segunda-feira, fevereiro 26, 2007

The Power of Christ Compels You!!


Ainda bem que desliguei a TV e fui dormir sem ver o resto dessa porcaria!! A chamada "Academia" mostrou o quanto é preconceituosa mais uma vez. 2007 foi outro ano marcado por fortes injustiças só por causa disso. E eu quero lá saber do porra do Al Gore falando de aquecimento global e tendo o ovo fortemente babado por Di Caprio, Winslet e cia? E eu quero lá saber do porre da Celine Dion estragando o fantástico, lindo, extraordinário tema de ERA UMA VEZ NA AMÉRICA? Aqui fica registrado o meu protesto e os meus pêsames a quem ficou acordado e perdeu um tempinho muito valioso das suas vidas, seja por cinefilia ou profissão. Só se salvaram algumas poucas premiações (finalmente Whitaker vai ser mais reconhecido pelo povão!) . Meu único arrependimento foi o de não ter visto a montagem especial que homenageia os vários grandes artistas do cinema que deixaram o nosso plano terrestre no ano passado que foi muito macabro para todos nós nesse sentido. Ela deve ter tido a maior duração de todas.

PS1: Premiação bem mais justa foi o 1º Movie Bloggers Awards. Discordo de alguns vencedores, mas ela dá um banho naquilo que passou na noite de ontem na TV em termos de justiça e sinceridade. Cliquem aqui pra conferir.

PS2: O camarada Thales Oss atualizou o seu Cine Delírio. Podem dar uma passada lá para dar aquela força porque a proposta do blog é muito boa.

PS3: Como vocês podem ver no box de comentários abaixo, meu PC doméstico pifou no último sábado. Em questão de minutos, vocês veriam aqui um post destacando o controvertido e divertidíssimo BORAT. Vou ter que escrever sobre ele de novo, já que não deu tempo pra salvar o texto num disquete e nem sei se irei perder o HD. É foda...

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

A HORA E A VEZ DOS INJUSTIÇADOS!

Se esses dois caras ganharem os respectivos Oscar de melhor ator e de melhor ator coadjuvante, confesso que vou vibrar.


O companheiro Herax me fez relembrar ontem que Forest Whitaker atuou em O GRANDE DRAGÃO BRANCO, crássico da saudosa Cannon Pictures. Pense como aquela turminha lavava dinheiro fazendo altas tralhas!! Whitaker é o ator mais cotado para ganhar o prêmio pela sua elogiadíssima atuação como Idi Amin em O ÚLTIMO REI DA ESCÓCIA.


Já Jackie Earle Harley é um caso especial. Em menos de três anos, o cara atuou em dois filmes do Albert Pyun (simplesmente DOLLMAN e NEMESIS!) e ainda apareceu em MANIAC COP 3 de William Lustig. Harley foi indicado pela sua capacidade de roubar a cena de vários atores mais conhecidos do que ele em PECADOS ÍNTIMOS.

Perdi completamente o respeito pela premiação há um bom tempo e isso se agravou mais ainda com o evento do ano passado, mas mesmo assim estou na torçida por eles!

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Imagens do Carnaval do VÁ E VEJA

Acabou-se o que era doce. Depois de uma pequena e mais prolongada folga dos afazeres cotidianos por causa das festividades do Carnaval, já estou de volta ao mundo real. Posso dizer que aproveitei bem esse tempinho. Além de ver mais filmes, dediquei um tempo à leitura, dei algumas saídas bem tímidas se comparadas aquelas dos anos anteriores, descansei um pouco mais do que o de costume para repor as energias e escrevi pro blog na segunda-feira. É como eu disse para um amigo ontem, as imagens mais marcantes do meu carnaval deste ano foram as imagens cinematográficas dos filmes que eu vi. Aqui estão algumas delas, sem legendas para alguns de vocês se divertirem tentando adivinhar de quais filmes elas são. Umas são mais fáceis e outras não. Só não vale clicar no botão direito do mouse pra checar o link das fotos hehehe:







