segunda-feira, novembro 12, 2007

PLANETA TERROR (Planet Terror, 2007, EUA)


Há pouco mais de 2 anos, lá estava eu na sala de cinema conferindo SIN CITY, filme que é uma verdadeira adaptação de cinema para quadrinhos. E foi por ter curtido tanto SIN CITY que eu fiquei ansioso para conferir o projeto GRINDHOUSE, onde Rodriguez se une ao seu camarada Quentin Tarantino para reviver o clima do cinema "drive-in" dos anos 70 e 80, principalmente o dos 70. Originalmente, GRINDHOUSE foi lançado como uma sessão dupla com PLANETA TERROR e À PROVA DE MORTE acompanhado dos falsos trailers de MACHETE (dir. Robert Rodriguez), DON'T (dir. Edgar Wright), THANKSGIVING (dir. Eli Roth) e WEREWOLF WOMEN OF THE SS (dir. Rob Zombie). Pena que ele foi mal nas bilheterias e decidiram relançar PLANETA TERROR e À PROVA DE MORTE em versões estendidas. Eu estava mais do que disposto a encarar as 3 horas de filme numa boa no final de tarde deste último sábado.

PLANETA TERROR é divertido demais. Novidades zero, mas tudo é levado na maior descontração. A imagem que não é limpa em momento algum, a película com "falhas" gravíssimas na imagem e som e sangreira aos montes rodo fizeram a minha alegria. Isso sem contar com gente como Bruce Willis, Tom Savini, Carlos Gallardo, Michael Parks e o também produtor Quentin Tarantino no elenco. Mas a cereja do bolo é Jeff Fahey e Michael Biehn fazendo irmãos!! Só mesmo um fã de atores B para fazer uma homenagem a eles e aos outros que foram escalados pro filme. E cá entre nós, eu já senti o meu dinheirinho do ingresso todo pago ao apenas ver alguns deles atuando na tela grande. Valeu a pena demais esperar e ainda ver o glorioso trailer de MACHETE (que deve mesmo virar filme) causar tamanha vibração no público da sala em que eu estava.

Rose McGowan está nada menos que linda. A sua dança nos créditos iniciais ao som da excelente música-tema composta pelo próprio diretor, editor, cinematógrafo, produtor e também roteirista Robert Rodriguez é memorável. O ótimo Freddy Rodriguez se alia a Josh Brolin (perfeito!!), Marley Shelton e Naveen Andrews para compor o elenco principal. Esse último, inclusive, faz um cientista mercenário e terrorista que tem como "hobby" colecionar os testículos de quem sacaneia com ele. Just beautiful. ;)

Como nem tudo são flores, PLANETA TERROR comete duas falhas:

1 - Ele é muito mais o cinema despirocado de ação e terror dos anos 80 e 90 do que o dos anos 70. Até a trilha sonora é predominantemente eletrônica com inegável influência do som de John Carpenter na maioria de seus filmes. Amei ver isso como fã deste cinema barato e divertido que tanto me marcou, mas o projeto se dizia ter mais cara de anos 70 do que qualquer coisa, o que não é verdade. Fiquei um pouquinho desapontado.

2 - Os efeitos especiais são bem feitíssimos demais para um suposto filme B. Nem a PM Entertainmente em seus tempos gloriosos fazia explosões como aquelas. Aliás, Jeff Fahey era figurinha fácil nos filmes desta falecida produtora, fato que reforça o meu pequeno parágrafo escrito acima.

Enfim, PLANETA TERROR é um filmeco B de grande orçamento feito de um fã para outro fã. Ele conta com todos os absurdos e situações inusitadas num roteiro dos mais simplórios que deve agradar em cheio aos apreciadores e aos guris que devem vê-lo através da Internet ou depois em DVD por conta da alta censura de 18 anos. Há cenas repulsivas, mas nada que se compare ao sadismo de A PAIXÃO DE CRISTO do Mel Gibson que recebeu uma classificação menor.

Tirando os efeitos absurdamente bem feitos, PLANETA TERROR é cinema B em estado puro que só teve lançamento garantido nos cinemas por causa dos nomes de seu diretor e de Quentin Tarantino. Simples, alucinado e totalmente despretensioso, tudo o que eu mais queria ver naquelas poucas horas. Do jeito que curti, vai ser difícil esperar até o ano que vem pra ver À PROVA DE MORTE na tela grande. Tomara que o projeto GRINDHOUSE dê sinal verde para boas e pequenas produções do gênero também irem para a tela grande ao invés de serem lançadas diretamente em DVD.

Nenhum comentário: