segunda-feira, agosto 03, 2009

UMA CRIANÇA POR TESTEMUNHA (Cohen and Tate, 1989, EUA)


Quero manter sempre viva a tradição do blog resgatar alguma pérola, então resolvi voltar às atividades com esse filme injustamente esquecido. Foi um prazer tê-lo revisto após tantos anos. Engraçado como eu sou até um cara jovem e falo essas coisas, mas faz muito tempo mesmo, 8 anos, numa VHS alugada.

Eric Red é um dos roteiristas e diretores mais subestimados em atividade hoje. Tem poucos filmes que o esperado no currículo, mas uma olhada na sua ficha do IMDB é o bastante para notar que ele é o responsável por outros belos títulos, inclusive alguns feitos ao lado de minha diretora favorita, Kathryn Bigelow. Mas vamos ao filme.

UMA CRIANÇA POR TESTEMUNHA começa com um letreiro informando que Travis Knight (Hayley Cross) é testemunha do assassinato de um mafioso e vira testemunha protegida do FBI junto com sua família. A máfia quer saber quem foi o responsável pela morte o mais rápido possível. Detalhe: Travis tem 9 anos de idade. Se fosse uma produção clichê, a gente teria de aturar 20 ou mais minutos até chegar nesse momento crucial da história. Após o letreiro, já nos situamos no esconderijo onde o Eric Red deixa claro que algo nada agradável irá acontecer. O sentimento de insegurança toma conta quando o garoto sai da casa para ir atrás do seu cachorro, pouco antes da brutal chegada de Cohen (Roy Scheider) e Tate (Adam Baldwin) que baleiam sem dó o pai e a mãe do garoto junto com os agentes. A dupla de assassinos tem a missão de levar o garoto vivo a Houston, onde os chefes estão os esperando. Não se sabe qual a intenção deles, se pretendem deixar Travis vivo ou matá-lo pessoalmente. A partir daí, o filme se transforma num verdadeiro jogo psicológico entre os três personagens, desencadeado pelo refém que se revela mais inteligente do que seu algozes esperavam.


A direção de atores impressiona. Scheider, Baldwin e Cross estão nada menos que excelentes. Eric Red nunca faz com que Cohen e Tate deixem de ser uma ameaça constante a vida de Travis e isso funciona, assim como quando torcemos pelo Jim Halsey de A MORTE PEDE CARONA contra o caroneiro psicótico. O roteirista é o mesmo, então ele sabe muito bem como fazer a lição de casa e mexer com a gente.

Engraçado como a produção nos faz lembrar de THE HIT, do Stephen Frears. Basta trocar os atores, coloque John Hurt no lugar de Roy Scheider, Tim Roth no de Adam Baldwin e Terence Stamp no de Hayley Cross. UMA CRIANÇA... acontece numa noite e parte de uma manhã ao invés de dias. De qualquer jeito, não se deixe levar por essa semelhança e assista aos dois. Ambos são cinema de primeira.

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