quarta-feira, maio 30, 2007

Encarando um desafio prazeroso

Pessoal, hoje e amanhã estarei com as tardes e noites bem ocupadinhas. Irei encarar um desafio dentro do meu curso universitário: dirigir um programa de TV pela primeira vez na vida. Bem... eu já estava fazendo isso aos poucos, mas só nesta quinta-feira é que irei entrar no estúdio pra botar a mão na massa e gravar as seqüências da apresentadora. E eu prometo que tentarei colocá-lo no YouTube, independentemente do resultado final rs. A gente teve menos de 1 mês para recolher material, escrever todos os textos e tomar todas as decisões possíveis dentro das nossas limitações, pois a faculdade também não oferece toda a estrutura que desejamos como um acesso bacana das câmeras de lá para fazer qualquer tipo de gravações externas. Mas vocês não tem idéia do quanto eu me sinto ansioso, nervoso e com tesão para fazer as primeiras imagens do programa ao mesmo tempo. E como alguns já devem ter imaginado... sim, ele é sobre cinema. :)

Me desejem boa sorte!!

domingo, maio 27, 2007

Download de A CASA DOS MAUS ESPÍRITOS

Clássico do William Castle com o nosso querido Vincent Price! Quem é que precisa daquele remake pra se divertir quando se tem um original tão classudo e criativo?? Consegui um arquivo pequeno DivX de 150mb do filme e subi pra vocês também curtirem. A qualidade não está perfeita, lógico. Mas o download é bem rápido pra quem quiser logo ter o filme na máquina e curtir essa pérola assim que possível.


Parte 1 (76mb)

Parte 2 (76mb)

Para juntar os arquivos, use o Splitter ou o HJ-Split

Ele também está disponível em um DivX de 700mb e outros tamanhos no maravilhoso Internet Archive clicando aqui.

Vídeos de O LUTADOR

Trailer do filme:



Primeira luta:

O LUTADOR (Undisputed 2, 2006, USA)

Hoje não estou com espírito para comentar alguns dos últimos filmes que vi no cinema como BAIXIO DAS BESTAS e UM CRIME DE MESTRE. O meu plano era escrever sobre minha presença na estréia de A VALIZE (isso mesmo, com Z) FOI TROCADA, o novo filme do grande Simião Martiniano que também é conhecido como o Camelô do Cinema. Para quem não tem idéia de como é Simião, basta dizer que ele tem o mesmo sangue cinéfilo de Ed Wood e Bruno Mattei circulando nas suas veias. Infelizmente a cópia exibida na sessão estava com problemas técnicos e uma nova exibição ficou a ser marcada. Uma pena mesmo, já que o filme prometia pelo que deu para conferir. Por isso vamos falar aqui outra vez de cinema "direct-to-video", que é um esquema de realização que me atrai mesmo decepcionando cada vez mais.

Quem mais aqui já viu esse logo uma porrada de vezes? hehehe

Poucas vezes tenho conferido filmes feitos exclusivamente para vídeo realmente bons. 2006 foi o ano das continuações baratas feitas para lançamento direto em DVD. Na maioria esmagadora das vezes, elas não tem a menor relação com o filme original. Só pela Sony teve 8MM 2, MULHER SOLTEIRA PROCURA 2, A CASA DE VIDRO 2, MATADOR DE ALUGUEL 2 e outras. Esse ano também devem ser lançadas mais, agorinha mesmo foi a vez de COM AS PRÓPRIAS MÃOS 2 com o Kevin Sorbo (aquele da série de filmes pra TV HÉRCULES com Anthony Quinn fazendo Zeus, lembram disso?) no lugar do Dwayne "The Rock" Johnson. Pois bem... os caras da Nu Image viram que era uma boa fazer uma continuação neste mesmo molde de O IMBATÍVEL (Undisputed, 2000), por ele ter feito um relativo sucesso e ser uma das poucas produções que a empresa lançou no cinema. O orçamento destas continuações é sempre mais baixo do que o original, algo que dá uma esperança de um retorno rápido e seguro do dinheiro investido pelos produtores.

No lugar de Walter Hill, Isaac Florentine. Um diretor mais conhecido por ter feito vários episódios de Power Rangers do que pelos seus filmes baratos de ação. Ao invés de Ving Rhames, quem interpreta George Chambers desta vez é Michael Jai White, um ator que desde SPAWN nunca fez mais nada que fosse mais digno de menção. Isso não cheira nada bem, não é? Mas eu só queria ver um puro e simples bom filme de porrada e pensei que ele poderia me satisfazer. E como satisfez! Parecia que eu estava assistindo um daqueles filmes massas de torneio dos anos 80 e 90!


O LUTADOR se passa na Rússia dos tempos atuais, embora tenha sido inteiramente filmado na Bulgária. George Chambers está no país para gravar um comercial de vodka, pois as coisas não vão nada bem para ele continuar com o seu elevado estilo de vida. Só que Chambers acaba sendo preso inocentemente por porte ilegal de drogas no seu quarto, numa trama armada por um mafioso para ele entrar numa das piores prisões do país e enfrentar Uri Boyka (Scott Adkins, puta revelação!), o campeão invicto do local. A cadeia é o palco das apostas ilegais no bar do mafioso, não perguntem para mim o motivo disso pois eu não faço a mínima idéia. Poxa vida, se o Chambers já está ferrado de grana, não custava nada apenas fazer uma oferta a ele ao invés disso tudo? Mas sabem como é... coisas de roteiro de filme feito pra vídeo comer mais tempo de exibição e não ser só uma coletânea de lutas hehe. Além do Chambers, há um outro detento americano vivido pelo injustiçado Ben Cross com quem o protagonista fará uma amizade.


Como dá pra notar, a única coisa que existe em comum neste filme com o original é a premissa básica e o personagem do Chambers que é interpretado aqui por alguém mais jovem. Eu gostei de Snipes e Rhames no anterior, mas Michael Jai White e Scott Adkins exalam carisma e ainda são verdadeiros artistas marciais. White faz basicamente o que o antecessor fazia (ficar bem puto quase sempre!) e ainda dá vários golpes nas inspiradas e brutais cenas de luta que ninguém imaginaria ver Rhames fazendo. O britânico Adkins como Boyka é um daqueles vilões que a gente adora odiar. Além de ser uma fantástica revelação como ator marcial, ele não decepciona em seu desempenho fora do ringue da prisão.

