domingo, outubro 14, 2007

O VIDENTE (Next, 2007, EUA)

Ohhh, a gente viu LARANJA MECÂNICA!

Já está na hora de Lee Tamahori voltar a fazer filmes na Nova Zelândia e respirar outros ares, pois este O VIDENTE é mais outro filme descartável que ele faz em Hollywood e mais um que desperdiça o nome de Philip K. Dick. Os roteiristas Gary Goldman, Jonathan Hensleigh (sim, o mala que fez do THE PUNISHER o anti-herói mais fresco de todos os tempos!) e Paul Bernbaum simplesmente pegaram um conto do escritor, colocaram de base e fizeram todo um roteirozinho cheio de clichês e mais clichês a partir dele. Confesso que nunca li nada do autor, mas estou certo de que seja impossível reconhecer qualquer coisa da sua obra aqui.

E Nicolas Cage não tem mais jeito. Se o cara continuasse aos passos de filmes como os recentes O SENHOR DAS ARMAS e O SOL DE CADA MANHÃ ao invés de apelar pra A LENDA DO TESOURO PERDIDO e O SACRIFÍCIO, a sua carreira seria outra coisa. O VIDENTE está entre os últmos, mas pelo menos posso dizer que ele é assistível.

Cage - usando a peruca de Tom Hanks em O CÓDIGO DA VINCI - "interpreta" Chris Johnson, um mágico que faz os seus showzinhos em Las Vegas e que tem o poder de ver o que acontece a ele 2 minutos antes do fato realmente acontecer. Isso até o dia em que ele vê uma garota (Jessica Biel, linda como sempre) passando pela porta da lanchonete em que está e espera ela chegar, mas isso não ocorre. A agente do FBI Callie Ferris (Julianne Moore, desperdiçada outra vez) passa a perseguir Johnson por saber que ele tem o tal poder, pois uma bomba nuclear armada por terroristas está prestes a explodir em Los Angeles e matará muita gente, incluindo o próprio.

- Jessica, a razão do filme existir é esse sarro.

Não se sabe como e nem é explicado como o FBI sabe dos poderes de Johnson. Como é que uma instituição daquelas passa a depender única e exclusivamente de uma pessoa? Qual é a motivação dos terroristas? Essas são só as primeiras de muitas crateras de roteiro que nos são jogadas na cara até o final do filme. Além de Moore, atores do nível de Thomas Kretschmann e Peter Falk também são vítimas do desperdício de talentos. Kretschmann faz um dos vilões mais patéticos e mal-desenvolvidos que eu já vi e Falk tem uma participação mínima de menos de 3 minutos em cena num papel que não faz a menor diferença para a trama.

Mas entre os filmes ruins que vi este ano, O VIDENTE consegue divertir. Pelos motivos errados, lógico. A já mencionada peruca de Tom Hanks é um deles e os (d)efeitos de CGI são uma palhaçada. Tem uma cena inacreditável em que Nicolas Cage está descendo um morro numa cena de perseguição e uma porrada de coisas caem perto dele. É carro, é pedra do Indiana Jones, é tronco enorme de madeira e por aí vai. Eu jurava que o cara ia soltar um JOGA A MÃE!!

Muitos acharam o final uma covardia, mas eu não. Pensem um pouquinho que vocês poderão achá-lo até engraçado como eu achei.

No lugar dele, veja:


SCREAMERS - ASSASSINOS CIBERNÉTICOS (Screamers, 1997) é uma daquelas pérolas que colecionaram poeira nas prateleiras das locadoras de VHS dos anos 90 e que até hoje continuam obscuras. Alguém deveria lançar logo este trabalho muito bacana do canadense Christian Duguay em DVD para os fãs de ficção científica apreciarem mais uma boa produção que faz jus ao nome de Philip K. Dick. Fazem mais de 4 anos que o assisti, mas sinto que posso recomendá-lo sem medo por aqui. Destaque para o ótimo Peter Weller no elenco, um ator que ficou tão marcado por ROBOCOP quanto Bela Lugosi por DRÁCULA. Pelo pouco que me lembro, é um puta filme.

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