E mais esse que acabei de fechar a folga com chave de ouro:


Darei as respostas ainda hoje nos comentários abaixo. O legal é que gostei de todos os filmes, cada um a sua maneira. Espero comentar alguns deles ainda esta semana.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

RECOIL: Trailer + Cena

Esse trailer é uma comédia como o próprio filme. Ele entrega praticamente tudo o que vai acontecer e as melhores cenas de ação, mas dá para quem nunca assistiu a um dos filmes da PM na vida ter uma idéia das coisas que mais me atraem neles, como as atuações horrendas coroadas por diálogos ultra-clichês. Dá para perceber também que o nível de CGI nas cenas de ação é próximo do zero, algo que muitos técnicos medrosos não ousam fazer hoje em dia.



A cena de perseguição do início, divirtam-se:



PS: Os indicados do Movie Bloggers Awards já foram selecionados pela comissão de 17 blogueiros participantes do evento. Acessem o Pipoca com Manteiga e confiram o resultado. Parabéns ao companheiro Victor Nassar pela excelente iniciativa. A justiça será feita!

Gary Daniels em dois filmes da saudosa PM Entertainment

Gary Daniels é um dos outros figuras que participavam das saudosas sessões domésticas faladas no último post. Particularmente, acho uma puta injustiça ele não ser melhor aproveitado hoje em dia como podemos ver no pavoroso LADO A LADO COM O INIMIGO, onde nem mesmo Anthony Hickox conseguiu fazer alguma coisa para ajudar a salvar tudo da desgraça total. Daniels pode não ser nenhum mestre da atuação, mas ele é carismático, tem presença de cena e luta muito, além de ser britânico e garantir um charminho extra por causa do seu sotaque. O cara tinha tudo para ser um grande astro do cinema de ação e acabou tendo a carreira prejudicada com a repentina falência da PM Entertainment em 2000, a prolífera produtora de filmes B chefiada por Richard Pepin (que iria produzir e dirigir depois uma grata surpresa chamada A CAIXA) e Joseph Merhi, onde o astro britânico fez alguns filmes notáveis. Vamos aos comentários que chegaram mais demorados do que o previsto, mas chegaram:


FÚRIA ASSASSINA não é somente um dos melhores filmes de ação da PM, mas um dos melhores e mais divertidos exemplares do gênero dos anos 90. Cara... como eu fiquei feliz quando percebi que ele continua tão legal quanto o vi pela primeira vez numa sessão noturna da Rede Record. Dirigido por Merhi, o filme tem Gary Daniels como protagonista interpretando Alex Gainor, um professor de primário que tem uma vida das mais pacíficas e felizes ao lado da sua esposa e filha pequena, mas é feito de refém por um fugitivo de policiais corruptos. Os dois acabam sendo pegos pelos perseguidores e encaminhados a um laboratório secreto (que é exatamente como se imagina um laboratório tosco de filme B!) onde são realizados experimentos igualmente secretos do governo com seres humanos para a criação do assassino de guerra perfeito. Ohhhhh!! Que novidade!! Eu nunca vi isso antes em filme nenhum!!

Gainor recebe a injeção de uma droga feita para esse fim e não demora muito para que ele se liberte do local, pegue uma metralhadora de um guarda idiota e faça uma verdadeira festa espancando e baleando vários outros guardas idiotas. Os vilões - que tentam fazer cara de mal sem o menor sucesso - conseguem controlá-lo um pouco e o levam a um local deserto para acabar com a vida dele. Não conseguem e alguns acabam partindo desta pra melhor hehehe. A partir daí, as cenas de ação não param e se revelam muito bem executadas para uma produção assumidamente B e feita para o mercado doméstico. As minhas favoritas são as as passadas no topo de um grande prédio comercial (que acaba numa luta corporal dentro de um helicóptero, assim como o recente ADRENALINA com Jason Statham. Olha aí a fonte...) e num shopping center onde tem uma loja de vídeos da PM que exibe cartazes de CIA - CODINOME ALEXA, TOLERÂNCIA ZERO, A ARTE DE MORRER, CYBERTRACKER e outras jóias da cinematografia mundial produzidas por ela (exagerei nada hehehe) escapa imune da destruição. Acho que o filme não seria tão legal se o roteiro não incluísse uma boa crítica ao jornalismo sensacionalista enquanto mostra a cobertura da mídia sobre os inevitáveis desastres e corpos deixados para trás que acompanham a desesperada fuga do protagonista dos bandidos, da polícia, do FBI e da CIA!! O fracassado jornalista televisivo Harry Johansen (Kenneth Tigar, de PHANTASM 2) é o único que tem interesse em ouvir a versão de Gainor dos acontecimentos. Gary Daniels está em ótima forma, comprovando toda a desenvoltura frente às câmeras que eu falei mais acima.