Não tem como o fã do gênero se decepcionar com O LUTADOR. Bom... a única coisa que achei fora de lugar foi a conclusão melosa. Nem tudo são flores. Mas Isaac Florentine aqui está em sua melhor forma, com muito mais domínio na câmera e nas cenas de ação. Ele sabe muito bem aquilo que quer e (ainda bem...) é mais discreto com os efeitos sonoros do que em seus filmes anteriores. Pelo menos, Florentine e Adkins podem ter certeza que já ganharam mais um fã aqui no Brasil. Depois do elogiado FORÇAS ESPECIAIS (Special Forces, 2003) e deste O LUTADOR, os dois se juntaram novamente em THE SHEPHERD onde uma briga daquelas entre Scott Adkins e Jean-Claude Van Damme é algo certo se depender de Florentine. A sinopse do filme é bem semelhante a do fuderoso O LIMITE DA TRAIÇÃO (Extreme Prejudice, 87) de Walter Hill.

PS: Leiam o comentário inspirado do amigo Luiz Alexandre sobre FORÇAS ESPECIAIS em seu blog clicando aqui. Eu tenho que ver esse filme algum dia!!

terça-feira, maio 22, 2007

Um triste acontecimento para os fãs de cinema bagaceiro foi noticiado ontem no blog do Leandro Caraça. Bruno Mattei nos dá adeus.

1931 - 2007

Por coincidência, só fui ver o inacreditável APACHE BRANCO (um faroeste italiano feito nos anos 80!) neste final de semana. Mattei não partiu de 2007 sem deixar mais um dos seus filhotes cinematográficos. Essa nova produção se chama ZOMBIES: THE BEGINNING (Zombie, La Creazione). Clicando na imagem abaixo, você irá assistir ao trailer do último filme de Mattei que tem tudo para agradar aos fãs deste diretor que marcou a História do cinema sem tomar o mínimo conhecimento disso!

Addio, Bruno Mattei. Sua coragem e despretensão em fazer filmes fará muita falta.

Clique aqui pra baixar o trailer (WMV, 3.64mb)

JOHN RAMBO

SIMPLESMENTE ABSURDO DE TÃO 80'S!! EU TENHO A OBRIGAÇÃO DE VER ISSO NA ESTRÉIA.

segunda-feira, maio 21, 2007

Falando um pouco sobre como estou no momento, a inauguração da sala alternativa Fernando Spencer e MARIA de Abel Ferrara

A vida é mesmo uma coisa engraçada de tão imprevisível. Se eu tivesse escrito esse post na sexta-feira, teria dito que várias coisas bacanas tinham acontecido comigo de terça-feira passada até aquela data tirando uma chateação que tive no sábado anterior ao último. Tive uma notícia bem chata sexta-feira antes de ir pra faculdade, mas este sábado e o dia de ontem foram simplesmente ótimos. Junto com o que aconteceu de bom na semana passada e no sábado, no domingo e ainda ao ler e responder a mensagem que minha amiga Rosana deixou no último post hoje, tenho certeza de que o meu gás está voltando mesmo. Não, ainda não consegui aquele emprego ou estágio para melhorar a minha situação, mas o importante é que tudo isso injetou uma boa dose de ânimo na minha pessoa. Um dos acontecimentos que fizeram isso comigo foi estar presente na noite da última quinta-feira na inauguração da Sala Fernando Spencer no Cine Rosa e Silva, um cinema de bairro localizado no empresarial Executive Trade Center na Av. Rosa e Silva, uma das mais conhecidas de Recife. A sala é mais uma da cidade a se dedicar ao cinema alternativo e o primeiro filme que entra em cartaz lá é uma obra especial intitulada MARIA, do verdadeiro "outsider" Abel Ferrara. Quem será responsável pela curadoria do local é a jornalista e produtora cultural Carol Ferreira.


Chegando lá um pouco antes da hora para não ser pego de surpresa, tomei um expresso na maior tranquilidade. Depois dei uma olhada nos posters e material publicitário que podem ser encontrados pelos corredores do ETC. Dentre eles destaco A ÚLTIMA CARTADA, o novo filme de Joe Carnahan (do visceral NARC) que quero muito ver na tela grande. Eu conhecia muita pouca gente dos presentes, aquelas pessoas com quem eu podia papear pro tempo passar mais rápido já estavam fazendo isso com outras que não conheço. Aí escolhi uma das mesas na praça de alimentação e fiquei na minha tomando um refrigerante de leve fornecido pelas sorridentes moças do buffet na espera do início da cerimônia. Quando vi a movimentação tratei de ficar próximo da entrada das salas. Chegando lá reencontrei Luiz Joaquim e achei Carol Ferreira, quem deu sinal verde ao VÁ E VEJA para prestigiar o evento. Eu pensava que nunca tinha falado com ela pessoalmente, mas nos reconhecemos de outras ocasiões. Foi Luiz também quem disse algumas belas pelavras em homenagem a Fernando Spencer, uma pessoa de importância e influência determinante para o cinema e a crítica cinematográfica de Pernambuco. Spencer estava presente, recebeu uma placa da organização do cinema e falou emocionado sobre um pouco da sua trajetória. Foi ele quem trouxe o conceito de sessão de arte para o Estado. Antes mesmo da cerimônia terminar, a atenciosa Carol me chamou e indicou as salas 1 e 2 onde MARIA seria exibido, já que na 3 rolaria a exibição de um documentário sobre o homenageado. Agradeci e me joguei dentro da sala para assistir ao meu primeiro Abel Ferrara no cinema. A noite já era inesquecível por si só, mas ver o "Directed by Abel Ferrara" numa tela grande me deu uma sensação de prazer cinéfilo comparável apenas ao que tive quando vi "Directed by George A. Romero" na mesma maneira há quase dois anos atrás com TERRA DOS MORTOS.


Não é nenhum exagero dizer que MARIA é o mais religioso de todos os filmes da filmografia de Ferrara e até mesmo o mais melodramático. Mas não se preocupe muito com isso, pois com o nosso camarada nós estamos em terreno seguro. E outra vez temos um elenco afiadíssimo pelas mãos do diretor que é composto desta vez por Juliette Binoche, Forest Whitaker, Matthew Modine (em seu segundo Ferrara) e Heather Graham. MARIA tem seu foco maior em três personagens. Tudo está ligado a ESTE É MEU SANGUE, um filme sobre Jesus Cristo dirigido pelo cineasta e ator Tony Childress (Modine) onde ele mesmo faz o protagonista. Childress se prepara para a série de protestos que o seu novo projeto irá receber, pois está crente de que seu novo projeto fará sucesso e polêmica. Binoche interpreta uma atriz chamada Marie que interpreta Maria Madalena no filme de Childress que abandona a sua carreira após os términos das filmagens para viver em Jerusalém pelo fato da personagem ter lhe influenciado bastante. Já Whitaker é Theodore Younger, apresentador de um programa de entrevistas no horário noturno que tem como justamente Jesus Cristo como tema principal. Ele faz de tudo para conseguir o que quer, devendo até uma merecida assistência à sua esposa Elizabeth (Heather Graham, dando um tempo nos besteróis...) que está no final de sua gravidez e pode ter o bebê a qualquer momento.

