sábado, fevereiro 02, 2008

MATALO! (Idem, 1970, ITA/ESP)


E eu na minha santa ingenuidade pensando que DJANGO VEM PARA MATAR e EL TOPO não teriam mais outro faroeste que rivalizasse com eles em termos de bizarrice e insanidade. MATALO! certamente pode ser considerada uma obra imperdível para os fãs de cinema troncho em geral e também um dos filmes mais alucinados e viajantes que tive a oportunidade de ver em minha vivência de cinéfilo. A direção de Cesare Canevari é um achado. Em altas cenas a câmera está totalmente fora de foco, há momentos vistos do ponto de vista dos próprios personagens e ângulos e movimentos de câmera absolutamente inacreditáveis. Não é por menos que algumas pessoas o definem como "um filme do John Ford versão LSD". Imagine Jess Franco num de seus dias mais psicodélicos dirigindo um faroeste. Pronto, essa é mais ou menos uma descrição da experiência de conferir MATALO!, um filme estranho que gostei mesmo de ter conhecido. O elenco pode não ter atuações de primeiro nível, mas tem carisma e isso conta bastante. Apesar de Lou Castel e Corrado Pani serem os primeiros nomes que aparecem nos créditos iniciais, sua participação em cena é mais limitada do que se imagina.


Pode-se dizer que a "história" é até meio fraca, contada em ritmo lento (leia-se chato para alguns) e ainda assim eu estava lá, atento ao que diabos mais iria acontecer no filme. A trilha sonora de Mario Migliardi só ajuda na construção desse clima bizarro. Pelo que tentei reparar, é uma mistura de rock com guitarras bizarras, música eletrônica e instrumental ao estilo de Morricone!!

MATALO! tem tantos admiradores e detratores na mesma proporção que fica difícil de recomendar ele até para quem curte cinema troncho e dodói do juízo. Ainda assim digo que vale arriscar uma sessão, mesmo que você venha aqui me esculachar depois. Pelo menos o inesquecível duelo final deve compensar a graninha do aluguel.

O DVD nacional da Ocean Pictures deve ser extraído do lançamento da Wild East, ou seja, imagem e som de qualidade bacana. E quem também curte essa loucura transferida para celulóide são os compañeros César, Herax, Otávio e Leandro. Gente que sabe o que diz. ;)

2 comentários:

Cayman Moreyra disse...

Como eu já havia dito no facebook, este filme foi lançado aqui numa edição que deixou um pouco a desejar. Mas é um filme que eu recomendo para Jodorowskyanos e fãs de westerns não convencionais como os já citados pelo Osvaldo aqui. Eu pelo menos, vejo QUALQUER western que me aparece pela frente, seja dos anos 30, aos dias de hoje, se valer mesmo a pena. O western é um dos meus 3 mundos e parte da minha subsistência sai dele e cavalga comigo todos os dias.

Vulnavia disse...

Pode me pôr nesse meio também porque eu AMOOOOOOOOO esse filme!
Adoro faroeste e adoro ainda mais esses não-convencionais!
Mandou bem, gatíssimo!!