sexta-feira, setembro 04, 2009

Dois pequenos grandes westerns de Monte Hellman

Em meados de 1965, o diretor Monte Hellman se aliou a Jack Nicholson para fazer dois faroestes de baixo orçamento chamados O TIRO CERTO (The Shooting) e CAVALGADA NO VENTO (Ride in the Whrilwind). Financiados por ninguém menos que Roger Corman, eles foram filmados simultaneamente em Utah, no Arizona, com a mesma equipe. Tendo o roteiro de Carole Eastman (CADA UM VIVE COMO QUER, de Bob Rafelson, também com Nicholson) para O TIRO CERTO (The Shooting) e CAVALGADA NO VENTO, escrito pelo jovem Jack Nicholson em mãos, deu-se início a produção de duas obras-primas do cinema independente americano dos anos 60 que foram redescobertas graças ao DVD.


CAVALGADA... fala sobre Vern, Wes e Otis, três supostos membros de uma gangue de assaltantes sendo perseguidos sem descanso. Detalhe: eles são, na verdade, homens comuns, honestos, sofridos e inocentes. Com Nicholson, Cameron Mitchell e Harry Dean Stanton no elenco, a produção mostra que pessoas como os protagonistas eram condenadas à morte sem poder se defender e provar a sua inocência. É um filme amargo e sensível ao mesmo tempo, que também ganha pontos na isenção de qualquer julgamento em relação aos antagonistas.


O TIRO CERTO é muito diferente. Nele, vemos uma mulher misteriosa (Millie Perkins, que tem um papel menor em CAVALGADA...), cujo nome nunca é mencionado, contrata Willet Gashade e Coley, dois sujeitos simplórios e batalhadores vividos por dois brilhantes Warren Oates e Will Hutchins. Eles saem para cumprir uma viagem cujo objetivo também se revela cercado de mistérios. No caminho, Gashade - cara maduro, esperto que é - passa a desconfiar das reais intenções da moça, que tem estranhas atitudes durante o trajeto. Jack Nicholson faz Billy Spear, um maligno pistoleiro que os personagens encontrarão no caminho. Embora curto, o longa realmente intriga e se desenvolve sem a menor pressa, fazendo com que o espectador fique grudado na tela para saber o verdadeiro motivo da viagem. E sem falar quando Oates divide a tela com Nicholson, é difícil saber em quem prestar atenção. O TIRO CERTO continua intrigando e inspirando muitos espectadores e realizadores até hoje, dizem que inspirou David Lynch e Alejandro Jodorowsky. A reputação procede.

Os dois filmes duram menos de 90 minutos e surpreendem por serem muito anti-convencionais. Assim como vários faroestes italianos, esses dois pequenos grandes filmes de Hellman possuem uma visão realista e pessimista do Velho Oeste americano. Além de apresentarem belíssimas atuações de Cameron Mitchell (talvez em seu melhor papel), Warren Oates e um jovem Jack Nicholson. Não deixe de assistir por nada deste mundo.

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