Muitas vezes fico achando que sou novo demais pra gostar de Ferrara, mas eu acredito com forte convicção de que que ele é um dos poucos diretores realmente especiais da atualidade. É através dos três personagens principais que Ferrara lança uma série de questionamentos e parece falar com o espectador sobre as questões que mais lhe atormentam, utilizando-se de uma sinceridade admirável. Quem curte cinema sabe que esse diretor nova-iorquino tem raízes católicas, mas sempre quando pode ele dá uma alfinetada em sua própria religião pelas coisas absurdas que até hoje ela prega. Eu sou católico de criação e a julgar pela minha última frase dá pra perceber que concordo com ele em alguns pontos.


Eu não sei dizer se MARIA deveria ser mais visto pelo público, já que o estilo narrativo de Ferrara não é nada caracterizado pela linearidade. Enquanto a ação vai rolando, há várias intervenções de cenas do próprio filme de Childress dentro do filme e do programa de entrevistas fictício de Theodore onde vemos vários teóricos e estudiosos reais nos transmitindo informações dentro do tema (evangelhos apócrifos e outros mais). As atuações de Binoche, Whitaker e Modine podem ser consideradas algumas das melhores de suas carreiras, mas quem dá show mesmo são os dois últimos. Modine tem menos tempo de participação no filme do que eu gostaria, pois ele compreendeu perfeitamente quem era aquele personagem e a sua última cena dentro de uma sala de projeção eu considero desde já ficará um dos melhores momentos da filmografia de Ferrara. Digo o mesmo da espantosa cena de Whitaker na igreja com um arrepiante close da imagem de Jesus Cristo na cruz. Não pude deixar de reparar no rapaz que estava ao meu lado junto de sua esposa ou namorada. Lágrimas caíam copiosamente do rosto dele neste momento. Isso que é cinema!

MARIA é um filme difícil, intimista e de ritmo lento, apesar de durar em torno de 1h30min. Ele consegue ser religioso, sem ter uma visão doutrinatória desse tema tão difícil de se lidar. Ele consegue ser forte, provocante e incômodo da mesma maneira que os melhores filmes de Ferrara usando menos de 0,5% da violência física presente neles. Enfim, MARIA é nada mais nada menos que uma emocionante obra de arte. Já estará no meu top 10 de vistos no cinema em 2007, mesmo tendo demorado dois anos para chegar aqui no Brasil.

Agradecimentos à organização do Cinema Rosa e Silva e Carol Ferreira pelo apoio e a Fernando Vasconcelos, responsável pelo empurrãozinho que me fez receber a confirmação do convite. Valeu mesmo!

quarta-feira, maio 16, 2007

Lobisomens de motoca e a sucessora do Dr. Frankenstein: quase 3 horas de pura diversão

O lado bom da gente estar um pouco mais desocupado é poder gastar um turno do dia com dois ou mais filmes seguidos. E quando a nossa cabeça está mais relaxada, é preciso aproveitarmos ao máximo esse momento de descontração. Foi num desses dias de maio que fiz uma sessão dupla com LOBISOMENS SOBRE RODAS (Wherewolves on Wheels, 71) e LADY FRANKENSTEIN (La Figlia di Frankenstein, 71), que coincidentemente foram feitos no mesmo ano. O primeiro é exatamente a junção dos filmes de motoqueiros com um monstro clássico do cinema de terror e o segundo é uma produção italiana que se revela uma interessante variação da mais do que conhecida história de Frankenstein.

Peguei minha pipoquinha, uma quantidade satisfatória de Coca-Cola (e olhe que estou tentando fazer um regime rs), deixei os DVD's na mesa e coloquei um no player. Acabei me divertindo que nem os antigos pirralhos de 14 anos faziam quando voltaram pra casa com duas fitas velhíssimas alugadas da locadora para arriscar a vida útil do cabeçote do vídeo-cassete.


Iniciei logo com o que eu achava que seria mais esculhambado, LOBISOMENS SOBRE RODAS. Desta vez, tive o privilégio de assistir a esse exemplar dos filmes de motoqueiros dos anos 70 em uma excelente cópia restaurada com imagem em widescreen e som legal. A qualidade da imagem é tamanha que acabou quebrando um pouco o clima "drive-in" ou "grindhouse" da sessão. Quando os créditos iniciais (onde o nome do filme não aparece! hehehe) começaram a rolar com os "Devil's Advocates" mandando ver na estrada eu estava crente de que assistia a um registro da passagem de uma gangue de motoqueiros por uma cidade que poderia estar em qualquer documentário. Tirando a figura comentando sobre o tamanho do pênis do seu namorado para a amiga, o filme já ganha pontos pela autenticidade desta única cena.

As coisas começam a dar mal para os nossos camaradas quando eles inventam de farrear num misterioso mosteiro e acabam sendo abordados pelos monges visivelmente nada bem intencionados que residem lá. A gangue se alimenta do pão e de um líquido vermelho oferecido pelos homens que - numa amostra do talento do diretor Michel Levesque - nunca tem os seus rostos revelados pela câmera. Assim que eles conseguem sair do local, cada um dos membros da gangue passam a ser assassinados misteriosamente.


O filme tem um fiapo de roteiro e não duvido nada que muitas coisas tenham sido improvisadas na filmagem. Devem ter rolado litros e mais litros de ácido pelas mãos de cada membro da equipe. Querem uma prova? O filme contém uma seqüência inteira passada em uma paisagem desértica vinda do mais absoluto nada!!! LOBISOMENS SOBRE RODAS pode ser considerado um pouco decepcionante por causa de uma coisa: o título. Qualquer pessoa que vai assistir a um filme chamado LOBISOMENS SOBRE RODAS pensa que ele é um filme de terror com algo dos filmes de motoqueiros. Mas ele é exatamente o inverso. Os lobisomens mesmo apenas dão as caras perto dos 10 minutos finais onde em pouco tempo apreciamos alguns pequenos momentos de notável inspiração. Bah, não vou me segurar, por favor só leia se quiser continuar com este parágrafo, mas não se preocupe que não irei soltar SPOILERS. Perto da conclusão, um motoqueiro queima a bandeira dos Estados Unidos enrolada num pedaço de madeira para se defender dos ataques das criaturas e há uma perseguição dos sobreviventes munidos de tochas a um lobisomem que está fugindo de moto, mais ou menos como os revoltados moradores das pequenas vilas sempre faziam nos clássicos filmes da Universal. Pretendo rever o filme qualquer dia desses com os comentários em áudio do diretor e roteirista Michel Levesque acompanhado do co-roteirista David M. Kaufman. Eles são moderados por David Gregory (da Blue Underground), que é bem capaz de tê-los deixado bem ocupados falando.

