seu ator Tsuyoshi Hara se esforça tanto pra fazer cara de malvado que a gente já sabe quem é o vilão. Temos uma Nova York mais falsa que o Milli Vanilli, pois tudo foi filmado em Sofia na Bulgária. A seita secreta apresentada ao expectador logo após o início só está no filme para fornecer capangas. E como se espera, entra em cena o representante da lei (Todd Jensen, figura carimbada nas produções da Nu Image) para atrapalhar a vida dos protagonistas do bem.

É por essas e outras que eu recomendo NINJA sem restrições a quem for maluco como eu e aprecia um filminho de ação besta e inofensivo para matar 1 hora e meia. Dentre as qualidades, a maior é a direção enxuta e firme de Isaac Florentine, que contraria as desgraças que QUANTUM OF SOLACE e os novos BOURNE fizeram com cenas de luta e ação tão mal dirigidas e elaboradas que chega a ser impossível acompanhar o desenrolar delas. Embora falho em momentos (a ação Ninja decepciona para um filme com esse título), NINJA cumpre a sua função principal: divertir. E isso é o que mais importa para os fãs do gênero.

Você sabe quando um filme foi feito na Bulgária quando...

...qualquer um desses atores (ou os três) aparecem,
da esquerda para a direita:
Velizar Binev, Todd Jensen e Raicho Vasilev.

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