quinta-feira, novembro 12, 2009

Dois longas assistidos no CineFantasy

Shadow (2009, ITA) - de Federico Zampaglione

É bom demais assistir algo como SHADOW em tempos que o cinema de horror está sendo tão generalizado pelos críticos e preconceituosos de plantão. Caso raro entre as produções recentes do gênero, ele investe pesado na criação de uma atmosfera, ao invés de ser mais outro filme de tortura. Há um flerte com esse estilo, gerando momentos que fizeram alguns expectadores saírem do Cine Olido. Até eu que posso ser chamado de 'macaco velho' fiquei desconfortável num deles. Detalhe: A ação de violência física não é explícita, mas sim o resultado dela.

SHADOW vem sendo anunciado como o renascimento do horror italiano. Não é tudo isso, claro. Há uma tendência que não me agrada nos mais de 90% dos filmes de gênero atuais: o manjado e esperado final surpreendente. A conclusão é muito boa, mas ela acaba chegando de forma muito repentina, quebrando um pouco do clima que Federico Zampaglione construiu tão bem. Mesmo assim, esse segundo filme do então líder do grupo Tiromancino mostra um diretor capaz de amadurecer surpreendentemente. Não o comparem a Rob Zombie, por favor.

Ah, e não visitem o site oficial nem a página do filme do IMDB. A lista dos créditos de elenco é um SPOILER dos brabos.


The Revenant (2009, USA) - de D. Kerry Prior

Pode anotar: THE REVENANT será um cult instantâneo daqui a algum tempo. Assisti no domingo à tarde e até agora ele não saiu da cabeça. É um 'buddy movie' levado a extremos. Eu sempre digo sem receio de parecer chato e careta demais: roteiro e elenco. Se brincar, esse filme é ainda melhor que SHAUN OF THE DEAD. A primeira referência que me veio à cabeça é RE-ANIMATOR, o clássico de Stuart Gordon, em termos da combinação entre horror e comédia funcionar extremamente bem aqui.

Torço bastante pelo sucesso deste filme e espero que ele não venha a ser lançado direto em DVD. THE REVENANT é para ser visto no cinema, ser curtido como experiência coletiva. Na exibição ocorrida na Biblioteca Viriato Corrêa, fez o público rir descontroladamente e ficar apreensivo num estalar de dedos.

David Anders e Chris Wylde estão fabulosos como a dupla inusitada de amigos. Já D. Kerry Prior dá uma aula de como tirar o melhor de seu baixo orçamento. Em momento algum, a produção parece o filme pequeno que é. Os efeitos do filme são um ponto forte porque Prior é técnico de efeitos especiais (trabalhou inclusive para Don Coscarelli nas três continuações de FANTASMA e BUBBA HO-TEP) e o espectador pode ver o quanto ele se diverte fazendo eles.

E me diga, com sinceridade... qual outro filme você verá uma cabeça decepada falando com a ajudinha de um vibrador no pescoço? Gordon e Yuzna devem estar se mordendo por não terem conseguido filmar essa idéia primeiro.

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