Ainda aproveitando o DVD de LOBISOMENS... vi os trailers do próprio e o de THE LOSERS que estão na parte de extras para aumentar o clima "grindhouse" que reinava no quarto. Só sei que eu disse a mim mesmo de que precisava urgentemente assistir a algum filme do do Jack Starrett com William Smith, que é o caso de THE LOSERS. No filme, uma gangue de motoqueiros é recrutada pelo exército americano pra ir ao Vietnã!! PQP! Genial!!!


Depois foi a vez de LADY FRANKENSTEIN, lançado aqui no Brasil em VHS como A MULHER DE FRANKENSTEIN. Um título dos mais aproveitadores só por causa da presença de Rosalba Neri, uma atriz de beleza estonteante nos anos 60 e 70 que apareceu em muitos exploitations e filmes de terror europeus no período, inclusive alguns títulos do nosso querido Jess Franco. Ela interpreta a filha do Dr. Frankenstein, vivido aqui pelo veterano Joseph Cotten. Após protagonizar BARON BLOOD de Mario Bava, Cotten fez participações em vários filmes baratos na Itália, incluindo o crássico A ILHA DOS HOMENS PEIXE e até mesmo um dos "polizieschi" de Umberto Lenzi para faturar uma grana rápida antes de se aposentar. A simples presença de um ator como Cotten beneficia e dar um ar respeitável a qualquer filme que seja, coisa que os produtores italianos deveriam saber muito bem.

Como falei no início do texto de hoje, LADY FRANKENSTEIN é uma nova visão da conhecidíssima história de Frankenstein. Mel Welles, mais conhecido pela sua atuação no papel de Gravis Mushnik na versão original de A PEQUENA LOJA DOS HORRORES do mestre Roger Corman, é o responsável pela direção do filme e Paul Muller, Herbert Fux e Mickey Hargitay também fazem parte do elenco. Essas três figuras são muito bem conhecidas do fã daquele tão bom cinema popular europeu que marcou época. Hargitay é mais lembrado por algumas pessoas por ter se casado com Jayne Mansfield, só que há outras que o lembram mais de BLOODY PIT OF HORROR e DELIRIUM, dois filmes baratos que tem fãs incondicionais e detratores na mesma proporção.


Não quero entregar muito o jogo a respeito de LADY FRANKENSTEIN. Grande parte dos comentários na Internet revelam algo sobre a participação de Joseph Cotten que acho prejudicial a quem irá assistir a ele pela primeira vez. A minha surpresa seria maior se eu não tivesse lido eles. Vamos dizer que o roteiro contém uma virada e a partir daí ele é dominado pela personagem de Rosalba Neri, que usa do seu corpo e da sedução para conseguir o que quer. Aí é que está a inovação dele, temos aqui talvez a primeira cientista maluca do gênero. O filme poderia ser melhor e não tão previsível, mas conseguiu me divertir bem.

terça-feira, maio 15, 2007

PRINCESAS na Livraria Saraiva

Acabei de tomar conhecimento que hoje às 18h na Livraria Saraiva MegaStore do Shopping Center Recife vai acontecer uma exibição seguida de um debate do filme espanhol PRINCESAS, que foi sucesso em seu país de origem (venceu 3 prêmios Goya) e exibido na Mostra SP de cinema do ano passado. Ele estréia no Brasil em 25 de maio. A entrada para o evento é franca.

MENSAGEIRO DE SATANÁS (Evilspeak, 81) em DVD!!

quarta-feira, maio 09, 2007

Anúncios gerais

1 - Antes de qualquer coisa, comunico aos leitores que a oitava edição da ZINGU! já está no ar. Acho que vocês já devem estar perdendo a paciência de quantas vezes digo que cada edição desta excelente revista virtual vem me surpreendendo todo mês. Desta vez, o amigo Marcelo Carrard em sua coluna Cinema Extremo fala com a sua categoria habitual sobre um dos seus filmes favoritos, EL TOPO. Tenho essa pérola já faz meses na coleção, mas toda vez ataco a prateleira de DVD's quando vou ver algo aqui e cometo a falha de esquecer disso. Desta semana ele não me passa! Irei fazer de tudo pra dar a maior atenção possível a este clássico do cinema setentista. Andrea Ormond nos revela o seu lado cronista, Melody Westenra fala de LOLITA (o livro), Gabriel Carneiro ataca com Oliver Twist de David Lean e o companheiro Eduardo Aguilar comenta sobre um livro chamado 13. Será que ele é sobre numerologia? hehehe. :)

Carrard manda ver outra vez na pista da ZINGU! com os Discomovies na coluna Subgêneros Esquecidos e muito mais, além de um dossiê do crítico paulista Edward Janks. Um dos textos dele presentes nesta edição é 1985 - Um Ano de Muita Sacanagem. UIA! Que bom saber, nasci exatamente neste ano hehehe. Enfim, a ZINGU! já virou sinônimo de leitura obrigatória todo mês.

2 - Corrigindo uma falha, adicionei um rápido comentário do curta-metragem CABACEIRAS no post do Cine-PE: dia 26 de abril. Simplesmente o título dele me passou batido quando estava escrevendo aqui sobre o dia. Agora posso dizer que minha cobertura dos três dias que participei do festival está completa.

3 - Mais uma resenha de minha autoria foi publicada no glorioso Boca do Inferno. Falo de uma mega tralha chamada VAMPIROS ASSASSINOS. O texto já tinha sido publicado antes no saudoso Erotikill, mas creio que ele agrade quem gosta de ver alguém descendo lenha e tirando sarro com a cara de bombas que não tem noção do ridículo como essa. O maior destaque da última atualização foi o artigo do incansável Felipe Guerra sobre o aguardado GRINDHOUSE. Quem se considera fã de terror e ficção e diz que não gosta do Boca do Inferno não é meu amigo!

4 - Adicionei mais blogs e sites na seção de links ao lado, como o do Cineprojeto 365 onde também irei colaborar com resenhas na medida do possível.

É demais pedir perseguições como essas no cinema de ação atual?

BLAZING MAGNUM (Una Magnum Special Per Tony Saitta, 1976)



UM TOQUE DE MESTRE (Un Uomo da Rispettare, 1976)

Homenagens Póstumas

Herbert Fux


1927 - 2007


Gordon Scott


1926 - 2007



Serafim Gonzalez


1934 - 2007


Enéas Carneiro


1938 - 2007

segunda-feira, maio 07, 2007

Cine-PE: 27 de abril

A noite de sexta-feira foi a mais tumultuada e cheia de gente dos três dias em que participei do Cine-PE 2007. Simplesmente por causa de duas coisas:

1 - Era sexta-feira.
2 - Presença confirmada de Rodrigo Santoro na apresentação do longa NÃO POR ACASO.