Sim... sim.... este é aquele tipo de filme onde há várias falhinhas técnicas e de roteiro, onde os bandidos tem a pior mira possível, onde o ônibus escolar que o malvadão toma do motorista não tem nenhum pirralho dentro e etc. Mas quem quer gastar 1h30min do seu tempo com uma boa e inofensiva diversão está pouco se lixando para isso. Se você está a fim disso, pode dar uma chance para FÚRIA ASSASSINA que as chances de uma decepção são quase nulas. Na minha prateleira de DVD's, esse filme onde o pobre coitado do protagonista invade uma casa pra matar a fome e é agredido pelos proprietários - um casal de sadomasoquistas (!!!) - está lado a lado do glorioso, do magnífico, do genial COMANDO PARA MATAR do casca-grossa Mark L. Lester. Ele merece.


Em TENSÃO TOTAL, Daniels interpreta Ray Morgan, um policial que se envolve em um tiroteio contra um grupo de assaltantes e que acaba matando um deles junto com seus colegas de corporação. Ray e os companheiros descobrem que ele era de menor e filho de um mafioso (Richard Foronjy, de O PAGAMENTO FINAL e FUGA À MEIA-NOITE). O criminoso, por sua vez, faz com que os seus outros filhos se juntem aos seus capangas para cumprir uma violenta vingança contra todos os policiais responsáveis pela morte do jovem assaltante. Nada que já não tenha sido visto inúmeras vezes antes, não é? Por mim, até aí está tudo bem, já que existem vários filmes sem nenhuma novidade e muito bons mesmo assim por serem bem realizados e defendidos ao longo da sua duração. TENSÃO TOTAL não é um deles. O diretor e co-roteirista Art Camacho não busca outras soluções e segue aquela velha cartilha dos filmes de vingança, com a diferença de que para acontecer algo que deixe o personagem de Daniels extremamente puto e com uma vontade desgraçada de partir pra cima da família do mafioso e seus homens são gastos mais de 45/50min de filme!! Aí é demais pro saco de qualquer um. Ainda bem que o filme chega a ser involuntariamente engraçado por querer se levar tão a sério a todo custo. Simplesmente não dá pra fazer isso porque o roteiro é muito previsível e recheado por alguns dos diálogos mais clichês que já tive o prazer de ouvir. Adicione à receita o típíco show de pirotecnia que a PM sabia fazer tão bem e Gary Daniels fazendo bonito em algumas cenas de luta que o filme está pronto para ser lançado nas prateleiras. TENSÃO TOTAL passa o tempo, mas é bem inferior ao FÚRIA ASSASSINA que tinha um roteiro melhor e nem levava as suas cenas absurdas a sério. Enfim, a fita é válida apenas para os fãs mais alucidados do gênero que se divertem com todo o humor involuntário desse tipo de produção e os de Daniels, que também se leva a sério demais aqui.

