domingo, julho 29, 2007

Relembrando um clássico... CREEPSHOW (Idem, 1982, EUA)


Um pai (Tom Atkins) recrimina o filho por ele viver lendo uma revista de quadrinhos com histórias de terror. Ele toma ela das mãos do garoto e a joga no lixo. Enquanto o pai e a mãe dele estão na sala, a criança sorri com a aparição de uma sombria figura esquelética na janela do seu quarto. Assim começa CREEPSHOW, que se inspira nos quadrinhos da EC Comics. O filme é dirigido por George A. Romero e roteirizado pelo escritor Stephen King, que também atua nele.

Com nada menos que 6 histórias (se contarmos o prólogo e o epílogo), esse inesquecível programa de 2 horas de duração marcou demais a geração de cinéfilos dos anos 80 e a minha também pelas suas reprises no extinto Cine Trash. O elenco tem atores como os veteranos Hal Holbrook, Fritz Weaver, Leslie Nielsen, E. G. Marshall e Adrienne Barbeau. Ed Harris e Ted Danson podem ser vistos aqui mais jovens do que de costume. O mestre Tom Savini cuida dos excelentes efeitos especiais.

Acredito que esse filme deve fazer parte da memória afetiva de muitas pessoas. É impossível ele não ser mencionado em qualquer papo cinéfilo de mesa de bar onde todo mundo inventa de lembrar de alguns filmes de terror que marcaram a nossa infância e adolescência. Não demora minutos para vir aqueles "Pô, tu se lembra daquele onde um matuto toca num meteoro e se ferra bonitinho?" ou "Sabe aquele do monstro que vive numa caixa e que depois sai dela pra comer gente?". Aí logo depois vem alguém dizendo: "Porra, vocês tão falando de um filme só... do CREEPSHOW!".

Segue abaixo uma rápida sinopse das histórias com pequenos comentários:

1 - DIA DOS PAIS: Uma família se vê às voltas com as memórias do seu odiado patriarca.

Acho essa a mais fraca, apesar de divertir mesmo assim. Quem aparece aqui é o jovem Ed Harris, já um pouco calvo.

2 - A MORTE SOLITÁRIA DE JORDY VERRILL: Um autêntico caipira (Stephen King, perfeito) tem uma surpresa ao ver que um meteoro caiu na frente da sua casa. Ele inventa de tocar nele e realmente acaba se ferrando bonitinho.

Atraente pela sua comicidade, pela atuação de King e pelo inevitável trágico desfecho, essa história é uma das mais lembradas. A maquiagem de Savini é um de seus pontos altos.

3 - INDO COM A MARÉ: Amantes tornam-se vítimas de sádica vingança do marido traído.

Previsível, mas de imagens marcantes. Duelo de atuações entre Leslie Nielsen (inesperadamente odioso) e Ted Danson não desaponta.

4 - A CAIXA: Um professor universitário está cheio do seu casamento patético. O amigo de trabalho dele encontra uma criatura sanguinária dentro de caixa escondida no campus da universidade.

A história principal do filme e minha favorita. Com cerca de 30 minutos de duração, ela certamente é responsável por grande parte da fama de CREEPSHOW. Atuações irrepreensíveis de Hal Holbrook, Adrienne Barbeau e Fritz Weaver dão credibilidade ao material. Ela é muito lembrada pelos fãs também por causa do design do monstro e diálogos memoráveis.

5 - VINGANÇA BARATA: Homem poderoso que tem medo de baratas sofre com o repentino aparecimento destes insetos no seu apartamento.

Passada em um futuro indefinido, o conto é um show particular do veterano E. G. Marshall. A segunda melhor história do filme se passa basicamente só com esse ator em um único cenário com pequenas participações de outros atores. De todas, essa tem mais a cara do diretor por criticar a questão da desigualdade social e olhar o futuro da humanidade de maneira negativa.

Romero estava inspirado quando colocou as mãos neste projeto. Em todas as histórias, ele faz questão que o seu expectador tenha a sensação de estar lendo o filme ao invés de apenas o assistindo. Vários elementos como aquelas pequenas observações acima dos quadrinhos são inseridos com regularidade. Ao início e final de cada história, a "revista" começa a ser folheada para chegar onde deve ser "lida". E uma imagem desenhada dos quadrinhos com balões ou não passa a se transformar aos poucos em sua recriação com os atores do filme e vice-versa. Iniciativas sutis como essa fazem extrema falta nas recentes adaptações de quadrinhos para o cinema. Elas primam tanto pelo exagero e estupidez que até parece que o espectador não tem a menor capacidade de saber que aquilo é uma produção do estilo. Haja paciência....

Sendo assim, CREEPSHOW é muito mais do que um simples filme dos anos 80 com pequenas, ingênuas e nostálgicas histórias de terror. É uma experiência cinematográfica inovadora que não tem medo de usar a beleza de sua despretensão para conquistar o espectador, seja ele fã de terror ou de cinema mesmo.

Agradecimentos especiais ao amigo Douglas Nascimento pela cópia.

Steven Seagal em O HOMEM SOMBRA (Shadow Man, 2006)




Sou mais me divertir com um filmeco estúpido como esse do que encarar uma reprise de TERRA EM TRANSE!