Pronto, aí fudeu. Pense na quantidade de tietes que estavam presentes em todos os lugares. Nas filas, nos pátios, na praça de alimentação e nas cadeiras, só se falava de Rodrigo Santoro. Aliás, esse é um reflexo da extensa maioria do público do festival. Você pode dar uma chegada perto da entrada e raramente se pode ouvir alguém falando de cinema ou trocando alguma idéia sobre os filmes que acabou de ver no intervalo. É por causa deste grande fluxo de pessoas que o evento acontece no Teatro Guararapes, localizado no Centro de Convenções de Pernambuco em Olinda. Há casos em que a acústica do local prejudica alguns filmes, mas esse ano foi bem melhor e só tive mais problemas com um dos títulos exibidos, o documentário de curta-metragem A ENCOMENDA DO BICHO MEDONHO. Outra particularidade do grande público de festivais como o Cine-PE é bater palmas para qualquer coisa que tenha início, meio e fim que esteja no telão sem ser os comerciais.

Como eu estava acompanhado de amigos e colegas da minha turma na faculdade e ainda me encontrei com gente que conheço de fora, bati uns papos legais e fui apresentado a mais outras pessoas. Aliás, foi no Cine-PE que fui apresentado a uma das minhas ex-namoradas. Uma coisa bacana e que gosto muito do evento é que ele reúne mesmo várias pessoas que gostam de cinema e que trabalham no ramo. Pernambuco está se fortalecendo cada vez mais em termos de produção audiovisual. Quem sabe algum dia desses eu mesmo invente algo só pra botar minhas mãos numa câmera e o Estado ter mais uma figura fazendo cinema? hehehe. Minha cabeça tá uma doidera só esses tempos... vai que daí nasce uma idéia interessante.

Vamos aos comentários, desta vez de uma maneira bem diferente dos posts anteriores que vocês acompanharam. A noite começou com O SAPO, um curta-metragem infantil feito pelo carioca Adolfo Sarkis. Na hora estranhei, mas depois saquei a onda. Se um curta destinado a um público tão restrito entra num festival como o Cine-PE ao lado de tantos outros filmes de conteúdo adulto, é porque ele agrada em cheio aos dois públicos. Ainda bem que minha previsão estava correta e o filme acabou sendo mais legal e simpático do que o esperado. Não tem como não se divertir e voltar aos tempos de criança com a história do garoto que só quer participar de uma peça interpretando o Sapo (daí o título) por estar a fim de uma garota popular do colégio que interpreta A Princesa. O SAPO é bem leve, despretensioso e divertido, justamente como vocês devem estar imaginando. O diretor Adolfo Sarkis merece parabéns pela boa condução do filme, pelo roteiro objetivo e a paciência que se deve ter sempre quando se trabalha com crianças.

A ENCOMENDA DO BICHO MEDONHO do paraibano André da Costa Pinto foi outro filme que explicitou o problema que a organização do evento enfrenta com a acústica do Teatro Guararapes. Ele fala de um senhor de seus 95 anos incrivelmente lúcido chamado David Ferreira. Eu não consegui entender muita coisa do que os entrevistados falavam, além do filme sofrer um pouco de falta de foco, característica de realizadores iniciantes em documentário. A ENCOMENDA DO BICHO MEDONHO faz parte do projeto REVELANDO OS BRASIS, que promove a inclusão e formação audiovisual para moradores de municípios brasileiros com até 20 mil habitantes. É com esse pequeno registro da vivência do seu David que não deixamos de conhecer o seu talento, já que ele faleceu no último dia 6 de abril.

Logo depois foi a vez de JOYCE, curta-metragem de ficção paulista dirigido por Caroline Leone (será que ela tem parentesco com o Mestre??) que registra um pouco do amadurecimento de uma garota de 12 anos residente em uma favela da grande São Paulo. Pessoalmente, ele não fez muito o meu gênero e me sinto até cansado com filmes assim, que parecem não ter algo de diferente para se dizer. Vai ver ando querendo notar segundas intenções em um filme que não as tem. Resumindo... muitos gostaram e acharam válido, para mim foi mais do mesmo. Podem me chamar de insensível rs.

NO RASTRO DO CAMALEÃO é a estréia de Eric Laurence (do marcante ENTRE PAREDES), cearense radicado pernambucano, no cinema de documentário. Com alguns momentos de notável criatividade do realizador, o filme fala do cotidiano da banda cabaçal Irmãos Aniceto onde eles falam de maneira bem descontraída e sincera sobre a relação deles com o cinema nacional e vários outros assuntos. Tem uma cena onde um deles vai à feira livre dar uma paradinha num camelô para comprar um CD. Como fã de faroeste italiano, não pude deixar de reparar nas capinhas de TRINITY E SEUS COMPANHEIROS e UM DÓLAR ENTRE OS DENTES nos DVD's piratinhas que estavam em venda lá. ;-)

Já O HOMEM-LIVRO é uma pérola, tanto o filme quanto o personagem que o protagoniza. Evando dos Santos tem 42 mil livros guardados em sua casa, localizada em um subúrbio do Rio de Janeiro, para serem transferidos a uma biblioteca desenhada por Oscar Niemeyer. Pelo pouco que conheci dele no documentário, Seu Evando é uma daquelas pessoas que me fazem ter mais esperança neste país em que a gente vive. Ao invés de fazer o espectador se distrair com outras coisas, a diretora Anna Azevedo se utiliza muito bem do único espaço mostrado em seu filme: a casa de Evando. Com todos os livros, ela acaba virando outra personagem no curta. Seu Evando foi aplaudido em massa quando disse de forma bem descontraída que Paulo Coelho era a Xuxa da literatura brasileira hehehe. Ótimo.

O último curta-metragem da noite foi para mim o mais ousado de todos os dias em que eu participei do Cine-PE. EISENSTEIN é outro filme pernambucano a apresentar uma história de amor no festival. Longe de ser apenas isso, ele é uma homenagem escancarada ao cinema e a Sergei Eisenstein, um dos primeiros Mestres da sétima arte. O amor pelo cinema dos três diretores Raul Luna, Leornardo Lacca e Tião (que também atua no filme como protagonista) é visível e o resultado final impressiona e empolga ao mesmo tempo. Achei a inesperada montagem final simplesmente absurda de tão boa. Fiquei orgulho pelo pessoal da Trincheira Filmes e esse belo filhote, que venham os próximos!!

Depois do intervalo, voltei ao Teatro Guararapes o mais depressa que pude para não perder a homenagem do Cine-PE e do Canal Brasil ao grande diretor de fotografia Dib Lufti, responsável pela câmera de filmes como FOME DE AMOR, TERRA EM TRANSE e COMO ERA GOSTOSO O MEU FRANCÊS. Lufti sofreu um enfarto recentemente e está se recuperando bem desse susto que tomou. Para não arriscar a sua saúde, ele preferiu não viajar e quem recebeu o Calunga em mãos foi nada mais nada menos que outro grande do nosso cinema, Nelson Pereira do Santos. Lufti gravou um depoimento para agradecer a todos do evento pela homenagem. Ele estava visivelmente muito emocionado, derramando até algumas lágrimas ao afirmar o quanto é difícil de se fazer cinema aqui no Brasil. Foi um momento lindo e memorável do Cine-PE, mesmo que o homenageado não estava presente em físico no festival.