Todos os dois filmes foram lançados em DVD no segundo semestre do ano passado pela New Pictures do Brasil Entertainment. Usei os títulos de quando eles saíram em VHS no Brasil e só o TENSÃO TOTAL saiu com o título de VINGANÇA SANGRENTA. Extras zero, menus fuleiríssimos e imagem/som de VHS com qualidade bacana, mas pelo menos a gente saiu na frente uma vez já que temos essas maravilhas em DVD e os gringos FDP secos por elas não hehehe.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Um papinho sobre minha adolescência e algumas pérolas que me marcaram

Eu tava teclando com o amigo Luiz Alexandre no MSN um dia desses e disse que iria escrever sobre dois filmes do Gary Daniels que tinha revisto nessas férias. Na mesma hora, bateu o desejo de compartilhar com vocês um pouco da minha alegria em relembrar daqueles tempos onde eu não fazia a menor idéia do quanto a vida é uma pauleira. Confesso que sinto muitas saudades de quando eu tinha os meus 13 e 14 anos. Muitas coisas aconteceram naqueles tempos, tanto no lado pessoal, quanto na cinefilia. Essa fase me marcou tanto que não consigo me lembrar do que aconteceu em 98 ou em 99, penso sempre nos dois anos ao mesmo tempo. Em meados de 1998, a minha família já estava estabelecida no mesmo lugar em que moramos até hoje, ganhei um "galo" na primeira briga realmente feia que eu tive (sem deixar de quebrar o nariz do infeliz que mexeu comigo hehehe) e eu já começava a me ligar um pouco sobre as garotas, principalmente no que elas queriam escutar dos meninos através das suas "mensagens subliminares".

Só estou falando um pouco sobre isso porque vários filmes vistos nesta época me marcaram tanto quanto esses acontecimentos tão comuns na vida de um adolescente. Eu era tarado pelas locadoras de VHS que impregnavam os subúrbios de Casa Amarela, bairro onde se situa o Educandário São José, a escola em que estudei do Jardim até a 8ª série aqui em Recife. Eu não era sócio de uma, duas ou três, mas de quatro! Elas eram ainda bem mais baratas do que as próximas da minha residência e contavam com as pérolas que essas não tinham nas prateleiras. No final de semana, pegava aquele pacotão só de filme que tinha porrada, tiro, explosão e mulher nua hehehe. Poxa vida... quantas saudades. Várias vezes participei e marquei sessões domésticas regadas a muitas risadas, pipoca e Coca Cola com os filmes de Jet Li (os que marcaram... TAI CHI, LUTAR OU MORRER, MÁSCARA NEGRA e MÁSCARA DA MORTE, o DURO DE MATAR do Wong Jing), Jackie Chan (a gente viu os clássicos CITY HUNTER e O MESTRE INVENCÍVEL mais de 5 vezes!!), Van Damme, Dolph Lundgren, Don "The Dragon" Wilson, Jeff Speakman, Jeff Wincott e outros figuras. Ainda vi A CATEDRAL no mesmo período e me lembro como se fosse ontem do quanto eu fiquei confuso com o filme, mas que gostei dele mesmo assim hehehe. Aquela foi a minha iniciação ao glorioso cinema de terror italiano. :)

Havia ainda o saudoso Cine Trash (Cara... como eu amava aquilo!! Dá pra fazer uma lista com mais de 10 títulos que passaram lá e que estão guardados na memória com muito carinho) e os que passavam de montão na Band e na Record de noite. Pense no barulho que era a sala de aula antes do professor entrar lá. Dava pra escutar que outros colegas também estavam comentando do mesmo filme que tinha passado ontem de noite na TV. Nas sessões de VHS, assistimos altos clássicos de John Woo como ALVO DUPLO 2, RAJADAS DE FOGO, NO CORAÇÃO DO PERIGO (PQP! Não sei porque esse filme continua tão obscuro. O balé da violência de Woo impera do começo ao fim aqui), FERVURA MÁXIMA e BALA NA CABEÇA, outros de terror e suspense como RESSUREIÇÃO com Christopher Lambert (que até hoje acho bom) e A BRUXA DE BLAIR, só que a memória afetiva puxa mais para esses pequenos e despretensiosos filmes que foram assistidos com pessoas especiais que acabei perdendo aquele contato por causa dos diferentes trajetos que tomamos em nossas vidas. Os poucos (bote poucos nisso... infelizmente) com quem falo até hoje dizem que será marcada uma reunião dos ex-alunos da 8ª série de 1999. Até hoje esse encontro só fica na promessa... vamos ver se ele acontece mesmo em 2007.