Crédito pelas imagens: Gregory Conley, do excelente site Your Video Store Shelf.

terça-feira, julho 24, 2007

Dois trailers: O primeiro é falso e o outro é mesmo de um filme, por incrível que pareça...

URBAN BLACKOUT:

Dica do Renato Doho



TRASHIX:

O aguardado primeiro longa da Bafo Movies

A MANSÃO MARSTEN (Salem's Lot, 2004, EUA)


No dia de Ação de Graças, um mendigo entra em uma missão onde o padre Donald Callahan (James Cromwell) e outros voluntários estão distribuindo refeições para pessoas necessitadas como ele. No momento em que a sua vez chega e seu prato de comida é entregue, ele parte em cima do padre. Durante a briga, esse homem dá um tiro de revolver na barriga do sujeito e os dois caem da janela do local que tem uma altura considerável em cima de um carro da polícia. Ambos estão em estado grave ao serem socorridos num pronto-socorro pelos ferimentos sofridos. O mendigo é idenficado como Ben Mears (um Rob Lowe melhor do que o de costume), um escritor nova-iorquino de 37 anos. No corredor do hospital, um enfermeiro pede que esse paciente lhe diga a razão pela qual ele como um bom cristão não o deixaria pra morrer ali mesmo pelo ato que cometeu. Ben responde: Jerusalem's... Lot.

Assim começa A MANSÃO MARSTEN, um surpreendente telefilme de 180 minutos de duração que não nega fogo até o seu final. No final da noite de um sábado qualquer deste mês de julho, coloquei o DVD dele pra assistir e disse a mim mesmo que só iria ver 1h30min dele para continuar no domingo. Quando esse tempo chegou, eu tava achando aquilo tudo tão bacana que decidi ver só mais meia-horinha. Acabei vendo tudo de uma vez só. E não duvido nada que isso venha a acontecer com outras pessoas.

Feita pela TNT e Warner Bros. Television a partir do famoso livro de Stephen King, a produção tem o pouco conhecido Mikael Salomon na cadeira de diretor. Já é possível notarmos uma boa dose de inspiração de Salomon antes mesmo dos 8 primeiros minutos de duração do filme, onde alguns dos outros personagens são apresentados. Não sou um cara que costuma vibrar com técnicas, mas fiquei fã de uma tomada executada em menos de 30 segundos aos aproximados 7 minutos de exibição. O espectador acompanha grudado na cadeira a história que marcou o retorno de Ben Mears à sua cidade-natal, a pequena e calma Jerusalem's Lot. Mears volta a ela depois de tanto tempo para trabalhar num livro sobre a mansão dos Marsten, o lugar onde houve um sinistro evento na sua infância que ele nunca conseguiu esquecer.

O elenco chama a atenção. Já falamos de Lowe e Cromwell, só que temos também André Braugher, Samantha Mathis, Daniel Byrd, Donald Sutherland e Rutger Hauer. Esses dois veteraníssimos atores cujos desempenhos sempre são prazerosos de assistir fazem Richard Straker e Kurt Barlow (Rutger Hauer, que escolha feliz!!), os misteriosos parceiros de negócios que trouxeram um Mal na sua chegada a Jerusalem's Lot que fará muitas vítimas. O formato de especial pra TV ou minisérie dividida em duas partes veio bem a calhar, pois a história dá destaque a muitos personagens além do Mears. Não digo que o filme é livre de defeitos. Nem li o livro que o origina também, mas não acredito que o personagem de Sutherland seja tão carente de um melhor desenvolvimento. Ainda há uma parcela de (d)efeitos especiais e algumas soluções apressadas que prejudicam o resultado final. Mesmo com as suas falhas, A MANSÃO MARSTEN é um belo filme que eu não posso deixar de recomendar fortemente para qualquer fã do gênero ou das boas adaptações cinematográficas dos livros de Stephen King. Não é nenhum clássico, com certeza. Mas também não é todo dia que corremos o risco de passar 3 horas tão ligeiras em frente da televisão.

PS: 1- SALEM'S LOT também já teve uma outra adaptação também feita para a TV em 1979 e dirigida por Tobe Hooper. Talvez ela seja ainda mais conhecida do que esta mais recente por causa da marcante caracterização do ator Reggie Nalder como Kurt Barlow.

2 - O DVD desta versão de 2004 é ausente de extras em qualquer lugar do mundo. Uma pena.

Jim Wynorski e seus monstrengos fuleiros de CGI em mais duas tralhas

KOMODO VS. COBRA (Idem, 2005, EUA)


A julgar pela boa quantidade de comentários negativos de gente que levou esse filme a sério no IMDB, eu gostaria de fazer uma pergunta: Quem em sã consciência espera algo relevante vindo de um filme intitulado KOMODO VS. COBRA? E pior, aluga e compra pensando que vai ver uma produção milionária como o GODZILLA ou KING KONG. Eu perco tempo vendo coisas assim porque várias vezes elas funcionam melhor do que muita comédia para mim. Poxa vida, não sei o motivo de tanta gente ficar puta da vida quando viu aquele dragão de Komodo e aquela cobra de proporções gigantescas de CGI dos mais vagabundos. O negócio é tão ridículo e a cara de pau de Wynorski em colocar esses monstros mal feitos correndo atrás dos atores é tão grande que só mesmo quem for muito mal humorado pra não rir uma vez só deste filme.