A seguir, foi a vez da equipe do longa-metragem NÃO POR ACASO entrar no palco através dos bastidores por causa de Rodrigo Santoro e a fúria das tietes que pagaram ingresso só pra vê-lo pessoalmente e de longe. Não me lembro direito se foi antes ou depois da apresentação da equipe antes do filme começar que vi Nelson Pereira dos Santos sair de fininho em meio ao tumulto que se instalou naquela sala com os fotógrafos e fãs tirando fotos e mais fotos de Santoro e das belezas femininas de Letícia Sabatella e Branca Messina (estreante em longas). Seu Nelson passou bem próximo de mim e fiquei tentado a falar com ele e receber um aperto de mão deste homem que respeito tanto. Não sei se eu seria bem recebido por ele ou não. Isso vou ficar sem saber. Será que Nelson ficaria incomodado com o pequeno chamado de um jovem que queria apenas dizer-lhe o quanto adorou finalmente conhecer BOCA DE OURO e se emocionar novamente com a saga de Fabiano, Sinha Vitória, Baleia e os meninos? Tomara que haja uma próxima vez, garanto que essa timidez besta não vai me controlar de novo.

Sobre NÃO POR ACASO, eu deveria ter saído da sala junto com Nelson. Acho que estou ficando cada vez mais chato com filmes pretensiosos como esse. É sério, eu não aguento mais qualquer filme que tenha algum acidente automobilístico tendo relação com quase todos os seus personagens. Já teve AMORES BRUTOS, 21 GRAMAS, CRASH... chega!! Só esse fato e o barulho da sala antes da apresentação me fez perder grande parte da atenção que o filme e os personagens poderiam ter da minha pessoa. Mas isso foi o de menos, constrangedor e ridículo foi ver o público pagante sendo praticamente expulso das suas cadeiras para os membros da equipe assistirem o filme como o público. Porra, eu queria ver se fosse comigo, eu não sairia e ainda deixava claro pra todos que quisessem ouvir que paguei por aquele lugar para assistir a droga daquele filme. Sou um cara até considerado calmo, mas se mexer comigo, leva. Qual era o papel que a organização deveria ter? Deixar aqueles lugares reservados e quem fosse se sentar lá seria avisado da reserva. Pronto, aí tudo ficava bem. Eu saí da sala com 1h de filme, pois senti que a experiência de estar lá não tava me adicionando em nada, além de me sentir desapontado com o que aconteceu. A apresentadora Graça Araújo ainda deu umas meladas nesta edição de sexta-feira nas apresentações de NÃO POR ACASO e EISENSTEIN que nem quero me lembrar agora.

Tirando o final anti-climático da minha passada pelo Cine-PE, valeu a pena aparecer naqueles dias por lá. Teve muitos títulos de curta-metragem que gostei muito de ter conhecido e assisti um dos melhores longa-metragens da nossa safra recente, além de fazer pela primeira vez em toda a minha vida a cobertura de um festival reconhecido nacionalmente (com um certo atraso, é verdade) através deste espaço que tanto me faz bem e prazer de manter no ar. Muito obrigado mesmo a todos que já nos visitaram algum dia e que continuam visitando o VÁ E VEJA para conferir as minhas impressões. Se não fosse por vocês e pela minha iniciativa de virar blogueiro, eu nunca teria tido essa primeira experiência. Até a próxima!

sábado, maio 05, 2007

Enquanto isso na fila do cinema...


PS: Povo... o texto sobre a minha última noite no Cine-PE 2007 está maior do que eu esperava. Só me falta dar aquela revisada e ele será publicado ainda neste domingo. Por enquanto, divirtam-se com esse vídeo bem curioso achado no YouTube.

Quem for ou estiver em SP, não pode perder essa!!

Durante o mês de maio a Biblioteca Municipal Prefeito Prestes Maia estará apresentando a Mostra “O Medo no Cinema”, com a exibição de 4 clássicos de terror e suspense. Cópias em 16mm. Sempre aos sábados, às 13:30hs. Gratuito!

Organização: Sergio Luiz de Andrade e Vinícius Del Fiol.

Dia 12

Mórbida curiosidade (Peeping Tom, ING, 1960)

Direção: Michael Powell

Dia 19

A Casa da noite eterna (The Legend of hell house, ING, 1973)

Direção: John Hough

Dia 26

Anjo da noite (idem, BRA, 1974)

Direção: Walter Hugo Khouri


Local: Biblioteca Municipal Prefeito Prestes Maia
Av. João Dias 822 - Santo Amaro
Tel.: 5687-0513
Lotação: 150 lugares

quinta-feira, maio 03, 2007

CINE-PE: 26 de abril

Vídeos e curtas:

RAPSÓDIA DO ABSURDO (GO) - Dir. Cláudia Nunes

Documentário experimental feito a partir de imagens de arquivo de dois tristes episódios que envolvem a luta pela terra e pelo campo aqui no Brasil. Eu achei válida a proposta e a mensagem que o vídeo quis passar, mas ainda penso que ele poderia ser bem mais enxuto. Às vezes pensava que assistia a um videoclipe longo. Talvez eu não me sinta bem ou não seja acostumado a ver pouco mais de 10 minutos só de imagens e sons, sem qualquer diálogo. No geral, interessante.

CHORUME (SP) - Dir. Hélio Vilela Nunes

Muito, muito legal! O meu vídeo favorito de todos os que vi no evento. Ele retrata a estranha experiência que um gari passa durante a sua habitual jornada de trabalho noturno. Não vou dizer o que acontece a ele, mas vale dizer que o curta me fez lembrar o ótimo DEPOIS DE HORAS de Scorsese. Quando o Hélio apareceu no palco para falar sobre o filme, não pude deixar de pensar "Olha só que figura!" hehe. E é das figuras que muitas vezes temos gratas surpresas. CHORUME é bem direto, muito divertido e prazeroso de se ver. Vale a pena conferir.

NA CORDA BAMBA (PE) - Dir. Marcos Buccini

Taí um curta de animação que agradou em cheio o público do festival. Ele é daqueles filmes que vivem de uma idéia até simples, mas que é bem executada. Aí é que está a diferença. Para mim, o curta fala sobre a quantidade de vezes em que caminhamos nas ruas das nossas cidades sem se importar muito com o que está acontecendo ao redor. Até o momento em que ocorre algo que nos faz sorrir e querer lembrar daquilo durante a volta ao trabalho ou pra casa para contar o acontecido. No início, confesso que não gostei só por ele não fazer muito o meu estilo, mas revendo um pouco dele agora na cabeça acabei o achando legal.