Acho que volto ainda amanhã ou até hoje mesmo pra falar de FÚRIA ASSASSINA (Rage, 1996) e TENSÃO TOTAL (Recoil, 1997), os dois filmes que revi do Gary Daniels. Abraços a todos.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Stelvio Massi e Umberto Lenzi em dois "polizieschi"


DESTRUCTION FORCE (aka La Banda del Trucido / Dirty Gang, 1977) foi a minha iniciação ao cinema policial de Stelvio Massi, que é tido como um dos grandes realizadores deste subgênero que tomou aos poucos a popularidade conquistada pelos "gialli" e faroestes. Como dá para perceber no poster acima, os astros do filme são Luc Merenda e Tomas Milian. Esses dois atores fizeram tantos filmes nesta prolífica fase do cinema italiano que não consegui pensar em "poliziesco" sem a imagem de um deles vir à mente depois de ter pesquisado um pouco sobre o estilo. Se bem que MISTER SCARFACE foi a primeira VHS que eu comprei com o dinheiro da minha mesada quando eu tinha uns 12 anos de idade!! Pirei com o filme na época, só que essa é uma outra história que irei contar depois por aqui.

A cópia que eu consegui foi extraída da VHS brasileira cuja imagem está escurecida e até embaçada com legendas em branco. Vai ver ela foi telecinada diretamente da cópia em película num equipamento de terceira geração. Há ainda umas cenas que não ficaram bem coesas, o que me faz acreditar que cortes foram feitos na fita. Mesmo assim, deu pra me divertir bem com o filme que é até esquecível e não apresenta nenhuma novidade, mas os menos de 90 minutos da sua duração passam ligeirinho. Merenda encarna um policial claramente inspirado pelo Dirty Harry de Clint Eastwood. Frio e de poucas palavras, ele age bem mais do que pensa. A trama rotineira é recheada por tiros, explosões, perseguições e um show particular de Tomas Milian como o desajeitado Trash (sim, o cara se chama Lixo hehe). O filme já merece uma conferida pela hilariedade de algumas cenas protagonizadas pelo sujeito. Não tem como ficar sem rir de um cara cozinhando e resmungando da vida ao mesmo tempo para o pobre do filho dele que ainda é um bebê. No geral, trata-se de um passatempo inofensivo com as suas qualidades e uma trilha troncha daquelas que só mesmo os compositores setentistas sabiam fazer. Estou também com o elogiado MARK THE COP do mesmo diretor na prateleira me esperando para assistir. Ele deve ser ainda melhor e mais divertido.

Curiosidade: O título nacional do filme é A GANGUE SUJA DO SEXO!! Ah que saudade dos velhos tempos...


Acabei revendo GANG WAR IN MILAN (Milano Rovente, 1973) nessas férias de janeiro. O primeiro "poliziesco" de Umberto Lenzi pode não ser nenhuma obra-prima, mas é uma produção essencial para qualquer pessoa interessada no subgênero. No filme, Salvatore Cangemi (Antonio Sabato) é um grande cafetão de Milan que recebe uma forçada proposta do traficante francês Roger Daverty (Phillipe Leroy, presença confirmada em LA TERZA MADRE, o novo filme do Dario Argento) de revender drogas através das suas prostitutas. Como Salvatore está pouco se lixando para a proposta de Roger e ambos vivem tentando ferrar o outro, inicia-se uma guerra entre as duas gangues em Milão conforme o próprio título anuncia.