Na trama, um grupo de ambientalistas idiotas vai para uma ilha considerada deserta onde funciona um laboratório secreto do governo. É nele que tem sido realizados vários experimentos com propósitos militares em animais. Quando eles chegam no local, percebem que tudo saiu do controle com o aparecimento de um dragão de Komodo e uma cobra gigantes que devoraram a equipe que trabalhava no laboratório. Só lhes resta sair do local da mesma maneira que vieram, mas desta vez o grupo terá de encarar a floresta com mais esses dois perigos. O filme se resume mesmo a isso, com algumas pessoas sendo devoradas e outras sobrevivendo até os poucos restantes chegarem ao final. Tudo é muito ingênuo e a violência também é mínima, fazendo lembrar um pouco dos antigos filmes do subgênero. E isso fica reforçado pela evidente participação dos militares e do governo na história.

O líder do elenco é ninguém menos que Michael Paré. Sim, o mesmo de RUAS DE FOGO e EDDIE, O ÍDOLO POP. Depois ele passou a se especializar em filmes B como MERCADORES DA MORTE, um dos filmes mais vagabundos da Nu Image cheio de cenas de outras fitas da produtora copiadas e coladas nele. Paré também se envolveu com Jim Wynorski em A VINGANÇA DOS GÁRGULAS e Uwe Boll em SANCTIMONY.

SHOCKWAVE (Idem aka A. I. Assault, 2006, EUA)


Esse é melhorzinho que o KOMODO VS. COBRA, mas também não deixa de ser uma tralha. O curioso é ver o roteiro explorando basicamente a mesma situação: grupo de pessoas dentro de uma ilha tenta sobreviver de ameaças gigantes. Reciclagem pura, só que aqui os monstros são outros... robôs com inteligência artificial muito desenvolvida.

Apenas duas coisas chamam mais a atenção:

1 - A quantidade inesperada de vários atores conhecidos do cinema e TV fazendo participações especiais. Ao me deslumbrar por ver os nomes de Robert Picardo, George Takei, Michael Dorn, Bill Mumy, Tim Thomerson e Alexandra Paul tive a certeza absoluta que eu ainda possuo um sangue nerd dos mais fortes correndo nas veias. Alguns fazem pontas mesmo, enquanto outros vivem personagens periféricos. Esse tipo de personagem costuma ter uma participação limitada em termos de tempo e ele costuma aparecer de vez em quando durante algumas cenas de um filme. Tipo o Sam Shepard em FALCÃO NEGRO EM PERIGO, entende?

2 - Uma vez picareta, sempre picareta. A cara de pau do Wynorski não sossega aqui também. O design dos
robôs é parecidíssimo até demais com os das naves alienígenas que atacam as pessoas na nova versão de A GUERRA DOS MUNDOS dirigida por Steven Spielberg. Os efeitos de CGI estão melhores aqui e podem ser aceitos com mais facilidade pelos desinformados que não sabem o que alugam.

Os protagonistas são um bando de canastrões que eu nunca vi na vida, tirando dois carinhas que também participam de KOMODO VS. COBRA. Não tenho intenção de perder um pouco mais de tempo escrevendo a sinopse de um filme que é basicamente a mesma coisa do outro, sendo que um pouquinho melhor produzido. Agora o DVD da Focus Filmes para este título que tem um dos piores FOOLSCREEN que eu já vi em toda a minha vida. É um negócio de doer mesmo. O logo da CINETEL FILMS fica na nossa telinha assim mesmo como descrevo a seguir, veja só (metade do C INETEL FIL metade do M). E quando o nome do filme aparece depois do prólogo, o E de SHOCKWAVE por pouco não sai do cantinho direito da tela. Nem uma bagaceira como essa nos tempos de hoje é digna de um tratamento tão miserável pra ser vendido para as locadoras a um preço tão elevado. Depois os sócios desta e de outras distribuidoras brasileiras que agem de forma parecida ficam se perguntando o motivo pelo qual a pirataria esteja tão em alta...

Concluindo, esses dois filmes podem ser mesmo considerados perda de tempo e eles ainda são capazes de afetar a sua saúde mental ao fritar alguns neurônios de quem os assiste. Veja por sua própria conta e risco, ok? Saibam que eu já estou sofrendo deste mal por nem mesmo saber porque escrevi sobre eles aqui... :-)

PS: Wynorski assina ambos como Jay Andrews, o seu pseudônimo mais conhecido.

terça-feira, julho 17, 2007

Hoje vai ter uma festa...

2007 tem sido um ano de fortes emoções cinéfilas e pessoais. Dentre elas, destaco algumas das mais marcantes que me vieram à mente neste momento. Até agora eu posso dizer que:

- Vi o destemido Rocky Balboa / Sylvester Stallone lutando bravamente contra todo mundo que sempre o achou ridículo.

- Acompanhei de queixo caído a insólita aventura passada pelo rebelde pistoleiro El Topo.

- Li meu nome relacionado a este blog num jornal da minha cidade.

- Fiquei feliz de ver o VÁ E VEJA sendo lido e recomendado por várias pessoas cuja opinião já era respeitada por mim um bom tempo antes da sua criação.

- Tive minha primeira experiência em um estúdio de TV tentando comandar uma equipe atrás das câmeras.

- Olhei um texto meu publicado em um site que venero chamado BOCA DO INFERNO várias vezes para perceber que eu não estava sonhando.