ATÉ O SOL RAIÁ (PE) - Dir. Fernando Jorge e Leandro Amorim

Para (in)felicidade minha e dos presentes, os realizadores não conseguiram entregar a cópia em 35mm a tempo. Uma pena.

BEIJO DE SAL (SP) - Dir. Felipe Gamarano Barbosa

Já era hora de alguém chegar dando porrada na tela. Esse curta-metragem de ficção do Felipe foi o primeiro dos dias em que participei a fazer isso. Vencedor de prêmios nacionais e internacionais, o filme fala a respeito da amizade de dois homens durante o desenrolar de uma festa de Ano Novo. Tudo acontece a partir do momento em que Paulo chega na casa de veraneio de Rogério acompanhado da mulher com quem ele acabou de se casar. Paulo é um rapaz dos seus 30 anos, enquanto que Rogério já está na casa dos 40 e é um autêntico "bon vivant". Esse cara foi o terror das feministas durante a sessão hehehe. Um dos maiores destaques do filme é Rogério Trindade, que vive e dá seu nome ao anfitrião, numa atuação extremamente natural e ao mesmo tempo comovente. Graças à direção de Felipe e a excelência da atuação de Rogério, o espectador atento até compreende os atos estúpidos que o personagem comete só por gostar muito do seu amigo. Muito bom. Merece demais ser visto e conhecido por também apresentar dois nomes que ainda serão mais reconhecidos no cinema nacional, mas posso dizer de antemão que não é para todos os públicos.

CABACEIRAS - Dir. Ana Bárbara Ramos

Cabaceiras é o nome de uma cidade localizada no interior da Paraíba onde vários filmes nacionais são rodados. Esse documentário de curta-metragem bem estruturado tem seu foco em três pessoas do município que participaram de produções como O AUTO DA COMPADECIDA. Gostei muito de ver o posicionamento crítico que elas tem ao falar que a sua cidade não serve só como cenário de região afetada pela seca (lá tem os típicos laguinhos rasteiros, mas água é uma coisa que não falta nas casas) e que muitos realizadores exploram isso para vender essa imagem sofrida do Nordeste conseguindo assim dinheiro de leis públicas de incentivo com a intenção de financiar o resto do filme. Há uma senhora entrevistada que dá uma viajada daquelas e achei muito legal a diretora do documentário manter a integralidade do que ela queria dizer. No final, os aplausos ao curta e aos seus personagens foram realmente merecidos.

NOITE DE SEXTA, MANHÃ DE SÁBADO (PE) - Dir. Kleber Mendonça Filho

Com este filme, Kleber abocanhou mais um prêmio de melhor direção de curta-metragem no Cine-PE. Dos três dele que eu assisti, NOITE DE SEXTA, MANHÃ DE SÁBADO é o que menos aprecio e me identifico. O que não quer dizer, porém, ele não tenha os seus méritos. Trata-se de uma história de amor contada em 15 minutos através de uma ligação de celular feita de Recife para Kiev. O filme é mais simples do que muita gente esperava depois de VINIL VERDE e ELETRODOMÉSTICA, mas é uma experiência original que ainda deve agradar e fazer pensar os públicos de vários festivais.

Um adendo: Você ainda não viu VINIL VERDE? Caso queira assisti-lo através do Porta Curtas, clique aqui. Eu o considero uma das melhores obras do cinema nacional de curta-metragem. Leandro Caraça e Diogenes L. Cesar, não duvido nada vocês dois gostarem desse filme.

Longa-metragem:

OS 12 TRABALHOS (SP) - Dir. Ricardo Elias

Gostei tanto que irei fazer um post em breve só sobre ele. Trata-se de um filme muito especial, sincero, humano e sem frescurites narrativas sobre o inesquecível primeiro dia de trabalho de Éracles (vivido com garra pelo jovem ator paulista Sidney Santiago, que também foi merecidamente premiado pela sua bela atuação aqui no Cine-PE)como motoboy. Fiquei muito feliz e grato pela surpresa ao ver um trabalho com tantas qualidades me saltando aos olhos, principalmente pela dignidade e respeito conferidos a um personagem do nosso cotidiano que acredito que nenhum outro realizador teve interesse de analisar de maneira decente. Belíssimo.

terça-feira, maio 01, 2007

CINE-PE: 24 de abril

Nossa... dois dias que quero escrever sobre o Cine-PE aqui e eu não consigo. Bom, para as atualizações não atrasarem muito, finalmente darei uma geral sobre todos os dias em que pude comparecer. Estive presente nos dias 24, 26 e 27 de abril. Irei ficar atualizando aqui até a hora que irei sair da Internet por causa do tempo limitado (dividir PC depois de quase 2 meses sem mexer direito com os irmãos é dureza... quem não tem não imagina a barra hehehe). Infelizmente não pude comparecer no sábado pra ver as projeções de O CÃO SEM DONO e de UMA VIDA E OUTRA, do camarada Daniel Aragão.

Vamos aos comentários do que rolou na terça-feira...

Vídeos e curtas:

EU SOU COMO UM POLVO (MG) - Dir. Sávio Leite

Gostei muito da proposta e do vídeo em si. O diretor Sávio Leite posicionou a sua câmera embaixo de uma mesa de vidro e o artista Lourenço Mutarelli desenha dois bizarros auto-retratos enquanto ouvimos a sua voz em off lendo um texto autobiográfico. O texto é um pequeno desabafo sobre o seu passado e uma revelação do quanto a sua arte de desenhar o ajudou. Bonito de se ver e até emocionante para o espectador que já tenha visto apenas a qualquer um dos trabalhos de Mutarelli.

PIXINGUINHA E A VELHA GUARDA DO SAMBA (SP) - Dir. Ricardo Dias / Thomas Farkas

No ano de 1954, Thomas Farkas filmou uma apresentação de Pixinguinha e o Pessoal da Velha Guarda no Parque do Ibirapuera em São Paulo com uma câmera 16mm de corda, nas festividades do quarto centenário da cidade. Ricardo Dias resgata essa preciosidade e conta a história do dia da filmagem através de depoimentos do próprio Farkas, que co-dirige o filme. Trata-se da única apresentação filmada de Pixinguinha e seu grupo, portanto o curta é bem válido.

