segunda-feira, novembro 10, 2008

CÃO BRANCO (White Dog, 1982, EUA)


Um dos filmes obscuros mais lembrados de todos os tempos. Chega a ser lamentável chamarmos um filmaço desses de obscuro, pois essa produção dirigida pelo rebelde Samuel Fuller merece ser mais reconhecida. A maneira como ele cuida de um filme com uma temática tão controversa é segura e exemplar. E o mesmo pode ser dito do roteiro escrito por ele e Curtis Hanson, baseado numa história verídica que aconteceu com o escritor Romain Gary, então casado com a atriz Jean Seberg que tinha um cão com os mesmos problemas. O animal teve de ser abatido.

Pena que a produção e o diretor, antes mesmo do filme ser lançado, tenham sido acusados de racismo por várias pessoas. Grande injustiça, pois quem diz isso não tem nenhuma razão. CÃO BRANCO é filme forte, corajoso e direto sobre o ódio, como ele chega a ser construído não só na cabeça, mas no coração dos seres humanos. E o ódio é algo que muitas vezes está atrelado ao preconceito, seja ele racial, sexual ou social. Algo muito curioso na narrativa de Fuller é que nenhum dos três principais personagens humanos interpretados por Kristy McNichol, Burl Ives e Paul Winfield chegam a ser "protagonistas"... a atenção do espectador se volta inteiramente ao pastor alemão branco desde o início. A trilha de Ennio Morricone pontua com perfeição muitos dos excelentes momentos do filme, mesmo sendo pequena e de poucos temas.

CÃO BRANCO merece a atenção do espectador não só para o que ele tem a dizer, mas pela sua importância para o cinema moderno. 26 anos depois, pode-se dizer sem qualquer receio que essa grande obra de Samuel Fuller continua atual.

Curiosidades:

1 - O projeto passou por diversas mãos, as mais famosas foram as de Roman Polanski que o rejeitou pelo tema ser "delicado" de se falar.

2 - Fique ligado para as rápidas participações de Dick Miller, Paul Bartel e do próprio Samuel Fuller.

2 - A produção não foi lançada comercialmente nos cinemas dos Estados Unidos e acabou sendo exibida no canal a pago HBO diversas vezes. Ela sobrevivia apenas entre os cinéfilos de cópias feitas a partir de VHS (como eu assisti pela última vez, graças às amigas Fernanda Oliveira e Silvia Prado) ou gravações da TV até a Criterion lançar a sua edição especial que ainda teve a proeza de resgatar uma entrevista de Fuller com o ator canino no set de filmagens.

Um comentário:

Pedagogia do Futuro disse...

Assisti a este filme por volta de uns vinte e sete anos atrás na televisão, porém eu gostaria de comprá-lo em DVD ou em blue ray, mas é tão difícil de encontrá-lo> por que? Entretanto o que eu gostaria de dizer, é que pelo que eu me lembre, trata-se de uma forte crítica social ao preconceito institucionalizado nos Estados Unidos, contra o povo negro, por isso o velho dono do cão é um neonazista, e com certeza, embora o filme não faça nenhuma referência a isso, eu entendo que o velho é um membro do partido republicano perfeito, uma vez que, este partido representa o puro elitismo americano. Por isso entendo como uma espécie de importante crítica sócio política do então contexto norte americano da época.