- Fui chamado de "jovem animal de cinema" pelo amigo e crítico pernambucano Luiz Joaquim na seção de links em seu site CINEMA ESCRITO.

- Numa tela de cinema, vi os dizeres "Directed by Abel Ferrara" e "Directed by John Cassavetes" pela primeira vez na minha vida. E espero que essas ocasiões se repitam mais vezes.

- Assisti um belo filme nacional projetado numa das minhas salas favoritas na cidade apenas para mim.

Nada fraquinho esse 2007 está sendo, não é? Só acho que ele seria melhor se eu saísse do desemprego para estar em algum lugar onde poderia ter mais uma boa experiência de trabalho e que meus acessos à Internet não tenham tanta diferença de tempo. Lá em casa eles estão impossíveis. É por causa disso que tenho dado umas fuleiradas nas leituras e nas caixas de comentários dos blogs amigos que gosto tanto de visitar. E é por isso também que deixei de dar meus parabéns virtuais aqui no blog ao companheiro de luta Fernando Vasconcelos pelos seus 7 anos de atividade cinéfila através do KINEMAIL. Ainda bem que sempre temos nos falado e pude desejar isso através do telefone. Marcelo Carrard também ficou sem parabéns pelos 3 anos de seu belo trabalho no MONDO PAURA. Meu amigo paulista, saiba que seu blog ainda vai ter mais fãs do que ele já tem. A ZINGU! também não contou com meus anúncios de suas duas últimas atualizações pelo simples fato que minhas duas últimas atualizações foram feitas numa correria só, diferente de agora.

Meus amigos e amigas, hoje o VÁ E VEJA completa o seu primeiro ano de existência. Até parece que foi ontem que tomei a decisão de entrar no Blogger e criar uma conta nele para ter um lugarzinho na Internet só meu onde falaria um pouco sobre tudo, não só sobre cinema e audiovisual. O tempo me mostrou que essas artes que não iriam dividir muito o seu espaço com outras, mas que iriam acabar lidando com várias situações da vida em que me encontrei durante esse inesquecível período de 1 ano no controle de um blog.

Eu sei que já tive dias mais inspirados onde escrevia e atualizava esse espaço com várias coisas diferentes em uma única semana como dicas, lançamentos, notas, links de trilhas sonoras em MP3, vídeos no YouTube e etc. Mas como não tenho tido um contato melhor com a Internet, aqui está mais um blog sobre mim (justamente pelo aumento na vontade de se falar com as pessoas que esse pequeno sumiço dá) e com opiniões a respeito de determinados filmes do que nunca. Acho que o VÁ E VEJA é um blog camaleônico, que não sabe direito o que diabos significa linha editorial. Basta dar uma rápida olhada nos arquivos para confirmar isso. E o que dizer da última atualização? Não é em qualquer lugar que você pode ler comentários de um filme consagrado como O HOSPEDEIRO onde pouco abaixo temos os dois últimos filmes do Van Damme a saírem direto em DVD tendo o mesmo destaque hehehe. Mesmo sendo meio perturbadinho do juízo como o próprio dono, o VÁ E VEJA recebeu o total de 13.280 visitas desde a inserção de um contador apenas em fevereiro deste ano e os seus comentários na caixinha continuam vindo bem legais e instigantes. Isso é simplesmente demais!

Infelizmente não vai dar para me alongar mais por aqui pelo tempo na lan já estar chegando ao fim. Minha intenção era fazer um agradecimento especial com vários nomes neste post, mas você pode ter certeza de uma coisa:

Se você já me apoiou algum dia e tem me apoiado de várias maneiras com sua amizade, palavras de incentivo, bons papos, comentários, críticas, trocas de idéias, dividiu risadas e sorrisos comigo pessoalmente ou virtualmente, então considere o seu nome escrito nesta linhazinha aqui embaixo depois do agradecimento ó...

Muito obrigado, ___________________

Mensagem final meio brega, é verdade, mas de coração. Muito obrigado mesmo e até a próxima!

PS: Dedico o post ao meu pai, que também se chama Osvaldo e é o meu melhor amigo para todas as horas.

DRÁCULA 2: A ASCENSÃO e DRÁCULA 3: O LEGADO FINAL

Patrick Lussier e Joel Soisson, responsáveis pelo lamentável DRÁCULA 2000, entraram num acordo com a Dimension Films para filmarem duas continuações de menor orçamento deste filme que seriam lançadas no mercado doméstico. Ambas foram rodadas simultaneamente na Romênia, num esquema de produção já praticado faziam séculos pelo excelentíssimo Sr. Roger Corman. Para surpresa de quem estava detonando elas antes mesmo de saírem (eu incluso), elas acabam com o primeiro filme e são divertidas. Como assisti uma e revi outra delas esses tempos, aqui estou eu aproveitando a onda de filmes de vampiros deixada na última atualização.


Uma das coisas mais comuns de serem notadas pelas pessoas nas continuações baratas é a ausência de vários personagens (e atores, logicamente) do filme original em seus roteiros. Tudo faz parte da redução de custos da maioria destes filmes feitos para lançamento direto em vídeo. Filmar em países como Bulgária e Romênia também, pois eles contam com profissionais de qualidade no ramo que cobram mais barato pelos seus serviços do que os residentes nos Estados Unidos. Ainda tem o Canadá - onde muitas produções norte-americanas para cinema e TV (citando exemplos no gênero... o ótimo TERRA DOS MORTOS do tio Romero e a série MASTERS OF HORROR) são feitas - com leis de incentivo para ajudar projetos que escolhem o país para ser usado como cenário. Lembra-se de SEXTA-FEIRA 13: PARTE 8? A Nova Iorque que aparece na conclusão do filme é Vancouver.