Uma das melhores coisas deste filme do Lenzi é o próprio protagonista. Simplesmente, Salvatore Cangemi é um dos personagens cinematográficos mais FDP que tive o (des)prazer de conhecer. O cara é impiedoso, violento, impulsivo, fica puto do nada, vive batendo nas suas prostitutas e ainda não suporta ver alguém falando inglês na frente dele. Quando vi GANG WAR IN MILAN pela primeira vez, pensei ser impossível simpatizar com um personagem assim. Já na revisão, passei a achá-lo mais humano, uma espécie de pré-Tony Montana e reparei melhor nas pequenas cenas em que ele visita a mãe no asilo. Há vários clichês vistos no filme que seriam usados muitas vezes depois em outros filmes de gangsters como a tradicional seqüência onde tem alguém sendo morto a mando do grupo e os membros da organização estão cantando, rindo e se divertindo. A veia "exploitation" do Lenzi se faz presente aqui em diversos momentos, pena que o maior ponto fraco do filme seja a sua própria direção. Tem momentos em que o excesso de "closes" enche a paciência, principalmente quando Salvatore está no seu escritório conversando com os outros membros da gangue. A trilha sonora também repete e muito a música-tema. Ainda bem que temos a beleza de Marisa Mell (de PERIGO: DIABOLIK) para dar uma compensadinha nas falhas e limpar a nossa vista de um bando de macho bigodudo e alguns dragões que "interpretam" as prostitutas. Enfim, o filme tem Sabato, Leroy, Mell, muitos tiros, mortes diversas, peitinhos de fora e um infeliz sendo torturado por choques no saco!! Tudo de bom, né? :)

Agradecimentos a Octavius e Herax, dois seres fanáticos por "poliziesco" que continuam instigando outros fãs de cinema a conhecerem o estilo.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

La Cabina (1972, ESP)



Assistam a esse maravilhoso e inesquecível curta-metragem de Antonio Mercero. Acabei de ver e já digo que o dia de meu aniversário começou de maneira espetacular. São 35 minutos aproximados do seu tempo muitíssimo bem aplicados, eu só dou 10 pro filme porque não existe nota 11 e nem 12. Já estou esperando os comentários de vocês! :)

Agradecimentos a Harlem Pinheiro, que foi quem me fez descobrir o filme.

É HOJE!!

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

David Bowie - Thurdays Child

Reencontrei este belo vídeo do Bowie no final de semana num CD antigo que eu tenho com diversos arquivos. Nunca o vi passando na TV ou alguém falando dele em qualquer tipo de veículo de comunicação, o que não deixa de ser uma pena. Talvez seja porque o clipe é minimalista e meio "pra baixo", mas ele consegue dizer algumas coisas sobre a passagem do tempo em nossas vidas que muitos filmes não tiveram êxito em transmitir.

Via YouTube:



Via RapidShare (o arquivo do CD, um ASF de apenas 4mb com qualidade acima da esperada): Clique Aqui

terça-feira, fevereiro 06, 2007

APOCALYPTO (2006, EUA)


O último fim de semana foi muito legal, apesar de algumas coisinhas que continuam teimando em me deixar um pouco chateado por dentro. São pequenas coisas mesmo, só que não irei me sentir completamente bem até o dia em que todas elas estejam resolvidas. Bem... vamos deixar esse tipo de papo de lado que estou voltando às atividades com força total depois de uma pequena diminuição no fluxo de atualizações por causa das férias que ninguém é de ferro. Usei bem mais o tempo livre para fazer as minhas coisinhas e assistir vários filmes, sinal de que não faltarão cartas na manga para serem lançadas por aqui.

Tive o prazer de compartilhar a experiência de assistir APOCALYPTO neste domingo em companhia de pessoas que realmente gostam de ver um bom filme e bater aquele papo legal depois da sessão. Antes mesmo de subirmos as escadas rolantes para entrar na filinha que já estava começando a se formar, fui agraciado com uma cópia de O HOMEM DUPLO (A Scanner Darkly, 2006), filme do Richard Linklater baseado em Phillip K. Dick que tenho vontade de ver desde que a sua produção foi anunciada! Vou ver se ele entra em cartaz ainda este mês, como estava sendo prometido, antes de assisti-lo na tela pequena. Quando a sessão começou, já vi que APOCALYPTO me deixaria com um sorriso de satisfação daqueles.... se bem que eu sorrio por causa de qualquer besteira hehe. Só aquela caçada à anta do início com menos de 5 minutos de duração paga um terço do ingresso. O restante do filme compensa ainda mais a graninha que foi gasta.