Longas-metragens:

O MUNDO EM DUAS VOLTAS (SP) - Dir. David Schürmann

Não curti o chamado documentário da Família Schürmann. Quando vi que um dos próprios membros da família era o diretor do filme fiquei com o pé atrás no mesmo instante. Deveriam ter chamado alguém de fora do ambiente familiar, pois o resultado final é até mais careta do que você pode estar imaginando agora. O que falar sobre um documentário de viagens onde nenhum problema acontece e o pessoal é bem recebido em todos os cantos em que eles colocam os seus pés? Ah sim, o Capitão fala que a embarcação quase foi assaltada por piratas. Mas cadê as imagens? Pra mim não há coisa pior para um documentário do que afirmar qualquer coisa e não a comprovar de alguma maneira. Resumindo, é filme pra turista de sofá ficar deslumbrando as belas imagens dos vários lugares que os Schürmann visitam. Posso estar sendo bem cruel, mas até parece que essa produção só foi feita para a famosa família de viajantes conseguir mais patrocinadores do que os que já tem. As melhores coisas dele são a curiosa passagem pela Filipinas durante a Semana Santa onde o espectador vê uma crucificação sendo encenada (nada com cordas como se faz por aqui, lá o sujeito é pregado mesmo nas mãos e pés!!) e a eternização da garotinha Kat, que era soropositiva e faleceu no ano passado aos 13 anos de idade. Ela está uma graça no filme.

O CÔCO, A RODA, O PNÊU E O FAROL (PE) - Dir. Mariana Fortes

Sei que é muito, muito feio dizer isso, mas eu tava bem cansadinho e acabei tirando uns cochilos pra me dar conta de que era melhor sair dali para ter uma boa noite de sono no conforto da minha casa. Pelo que eu vi, é um registro válido sobre o côco de roda ou samba de côco, que é uma vertente musical muito forte aqui em Pernambuco, e as suas personagens que, mesmo quase anônimas e apenas mais conhecidas dentro das suas comunidades, continuam a fazer com que o Côco continue com força por muitos e muitos anos.

Homenagem: Patrícia Pillar

A homenageada da noite de terça-feira foi a atriz Patrícia Pillar, que estava presente no evento e recebeu o troféu Calunga em mãos. Ela estava linda e a achei bem sincera e modesta em seus agradecimentos. Antes dela subir ao palco, foi passado um vídeo realizado pela organização do festival e o Canal Brasil em homenagem à atriz com várias de suas participações no cinema e na TV, inclusive em PARA VIVER UM GRANDE AMOR, um musical oitentista em que ela contracena com Djavan. Foi bem divertido quando ela disse "Ainda bem que evoluímos, tomara que a gente nunca mais use isso" sobre a maquiagem dela no filme hehehehe. E fiquei bem feliz quando ela falou sobre o grande trabalho que está tendo atrás das câmeras na realização do documentário dela sobre Waldick Soriano, justamente por comprovar que esse filme vai sair mesmo!!

PREMIAÇÃO DO CINE PE 2007

LONGAS-METRAGENS
* Troféu Gilberto Freyre: O Côco, a Roda, o Pneu e o Farol (PE), de Mariana Fortes.

* Prêmio Especial da Crítica: Cão sem Dono (SP), de Beto Brant e Renato Ciasca
* Prêmio Especial do Júri: 5 Frações de uma Quase História (MG), Direção coletina mineira.

* Melhor Atriz Coadjuvante: Branca Messina, de Não por Acaso (SP)
* Melhor Ator Coadjuvante: Flávio Bauraqui, por Os 12 Trabalhos (SP)
* Melhor Direção de Arte: Adriana Lemos Mroninski, por 5 Frações de uma Quase História (MG)
* Melhor Trilha Sonora: André Abujamra, por Os 12 Trabalhos (SP)
* Melhor Edição de Som: Luiz Adelmo, por O Mundo em Duas Voltas (SP)
* Melhor Montagem: Marcio Canella, por Não por Acaso (SP)
* Melhor Fotografia: Pedro Farkas, por Não por Acaso (SP)
* Melhor Roteiro: Cláudio Yosida e Ricardo Elias, por Os 12 Trabalhos (SP)
* Melhor Atriz: Tainá Muller, por Cão sem Dono (SP)
* Melhor Ator: Leonardo Medeiros, por Não por Acaso (SP) e Sidney Santiago, por Os 12 Trabalhos (SP)
* Melhor Direção: Ricardo Elias, por Os 12 Trabalhos (SP)
* Prêmio Especial do Público: O Mundo em Duas Voltas (SP)
* Melhor Longa-Metragem: Cão sem Dono (SP), de Beto Brant e Renato Ciasca

CURTAS-METRAGENS
* Prêmio da Associação Brasileira de Documentaristas (ABD): Schenberguianas
* Prêmio Josué de Castro: Schenberguianas
* Prêmio Especial do Júri: Joyce (SP), de Caroline Leone
* Prêmio Especial do Público: Cabaceiras (PB), de Ana Bárbara Ramos
* Prêmio Especial da Crítica: Vida Maria (CE), de Márcio Ramos
* Melhor Atriz: Joana Seibel, por Fúria (RJ)
* Melhor Ator: Nando Cunha, por O Homem (DF)
* Melhor Direção de Arte: Rafael Targat, por Fúria (RJ)
* Melhor Trilha Sonora: Hérlon Robson, por Vida Maria (CE)
* Melhor Edição de Som: Daniel Turini, por Pixinguinha e a Velha Guarda do Samba (SP)
* Melhor Montagem: Grilo, por Schenberguianas (PE)
* Melhor Fotografia: Cláudio Leone, por Joyce (SP)
* Melhor Roteiro: Márcio Ramos, por Vida Maria (CE)
* Melhor Direção: Kleber Mendonça Filho, por Noite de Sexta, Manhã de Sábado (PE)
* 1º Prêmio Aquisição do Canal Brasil: Beijo de Sal (RJ), com direção de Felipe Gamarano Barbosa
* 2º Prêmio de Aquisição do Canal Brasil: Trecho (MG), com direção de Clarissa Campolina e Helvécio Marins Júnior
* Melhor Curta-Metragem: Vida Maria (CE), com direção de Márcio Ramos

VÍDEOS DIGITAIS
* Prêmio da Associação Brasileira de Documentaristas (ABD): Stela do Patrocínio, de Márcio de Andrade
* Prêmio Especial da Crítica: O Jumento Santo e a Cidade que se acabou antes de começar (PE), com direção de Wiliam Paiva e Leonardo Domingues
* Prêmio Especial do Júri: para o ator Otávio Augusto pelo vídeo Ruínas
* Melhor Montagem: O Jumento Santo e a Cidade que se acabou antes de começar (PE). Montadores: Wiliam Paiva e Leonardo Domingues
* Melhor Roteiro: O Jumento Santo e a Cidade que se acabou antes de começar (PE). Roteiristas: Leo Falcão e André Muhle.

* Melhor Direção: Além de Café, Petróleo e Diamantes (SP). Diretor: Marcelo Trotta.

* Prêmio Especial do Público: O Sapo (RJ), com direção de Adolfo Sarkis.

* Melhor Vídeo Digital: O Jumento Santo e a Cidade que se acabou antes de começar (PE)