Como foi dito antes, DRÁCULA 2 e 3 foram feitos como um filme único de aproximadamente 3 horas de duração. Então o que o expectador vai ver aqui são dois filmes com uma única história e personagens, mas de estilos e opções diferentes. Isso foi algo neste projeto que me surpreendeu positivamente. É por isso que tem gente que curte mais um deles do que o outro ou que achou um intragável e se divertiu mais com o anterior / o próximo. Eu gostei de conhecer os dois, apesar dos títulos não serem nada bons. Eles diminuem as clássicas versões que foram feitas do imortal livro de Bram Stoker. Sei que ficaria ridículo, porém creio que um DRÁCULA 2000 3 soa mais honesto do que um DRÁCULA 3.


DRÁCULA 2 é o mais simplório dos dois filmes, embora não deixe de divertir e de ser uma pequena surpresa. A primeira coisa que salta aos olhos é a diferença da atmosfera deste para o do DRÁCULA 2000 logo na abertura. Ela contém a memorável apresentação do padre Uffizi, vivido por Jason Scott Lee (de DRAGÃO: A HISTÓRIA DE BRUCE LEE). Terminada essa cena, somos apresentados aos outros personagens que cometerão uma senhora burrada para fazer Uffizi entrar em ação. Trata-se de um pequeno grupo de universitários que é reunido por dois deles chamados Luke (Jason London) e Elizabeth (Diane Neal, uma tremenda gata). Os jovens trabalham num necrotério e encontraram um misterioso corpo carbonizado que eles suspeitam ser de um vampiro. Quem viu DRÁCULA 2000 sabe que o vampirão morre desta maneira no seu final. Quem não perdeu tempo vendo ele também não se sente perdido, já que vemos apenas um cadáver esquisito entrando na trama.

Como Luke recebeu a ligação anônima de um homem oferecendo a quantia de $ 30 milhões, a dupla chama Lowell (Craig Sheffer, de HELLRAISER: INFERNO) - um professor deficiente que é namorado de Elizabeth - e mais dois amigos da universidade para ajudarem eles e assim dividirem a bolada. Todos vão para uma casa no meio do nada e inventam de colocar o cadáver numa banheira cheia de sangue. Aí já viu, né? Depois que um dos atores do filme tem sua participação literalmente eliminada, quem aparece é Eric (John Light), o representante do interessado no Drácula renascido (interpretado por Stephen Billington, bem melhor que o Gerard Butler). Enquanto a merda começa a bater no ventilador, Uffizi fica cada vez mais próximo de encontrar o grupo. O final desta história é belo e sombrio. Ah se eu tivesse visto essa conclusão na época do lançamento... do jeito que sou, eu simplesmente teria vibrado mais do que vibrei. Só não fiz isso porque sabia que a história seria continuada dali, mas esse final também funciona como um bom desfecho pro filme. E como funciona.


Agora é a vez de falarmos do DRÁCULA 3. Esse daqui é fácil, fácil, um dos meus diretos pra vídeo favoritos. Diferente do DRÁCULA 2, aqui vemos a Romênia em toda a sua glória. Para vocês terem uma idéia do visual, saibam que o filme foi realmente rodado na Transilvânia. Se o diretor de fotografia Doug Milsome fez um trabalho legal no anterior, neste o cara faz um estrago considerável. O roteiro também é superior. Ele segue os dois sobreviventes do filme anterior indo para a Transilvânia com o propósito de resgatar Elizabeth das garras de Drácula (vivido desta vez pelo nosso querido Rutger Hauer). Entram em cena outros personagens como uma jornalista de TV que está cobrindo a ação de um grupo rebelde e uma gangue que seqüestra pessoas pobres da região para vendê-las ao Drácula e suas crianças da noite.

Quem faz uma rápida aparição nos dois filmes é outro dos meus atores favoritos: Roy Scheider. Pena que seu tempo em cena como o Cardinal Siqueros neles se resume a uns 2 minutos dele em cada filme. Mas isso não faz com que os distribuidores deixem de colocar seu nome e rosto nas capinhas dos DVD's para chamar a atenção. Se bem que hoje são poucas as pessoas que conhecem e gostam de Roy Scheider. Agora é inegável que a presença dele dá um charme e ajuda a subir o nível dos filmes.

É fácil se desapontar com ambos os filmes caso busque neles bem mais do que uma boa diversão. Antes de assisti-los, por favor, deixe o tradicionalismo de lado. Mesmo assim, a mitologia deste personagem tão amado, querido e odiado na mesma intensidade que é Drácula tem mais respeito aqui. Também achei a parte técnica deles bem bacana para um "direct-to-video" assumido. A cinematografia de Douglas Milsome, os efeitos de Gary Tunnicliffe (maquiagem) e Jamison Goei (computação gráfica) são notáveis considerando o orçamento e o tempo que eles tiveram. De qualquer maneira, os dois dão um banho em coisas como o próprio DRÁCULA 2000, BLADE 3 e é muito melhor até ver eles em seguida do que encarar uma reprise de qualquer um dos três SENHOR DOS ANÉIS.