Com APOCALYPTO, já podemos dizer que Mel Gibson tem uma obra-prima na sua curta filmografia de diretor. O poder de síntese que o filme possui é impressionante. No inteligente roteiro co-escrito pelo próprio Gibson, a produção é muito bem sucedida ao contar toda a história de uma civilização utilizando apenas alguns dias, ao contrário da maioria das produções do estilo que fazem isso com meses e anos. O espectador acompanha um pouco da jornada diária do protagonista, um guerreiro chamado Pata de Jaguar (Rudy Youngblood, num desempenho mais do que satisfatório para uma estréia nos cinemas) com o seu filho e a sua esposa que está grávida. Tudo muda quando a sua aldeia é invadida pelos Maias que acabam eliminando sumariamente grande parte dos habitantes do local e ele é levado junto com os sobreviventes do massacre para a cidade deles onde terão dois destinos. Alguns homens e todas as mulheres serão vendidos como escravos e os outros que restaram deverão ser sacrificados à força para satisfazer os deuses que os habitantes do local veneram. Mas Pata de Jaguar fará de tudo para rever a sua família que se escapou do massacre e se escondeu em uma caverna.

A beleza imagética de APOCALYPTO acaba gerando um memorável contraste com a brutalidade e grosseria que está presente na maioria dos momentos da trama. Não é para menos que soltei um “PQP! APOCALYPTO é o CONQUISTA SANGRENTA dos anos 2000!” como mensagem no tópico dele na comunidade do orkut do site Cinemascópio. Os companheiros da blogosfera falaram que AMARGO PESADELO e RAMBO – PROGRAMADO PARA MATAR são algumas das influências de Gibson, mas elas só são notadas por quem é mesmo fã dos filmes. Chegou a minha vez hehe. Achei “Mad Mel” tão casca grossa na condução do filme que senti a presença espiritual de Mark L. Lester e Michael Winner, dois mestres absolutos da grosseria cinematográfica. Falando no Winner, digo também que Charles Bronson ficaria orgulhoso com aquele belo confronto final na floresta se ainda estivesse entre nós.

Quem avisa, amigo é. Vão logo correndo assistir esse filmaço na tela grande que é como ele precisa ser visto, pois a fotografia (em digital, para o horror dos conservadores!) e a direção de arte também impressionam pelo nível absurdo de qualidade que elas possuem. Se você que está me lendo agora não sabe de absolutamente nada sobre o período histórico, pode assistir o filme sem medo que dá para entender tudo. Não liguem para esse bando de críticos carolas que estão reclamando da violência "chocante" da produção. Ela não é gratuita em momento algum e se mostra perfeitamente adequada ao que o filme pede. A já famosa seqüência dos sacrifícios humanos é algo simplesmente lindo, lindo, lindo! Resumindo, APOCALYPTO consegue ser uma aula de História (mesmo que a fidelidade não seja o forte do filme...) e de Cinema ao mesmo tempo e ponto final. Tomara que Mel Gibson nos dê todo ano um filme tão bom quanto este, nem que ele tenha de bater a cara num poste por causa de uma bebedeira para ter outra idéia bacana.

PS: Matheus Trunk nos comunicou de que a gloriosa ZINGU! em sua quinta edição já está no ar para a alegria dos verdadeiros cinéfilos e para a infelicidade dos invejosos de plantão. Como é de costume, me vejo achando uma edição melhor do que a outra. Toda santa vez acontece isso. Visite, leia com carinho e seja feliz. Link: www.revistazingu.blogspot.com