domingo, novembro 16, 2008

COMBATE NA ESCURIDÃO (Straight Into Darkness, 2005, EUA)

Jeff Burr é um nome mais conhecido dentre os fãs do cinema de terror. Eu mesmo já assisti a algumas continuações que ele assinou como O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA 3 e PUPPET MASTER 4 que vão do razoável ao bom, na minha opinião. Ele chamou a minha atenção desde que assisti o seu primeiro longa, DO SUSSURRO AO GRITO, uma antologia apresentada pelo grande Vincent Price. Também tenho boas lembranças de A NOITE DO ESPANTALHO, um pequeno slasher feito por ele em 1995. Mas tudo me leva a crer que COMBATE NA ESCURIDÃO seja o seu melhor filme, além de ser o mais pessoal de toda a sua filmografia.

A tensão da abertura é daquelas que pegam o espectador pelo pescoço para não soltar mais até o final do filme, ambientado no final da 2a. Guerra Mundial. Dois soldados americanos, Losey (Ryan Francis) e Deming (Scott MacDonald) são pegos por militares (James LeGros e Dan Roebuck) tentando desertar. A caminho da prisão militar ou da morte por execução, uma armadilha: minas. Mortes ocorrem, mas os desertores sobrevivem, seguem sobrevivendo a outras provações até chegarem num prédio abandonado e logo descobrem que não estão mais sós. No prédio também estão dois professores (os veteranos David Warner e Linda Thorson) de um orfanato que fora destruído e as crianças sobreviventes, muitas delas deficientes físicas por conta da violência da guerra. Elas crianças foram treinadas pelo personagem de Warner para lutar por suas vidas e estão sempre armadas esperando a chegada de uma poderosa ameaça. E ela vem na forma de um grupo de 60 soldados alemães que atacam o lugar.

COMBATE NA ESCURIDÃO é um belíssimo filme. Existem falhas, como a óbvia dublagem dos atores romenos que fazem os alemães e os flashbacks do personagem de Ryan Francis que servem para construir mais o personagem, mas a grande quantidade deles acaba distraindo. Tirando isso, não tenho muito do que reclamar. O filme conta com excelente uso da violência e locações na Romênia, alguma dose muito bem-vinda de surrealismo e uma inspirada homenagem a ninguém menos que Edgar Allan Poe. Direção, fotografia, atuações e trilha sonora também colaboram juntas para a sempre crescente atmosfera de desespero.

COMBATE... não é só humano em sua narrativa, mas também na produção. É ainda mais emocionante assisti-lo sabendo que todas as crianças que atuaram nele são mesmo orfãs na vida real, tendo sido contratadas pelos produtores através dos orfanatos que residem. Uma iniciativa que só me deixa ainda mais confiante em recomendar essa pequena obra-prima. Como diz um amigo meu, "Bons filmes merecem ser vistos".

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