Sobre os DVD's e curiosidades:

- DRÁCULA 2: A ASCENSÃO é distribuído pela Europa Filmes e está com imagem em FULL. Surpreendentemente, ele contém extras como cenas deletadas, trailer original e vídeos de alguns dos atores sendo testados para seus papéis. Mas o que realmente importa neles é a faixa de comentários em áudio (com legendas em português disponíveis) com o diretor e co-roteirista Patrick Lussier, o produtor e co-roteirista Joel Soisson e o responsável por efeitos de maquiagem Gary Tunnicliffe, que também foi diretor de segunda unidade nos dois filmes. Achei os comentários bem divertidos e informativos.

- Já o DRÁCULA 3: O LEGADO FINAL é distribuído pela Videofilmes e está com imagem em FULL. Zero de extras, como todos os discos desta distribuidora.

- Me lembrei de uma coisa que o Carlos Afonso disse em sua resenha sobre o DRÁCULA 3 para o Erotikill quando escutei os comentários no disco do 2. Ele disse que o roteiro parecia fazer referência ao clássico APOCALYPSE NOW. Joel Soisson confirmou isso perto do final da faixa de áudio. Com isso em mente, não pude deixar de reparar que a estrutura dele é mesmo um pouco semelhante nesta revisão. Os personagens passam por toda uma jornada repleta de situações esquisitas para finalmente se encontrarem com aquele ser que todo mundo estava querendo demais ver depois de tanto ouvir sobre ele. Faz sentido.

sexta-feira, julho 06, 2007

DIÁRIO DE UM VAMPIRO (Vampire Journals, 1997, EUA)


Ted Nicolaou teve muita sorte em fazer este filme pouco antes de uma crise financeira abalar a Full Moon. A partir de 98, mais e mais filmes de baixíssimo orçamento e qualidade feitos nas coxas acabaram ainda mais com a credibilidade que o pequeno estúdio tinha com os fãs do cinema de terror. Basta lembrarmos das continuações que a série PUPPET MASTER teve, eles poderiam ter parado muito bem no terceiro.

Nicolaou é mais lembrado pela série SUBSPECIES e por VISÃO DO TERROR, todos com constantes reprises no saudoso Cine Trash. Em DIÁRIO DE UM VAMPIRO, ele novamente filma na Romênia, um país cujas belas locações já garantem uma boa dose da atmosfera aos filmes feitos lá. Na trama, Zachary (David Gunn) é um caçador de vampiros que também é um, ou seja, um verdadeiro Highlander da espécie. A voz do personagem conduz o espectador pelo filme que conta a história de sua perseguição ao poderoso vampiro Ash (Jonathon Morris, teatral demais) e o seu fascínio por Sofia (Kirsten Cerre), uma jovem pianista que também chama a atenção do rival.

O roteiro do próprio Nicolaou é realmente bom e ele ainda dribla as limitações do baixo orçamento com competência. Mas a produção peca pelo elenco, composto por atores bem fracos. O que temos então são atuações pouco convincentes em um filme que tinha tudo para ser melhor conhecido. Mesmo assim, DIÁRIO DE UM VAMPIRO tem seu lugar entre as pérolas da Full Moon. A beleza gótica da produção - aliada a momentos inspirados do diretor e do cinematógrafo Adolfo Bartoli - é tamanha que ele não parece ser um filme B.

O HOSPEDEIRO (The Host, 2005, COR)


Um dos filmes especiais que fizeram o seu companheiro aqui sair do cinema em completo estado de graça. Mesmo tendo recebido uma notícia frustrante naquele domingo, não me fiz de vencido e disse a mim mesmo que a minha noite teria uma sessão de O HOSPEDEIRO, um filme aguardado por qualquer fã de cinema que se preze. A Internet frescou logo naquela hora, aí telefonei para um amigo que também gosta muito de cinema, batemos um pequeno papo e aproveitei o momento para perguntá-lo se ele tinha os horários deste filme de monstro coreano que eu queria tanto ver. A resposta foi um sim. Depois de o agradecer e com o horário certinho na cabeça, me aprontei e fui direto pro Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, a única sala de Recife que está passando o filme.

Me lembro de ter lido o Marcelo Carrard reclamando da distribuição da Pandora Filmes em seu MONDO PAURA. Será que essa maravilha de filme só tem uma cópia em circulação no país inteiro? Se isso for verdade, é uma pena. Eu não sei ainda porque ele apenas tem entrado em cartaz nos cinemas alternativos. Será que isso só acontece por ele ser uma grande homenagem ao seu subgênero que até hoje é visto com preconceito? Por ser um filme que goste e tenha respeito pelos seus personagens que agem e pensam como seres humanos? Eu não consigo engolir as tentativas de se explicar essa injustiça que eu já li na Internet. O HOSPEDEIRO merece demais uma chance no circuito comercial mesmo, porque seria muito bom ouvir a reação do pessoal acostumado com um arremedo de filme como HOMEM-ARANHA 3.

Em O HOSPEDEIRO, o espectador acompanha a inesperada história de uma família coreana nada convencional às voltas com os ataques de um girino gigante dentro de sua cidade. O monstro foi criado a partir do irresponsável despejo de substâncias tóxicas em um grande rio da Coréia, portanto, o filme também retorna com aquele tema clássico da natureza dando o troco na sociedade. Eu vibrei logo no pequeno início, onde toda a história é apresentada. Motivo: a primeira data que aparece é 09 de fevereiro de 2000, meu aniversário de 15 anos. Me senti homenageado sem ser hehe.

O pai da família é vivido pelo grande Song Kang-ho, uma figura que já pode ser notada facilmente por quem acompanha os filmes coreanos que estão sendo lançados aos poucos no Brasil. Ele está em ZONA DE RISCO de Chan-wook Park e MEMÓRIAS DE UM ASSASSINO, do Bong Joon-ho, mesmo diretor de O HOSPEDEIRO. Esse homem é tão monstruoso quanto a ameaça vinda do rio em seu filme. Eu já tinha ouvido falar deste cineasta quando vi o MEMÓRIAS... e o achei tão bom que fiquei criando expectativas para ver o que ele faria com um subgênero até esquecido. O coreano detonou, é claro. Contrariando outros exemplares do subgênero, o ataque do monstro acontece pouco antes dos 10 minutos iniciais da projeção. E ele aparece todo!! Outra coisa incrível é que muito da nossa atenção não se volta para o monstro em si, mas para o forte relacionamento vivido pelos membros daquela excêntrica família. O HOSPEDEIRO é diferente por causa disso e de vários outros fatores. O filme tem um drama muito eficiente, uma comicidade impagável e até satiriza com a política da própria Coréia do Sul e de um país ocidental que quer porque quer ser a polícia do mundo. Não vou dizer o nome dele, mas acho que dá para adivinhar, não é? :-)

E sabem qual é a cereja do bolo? Além de ser tão rico, bem narrado e puro cinema, O HOSPEDEIRO é muito, muito despretensioso. Acredito que seja por causa disso que ele vem conquistando mais e mais cinéfilos. O filme merece.

Notas:

1 - Esse filme lindo tem a sua detonação garantida em mais um dispensável remake americano que será realizado.

2 - O único resgate que o subgênero dos filmes com monstros gigantes estava tendo recentemente foram os filmecos dirigidos por gente do naipe de Mark L. Lester, Jim Wynorski, Fred Olen Ray, John Terlesky e Richard Pepin pra TV e lançamento direto em vídeo. Alguns divertem mesmo sendo ruins, enquanto outros são puro lixo. Mas esse é um outro assunto que irei explorar aqui nessas férias de julho. Um mês mais "light" como esse pede mais descontração de todos nós. Vai ter gente se lembrando do Erotikill e dos comentários bem-humorados que o Carlos Afonso fazia dessas tralhas. Bah, só de eu me lembrar daquela época agora, fiquei emocionado. :)

HOMEM-ARANHA 3 (Spider-Man 3, 2007, EUA)


O fã de cinema estranha quando vê um filme com elenco estrelar indo parar direto nas locadoras. E ele deve ter estranhado da mesma maneira quando soube que dois dos filmes mais esperados por legiões de espectadores preferiram não receber a opinião da crítica especializada. A primeira coisa que vem à mente é a de que existe alguma coisa errada com essas produções. Um deles, HOMEM-ARANHA 3 estreiou nas salas comerciais com a reputação de ser o filme mais caro já feito até hoje. Apenas aí já temos uma certa arrogância dos executivos dos estúdios hollywoodianos para o seu próprio público, pois orçamentos milionários não garantem bons filmes. Segundo eles, o que o povo quer assistir é o Homem-Aranha pulando de prédios em prédios, enfrentando bandidos e Mary Jane vivendo um romancezinho careta com o nosso herói, não é?

Por isso, pela primeira vez em muito tempo, o diretor Sam Raimi também participou do roteiro ao lado do seu irmão Ivan com a colaboração do veterano Alvin Sargent só para todo mundo ficar feliz e botar mais dinheiro no bolso. Bom cinema de entretenimento não pode ser feito assim. Qualquer filme, por mais despretensioso que ele seja, precisa de um bom roteiro, atuações convincentes do elenco e uma mão segura na direção. HOMEM-ARANHA 3 não tem nada disso. Em seu resultado final, temos um filme fraco e de duração excessiva (mais de 133 minutos, sem os créditos finais) que fica a léguas de distância dos seus antecessores. Piorando a situação, empurraram três vilões dentro de um único filme. Assim não tem como haver um mínimo de desenvolvimento destes personagens, que precisam de um bom espaço na trama para serem eficientes. O roteiro encerra uma situação de perigo envolvendo um deles e o herói para depois de uns 40 minutos o vilão voltar a aparecer. Citando um exemplo, temos o Venom, considerado um dos favoritos de quem se considera fã dos quadrinhos que inspiraram a série. Ele sai de cena da mesma maneira que chegou.

O filme também é culpado de nos fazer perder tempo com cenas que poderiam muito bem ter sido excluídas na hora da edição, como a cena passada numa casa noturna de Jazz & Blues e os muitos dramas da Mary Jane. Elas só nos fazem ter antipatia pelos protagonistas ao invés de se importar com eles. A Gwen Stacy (sim... ainda inventaram de colocar ela no filme) também está completamente desperdiçada. Tem ainda um confronto final que é ridículo de tão exagerado. No geral, HOMEM-ARANHA 3 sofre mesmo é pela visível falta de empenho da maioria dos envolvidos em fazer algo realmente bom, sem pensar em gastar logo uma boa quantia das grandes somas que ganharam para participar do filme. A série também se sai prejudicada por perder muito do encanto que ela vinha tendo nos cinéfilos, incluindo este que vos escreveu.

PS: Texto originalmente publicado no concurso relâmpago SEJA UM CRÍTICO da coluna CÂMERA CLARA do caderno Programa da Folha de Pernambuco, onde os leitores participantes poderiam escrever sobre HOMEM-ARANHA 3 e PIRATAS DO CARIBE 3. Ele sofreu um aumento com bem mais comentários furiosos sobre esse filmeco só para virar um post no blog.

Os dois últimos filmes do Van Damme

FORÇA DE PROTEÇÃO (The Hard Corps, 2006, EUA)


Eu não sabia e acabei pagando o pato. Quando percebi que FORÇA DE PROTEÇÃO era Van Damme num daqueles típicos filmes urbanos no estilo do Steven Seagal com cantores de rap no elenco tive vontade de tirar o DVD na mesma hora. Mas se eu o tirasse, não teria como comentá-lo aqui, então acabei vendo o filme todo.

O maior problema do FORÇA DE PROTEÇÃO é que o Sheldon Lettich não tem a menor noção do que um filmeco de ação feito pra vídeo precisa. A gente fica olhando altas vezes pro relógio por causa da elevada duração de 1 hora e 50 minutos!!! Se o roteiro compensasse nas cenas de ação ainda ia, mas nesse quesito o filme decepciona completamente. Quando tem, tudo acontece muito rápido. Até mesmo os tiroteios são fraquíssimos e sem a mínima emoção. Uma lástima.

Mesmo assim, achei ele um pouco melhor do que muitos filminhos desse estilo que já vi. Também pudera, Van Damme não faz 5 filmes por ano que nem o ganancioso do Seagal. O ator belga teve dois títulos lançados em 2006, ao invés de um, como costumava ser. Pelo menos, mesmo sendo fraquinho e sem muito interesse, FORÇA DE PROTEÇÃO não é nenhuma bomba como AGENTE BIOLÓGICO.

ATÉ A MORTE (Until Death, 2007, EUA)


Antes de FORÇA DE PROTEÇÃO, Van Damme fez SEGUNDO EM COMANDO com o diretor britânico Simon Fellows - de REENCARNAÇÃO (Blessed, 2003) e 7 SEGUNDOS. Em ATÉ A MORTE, a parceria se repete e o resultado dela é um filme de qualidade acima da média dos feitos por encomenda para lançamento nas locadoras. Van Damme mostra que pode atuar mais uma vez no papel do policial Anthony Stowe. Corrupto, alcóolatra, viciado em heroína e capaz de dar uma tacadinha numa prostituta nos fundos de um bar antes de ver a esposa, Stowe é obcecado em capturar Gabriel Callahan (Stephen Rea, pegando um chequinho pra pagar as contas), seu antigo parceiro da lei que se tornou um criminoso procurado. O que ele não esperava era que um incidente acontecido durante uma das suas noitadas fosse mudar o rumo de sua vida.

Há quem fique decepcionado com ATÉ A MORTE pela capinha do DVD dizer que o gênero dele é ação, coisa que não acredito que o filme seja. Para mim, ele é um drama policial que tem um dos protagonistas mais curiosos do cinema recente. Van Damme está tão bem (sim... estou falando sério) que no segundo ato da história, por incrível que possa parecer, o espectador passa a gostar do personagem. O restante do elenco está passável, mas não sei o que deu na cabeça do responsável pelo elenco de escalar a Selina Giles como a esposa de Stowe. Fazia tempo que eu não achava uma atriz tão fraca. Nem o Rea que pouco se lixa pra sua atuação chega aos pés dela em matéria de mediocridade. Assim como O LUTADOR (Undisputed 2, já comentado aqui no blog), há todo um clima de cinema oitentista, o que garante um charme extra. Simon Fellows fica tentando fazer umas meladas na edição querendo ser "muderno" de vez em quando, mas isso não me incomodou o bastante.

O filme lembra um melodrama esquecido do Mike Nichols com o Harrison Ford chamado UMA SEGUNDA CHANCE (Regarding Henry, 1991) onde o personagem principal passa por uma situação semelhante. Mesmo com alguns furos, ATÉ A MORTE consegue ser superior. Dá até pra esquecer que ele foi produzido pelos caras da Millennium Films. Outra coisa bem interessante é que o roteiro - assim como o dos filmes vindos de Hong Kong - não tem a menor pena dos personagens. E o Van Damme solta pelo menos duas frases de efeito que certamente devem fazer os fãs do cinema de macho irem ao delírio. Como diria o infame Borat... Nice!

Curiosidade: 1 - No DVD lançado pela Flashstar do ATÉ A MORTE tem o trailer do esperado filme coreano A CIDADE DA VIOLÊNCIA. Depois de assistir aquilo, não tem neguinho que fique sem querer que eles lancem isso o mais rápido possível!!

2 - ATÉ A MORTE é mais um filme do Van Damme que seria dirigido pelo Ringo Lam, se ele não pulasse fora por diferenças criativas com os produtores. Imaginem o estrago que esse monstrinho poderia ter feito com o material.